Da Divina Comédia...
A aula de História
Naquela manhã, o Dr. Armando estava visivelmente bem disposto. Envolto em enorme sobretudo cinzento, entrou pela sala de aula, exibindo as baforadas do seu cachimbo.
Nós esperávamos em pé, sentindo o desconforto do assento das carteiras nas pernas, por trás dos joelhos, fazendo-as dobrar-se.
- Podem sentar-se – disse ele.
Enquanto nos sentávamos, ele inspirou intensamente a partir do seu objecto de fumo e lançou-o pelos ares.
- Sumário: A Divina Comédia.
(Lembro-me que quando chegava a casa e o meu irmão me perguntava “então o que fizeram hoje?”, eu respondia “fizemos o sumário...” e ele retorquia “isso é o resumo das coisas que se vão dar...”)
Aquele excelente professor fitou-nos e começou:
- Hoje vamos falar de um vulto incontornável da litereatura medieval: Dante. Foi autor de uma obra que, em crítica à religião católica, nos traz a sua caminhada pelo Inferno, pelo purgatório, pelo céu...
Nós começávamos a ser levados para o ambiente que ele criava com a sua descrição. O fumo proveniente do cachimbo conferia-lhe ainda uma certa distância e, apesar de, de quando em quando, aquela mão descer sobre a secretária com incomensurável força e ruído, iamo-lo seguindo dando por bem aproveitada aquela disponibilidade que ele conseguira para estar connosco...
A aula de História
Naquela manhã, o Dr. Armando estava visivelmente bem disposto. Envolto em enorme sobretudo cinzento, entrou pela sala de aula, exibindo as baforadas do seu cachimbo.
Nós esperávamos em pé, sentindo o desconforto do assento das carteiras nas pernas, por trás dos joelhos, fazendo-as dobrar-se.
- Podem sentar-se – disse ele.
Enquanto nos sentávamos, ele inspirou intensamente a partir do seu objecto de fumo e lançou-o pelos ares.
- Sumário: A Divina Comédia.
(Lembro-me que quando chegava a casa e o meu irmão me perguntava “então o que fizeram hoje?”, eu respondia “fizemos o sumário...” e ele retorquia “isso é o resumo das coisas que se vão dar...”)
Aquele excelente professor fitou-nos e começou:
- Hoje vamos falar de um vulto incontornável da litereatura medieval: Dante. Foi autor de uma obra que, em crítica à religião católica, nos traz a sua caminhada pelo Inferno, pelo purgatório, pelo céu...
Nós começávamos a ser levados para o ambiente que ele criava com a sua descrição. O fumo proveniente do cachimbo conferia-lhe ainda uma certa distância e, apesar de, de quando em quando, aquela mão descer sobre a secretária com incomensurável força e ruído, iamo-lo seguindo dando por bem aproveitada aquela disponibilidade que ele conseguira para estar connosco...
1 comentário:
Naquele tempo ainda se discutiam obras interessantes. Infelizmente para descobrir Dante e a sua "Divina Comédia", tive de ler outros livros que me levassem a ele.
De certa forma, é triste não existirem actualmente professores de história, filosofia e/ou português que nos levem pela fantástica descoberta da caminhada que Dante descreveu!
Parabéns Luis, pelos posts colocados.
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