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segunda-feira, janeiro 03, 2005

AS MINHAS MEMÓRIAS - 5
Por Zé Rito

Os "Estúdios Trine" deixaram de existir pelo facto de ter saido de Ourém, por motivos profissionais, aliado ao facto de, uma vez em Coimbra, ter vendido o aparelho. Quando me apercebi, anos depois, do que foi feito tentei outro aparelho que reproduzisse aquelas bobinas. Não só não consegui como se perdeu o rasto às bobinas. Uma catástrofe.

Sei que chegaram a estar na Assembleia da República para, através do material lá existente, conseguir-se a sua recuperação. Estou convencido que alguém se aproveitou da situação e ficou com o material aproveitando-o para fins comerciais. Mas é só uma ideia.

Não queria fechar "As minhas memórias" sem deixar de falar, ainda que superficialmente, em quatro pessoas que, algures em Ourém, marcaram, para mim, a década de 60.

1- O Néné, do qual já falei anteriormente, o qual foi mimoseado por crónicas que fazia no "Notícias de Ourém", sob o pseudónio de "Ego Cauny".
Uma das vezes, apelidei-o de "pintor privativo" da Câmara já que andava a pintar com fundo preto e a branco os números das portas das Ruas da Vila. Teve o azar de em determinada Rua colocar do lado direito e esquerdo o mesmo número. Levou, brincando, "castanhada".

2- O Tóná, o qual se hoje fosse vivo andava triste com o seu Ourém. Dedicou uma vida aos jardins e parques, conservando uns e criando outros. Tudo desapareceu ou está a desaparecer.
Veja-se a Praça Agostinho Albano de Almeida, vulgo "Praça dos Carros" em frente ao Central. Nada de nada.
Foi justamente homenageado. No Café Avenida, foi colocada, a propósito, uma fotografia de corpo inteiro com a medida exacta dos seus 2 metros de altura.

3- O Zico Pereira, Comandante dos Bombeiros. Faleceu abruptamente vítima de uma injecção de penincilina. Tinha ido arrancar três ou quatro dentes, numa manhã, a Tomar. O dentista deu-lhe penincilina para utilizar no caso de ter dores. A meio da tarde saiu do armazém, com o filho João, direito ao consultório do Dr. Nini. Teve morte imediata. A prova da sua grande reputação foi transmitida no seu funeral com a presença de um mar de gente. Bombeiros de Norte a Sul do País fizeram-se representar.
Os Bombeiros da então Vila Nova de Ourém ficaram a perder com o seu desaparecimento.

4- Por último, o Ezequiel, no seu "habitat" ou seja o Café Avenida.

a) - Num belo fim de tarde/noite no alpendre do quintal do "Zé Mineiro" apanhei a que foi a minha primeira bebedeira comendo frango de churrasco regado com o bom vinho da casa.
Levaram-me para o Avenida e enfiaram-me não sei quantos cafés sem açúcar entre outras coisas. A finalidade era ser entregue em casa no melhor estado possível. O resultado foi que inundei a mesa e o chão de tudo o que tinha enfiado. Não esquecendo o vinho e o frango. O desgraçado do Ezequiel é que teve que limpar e eu, naturalmente, no dia seguinte pedir-lhe desculpa.

b) - Na altura eram administrados diversos cursos de cristandade. Todos os homens que o desejassem poderiam frequentar estes cursos. E quando saiam tratavam-se com um "tu cá, tu lá", mesmo que antes o tratamento fosse por você ou mesmo por Sr. Doutor ou Sr. Engenheiro. Ficaram conhecidos pelo "Curso dos Tus". Em determinada altura estes cursos tornaram-se extensivos às Senhoras. Foi quando, numa tarde em que estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde exibia-se ao bilhar, que fazendo rodar a porta giratória da entrada do Café entrou esbaforido o Paisana. Deu com o Ezequiel e entusiasticamente afirmou alto e bom som: Ezequiel, meu amigo, a partir de agora a minha mulher também é "tua".

c) - Eventualmente nós, em outra altura, estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde a jogar ao bilhar. Uma senhora, que estava em Ourém de passagem, levantou-se, dirigiu-se ao Ezequiel e perguntou: "Tem urinol?" . O Ezequiel no seu alto profissionalismo, conhecendo o local solicitado por "casa de banho" ou, eventualmente, "retrete" respondeu não se intimidando "Minha Senhora, neste momento está esgotado. Muito provávelmente para a semana já temos."

Por mim, vou-me despedir não até para a semana mas ATÉ SEMPRE!

Rio Torto, 2005-01-02
José Manuel Rito


sexta-feira, dezembro 31, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS - 4
Por Zé Rito

Os "Estúdios Trine" existiam em dois locais.

O primeiro prendia-se com a gravação de canções no chamado "Bairro dos Pobres". Eram retiradas de dois programas de rádio, a saber: "Quando o telefone toca" e, sobretudo, "Liga de Amigos da Rádio Renascença". Eu e o Zé Alberto fizémo-nos sócios e solicitávamos, como tal, as canções que entendíamos. O resto ficava dependente das outras solicitações. A pouco e pouco fomos enchendo as bobinas totalizando largas horas de música.

O segundo local tinha a ver com a audição. Era feita na redacção do "Notícias de Ourém", na Rua Teófilo Braga, junto ao velho Hospital Santo Agostinho. Era lá, com a conivência de meu Pai e do Sr. Pina, que o pessoal se reunia para, ouvindo música dos Estúdios, conversar e jogar, sobretudo, o loto. As bolas saiam e os números eram conhecidos por nomes de código,desde "patos marrecos" (22) ao "morreu enforcado" (70).

Lembra-me, de um dia, quando saíamos do Café Central para gravar, cruzámo-nos com o Zé Domingos que nos "intimou" a trazer para a sala de audição duas canções que, até à altura, nunca tínhamos ouvido falar. Tratava-se de "Unchain melody" e "Reach out i'll be there". "Estamos feitos", comentámos. "Lá vai a nossa reputação", acrescentámos. Mas o programa da Renascença salvou-nos "in extremis". Quando saimos de gravar íamos com as duas canções solicitadas prontas a serem difundidas logo que o Zé Domingos entrasse nas instalações do jornal.

Era aqui que falávamos das nossas preocupações e anseios ouvindo música durante as tardes de Sábado e Domingo. Era todos os dias à noite, depois de jogarmos às Damas no Café Avenida ou ao bilhar no Café Central que ficávamos junto à casa do "Manel do Raul", formando "O Poço", continuando essa mesma conversa.

Era com o aparelho debaixo do braço que íamos para bailaricos, sobretudo com destino ao Alqueidão.

Era com o aparelho que se ouvia e se retirava a letra de canções que interessavam para o reportório de um conjunto musical que houve na altura e que eu acompanhava. Introduzia, nos locais onde actuava, os seus intérpretes e posteriormente o nome das canções que iam tocando, preenchendo a sua actuação. Tratava-se do conjunto "Os Escaravelhos". E eu ia chamando-os e eles iam pegando no seu instrumento e começavam a tocar. Na bateria o Magalhães, no acordeão o Genito, na guitarra ou acordeão o Armando "cardâo" e como vocalista era um dos cunhados, o Carlos Alberto. Tinha o nome artístico de Alberto Carlos, para parecer com o Roberto Carlos. Começavam sempre com "E que tudo o mais vá para o Inferno".

Foi para o aparelho que durante uma tarde inteira estive no "Notícias de Ourém" a gravar com o Néné todo o seu reportório, através de um microfone adquirido em Lisboa. Para além da famosa "Volta ao Concelho" tinha muita canção que eu chamaria de operariado. Lembro-me que por cada canção gravada íamos à tasca do "Manel do Raul" para bebermos um copo.

Durante três anos, mais mês menos mês, durou os "Estúdios". Foi em meados de 1969 que mudei de profissão e fui até Coimbra para empregado do então Banco Lisboa & Açores. Agora já não é nem de Lisboa nem dos Açores..

Antes de, para a semana, terminar "As minhas memórias", queria desejar a todos que frequentam estas paragens um feliz ano de 2005 e façam o favor de serem felizes.

Rio Torto, 2004-12-26
José Manuel Rito

domingo, dezembro 19, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS - 3
Por Zé Rito


Entre a saída do Colégio e a entrada no mundo do trabalho mediou o espaço necessário para, como todos os mancebos, cumprir o serviço militar. Na altura era complicado. A necessidade, imposta pelo regime, de ir "defender a Pátria no Ultramar" e algures na Àfrica ser "carne para canhão" assustava qualquer um.

Foi com algum aperto na garganta que os meus Pais assistiram à minha ida, juntamente com o Luís Cúrdia, o Augusto Chapeleiro, vulgo Mina Guta, o Tó Lis, o Portugal, entre outros, até às instalações da Banda, para fazer a inspecção. Saí com a esperança de me safar, já que teria de ir ao Hospital de Tomar, onde, perante o Dr. Tamagnini, era reinspeccionado.

Fomos todos passar o dia na Nazaré tendo voltado com um chapéu de marinheiro para um baile, por nós organizado, que teve lugar no ringue do Atlético.

Guiné, Angola ou Moçambique foi o destino da maioria. Sei que três ficaram isentos de cumprir o serviço militar. Julgo que, para além de "moi même", safou-se o Portugal e o Mina Guta.

Enfim livre deste embróglio passei ao mundo do trabalho, como funcionário público, na Secretaria da Câmara.. Estávamos no fim do ano de 1965.

Foi na altura que foi criado para os velocípedes a obrigatoriedade da chapa amarela (1-VNO-00-01, etc.). E o chefe da Secretaria, de seu nome Hermenegildo Carrilho Escobar, incumbiu-me dessa tarefa.

Lembra-me, como colegas, do Sr. Honório, do Gonçalves, do Zé Félix, do Abel Vieira, da Maria Helena, da Lita, da Maria do Carmo, da Julieta Marçal, para além do meu Pai.

Ao fim do dia lá ia eu com o grande "Livro 8" à Tesouraria, onde com o chefe Baço fazíamos a conferência dos movimentos e das receitas.

Foi então que comecei a juntar o meu "pé de meia".
Em dado momento aventurei-me à aquisição de um gravador. Foi o início dos "Estúdios Trine".
Gravava em bobinas com duas faixas de cada lado em três velocidades. O altifalante estava incorporado na tampa.

Comecei a gravar música em casa mas as condições de recepção não eram as melhores. Foi então que surgiu a oportunidade de gravar a partir do rádio do Zé Alberto. Era um rádio recente que permitia com um cabo a ligação directa entre os aparelhos. O Zé Alberto vivia no Bairro Dr. Trigo de Negreiros. Daí o nome dos "Estúdios" ter o nome das primeiras sílabas do Bairro.

Rio Torto, Gouveia 2004-12-18
José Manuel Rito

sábado, dezembro 11, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS - 2
Por Zé Rito

Antes de entrar na época dos "Estúdios Trine" não queria deixar passar em claro a época do Fernão Lopes.

Durante a chamada instrução primária fomos "instruidos", e muito bem, diga-se, pela D. Aninhas durante quatro curtos anos.

Tínhamos como sala de aula o primeiro andar do edifício do Colégio com acesso exterior pelo recreio, em frente ao ginásio, através de dois lanços de escada.

Era nessa sala de aulas que aprendi muito do que ainda hoje sei, como se diz "de cor e salteado". Rios e afluentes, Serras ou linhas de caminho de ferro.

Era no recreio que jogávamos, sobretudo, à bola e em que eu, habituei-me a ir para a baliza talvez porque, para mim, dominar o esférico não era grande atributo.
Passei de seguida para o domínio do Dr. Armando. E o que deveria ser cinco risonhos anos tornaram-se, para mim, sete anos muito compridos.

Em termos de aproveitamento escolar fui um aluno q.b.. O pior era a voz autoritária, a mão pesada e a presença intimidatória do Dr. Armamdo.

Foi um excelente professor. Com ele, como professor de história, parecia que vivíamos os acontecimentos. Estou a ver o Gungunhana não querendo ajoelhar-se argumentando que o chão estava sujo ...

Passei por outros excelentes professores como a D. Nazaré, professora de matemática, alta, magra, sempre de bata branca, que lhe valeu o nome de "pau de giz". Em dada altura ela saiu por, alegadamente, problemas de vencimento. Sei que, manifestámos a nossa vontade em que ela voltasse. E apesar da rigidez do sistema os alunos acabaram por vencer. No ano seguinte voltava a ser a nossa professora. Penso que quem, na altura, a substituiu foi o Dr. Preto.

Passei também por um professor que só sei o none porque ficou conhecido. Veio de Àfrica e ensinava português. Vivia na Avenida, junto do Melo. Era o "Zebú". Para começar uma frase tinha que usar a expressão "Da..da..."

Em relação a ele lembro-me de quando chamou o Amílcar ao quadro e lhe disse "Da...da..., Amílcar escreve aí" . E o Amílcar escreveu "Da...da... Amílcar escreve aí!.

Também há que contar que era um excelente ... fotógrafo. Só que não vimos qualquer fotografia. Tirava, com a sua máquina fotografias a toda a gente. Em grupo ou separado. E quando pedíamos para ver essas fotografias,respondia invariavelmente. "Da... da perdi as chaves da gaveta onde as meti."

Quero lembrar, sem menosprezo para os outros alunos, o Barroso. Talvez porque quando chegava ia logo à sua procura. Talvez porque era o meu colega de carteira. Lembra-me que adivinhava sempre a altura exacta em que o Sr. Nunes tocava a campainha para sairmos. Talvez porque nunca mais o vi. Já lá vão quarenta anos.

Quero recordar ainda a Sâozinha Nunes. Por um facto que entristeceu a sua família. Decorria uma aula, na sala do lado do recreio, quando a sirene tocou. Passado algum tempo o Sr. Nunes bateu à porta solicitando a saida da Sãozinha. Viemos a saber que a avó tinha morrido carbonizada. Vivia numa casa entre os armazéns dos Pereira e a casa do Dr. Amândio.

Em acontecimentos elejo uma situação que se passou comigo e o meu irmão. Estávamos a fumar, às escondidas, por trás do ginásio. Ao atirar as beatas fora para junto de um silvado que ali havia originou o inevitável. Começou a arder. Fugimos para a encosta dos moinhos. Sorrateiramente démos a volta e chegámos ao local do crime vindo do lado oposto. Toda a gente com baldes conseguiu apagá-lo. Alguém nos viu e denunciou-nos. Démos uma desculpa e atribuimos a autoria ao "Natureza" rapaz que vivia na Rua da Castela. Durante muito tempo estive sempre à espera de ser chamado ao gabinete e prestar contas, que seriam pesadas, ao Dr. Armando.

Rio Torto, Gouveia 2004-12-11
José Manuel Rito

segunda-feira, dezembro 06, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS
Por Zé Rito

As minhas memórias são escassas e têm um tempo definido.
Para além do Fernão Lopes o que poderei contar são episódios vividos até ao ano de 1969, altura em que a minha vida profissional me retirou do Poço e de outros locais, como o Café Avenida onde pontuava o Ezequiel e o Fernando Forte.
Passei, sobretudo, depois da fase escolar com a D. Aninhas, como professora, em que eu me deslocava Rua da Castela acima, Rua da Castela abaixo, na tal motorizada virtual, que até tinha marcha atrás, e que me valeu, na altura, o cognome de "Zé Avião", e depois, na fase seguinte, com o Dr. Armando, o Zebú, a Pau de Giz, a Botija e outros, não esquecendo o Sr. Nunes. Passei, dizia, pelos "Estúdios Trine", o conjunto "Os Escaravelhos", a fase jornalística, em que utilizava o pseudónimo de Ego Cauny, entre outras.
Este espaço não tem mais do que dar um, ainda que pequeno, contributo para que todos que o visitem relembrarem tempos vividos em determinada época sem, espero eu, despertar saudosismos.
Contar por contar.
Despertar outros a fazerem o mesmo.
Contribuir para, no fim, juntar as peças e constituir uma história que será a história das nossas vidas em Ourém.
Dado que os "Estúdios Trine" foram vividos de forma particular, na companhia do Zé Alberto, na segunda metade da década de 60, vou a partir dos estúdios recordar "as minhas memórias".
Até lá..

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