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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Marca #13: Kansas

Do grande Dicionário Castelaico-Oureense extraímos mais esta definição:

Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.

Cabe ainda dizer que o Kansas, que incluo no restrito grupo de Distintos Oureenses, passou muitas vezes pelo Largo de Castela, acompanhou-nos largo tempo pela adolescência, foi vítima da pólvora a que deitou fogo, jogou King no Avenida e no Parque, mas tem vindo a afastar-se de uma forma inexorável. Importa aqui destacar a sua amizade e companheirismo na nossa juventude...

sexta-feira, agosto 26, 2005

Os amigos de longa data



Não duvido que aqueles que já partiram, lá de cima, estarão a dizer: força, Luís!
O Zé Manel, o Vitor Guerra, o Jó Rodrigues, o Luís Nuno, o Félix... Sim, não tenho dúvidas que me apoiam neste esforço para manter a nossa Ourém. Mas...
... e os outros?... os que estão mais presos à efemeridade material?...
Continuarão a ser amigos obviamente. Quer votem Alho, Catarino, Sandra ou Luís.
Talvez não volte a falar nisto, talvez nem lhes peça o voto. Que actuem de acordo com a consciência.
Alguns pensarão:” mas por que é que este maluco se meteu nisto? Que hei-de fazer?”
Se chegarem a esta questão, lembrem-se da nossa Ourém, do Largo de Castela, do king no Avenida, do parque atrás da Câmara, das bilharadas no Central e no Avenida, dos bailaricos, da tromba do Kansas toda queimada, do nosso colégio, da escola do Roque, da Feira Nova, e questionem-se se, uma vez na vida, isso não merece fazer correr o risco de um voto diferente...

quinta-feira, junho 03, 2004

Alcunhas oureenses

Vamos actualizar o inventário de alcunhas constante do livro do Dr. Durão que já apresentámos. Limitamo-nos à caracterização de pormenores que nos eram simpáticos nas pessoas em questão. Por isso, calámos outras que sabemos existentes, mas exploram eventuais ressentimentos ou poderão ser mal interpretadas.

Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.

Chien. Obviamente que não podemos esquecer o grande amigo que era o sr. Ezequiel que trabalhava no Café Avenida e com o qual contactávamos todos os dias. As suas características não passaram em claro ao Jó Rodrigues que se encarregou de o eternizar com esta alcunha. É pai de um distinto oureense.

Jones Bittus. Tratamento carinhoso que, sob responsabilidade do Jó Rodrigues, foi atribuído a um oureense de outra geração que nos era muito simpático, o sr. Júlio barbeiro, só por si responsável pelo nascimento de dois distintos oureenses.

Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.

Pele e Osso. Se não estou em erro, era o nome pelo qual era conhecido o Chico César, praticamente o único oureense que se atrevia a usar máscara no Carnaval e que, segundo reza a lenda (Jó Rodrigues) terá tido um dia a perna atravessada por uma cana de foguete.

Robalo. Provém de Ribeiro, passou por Ribeirinho, Ribeirinho que estás tu a murmurar,… depois não sei porque metamorfoses linguísticas se terá fixado em Robalo a designação com que distintos oureenses resolveram brindar este V. servidor. A verdade é que, ainda hoje, muitos me tratam por esta alcunha.

Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.

domingo, maio 23, 2004

O tiro saiu pela culatra II
ou... é preciso repor a verdade histórica


Amigo Robalo (Luís é bonito, mas este peixe, por menos informal, transporta-me a outros mares, atlântidas desaparecidas, mas persistentes nas memórias)
Bem, li a história e… quem conta um conto acrescenta um ponto, não é assim?
Vamos lá então.
Lembro-me que éramos para aí uns catorze, entre os quais o ZD que
desenhou uma caveira com a pólvora, do modo a que, quando esta se incendiasse,projectasse a imagem desenhada. Assim, perto do cemitério, estás a ver o efeito!!!
A ideia era assustar a mulherzinha que vinha com o alguidar de roupa à cabeça, mas o homem da bicicleta dos pneus grossos (à francesa) adiantou-se e, a precipitação originou, como muito bem disseste, uma monumental chamuscadela na tromba do K.
Fomos direitos ao chafariz que havia à porta da casa do Abel Faria (pai do Aguinaldo e do Vitó que têm uma bomba de gasolina perto da taberna do Frazão) e, armados em ferreiros, metemos a cabeça do K debaixo da água que corria da torneira, qual ferradura incandescente. O cheiro a grelhado era intenso e o cagaço também andava por aí.
Resolvemos então ir até à farmácia que estava de serviço que era a do Dr. Verdasca. Entrámos, o K, o meu primo Q (irmão de J) e a minha pessoa.
Estavam o dr. Verdasca e o dr. Oliveira em amena cavaqueira quando entrámos por ali adentro.
Diz logo o dr. Oliveira(padrinho do K): -Ó Arquimedes (era assim que ele o tratava) o que é que se passou?
O K, nada, não piava.
Respondi eu:
-Foi com uma bicha!
-Dr. Verdasca: Bicha?! Nã, isso foi com água a ferver
-Dr. Oliveira- Não me parece, pelo aspecto deve ter sido ácido.
Bem entre o ácido e a água a ferver, lá nos aconselharam a ir ao hospital para fazer o curativo.
Quem estava de serviço era uma enfermeira, tipo peso pesado que, sem hesitar, besuntou o trombil do K com uma pomada que o rapaz até fosforescia.
Era preciso ir pôr o K a casa. Saímos do hospital e lá fomos os três: eu, K e Q. Assim que saímos a porta de ferro do velho hospital, ouvimos uma voz de aflição a gritar no meio da rua: ó R, Ó R! Deixámos que a mãe do K passasse e escondemo-nos na antiga garagem do Zé Leal que, como te deves lembrar, ficava encostada à casa do K. Entrámos e por pouco íamos caindo no alçapão utilizado para a reparação e lavagem das camionetas.
Não sei que por artes, a mãe do K descobriu que estávamos ali escondidos e, junto ao portão grande da garagem pôs-se a gritar: Sai daí, eu sei que aí estás! Depois de repetir a dose não sei quantas vezes e, talvez comandado pelo desespero ouve-se a voz do Q (que era –ainda é- gago: Nãããã tátátá cácá ninninguém!
E foi assim que a história terminou, que não pró K que parece ainda teve espaço para levantar uma monumental carga de porrada.
Peço que não repares na forma como a história está escrita, porque ela saiu de rajada e foi assim que ficou.
Fala com o Q. Talvez ele possa acrescentar ou tirar alguns exageros que, como sabes, de tão contados dão em lenda.
Grande abraço
Zéquim

segunda-feira, maio 17, 2004

O tiro saiu pela culatra
Naquela noite, distintos oureenses dirigiram-se para as imediações do cemitério, mais concretamente, para o pedacinho de pinhal entre a estrada que conduz ao dito e a estrada que liga Ourém a outras urbes. O objectivo era pregar um valente susto a todos os que entrassem ou saíssem da terra utilizando o meio de transporte dominante na época: a bicicleta.
K, cujo nome não divulgo para respeitar o segredo histórico (nesta época, em que são tão importantes o segredo de justiça, o segredo estatístico, o sigilo bancário não seria de bom tom actuar de outro modo), o maior conhecedor de tal produto em todo o século passado, retirou de dentro de uma caixinha um pedacinho de pólvora que colocou sobre uma pedra previamente limpa, formando um pequeno rastilho com perto de 20 centímetros e, no extremo, uma pequena aglomeração. J estava vigilante e a certa altura disse: prepara-te, vem aí alguém.
K sacou do fósforo e preparou-se para o acender. De repente, ouve-se a voz de J: fogo!
K acende o fósforo, aproxima-o do rastilho, vê-se ume pequena labareda, J dá saltos com os braços no ar e o ciclista desata a pedalar que nem um louco direito a Ourém.
Ena, pá! Que grande susto ele apanhou.
Decerto pensou que éramos fantasmas, temos de fazer com mais pólvora.
E K repetiu a preparação com mais pólvora. Pouco depois, eu avisei: vem aí outro.
K acende o fósforo e aproxima-o da pólvora, J esbraceja, ouvem-se gritos, a chama tinha sido muito maior, mas, ao mesmo tempo, sente-se um desconfortável cheiro a penugem de frango queimado. K grita ainda mais: Eh, pá! Lixei-me, estou todo queimado.
Efectivamente, o aspecto dele era horrível, o cheiro também não indiciava nada de bom.
Que havemos de fazer? Se pedimos ajuda, ainda nos descobrem.
E fomos pela rua que conduzia à Avenida. O desconforto de K era cada vez maior, a nossa atrapalhação não tinha nada de bom. Até que o valente K assumiu: eu vou para o hospital, vocês ficam aqui, depois encontramo-nos.
Acompanhámo-lo até perto do hospital. Aí recebeu os magníficos cuidados do excelente enfermeiro Cruz. Voltou passado um bom pedaço de tempo com a cabeça toda envolvida em ligadura: vou para casa, tenho que ficar assim durante uns meses.
Não o vimos durante dois ou três dias. Depois lá voltou ao Avenida para as sensacionais partidas de king. Ao fim de algum tempo, pôde tirar as ligaduras e vimos as lesões em quase toda a extensão. Estava todo pintado de vermelho com tintura ou mercúrio, já não sei precisar. Obviamente, o seu estado foi notícia durante alguns dias, mas, que eu saiba, tudo ficou bem calado e não pareceu mais do que um acidente doméstico.
K não foi afectado pelo que se passou, o seu desenvolvimento prosseguiu embora um pouco afastado de outros oureenses, ele sempre cultivou algo mais libertário, mais arquitectural. Mas esta recordação é património comum.



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