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quinta-feira, junho 01, 2006

A bala traiçoeira



Naquele dia, a chegada das aulas teve a acompanhá-la notícia inesperada.
- O Luís Nuno levou um tiro, está no hospital...
Dita daquele maneira, aquela notícia foi um choque.
Luís Nuno, o grande amigo, tinha levado um tiro. Lá fui a correr... não era longe, aliás naquele tempo, em Ourém, nada era longe, nem sequer as pesssoas.
À porta do hospital já havia um aglomerado. A trupe do costume... das janelas as pessoas contemplavam aquele estranho movimento
- O que se passa?
- O Genito deu um tiro ao Luís Nuno...
Olhei acusatoriamente o Genito*.
Ele explicou-se...
- Que é que queres? O Jó Rodrigues veio da caça com a pressão de ar...
Já não me lembro onde estavam. Sei que o Genito tentou imitar aquele gesto dos cow-bois de fazer a pistola rodar em torno do dedo. A pressão de ar estava desactivada com o cano frontal baixo e com um chumbo no interior. O movimento fez com que o cano voltasse à posição normal e o disparo se produzisse.
Mas, naquele momento, o Luís chegou ao pé de nós.
- Então? Então?...
- Têm que me tirar o chumbo que está debaixo da pele...
E voltou para o interior.
Ficámos mais tranquilos. Pouco tempo depois, aquilo estava transformado em mais um estória para se recordar com saudade daqueles tempos. As janelas de onde nos observavam fecharam-se. O Prostes, cujo atelier era ali em frente, retomou o trabalho. O Jó voltou à caça tranquilo (os pobre bichos é que não...). O Genito e o Luís continuaram grandes amigos...

*Cabeça Aguda mais novo, irmão do Duarte que há poucos dias nos visitou...

sexta-feira, janeiro 27, 2006

A tacada


Jogava-se bilhar no Central.
Formidável partida em que Pintassilgo, Génito, Manel e Vitor Guerra se enfrentavam organizados em pares de forma a disfarçar a eventual superioridade de algum.
À volta, eu e outros distintos assistíamos àquela lição de bem jogar e tentávamos aprender para aproveitar em futuros embates.
Ao fundo, o rádio tocava uma melodia da época:
...
Lady,aaaahhhh
La-La- Lady,
Vous êtez plus que jolie,
Oh Lady!,
Que soudain
J'ai decouvert
Une autre vie...
...
O Génito pousou o cigarro na borda do bilhar, encostou o taco à parede, despiu o casaco e começou a exibir-se.
Agarrou uma cadeira, daquelas de metal que ameaçava durar mais uns quarenta anos, apoiou as mãos nas laterais, dobrou-se para a frente e, lentamente, foi erguendo as pernas aproximando-as do tecto.
Todos ficaram suspensos do que ia acontecer. O contador de tempo com indicador de montante em dívida acoplado continuou a funcionar, mas ninguém se preocupou com ele.
As pernas do Génito continuavam a subir na direcção do tecto. Por pouco não lhe acertavam, já que ele não era muito elevado. Chegaram a ficar perfeitamente a prumo.
E quando parecia que o objectivo estava cumprido eis que se ouviu monumental ruído e o conjunto corpo cadeira desfez a sua unidade, indo cada um para seu lado.
O Génito caiu pelo chão e ficou um pouco atordoado. O Adelino veio a correr, apressado, julgando que vândalos tinham invadido a sala de bilhar.
Pouco a pouco, ele recuperou. Pegou no taco, extraiu mais uma fumaça e calmamente perguntou:
- É a minha vez?
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