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terça-feira, maio 01, 2007

Marca #17: Julito

Hoje, celebra-se mais uma vez o 1º de Maio.
Em Ourém, não existe uma grande tradição de luta por melhores condições de vida ou por uma sociedade diferente. Mas, desde há muitos anos, existe um acto em que os bombeiros homenageiam com uma romagem ao cemitério os seus companheiros desaparecidos.
Este enquadramento lembra-me o Julito que, certamente, hoje esteve nessa romagem. É um amigo com raras qualidades de comando e um trato extremamente afável. Também com ele, anualmente, em Novembro, temos feito uma romagem de homenagem aos nossos amigos desaparecidos.
O seu trato, o seu carisma, a sua capacidade organizativa têm mantido vivo o encontro anual conhecido por “o Poço” onde recordamos a nossa maltratada terra e o que lá vivemos, fazendo-nos sentir tão mal perante o seu aspecto actual.
É assim a Ourém actual: um espaço cada vez mais descaracterizado, mas onde se encontram algumas pessoas que nos dizem muito...

sábado, agosto 06, 2005

Uma voz calma e responsável

20 casas destruídas.
80 desalojados.
Idosos queimados.
Animais mortos.
Há pouco vi uma entrevista do Julito que considerou a situação um pouco menos grave do que ontem, mas não deixou de manifestar a sua estranheza pelo posicionamento de alguns autarcas que atacaram verbalmente os bombeiros.
O OUREM deixa um grande abraço para todos os que estão neste combate e manifesta toda a amizade, agradecimento e confiança ao seu comandante.

domingo, maio 01, 2005

O 1º de Maio do presidente David

São quase 10 horas. O presidente David já chegou. Parece impaciente. "Que chatice! Isto nunca mais começa. Tenho de repensar a minha vida. Todos os fins de semana estragados. A semana de passada tive de cantar à meia-noite sem saber a letra. Agora, homenagear os de Ourém, eu, um ser superior, do Bairro, um amante de Fátima, local das aparições".
Passeia de um lado para o outro e começa a sentir-se apertado. "E agora? Vou bater...".
E toca à porta. Ouve-se uma voz:
- Quem está ai?
- É o presidente David. Preciso fazer chichi.
Aparece o Julito, vestido a rigor, todo bonito.
- Oh, meu caro presidente! Então, como se sente?
- Ainda bem que o vejo, Julito. Estou aqui muito aflito...
- Faça favor de entrar. Esteja à sua vontade, pode mijar, pode defecar. E olhe que é bem verdade, é lugar de gente nova, usamos papel Renova.
O presidente lá foi. Daí a pouco surgiu mais aliviado.
...
Como sempre, às dez horas, tocou a sirene. Mas, hoje, não houve exercício.
Tal como o fazem há 70 anos, os nossos bombeiros foram homenagear os seus camaradas desaparecidos perante o olhar enjoado do autarca que adora Fátima... e nos vai destruindo Ourém.

quarta-feira, abril 06, 2005

Uma chama bem viva
Por Júlio Henriques (Julito)

Esperamos que esta chama que continua bem viva mantenha o esplendor de outrora, cujo prenúncio se augura feliz pelo constante rejuvenescimento que temos vindo a assistir com a entrada de muitos jovens que querem continuar com essa mística dos Bombeiros Voluntários de Ourém, que tem passado de boca em boca e de geração em geração.
Os nossos bombeiros

Hoje, vamos terminar a incursão na história dos nossos bombeiros. Oportunamente será criado um apontador na coluna lateral, após os Estúdios Trini (ordem cronológica...) para este conjunto de artigos de modo que fique sempre à mão.
Quero agradecer ao Julito (para este blog, ele é o Julito, por mais importante que seja o seu papel) toda a colaboração que prestou em termos de tempo, artigos e fotografias.
E agora uma questão: quem será o próximo oureense a contar algo de importante?
Entretanto, aqui ao lado, no Outrora, há um artigo fabuloso sobre os nossos moinhos assinado pelo pai do Luís Nuno e do Zé Rito. Fabuloso e actual... Todas as terras tratam dos seus moinhos e Ourém é o que se vê.

terça-feira, abril 05, 2005

Um bombeiro fantástico



O Busto Posted by Hello

Guilherme Fernandes, conta-me o Julito, foi um bombeiro, não oureense, fantástico. No entanto, em determinada ocasião participou numa prova internacional e na sua equipa também estavam oureenses. Os resultados foram espantosos. Onde os outros demoravam minutos às dezenas, a sua equipa gastou uns escassos quatro minutos. Após a sua prova, os seguintes desistiram...

sábado, abril 02, 2005

Os aquartelamentos
Por Júlio Henriques (Julito)

O seu primeiro aquartelamento, segundo relatos não muito precisos, teria sido em instalações provisórias pertencentes à quinta do Barão de Alvaiázere, ali à Rua 1º. de Dezembro, dispondo apenas de uma bomba braçal, relíquia essa ainda hoje presente no nosso Quartel, e mais alguns poucos apetrechos para, se necessário fosse, atalhar qualquer fogo que se levantasse.
Posteriormente, vieram a instalar-se na Rua Teófilo de Braga, junto ao Hospital de Santo Agostinho, num rés do chão amplo, mais tarde transformado em oficina de automóveis do Ezequiel “Biché”, pertencente ao Sr. Joaquim Vieira Verdasca, hoje propriedade da família Prazeres Durão (médico-veterinário), onde durante muitos anos funcionou o Grémio da Lavoura.
Dali saíram para a Rua Carvalho Araújo, onde permaneceram durante cerca de 3 décadas, ficando o quartel em frente à Casa Verdasca, com um quintal que servia de parada e local de festividades e aonde foi construído em madeira um “esqueleto” para a realização de exercícios. Mais tarde este edifício, com a saída dos Bombeiros, passou a servir de sede do Clube Atlético Ouriense. Muitos ainda se lembrarão dos bailaricos ali realizados e as partidas de ping-pong.

É já na década de 50, mais propriamente em 21 de Junho de 1953, após algumas peripécias e divergências com a família Verdasca para a cedência do respectivo terreno, que é inaugurado com pompa e circunstância o novo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ourém, ali mesmo na Avenida, onde ainda hoje se encontra, mas já transfigurado e ampliado para assim poder acolher o seu inevitável crescimento orgânico e melhor servir a sua missão.


Moderno aquartelamento na década de 60 Posted by Hello

A Avenida ficou mais rica e os Bombeiros, já orgulhosos do seu passado, rejubilavam de alegria por terem uma nova Casa, sendo justo reconhecer a determinação daqueles homens e a disponibilidade financeira de alguns contos de réis desde logo anunciada pelo Senhor Vicente Rodrigues, grande benemérito da Associação, para que fosse possível adquirir aquele terreno pelo preço de 170 contos.


Instalações actuais Posted by Hello

quinta-feira, março 31, 2005

Um punhado de homens bons
Por Júlio Henriques (Julito)

O 4 de Janeiro de 1912 marca de forma indelével uma página doirada da história de Vila Nova de Ourém. É com aquela data no pergaminho da sua certidão de nascimento que oficialmente nasce na nossa Vila uma das mais prestigiadas e prestimosa Associação de Bombeiros do País - a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Ourém, tributo esse devido ao trabalho incansável de ilustres Ourienses que nunca regatearam esforços para a sua criação, apesar do muito desânimo em momentos cruciais da vida desta Instituição.

Já em Agosto de 1911, dado o atraso na aprovação dos estatutos de constituição da Associação, esse punhado de “homens bons” que se propuseram erguer este baluarte de esperança, de solidariedade e de humanitarismo, que passou a ser um “ex-libris” da nossa Terra, em reunião para o efeito realizada, nomearam para os cargos de 1º. Comandante e Imediato do seu Corpo de Bombeiros, respectivamente, os Senhores Alfredo Viana de Sousa Leitão e José Andrade da Fonsêca Ritto.
VIDA POR VIDA
Por Júlio Henriques (Julito)

Vila Nova de Ourém era nas décadas de 40, 50 e por aí fora uma menina adormecida. Vivia-se no remanso bucólico de uma pequena Vila, outrora Aldeia da Cruz, que a espaços e muito especialmente no verão era sacudida e entrecortada pelo som estridente da sirene dos Bombeiros. E então era vê-los, esses soldados da paz, a correr desenfreadamente ou pegando em qualquer bicicleta estacionada junto a qualquer taberna em direcção ao seu Quartel, vindos de todos os lados como formigas, fosse de noite ou de dia, chovesse ou fizesse sol, por vezes ainda a vestirem-se e descalços. E nós, os mais pequenos, não perdíamos pitada de todo aquele frenesim, sendo gostoso de ver a população vir para a rua ou assomar-se às suas janelas numa prova clara e inequívoca de que os Bombeiros estavam no seu coração.

Era assim também a nossa Avenida que fervilhava nesses momentos de grande agitação com a passagem “sempre a abrir” e com a sirene e rotativos ligados dos carros dos Bombeiros conduzidos por uma lenda do nosso Corpo de Bombeiros “o Ti Júlio dos Bombeiros” e outros ases do volante que faziam as delícias da pequenada, que quando fossem “grandes” também queriam ser bombeiros.

E assim se foi construindo com muito esforço, muita abnegação e altruísmo a mística dos Bombeiros Voluntários de Ourém envolta no seu lema “VIDA POR VIDA”, por onde têm passado centenas de homens que deixaram no acervo histórico da Instituição momentos marcantes de episódios e estórias bem dramáticas, salpicadas aqui e ali com momentos hilariantes e de muita pertinácia, relembrando as figuras carismáticas dos Comandantes José Maria Pereira (Zico Pereira) e Joaquim da Silva (Joaquim Chucha) que em muito contribuíram para que o nosso Corpo de Bombeiros se alcandorasse entre os melhores.

domingo, setembro 19, 2004

Bolinhas de naftalina (4)
O vendaval

À noite, Ourém era silenciosa, escura, triste. Mas, por vezes, as noites eram quentes e isso convidava distintos oureenses a abandonarem o jogo de cartas ou bilhar. Então caminhavam pelas ruas, por vezes sem muito assunto para conversar.
Façamos uma dessas caminhadas.
Por exemplo, subamos a rua de Castela, antes uma calçada, daquelas que magoava quando se caia e o joelho ia ao chão. De um lado e doutro, pequenas casinhas davam-nos um pouco da vida, pobre, dos oureenses. Mas as vozes, dentro de casa, revelavam alguma alegria, enquanto as luzes, das velas ou das lâmpadas, indiciavam que também era difícil dormir por ali.
À falta de televisão, a melhor companhia era a rádio, com aqueles folhetins intermináveis em que o Rui de Carvalho, a Carmen Dolores e a Eunice transportavam os portugueses para outros mundos e outros tempos.
Ultrapassada a rua de Castela, entrava-se na estrada que liga a Avenida ao magnífico Colégio. Aí, o ambiente mudava radicalmente. O Julito, muito mais pequenito que nós, então com doze ou treze anos, dormia, pachorrentamente, naquela casinha do lado esquerdo. Do mesmo lado, o magnífico pinhal que nos acompanhou na juventude enquanto educação. Do lado direito, se não me engano, uma vinha.
Mas aquela vida era mesmo defícil de passar. Desejávamos como que um vendaval que mudasse tudo aquilo.
- Não há ninguém que saiba cantar?
E, nesse momento, uma voz elevou-se no meio daquele grupo e revelou algumas horas de treino e audição na clandestinidade.

O vendaval passou nada mais resta
a nau do meu amor tem novo rumo
igual a tudo aquilo que não presta
o amor que me prendeu desfez-se em fumo

Navego agora em mar de calmaria
ao sabor da maré em verdes águas
ao leme o esquecimento e a alegria
vai deixando, para trás, as minhas mágoas

Para onde vou não sei
o que farei sei lá
só sei que me encontrei
e que eu sou eu enfim
e sei que ninguém mais rirá de mim

Longe no cais ficou a tua imagem
mal a distingo já esmanhecida (??)
comigo a alegrar-me a viagem
vão andorinhas de paz de nova vida

Sigo o tranquilo rumo da esperança
buscando aquela paz apetecida
para ti eu fui um lago de bonança
ai e tu um vendaval na minha vida

Para onde vou não sei
o que farei sei lá
só sei que me encontrei
e que eu sou eu enfim
e sei que ninguém mais rirá de mim

Foi a estupefacção total. Depois, veio o aplauso. Ali estava um distinto oureense que conseguia imitar o magnífico cantor latino, o romântico que nunca teve a honra de ser considerado fadista apesar de algumas das suas canções valerem mais que mil fados.
A sessão repetiu-se várias vezes, mas tudo acabou por acabar inclusivamente aquela voz que nunca conheceu qualquer sinal de consagração. E testemunhas quase que não há, pois dois dos poucos que lá estavam, infelizmente, já partiram.

sexta-feira, maio 28, 2004

O Poço é, também, um hino à amizade

Desde 1986, realiza-se, em Ourém, no Sábado mais perto do dia 1 de Novembro, um encontro de velhos amigos que aproveitam para recordar brincadeiras e outros factos do passado na companhia de uma excelente refeição e convívio.
O significado de o poço pode parecer estranho a muitos. Trata-se de uma imagem criada para o facto de, há muitos anos, grupos desses amigos se reunirem em círculo perto do largo da feira do mês, junto à casa do Perdigão que tinha de ouvir conversas que lhe não interessavam até altas horas. O debate era aberto e não havia temas tabu, constituindo um claro sinal de uma vivência democrática numa sociedade que ainda não o era. Isto passou-se durante muito tempo e, como por lá passaram muitos oureenses, justificou as convocações.
O Poço já originou dezoito encontros, prevendo-se que, este ano, de novo se realizará e já tem um património acumulado de elementos extremamente interessantes. É o caso por exemplo da convocação personalizada à posteriori que aqui disponibilizo. Está pejada de mensagens e assinaturas. E, no interior, é possível encontrar-se um verdadeiro hino à amizade elaborado e assinado pelo Luís Nuno. Um documento inédito. É o caso também do texto das cartas de convocação que muitas vezes é um tratado de humor extremamente leve.
Talvez fosse interessante juntar e disponibilizar alguns dos elementos resultantes deste convívio. Há fotografias, há textos na imprensa da terra, sei lá...
Será que o Julito, tradicional dinamizador destas reuniões (sem desprimor e esquecimento para o Felix, infelizmente já desaparecido e o Zé Alberto), quererá dizer alguma coisa sobre isto?

quinta-feira, maio 27, 2004

O Piromaníaco

Recordo Ourém, há cinquenta anos, talvez lá para 1953/54 ou mesmo antes.
Desfrutava a magnífica casa do Largo de Castela.
A partir daquela janela sobre a porta de entrada, dominava todo o espaço circundante.
Em frente, a rua que conduz à avenida. Mais ou menos a cinquenta metros, ficava a casa da Vizinha e do Rafael. Ela era uma espécie de terceira mãe sempre pronta a proteger-me em momentos difíeis, ele um verdadeiro avôzinho que me levava a passear pelos pinhais e até ao rio para que, de lingrinhas, ultraleve e doentio, me transformasse em alguém forte e saudável.
Mais abaixo, a casa do Luís Nuno e do Zé Rito à frente da qual ficavam os quintais onde o sr. Isidro guardava as galinhas que transacionava. Ao fundo e, já a dar para a avenida, o estabelecimento comercial do sr. Adelino e, do outro lado da rua, um sítio onde me lembro que se comprava carvão.
O largo de Castela, famoso pelas formidáveis partidas de futebol que possibilitava, era rodeado por mais duas casas relativamente habitáveis e por outra em piores condições. À direita, era a padaria da Júlia padeira e do sr. Zé Maria, avós do Fernando e do João, dois miúdos ultra-arreliadores primos do Quim e do Julito. Ela era a fornecedora do magnífico pão que podíamos saborear na época; do lado esquerdo era a casa da Dona Aurora, mãe da Aurorita que me ensinou as primeiras letras e números.
Em frente à padaria e do outro lado da rua, numa casa que penso que ainda lá está, o Souto dedicava-se ao trabalho artesanal de construir jaulas em madeira, cortando pacientemente pequenos pausinhos e descacando-os com uma navalha para depois os assemblar em estruturas mais complexas. Eu passava horas e horas a contemplar esse trabalho, embevecido e sem pensar nos pobres animais que iam ali ser guardados e torturados.
Por vezes, o espectáculo a partir da casa era mais animado. Se não estou em erro, regularmente, pelo dia três, realizava-se a feira do mês no largo junto à escola da Dona Iria, perto da prisão da GNR. E a rua de Castela enchia-se das mais diversas espécies de animais - ovelhas, carneiros, cabritos, burros, vacas, mulas - que a desciam para se dirigirem ao largo da feira onde eram transacionados. O ruído dos chocalhos, a mistura dos sons produzidos pelos animais e pelas pessoas que os controlavam, o seu tropel eram magníficos dando a tudo aquilo uma sensação que de semelhante só se encontrava nos filmes do Oeste com as cavalgadas junto aos bisontes ou a manadas de gado tresmalhadas. Eu abria a porta e via todo aquele ondulado barulhento a passar. Depois era de novo o silêncio, a rua ficava um pouco suja com excrementos do tipo azeitona e, no mês seguinte, lá se repetia a história.
Mas o objectivo do nosso post de hoje é a casa do largo de Castela.
Vamos até lá e entremos.
Logo do lado direito, uma escada conduzia-nos à parte superior da casa. Subindo-a, há que fazer um ângulo de noventa graus à esquerda para termos acesso às várias divisões.
À direita, existia uma casa de banho com um anexo que, com uma escada, permitia o acesso ao sótão.
Em frente, era o quarto do meu irmão. Lembro-me que ele tinha uma cama de metal toda bonita, uma mesa de cabeceira onde religiosamente guardava a colecção do Mundo de Aventuras que eu, com a mania de tudo ler, e, aproveitando uma possibilidade de acesso retirando a gaveta superior, contribuí para destruir e uma pequena estante com um rádio onde, na época, se ouviam delícias como os folhetins do Tide e do Omo, adaptados por Alice Ogando e cujo começo era mais ou menos assim: Teatro Tide apresenta.... a gata...
Do lado esquerdo era o meu quarto, do qual tenho a primeira recordação desta minha passagem por este efémero planeta, onde tive a honra de conhecer os meus excelsos amigos, e que se resume simplesmente a isto: um acordar, sentindo qualquer coisa junto aos dedos que se ia desfazendo e que era, afinal, a parede do quarto que eu riscava com as unhas. Ao lado, era o quarto dos meus pais.
Na parte de baixo, a casa tinha menos divisões devido ao espaço que a monumental escada ocupava. Assim do lado esquerdo, tinha uma verdadeira sala de jantar, onde a minha mãe, à quinta-feira, escondia as tangerinas que eu depois me entretinha a procurar para meu exclusivo proveito.
Em frente, era a cozinha que tinha uma despensa relativamente grande. Na altura, ainda não tínhamos fogão a gaz, pelo que o fogareiro de petróleo e aquele fogareiro a carvão do tipo que se utiliza quando fazemos grelhados nas praias eram os mais usados. Assim, em minha casa, na despensa, havia sempre caruma e carvão. E um dia a contemplação daquela caruma deu-me uma brilhante ideia.
Estava sózinho na parte de baixo, ouvia-se o Tony de Matos:
O vendaval passou, nada mais resta...
e eu, pé ante pé, vou até à cozinha para me apoderar dos fósforos, dirigindo-me posteriormente para a despensa. Risquei o primeiro fósforo e, depois de aceso, atirei-o para cima das carumas.
Frustrado, vi que se apagou no ar, pelo que pensei logo em repetir a operação. Como não era muito corajoso, não me aproximei suficientemente e o resultado era sempre o mesmo: fumaça e algum cheiro...
E estava eu todo entretido nesta operação que, mais tarde, me lembraria o que possibilitou aquela cena de Nero a contemplar Roma, quando oiço a voz da minha mãe: Oh Luís! O que é que estás tu a fazer?
Gelei, fiquei paralizado. Só me ocorreu uma resposta: era para ouvir a sirene dos bombeiros...
Não sei se a a sova foi grande ou pequena, sei que deu para fugir de casa, ir até à casa da Vizinha, para me acolher à sua quase maternal protecção, dar umas voltas a fugir em torno da cama, enquanto a minha mãe, ainda relativamente jovem, me perseguia com algo na mão e que eu não queria que me fizesse chegar a roupa ao pelo.
A Vizinha, sempre conciliadora, lá conseguiu acalmá-la e o caso ficou por aqui depois de eu fazer mil promessas de que nunca mais repetiria tão valente feito.

quinta-feira, julho 17, 2003

Tenham paciência

Isto vai, mas é devagarinho. Até posso estar uns dias sem me apetecer pôr aqui qualquer coisa.
Vamos até Ourém nos anos de 1972 a 1975.
Agora ainda me encontro lá com alguns como o Julito, o Quim, mas a terra fugiu-me quase completamente.
Vou tentar recuperar artigos do "Notícias de Ourém" e do "Ourém e seu concelho" dessa época. Vou opinar que quem tem governado Ourém estragou aquilo tudo porque não era da terra, faltava-lhe algo como o amor a. Procurarei mostrar algumas coisas que não podem ser destruídas.
E não se esqueçam: ainda estou a aprender utilizar isto
Até breve
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