terça-feira, julho 04, 2006

Cavalgar



Vamos estar ausentes mais uns dias...
Não é que o tempo esteja grande coisa, mas a verdade é que também não é de todo desagradável imaginar-me por essas pradarias com uma brisa suave e chuva miudinha.
Voltaremos para o terceiro aniversário do OUREM. Ideias? Duvido...

segunda-feira, julho 03, 2006

Exorcismo consumado

"O OUREM está um pouco parado...", diz-me aquela que eu confundo com a formoza amazona.
É verdade, mas, como verão, tenho as minhas razões.
Tempos houve em que o OUREM se arvorou numa voz que trazia um pouco da Ourém das décadas de cinquenta e sessenta, procurando gerar um sentimento e uma prática colectiva que levassem à não destruição de alguns símbolos dessas gerações. Houve mesmo pessoas que prometeram contribuições na mesma linha para o blog...
Mas, não menosprezando duas ou três honrosas excepções, pouco ou nada consegui.
Nenhuma bela oureana me mandou o seu livro de memórias para eu desfolhar e aqui apresentar os factos mais significativos. Também não consegui contribuições de pessoas que conheciam alguns da nossa geração. E quanto a protestos pela defesa do património urbano da época o melhor é estar calado porque o bicho que domina a casa amarela não é para brincadeiras e ainda estraga algum favor que pode vir a ser necessário.
Pouco a pouco, fui vertendo o que me recordava de Ourém. Mas, com o tempo, desapareceu-me o encanto de escrever sobre a terra: uns não ligavam nenhuma, outros estragaram tudo o que me recordava o passado...
No final, tenho a sensação de um exorcismo, porque acabei por me livrar daqueles fantasmas todos... e entrar na indiferença que se deseja para regra.
Desperados

Esta semana prossegue a alienação colectiva.
Sorte têm os incríveis dirigentes autárquicos e nacionais que escolhemos que assim veem completamente descompensada a atenção que se deveria dar aos problemas do país e da terra.
Eu devo dizer que este ópio me sabe um pouco bem. Ver aqueles onze, cheios de técnica, força e raiva, a ultrapassar a nossa pequenez traz-me algum alento. E, no fundo, a falta de atenção que associo agora à cambada de brutos que domina as condições em que vivemos é um reflexo do desprezo que lhes voto.
Mas gostava, oh!, se gostava!..., ver esses dirigentes desperados waiting for the train que os levará para bem longe, tal como aos bifes depois de tanto mal terem dito dos nossos...

Oiça "Desperados waiting for the train"

sexta-feira, junho 30, 2006

Boa vizinhança

Andava desesperado com a minha recente vizinhança. Uns gastavam-me a água do jardim sem autorização. Outros estoiraram-me com o mosquiteiro e abriram-me a janela. Aqui, mais perto do mar, é uma degradação da vivência que só pode compreender quem a sente perante a constante chegada de pessoal para a nobre arte do sexo, da erva e do pó branco vendidos sob total indiferença de quem de direito.
Mas eis que algo mudou em tudo isto. Duas vizinhas novas...
Chegaram pelo início do mês. Os dias foram passando. Elas interessaram-se por nós e, de quando em quando, apareciam para se saber como estavam e falar um pouco.
Ontem, foi demais.
-Temos a canalização entupida...
A prestável e tagarela companheira foi logo a correr, mas não tratou de nada. Pouco depois, voltou.
- Enfiaram arroz pelo cano e agora está tudo entupido. Tens de lá ir dar uma ajuda...
- Eu? Já não tenho idade para desentupir canos...
Mas lá fui para avaliar a situação. Lá estavam elas, as novas vizinhas, olhando-me cheias de esperança.
- Ai, faça-nos esse jeitinho...
O meu coração bondoso não resiste a estes apelos.
Fui mudar de roupa para não apanhar com algum jacto e, perante os calções vestidos, toda a gente aproveitou para gozar um bocado com a ridícula figura do candidato a canalizador.
- Ele tem razão. Não tem nada que ir de fato e gravata...
E lá fui cumprir a minha missão munido de toda a vontade. Apalpei a parte debaixo do cano, forcei um pouco e, pouco depois, tudo aquilo esguichou para dentro do balde ali colocado previdentemente. Desobstruí tudo, voltei a tapar e, pouco depois, a circulação de água era perfeita.
- Muito obrigado! Amanhã, já vamos rezar por si...
É verdade, esqueci-me de dizer. As vizinhas eram duas freiras de avançada idade que foram distrair-se a passar uns dias na casa ao lado da minha. Não calculam os agradecimentos no final.
E, hoje, já o sei, espera-me magnífica garrafa de um JB15 com que elas ousaram presentear-me antes de irem embora.
E andava eu tão descontente com vizinhos cada vez mais sujeitos a adornos electrónicos. Desta vez, eram duas deliciosas velhotas que me fizeram recordar aquela vizinhança antiga e saudosa que se viveu muitos anos em Ourém...

quinta-feira, junho 29, 2006

Country de arrasar para dançar

A falta de inspiração é tanta que dá nestas notáveis ausências. Tenho assistido silencioso à vossa visita e, do miradouro, vejo a evolução dos posts oureenses. Notável a criação daquele Fred do Castelo, qualquer dia até nos permite pôr comentários no dito.
Temos de actualizar o som.
O filhote, quando ouve esta canção, naqueles momentos em que eu arraso a paciência da família obrigando-a à audição das obras primas que tanto aprecio, o filhote, dizia eu, afirma que lhe parece ver porquinhos e animais da quinta a dançar. Assim, para entrarmos em estágio no baile que se vai dar aos ingleses, cuja imprensa tão bem se tem portado, aqui a deixo para os amigos oureenses. A cantadeira é a minha querida Emmylou...


Oiça Timberline por Emmylou Harris
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