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quinta-feira, novembro 17, 2005

Olhos cor de mel

Na minha terra houve uma batalha
Para lá fui no meu corcel
Levava o amor que me agasalha
Olhos cor de mel

Era um apelo irresistível
Queriam destruir o meu passado
Mas sou combatente temível
Ninguém me traça negro fado

E eis que ela me adoece
De tanta luta e labuta
E enquanto do martírio padece
As minhas palavras escuta

Lutei contra ricos e poderosos
Contra corruptos e mentecaptos
Denunciei autarcas horrorosos
Que só para a podridão são aptos

Chamei amigos à causa
Seus corações ficaram frios
Cheguei ao fim sem uma pausa
Todos voltaram aos seus navios

Ourém está igual ao que era
Mas tem estórias e memórias
Queria contá-las, quem me dera
Trairam-me por outras glórias

Derrotado, o meu corcel
Trouxe-me de volta à outra terra
Sem os olhos cor de mel
Ficaram no sítio da guerra

Mas lá voltei tantos dias
Triste da minha solidão
E as suas palavras macias
Deram-me de novo razão

Trouxe-a no meu corcel
Para a casa que ainda é nossa
Já tenho os olhos cor de mel
Nada mais me fará mossa

De um autor oureense do século passado

sexta-feira, julho 15, 2005

A visita à quinta


O rei da laranjada Posted by Picasa

Eis a terra oureana
De David, o arrogante
Figura pouco bacana
Algo activa e petulante

Essa terra de eleição,
Hoje, triste e deformada,
Terá visita de ocasião
Pelo Rei da Laranjada

- Marques, mentes?
- Minto.
Perguntava a Galinha,
Respondia o Pinto

O Marques vem a Ourém
Visitar uma quinta sua
Dar apoios, vejam bem,
Dar apoios em plena rua

- Olhem esta carneirada
Que me segue prazenteira,
Dou-lhes morcela afamada
E coelhos da ribeira.

Invocará as suas hostes
Plenas de fervor sentido
Andará por essas ruas
Lembrar feitos que aqui digo.

- Marques, mentes?
- Minto.
Perguntava a Galinha,
Respondia o Pinto

Um dia numerosa cavalgada
Parou em frente ao portão
E, apalpando o cu à criada,
Pergunta: - Onde está o Garanhão?

- Não está,
Saiu,
Já cá não está
Quem o viu...

- Mas não há muito que enganar
Só da fé ele é amigo,
A Fátima irá parar,
Espreite por esse postigo...

- Marques, mentes?
- Minto.
Perguntava a Galinha,
Respondia o Pinto

Pintainha vai à fonte
Olhem que sorte a minha
Assembleia no horizonte
Quer o voto a Pintainha

D’arruaceiros receosa
Outros anda a insultar
Melhor estaria silenciosa
Se é que pensa ganhar...

- Marques, mentes?
- Minto.
Perguntava a Galinha,
Respondia o Pinto

Lá para os lados do Linear
O Moura olha esta feira
Tem vontade de defecar
E aproveita a ribeira

Mas eis que alguém amigo
Ali o vai encontrar
- Joãozinho d’Aguyllar!
- Como vê, estou a...

- E veja bem a triste sorte
De quem meu legado herda
Tive a a cultura por norte,
Só consegui fazer m...

- Marques, mentes?
- Minto.
Perguntava a Galinha,
Respondia o Pinto

Condenaste o Valentão
O Isaltino e o Jardim
Mas de Ourém não levas nada
Não me enganas a mim!

Abaixo a laranjada
Que o palhete é bem melhor
Catarino não vale nada
E a equipa ainda é pior

Eis porque o Ourem insiste
Aproveitem a ocasião
“Há sempre alguém que resiste,
Há sempre alguém que diz não!”

terça-feira, junho 14, 2005

Boa noite Passarinho

-Boa noite, passarinho,
Onde é que tu vais dormir ?
- Vou dormir num ramo verde
Com o luar a luzir.

-Boa-noite, passarinho,
Onde é que tu vais sonhar ?
- Vou sonhar no bosque verde
Tão verde á luz do luar.

-Boa noite, passarinho,
Estás cansado de voar ?
- Escondo a cabeça na asa
E já posso descansar.

- Boa noite, passarinho
Não dormes dentro de casa ?
- Se eu poiso num ramo verde
E o lenço é a minha asa ?

Esta pérola foi roubada do conjunto de trabalhos disponibilizados na página da escola básica da Gondemaria.

quarta-feira, junho 08, 2005

Hino das Comboianas #
Pouca terra, pouca terra
O comboio já lá vem
Entro eu, estras tu,
Todas nós já entramos,
Pouca terra, pouca terra...
Caixas, meias e «quejandos»,
Vendo eu e vendes tu:
Parece a feira lá da terra!
O ponto de cruz vai andando,
E o tricot e o crochet
Nas mãos ágeis vão crescendo,
E as línguas, sem descanso
Contam isto e mais aquilo,
Do fulano e do beltrano.
O tempo vai passando,
Já estamos quase chegando
-Caxarias, já cá estamos!
E no Manalvo, nós entramos:
- Sr. António, que é o almoço?
- Sr. Luís, um cafezinho.
E não esqueça o copinho
Daquela água abençoada
Lá da fonte do barquinho!
Ai meu Deus! Olhem as horas
Para e escola temos de ir
Os meninos temos de ensinar
A crescer e a sorrir.
Ai meu Deus, até que enfim!
Este dia chegou ao fim.
O comboio vamos apanhar,
Porque a casa vamos voltar
E amanhã será outro dia
Para o comboio apanhar.
Pouca terra, pouca terra,
Já lávem a apitar,
Já se vê na curva a entrar,
Entro eu e entras tu,
Pouca terra, pouca terra,
Lá vai ele a apitar:
Uuu uuuu uuuuu uuuu!


Abril 98
Comboianas #: grupo de professoras que apanha o comboio entre Coimbra e Caxarias

Maria Paula Leitão Mendes Gameiro

Via Educare

sábado, maio 07, 2005

Poesia popular oureense do século xxi (3)
O troféu da presidenta
Deolinda vai à fonte
Leva a sua cantarinha
Desceu lesta do monte
Vai segura e formosinha

Aos meninos deu lições
Sobre História da nossa terra
Sobre laranjas, limões
De ciências e da guerra

Quis o destino sedento
Que visse arruaceiros mil
No fundo moinhos de vento
Que atitude tão vil!

E depois p'ra mais ferir
Levantou a ponta do véu
A terra que diz servir
É para ela um troféu
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