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segunda-feira, dezembro 03, 2007

Rei na cidade menor



Na pequena aldeia, as pessoas tinham uma vida humilde, mas reviam-se no seu espaço e na sua convivência que para elas se tornou uma referência. Nenhum dos que por lá passaram a esqueceu.
Um dia, a cidade onde era a pequena aldeia foi tomada pelo rei laranja. E logo a descaracterização começou. Formidável prédio que não respeitava as mais elementares normas de urbanismo avançou sobre o largo que era o centro da pequena aldeia e a todos sufocou, escureceu e humidificou a existência. Alguns reagiram. Mas a chegada de tão indesejado vizinho logo fez lembrar a muitos os benefícios da especulação.
O que era emanação de tribunal deixou de se cumprir. O rei laranja em breve fez os seus cortesãos elaborar e aprovar normas em que o ilegal correspondia ao que lá estava há décadas. Apreciem este trecho retirado do Crónicas recentes da cidade menor: “corrigir agora o erro como deve ser não é gastar recursos públicos a demolir um prédio que está no sítio certo e com a altura certa, mas sim retirar as casas que estão no sítio errado...”.
Acabou-se a esperança. O rei laranja virou o bico ao prego. O formidável mamarracho não virá abaixo, não recuará para os limites onde era o Albergue da Dona Aurora. A aldeia, essa, será certamente arrasada.

terça-feira, maio 22, 2007

A formosa amazona caiu do cavalo





Consta que em tempos passou pela nossa terra.
E logo pensou em desfrutar o prazer de um passeio com o seu fiel cavalo.
Saltou-lhe para o dorso e picou-o com as esporas.
O cavalo desatou a correr pela encosta: Catapum! Catapum! Catapum!
- Anda, cavalinho, corre, corre bem... leva-me depressa até Ourém...
E o cavalo corria o mais que podia.
Nisto, um cão atravessou-se-lhes no caminho. A formosa amazona esticou as rédeas com prontidão. O cavalo ergueu-se nas patas traseiras e quase tocou a copa das árvores que rodeiam a estrada. A menina foi frágil para aguentar esse movimento. Caiu para trás, bateu com o braço no chão...
Não tardou muito, foi socorrida. Permanecia desmaiada. O fiel cavalo estava junto dela, contemplando-a desalentado. Por todo o lado, as aves cantavam pedindo que acordasse. O próprio cãozito parecia triste com o mal que tinha provocado.
Pouco a pouco, foi recuperando...
- Ai o meu braço, que coisa horrível sinto...
- Vamos levá-la ao hospital. Pode ter algo partido...
- Não, não deixo o meu cavalo. E que podem lá fazer-me se nem o Raio-X têm activo? Vou pelos meus meios.
E afastou-se, deixando os diligentes oureenses boqueabertos...

quinta-feira, junho 08, 2006

A loja armadilha

Há dias tive um pequeno precalço em minha casa que se traduziu na destruição de um mosquiteiro de rede, elemento bem importante agora que andam por aqui essas pragas noticiadas.
Recomendaram-me, então, uma pequena loja de venda e arranjo de várias utilidades e, após contacto, ficou combinada a deslocação de um profissional para se ocupar desse estrago e colocação de uma fechadura.
O trabalho decorrreu em dois dias. O primeiro para retirar a estrutura de mosquiteiro e o segundo para as montagens. De qualquer modo, pouco tempo, embora a contagem estabelecida apontasse para umas três horas e meia.
Curiosamente, neste espaço de tempo, foi contabilizado um pormenor com piada: o silicone que o profissional levava consigo estava seco e ele teve de voltar à origem para o trocar ocupando um bom pedaço desse tempo.
No final, com ar matreiro, o patrão apresentou-me a conta:
- São 100 euros...
- Ena...
- Sabe? A mão de obra está muito cara. Começa a contar mal sai daqui para casa do cliente. A gente não sabe se ele aproveita ou não para beber uma cerveja...
- Pronto, está bem...
Lá paguei, pensando naquela estranha cumplicidade do patrão com o tempo ocupado a beber a cerveja pelo empregado...
- Quer papel para a sua contabilidade? Com Iva, sem Iva...
Pirei-me dali, sem vontade de voltar. Aquele espaço é uma verdadeira armadilha. E a imagem que este senhor dá da pequena empresa em nada é abonatória...
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