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quarta-feira, janeiro 23, 2008

E o OUREM também tem



E o mais engraçado é que penso ser a primeira edição (ver a discussão no Anónimo). Foi adquirido antes de 9-1-71, uma altura muito quente para os lados do Quelhas. Se a edição foi apreendida, fomos mais rápidos que a própria PIDE...
O prefácio é do Sérgio (fez tantas que acabou por ser convidado a passar o 25 de Abril em Caxias).

segunda-feira, junho 11, 2007

Aquele abraço



Gosto de o ver assim, bem envolvido nas cores e nos objectivos do Juventude.
A temporada será difícil. O decrépito autarca, mais uma vez, mostrará o seu desprezo em relação aos interesses de OUrém, oferecendo um relvado sintético ao CDF e recusando ajuda para alguma deslocação mais onerosa - como fez em relação a Porto Santo.
Mas este lutador não desiste e o Hóquei da nossa terra continuará a contar com ele e com aquele empenho que o faz pôr quase tudo o mais de lado. É a chamada dedicação total.
Em Julho, estarei em OUrém alguns dias. Quero saudá-lo. Sentir aquele abraço que ele quase esteve a trazer-me nos finais de MAio.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Marca #5: Sérgio Ribeiro

Talvez não haja oureense por quem eu tenha sentido mais admiração durante tanto tempo como o Sérgio. A estima, essa, é bem mais recente pois só o conheci pessoalmente há três ou quatro anos durante uma sessão na Som da Tinta sobre blogs.
O Sérgio influenciou a minha formação e desenvolvimento. Quando estudei, os seus textos estavam lá, quando as porta da prisão se abriram com Abril, ele saiu por elas, depois continuei a seguir sempre o seu percurso.
No início do OUREM, muitas vezes, postava alguma coisa de que ele discordava e logo surgia, com aquela bondade que o caracteriza, mas com firmeza, uma observação dele do tipo "temos de falar". Há alguns textos dele cuja única publicação é do nosso blog.
Sei que o Sérgio anda às voltas com um troglodita anónimo. Eles bem sabem a quem hão-de chatear, por alguma razão não vêm a este inofensivo blog. Mas o Sérgio tratará dele com toda a sua capacidade.
Tudo isto para vos deixar com a marca deixada para este nosso amigo que dividi em duas para melhor consulta, dedicando uma por inteiro ao Parlamento Europeu.
Nota: com quase toda a certeza, ainda não me foi possível indexar tudo o que diz respeito ao Sérgio no OUREM, mas isso será feito com o tempo.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Manias

Acabo de ler a resposta daquele maniento que dá pelo nome de Sérgio Ribeiro (o tal que está sempre com manias parvas). E fui surpreendido por um texto engraçadíssimo do Pedro Gonçalves em comentário ao mesmo.
O Sérgio tem outra mania: sublinha e valoriza sempre a amizade como se pode detectar logo à entrada do texto...
A questão das manias não pode ficar por aqui. De acordo com o Sérgio, o retorno a Cesário Verde é constante. Então, vamos até lá e procuremos se ele tem algo sobre o tema:

Manias!

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, -- hoje uma ossada, --
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!

domingo, novembro 27, 2005

Xico de Santo Amaro, 26 de Novembro de 2005

Todos temos monumental estima por ele.
E este convívio, cujo segredo foi tão bem guardado, foi das coisas que ele mais desejaria.
Homenagem? Que palavra tão formal!
Para ali fomos, uns 250, com carros à porta, a pensar que ele não desconfiaria de nada.
Teve o desplante de dizer que "só era surpresa para quem se deixa surpreender...".
O texto dito pelo Manuel Freire era magnífico bem acondizer com este amigo que começa a olhar o nosso Castelo logo no quilómetro 110 (eu já o avisto no 108, embora não tão ostensivamente).
Ficam algumas imagens...

Não façam barulho. Ele não pode desconfiar de nada... Posted by Picasa

É ele! Apanhámo-lo Posted by Picasa

Olá, o que estão a fazer aqui? Posted by Picasa

Cumprimentou os amigos um por um Posted by Picasa

O NA apresenta a conta ao Sérgio Posted by Picasa

sábado, novembro 26, 2005

Emoções fortes

Na minha opinião, o dia de hoje tornar-se-á inesquecível para alguém, uma verdadeira utopia...
Depois, verão.

terça-feira, novembro 22, 2005

Em silêncio

Ainda revelo o que não devo e estrago tudo.
À falta de inspiração vamos continuar assim mais uns dias.
O blog não acabou, mas apetece-me estar assim. Sempre presente, a ver o que se passa, vendo o contador a alterar-se, consultando os vizinhos, à espera de algo especial...

sexta-feira, abril 29, 2005

De tantos tempos já fui!Por Sérgio Ribeiro



Deste tempo me lembro/neste tempo vivi/este tempo também eu sou.
De tantos tempos já fui!

Deste tempo/desta praça/destas quintas-feiras/deste mercado/desta gente que eu fui e sou.
Desta gente que nós fomos e somos.

Panelas/“amontolias”/formas para queijo/gente/homens de barrete e jaleco/mulheres de lenço e xaile/(alguns e algumas descalços e descalças)/burros a servirem de montaria/… e de companhia.
Era a vila nova e de Ourém/viva às quintas-feiras.

Uma sardinha assada,/um pedaço de broa e um copo no Manel do Raul/que o ti’Raul era dono da Pensão Santos/ que mais conhecida era pela da Dona Ema;
e/ logo ao lado/a roda de tirar água/ e um jogo da laranjinha/que as laranjinhas eram/então/outras e bem melhores/que as que hoje são/ e tão amargas nos sabem/(não a todos, não a todos.../que alguns bem as saboreiam).

E para casa/nas aldeias ao redor/se levavam as sardinhas/ que da Nazaré vinham/e para toda a semana se mercavam;
de salmoura se guardavam/que até à quinta-feira/da semana que logo viria/era preciso se chegassem.

Nalgumas das casas/em muitas casas/era preciso partir e repartir;
o homem ficava com o melhor bocado/que ele era quem partia e repartia/ainda que fossem as mãos da mulher que partissem e repartissem/porque era ele quem trabalhava de sol a sol…/como se não fosse de sol a sol o trabalho da mulher/que fazia a lida da casa/que tratava do gado e da horta/que cozia o pão/que fazia a vindima/que organizava a descamisada/e tempo lhe tinha que sobrar para ajudar o “sê home” nas fainas que/dizia-se/dele seriam.

Descalços andavam os gaiatos/descalços e ranhosos/pés nus, frios, magoados, feridos/depressa duros, crostas, calejados/preparados para as pedras e as silvas a caminho das escolas/onde escolas havia/e só para aqueles que às escolas iam.

Depois/foi o salto/a fuga para as Franças e Araganças/a recusa da estagnação/da resignação/da pobreza/do cerco/da repressão/da guerra/do que não se queria que continuasse/mesmo sem se saber o que não se queria/e também sem se saber o que se queria/a não ser que era preciso ir/que era vital partir.

E como os tempos mudaram.
Como fizemos/as mulheres e os homens de todos os tempos/mudar os tempos!

De tantos tempos já fui!
Vivi atravessando estes tempos que fomos e somos.
Deste tempo me lembro/e gosto de o lembrar como tempo vivido/Com saudade/com nostalgia/mas olhando-o de frente/Com os olhos de hoje/Dos homens e das mulheres de hoje/e de amanhã.

sexta-feira, abril 22, 2005

Será que esta conversa existiu?

Preparem-se.
Falta pouco mais de dois dias...
Temos de aproveitar para libertar o Sérgio e o Zé Quim.
Temos de criar condições para o Luís Nuno poder regressar de França.
Maia, parece que tens alguém porreiro para comandar um pelotão quando avançares. É de Ourém e...
Mas que se passa, camarada Luís? Parece triste, nostálgico, pouco confiante...

Não é isso, meu major. Tive uma visão do que vai ser isto daqui a trinta anos: corrupção, fuga ao fisco, tráfico de droga, insegurança, mentira, terrorismo de Estado...
Comparada com isto, a exploração capitalista, aquela em que o patrão paga o salário para obter mais-valia, parece uma santa. Mesmo o meu major vai ser perseguido e acusado de coisas horríveis...

Eu, perseguido? E achas que é a primeira vez? Tu próprio vais escrever sobre uma história um tanto semelhante que ocorreu quase há dois mil anos. O nosso povo padece de um défice, não aquele com que ela1 vos vai torturar, mas educacional. Mas eu vou tratar já disso, das perseguições políticas...
Aspirante Sampaio, vá pensando numa lista de homens de confiança porque temos que extinguir a dita...

A verdade é que o Luís Nuno (que aqui representa o português incoformado que resistiu até à última relativamente à integração na tropa colonial) pôde regressar e o Sérgio (o preso político) e o ZéQuim (militar detido por ter participado no golpe que antecedeu e anunciou o 25 de Abril) foram libertados. Um pelotão de Salgueiro Maia que avançou para Lisboa foi comandado por um oureense.
Curiosamente, aquele que preparou tudo isto ao pormenor (e que o fez com o sentido de gerar o que gerou), acabou por ser preso e perseguido. Tantas vezes as revoluções devoram os seus heróis!


1-Referência à política de Manuela Ferreira Leite no governo de Durão

quarta-feira, abril 06, 2005

Memórias da "gaffe" a propósito da história dos nossos bombeiros
Por Sérgio Ribeiro

Cada um lembra-se mais do que viveu mais intensamente. A esplanada do quartel dos Bombeiros, na Carvalho Araújo está gravada na minha adolescência. As festas anuais eram... uma festa! Desde os Companheiros da Alegria, do Igrejas Caeiro, a 'malta' de Coimbra, os ilusionistas, o Néné, a Hermínia Silva, sei lá... E eu a crescer para a vida com a ajuda dos meus amigos, e a dormir em casa do ti'Júlio porque o Zambujal era longe... Lembras-te, Rui?
Cometi, nessa altura, uma 'gaffe' de que, de vez em quando, me lembro, com um sorriso e um corar debaixo da barba. Um dia contá-la-ei.
Tem a ver com as meninas da 'nossa sociedade' que serviam à mesa durante as festas. Ah!, e os versos do dr. Preto, também para angariar fundos e em que o meu pai era sempre 'o oureense número um' para rimar com qualquer coisa acabada em 'um'.
Oh! Luis, oh! Julito... isto não se faz. Não chegavam as memórias que vêm cá de dentro e estão acordadas, para vocês virem, de fora, acordar as que estavam tão sossegadinhas!

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Cartas do Viúva Negra ao Ourem


Meu Caro Luís,
Estás a puxar por mim!

“Viuvinha” fui. E campeão universitário. Mas, além do desporto, a Associação teve grande importância para mim, para o que fui e sou.

Comecei por colaborar, por criar uma secção de papelaria e fui co-responsável pela secção de folhas.

Andei nas lutas do “célebre” 40900, de 1956, decreto do MEN fascista para retirar democraticidade às AE e torná-las departamentos dos Centros Universitários da Mocidade Portuguesa. Lutámos, com manifestações e outras formas de luta, e ganhámos! A Assembleia Nacional suspendeu o decreto.

Em 1957/58, meu último ano (com surpresa para muitos que me viam a chumbar dada a assiduidade aos “amigáveis”), fui vice-presidente da direcção e representante de Económicas nas RIAs, onde conheci muitos camaradas, como o João Cravinho e o Zé Bernardino (IST), o Ramos de Almeida e o Orlando Neves (Direito), o Marques Pequito (Veterinária), o Branco Ló (Arquitectura), Portas (Agronomia).

Participei muito activamente no 1º Dia do Estudante. E, já curso acabado, acompanhei de perto tudo o que levou às lutas de 1962, fazendo parte de uma Comissão de Antigos Dirigentes, que, numa semi-clandestinidade, muito apoiou os Sampaios, Vengorovius, Abreus...

A luta do CDUL, e outras, fica para outra “provocação” tua. Das boas.


Amigos Oureenses, isto tem a ver com a nossa história recente.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

A vitória do Viúva Negra

Subia a travessa do Pasteleiro envolto na sua capa qual ente tenebroso.

Nunca se soube a verdadeira razão. Uns sustentam que o frio a tanto obrigava. Outros acham que, por essa altura, tinha de esconder a sua face para não ser notada pelas pidescas criaturas que cercavam Económicas e perseguiam os estudantes.

Apesar do seu disfarce, na escola cultivava o espírito de Os amigáveis. E era de tal modo empenhado que venceu o campeonato universitário e participou em vários TIAs (Torneios inter-associações).

A designação sugerida não me é estranha, só que, no meu tempo, a campa e batina estava de todo abandonada e era nas RIAs (reunião inter-associações) onde aqueles de que tantas vezes já vos falei delineavam os próximos passos para dar uma ajuda à construção do país livre que hoje temos.

Quais seriam as referências musicais do “Viuvinha”? Eu reivindico o Zeca, o Adriano, o Sérgio, o Cília, o Zé Mário para a minha geração. O que se ouviria doze ou treze anos antes?

E dos outros? Eu tive os Beatles, os Stones, os Animals, os Moody Blues, a Mellanie... Já não sei o que resta ao “Viuvinha”, talvez o Paul Anka, o Pat Boone, o Elvis, não é ele um grande pé de dança como por vezes demonstra em São Sebastião?

Mas, se no meu tempo houve RIAs, é porque, para além do seu magnífico empenho no desporto, ele o conseguiu utilizar como uma forma de gerar a união entre escolas na contestação ao fascismo transformando algo que parecia de todo inofensivo num instrumento de subversão.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Remexer em carbine viva

Subia-se o Pasteleiro, passava-se ao Quelhas, entrava-se por uma porta guardada por alguém de nome Coelho.

Os amigáveis eram partidas de futebol realizadas num pequeno campo com as dimensões daqueles em que se pratica hóquei e que permitiam aos estudantes do primeiro ao quinto ano esgrimir entre si.

Nunca fui grande jogador, logo nunca fui seleccionado para qualquer equipa.

Mas recordo-me que, nos primeiros anos do curso, havia entusiasmo entre a assistência. Havia também óptimos jogadores alguns dos quais chegaram a militar em grandes equipas e outros, mais a tender para o maluco, que executavam saltos mortais em pleno Rossio.

Depois, entre 1969 e 1972, tudo mudou. A polícia de choque tornou-se presença habitual na escola e as pequenas refregas entre estudantes transformaram-se numa contestação muito séria à sua presença. Lembro-me de alguns que, naquelas instalações, foram desancados sem dó nem piedade. O ano em que terminei o curso, sempre com muitos incidentes, foi aquele em que foi assassinado Ribeiro dos Santos, um estudante venerado pelo MRPP.

Com o 25 de Abril, Os amigáveis não voltaram. Pouco a pouco, o automóvel foi avançando e aconteceu ao espaço do ISEG algo de semelhante ao que ocorre em muitos locais: foi sufocado.

sexta-feira, junho 25, 2004

A propósito de JOAQUIM ESPADA
Um texto de Sérgio Ribeiro

Foi dos 15 aos 17. Sei, porque foi nos então 6º e 7º anos do liceu.
Eu andava no D. João de Castro, ao Alto de Santo Amaro.
O meu pai dava-me, de semanada, 2$50 (vinte e cinco tostões). Uma miséria!
O preço do autocarro era de 1$50 (quinze tostões) por viagem desde a Álvares Cabral, pelo que reivindicava 6$00 de diária para transportes e com o pretexto de poder ainda vir a casa, eventualmente, para almoçar comidas de mãezinha.
Saia de casa, na Rua do Sol ao Rato, bem antes das 7 da manhã, com um lanchezito ou uns tustos que me dava a minha mãe, para umas sandocas, e ia a pé até Santos, onde apanhava o eléctrico/”carro operário” até ao Largo do Calvário, o que me custava 1$10 (onze tostões) ida e volta pelo mesmo trajecto, que incluía subir e descer a butos até ao (bem) Alto de Santo Amaro.

Foi o meu período de iniciação proletária, por várias razões, até pelo que aprendi ao ouvir certas conversas e ao conviver com aquelas vivências, ao olhar aquelas caras que hoje talvez mitifique. Mas voltemos ao que quero contar…

Resumindo: cada dia guardava 4$90 (quatro mil e novecentos). Uma fortuna ao fim de algumas semanas, que arredondava com as receitas de explicações que também dava a preço módico.
Para quê? Para várias coisas, nem todas confessáveis, mas sobretudo para poder, nos fins-de-semana (curtos, curtos) e nas férias (longas, longas), jogar bilhar no Café Central, então colocado logo à entrada, entre as duas portas e antes das mesas – se me não engano…
Mas nem no Café Central o gastava todo aquele dinheiro, que afinal bem pouco era, em bilharadas com os amigos, como talvez fossem as primeiras intenções ao ganhá-lo e ao poupá-lo.

Com frequência, ao entrar no Café Central à procura de parceiros, que cedo ou tarde apareciam sempre, o senhor Joaquim Espada, alto, careca, afabilíssimo, chamava-me para o outro lado do balcão e tínhamos longas conversas sobre livros, mostrando-me uns recém-chegados e outros que já por lá estavam e ele entretanto lera e anotara. Falava dos livros com entusiasmo. Contido, seguro, didáctico. Nunca como quem quer promover vendas. Nunca. Umas vezes, eu fazia questão em comprar, sacrificando uns quartos de hora de bilhar, noutras, ele emprestava-mos para depois continuarmos a conversa. Recordo um desses livros que assim comprei e li, e ficou cá dentro como uma das boas coisas que me aconteceu na vida: Os cardos do Baragan, do búlgaro Panait Istrait.

Ali passei, no Café Central, e nessas conversas com Joaquim Espada, algum do meu tempo, desse tempo em que já somos e começamos a ser, algum desse tempo dos 15 aos 17 anos, não muito tempo mas tempo precioso, inesquecível, decisivo para o que fui sendo e sou. De que me não arrependo. Bem pelo contrário, tranquilo que estou.

Por isso, sem ter andado no CFL – e tenho pena… mas a isso voltarei –, comove-me ler-te sobre Ourém e o Café Central. Mas, neste, tenho de meter o senhor Joaquim Espada e os livros, senão faltava algo de essencial ao quadro que vais pintando mas que também é meu.

Um grande abraço

Sérgio Ribeiro

quarta-feira, junho 02, 2004

Bufos
Faz agora quarenta anos
O meu irmão chega a casa, penso que já na Rua Santa Teresinha, para almoçar.
- Sabe, mãe, o Sérgio foi preso. Coisas de política.
- Eu logo vi que isso ia acontecer a esse rapazinho.
Viram-se os dois para mim.
- Luís, ai de ti se te metes na política.
E eu, aterrorizado, ainda sem conhecer as masmorras da PIDE (que felizmente nunca conheci):
- Estejam descansados, eu sei tratar de mim.
Mas o meu irmão ainda parecia saber qualquer coisa mais:
- Consta por aí que foi denunciado por alguém de cá a propósito da Direcção da Casa de Ourém. Ele e o pai são da oposição.
Impressionante. Como é que alguém consegue denunciar outrem por causa de ideias diferentes? Andar ali, a fingir-se amigo e depois dar a estocada...
Anos mais tarde, uns dias depois do 25 de Abril, na EPAM, vi, com um arrepio e espanto, dois irmãos gémeos, que se sentaram ao meu lado em económicas, ser detidos por, também, serem informadores da famigerada polícia política. Felizmente, nunca tinham reparado em mim.
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