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quinta-feira, dezembro 05, 2019

Vingança servida em aula de Francês

Mas o João não gostou da humilhação que sofrera com a história do clister. A prestação da futura enfermeira sempre lhe pareceu muito suspeita e procurou arranjar uma maneira de se vingar.
A pequena tinha a sua carteira mesmo em frente à secretária do professor. Não é de admirar. Era uma excelente aluna e estava sempre atenta a tudo o que os professores explicavam e não explicavam na aula.
Aos poucos, a sua mente tenebrosa ia formulando um plano.
- Vais ver, malvada, vais ver… - murmurava baixinho enquanto esfregava as mãos.
E, se bem o pensou, melhor o fez…
Um dia, a sua tia, a Dra. Maria Júlia, chegou à sala de aula com o objetivo de transmitir mais umas noções de francês aos seus alunos. Como sempre, pousou a sua mala em cima da secretária e começou a abri-la para tirar o material de apoio.
- É curioso – comentou – esta mala tem qualquer coisa de estranho…
De repente, deu um grito e retirou a mão com toda a força. Logo atrás disso, uma série de pequenos e horrorosos bichos começou a saltar, saindo de dentro da mala.
- Que horror! São ratos… - gritou a futura enfermeira levando as mãos à boca enquanto um rato lhe saltava para o pescoço.
E foi o pânico na sala de aula. Os ratos a correrem para um lado, os alunos a correrem para outro, a Dra. Maria Júlia a subir para cima da secretária e a levantar os pés perante algum bicho que se tivesse atrasado na fuga, numa dança muito estranha que a sua avantajada compleição nunca deixaria pensar possível.
O mais engraçado é que, como ninguém abria a porta, todos ficavam dentro da sala a fugirem uns dos outros. Os alunos fugiam dos ratos, os ratos fugiam dos alunos e todos cada vez mais assustados e a gritar. Por fim, perante aquele estardalhaço, o sr. Nunes abriu a porta e os bicharocos fugiram a sete pés para o quintal. E a paz voltou à sala de aula…
Algumas meninas choravam baixinho. A professora limpava o rosto com um lenço e pediu:
- Por favor, senhor Nunes, traga-me um copo de água…
Depois de saciada, olhou para a turma e afirmou:
- Não percebo o que se passou. Como é possível a minha mala vir cheia com esses bichos horrorosos?
A menina do Castelo, essa, já tinha algum juízo formulado. O seu olhar ia da professora para a mala e da mala para a professora. Nesse momento, à porta da sala de aula apareceu o João.
- Olá! Tiveram problemas? Ouvi tanto ruído aqui ao lado…
Foi então que a professora percebeu tudo:

- João, que andaste a fazer esta manhã com a minha mala?

O João olhou desdenhosamente e afastou-se no seu andar de gato importante...


E, mais uma vez, foi expulso de um colégio…

quinta-feira, novembro 21, 2019

A aula de Francês no CFL

Houve um ano em que o João, depois de ter sido expulso de várias escolas do país por mau comportamento, veio fazer os três últimos meses ao CFL, procurando aí o aproveitamento que não conseguira noutras paragens.
Mas o seu comportamento desnaturado continuou e sofria constantemente de prisão de ventre e significativas crises de fígado.
Um dia, estávamos na aula de Francês bem concentrados nas palavras da Dra. Maria Júlia que nos ensinava o verbo «ser».
- Em Francês, o verbo ser diz-se «être» e a conjugação do presente do indicativo é a seguinte:
Je suis…
Não pôde continuar. De repente, o Luís Cúrdia, entrou pela aula esbaforido, a dizer:
- A botija, sôtora, a botija…
Ela olhou-o espantada:
- O quê? Que se passa? Não gosto nada dessa palavra…
- É o João, sôtora. Está deitado na secretária com dores de barriga e suores frios, todo gelado, a pedir a botija.
A professora dirigiu-se imediatamente à sala ao lado. Lá estava o João, lívido como um passarinho, todo estendido em cima da secretária de barriga para o ar.
- Que é que tu tens, meu bichinho, o que é?
Que ternurenta! Ele ergueu os olhos suplicantes e explicou:
- Estou gelado. Dói-me muito a barriga, preciso de uma botija para aquecer…
A Dra. Júlia virou-se para o Sr. Nunes.
- Por favor, prepare um saco de água quente e traga-me um cobertor.
Pouco depois, o João estava todo tapado pelo cobertor e o saquinho de água quente aliviava-lhe os calafrios. Mas mesmo assim não melhorava. Pelo que a professora fez novo pedido ao Sr. Nunes:
- Por favor, Sr. Nunes, desculpe estar a abusar de si, chame o meu pai que está a dar Matemática ao terceiro ano…
O Sr. Nunes lá foi e, pouco depois, o Dr. Preto estava junto de nós na sala. Observou o João e rapidamente fez o diagnóstico:
- Tem de levar um clister. Mandem aviar isto, preparem com água tépida e, com tudo o cuidado para não o magoar, introduzam-lhe o líquido preparado.
Os preparativos para o clister decorreram com aceleração e normalidade. O João permaneceu tapado, a queixar-se com dores e, a certa altura, foi virado de barriga para baixo. A Dra. Maria Júlia preparou-se para lhe dar o clister.
- Agora, preciso de uma auxiliar.
Saltou logo a menina do Castelo.
- Posso ser eu, doutora. Por alguma razão, daqui a alguns anos vou ser auxiliar de enfermagem em França.
O João olhava tudo aquilo não acreditando no que lhe estava a acontecer.
- Mas… mas… mas… jejejejejejjejjeee
A Dra. Maria Júlia continuou:
- À minha ordem, a menina abre suavemente este torniquete para a água sair, percebeu?
- Muito bem – respondeu a improvisada enfermeira.
E esperou pela indicação da professora.
- Agora – ordenou esta no seu estilo magistral.
A auxiliar de enfermagem mexeu o torniquete, mas fê-lo com tanta força que um enorme esguicho percorreu o interior do João, provocando-lhe formidável contração.
De um salto levantou-se, e, de calças na mão, correu para a casa de banho, enquanto gritava:
- Cabronaza! Vais pagá-las todas…
Pouco depois, surgia sorridente.
- Já passou tudo. Que alívio!
Era adorável o João quando bem disposto. E assim se passou esta aula de Francês. Mas não se pense que foi inócua. A entrada intempestiva do Cúrdia na sala onde estava a professora nunca mais a livrou do estigma de «A botija». A improvisada enfermeira não acreditou que não tinha jeito nenhum para aquilo e precisou de passar por cenário de guerra e por experiência conventual em França para concluir que devia procurar outra profissão. E o Jó Rodrigues inventou uns versos dedicados a esta aventura do João que, pelo seu conteúdo, eu não posso aqui transcrever, apesar de nos terem perseguido por muitas noites oureanas. Nem os lancinantes apelos das donzelas do Estórias me levará a mudar de posição...
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