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quinta-feira, maio 24, 2007

Oração de vaidade




Este desenho representa o meu pai. Alguns dos mais velhos lembrar-se-ão dele. Teve um taxi na Praça dos Carros, depois montou uma oficina frente à latoaria do Ferraz e à ourivesaria do João Dias, finalmente deslocalizou para Fátima. Era uma pessoa dura, mas bondosa. Já vos contei o episódio da casa do Largo de Castela em que mão enorme caiu sobre mim. Acho que nunca se arrependeu, mas eu dei-lhe toda a razão. Agora reparem nesta outra característica: lá para 1970, descobrimos um livro onde ele registara todas as dívidas de clientes que não tinha tido coragem para cobrar. Eram contos e contos. Olhando um pouco para trás, não sei se isto era bondade, mas, pelo menos, não era ganância. O desenho foi executado pela Li. Que também fez a minha caricatura de fim de curso.
A queda para a arte está presente em múltiplas formas na família.
O Abelito é o mais produtivo com desenhos e desenhos que distribui generosamente por todos nós. Recordo, da juventude, a sua reprodução em papel cavalinho de uma magnífica capa do Mundo de Aventuras em que o Cisco Kid afagava suavemente o queixo da belíssima Lucy. A minha mãe não se cansava de o gabar.
A Ana, por vezes, dedica-se à poesia. Temos inúmeras conversas sobre este tema e, há anos, consegui que ela dedicasse um poema ao Poço para abrir o primeiro volume do Ourém em estórias e memórias. E, como têm tido ocasião para apreciar, aqui pelo Ourem também se cultiva a arte.
Há uma característica comum em relação a esta família de artistas. Todos somos como que marginais em relação ao sistema. Ligamos muito a tudo o que fazemos, mas, fora do nosso círculo, ninguém nos liga nenhuma o que (aparentemente) não nos rala absolutamente nada. Isso, longe de nos diminuir, na sociedade actual, onde a arte é tão subserviente dos interesses dominantes, liberta-nos para produzir o que quisermos e permite-nos estar o tempo que nos apetecer sem nada produzir, permitindo simultaneamente profunda reflexão sobre as condicionantes do movimento artístico.
Enfim, desculpem, mas eu tinha que dizer isto...

domingo, novembro 21, 2004

O Pombo do Metro

Voa um pombo aflito
Na estação de metro perdido
Vem ao meu encontro assustado
Continuo o caminho, passo apressado

Não me quero recordar
Do cinzento a contrastar
Com o seu ar ternurento,
Do seu medo, do seu lamento

Pobre bichinho
Por quem sinto carinho
Cúmplice na procura dum caminho

Mas quase loucos, sem parar,
Esvoaçamos, caminhamos,
continuando no mesmo lugar...


Ana Prata

segunda-feira, novembro 01, 2004

O Poço

Guarda o Poço memórias,
D`outro tempo lindas histórias!
Reflexo de traços ausentes,
Gargalhadas cúmplices, olhares inocentes.

Retrato eterno de outrora
Leveza d`alma, certeza do mundo
Que se carrega pela vida fora
Com nostalgia, amor profundo

Tornou-se o Poço sagrado
Lugar de encontro seguro
Marco de efémera separação,
Sublimação de destino duro

Já não é penosa a solidão,
No regresso ao Poço em glória
Seres livres sem ilusão,
Mas seres puros com alguma história...

Ana Prata

domingo, outubro 03, 2004

Ricucu Uma simples folha branca que esvoaça,
Ritmada por ecos de música e p'lo vento que passa
À espera dum breve registo... um qualquer pensamento
Que a enriqueça com arte, feliz contentamento!

Uma tábua comprida é um banco
Uma mesa corrida um convite ao descanso
O mar ao longe, cenário e as dunas um manto
Aqui repousam lamentos, aqui o amor é santo!

Que seja imortal este momento,
A paz, a alegria, o sentimento....
Que tenha memória viva este sabor ameno!

Anseio sempre por voltar aqui
A este lugar tão fabuloso e tão pleno!
.... este refúgio de mim!

Ana Prata
(Praia do Gancho/ Bar do Ricucu / Agosto 2004)

quarta-feira, setembro 29, 2004

Amizade

Lembrança de outra era
Cumplicidade na amizade de então
Vive hoje numa outra esfera
Da qual não faço parte...sem razão

Recordação rasgada pelo vento
Retrato desgastado de um momento
Apenas a nostalgia, já pouca saudade
Do tempo passado, da amizade

Não é isto maldade
Apenas o medo de reviver
Angústias profundas camufladas de vaidade

Talvez o medo de perder
O rasto deste caminho que me fez render
Sem dor nem lágrimas à vida de verdade

Ana Prata

terça-feira, setembro 28, 2004

Dias Ameaçados

Linhas tortas com Frases trocadas
Falas trémulas com Palavras condenadas

Raciocínios imperfeitos na Loucura latente
Sabores amargos de um Aviso iminente

Atitudes ilógicas e Pensamentos perdidos
Dias ameaçados em Tempos ruídos

Mãos frias e Coração apertado
O Corpo em fumo num Cigarro apagado

Ouvidos moucos com Sons agudos
O Riso das Lágrimas de Sacrifícios mudos

Ana Prata

domingo, junho 06, 2004

A Ana faz anos
É verdade, a Ana, hoje, faz trinta anos. Exactamente os mesmos da nossa magnífica revolução que, quando ela nasceu, eu praticava lá para a Escola Prática de Transmissões, na Graça.
Decidi surpreender.
Hoje, ficamos assim. O sítio do post está cá. Vou, pé ante pé, à procura de fotografias da Ana, em 1974, no Verão quente de 1975, em alguns anos seguintes e vou actualizar isto ao longo da semana eventualmente com algum comentário.
É isso. Acabou-se a nostalgia e terminaram as lamúrias. Acho que vai ficar giro. ~


Faz agora 30 anos, nasceu uma linda menina ali para os lados do IST

 
Come a papa, Ana, come a papa...



Vamos conhecer os avós e os tios. A Sandra ainda não nasceu...



Tão fofinha









Vejam este magnífico três rodas


Comam, mas deixem alguma coisa para mim



No Verão quente de 75, em Santa Cruz: Sabes o que e o PREC?


E a revolução lá fora


Os meus primos são intratáveis


Acompanhando o marxista à praia


E ao ponto mais alto da serra


Ora vivam, quem manda aqui sou eu


A Ana, a Sandra e o Zé


A caminho dos Valinhos


Sob celestial protecção


A Vizinha, o Rafael, os avós, os tios e o cão


Susana, já te disse que o caminho é por aqui


Avó, conta-me aquela história do lobo mau


Ana de Tróia


O treinador dos putos faz anos. A Ana e a Sandra devem estar fulas


Com mais uns aninhos


Linda menina


Cowboys e índios

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