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quinta-feira, dezembro 12, 2019

A Gala do CFL

No mês de Março de um dos primeiros anos da década de sessenta, foram chamados ao gabinete do diretor do CFL os seguintes alunos com o objetivo de colaborarem na organização da primeira gala do colégio: Lena Borda d’Água, Céu Vieira, Maria Emília, Luís Cúrdia, Amândio Lopes, Rui Leitão e Jó rodrigues.
Depois de lhes apelar aos mais profundos, pedagógicos e patrióticos sentimentos, ficou combinado que as duas primeiras se encarregariam de confecionar os bolos para a gala, a Maria Emília forneceria, abateria e depenaria 50 frangos, o Luís Cúrdia traria 250 litros de vinho da taberna do Manel Raul bem como uma centena de pirolitos e laranjadas, o Amândio traria 50 kilos de batatas cortadas em palitos para fritar, o Rui Leitão encarregar-se-ia de distribuir pastilhas Reny para apoiar a digestão e o Jó Rodrigues assaria os frangos.
A Lena e a Céu deveriam também servir às mesas vestidas de coelhinhas e de patins.
Conseguido o acordo dos colaboradores, o diretor produziu imediatamente intensa ação de propaganda relativamente à gala. Só existiriam vinte mesas para os familiares dos alunos à razão de 300 euros por mesa (1)… Desta maneira, conseguia-se estabelecer um apertado filtro à entrada já que Ourém era habitada por gente tesa, rude, sem princípios, capaz das piores zaragatas…
Algumas dessas mesas ficaram de imediato reservadas para o Presidente da Câmara e sua comitiva, para o diretor do colégio e para o pároco da Igreja.
Ficou ainda clara a proibição de o João Passarinho entrar no espaço reservado à gala devido ao seu comportamento desnaturado.
A gala contaria ainda com um baile abrilhantado por um conjunto da região e previa-se uma curta atuação de quatro elementos que viriam a integrar o quarteto 1111.
***

E o dia da gala chegou.
Os participantes foram estacionando os belos automóveis ao longo da estrada que servia o colégio. As damas da elite de Ourém, muito perfumadas, resplandeciam nos seus vestidos de tecidos comprados para o efeito na loja do sr. Pina e elaborados pelas melhores modistas da terra. O senhor prior também não faltou para abençoar aquelas almas tão gentis. As meninas, oh!, aquelas flores… como vinham bem vestidas para o baile…
A gala iniciou-se com um discurso do Dr. Armando:
- Esta é a primeira gala do nosso Colégio Fernão Lopes e espero que não seja a última. Com ela queremos cimentar a união entre pais, alunos e professores num ambiente de mútuo respeito. O nosso programa para hoje é longo. Um antigo aluno proferirá a oração de sapiência. Alguns dos melhores alunos vão ler alguns poemas que mostram a qualidade das leituras que temos no nosso espaço de ensino. Depois, veremos uma breve atuação de quatro rapazes que virão a formar o quarteto 1111 que, daqui a algum tempo, lançará a Lenda de El-rei D. Sebastião e a Balada para Dona Dinis. O José Cid ainda não tem o nível do nosso Fernão Lopes, mas garanto que chegará longe e que em 2019 lhe será atribuído um prémio musical.
Terminado o discurso do diretor, em nome dos antigos alunos do Colégio, a Florência proferiu uma oração de sapiência na qual enaltecia o papel do grande cronista na divulgação da História do nosso país. Terminou pedindo ao Ministro da Câmara (o Presidente) que nunca deixasse definhar aquele espaço para ali poderem voltar com prazer todos o que o tinham frequentado.
O Presidente da Câmara agradeceu as palavras da antiga aluna, acenou afirmativamente ao pedido, garantindo que a autarquia tudo faria para manter aquele espaço nas melhores condições. Em seguida, propôs um brinde, augurando um excelente futuro aos alunos a servir a Pátria na Guerra Colonial e, aos que escapassem, a trabalhar para engrandecer o país. Todos de pé, de copo na mão bem cheio, seguiram as suas palavras:
- Vai acima, vai abaixo, pela goela abaixo…
Em seguida, três alunos foram ler poemas, originando significativos aplausos. Eram os três Luíses nascidos nas imediações da Rua de Castela ali a trazerem os versos de Pessoa e António Gedeão(2).


Finalmente, o futuro quarteto 1111 interpretou três canções que entusiasmaram novos e velhos:
João Nada
Entretanto, o belo cheirinho do frango assado já entrava pela sala improvisada no ginásio. Lá fora, o Jó Rodrigues rogava pragas àquela gente toda e ao trabalho que lhe tinha calhado e resolveu participar na festa carregando a assadura com piri-piri. E não tardou muito, procedeu-se ao início da refeição. As meninas vinham de patins trazer frangos e batata frita às mesas. Comia-se e bebia-se a valer e, com o tempero do frango, bebia-se ainda mais… Tudo parecia correr às mil maravilhas.
O João não estava nada contente e, quando uma das meninas passou à frente da porta onde se escondia e como já estavam todos com os copos e não davam por ele, rasteirou-a. A pobre caiu em cima da mesa onde estava o diretor do colégio e família e o frango caiu na cabeça do Presidente da Câmara enquanto uma asa acertava em cheio numa bochecha da Aninhas…
A patinadora foi de imediato socorrida. Era a Céu. Coitadinha, estava cheia de nódoas negras, mas foi amparada por vários rapazes gentis e, em breve, recuperou a boa disposição.
Confusão ultrapassada, foi servida a sobremesa. Um belo bolo de ovos feito pela Lena, coberto de chantilly. O problema é que, mal aproximaram o nariz do bolo, as pessoas fizeram um esgar de desconfiança. Levantou-se o dr. Laranjeira:
- É curioso, este bolo está muito bonito, mas cheira mal…
A Lena ficou logo nervosa.
- O quê?
- Cheira a ovos podres…
Mal sabiam que o malvado do João um dia antes tinha trocado os ovos que a Lena tinha comprado, ovos fresquinhos da melhor criadora de Ourém, por ovos podres que já guardava há vários meses em casa.
- Mas não pode ser… Kakakakakakaka – dizia a pobre Lena.
Contudo, teve de render-se à evidência e, em total descontrolo, pegou no bolo e espetou com ele na cabeça do padre.
- A culpa foi sua que me recomendou a Eulália dos ovos…
Foi o sinal que faltava. De festa, a gala transformou-se em guerra com todos a despejarem os bolos na cabeça uns dos outros. Verdadeira batalha campal com as damas a fugirem para não lhes estragarem os fatos elaborados exclusivamente para aquele efeito. E, cá fora, o João e o Jó gozavam todo aquele espetáculo deprimente enquanto se deliciavam com os frangos que tinham escapado à gula dos participantes.
Escusado será dizer que nunca mais houve galas no CFL.


(1) 60 contos na moeda da altura.
(2) O Luís Filipe, o Luís Manuel e o Luís Nuno. Três Luíses que nasceram com uns oito dias de diferença uns dos outros.

quarta-feira, outubro 16, 2019

Garmpeiro musical

Voltemos ao Jó Rodrigues, presença assídua na minha casa, num pequeno morro na rua Santa Teresinha, frente à do Zé Quim e ao lado da dos padrinhos do Rui Temido.
O seu sentido de audição musical era notável: ele conseguia descobrir no meio das músicas, escondidas sob as vozes, os solos, as baterias, pequenas pérolas que, sem o seu apoio, a nós, sempre com um ouvido para o mais comercial com certeza escapariam. Era um autêntico songs mining. Isto fazia com que, muitas vezes, conseguisse transformar uma canção insuportável em algo em que nós abstraíamos daquelas partes fastidiosas para esperarmos pacientemente pela passagem maravilha.
Parece-me que estou a vê-lo. Um dia entra pela casa, sem bater como era nosso apanágio, sentamo-nos na sala interior e eis-me a ser objeto de revelação: estive a ouvir o Tell me you are coming back dos Stones e aquilo tem um solo que é um tratado. E lá íamos nós a procura do solo e ficávamos a adorar o disco. E se era difícil na época gostar dos Rolling Stones
Noutra ocasião, referiu-se a um conjunto que teve um êxito retumbante com apenas uma música: os Turtles e o Happy Together. Sabes, Luís, lá pelo meio, depois daquela parte mais rápida, quando eles começam de novo “Me and You...” aparece uma música de fundo tão linda como eu nunca ouvi. Hás-de ouvir.
E era bem verdade, tão verdade que nunca consegui esquecer esses pequenos pedacinhos da nossa maravilhosa vivência nem quem me ajudou a descobri-los.


quinta-feira, setembro 26, 2019

O ataque do carabineiro



O Jó Rodrigues foi mais um companheiro da infância e adolescência, talvez aquele a quem eu mais atribuo as qualidades de irreverência e permanente disposição para a paródia.
O Jó era detentor de bondade insuperável - não havia gelado que comprasse que não fosse imediatamente duplicado em espécie para este seu amigo - e de notável capacidade de audição de música como podem notar em alguns dos posts associados ao marcador.
Guardo dele as melhores recordações e são essas que quero conservar: bailaricos, Nazaré, King no Avenida e no parque, bilharadas no Central, passeatas a Tomar, discos, lancharadas, monumental repositório de anedotas, entradas intempestivas pela minha casa, caçadas com pressão de ar...
Tinha, no entanto, uma certa animosidade em relação ao CFL e ao Dr. Armando de que nunca cheguei a perceber a razão. Tal levava a que, tendo inegáveis qualidades de líder, tudo o que de malvado se fazia na juventude tinha aqueles imediatamente como primeiro candidato a alvo. 
Recordo, por exemplo, as bombas de Carnaval com que, pelas dez da noite, o nosso grupo mimoseava os habitantes de tão pedagógico espaço, levando a que, num dia, escondidos, víssemos o Dr. Armando assomar à janela de carabina em punho:
- Apareçam, malandros! Apareçam que eu já vos digo...
Ena, pá! Que saudades daquele tempo!



(primeira publicação: 16/02/2007)

quarta-feira, julho 25, 2007

Raridades...




Mas se não se sabe quem possui a pintura de Amadeo, também é difícil determinar quantos oureenses possuirão alguns exemplares da primeira série da Colecção Cowboy.
Trata-se de um conjunto de livros de texto editados pela Agência Portuguesa de Revistas, a mesma que editava os fabulosos Búfalo, Bisonte e Arizona. O que acontecia é que eram histórias mais pequenas, sensivelmente metade das publicadas naqueles livros, embora os autores fossem os mesmos. Na Ibis, a rival era a colecção Oeste.
A primeira série da Colecção Cowboy tinha maiores dimensões e menor número de páginas e originou nove números. Como podem apreciar, o número dez é substancialmente mais pequeno, cerca de metade, embora tenha o dobro de páginas e enriquecido com seis ilustrações intercaladas com o texto e originou um clone na Colecção Seis Balas, muito apreciada pelo presidente David como podem testemunhar em entrevista deste ao Mirante. Esta série de nove números foi suportada por três excelentes autores: Raf. G. Smith, E.L.Retamosa e Cesar Torre. O Raf era o melhor: o que eu e o meu irmão nos rimos, uma noite, ao desfrutar a leitura das primeiras páginas do primeiro número da colecção - "O Vingador"! Mas alguns nomes de autores também eram dignos de registo: não calculam os meus amigos o que o Jó e o Rui gozavam comigo por causa do El Ratamosa, mas imaginarão...
Penso que é mais fácil encontrar as edições de obras de Eça de Queirós efectuadas na primeira metade do século passado do que exemplares desta primeira série de que vos falo que, como podem apreciar, teve algumas excelentes capas, algumas com mulheres belas, bravas e lutadoras que não se intimidavam de espingarda na mão. Reparem, no entanto, na impressão da penúltima, "exploradores de ouro", com sobreposição desfasada de cores: o meu exemplar deve ser único.
Mas, se estes números são uma raridade, há raridade ainda maior: o número nove. Acontece que lhe embirrei com o título, "A tiro e a murro" e, quando há trinta anos tive de decidir que livros trazia comigo e quais iriam para a fogueira, pois era impossível transportar tudo, ele foi seleccionado para este lote.
O OUREM atribuirá prémio inesquecível ao oureense que primeiro lhe apresentar esse número da Colecção Cowboy. Está prometido.

quinta-feira, junho 01, 2006

A bala traiçoeira




Naquele dia, a chegada das aulas teve a acompanhá-la notícia inesperada.
- O Luís Nuno levou um tiro, está no hospital...
Dita daquele maneira, aquela notícia foi um choque.
Luís Nuno, o grande amigo, tinha levado um tiro. Lá fui a correr... não era longe, aliás naquele tempo, em Ourém, nada era longe, nem sequer as pesssoas.
À porta do hospital já havia um aglomerado. A trupe do costume... das janelas as pessoas contemplavam aquele estranho movimento
- O que se passa?
- O Genito deu um tiro ao Luís Nuno...
Olhei acusatoriamente o Genito*.
Ele explicou-se...
- Que é que queres? O Jó Rodrigues veio da caça com a pressão de ar...
Já não me lembro onde estavam. Sei que o Genito tentou imitar aquele gesto dos cow-bois de fazer a pistola rodar em torno do dedo. A pressão de ar estava desactivada com o cano frontal baixo e com um chumbo no interior. O movimento fez com que o cano voltasse à posição normal e o disparo se produzisse.
Mas, naquele momento, o Luís chegou ao pé de nós.
- Então? Então?...
- Têm que me tirar o chumbo que está debaixo da pele...
E voltou para o interior.
Ficámos mais tranquilos. Pouco tempo depois, aquilo estava transformado em mais um estória para se recordar com saudade daqueles tempos. As janelas de onde nos observavam fecharam-se. O Prostes, cujo atelier era ali em frente, retomou o trabalho. O Jó voltou à caça tranquilo (os pobre bichos é que não...). O Genito e o Luís continuaram grandes amigos...

*Cabeça Aguda mais novo, irmão do Duarte que há poucos dias nos visitou...

sexta-feira, abril 21, 2006

Por causa do Ukelele

O Ric Jo, no seu Malibu Cola, tem um artigo muito interessante sobre uma guitarra acústica Havaiana muito pequena de apenas 4 cordas: o Ukelele.
A questão é que esse instrumento traz-me alguns sentimento e recordações (por exemplo, o fabuloso “Cavaquinho” do Júlio Pereira) que não posso deixar calados e, por isso, contrariando o momento, todo virado para a comemoração do 25, vamos criar um pequeno enclave.
Contam os amigos que o nosso velho amigo Harrison, quando viajava, transportava consigo sempre dois Ukeleles, um para ele tocar e outro para alguém que conhecesse e o quisesse acompanhar. Imaginem aqueles passeios...
O Harrison morreu já há alguns anos e, no ano seguinte, alguns dos mais chegados fizeram-lhe um concerto de homenagem, algo muito comovente, algo que me recorda sempre os nossos amigos oureenses já desaparecidos e outros que tanto produziram para nós sem nos conhecer.
É verdade, há trinta e dois anos, estávamos bem mais ricos. Tínhamos perdido o Zé Manel, mas o Luís Nuno e o Félix preparavam-se para dar o contributo para o nascimento do Poço, o Vitor Guerra ainda nos acompanhava, o Jó Rodrigues estudava aquelas estranhas ervas com que pretendia melhorar a nossa saúde (um dia chegámos à loja dele: “Ó Jó, para que é que são estas ervas?”, “Sei lá...”), o Lennon preparava mais albuns (a compilação “shaved fish” com o fabuloso Imagine e o Give peace a chance, e o magnífico “Double Fantasy” que trazia o Woman e a capa mostrava a malvada Beatlecida), o George ainda faria o Cloud Nine, deixaria músicas para o póstumo, ajudaria a regressar os Beatles com a Antologia, dinamizaria os Travelling Wilburys, o Zeca ainda tinha muito para dar (“com as minhas tamanquinhas”, “fura-fura”, “como se fora seu filho”, “enquanto há força”...) e o Adriano cantava e não lhe ficava atrás (“que nunca mais”, “cantigas portuguesas”). Deram-nos muita coisa a partir do 25. Depois, pouco a pouco, deixaram-nos...
Imagino-os lá em cima, naquela confraternização que a sua qualidade de espírito puro, nada sujeito às barreiras que a matéria cria, proporciona. Se calhar atentos ao tributo que foi prestado ao George que os outros também mereceriam naquilo em que se tornaram notados entre nós. Uma das peças desse tributo foi uma nova versão do “Something” que, e aqui está a razão do post, foi introduzida por Ukelele. Ora oiçam...
Claro que, em DVD, ainda é mais interessante, pois mostra-nos algumas particularidades dos intervenientes: do baterista, do Clapton..., dos instrumentos a associarem-se um por um... A mim, bate-me especialmente a transição para a versão convencional. Por tudo isto, sempre que oiço esta canção ela traz-me a recordação dos nossos amigos, destes que vos falei. Tudo isto estava guardado para mais tarde, mas o artigo do Ric Jo levou-ma a antecipá-lo. São danados estes jovens ourenenses...

Paul McCartney - Something (Concert for George) from Samuel Bello on Vimeo.

quinta-feira, março 02, 2006

Os Stones

E quem sou eu para falar dos Rolling Stones? Nem pensem... olhem, encontram aqui quem o faça melhor e com excertos de músicas.
Apesar de fazerem parte de quase toda a minha vida musical, nunca me entusiasmaram seriamente, mas há pequenos episódios ao longo do tempo.
O primeiro, que não posso deixar de vos recordar, é aquele do nosso Jó Rodrigues a identificar um belo solo em "Tell me you are coming back". Nessa época eu ouvia os Stones, mas embirrava com o seu som.
Depois as coisas foram melhorando. Uma tarde, o posto de turismo da Nazaré brindou-me várias vezes com "Get off my cloud" enquanto eu repousava na esplanada. Tanto bastou para tal música se me tornar inesquecível.
Mais tarde, aquela dos olhos cor de mel ajudou-me a ouvir "She is a rainbow", contribuindo para horas e passeios muito agradáveis.
"Ruby Tuesday" também faz parte da minha recordação dos Stones. Acho uma canção deliciosa. Aliás, seria interessante contrapor três interpretações de que me estou a lembrar: a do autor (Dylan, claro), a dos Stones e a da Melanie (que eu considero fabulosa). Talvez um dia pensemos nisso.
Finalmente, não posso deixar de vos referir "Lady Jane". É uma canção que está ligada a um daqueles episódios em que fui fértil. Imaginem que algum amigo vos pergunta:
- Que disco hei-de comprar?
Isto aconteceu no terceiro ou quarto ano do curso. O Vitória Fernandes comprou um gira-discos e queria iniciar a colecção. Caiu na patetice de me perguntar. Nessa altura, ouvia-se a dita música e claro que eu lha recomendei imediatamente. Não sei porquê, esse meu amigo não gostou, ia partindo o disco aos bocados:
- Por que é que eu fui na tua opinião? Ainda tu parto na cabeça...
O mais engraçado é que esta minha tendência para aconselhar os amigos “sem fazer concessões ao comercial” ocorreu com um outro a quem recomendei "Tubular Bells" de Mike Oldfield, aquele em que há uns quinhentos instrumentos (em momentos diferentes) sempre a tocarem a mesma coisa, mas, em que lá por dentro, o homem explora todos os sons inclusivamente os que se produzem em casa de banho. Claro que mais uma vez fui censurado... O Bastos acabou por trocar o disco por "Gracias a la vita" da Joan Baez.
Tudo isto para vos dizer que, hoje, vamos mudar de som, deixando uma pequena homenagem ao nosso querido amigo Jó Rodrigues com um dos discos que ele me ajudou a ouvir...


Oiça Tell me you are comming back

quarta-feira, março 01, 2006

Uma roda que rolava pela estrada de Leiria


Uma tarde o Domingos (irmão do TóLiz, Licínio, etc.) veio ter comigo e com o Jó Rodrigues. Era relativamente mais velho, já trabalhava, ao contrário de nós eternos descansantes daquela fabulosa juventude.
- Querem vir comigo? Vou a Leiria levar um pneu...
Claro que nem olhámos para trás.
O carro do Domingos era preto, naquele formato arredondado da época. Sempre bem afinado, não fosse ele um exímio conhecedor de mecânica automóvel. O pneu já estava em cima do tejadilho e arrancámos para Leiria.
O Domingos era um bom acelera. O carro devorava a distância com grande sofreguidão. E assim passámos a Quinta da Sardinha, os Cardosos e descemos os Pousos. Eu olhava para o lado contemplando a paisagem a partir do banco de trás. Passado o largo da Igreja dos Pousos, ali, onde tudo desce, os meus olhos foram atraídos por algo que se mexia na estrada e a descia atrás de nós.
- É curioso, vem uma roda sozinha a rolar pela estrada atrás de nós...
- Uma roda? – exclamou o Domingos admirado...
Ao mesmo tempo, um carro que subia a estrada desatou a apitar para a roda. O seu condutor, excitado, fazia estranhos gestos como se quisesse afastá-la da frente.
- Passa-se qualquer coisa esquisita...
E a verdade é que a roda continuava a descer pela estrada, contornando suavemente as suas curvas, perseguindo-nos como se guiada por tele-comando. O Domingos resolveu parar e estacionar e a roda veio depositar-se suavemente no para-choques do carro.
Claro que em cima do tejadilho já não existia roda nenhuma, ela tinha-se desatado, caído para a estrada e não quis perder o seu ponto de referência.
- Ele há cada uma!...
O resto do percurso fez-se sem mais incidentes, tendo-nos este acompanhado em conversa com cervejinha no Liz Bar...

domingo, fevereiro 05, 2006

Lonely, lost and sad

Lonely, lost and sad é a canção de uma adolescência entrada numa fase mais madura. Ourém tinha ficado para trás, já estava em Leiria com alguns encontros que os meus amigos já conhecem. Encaro-a com múltiplas determinações: a influência de Dylan, a recordação de tardes passadas com o Jó Rodrigues e o Rui Themido no quintal dos padrinhos deste ao som do gira-discos, a nostalgia de aulas do Fernão Lopes comparadas com alguma sensação de mal-estar no Liceu,e o contacto com as nossas bandas, onde, para além dos Sheiks, os Ecos também se afirmavam...
Indiscutível numa selecção sobre a nossa Ourém...
Tanta vez nos sentimos sózinhos, tristes e perdidos e tantas vezes os amigos nos acompanharam, nos fizeram reencontrar e nos trouxeram aquela fabulosa alegria da nossa idade. Mas é uma canção a que associo uma palavra-chave: perdição. É ela que marcará esta semana


Oiça Lonely Lost and Sad

sexta-feira, dezembro 02, 2005

De como o jovem bombista tornou o prato voador



Houve um ano que o Jó Rodrigues esteve como aluno interno no CFL. Torná-lo mais estudioso, dar-lhe mais gosto por essa actividade seriam os objectivos, porque esperteza e inteligência não lhe faltavam.
Aquilo foi para o Jó como uma prisão. Ali fechado, dia após dia, foi acumulando feridas contra o colégio, que tardou a largar.
Contaram-me que uma vez a refeição era tão má que ninguém a conseguia tragar. Uma espécie de massa com carne ou carne com massa de sabor pouco agradável e a tender para o intragável.
O Jó não esteve com meias medidas. Janela aberta, a massa e respectivo prato voaram a boa velocidade para o exterior e os nossos amigos ficaram livres daquele cheiro nauseabundo.
O pior é que não esperavam o que ia passar-se. Como neste mundo tudo o que pode acontecer de mau acontece, mesmo sem o prevermos, o assunto não ficou por aqui porque prato e massa cairam em cima do Dr. Armando, a partir do primeiro andar, que, passado alguns segundos, chegava ao refeitório coberto de massa, ainda com bocadinhos de cacos, a pedir contas de um acto tão cobarde...
O ressentimento do Jó relativamente ao CFL não se ficou por aqui. Em férias, nomeadamente, nas de Carnaval, aquelas bombinhas típicas da época serviam para, lá para as dez da noite, em passeio de distintos oureenses por tão prestigiado local, assustar os habitantes daquele espaço, após brutal e inesperada deflagração sob as arcadas a que se seguia pronta correria na direcção do Central enquanto o director do colégio procurava a sua espingarda e o seu Peugeot para iniciar a perseguição a gente tão selvagem....

sexta-feira, agosto 26, 2005

Os amigos de longa data



Não duvido que aqueles que já partiram, lá de cima, estarão a dizer: força, Luís!
O Zé Manel, o Vitor Guerra, o Jó Rodrigues, o Luís Nuno, o Félix... Sim, não tenho dúvidas que me apoiam neste esforço para manter a nossa Ourém. Mas...
... e os outros?... os que estão mais presos à efemeridade material?...
Continuarão a ser amigos obviamente. Quer votem Alho, Catarino, Sandra ou Luís.
Talvez não volte a falar nisto, talvez nem lhes peça o voto. Que actuem de acordo com a consciência.
Alguns pensarão:” mas por que é que este maluco se meteu nisto? Que hei-de fazer?”
Se chegarem a esta questão, lembrem-se da nossa Ourém, do Largo de Castela, do king no Avenida, do parque atrás da Câmara, das bilharadas no Central e no Avenida, dos bailaricos, da tromba do Kansas toda queimada, do nosso colégio, da escola do Roque, da Feira Nova, e questionem-se se, uma vez na vida, isso não merece fazer correr o risco de um voto diferente...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Quem será?

E eu, apontando aquele figura difusa que ostenta um jaquetão em tudo semelhante aos que terão sido usado pelo Jó Rodrigues, pelo Zé Manel e pelo Rui Temido, que mostra uma magreza sem limites ao ponto de o seu pescoço ser substituído por uma chaveta, mas hoje já transportando mais uns trinta quilinhos em cima, que encontra em Marx os fundamentos da interpretação que faz do social e de uma concepção que procura mais justiça, mais verdade e eliminar a exploraçãoe a corrupção, mas que também se revê nas maravilhosas aventuras daquela figura galante, criada por Salinas, que cortejou a Lucy, a Silvia e a Flor Vermelha, ou daquela outra, cujo autor foi Raymond, e que viajou pelo planeta Mongo onde resistiu à rainha Fria e consumou o seu amor pela Dale, respondia:
- Aquele....

terça-feira, abril 12, 2005

O tanque dos nadadores persistentes


Com o aproximar do Verão, este tanque era cuidadosamente lavado e os dias ganhavam novo interesse. 
Era o momento da chegada do Rui o que se traduzia em excelente companhia, lanches, idas à piscina a Tomar, leituras, novos discos. E, claro, o encontro com os restantes no Avenida.
Um dos elementos da trupe de nadadores, que não está na fotografia, era, também, o Jó Rodrigues.
Todo este espaço foi destruído e sobre ele construída a Escola Profissional de Ourém. "Uma boa causa", já o afirmei, mas que não me impede de contemplar os invasores com uma certa mágoa. 
Aliás, diz-se que o Rui nunca mais veio a Ourém para não ter de se sujeitar a esta tristeza.

sábado, março 26, 2005

O Santuário da Irmandade de Sangue




Havia um estranho ritual entre alguns oureenses baseado no que se lia nas revistas de quadradinhos. Fazer uma pequena incisão no pulso, juntá-lo com o de um amigo de toda a confiança e, a partir daí, ficavam irmãos de sangue.
O Luís Nuno deve ter sido quem reuniu mais irmãos, tendo trazido a essa qualidade o Humberto e o Jó Rodrigues.
Um dia, por trás desta porta, tive uma conversa com ele sobre este assunto. Esperávamos o Manel, já não me lembro o que se guardava por ali, mas era um espaço agradável, talvez o melhor local para se instalar o «Santuária da Irmandade».
O Luís falava em termos de aliciamento para a causa, no que já era um perito, mas eu nunca me senti muito atraído, incisões e outras coisas sempre fizeram impressão e, como sabem, a coragem não abundava. De modo que a nossa amizade continuou sem este ritual um tanto selvagem. 
Mas, nessa noite, algo de extraordinário invadiu os meus sonhos. Parecia que uma corrente de sangue fluía do improvisado Santuário para a nossa ribeira que, progressivamente, se ia tingindo de vermelho cobrindo enorme extensão. Houve quem chamasse àquela zona «Red River Valley»...
E, enquanto eu sonhava, parecia ouvir o som de uma harmónica de boca.

quarta-feira, junho 30, 2004

Dizer mal?
O Zéquim comove-me.
Desaparecidos o Luís Nuno e o Jó Rodrigues, parece o único distinto da minha geração disponível para sair em minha defesa.
Mas, nestes casos, o desprezo é a melhor arma. Aos JAs e companhia eu mando a Sybylla.

quinta-feira, junho 10, 2004

A casa da Rua de Santa Teresinha
Curiosamente, a adaptação à nova casa não foi difícil. Há com certeza explicação lógica para isso. Conhecia-a desde que tinha nascido, pois antes habitavam lá uns tios e ela, a tia, foi a minha segunda mãe. Pessoas boas, muito amigas, que me trataram sempre o melhor possível. Lembro-me que até tinha um quarto especial onde podia pernoitar quando não me apetecia regressar a Castela.
Os tios tinham vários atractivos: um bastante importante foi a colecção do Cavaleiro Andante que me ofereceram quase desde o início e que eu suspendi a uns trinta números do final. Outros eram os brinquedos. Recordo com especial carinho uma corneta que me foi oferecida pela Feira Nova e que eu usava mal acordava a imaginar que estava nos exércitos do General Custer em momento de ataque ao Sitting Bull. O toque era tão elevado, lancinante e apelativo que toda a gente acordava e tinha que formar. Não sei porquê, um dia a corneta desapareceu e, apesar da bondade deles, nunca consegui a substituição em termos realmente satisfatórios.
Mas não foi esse o único motivo de adaptação fácil. É que, em férias, tinha a boa companhia do Rui e ainda me lembro do Jó Rodrigues quando morava na casa onde hoje habita o Sr. Paisana. Para completar a quadrilha, havia ainda o Zé Quim à frente. Nisto tudo pode ter havido algum desfasamento temporal que terá feito que nunca estivéssemos os quatro.
Chegar dali ao Central e ao Avenida era relativamente fácil. Visitar a casa do Largo de Castela também era possível pois foi habitada pela Aurorita e pelo João Honório bons amigos que mais tarde vim a reencontrar em Leiria.
E foi a nova casa que um dia demonstrou que a minha fé num ser humano é imensa.
Como consta da lenda, as portas estavam sempre abertas ou nos trincos. Nesse dia, a minha mãe estava para o quintal. Eu lia qualquer coisa quando ouvi um certo ruído, um ruído baixo que não cessava, mas que também se não definia. Vim até à porta da rua e apareceu-me uma mulher que eu nunca tinha visto, mas que já tinha aberto a porta por completo e iniciado o processo de entrada.
- A senhora precisa de alguma coisa?
Ela ficou embasbacada, mas ripostou:
- Não é aqui que mora a Maria?
- Ah! Eu vou chamar…
E deixei-a em paz, fui chamar a minha mãe a quem contei o sucedido.
- Mãe, está uma senhora à procura da Maria…
Viemos até à entrada. Claro que já lá não estava ninguém. Em vão a procurámos até à zona do hospital.
Não sei se o prejuízo foi grande ou pequeno - como não era materialista, isso não me preocupava muito. Sei que ouvi das boas por acreditar tão facilmente nas nobres intenções do ser humano.

quinta-feira, junho 03, 2004

Alcunhas oureenses

Vamos actualizar o inventário de alcunhas constante do livro do Dr. Durão que já apresentámos. Limitamo-nos à caracterização de pormenores que nos eram simpáticos nas pessoas em questão. Por isso, calámos outras que sabemos existentes, mas exploram eventuais ressentimentos ou poderão ser mal interpretadas.

Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.

Chien. Obviamente que não podemos esquecer o grande amigo que era o sr. Ezequiel que trabalhava no Café Avenida e com o qual contactávamos todos os dias. As suas características não passaram em claro ao Jó Rodrigues que se encarregou de o eternizar com esta alcunha. É pai de um distinto oureense.

Jones Bittus. Tratamento carinhoso que, sob responsabilidade do Jó Rodrigues, foi atribuído a um oureense de outra geração que nos era muito simpático, o sr. Júlio barbeiro, só por si responsável pelo nascimento de dois distintos oureenses.

Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.

Pele e Osso. Se não estou em erro, era o nome pelo qual era conhecido o Chico César, praticamente o único oureense que se atrevia a usar máscara no Carnaval e que, segundo reza a lenda (Jó Rodrigues) terá tido um dia a perna atravessada por uma cana de foguete.

Robalo. Provém de Ribeiro, passou por Ribeirinho, Ribeirinho que estás tu a murmurar,… depois não sei porque metamorfoses linguísticas se terá fixado em Robalo a designação com que distintos oureenses resolveram brindar este V. servidor. A verdade é que, ainda hoje, muitos me tratam por esta alcunha.

Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.

quarta-feira, maio 26, 2004

Descobrir filões no meio da confusão musical

O Jó Rodrigues possuia algumas magníficas qualidades. A sua simpatia, a sua alegria faziam com que a sua visita a minha casa, num pequeno morro na rua Santa Teresinha, frente à do ZéQuim e ao lado da dos padrinhos do Rui Temido, fosse sempre muito bem acolhida pelos mais velhos.
Entre essas qualidades, destaco a que se referia ao seu sentido de audição musical: ele conseguia descobrir no meio das músicas, escondidas sob as vozes, os solos, as baterias, pequenas pérolas que, sem o seu apoio, a nós, sempre com um ouvido para o mais comercial com certeza escapariam. Era um autêntico songs mining. Isto fazia com que, muitas vezes, conseguisse transformar uma canção insuportável em algo em que nós abstraíamos daquelas partes fastidiosas para esperarmos pacientemente pela passagem maravilha.
Parece-me que estou a vê-lo. Um dia entra pela minha casa, sem bater como era nosso apanágio, sentamo-nos na sala interior e eis-me a ouvi-lo: estive a ouvir o Tell me you are coming back dos Stones e aquilo tem um solo que é um tratado. E lá íamos nós a procura do solo e ficávamos a adorar o disco. E se era difícil na época gostar dos Rolling Stones! Pessoalmente, só quatro ou cinco músicas dos ditos ultrapassaram o meu limiar e não era nenhuma daquela fase. Claro que gostei do Get off my Cloud e do Jumping Jack Flash, mas era mais dado a pequenas fugas à tradicional xunguice do grupo e por isso o que recordo melhor dos mesmos é o Ruby Tuesday, o If You need me, o She ‘s a rainbow e o Lady Jane. Mas o Jó lá me conseguiu pôr a procurar recentemente uma edição relativa à sua inesquecível descoberta.
Noutra ocasião, referiu-se a um conjunto que teve um êxito retumbante com apenas uma música: os Turtles e o Happy Together. Sabes, Luís, lá pelo meio, depois daquela parte mais rápida, quando eles começam de novo “Me and You...” aparece uma música de fundo tão linda como eu nunca ouvi. Hás-de ouvir.
E era bem verdade, tão verdade que nunca consegui esquecer esses pequenos pedacinhos da nossa maravilhosa vivência nem quem me ajudou a descobri-los.

domingo, abril 25, 2004

Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas...
E, naquele tempo, , por onde andavam e que faziam distintos oureenses?
Sérgio: preso em Caxias (prestes a ser libertado).
Luís Nuno: exilado em França (prestes a regressar).
Zé Quim: sob detenção nas Caldas (prestes a ser libertado).
Luís: vigilante na EPAM.
Luís Filipe: apoiando em alguma unidade do Continente.
Zé Rito: em voo para Seia.
Jó Rodrigues: coleccionador competente e avisado de plantas, xaropes e químicos naturais para aliviar o mal-estar dos oureenses de então.
Alfredo: a preparar o abandono organizado do Quelhas e a grande marcha relativa ao regresso vitorioso à futura urbe.
Rui Themido: Ourém já não é o que era, a Medicina vai chamá-lo para outras paragens.
Rui Leitão: novas fórmulas, novos fármacos, há que revitalizar Ourém.
Zé Domingos: Engenharia é para terminar, mas em Ourém continuará caçadas e patuscadas.
Jó Alho: quase martirizado nas colónias.
Humberto: em busca dos tesouros dos Aztecas, dos Maias e dos Incas.
Vítor: guarda-redes da equipa maravilha a quem alguém não reconhece o Direito de, de Facto, o ter sido (mas ele já tem hábil seguidora para defender tão intangível activo).
Tóino: a assistir ao nascimento dos primeiros vitelinhos.
Ferraz: à procura do verso, à procura do trinado, a ensaiar o maior, o menor, o corrido…
Barrosos, Quim Manel, Quim Zé, João da Quinta, Aires, Kansas, Zé-Tó, Tó-Liz, Licínio, Luís e Alberto (manos Facas), Maximino, Nicolau, Natureza, Queimado, Augusto, Jóia: nada sei sobre o que faziam neste momento, mas podem enviar-me relatório para o Quartel.
Quim, Julito, Genito, Duarte, Félix, Vitor Guerra, Pintassilgo, Cúrdia, Zé Alberto, Manuel: ou a iniciar as suas vidas ou aos tiros nas colónias ou no Poço (então bem real) a comentar tão gratificantes acontecimentos.

E o Zé Manel, lá de cima, contemplava tudo isto com um sorriso e pensava: “se estivesse lá com a minha viola, também podia dar uma ajuda”.
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