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quarta-feira, abril 13, 2005

As armas de Ourém

Armas de Ourém Posted by Hello

As armas da antiga vila de Ourém são as que se acham colocadas acima das portas de "Santarém"; assim chamada por estar voltada na direcção desta vila, como nas praças de guerra é costume dizer, invocando o nome das terras principais, para as quais olham as portas. Constam as armas de um castelo de duas torres, as cinco quinas em cruz, por cima uma águia de assas estendidas, ao lado esquerdo a meia lua, e ao direito uma estrela.
O castelo é indisputavelmente a própria divisa de Ourém, a meia lua, insígnia mahometana, e do mesmo modo a estrela, usada nas bandeiras mouriscas, o que indica para nós este escudo e trofeu da conquista de Ourém aos muçulanos. Quanto à "águia de asas estendidas, olhando para a esquerda", sabendo que a rainha D. Mafalda mulher de D. Henrique tinha no escudo uma águia de asas estendidas, olhando para a esquerda devemos supor que sua filha a rainha D. Teresa a quem fora dado por el-rei seu pai o castelo de Ourém, adoptara como sua divisa aquela de sua mãe, e tanto mais que é do mesmo modo colocada nas armas de Ourém, como no escudo das armas da rainha D. Mafalda...
As quinas reais nos cinco escudos pequenos são as armas de Portugal, que não estão cercadas na orla de castelos e nos indicam por isso a sua forma , que são as de que usavam os nossos reis...
In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868

terça-feira, abril 12, 2005

Santa Teresa de Ourém


Não há no concelho de Vila Nova de Ourém lugar algum com a singularidade do Zambujal. Os que escreveram a história eclesiástica, narrando a vida dos santos, e os que escreveram a história profana, falam deste lugar com menção especial, porque nele nascera a beata Teresa de Ourém.

Não discordam eles enquanto ao lugar do nascimento e milagres que fizera, mas variam numa ou noutra circunstância. O D. Tomaz da Encarnação nos diz com excepção de todos os demais, que tão distinta e formosa beata viveu em Santarém, sendo depois criada do prior de Ourém: todos porém afirmam que Ourém, próspera e florescente, no reinado de D. Afonso III, mereceu a ventura de possuir em toda a sua vida a beata, e em especial a freguesia de S. João, uma das quatro que havia a esse tempo, empregando-se como criada do prior dela.

As suas devoções e os milagres divulgados, lhe granjearam o nome de santa cuja opinião desfrutou ainda em sua vida, e, desde logo, falecendo em 3 de Setembro de 1266, começou o culto com festa que anualmente lhe faziam os seus devotos conservando-se em caixa de prata a cabeça, e no altar a sua imagem que pelo terramoto ficou debaixo das ruínas da sé de Ourém.

A relíquia conservada da santa é de admirável virtude contra as dores de ouvidos. A beata Teresa se não habitava em Ourém o edifício que ainda serve de cadeia pública, e que tradicionalmente se tem chamado de casa de Santa Teresa, é contudo certo que a essa circunstância anda ligada a história interessante dos desgraçados que nela entraram.

Querem alguns supor que na cadeia se empregaram os materiais da casa da beata, que antes vivera numa humilde habitação, construída dentro do castelo: seja porém o que for, é averiguado que ates que a ciência legisladora formalizasse em lei do país, a abolição da pena morte, era constante que o desgraçado arremessado à cadeia de Ourém, por maiores que fossem os malefícios cometidos, nunca sofrera o infamante suplício a que a sentença os condenava! Parece que entre todas as maravilhas da beata Teresa, não é menos recomendável esta, poupando à humanidade mais alguns dos pavorosos espectáculos, convertida a sua casa num asilo da vida.


In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868

segunda-feira, abril 11, 2005

A cruz do Regato

Tenho dado tão pouca atenção ao Regato...
Mas a passagem que vos deixo é assaz sugestiva ao referir alguém que prestou bons serviços ao concelho como presidente da câmara. Há que passar por lá: será que resta alguma coisa?

É pois a antiga Cruz do Regato, um monumento.
Neste sítio, nos diz Carvalho1, existira também a ermida de Santa Margarida de que nenhuns vestígios existem hoje, e provavelmente pertencia à quinta da Loureira há mais de um século destruída.
A cruz, porém, de que falamos, caíra por terra no andar dos tempos.
Houve um cavalheiro, a quem o concelho deve muitos bons serviços, como administrador do concelho e presidente da câmara2, que restaurou a memória.
Colocou-se a nova cruz, cinco metros para o nascente do lugar onde estava a antiga em Outubro ou Novembro de 1857, obrada de uma cantaria da mesma qualidade daquela que foi aplicada no magnífico templo da Batalha (excelente pensamento, porque são ideias associadas da mesma época) e está posta numa peanha de cantaria de seis metros e trinta e oito centímetros, tendo a haste, braços, e carapeta, quatro metros e quatro centímetros...

1 - Carvalho, Corographia Portuguesa, tom. III.
2 - Dr. Joaquim Gomes Vieira Gaio

In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868

sábado, abril 09, 2005


Uma gravura do livro Posted by Hello
Do sótão


O livro Posted by Hello

Os dias recentemente passados em Ourém permitiram descobrir esta preciosidade, assinada pelo proprietário, no meio de outras coisas enquanto procurava os versos do Dr. Preto. Vou partilhar algumas passagens com os amigos oureenses. Logo a abrir:

Nunca o Sol luziu tão amigável
Como no sítio em que primeiro o vimos
Filinto Elyseu

E mais à frente:
Ourém representa-se semelhante ao Pelicano, rasgando o seio donde receberam a vida instituições, origem da riqueza e natural ufania de outras vilas...
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