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terça-feira, novembro 05, 2019

A aula de desenho no CFL

A verdade é que nunca tive jeito para desenho, mas recordo que as aulas não eram de todo desagradáveis. As cores, os instrumentos, o cheirinho dos materiais dava ao tempo ocupado nas mesmas um ar lúdico e relaxante.
Apesar dos dissabores, eu achava um piadão ao compasso e ao tira-linhas pelo menos na fase de esboço. E as magníficas retas que conseguia desenhar com o auxílio de uma régua estimulavam a autoconfiança. Quando era para passar a tinta é que borrava a pintura toda. As pobres circunferências que desenhava nunca acabavam no ponto em que começavam, não sei por que motivo havia sempre um desvio e o que aparecia era uma espécie de caracol.
Também gostava muito de colorir com guaches e as cores mais simpáticas eram o vermelho e o amarelo que utilizava abundantemente em livrecos para colorir. Mas mesmo as cores que usava eram geralmente tremendo borrão. Enfim, total falta de jeito.
Um dia, surgiu algo de novo, uma surpresa agradável. A Dra. Nazaré apareceu com uma garrafa e um banquinho. Pôs o banquinho em cima da secretária e aproveitou para colocar a garrafa sobre o mesmo, ficando assim à vista de todos nós embora em perspetivas diferentes.
- Vamos fazer o primeiro desenho à vista. Da posição em que estão, olhem na direção da garrafa e tentem passar a sua imagem para o papel. Reparem que há zonas mais e menos sombreadas. Experimentem sombrear de acordo com que veem.
E eu passei quase uma hora a sombrear, sombrear, sombrear. Como estava lindo o meu desenho e eu estava quase a dá-lo por acabado após alguma ajuda da professora.
Mas eis que um elemento novo veio perturbar a aula que tão bem estava a correr. Era o Sr. Nunes.
- A menina Borda d’Água é chamada ao Sr. Diretor.
A Lena tremeu como varas verdes. É que tinham passado poucos dias sobre o famoso assalto ao CFL em que uma loira de meias negras quase tinha enfeitiçado o simpático contínuo. Será que alguém desconfiava de alguma coisa em relação à Lena? A verdade é que ela nunca mais tinha usado as suas fantásticas meias, mas desde pequenino nos andavam a dizer que «todas as maldades que fizéssemos cá na terra, seriam pagas cá na terra» e ela pensou que era o dia em que iria pagar tudo…
O certo é que ficou aterrorizada e, quando passou junto ao banquinho, com um movimento involuntário, derrubou-o. A garrafinha partiu-se em mil bocados, espalhando-se completamente pelo chão.
E assim ficou estragada a minha aula de desenho. Não consegui concluir o gargalo da garrafa e a nota acabou por não premiar o meu esforço e apego. Tudo por causa de uma colega que um dia se disfarçou de loira com meias negras e ficou aterrorizada por ser chamada ao diretor…

segunda-feira, setembro 30, 2019

A aula de Matemática que nunca houve no CFL

 A influência da professora de Matemática do CFL terá sido de tal ordem que gente amiga confessou-me ter seguido uma carreira nessa área devido ao gosto que as suas aulas lhe deixaram. Eu também nunca a esqueci - a vocação teria aí uma perninha - apesar de me ter vendido ao poder dos cifrões. Imagino o que seria uma das suas aulas se nos tivesse de explicar a Torre de Hanói.
Dir-nos-ia:
Em 1883, o matemático francês Édouard Lucas inventou o famoso puzzle das Torres de Hanoi , também conhecido pelas Torres de Brahma e contado em forma de lenda.
E não se escusaria de recorrer à explicitação dessa lenda:

No grande templo de Brahma em Benares, numa bandeja de metal sob a cúpula que marca o centro do mundo, três agulhas de diamante servem de pilar a sessenta e quatro discos de ouro puro.
Incansavelmente, os sacerdotes transferem os discos, um de cada vez, de agulha para agulha, obedecendo sempre `a lei imutável de Brahma: Nenhum disco se poderá sobrepor a um menor.
No início do mundo todos os sessenta e quatro discos de ouro, foram dispostos na primeira das três agulhas, constituindo a Torre de Brahma. No momento em que o menor dos discos for colocado de tal modo que se forme uma vez mais a Torre de Brahma numa agulha diferente da inicial, tanto a torre como o templo serão transformados em pó e o ribombar de um trovão assinalará o fim do mundo
.
Estabeleceria a relação da lenda com o problema matemático:

A versão original das Torres de Hanoi consiste em três postes e oito discos de diâmetro 1; 2; ...; 8, inicialmente dispostos no primeiro poste por ordem decrescente do diâmetro formando uma estrutura cónica semelhante à da figura 1. O objectivo do puzzle consiste em formar a torre no terceiro poste, movendo um disco de cada vez, não sendo permitido colocar um disco maior sobre um menor.
E, de certeza, dir-nos-ia: «´Fico à espera da vossa solução».
Força, eminentes sábios utilizadores do Facebook!

quarta-feira, setembro 11, 2019

O regresso da «Pau de Giz»

A Dra. Nazaré Nunes era uma excelente professora de Matemática. Era uma pessoa alta, magra, sempre de bata branca, o que lhe valeu o nome de "pau de giz".
Mas houve um ano em que ela saiu, alegadamente por problemas de vencimento. Era difícil viver noutra terra com os salários que se praticavam...
E a primeira manifestação de massas ocorreu em Ourém.


QUEREMOS A DOUTORA NAZARÉ!!!!

Pais e alunos unidos juntaram-se frente ao Colégio exigindo o seu regresso e, apesar da rigidez do sistema, acabaram por vencer.
No ano seguinte a prestigiada professora regressava, sendo substituída até esse momento pelo Dr. Preto.




(Nota: texto baseado nas memórias do Zé Rito, o nosso querido Avião…)


quarta-feira, fevereiro 22, 2006

A aula de Matemática que nunca houve no CFL
A Dra. Nazaré Nunes terá sido talvez um dos melhores professores que encontrei até à entrada na Universidade. A sua influência terá sido de tal ordem que gente amiga confessou-me ter seguido uma carreira nessa área devido ao gosto que as suas aulas lhe deixaram. Eu também nunca a esqueci - a vocação teria aí uma perninha - apesar de me ter vendido ao poder dos cifrões. Imagino o que seria uma das suas aulas se nos tivesse de explicar a Torre de Hanói.
Dir-nos-ia:
Em 1883, o matemático francês Édouard Lucas inventou o famoso puzzle das Torres de Hanoi , também conhecido pelas Torres de Brahma e contado em forma de lenda.
E não se escusaria de recorrer à explicitação dessa lenda:

No grande templo de Brahma em Benares, numa bandeja de metal sob a cúpula que marca o centro do mundo, três agulhas de diamante servem de pilar a sessenta e quatro discos de ouro puro.
Incansavelmente, os sacerdotes transferem os discos, um de cada vez, de agulha para agulha, obedecendo sempre `a lei imutável de Brahma: Nenhum disco se poderá sobrepor a um menor.
No início do mundo todos os sessenta e quatro discos de ouro, foram dispostos na primeira das três agulhas, constituindo a Torre de Brahma. No momento em que o menor dos discos for colocado de tal modo que se forme uma vez mais a Torre de Brahma numa agulha diferente da inicial, tanto a torre como o templo serão transformados em pó e o ribombar de um trovão assinalará o fim do mundo
.
Estabeleceria a relação da lenda com o problema matemático:

A versão original das Torres de Hanoi consiste em três postes e oito discos de diâmetro 1; 2; ...; 8, inicialmente dispostos no primeiro poste por ordem decrescente do diâmetro formando uma estrutura cónica semelhante à da figura 1. O objectivo do puzzle consiste em formar a torre no terceiro poste, movendo um disco de cada vez, não sendo permitido colocar um disco maior sobre um menor.
E, pela certa, permitir-nos-ia também praticar como neste exemplo.
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