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quinta-feira, fevereiro 14, 2008

O descanso do guerreiro


O mistério permanece.
O que teria dado ao blogger enquanto jovem para, após um período de profícua produção, com um plano para 60 obras 60, pousar a pena?
Não tenho qualquer resposta neste momento, julgando que alguma revolução se terá operado na sua vida. Não que cessasse o interesse por estes temas. Na realidade, a problemática de Golden City, uma cidade de passado maravilhoso, com um presente espezinhado por Ó Bössta e seus lacaios, justificava que se continuasse a falar sobre a mesma. Temas não deixam de existir... vejam só:
- por que é que em 42 estados da união o nível de tributação seria inferior, estando os habitantes de Golden City sujeitos a carga agravada? com certeza para continuar a alimentar os desvarios do governador como o que concretizou com o palácio...
- por que é que, estando na vizinhança de um local de passagem de múltiplas caravanas, não existiria nem se faria por existir uma cuidada urgência médica? consta que o governador estaria empenhado no apoio à viabilização de uma unidade de saúde privada...
Mas esta foto parece desmentir o interesse por essas questões. O blogger foi encontrado deitado a ler, borrifando-se para tudo à sua volta. Talvez estivesse a carregar baterias. Na realidade, uma das suas características sempre foi nunca desistir, embora dando a entender o contrário. Por isso, acreditemos que, em futuro próximo, algo mais surja por aqui...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Colecção Caravana making of - #3



Este documento foi encontrado dentro do Vol IV da Colecção Caravana. Nele, manifestava-se a intenção de produzir 60 obras. Fiquem descansados os amigos oureenses porque não vamos insistir em sinopses já que as produzidas chegam para caracterizar a situação em Golden City. Neste momento, não fazemos a menor ideia de que alucinações padecia naquela altura o blogger enquanto jovem.
Alguns títulos ainda são interessantes. Reparem:
- "A casa maldita" provavelmente para referir aquele local (o palácio do governador) a partir do qual era decidido aplicar a maioria dos danos a Golden City;
- "A revolta dos mortos", retratando o que sentiriam os anteriores habitantes da cidade, entretanto desaparecidos, perante a obra de destruição a que a mesma ia sendo sujeita pelo poder de Ó Bössta, já que aos vivos parecia faltar qualquer coisa para o contrariar ou afastar;
- "Caminhos sem horizonte", uma referência indubitável à tímida acção de alguns que anunciavam opôr-se a Ó Bössta, mas com ele pareciam conluiar-se dada a confragedora ausência de propostas e acções que deles emanavam;
- "O amigo dos índios" para referir a atitude de alguém que, triste com o comportamento oportunista e subjugado à materialidade do benefício imediato dos seus semelhantes, tantas vezes intolerantes à liberdade e à diferença, se afastou e isolou tentando acreditar na força da razão, embora sem força para a impor...
Estranhas ideias estas que nos parecem tão actuais!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Colecção Caravana making of - #2



Esta é a máquina com que naquele tempo era possível registar alguns dos formidáveis acontecimentos agora desvendados na famosa Colecção Caravana. Se a máquina resistiu, o mesmo não se pode dizer dos produtos que ajudava a fabricar e que são, hoje, raros.
Há, lembro-me, um registo interessante em que Ó Bössta agarra no ar a facada que Farison lhe enviara e aproveita para lha cravar com toda a força, afastando-o do poder por algum tempo. Acção vã, diga-se, apesar de muito saudada no Golden City News e no seu rival Golden City and its State, já que os que substituiram Farison em tudo lhe eram iguais em termos de (in)competência, pelo que Golden City continuou a estiolar.
Hoje, a máquina repousa, incapaz de funcionar, na casa dos meus fantasmas, mas ainda ajuda a lembrar muitos factos interessante antes vividos.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Colecção Caravana making of



Afinal ainda há mais algumas coisas para dizer acerca da já famosa Colecção Caravana. E uma delas é que a máquina em que algumas das suas páginas foram escritas é a que este post mostra a qual foi limpa e cuidadosamente guardada na última passagem por Ourém.
Imaginem o blogger frente àquela máquina a dar com toda a força nas teclas. Sim, os tempos não eram fáceis como agora em que a mais pequena gralha pode ser imediatamente corrigida. Antes, ou ficava ou gerava nova folha perdendo-se o restante texto já que o próprio corrector era um luxo que as pobres bolsas de adolescente não comportavam.
Ainda a propósito: o papel para os textos provinha de sebentas adquiridas na mercearia do senhor Moreira, no local onde agora existe uma livraria frente à lateral da igreja. Era papel muito bom, suave, já dobrado e, pelo que se vê, resistente...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Da octologia livreira oureana

Ufa!
Acabou.
Finalmente, o blogger pode dar por terminada esta alegoria da terra adorada nas mãos de pestilentas criaturas. A pena pode pousar e descansar. Os tempos que se avizinham vão ser a adormecida continuação dos actuais. As tétricas figuras de Golden City não desaparecerão cedo da nossa terra. Possivelmente, serão substituídas por outras muito semelhantes. Mas está dito o que era necessário. E fica registado neste poderoso meio de preservação do passado. Curiosamente, os acessos ao OUREM diminuiam à medida que progredia a divulgação da obra do jovem blogger.
Este ficará para procurar outros meios de denunciar gente que à nossa terra tanto mal vai fazendo...

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Colecção Caravana, Vol VIII – Um jovem mineiro


Data de edição: Junho de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 60, manuscritas, tinta azul.
Organização: 8 capítulos sem título; inclui ainda o terceiro e último capítulo de uma obra em continuação "Cumprimentos a Satanás".
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando uma jovem ajoelhada frente a uma sepultura, prestando a última homenagem a um ente querido. Atrás dela, um cow-boy espera respeitosamente, mãos no cinto, cabeça descoberta. Reparem na pacífica atitude do cavalo cuja cor já está quase esbatida tornando a sua presença no desenho quase invisível. A campa anuncia que Joe Nash e Bill Flanagan serão os heróis nesta história, heróis possivelmente com alguma mácula no passado já que a recensão de pé de página afirma: "Um ladrão tem sempre uma oportunidade mesmo temendo vingança...". Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida.
Sinopse da obra: Bill Flanagan passou parte da sua juventude em Golden City povoação em cujas imediações passava uma ribeira. Muita gente dizia que naquela ribeira havia ouro e que daí proviera o nome da cidade, mas que era muito difícil de encontrar. Um dia, Bil resolveu ir à procura de ouro...
Chegado junto à ribeira, deparou com uma jovem que procurava apanhar peixe com um cesto de verga:
- Que fazes? - perguntou ele.
- Tento apanhar algum peixe do rio...
- Garota louca... e fazes isso com essa cesta?
- Que tens com isso? E tu que fazes por aqui?
- Venho à procura de ouro...

Ela fartou-se de rir e continuou na sua faina, depois de dizer:
- Então, procura e não me aborreças. Talvez tenhas melhor sorte...
E exibiu um pedaço de bosta que entretanto tinha retirado com o cesto.
- Que é isso?
- O que vês... o rio está completamente poluído com a porcaria que os da terra para cá enviam quando têm feiras de gado.
Era assim Golden City. Nem sequer o seu rio preservava, rio onde todos tantos banhos tinham tomado no passado. Que iria passar-se? Poderia Bill pesquisar ouro no rio? Voltariam as suas águas à pureza original? E a jovem? Voltaria a encontrar peixe na sua cesta?

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Colecção Caravana, Vol VII – Jogo de cartas

Data de edição: Junho de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 48, manuscritas, tinta azul.
Organização: 5 capítulos com título; inclui ainda o segundo capítulo de uma obra em continuação "Cumprimentos a Satanás".
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando uma mesa de jogo onde se defrontam dois jogadores e, atrás de um deles, uma insinuante mulher de cabelo loiro e braço curto. Outros pormenores interessantes: o candeeiro sobre a mesa de jogo, a cor da cadeira do jogador vestido de negro, o efeito da luz do candeeiro sobre o chapéu negro do jogador de costas; o anúncio dos heróis da estória. A recensão de pé de página está ilegível. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Os quatro cavaleiros pararam no alto da colina, junto ao velho moinho abandonado, de onde se contemplava agradável paisagem sobre o vale a seus pés no qual se desenhava a cidade que procuravam.
O seu aspecto era um pouco estranho para o habitual já que não se assemelhava em nada ao tradicional vaqueiro, não era com certeza o de pistoleiro e estava muito longe de corresponder ao pacífico cidadão. Todos envergavam casacas negras, compridas e usavam um chapéu a condizer. Um deles, presa em cinto sobre a casaca, usava uma arma em coldre comprido. Os outros não mostravam armas, mas adivinhavam-se-lhes coladas ao corpo. Um dos cavaleiros ostentava grandes cabelos platinados que lhe caiam sobre os ombros. Reparando melhor, notava-se que se tratava de uma mulher, não muito jovem, é certo, mas ainda bela...
Arino the Cat, David Ó Bössta, Vic Farison e Linda Simon regressavam a Golden City, terra de onde tinham sido expulsos - um deles emplumado sobre base de alcatrão - e de cujos habitantes tinham jurado vingar-se. Os anos que tinham passado na prisão tinham-nos ensinado a utilizar os mais modernos truques com as cartas de forma a se apoderarem dos bens dos adversários. Era isso que tencionavam aplicar no Big Saloon de Golden City de forma a retomar o poder que um dia ali tinham tido.
Um deles apontou na direcção do saloon e disse em voz alta:
- É ali...
Num instante, picou a montada e desceu em grande velocidade pela encosta da colina. Os outros seguiram-no imediatamente. Lá em baixo, os pacíficos habitantes de Golden City não sonhavam com as tropelias que lhes iriam fazer. Na verdade, eles tinham ameaçado: "voltaremos para vos tramar, seja qual for o lugar e o tempo em que estejam...".
Que se irá passar? Cumprirá aquele bando de chacais a sua ameaça? Conseguirão perseguir e tramar para todo o sempre os habitantes de Golden City?

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Colecção Caravana, Vol VI - O Vingador do Kansas

Data de edição: Maio de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 72, manuscritas, tinta azul.
Organização: Oito capítulos com título. As últimas páginas ocupadas com o primeiro capítulo de uma nova estória: "Cumprimentos a Satanás".
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um homem e uma mulher. Esta está amarrada e ele corta-lhe a corda que a prende. Não se apercebem que uma estranha figura os observa escondido atrás de umas pedras. A nota de pé de página é legível.
Sinopse da obra: Ó Bössta é uma espécie do Olrik de Jacobs. É apanhado, condenado, enforcado, morto, sepultado e ressurge como se nada se tivesse passado com ele. Havia quem dissesse que ele voltaria sempre da tumba, mesmo que passasse mais de uma centena de anos.
Red Fullen chega a Golden City, no Texas, e logo nos primeiros tempos se apercebe que a cidade, apesar de pacífica, vive sob um domínio estranho que ultrapassa em muito as forças vivas da cidade se as associarmos àqueles que lá detinham o poder económico. A cidade parece dominada a partir de fora.
Intrigado, resolve investigar o que se passa e não tarda a descobrir que o governador, Ó Bössta, não é mais que um dos elos de ligação entre alguns criadores de gado e os grandes armazéns que dominam a cidade rival, ponto de passagem de muitas caravanas. Todo o desenvolvimento de Golden City era sobredeterminado pelo interesse económico dos rancheiros que abastecem a outra cidade e pelos armazenistas lá instalados, não sendo ali possível qualquer actividade que pudesse levar alguma concorrência aos mesmos. Sempre que algum pacífico cidadão de Golden City ali se instalava, passava por algum momento difícil: ou era desafiado para um duelo por um pistoleiro perigoso, ou era assaltado durante a caminhada entre uma e outra cidade ou a lei encontrava-lhe uma nódoa no currículo que o levava à prisão e acabava por lhe levar o negócio à falência.
Muitos populares, que sentiam na pele aquele jugo, confessaram a Fullen que em Golden City se vivia uma paz podre e desconfortável e que a raiz de tal mal estar era o governador.
Pouco a pouco, Red Fullen reuniu provas contra os que dominavam Golden City e, um dia, resolveu ir falar com Ó Bössta. A conversa decorreu no palácio do governador e deu para o torto porque Farison, escondido atrás da porta que dava acesso à sala das reuniões, ouviu algumas passagens da mesma que não lhe agradaram, contactou Linda Simon que pôs em guarda os rancheiros e um deles enviou um pistoleiro que abateu Red à saída do palácio.
A morte de Red tornou-se suspeita a muitos habitantes de Golden City e um advogado, jovem e cheio de coragem, recentemente instalado na cidade junto à alfaiataria "Think", Victorio Brown Tree, decidiu fazer algumas investigações por sua conta, não tardando a aperceber-se do compadrio entre o assassino de Fullen e aquelas personagens. Ó Bössta, Farison e Linda Simon foram presos e, levados a tribunal, condenados a vários anos de prisão. Antes, Farison teve castigo especial: foi apanhado pelos populares e coberto de alcatrão, sobre o mesmo foram colocadas penas de galinha, sendo uma delas, especial e mais comprida, colocada mesmo por cima do traseiro. “Vai agora pavonear-te frente às meninas...”, ouviu-se dizer a muita gente enquanto ele corria apavorado para fora da cidade.
Um novo período desenvolvimento pôde então surgir para Golden City, afastados que estavam os principais malfeitores que tolhiam o seu progresso. "Por quanto tempo?", é a questão que o OUREM aqui deixa...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Colecção Caravana, Vol V - Meu pai é um assassino

Data de edição: Abril de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 96, manuscritas, tinta azul.
Organização: Dez capítulos com título e um epílogo.
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando uma mulher e um jovem em estranho diálogo perante o que não se distingue bem, embora faça lembrar uma campa. Para além do diálogo enriquecedor entre estas duas personagens, reparem no arredondamento do tronco do jovem já a denunciar alguma propensão para a obesidade e na cor estranha da sua camisa. A nota de pé de página é legível.
Sinopse da obra: A passagem de Ó Bössta por Golden City ficou marcada por muitas realizações que careciam da colaboração de populares e geralmente beneficiavam os seus interesses ou dos seus amigos. Nos finais da década, ele concebeu um estranho plano que, num primeiro momento, se pensou iria ajudar à ocupação de tempo por parte dos mais idosos. A sua ideia era a de reunir algumas personalidades da cidade em realizações a que chamou “Conferências da cidade do pioneiro”. Ao planear estas acções, reuniu-se com alguns dos populares mais letrados da cidade e pediu-lhes a colaboração.
Emmylou Blacksmith, Helen NearWater, Serge Small River e Tony McMórmon foram convocados para estranha reunião no palácio do governador sem saber do que iam tratar já que o seu relacionamento com Ó Bössta não era, na generalidade, o melhor. Num primeiro momento, acharam excelente a ideia que o governador lhes apresentou, assinaram um documento de comprometimento na sua realização e trataram imediatamente de planear a sua colaboração.
Mas a sua boa vontade sofreu um forte revés, quando algum tempo depois, ele lhes confirmou que o local de realização das conferências não seria Golden City, mas sim uma cidade rival, situada a 50 milhas da mesma, uma cidade ponto de encontro e passagem de muitas caravanas. Compreenderam imediatamente que Ó Bössta queria fazer negócio com os seus conhecimentos e tentaram desvincular-se do compromisso, mas o governador não aceitou, prometendo-lhes o pagamento dos transportes. "Mas por que não faz as conferências aqui no palácio?", perguntaram-lhe. "Sabem, não temos vocação para estas coisas... mas talvez se possam fazer algumas acções em Golden City", respondeu embora o tom deixasse adivinhar que não era essa a sua intenção.
Small River era o mais revoltado e, detentor de notável capacidade conspirativa, foi denunciando e motivando a população contra mais esta habilidade do governador. Um dia, a tampa saltou e as pessoas vieram para a rua em formidável manifestação contra Ó Bössta. Apedrejaram o palácio. O governador viu-se acossado, mandou chamar os seus pistoleiros e fê-los enfrentar a população utilizando as suas armas.
No formidável combate que se travou, Small River foi abatido e os populares dispersaram. Teceram-se muitas suposições acerca de quem disparara contra o agitador e as suspeitas recaíram sobre o pai de um jovem seguidor das suas ideias.
A estória desenvolve-se, a partir daqui, através de uma apaixonante pesquisa por parte do jovem de provas para mostrar a inocência do seu pai. O seu empenho foi de tal ordem que o próprio sheriff chegou a suspeitar dele. Que aconteceria a Ó Bössta? Conseguiria alguém provar a sua cumplicidade na morte do agitador Small River? A leitura da obra tirará todas estas dúvidas aos amigos do Ourem...

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Colecção Caravana, Vol IV – Uma mulher perigosa

Data de edição: Março de 1963
Dimensão aproximada: 105 * 140
Número de páginas: 62, algumas dactilografadas, tinta preta; manuscrito da página 21 à 42.
Organização: Introdução; Parte I com cinco capítulos sem nome; Parte II com nome "Segredo de um talismã" com um capítulo apenas. Há manifesta desorganização na obra, indiciando a concretização de mudança de formato e ferramenta de escrita.
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um homem a ser atacado por índios enquanto uma mulher já está pelo chão sem dar sinais de vida. O homem grita desesperado quando mais uma seta o atinge na barriga enquanto tenta extrair outra que já tinha cravada no peito. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Na selva do Oeste, qualquer mulher é perigosa. Especialmente quando tem alguma beleza...
Golden City dispunha de um belo jardim frente ao Central Saloon, jardim, diga-se, construído pela carolice de alguns populares que encontravam no paraíso que era aquela terra o local ideal para viverem. Mal sabiam eles que esse jardim era cobiçado por Linda Simon, a presidente da Associação de Criadores de Cabeças de Gado, uma mulher já não muito jovem, mas bastante decidida, com acesso fácil ao governador Ó Bössta, mulher sempre pronta a botar discurso mesmo nas ocasiões mais despropositadas e a escrever extensas ladainhas no Golden City News. Linda pretendia cobrir de pedra aquele espaço para o mesmo servir de suporte às feiras de gado que se realizavam regularmente, podendo, nessas condições, beneficiar da proximidade do saloon.
Tentou convencer a população o que não conseguiu. Os populares entendiam que a feira do gado devia realizar-se fora da zona habitacional da cidade e que a junção de cow-boys e saloon só poderia quebrar-lhes a habitual paz. Mas ela não se deu por vencida e manobrou o suficiente para levar David Ó Bössta a ordenar a destruição do jardim e a sua conversão a espaço para a feira de gado. Tudo se passou como Linda pretendia para indignação dos populares que se revoltaram.
No seio da revolta popular, destacou-se um jovem, Serge Would Do, muito hábil com as armas, a palavra e a pena que foi capaz de motivar os populares que, um dia, puseram em fuga Linda e David Ó Bössta. Seguiram-se enormes perseguições que levaram fugitivos e perseguidores a território apache. Aí, os perseguidores foram desbaratados por uma estranha aliança entre os índios e os dois fugitivos quando tentaram entrar no seu santuário. O regresso a Golden City foi um tanto humilhante para os poucos que escaparam. E Linda? E Ó Bössta? Que lhes terá acontecido? Poderiam os habitantes da cidade reconstruir o seu jardim?

terça-feira, janeiro 29, 2008

Colecção Caravana, Vol III - O faca voadora

Data de edição: primeiro trimestre de1962
Dimensão aproximada: desconhecida
Número de páginas: desconhecido
Organização: desconhecida
Capa: indisponível
Sinopse da obra: Vic Farison chegou a Golden City em meados do século XIX. Ninguém conhecia em pormenor a sua actividade. Sabia-se que vivia sem dificuldades, mostrava uma atitude pacífica e bonacheirona e era um fiel seguidor do governador a cujo gabinete gozava de acesso a qualquer momento. Tinha, no entanto, uma particularidade que fazia com que muita gente o receasse. Era um exímio manejador de facas e punhais, distinguindo-se pela notável precisão para lançá-las a grande distância ou para apunhalar os seus adversários pelas costas. Chamavam-lhe, por isso, o Faca Voadora.
Um dia, estabeleceu-se um grande armazém num local privilegiado da cidade, o Hazelnut Valley, local até aí apenas utilizado como dormitório. O nome dado a esse armazém, Model Store, mostra que terão sido seguidas todas as directivas existentes à época para a sua instalação, apesar do aspecto descuidado do espaço circundante. Mas o mais estranho foi, numa rua de acesso ao mesmo, na qual não era permitido o trânsito de carroça, ter sido estabelecida um semáforo em madeira, subido e descido manualmente de dez em dez minutos, que causava grande transtorno aos populares que se viam obrigados a saltar pelos montículos de pedra circundantes às vezes com grandes cargas de produtos.
As preocupações cresceram quando esses locais passaram a ter a preferência de malfeitores que realizavam ali os seus assaltos aos incautos compradores. Muitos apareceram esfaqueados, bolsos completamente vazios e os que escaparam com vida diziam que nada tinham ouvido nem visto para além de um silvo que cortava o ar a grande velocidade.
O pânico começou a tomar conta da cidade. Que se passaria? Porquê aquela praga de assaltos junto ao Model Store? Haveria alguém que conseguisse deslindar aquele caso e explicar o estranho silvo de que muitas vítimas falavam? As suspeitas recaíram sobre Farison dado o padrão de assaltos e o seu gosto por facas e punhais, mas ninguém o tinha visto nas imediações nem o próprio operador de semáforo que jurava não ter dado por nada. Voltaria Golden City à sua tradicional paz?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Colecção Caravana, Vol II – Lex Colt



Data de edição: Fevereiro de 1962
Dimensão aproximada: 70 * 105
Número de páginas: 80, dactilografadas, tinta preta
Organização: 7 capítulos com título: I - Regresso acidentado; II - A verdadeira personalidade do juiz; III - O traidor; IV - Amigo inesperado; V - A partida de um filho; VI - Mate uma pedra; VII - O rapto
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um pistoleiro que se exibe de arma na mão e ar arrogante, a aba do chapéu cainda discretamente sobre um dos lados da cara e tapando-lhe o olho. Outros pormenores interessantes: o verde, a cor das montanhas, o arame farpado de desenho perfeito, o logotipo da colecção. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Começaram a chamar-lhe Lex Colt devido à sua capacidade para, contra tudo e todos, impor a sua lei através do poder das suas armas. Aos vinte e cinco anos, já tinha abatido mais de trinta adversários, em combates leais, é certo, mas para os quais o seu desafio muitas vezes era irrecusável. Levava uma vida errante que, um dia, o conduziu até Golden City, uma pacata cidade com gente humilde e trabalhadora sujeita ao estranho poder de um homem de negócios, David Ó Bössta, detentor de notável capacidade para motivar as pessoas para fins colectivos e proveito próprio. A última façanha de Ó Bössta tinha consistido em ser o fiel depositário dos fundos que os populares tinham junto para erguer uma escola na cidade e, em vez de satisfazer a sua vontade, utilizou-os para montar o seu escritório pessoal a partir do qual dominava os negócios. A população sussurrava baixinho contra Ó Bössta, mas não se atrevia a enfrentá-lo. Lex apercebeu-se da situação e a obra desenvolve-se através de uma narração em que se assiste à comovente regeneração do pistoleiro operada através do pôr as suas capacidades ao serviço daquelas pessoas. Conseguirá Lex Colt destronar David Ó Bössta? Ou será a sua regeneração tardia? Terão os habitantes de Golden City os fundos destinados à sua escola aplicados com esse objectivo?

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Colecção Caravana, Vol I – O Rural voltou

Data de edição: Janeiro de 1962
Dimensão aproximada: 70 * 105
Número de páginas: 92, manuscritas, tinta azul
Organização: 8 capítulos sem título; o IX aparece iniciado sugerindo que a obra ficou inacabada
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um cow-boy que espera enquanto um homem está pelo chão, sem consciência, provavelmente morto. Reparem no excelente pormenor da cerca em madeira. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: acabada a guerra da secessão, Claude estabeleceu-se numa povoação onde conviviam antigos nortistas e sulistas. Apesar das feridas deixadas pela guerra, o relacionamento entre as pessoas era na generalidade bom, mas havia dois conhecidos de Claude que não lhe perdoaram a condição de antigo nortista. Um deles, Larry Ferguson, era o pai de uma escultural e linda menina a cujos encantos o ex-combatente não conseguiu escapar. A paixão entre eles cresceu até que um dia foi descoberta por Larry que tentou afastar Claude da filha. Não o conseguindo, optou por o atacar das mais diversas formas. Num desses ataques, Claude foi abrigado a abater alguns homens de Larry e, apesar de o combate ter sido leal, formou-se contra ele formidável opinião negativa que o levou a abandonar a terra por alguns anos. A filha de Larry não o seguiu, sofrendo com a sua ausência. Longe da sua terra, Claude dedicou-se à defesa da lei e da ordem integrando um corpo de polícia do Texas que o levou a múltiplas aventuras. Um dia, pensando que tudo estaria esquecido da mente das pessoas, voltou à sua terra, para recuperar a sua amada. Mas encontrou o local em que vivera sob o jugo do todo poderoso Arino the Kat, detentor de extensa propriedade, com múltiplos pistoleiros a soldo e capaz dos actos mais vis para sustentar o seu poder. Contava-se que um dia tinha entrado na povoação com a manada de gado tresmalhada e pistoleiros a soldo, disparando para o ar, arrasando completamente uma das suas ruas, sem qualquer respeito pelos que lá viviam, e com a argumentação de que aquelas casas “estavam no sítio errado”. Nada podia motivar mais o nosso herói do que repor a lei e a ordem na sua terra e recuperar a mulher que adorava. A obra continua através de um conjunto de peripécias cujo desenlace não é fácil de desvendar... Quem vencerá? Claude? Arino the Cat? Encontrará ele a sua amada? E Larry? Nas novas condições, aceitará tê-lo por perto?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A obra do blogger enquanto jovem e escritor

O Carnaval está à porta pelo que o OUREM decidiu ridicularizar ainda mais o seu autor, expondo-o à dura e exigente crítica dos seus amigos (oureenses e outros), através da divulgação de um segredo até agora fielmente guardado e só conhecido da família, do Rui Melo e da Paulinha (estes devido a invisível divulgação durante as últimas autárquicas).
Trata-se do seguinte: entre 1962 e 1963, nos seus treze, catorze anos, o Luís era um entusiasta criador de estórias do Oeste Selvagem, muitas das quais antecipavam o actual ambiente de facínoras que se respira em certos lugares da nossa terra e país, mas que nunca saíram do baú para publicação ou divulgação. Produziu quase uma dezena de obras organizadas numa colecção designada por Caravana o que lhes conferia um certo sabor a pioneirismo...
Neste momento, é impossível refazer texto entretanto desaparecido ou divulgar algum que ainda exista mas cujo conteúdo é de profundo e insofismável mau gosto. Naquele tempo, a cabeça do autor jorrava cowboiadas a toda a hora, conferindo-lhe um alheamento que todos notavam e, por vezes, estranhavam, mas que correspondia a elevado processamento intelectual. No entanto, pode ser estabelecido um catálogo relativo a tão notáveis criações (e reparem que o autor não só fazia o texto como criava belíssimas capas para o mesmo decorrentes da total ausência de jeito para o desenho) que assim ficará para a posteridade e anulará os efeitos de corrosão temporal que aqueles documentos sofreram e continuarão a sentir até à sua extinção...
Isto demonstra que uma acusação que alguns anos depois um amigo (o Boisano) fez ao autor, no Quelhas, não tem razão de ser. Dizia ele:”Aos dezoito anos, o Marx já tinha escrito vários textos a criticar os hegelianos. Tu ainda nada fizeste”. Não era verdade como podem agora constatar os meus amigos.
E, para apresentação, chega. Os próximos posts serão dedicados, com eventuais interrupções dedicadas aos comentários que a actualidade suscitar, às obras de juventude do autor...
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