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segunda-feira, junho 06, 2005

Outrora: O Avenida


O sítio do bilhar Posted by Hello

Julgo que esta fotografia ainda mostra a maravilha que desfrutávamos no Avenida. Não há pormenores esquecidos: o brazão da nossa terra, o mapa do concelho
Deixemos falar as fotografias...
... e um grande obrigado ao Outrora.

Acesso ao balcão Posted by Hello

Jogadores, porta rolante, sítio para a televisão Posted by Hello

terça-feira, maio 31, 2005

Adorava esta Ourém (6)

O Restaurante do Avenida Posted by Hello

O NA insiste e lá me vai trazendo algumas imagens que acabam por dilacerar uma mente cada vez mais fraca.
Eis mais um caso que não é irrecuperável.
Tal como dizia o NO, uma sala como estas é necessária e tem toda a justificação na nossa terra. E, como eu disse, por baixo da ocupação da Marina, tudo isto lá permanece...

quarta-feira, maio 19, 2004

Ourém, uma ferida

Tinha talvez os dezanove anos. Estava todo empenhado nas económicas e a saborear os primeiros textos subversivos quando a carta chegou: "Caro Luís, mudei de emprego. Quando voltares, deverás fazê-lo para Fátima. Alugámos lá uma casa…"
Ao princípio não me apercebi das consequências, mas ao fim de algum tempo, a ferida abriu.
Ourém já não era estar, Ourém era apenas passar.
Deixei de ver a malta amiga sempre que havia férias. Deixou de haver noitadas, bailaricos em garagens e em sótãos bem revestidos. Para mim ficou provada aquela ideia: quem desaparece, esquece.
Aos poucos deixei de aparecer. Umas vezes não os encontrava, outras já não podia ficar mais, a última camioneta era às dez para as sete. Um dia, levei o Anti-Dühring para o Avenida e alguém me diz: "andas a ler essas m...? Também és desses?" Outro dia, soube da morte do primeiro dos que já partiram….
Fechei-me em Fátima. Não fiz outros amigos. Como? Se aqueles os conhecia quase desde que tinham nascido?
Ler, ler, ler, escrever também um pouco. É que havia aquela sensação de que algo tinha ficado por dizer, e múltiplas coisas por fazer…

domingo, maio 09, 2004

Revisitar o Avenida a partir da Marina


Ali, no local mais espaçoso que hoje é ocupado pela Marina, existiu, em tempos, um exemplo de bom gosto, algo de maravilhoso, o café Avenida.
Façamos um pequeno exercício com o que, actualmente, lá vemos.
Logo após a entrada, contemplemos o que se situa à esquerda, isto é, o sítio onde hoje se vendem jornais. Esse local era ocupado por cerca de quatro mesas em que as que se situavam mais perto da parede eram apoiadas por um banco corrido. Posso garantir que era o local da preferência dos mais jovens. Ali nos defrontávamos ao King: o Kansas, o Jó Rodrigues, o Rui Leitão, o Jó Alho. Também era um local de espera e de debates, onde preparávamos as farras e os bailaricos.
Mas continuemos à esquerda e vamos até ao fundo, tendo, por exemplo, como referência a estante dos Livros do Brasil. Deparamos com o sítio onde era o fabuloso balcão do Avenida, onde o Ezequiel e o Fernando Fortes preparavam as maravilhosas bicas e refrescos que nos serviam. O acesso à parte de dentro do balcão era do lado direito através de uma porta que ainda lá está.
Viremos à direita e consideremos o espaço para além do arco, antes cor de tijolo, agora embranquecido, descaracterizado. Era onde se situava o Restaurante do café. Com os poucos rendimentos de que dispunha, poucas vezes lá comi, mas consta-me e recordo que os bifinhos não eram nada maus.
O espaço entre um corredor que se segue à porta central, o cantinho da juventude, o balcão e o restaurante, onde actualmente se expõem as máquinas de calcular e outros aparelhos, era ocupado pela zona de jogo. Aí, os mais velhos disputaram renhidos combates de bridge (Fernado Rodriques, arquitecto, Dr. Durão,...?..) e dominó (Abel, Rui Costa, Luís Simões,...?...). Era também uma zona de Relações Públicas, pois bem perto dessas mesas estava a que vulgarmente era ocupada pelos proprietários do café, o Sr. Aguinaldo e esposa, duas figuras muito simpáticas que tinham sempre um sorriso para os clientes, apesar das perseguições políticas de que ele por vezes era vítima.
Consideremos, agora, o lado direito. Logo à entrada, no sítio onde a Alice expõe os perfumes e as loiças de Vista Alegre e outras marcas conceituadas, era o espaço para se ver televisão. Recordo filmes como O Homem Invisível , Sir Lancelot (ena, as histórias da Távola Redonda com a Guinevere, o Rei Artur eram o máximo!), o Robin dos Bosques , o Mister Ed (ver também este) que ali vi continuamente já não sei com que idade.
Apesar de tudo, não me lembro de grandes entusiasmos no interior do Avenida. O espaço era mais fino, mais snob, menos popular, menos ruidoso apesar de mais amplo e mais bonito.
Finalmente, adjacente em relação a esta zona, ocupado actualmente por materiais de pintura (Pelikans, Cisnes, etc.), existe o sítio onde se jogava bilhar bem perto da segunda porta de saída do café. Aí, dizia o João da Quinta, eu punha as bolas a saltar quando me irritava com as tacadas e estas não seguiam o rumo que eu planeava. Aos domingos, enquanto se ouvia o Música na Estrada e o fabuloso Oh Lady!, mais uma vez dos Les Chats Sauvages, nós iludíamos a vigilância dos pais e de outros controladores e lá fugíamos às obrigações sacras, refugiando-nos neste espaço. Depois, assistiamos, como dizia o Jó Rodrigues, ao Santo Sacrifício da Saída.
Ao terminar este roteiro sobre o Avenida, sinto uma certa tranquilidade. Animem-se, Oureenses. A Marina ocupou-o, se calhar esse até foi um meio de o preservar. Eu julgo que, se quisermos e tivermos força e meios para tanto, podemos reconstruir tudo. Sob a ocupação efémera desta empresa nada está destruído, está apenas oculto. Assim, se a Câmara quiser apoiar a reconstituição, pode começar desde já a recordar e projectar a ornamentação e mobiliário do mesmo. As belas mesas negras com vidro por cima, as belas e pesadas cadeiras, a porta giratória...
Força, vamos lá, responsáveis autárquicos, aquela Ourém merece todos os sacrifícios. E ainda existe quem se recorde de tudo, daqui a uns anos pode ser tarde demais.

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