Je suis parti sans un adieu
Il valait mieux pour tous les deux
Laisse-moi te dire, laisse-moi te dire
Je t'aimais bien
Je suis parti
La mélodie elle est trop triste
Oh ! c'est ma vie
Ecoute-là, écoute-là
Elle est pour toi.
Je suis parti
Cette chanson
Je l'ai chantée en criant ton nom
Ne pleure pas, ne pleure pas
Elle est pour toi
Je suis parti sans oublier
La belle histoire que l'on se racontait
Je n'ai plus rien, je n'ai plus rien
C'est ma chanson, c'est ta chanson.
(Esta era de Leiria no tempo em que os Corsários de Apolo estavam no máximo da sua força. Na Esplanada, bem protegidos pelo Castelo, ouvíamos o João Antunes, o magnífico vocalista que chegou a ir ao Zip, enquanto ele procurava exibir-se para as meninas do liceu. O Zé Domingos também foi testemunha).
A minha primeira relação com o mercado de trabalho foi, pelos quinze anos, quando fui substituir, em momento de férias, uma pessoa que trabalhava no posto de turismo em Fátima que ocupava cerca de metade do espaço onde é, hoje, a farmácia. Autêntico trabalho infantil durante duas semanas que procurava explorar os meus conhecimento de inglês e francês pondo-os ao serviço dos peregrinos. Não era difícil, havia um lote de coisas preparadas para distribuir e informar e os visitantes também não eram muitos: "Ora, tem aqui a Capelinha. Também pode ir aos Valinhos ver a loca do Anjo...".
Assim, nos muitos momentos livres, dediquei-me a fazer o reconhecimento do local. E estava nesta prospecção quando, de repente, os meus olhos deram com algo de diferente, algo com a forma de uma mala. A curiosidade forçou-me a abrir aquilo e fiquei deslumbrado com a visão. Pela primeira vez, tinha à minha frente um gira-discos. Ainda emocionado, fechei-o e recoloquei-o no mesmo sítio.
Mas, no dia seguinte, a recordação daquela visão não me deixou descansado. Voltei a abri-lo e liguei-o, testando aqueles manípulos que diziam 33, 45 e 78. Vi que aquilo andava e até produzia algum som. Continuei a procurar...
Acabei por descobrir um single dos Beatles de nome "All my loving" e outra canção cujo intérprete já não recordo e que se chamava "This land is your land".
Fátima ganhou novo encanto. Os dias seguintes passei-os a ouvir a maravilhosa viola do Harrison e aquelas vozes que nunca mais me largaram. Em frente ao posto de turismo, os peregrinos e as meninas daquelas lojecas todas iguais, símbolo de mercado de concorrência perfeita, parecia que dançavam ao som da música que eu lhes dava.
Ao fim do dia, quando regressava para junto da oficina do meu pai, os sinos que cantavam a Avé Maria, pelas sete horas, confundiam-se com o magnífico som que não conseguia largar a minha mente...
Close your eyes and I'll kiss you,
Tomorrow I'll miss you;
Remember I'll always be true.
And then while I'm away,
I'll write home ev'ry day,
And I'll send all my loving to you.
I'll pretend That I'm kissing
the lips I am missing
And hope that my draems will come true.
And then while I'm away,
I'll write home ev'ry day,
And I'll send all my loving to you.
All my loving I will send to you.
All my loving, darling I'll be true.
Em férias, a Nazaré era o esplendoroso destino de muitos oureenses. Assim foi até aos meus quinze ou dezasseis anos, umas vezes com os amigos outras com a família.
Nos últimos anos, a excelente convivência com o pessoal fazia que aquele fosse o local mais apetecido, com esplanadas enormes, música difundida em altifalantes, passeatas de grupos pelas estreitas ruas onde por vezes se desenhavam os primeiros namoriscos em mãos dadas.
Junto ao porto, uma máquina de discos permitia que através de uma moeda se ouvisse o "And I love her" dos fab four.
Depois, a chegada do fim, mostrava-nos a volatilidade de tais encontros que acabaram por ser celebrados em múltiplas canções como o "Capri, c'est fini" do Hervé Villard e o "Sylvie" do Ouro Negro. No entanto, nenhuma exprimiu tão bem o quanto valiam aqueles dias e a tristeza da separação como a inesquecível protagonizada pelos Les Chats Sauvages, "derniers baisers":
Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter peut-être pour toujours
Oublier cette plage et nos baisers
Quand vient la fin de l'été sur la plage
L'amour va se terminer comme il a commencé
Doucement sur la plage par un baiser
Le soleil est plus pale mais nos deux corps sont bronzés
Crois-tu qu'après un long hiver notre amour aura changé ?
Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter les vacances ont duré
Lorsque vient septembre et nos baisers
Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter peut-être pour toujours
Oublier cette plage et nos baisers, et nos baisers
Et nos baisers !
Arrête, arrête ne me touche pas
Je t'en supplie ai pitié de moi
Je ne peux plus supporter
Avec une autre te partager
D'ailleurs demain tu te maries
Elle a de l'argent, elle est jolie
Elle a toutes les qualités
Mon grand défaut c'est de t'aimer
Arrête, arrête ne me touche pas
Je t'en supplie ai pitié de moi
Dès que tes mains se posent sur moi
Je suis prête à subir ta loi
Mais tu as préféré les grands honneurs
A la place de notre bonheur
Et, et pour garder tes ambitions
Tu as détruit mes illusions
Je sais, je sais tu m'aimes encore
L'orgueil pour toi est le plus fort
Il a vécu le grand amour
Pour garantir tes vieux jours
Il faut, il faut nous quitter sans remords
Tu es le maître de ton sort
Laisse-moi, laisse moi te féliciter
Demain, demain tu vas te marier
Chez elle tu auras le confort
Chez moi tu jouais avec mon corps
Chez elle tu vas te distinguer
Chez moi tu venais te griser
Ce soir, ce soir c'est la dernière fois
Que je te parle, que je te vois
Puisque, puisque c'est elle qui aura ton nom
Ce soir, ce soir moi je te dis non
Non ! Non !
(A lamechiche francesa em todo o seu esplendor na fase do Fernão Lopes. Chamava-se Patricia Carli, e não recordo bem o nome da canção. Recordo sim que a sonoridade era excelente e a entrada fantástica com aquele "Arrête, arrête.." pelo que se me tornou inesquecível).
Longtemps j'ai atendu
au long de ta rue
mais tu n'est pas venue
Je suis reparti sans rumb
tout seul à travers la nuit
(esta era do Richard Anthony: "Le ciel est ci beau ce soir", óptima para momentos de desespero. Espero que a Dra. Maria Júlia não ligue aos erros)
Há tempos descobri as «paroles» corretas:
Le ciel est si beau ce soir La nuit est si bleue ce soir C'est l'heure où je me sens Perdu comme un enfant Le ciel est si beau pourtant
Depuis que l'on s'est quittés Je n'ai jamais eu d'été Soudain, je viens d'avoir Envie de te revoir Le Ciel Est Si Beau Ce Soir
Longtemps, j'ai attendu A l' angle de ta rue Mais tu n'es pas venue Je suis reparti sans bruit Tout seul à travers la nuit Mais je ne veux pas croire Qu'il n'y a plus d'espoir Le Ciel Est Si Beau Ce Soir Le Ciel Est Si Beau Ce Soir
Compositores: Jacques Plante / Doree Post / Bill Post
Chove
A noite cai sobre mim
Choro
Sem ti, Oh!, sem ti...
(Conjunto Académico João Paulo: "Chove". O Jardim ainda não tinha estragado aquilo tudo e havia por lá um jornal fantástico: O Comércio do Funchal, onde o Vicente Jorge Silva escrevia excelentes artigos).
E eu junto: e qual o local de Ourém que elas lhe recordam?
Com base num tema destes eu podia trazer quatro ou cinco vinis, ou melhor EPs, agora já em CD ou em K7.
Curioso. O Avenidalembra-me o horroroso “Ma Vie” do Alain Barriere. O Centralrecorda-me Les Chats Sauvages (“Derniers Baisers” e “Oh Lady!”). O destruído jardim junto à Câmara lembra-me uma noite em que ali ouvi os Beatles em “I want to hold your hand”. Depois há todas as canções de sessenta associadas à feira nova e de que já falei na História de Amor.
Aquele pequeno parque frente à tabacaria do Vieira (o Fernando que trabalhava na Marina), perto do local onde paravam as camionetas dos Claras, lembra-me uma cena protagonizada pelo Jó Alho e que descrevi em Uma Chegada Imponente. Aí a canção era o “La plus belle pour aller dancer”.
Mas o Fernão Lopestem de ter alguma canção associada. Acho que era a Borda d´Água, a Lena, que gostava muito da Françoise. Também se arranja qualquer coisa. Mas não podemos esquecer a Sylvie e o Christophe com o “Si je chante” e o magnífico “Aline”.
Recordo, ainda, um momento mágico, numa das fabulosas manhãs primaveris de Ourém, em que estávamos embevecidos na contemplação da belíssima imagem da Boazinha que, por seu lado, procurava dotar-nos com mais alguns vocábulos da língua inglesa. O problema era o "só". E recomendava ela: lembrem-se daquela canção, o "Only You", dos Platters. Nunca mais esqueci o momento nem a canção.
O Castelo também foi sujeito muitas vezes à visita da minha geração. Levava-se comida e música e eram tardes em beleza que ali se passava em pleno ar puro. Foi lá que, pela primeira vez, ouvi o “Sounds of Silence” do Simon and Garfunkel.
Se o Rui Temido passasse aqui pelo Ourem, ele decerto confirmaria que inúmeras vezes ouvimos no quintal, naquele local onde agora é a escola preparatória, perto da casa do ZéQuim, músicas do Dylan interpretadas por seguidores com outras preocupações melódicas. Foi o caso dos Byrds com o “Mister Tambourine Man” e dos Beach Boys com “The Times they are a-changing”, dois hinos fabulosos daquele tempo. Mas o pessoal também conseguia ouvir o Dylan como aconteceu com o “Like a rolling stone” que permitia executar pé de dança durante quase dez minutos e que nos acompanhou numa estadia na Nazaré. O mesmo Rui foi responsável pela divulgação de singles tal como o “I’m a believer” dos Monkees, mostrando desde logo os efeitos que a passagem por meios externos a Ourém tinham em termos de acesso ao comercial.
Nos bailaricos as músicas mais ouvidas eram as dos Procol Harum, “Whiter shade of pale” e dos Bee Gees (tantas: “World”, “Words”, “To love somebody”, “Spicks and Spckes”...).
E já não vos falo dos magníficos sons da Casa do Largo de Castela para que não se julgue que será mais uma sessão para dizer mal dos nossos prezados autarcas.
Bolas, estava-me a esquecer do Halliday com o “Le Penitencier”, uma versão magnífica da “House of the rising Sun“ dos Animals e que um dia caí na patetice de trocar com um oureense (acho que se chamava Raul) que nunca mais encontrei para desfazer a troca.
Remeto-vos ainda para aquele post relativo a Descobrir filões no meio da confusão musical que descreve a capacidade do Jó Rodrigues para encontrar passagens melodiosas no meio de cada gravação o que justifica que eu adicione aos já mencionados o "Happy together" dos TUrtles e o "Tell me you are coming back" dos Stones.
Bom, eu posso levar alguns destes gravados, algumas capas e falar uns quinze minutos, enquanto eles se vão ouvindo em fundo, depois não tenho conversa para aguentar mais.