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sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Fado perdição
Letra de Maria Duarte

Este amor não é um rio,
tem a vastidão do mar.
E a dança verde das ondas
soluça no meu olhar.

Tentei esquecer as palavras
nunca ditas entre nós
Mas pairam sobre o silêncio,
nas margens da nossa voz.

Tentei esquecer os teus olhos,
que não sabem ler nos meus.
Mas neles nasce alvorada,
que amanhece a terra e os céus.

Tentei esquecer o teu nome
arrancá-lo ao pensamento
Mas regressa a todo o instante
entrelaçado no vento.

Tentei ver a minha imagem,
mas foi a tua que vi
no meu espelho porque trago
os olhos cheios de ti.

Este amor não é um rio
Tem abismos como o mar.
E o manto negro das ondas
cobre-me de negro o olhar.

Oiça o Fado Perdição na voz de Cristina Branco


quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Amor de Perdição - 2

Na nossa pesquisa na NET em torno desta obra, encontrámos coisas muito interessantes com que não contávamos: a sua edição digital integral pela Porto Editora, um documento de recensão de um sítio brasileiro e a biblioteca gráfica da Universidade do Minho.
Deixamos algumas dessas imagens, fazendo-as acompanhar de parte do texto resumo para celebrar a palavra que nos vem acompanhando desde este domingo.


Simão mata o seu rival Baltazar Posted by Picasa

Mariana, sabedora que Simão e Teresa não estavam conseguindo manter a comunicação, visto que Teresa estava sob rigorosa vigilância, resolve ajudar os amantes.
Mariana vai até o convento com a desculpa de visitar uma amiga. Sua ação é bem sucedida, a filha de João da Cruz consegue falar com Teresa e essa manda um recado a Simão. Nele a jovem fala de sua impossibilidade de escrever a Simão e que ela iria para um convento na cidade do Porto.
Simão ao tomar conhecimento dos fatos, fica furioso e, em um acesso incontido de raiva, decide tentar raptar Teresa de seu fatídico fim no convento.
O jovem defronta-se com Baltasar, na tentativa de resgatar a amada. Mesmo diante de várias testemunhas o jovem Simão atinge Baltasar com um tiro mortal.
Em meio à confusão surge João da Cruz que procura dar cobertura a fuga de Simão, contudo esse recusa-se a fugir entregando-se a prisão.
Simão é preso e condenado a morte. Porém, devido à interferência do corregedor Domingos Botelho, pai de Simão, a pena é convertida ao degredo nas Índias.


Teresa desfalece Posted by Picasa

Teresa começa a ter sua saúde abalada. Definha, cada vez mais triste e muito magoada, a linda fidalga parece ter perdido a vontade de viver. Seu fim aproxima-se, recusa-se a evitá-lo.


Simão morre no barco sob os olhos de Mariana Posted by Picasa

Ao embarcar rumo à Índia, Simão contempla Monchique e vê, pela última vez no mirante do convento, a mulher que fora responsável por tudo aquilo.
Também Teresa contempla o navio que levava seu amado. Logo após, Teresa morre. Simão, antes de seguir seu destino, toma conhecimento da morte de Teresa e, profundamente consternado e deprimido, segue rumo ao degredo.
Ainda, muito consternado ele guarda algumas cartas de Teresa, seu corpo vai sendo consumido pela morte.
Alguns dias após a viagem, Simão morre vitimado pela febre. Mariana não resistindo à perda do amado, rompe o silêncio com gritos que saem do mais fundo do seu coração. Quando percebe que seria impossível viver sem a presença de Simão, a filha do ferreiro entrega-se às revoltas águas do mar, as quais já haviam recebido o corpo de Simão.O suicídio de Mariana marca o fim da trágica história dos Botelhos e Albuquerque.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Amor de perdição


Teresa desespera Posted by Picasa

Era noite de quinta-feira. No velho cine-teatro, mais uma vez ia ter lugar a exibição do filme “Amor de Perdição” baseado no romance com o mesmo nome de Camilo. Os espectadores não se podiam queixar: ainda na semana anterior se tinham deliciado com a maravilhosa história de Sissi interpretada pela bela Romy Schneider.
Agora, com uma calma apenas aparente, o que disfarçava uma certa ansiedade, as damas, as meninas e as sopeiras encontravam os seus lugares na sala. Algumas iam cheias de lenços para carpir até ao infinito os amores não consumados a que estavam para assistir.
Ouve-se o sinal de início. As belas cortinas verdes são fechadas...
Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa, quer que esta case com seu primo Baltazar Coutinho, intenção partilhada por este. Simão mata Baltazar, sentenciando a impossibilidade de reunião com a amada. Teresa vai para um convento e Simão é condenado ao exílio. Mariana, filha de João da Cruz, o ferreiro moralmente endividado com o magistrado Domingos Botelho, pai de Simão, devota-se a deste até ele morrer de doença e amor. Morto e atirado ao mar Simão, Mariana segue o destino do seu amado, levando com ela as cartas que ele trocara com Teresa...
Que desespero! Que maus eram aqueles pais...
Umas choram outras tentam disfarçar.
Foi mais uma noite dramática no cine-teatro da vila. A todos custa abandonar o lugar. Todos queriam que o desfecho fosse diferente. Por que seriam tão marcadas aquelas diferenciações sociais? Curiosamente não questionavam a diferenciação que ali se via: sopeiras na geral, meninas na plateia e balcão, damas no camarate, mas sim aquela que o filme lhes tinha trazido. É sempre mais fácil contestar a realidade encenada do que aquela que nos é dado viver...

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A canção da mulher perdida
A primeira vez que ouvi este fado foi na década de sessenta, na casa do Largo de Castela, interpretado pelo Carlos do Carmo. Na altura, embirrava um bocado com ele: voz lenta, compassada, profunda, a contrastar com os meus gostos do momento. O certo é que nunca consegui esquecer esta canção nem o Carlos que me acompanhou sempre um pouco de longe, mas a quem dedico todo o respeito que a sua figura merece.
Então, só para chatear os amigos do OUREM, aqui fica a letra...
VIELA
Letra de: Guilherme Pereira da Rosa
Música: Alfredo Marceneiro (Fado Cravo)

Fui de viela em viela
Numa delas, dei com ela
E quedei-me enfeitiçado...
Sob a luz dum candeeiro,
S’tava ali o fado inteiro,
Pois toda ela era fado.

Arvorei um ar gingão,
Um certo ar fadistão
Que qualquer homem assume.
Pois confesso que aguardei
Quando por ela passei
O convite do costume.

Em vez disso no entanto,
No seu rosto só vi pranto,
Só vi desgosto e descrença.
Fui-me embora amargurado
Era fado, mas o fado,
Não é sempre o que se pensa.

Ainda recordo agora
A visão, que ao ir-me embora
Guardei da mulher perdida.
Na pena que me desgarra
Só me lembra uma guitarra
A chorar penas da vida.


Eis uma versão por Marceneiro:
Amar!



Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

domingo, fevereiro 05, 2006

Erros meus, má fortuna, amor ardente

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões

Também eu me perdi....



Em Leiria...
Mas não foi por aquilo que estão a pensar... desta vez...
Era a época de exames, já não me lembro se do segundo, se do quinto ano.
A deslocação de Ourém para o Liceu tinha tido o seu quê de histórico no célebre NSU Prinz do meu irmão de cor avermelhada, aquela mais perto da cor do palhete.
Lembro-me do Dr. Armando, no seu Peugeut, da Borda de Água, ali íamos todos à conquista de mais um grau.
Chegados ao velho Liceu, ultrapassados os procedimentos de estacionamento, começaram as provas.
A primeira decorreu normalmente. Depois, houve um pequeno intervalo e aproveitámos para relaxar e outras coisas que todos conhecem, tanto mais em ambiente de nervos.
Tocou a campainha, tentei voltar para a sala e apercebi-me que não sabia onde estava...
Depois de ter tentado uma ou duas onde me recusaram a entrada lé descobri, com algum alvoroço aquela onde seria o me lugar (tudo bem controladinho, à antiga) e imaginem a atrapalhação a entrar num ambiente onde já estavam todos com (de novo) todos a olhar para mim.
Dirigi-me ao professor:
- Perdi-me...
E não é que aquela alimária, em vez de me confortar, ali, promovido a pastor alemão, me atira com esta:
- E achou-se...?...
Percebi logo que a minha futura estadia em Leiria não seria muito proveitosa com bestas daquelas à mistura.
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