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segunda-feira, janeiro 19, 2009

Coveiro do Município



Continuemos à boleia das saborosas dicas da líder laranja e procuremos transpô-las para a nossa terra.
Devemos dizer que também não comungamos da ideia de que a bondade ou maldade de uma política depende da naturalidade de quem a define e faz implementar. Assim, não é por um Presidente da Câmara ser de Fátima ou não que os seus actos são melhores ou piores para Ourém. Acontece que, no caso de Catarino (não é de Fátima mas de lá perto) e de Frazão, os actos falam por eles. De longa data, tem sido possível ver que a sua visão para o concelho é de alguém que tem os interesses dos que dominam em Fátima e os problemas desta como fio condutor para a acção. Se mais não foi feito por Fátima, foi por incapacidade dos ditos...
Assim, com Frazão na presidência da Câmara de Ourém, serão dominantemente os interesses de Fátima que estarão aqui representados e que tenderão a gerar acções de satisfação. É muito claro que este senhor nada tem que o ligue amistosamente à nossa terra e às nossas referências pelo que tenderá a ignorá-las. A sua política será em tudo semelhante à de Catarino embora o seu estilo possa ser mais amistoso e popular. Por outras palavras: enquanto o outro nos lichava com má cara, este vai lichar-nos com sorrisos, cumprimentos e a facada nas costas.
Não tem qualquer relevância o local físico onde está instalado o município, as distâncias estão mais que vencidas. Pode ter alguma relevância o nome... município de Ourém ainda não é município de Fátima apesar de, na prática, tudo o fazer crer. Mas estamos em crer que o revivalismo das acções para a criação deste não têm hipótese: há demasiados concelhos no país, a questão da regionalização vai estar na agenda e será determinante. Logo, o município de Fátima não se formará ao lado do município de Ourém.
A missão histórica de Frazão está definida. Breve, Ourém, reduzida à expressão de Nossa Senhora da Piedade, não representará mais no município do que (sem desprimor para as referências) Formigais ou Seiça hoje representam no Município de Ourém.

quinta-feira, novembro 13, 2008

POÇO XXIII - O reencontro

Ena!
Há quanto tempo não via esta gente toda!
Parece que estão na mesma, parece que vieram mais que em outros anos... ou sou eu que estou a chegar atrasado?



O Cúrdia cada vez mais me faz lembrar o nosso estimado e venerado Ministro dos Prantos. Porque será? A alvura do seu cabelo? Ou terá algo a ver com o FED e a crise do SUBPrime?
E, lá ao fundo, já repararam no mamarracho onde o contribuinte se viu obrigado a empatar o seu magro pecúlio. Tudo porque o Orelhas Moucas assim quis...


Eis um pequeno grupo sempre bem divertido. Pudera! Ainda não viram o que vos vai ser dado ver...



Mais uma das nossas referências desapareceu. A casa onde o Toná vinha tomar as suas refeições, que, o ano passado estava de tecto esburacado, agora é um espaço vazio deixando adivinhar as agressões que a encosta vai sofrendo. Bem se pode dizer: vítima do progresso... deste falso progresso que tanto alimenta Ourém... um progresso que nem soube rebocar as feridas deixadas na casa ao lado (a do Manel Raul).



Catarino e FRazão são bem os obreiros deste triste e escolhido destino que coube à nossa terra. Que passem mais uns meses e nada tenho que me recorde do nosso passado, dos locais que desfrutámos. Um deles parece que queria ir para a região de turismo Leiria / Fátima. Fazer obra decerto... tramou-o a Nazaré que não quis que ele lhe mudasse a Santa de Sítio.
Mas o outro promete ficar... já se exibe por todo o lado de bigode farfalhudo e cumprimento fácil. Seria divertido se não fosse trágico.


Eis mais um grupo que põe a conversa em dia. É divertida esta hora do reencontro se bem que o repórter não consiga transmitir toda a emoção que se desfruta. Começa a notar-se a definição da ausência dos que não vieram.




Olha o Alferes Sampaio! Recentemente sexygenário, ei-lo, como sempre, a jogar bilhar de bolso. O Zé consulta resultados da bolsa...

Mais um pequeno grupo...


A grande roda começa a desenhar-se, agora sem a protecção da casinha do nosso tempo e com a encosta do moinho quase a esconder-se.

O grande chefe faz a chamada.
- Exijo que respondam "Presente"!
Depois informa sobre os que não virão: o Génito, O Duarte, o Ferraz, o Tó, o Jó Alho, o Zé Quim... os faltosos foram recordados um a um e justificados... talvez para o ano venham...


Mas estes vieram e estão satisfeitos por estar aqui...



- Meus amigos, vamos agora tomar o pequeno almoço...

E agora, amigo oureense, adivinha para onde foi o pessoal? Para o saber, terá de esperar pelo próximo post que, ao ritmo a que temos postado no OUREM, não sabemos quando será...
Até lá podem fazer acesso aos marcadores e ver tudo sobre outras realizações do Poço e mais posts sobre este miserável processo de destruição da nossa Ourém operado por Catarino, Frazão e companhia....

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Farison, oil on canvas




Este é Vic Farison, conhecido lacaio de Ó Bössta, aqui disfarçado de vaqueiro, mas alma valente e traiçoeira para levar as maiores malfeitorias a Golden City. Usa bigode e o chapéu tapa-lhe preocupante calvície que os anos teimam acentuar.
Vem apressado com fogo no cu para cumprir ordens do governador.
Ó Bössta quer novo palácio e exige que seja construído sobre as cinzas do velho depósito de água que serve a população da cidade. Está-se nas tintas para o prejuízo. Borrifa-se no projecto. O dinheiro a aplicar é do povo.
Farison puxa do seu laço que é um ás a manejá-lo. Atira-o.
Pouco depois, o depósito range num lamento semelhante ao dos corações dos habitantes de Golden City e cai por terra...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Ai! Do que é que eles se terão lembrado?



Segundo o NO, a autarquia, a troco da cedência de algumas facilidades na construção de moradias unifamiliares, é neste momento detentora do edifício do estórico Colégio Fernão Lopes e projecta requalificá-lo bem como a sua envolvente com o objectivo de ali instalar um local de formação.
De longa data temos vindo a denunciar a incúria relativamente às referências da história recente de Ourém, designadamente das que acompanharam as gerações de cinquenta, sessenta e setenta... Este foi um desses locais.
Terão estes senhores ganho algum juízo? E será mesmo para USO Oureense?
Duvido muito...
...mais, a avaliar pelo que realizaram noutros pontos de Ourém é de acreditar que vão fazer qualquer coisa que descaracterizará totalmente o espaço pelo que breve diremos: "antes morto que assim torto!".

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Rei na cidade menor



Na pequena aldeia, as pessoas tinham uma vida humilde, mas reviam-se no seu espaço e na sua convivência que para elas se tornou uma referência. Nenhum dos que por lá passaram a esqueceu.
Um dia, a cidade onde era a pequena aldeia foi tomada pelo rei laranja. E logo a descaracterização começou. Formidável prédio que não respeitava as mais elementares normas de urbanismo avançou sobre o largo que era o centro da pequena aldeia e a todos sufocou, escureceu e humidificou a existência. Alguns reagiram. Mas a chegada de tão indesejado vizinho logo fez lembrar a muitos os benefícios da especulação.
O que era emanação de tribunal deixou de se cumprir. O rei laranja em breve fez os seus cortesãos elaborar e aprovar normas em que o ilegal correspondia ao que lá estava há décadas. Apreciem este trecho retirado do Crónicas recentes da cidade menor: “corrigir agora o erro como deve ser não é gastar recursos públicos a demolir um prédio que está no sítio certo e com a altura certa, mas sim retirar as casas que estão no sítio errado...”.
Acabou-se a esperança. O rei laranja virou o bico ao prego. O formidável mamarracho não virá abaixo, não recuará para os limites onde era o Albergue da Dona Aurora. A aldeia, essa, será certamente arrasada.

domingo, novembro 11, 2007

Fadado para perder?

De acordo com um comentário a um post no Castelo, parece que o candidato que dizia ir defender os interesses de Ourém na distrital do PPD/PSD perdeu pelos receios causados a eleitores de outros concelhos. Se isto é verdade, ele terá sido descuidado no seu programa ao permitir tais ilações. Aliás, o seu curriculo demonstra bem que não teriam os eleitores do PPD/PSD interessados no desenvolvimento de outros concelhos quaisquer razões para acreditarem em tal ameaça: nunca o dito senhor contrariou a retrógada política do presidente David e sempre ajudou a transformar Ourém no horroroso estaleiro que todos podem constatar, cuja avenida principal não é mais do que uma via de circulação para outras localidades, não oferecendo qualquer possibilidade de fruição pedonal e cuja memória tem vindo sucessivamente a ser perdida.
Poderá este jovem político contrariar o que começa a manifestar-se como “tendência para perder”? Não parece que os interesses bem estabelecidos no partido estejam muito dispostos a dar-lhe o voto de confiança. Mas ele também não parece disposto a desistir. Seria interessante ver se terá coragem para, em próximo momento eleitoral autárquico, desafiar a própria concelhia, candidatando-se contra o candidato oficial, possivelmente, o terrível Garanhão (ou algo mais se afirma lá dentro?)...

quarta-feira, setembro 19, 2007

Intervalo Aberto
Rua de Castela



Haverá alguém que se lembra dela?
O ar nevoento recorda o triste destino que a Camarilha lhe preparou.
Mas algo correu mal.
Já lá vai algum tempo, mas... fonte segura garatiu-me que os desígnios de David e séquito foram sujeitos a providência cautelar.
Seria bom que resultasse, que atrasasse até que alguém devolvesse à rua um destino que a respeitasse...

domingo, maio 28, 2006

All our past times

Pois é...
... o depósito já é coisa do passado. Segue-se a aldeia de Castela...
E já repararam que a eira da pedra virou parque de estacionamento anárquico junto ao Jeremias? Viva o urbanismo catarineta!!!
Silenciemos o George por uns dias. Volta o Eric com "All our past times". Tem a ver, não é verdade?

Oiça All our past times por Eric Clapton

sexta-feira, maio 26, 2006

Pedaços da nossa Ourém em acto de destruição - 3

Está confirmado.
A besta destruidora autárquica levou até ao fim os seus desígnios. Já nem o pó se vê.
A casa amarela olha para o lado, envergonhada, a pensar: "será agora a minha vez?". Não se lembraram, mas capazes já demonstraram sê-lo.
O Castelo publicou aqui a sequência fotográfica deste atentado urbanístico.
O OUREM tem fotografias, mas não publicará mais nenhuma. O depósito acabou.
Amanhã, tudo volta ao mesmo.
Pelo nosso lado, podem estar certos de uma coisa. Não esqueceremos nem perdoaremos este acto à camarilha dominante. E isto alguma vez terá de mudar...
Pedaços da nossa Ourem em acto de destruição - 2O depósito


Talvez seja o último dia em que o podemos contemplar.
A máquina do carrasco já o contempla, faminta. O monte de terra parece indicar o seu destino.
A estupidez e impotência criativa dos que exercem o poder levou à sua destruição.
Leva com ele centenas de estórias.
Ourém fica com certeza mais pobre. Vai ali um pouco da história viva da maneira como se fazia em determinada época. No futuro só restarão os livros…

quinta-feira, maio 25, 2006

Pedaços da nossa Ourém em acto de destruição


A enorme serpente da destruição mandada pela miserável equipa de urbicidas já engoliu o velho edifício da GNR e avança inexoravelmente sobre tudo o que ali existe.
O presidente David esfrega as mãos de contente. Tudo lhe corre bem, vai dar mais monumental desgosto aos oureenses que não o gramam. E vai deixar obra…
O velho depósito ainda lá está. Consta que vai resistir até sábado.
Aproveitem as últimas, breve não passará de recordação.

Imagem enviada pelo nosso observador em Ourém

domingo, novembro 06, 2005


O depósito ainda vigia Posted by Picasa

Mas muitos dos amigos ficaram apreensivos: "o quê?, vão destruir isto tudo para fazer o mamarracho dos novos Paços do Concelho? Malvados sejam!"

quarta-feira, setembro 14, 2005

Da importância dos espaços de encontro
Por Marco Jacinto

Ainda há dias lia no livro "Mémoire de singe et paroles d'homme" de Boris Cyrulnik, um psiquiatra e neurologista, a importância da existência de espaços de encontro como aqueles que sempre existiram, como os fontanários associados ou não a praças onde a dinâmica social assumia especial importância, onde a oralidade com as suas estórias/história, experiências e tudo o mais que ali se proporcionasse constituia no fundo aquilo que é a humanidade onde quer que ela esteja (além do seu papel incontornável na constituição da identidade e coesão da comunidade e tudo aqui implicado) um depósito permanente de conhecimento que gerações e gerações vão acumulando.

(em comentário ao post "Desfrutar as localidades onde vivemos")

terça-feira, julho 19, 2005

Irreparavelmente

Quinta dos Poços Posted by Picasa

Pouco a pouco, apercebemo-nos que foram destruindo a nossa Ourém e não demos por nada.
Uma recordação difusa


Quinta dos Poços Posted by Picasa

Onde era?
Quem lá morava?
Estou cheio de dúvidas... mas sei que por ali passei.
Seria ali a tasquinha do Mário, onde, por vezes, se comia uma febra assada?

quinta-feira, julho 14, 2005

Adorava esta Ourém - 7O jardim frente à Câmara


Levado pelos Exterminadores Posted by Picasa

Era muito mais bonito do que a fotografia deixa transparecer. Mais folhas nas árvores, mais flores, relva mais espessa. Mas esta fotografia desperta em mim toda a nostalgia desse tempo.
É curioso, ainda ontem tinha falado naquele banco lá ao fundo mesmo em frente que tem um candeeiro por trás, a propósito daquela canção dos Beatles.
Mas haveria muito mais estórias. As corridas cronometradas em que o Avião e o Luís NUno eram os inevitáveis vencedores, os jogos de criança, o passeio com o carrinho de madeira oferecido pelos que estavam na prisão, a apanhada, os namoricos...
Lá ao fundo uma fila de casinhas de cujos habitantes ainda recordo alguns rostos.

sexta-feira, abril 29, 2005

O charme discreto do cine-teatro


O nosso cine-teatro...
A rua por onde levei a gatita branca e preta quando mudei para a casa da rua Santa Teresinha...
A morgue. Em frente, a casa onde conheci o Manel. Lá ao fundo, o atelier do Zé Canoa onde agora funciona a Botica...
Os oureenses permitiram a destruição desta obra prima para construir o mamarracho que ainda vemos crescer.
O Melo era o gestor, o Jóia controlava as entradas, o Mário vendia os bilhetes. No Verão todas aquelas janelas se abriam para o ar poder entrar...
Foi aqui que conheci alguns ídolos da juventude: a Marisol, o Joselito, o John Wayne...
Foi aqui que vi os primeiros filmes: Território Apache, Rio Bravo, Psico, Os dez mandamentos, Ben-Hur e outras maravilhas que a memória já não me permite.
O preto e branco, a magia do cinemascope...
Uma sala com qualidades notáveis, pois toda ela vibrava conforme as sensações das suas plateias como pode notar-se nesta descrição de “A seita do cavalo branco”:
Não sei quantas vezes vi este saudoso filme no cine-teatro da vila, uma magnífica sala onde as plateias (de primeira e segunda), a geral, os camarotes e o balcão reflectiam a estratificação social que se vivia.
Mas, em momento de filme, corridas aquelas belas cortinas verdes que tapavam as portas de saída, tudo isso de esbatia. Detentor de pouco dinheiro, geralmente utilizava aquela plateia quase colada à geral e daí podia assistir à magnífica cavalgada para apanhar os bandidos no momento chave em que o espectador se tornava actor.
A galopada e o seu ruído entravam pela sala dentro. Toda a gente gritava de entusiasmo e saltava nas cadeiras. Sentia-se todo o edifício a tremer pelo arrebatamento desordenado que lhe era transmitido por quem se julgava a viver a monumental perseguição. Finalmente, os bandidos eram capturados.
No dia seguinte, menos tensos, com mais uma boa dose de paliativo para aceitarem a situação social em que viviam, todos comentavam o esplendor do espetáculo e todos pretendiam ter sido aquela figura que, no final, planeava passar o resto dos seus dias com a bela menina que amenizava tão brutais costumes.

Já nem sei como posso agradecer ao NA...

terça-feira, abril 26, 2005

A insustentável leveza dum quiosque





Quero beber um copinho
De palhete, pois então
Temos ali o QUIOSQUE
Do ti’ Batista, um amigão


 ... cuja imagem, mesmo degradada, me é trazida pelo Ourém Outrora. O quiosque era muito mais bonito do que parece nesta recordação. Ali estava a ajudar a passar o tempo àqueles que esperavam qualquer coisa do poder representado pela Câmara.
Foi testemunho de muitas feiras e de muitas festas e, quem sabe?, balcão para muitos terem um momento de desabafo e de fuga a uma existência dura.

Quase que me atrevo a deixar novo pedido ao NA: uma foto do desaparecido cineteatro de Ourém, o da Avenida, frente ao Torrejano...

quinta-feira, outubro 28, 2004

Bolinhas de naftalina (8)
A feira nova

Há uns cinquenta anos, nesta quinta-feira, era, talvez, o melhor dia de festa.
Mas houve uma vez que não o pude desfrutar.
Vivia ainda na casa do Largo de Castela, uma febre malvada apareceu e não pude sair de casa. Ao longe, houvia a música proveniente do carrossel e dos automóveis. O cheirinho a castanhas chegou a invadir a minha casa. O troar daquela carruagem que seguia por uma linha para testar músculo, por vezes, fazia-se ouvir.
Mas eu estava ali sem poder ir ver uma das coisas que mais adorava.
Para ajudar à desgraça, a família lembrou-se de chamar o médico. Lá veio o Dr. Preto que fez o exame necessário.
- Arranje-me água fervida.
O que é que ele estaria para fazer? Vejo-o sacar de um estojo com seringas ameaçadoras.
Lá longe a festa continuava, mas eu quase já não a ouvia pregado naquele filme de terror. Ele fez a preparação bem à minha frente, para eu aprender a ser homem, sem receio de nada. E lá veio o suplício.
Continuei na cama mais uns dias e tudo passou.
Quando me pude levantar, fui revisitar o lugar da feira. Já todos tinham ido embora. Junto à Câmara e ao depósito, tudo era calmaria, silêncio.
Hoje, se for ao lugar onde se costuma realizar actualmente, não há calmaria nem silêncio, mas também não conseguirei ter o som, o cheiro e o movimento da feira nova. Alguém se encarregou de acabar com ela.

sexta-feira, maio 14, 2004

Uma história de amor


Existem múltiplas razões para desejar que esta simpática construção se mantenha.
Dirão os meus amigos oureenses: lá vem ele com aquela saudade da juventude que já tresanda a bafio.
Não, meus amigos, mais uma vez, eu julgo que tenho razão.
Se bem me lembro era perto daquele local que noutros tempos tinha lugar a feira nova, conhecida oficialmente por feira de Santa Iria, mais ou menos entre os dias 25 de Outubro e Dia de Todos os Santos. O carrossel, com as suas girafas, cavalinhos e bancos, ficava mesmo colado à tesouraria da Câmara. Os automóveis de choque espalhavam-se a partir daí até ao posto da GNR. Mais abaixo, havia espaço para vendas típicas da ocasião e, no local onde surgiram aquelas habitações viradas para o jardim (e que eu tenho a sensação que não estão ali nada bem) o espaço era repartido por aviões, poço da morte, circo e povo. E por todo o lado surgiam charlatões a apregoar e vender os mais diversos produtos e serviços: E não leva só os cobertores, leva também este magnífico balde de plástico...
Ainda me recordo de como, no Domingo e na Quinta-feira, Ourém se enchia de gente que eu não fazia a menor ideia que existia. Pessoal de bicicleta e carroça. Gente com o guarda-chuva às costas, enfiado sobre a gola do casaco.
E lá em cima o depósito tudo vigiava bem atento.
Imaginemos um desses dias de festa. O carrossel anda as voltas carregado de miudagem. Os cobradores entram e saem enquanto a sua música anima o ambiente. Ouve-se o Poetry emotion, mas ao mesmo tempo nos carrinhos de choque dá o I only want to be with you. O pessoal anda animadíssimo de um lado para o outro. As detonações dos que se divertem a testar o músculo com aquele carro pesadíssimo por vezes introduzem uma nota mais assustadora.
O dinheiro da juventude não era muito pelo que as diversões em termos gerais eram fundamentalmente duas: andar no carrossel, carrinhos de choque ou outro e ver quem andava no carrossel, carrinhos de choque, ou outro...
E foi num desses exercícios de contemplação que demos pela coisa. De repente, a música deixa de ser a que era e ouve-se a voz de Justin Hayword: Nights in white satin, never reaching the end, letters I’ve written, never meaning to send... Yes, I love You...
Um distinto oureense, senhor de excelente figura e muita lata, acaba de cair nas boas graças de uma linda menina com a qual vai passear nos carrinhos de choque. E foram dias e dias a apreciar esta história. Ela era linda de morrer, ele fez inveja a todos os que os viram.
O tempo passou, pouco ou nada sei deles, mas sei que aquele velho depósito registou esta história toda, porque nem por um minuto dali saiu. Por isso, não deve ser abatido.

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