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segunda-feira, novembro 11, 2019

1968: a ida às Sortes




Fomos convocados prá banda
Que é que nos querem fazer?
Contratar carne pra canhão...
Será que isso lhes dá prazer?

Mas onde está o Luís Nuno
Que também é da nossa idade?
Pirou-se para França, oportuno,
Anda preso à saudade...




O que pensam eles de nós
Enquanto aqui esperamos?
Até nos mandaram despir ...
Julgam que são nossos amos?



Olha o papelinho na mão
Contentes por ser perfeitos
Mas no fundo a apreensão:
A que vamos ser sujeitos?

Vamos buscar os instrumentos
E cantar nossa desdita
Toda a gente de Ourém
Merece saber da fita



tum, tum, turum, tum, tum

Ouve lá, ó mãe querida
Querem que eu vá prá guerra
Que abandone a boa vida
E oprima os de outra terra

tum, tum, turum, tum, tum



tum, tum, turum, tum, tum

Vamos direitos à Praça
Para toda a gente ver
Que o pessoal até tem raça
Que é bravo a valer

tum, tum, turum, tum, tum

5 anos vão esperar
Podiam até ser mil
O curso quero tirar
E ser tropa em Abril

tum, tum, turum, tum, tum



Almoçámos no Vilar
Que hoje é vila por sinal
O repasto até foi bom
E partimos pró Agroal



Ai que águas tão bonitas
Aqui viemos encontrar
Mas as guerras são malditas
Há que as fazer acabar




Vamos fazer um bailarico
A banda é um bom lugar
Toma banho, põe a gravata
É toda a noite a dançar


sexta-feira, abril 22, 2005

Será que esta conversa existiu?

Preparem-se.
Falta pouco mais de dois dias...
Temos de aproveitar para libertar o Sérgio e o Zé Quim.
Temos de criar condições para o Luís Nuno poder regressar de França.
Maia, parece que tens alguém porreiro para comandar um pelotão quando avançares. É de Ourém e...
Mas que se passa, camarada Luís? Parece triste, nostálgico, pouco confiante...

Não é isso, meu major. Tive uma visão do que vai ser isto daqui a trinta anos: corrupção, fuga ao fisco, tráfico de droga, insegurança, mentira, terrorismo de Estado...
Comparada com isto, a exploração capitalista, aquela em que o patrão paga o salário para obter mais-valia, parece uma santa. Mesmo o meu major vai ser perseguido e acusado de coisas horríveis...

Eu, perseguido? E achas que é a primeira vez? Tu próprio vais escrever sobre uma história um tanto semelhante que ocorreu quase há dois mil anos. O nosso povo padece de um défice, não aquele com que ela1 vos vai torturar, mas educacional. Mas eu vou tratar já disso, das perseguições políticas...
Aspirante Sampaio, vá pensando numa lista de homens de confiança porque temos que extinguir a dita...

A verdade é que o Luís Nuno (que aqui representa o português incoformado que resistiu até à última relativamente à integração na tropa colonial) pôde regressar e o Sérgio (o preso político) e o ZéQuim (militar detido por ter participado no golpe que antecedeu e anunciou o 25 de Abril) foram libertados. Um pelotão de Salgueiro Maia que avançou para Lisboa foi comandado por um oureense.
Curiosamente, aquele que preparou tudo isto ao pormenor (e que o fez com o sentido de gerar o que gerou), acabou por ser preso e perseguido. Tantas vezes as revoluções devoram os seus heróis!


1-Referência à política de Manuela Ferreira Leite no governo de Durão

sexta-feira, outubro 29, 2004

Reavivar memórias (3)
O fatinho da comunhão


Os fatos da comunhão Posted by Hello
Mas porque estavam estes distintos tão bem vestidos?
Haveria eleições? No Portugal de então, era bem duvidoso...
Alguma festa especial?
Se calhar a época da primeira comunhão que o espírito democrático da época nos impunha.
Não consigo reconhecer o local, apesar de lembrar ar puro, mas ali estão os três Luíses nascidos em 48 (Luís Nuno e Luís Filipe, à esquerda e este vosso servidor, à direita) e o Manel. Os primeiros estão sorridentes, o último, cabeça ao lado, um bocadinho apreensivo, preocupado.
Em que pensaria naquela altura?

domingo, outubro 24, 2004

O Aspirante Sampaio faz anos
Em 1948, em Ourém, na zona do Largo de Castela, surgiram três novos Luíses no espaço de pouco mais de quinze dias.
Confesso que não me lembro da permanência por ali daquele a quem este post se refere: morou naquela casinha acima da do Boas Falas, mas penso que saiu de lá muito novo, tanto que não me lembro da sua presença.
Mas apareceu muitas vezes mais tarde. E uma delas foi durante a revolução do 25 de Abril, tendo sido já imortalizado na nossa crónica como aspirante Sampaio.
Acontece que o dia 24 de Outubro é o seu dia de anos.
Por isso, caro Luís, muitos parabéns, que contes muitos e aqui fica um abraço do eterno descontente.

domingo, abril 25, 2004

Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas...
E, naquele tempo, , por onde andavam e que faziam distintos oureenses?
Sérgio: preso em Caxias (prestes a ser libertado).
Luís Nuno: exilado em França (prestes a regressar).
Zé Quim: sob detenção nas Caldas (prestes a ser libertado).
Luís: vigilante na EPAM.
Luís Filipe: apoiando em alguma unidade do Continente.
Zé Rito: em voo para Seia.
Jó Rodrigues: coleccionador competente e avisado de plantas, xaropes e químicos naturais para aliviar o mal-estar dos oureenses de então.
Alfredo: a preparar o abandono organizado do Quelhas e a grande marcha relativa ao regresso vitorioso à futura urbe.
Rui Themido: Ourém já não é o que era, a Medicina vai chamá-lo para outras paragens.
Rui Leitão: novas fórmulas, novos fármacos, há que revitalizar Ourém.
Zé Domingos: Engenharia é para terminar, mas em Ourém continuará caçadas e patuscadas.
Jó Alho: quase martirizado nas colónias.
Humberto: em busca dos tesouros dos Aztecas, dos Maias e dos Incas.
Vítor: guarda-redes da equipa maravilha a quem alguém não reconhece o Direito de, de Facto, o ter sido (mas ele já tem hábil seguidora para defender tão intangível activo).
Tóino: a assistir ao nascimento dos primeiros vitelinhos.
Ferraz: à procura do verso, à procura do trinado, a ensaiar o maior, o menor, o corrido…
Barrosos, Quim Manel, Quim Zé, João da Quinta, Aires, Kansas, Zé-Tó, Tó-Liz, Licínio, Luís e Alberto (manos Facas), Maximino, Nicolau, Natureza, Queimado, Augusto, Jóia: nada sei sobre o que faziam neste momento, mas podem enviar-me relatório para o Quartel.
Quim, Julito, Genito, Duarte, Félix, Vitor Guerra, Pintassilgo, Cúrdia, Zé Alberto, Manuel: ou a iniciar as suas vidas ou aos tiros nas colónias ou no Poço (então bem real) a comentar tão gratificantes acontecimentos.

E o Zé Manel, lá de cima, contemplava tudo isto com um sorriso e pensava: “se estivesse lá com a minha viola, também podia dar uma ajuda”.

quinta-feira, abril 22, 2004

Preparem-se.
Falta pouco mais de dois dias...
Temos de aproveitar para libertar o Sérgio e o Zé Quim.
Temos de criar condições para o Luís Nuno poder regressar de França.
Maia, parece que tens alguém porreiro para comandar um pelotão quando avançares. É de Ourém e...
Mas que se passa, camarada Luís? Parece triste, nostálgico, pouco confiante...
Não é isso, meu major. Tive uma visão do que vai ser isto daqui a trinta anos: corrupção, fuga ao fisco, tráfico de droga, insegurança, mentira, terrorismo de EStado... Comparada com isto, a exploração capitalista, aquela em que o patrão paga o salário para obter mais-valia, parece uma santa. Mesmo o meu major vai ser perseguido e acusado de coisas horríveis...
Eu, perseguido? E achas que é a primeira vez? Tu próprio vais escrever sobre uma história um tanto semelhante que ocorreu quase há dois mil anos. O nosso povo padece de um défice, não aquele com que ela vos vai torturar, mas educacional. Mas eu vou tratar já disso, das perseguições políticas...
Aspirante Sampaio, vá pensando numa lista de homens de confiança porque temos que extinguir a dita...
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