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quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Marca #4: o Avião

Do grande Dicionário Castelaico-Oureense retirámos a seguinte definição:

Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.

Mas o Avião não foi apenas isso. No final dos anos 60, início de 70, dedicou-se com o Zé Alberto e a colaboração de outros excelsos oureenses à criação e utilização dos Estúdios Trine, aproveitando o espaço propiciado por uma relação próxima com a direcção do Notícias de Ourém.
Mais recentemente, o Avião, pés devidamente assentes na Terra, contribuiu decisivamente para a construção do OUREM, trazendo-nos as suas memórias em vários capítulos e ajudando a suportar a manutenção do blog por várias semanas. Foi assim, a par do Sérgio, do Zé Quim, do Julito e de alguns outros, um dos nossos obreiros. Os seus textos, após modificação de formato, foram incluídos na nossa primeira publicação: o VOL I do Ourém em Estórias e Memórias.

sábado, novembro 26, 2005

Uma prova de coragem

Andava eu a pensar o que tinha acontecido à página do Notícias de Ourém quando uma passagem pelo "O Gajo que não têm juízo nenhum" me informou que a mesma se tinha tornado blog.
Assim pude encontrar a referência ao estórias com facilidade o que me permitiu a sua transcrição:
"Ourém em estórias e memórias"

São estórias e memórias da geração de 50 e 60, num livro que Luís Vieira lança agora. Este oureense, professor universitário junta diversos textos, de diferentes autores sobre assuntos variados. O resultado é um livrinho, de 150 páginas de texto com algumas fotografias. Os textos são de Ana Prata, Júlio Henriques, Luís Nuno, Marco Jacinto, Zé Quim e Zé Rito.
Balada do Largo de Castela, Estórias do Colégio, A feira nova, Praça dos carros, Avenida, Os bombeiros, Noites de Ourém, À volta de Ourém, Crescer, Estúdios Trine, Os pasquins, 25 de Abril, Crónica da Destruição de Ourém e Em forma de conclusão são os 14 capítulos desta obra que contêm crónicas da vida de Ourém nestas décadas. Crónicas que arrancam um sorriso ao leitor e que fazem conhecer melhor a rua de Castela, a própria Ourém e os percursos de vida daqueles que escrevem os textos. Pode ainda conhecer-se as expectativas em relação ao futuro, no penúltimo capítulo. É ali que se fala de uma certa "tristeza" e se "amaldiçoa" a Ourém que se deixa aos jovens, adianta Luís Vieira, ao Notícias de Ourém ele, que também foi um dos colunistas deste jornal, antes do 25 de Abril.
"Não é um livro de conhecimento histórico embora possa ser aproveitado nesse sentido", escreve Luís Vieira. É "leve, brincalhão, por vezes extremamente lúgubre e saudosista. Por ele passam muitos dos problemas que aquela geração terá sentido, nele estão presentes muitas figuras que em Ourém terão saído do anonimato (sem preocupação de rigor ou de listagem completa)", conclui.
Este livro foi lançado agora, a propósito do vigésimo "Convívio do Poço", realizado a 5 de Novembro de 2005. Os amigos de longa data, reuniram-se num dia de reencontro, convívio, amena cavaqueira, recordações e animação.
Na sua génese, "O poço" começou por ser um grupo de jovens rapazes de Ourém. Juntavam-se para jogar algum jogo e conversar, uma espécie de tertúlia. E faziam-no em círculo, cientes que os assuntos ali tratados não deviam expirar dali, numa espécie de "código de silêncio". Daí o nome "O Poço".
O poço é agora uma "recordação" onde são recordadas "estórias" de Ourém, de cada um, contrabalançadas com os comentários sobre a vida, hoje.


O NO está neste endereço. É uma atitude notável, uma demonstração de juventude e vitalidade, uma prova de coragem.

quinta-feira, julho 14, 2005

Adorava esta Ourém - 7O jardim frente à Câmara


Levado pelos Exterminadores Posted by Picasa

Era muito mais bonito do que a fotografia deixa transparecer. Mais folhas nas árvores, mais flores, relva mais espessa. Mas esta fotografia desperta em mim toda a nostalgia desse tempo.
É curioso, ainda ontem tinha falado naquele banco lá ao fundo mesmo em frente que tem um candeeiro por trás, a propósito daquela canção dos Beatles.
Mas haveria muito mais estórias. As corridas cronometradas em que o Avião e o Luís NUno eram os inevitáveis vencedores, os jogos de criança, o passeio com o carrinho de madeira oferecido pelos que estavam na prisão, a apanhada, os namoricos...
Lá ao fundo uma fila de casinhas de cujos habitantes ainda recordo alguns rostos.

quinta-feira, junho 16, 2005

Oureenses de outrora


Ourem's lonely hearts club band Posted by Hello

Alguém quer ajudar à sua identificação?
Lá está o pai dos nossos queridos amigos Luís Nuno e Zé Avião...

segunda-feira, abril 11, 2005

Memórias do infante (2)
O galheteiro


Atenção ao passarinho... Posted by Hello

Pode ser que não se note, mas era mais alto que todos eles. Assim, posicionado ao centro, lembra-me as constantes vezes que participei em caminhadas e o pessoal chamava galheteiro ao conjunto. Nos extremos, estão o Avião e o Luís Nuno e, a separá-los de mim, respectivamente, o Fernando e o João, netos da Júlia padeira, os tais dois miúdos ultra-arreliadores que já vos falei a propósito do Largo de Castela. O local foi o saudoso jardim de Ourém junto à Câmara.

quarta-feira, março 23, 2005

A casa virada ao Sol Poente

Eis a fabulosa casa onde nasceram e cresceram o Luís Nuno e o Zé Avião. Casa onde entrei muitas vezes para participar em conversas e brincadeiras.
Lembro-me que eles tinham um estranho jogo com figuras de plástico cujos contornos já não sei precisar. Recordo também que era lá que jogávamos poker de dados de que o Luís contabilizava a evolução.
Muitas vezes, partíamos desta casa para o Central, o Avenida, a feira nova ou o ataque ao moinho.
E, um dia, também fomos daqui para o Largo de Castela.
Permanecemos lá em amena cavaqueira. De repente, um grupo de quatro ou cinco perdizes, em formação, atravessou Ourém. Uma delas parecia ter problemas...
Tinha mesmo. Veio cair na quingosta ao lado do quintal da Júlia padeira.
Corremos para lá para tentar apanhá-la. O pobre animal estava vivo, mas mexia-se mal. Ao fim de algum tempo, o Avião conseguiu apanhá-la.
Voltámos ao Largo de Castela. Ciente dos meus direitos por ter sido o primeiro a vê-la, disse:
- Dá cá...
Mas o Zé não estava pelos ajustes.
- Não, não, a perdiz é minha, eu é que a apanhei.
Tentei tirar-lha, mas ele era muito rápido, não tivesse já treino completo por toda a Ourém, e fugiu direito a casa acompanhado pelo irmão. Ainda lhes atirei com um pedregulho da calçada que felizmente não acertou no alvo.
E, nessa noite, a perdiz foi saboreada na casa virada ao Sol Poente, perante o desespero dos habitantes da casa do Largo de Castela

E lá longe ouviam-se os Animals...
 

segunda-feira, janeiro 03, 2005

AS MINHAS MEMÓRIAS - 5
Por Zé Rito

Os "Estúdios Trine" deixaram de existir pelo facto de ter saido de Ourém, por motivos profissionais, aliado ao facto de, uma vez em Coimbra, ter vendido o aparelho. Quando me apercebi, anos depois, do que foi feito tentei outro aparelho que reproduzisse aquelas bobinas. Não só não consegui como se perdeu o rasto às bobinas. Uma catástrofe.

Sei que chegaram a estar na Assembleia da República para, através do material lá existente, conseguir-se a sua recuperação. Estou convencido que alguém se aproveitou da situação e ficou com o material aproveitando-o para fins comerciais. Mas é só uma ideia.

Não queria fechar "As minhas memórias" sem deixar de falar, ainda que superficialmente, em quatro pessoas que, algures em Ourém, marcaram, para mim, a década de 60.

1- O Néné, do qual já falei anteriormente, o qual foi mimoseado por crónicas que fazia no "Notícias de Ourém", sob o pseudónio de "Ego Cauny".
Uma das vezes, apelidei-o de "pintor privativo" da Câmara já que andava a pintar com fundo preto e a branco os números das portas das Ruas da Vila. Teve o azar de em determinada Rua colocar do lado direito e esquerdo o mesmo número. Levou, brincando, "castanhada".

2- O Tóná, o qual se hoje fosse vivo andava triste com o seu Ourém. Dedicou uma vida aos jardins e parques, conservando uns e criando outros. Tudo desapareceu ou está a desaparecer.
Veja-se a Praça Agostinho Albano de Almeida, vulgo "Praça dos Carros" em frente ao Central. Nada de nada.
Foi justamente homenageado. No Café Avenida, foi colocada, a propósito, uma fotografia de corpo inteiro com a medida exacta dos seus 2 metros de altura.

3- O Zico Pereira, Comandante dos Bombeiros. Faleceu abruptamente vítima de uma injecção de penincilina. Tinha ido arrancar três ou quatro dentes, numa manhã, a Tomar. O dentista deu-lhe penincilina para utilizar no caso de ter dores. A meio da tarde saiu do armazém, com o filho João, direito ao consultório do Dr. Nini. Teve morte imediata. A prova da sua grande reputação foi transmitida no seu funeral com a presença de um mar de gente. Bombeiros de Norte a Sul do País fizeram-se representar.
Os Bombeiros da então Vila Nova de Ourém ficaram a perder com o seu desaparecimento.

4- Por último, o Ezequiel, no seu "habitat" ou seja o Café Avenida.

a) - Num belo fim de tarde/noite no alpendre do quintal do "Zé Mineiro" apanhei a que foi a minha primeira bebedeira comendo frango de churrasco regado com o bom vinho da casa.
Levaram-me para o Avenida e enfiaram-me não sei quantos cafés sem açúcar entre outras coisas. A finalidade era ser entregue em casa no melhor estado possível. O resultado foi que inundei a mesa e o chão de tudo o que tinha enfiado. Não esquecendo o vinho e o frango. O desgraçado do Ezequiel é que teve que limpar e eu, naturalmente, no dia seguinte pedir-lhe desculpa.

b) - Na altura eram administrados diversos cursos de cristandade. Todos os homens que o desejassem poderiam frequentar estes cursos. E quando saiam tratavam-se com um "tu cá, tu lá", mesmo que antes o tratamento fosse por você ou mesmo por Sr. Doutor ou Sr. Engenheiro. Ficaram conhecidos pelo "Curso dos Tus". Em determinada altura estes cursos tornaram-se extensivos às Senhoras. Foi quando, numa tarde em que estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde exibia-se ao bilhar, que fazendo rodar a porta giratória da entrada do Café entrou esbaforido o Paisana. Deu com o Ezequiel e entusiasticamente afirmou alto e bom som: Ezequiel, meu amigo, a partir de agora a minha mulher também é "tua".

c) - Eventualmente nós, em outra altura, estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde a jogar ao bilhar. Uma senhora, que estava em Ourém de passagem, levantou-se, dirigiu-se ao Ezequiel e perguntou: "Tem urinol?" . O Ezequiel no seu alto profissionalismo, conhecendo o local solicitado por "casa de banho" ou, eventualmente, "retrete" respondeu não se intimidando "Minha Senhora, neste momento está esgotado. Muito provávelmente para a semana já temos."

Por mim, vou-me despedir não até para a semana mas ATÉ SEMPRE!

Rio Torto, 2005-01-02
José Manuel Rito


sexta-feira, dezembro 31, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS - 4
Por Zé Rito

Os "Estúdios Trine" existiam em dois locais.

O primeiro prendia-se com a gravação de canções no chamado "Bairro dos Pobres". Eram retiradas de dois programas de rádio, a saber: "Quando o telefone toca" e, sobretudo, "Liga de Amigos da Rádio Renascença". Eu e o Zé Alberto fizémo-nos sócios e solicitávamos, como tal, as canções que entendíamos. O resto ficava dependente das outras solicitações. A pouco e pouco fomos enchendo as bobinas totalizando largas horas de música.

O segundo local tinha a ver com a audição. Era feita na redacção do "Notícias de Ourém", na Rua Teófilo Braga, junto ao velho Hospital Santo Agostinho. Era lá, com a conivência de meu Pai e do Sr. Pina, que o pessoal se reunia para, ouvindo música dos Estúdios, conversar e jogar, sobretudo, o loto. As bolas saiam e os números eram conhecidos por nomes de código,desde "patos marrecos" (22) ao "morreu enforcado" (70).

Lembra-me, de um dia, quando saíamos do Café Central para gravar, cruzámo-nos com o Zé Domingos que nos "intimou" a trazer para a sala de audição duas canções que, até à altura, nunca tínhamos ouvido falar. Tratava-se de "Unchain melody" e "Reach out i'll be there". "Estamos feitos", comentámos. "Lá vai a nossa reputação", acrescentámos. Mas o programa da Renascença salvou-nos "in extremis". Quando saimos de gravar íamos com as duas canções solicitadas prontas a serem difundidas logo que o Zé Domingos entrasse nas instalações do jornal.

Era aqui que falávamos das nossas preocupações e anseios ouvindo música durante as tardes de Sábado e Domingo. Era todos os dias à noite, depois de jogarmos às Damas no Café Avenida ou ao bilhar no Café Central que ficávamos junto à casa do "Manel do Raul", formando "O Poço", continuando essa mesma conversa.

Era com o aparelho debaixo do braço que íamos para bailaricos, sobretudo com destino ao Alqueidão.

Era com o aparelho que se ouvia e se retirava a letra de canções que interessavam para o reportório de um conjunto musical que houve na altura e que eu acompanhava. Introduzia, nos locais onde actuava, os seus intérpretes e posteriormente o nome das canções que iam tocando, preenchendo a sua actuação. Tratava-se do conjunto "Os Escaravelhos". E eu ia chamando-os e eles iam pegando no seu instrumento e começavam a tocar. Na bateria o Magalhães, no acordeão o Genito, na guitarra ou acordeão o Armando "cardâo" e como vocalista era um dos cunhados, o Carlos Alberto. Tinha o nome artístico de Alberto Carlos, para parecer com o Roberto Carlos. Começavam sempre com "E que tudo o mais vá para o Inferno".

Foi para o aparelho que durante uma tarde inteira estive no "Notícias de Ourém" a gravar com o Néné todo o seu reportório, através de um microfone adquirido em Lisboa. Para além da famosa "Volta ao Concelho" tinha muita canção que eu chamaria de operariado. Lembro-me que por cada canção gravada íamos à tasca do "Manel do Raul" para bebermos um copo.

Durante três anos, mais mês menos mês, durou os "Estúdios". Foi em meados de 1969 que mudei de profissão e fui até Coimbra para empregado do então Banco Lisboa & Açores. Agora já não é nem de Lisboa nem dos Açores..

Antes de, para a semana, terminar "As minhas memórias", queria desejar a todos que frequentam estas paragens um feliz ano de 2005 e façam o favor de serem felizes.

Rio Torto, 2004-12-26
José Manuel Rito

domingo, dezembro 19, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS - 3
Por Zé Rito


Entre a saída do Colégio e a entrada no mundo do trabalho mediou o espaço necessário para, como todos os mancebos, cumprir o serviço militar. Na altura era complicado. A necessidade, imposta pelo regime, de ir "defender a Pátria no Ultramar" e algures na Àfrica ser "carne para canhão" assustava qualquer um.

Foi com algum aperto na garganta que os meus Pais assistiram à minha ida, juntamente com o Luís Cúrdia, o Augusto Chapeleiro, vulgo Mina Guta, o Tó Lis, o Portugal, entre outros, até às instalações da Banda, para fazer a inspecção. Saí com a esperança de me safar, já que teria de ir ao Hospital de Tomar, onde, perante o Dr. Tamagnini, era reinspeccionado.

Fomos todos passar o dia na Nazaré tendo voltado com um chapéu de marinheiro para um baile, por nós organizado, que teve lugar no ringue do Atlético.

Guiné, Angola ou Moçambique foi o destino da maioria. Sei que três ficaram isentos de cumprir o serviço militar. Julgo que, para além de "moi même", safou-se o Portugal e o Mina Guta.

Enfim livre deste embróglio passei ao mundo do trabalho, como funcionário público, na Secretaria da Câmara.. Estávamos no fim do ano de 1965.

Foi na altura que foi criado para os velocípedes a obrigatoriedade da chapa amarela (1-VNO-00-01, etc.). E o chefe da Secretaria, de seu nome Hermenegildo Carrilho Escobar, incumbiu-me dessa tarefa.

Lembra-me, como colegas, do Sr. Honório, do Gonçalves, do Zé Félix, do Abel Vieira, da Maria Helena, da Lita, da Maria do Carmo, da Julieta Marçal, para além do meu Pai.

Ao fim do dia lá ia eu com o grande "Livro 8" à Tesouraria, onde com o chefe Baço fazíamos a conferência dos movimentos e das receitas.

Foi então que comecei a juntar o meu "pé de meia".
Em dado momento aventurei-me à aquisição de um gravador. Foi o início dos "Estúdios Trine".
Gravava em bobinas com duas faixas de cada lado em três velocidades. O altifalante estava incorporado na tampa.

Comecei a gravar música em casa mas as condições de recepção não eram as melhores. Foi então que surgiu a oportunidade de gravar a partir do rádio do Zé Alberto. Era um rádio recente que permitia com um cabo a ligação directa entre os aparelhos. O Zé Alberto vivia no Bairro Dr. Trigo de Negreiros. Daí o nome dos "Estúdios" ter o nome das primeiras sílabas do Bairro.

Rio Torto, Gouveia 2004-12-18
José Manuel Rito

terça-feira, dezembro 14, 2004

Eles acusaram o Natureza
Vejam-me este descaro:

Estávamos a fumar, às escondidas, por trás do ginásio.
Ao atirar as beatas fora para junto de um silvado que ali havia aconteceu o inevitável: começou a arder.
Fugimos para a encosta dos moinhos. Sorrateiramente démos a volta e chegámos ao local do crime vindo do lado oposto. Toda a gente com baldes conseguiu apagá-lo.
Alguém nos viu e denunciou-nos. Démos uma desculpa e atribuimos a autoria ao "Natureza" rapaz que vivia na Rua da Castela.
Durante muito tempo estive sempre à espera de ser chamado ao gabinete e prestar contas, que seriam pesadas, ao Dr. Armando.

Esta e outras revelações podem ser encontradas nas magníficas crónicas do Zé Rito, o nosso venerado "Avião".

sábado, dezembro 11, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS - 2
Por Zé Rito

Antes de entrar na época dos "Estúdios Trine" não queria deixar passar em claro a época do Fernão Lopes.

Durante a chamada instrução primária fomos "instruidos", e muito bem, diga-se, pela D. Aninhas durante quatro curtos anos.

Tínhamos como sala de aula o primeiro andar do edifício do Colégio com acesso exterior pelo recreio, em frente ao ginásio, através de dois lanços de escada.

Era nessa sala de aulas que aprendi muito do que ainda hoje sei, como se diz "de cor e salteado". Rios e afluentes, Serras ou linhas de caminho de ferro.

Era no recreio que jogávamos, sobretudo, à bola e em que eu, habituei-me a ir para a baliza talvez porque, para mim, dominar o esférico não era grande atributo.
Passei de seguida para o domínio do Dr. Armando. E o que deveria ser cinco risonhos anos tornaram-se, para mim, sete anos muito compridos.

Em termos de aproveitamento escolar fui um aluno q.b.. O pior era a voz autoritária, a mão pesada e a presença intimidatória do Dr. Armamdo.

Foi um excelente professor. Com ele, como professor de história, parecia que vivíamos os acontecimentos. Estou a ver o Gungunhana não querendo ajoelhar-se argumentando que o chão estava sujo ...

Passei por outros excelentes professores como a D. Nazaré, professora de matemática, alta, magra, sempre de bata branca, que lhe valeu o nome de "pau de giz". Em dada altura ela saiu por, alegadamente, problemas de vencimento. Sei que, manifestámos a nossa vontade em que ela voltasse. E apesar da rigidez do sistema os alunos acabaram por vencer. No ano seguinte voltava a ser a nossa professora. Penso que quem, na altura, a substituiu foi o Dr. Preto.

Passei também por um professor que só sei o none porque ficou conhecido. Veio de Àfrica e ensinava português. Vivia na Avenida, junto do Melo. Era o "Zebú". Para começar uma frase tinha que usar a expressão "Da..da..."

Em relação a ele lembro-me de quando chamou o Amílcar ao quadro e lhe disse "Da...da..., Amílcar escreve aí" . E o Amílcar escreveu "Da...da... Amílcar escreve aí!.

Também há que contar que era um excelente ... fotógrafo. Só que não vimos qualquer fotografia. Tirava, com a sua máquina fotografias a toda a gente. Em grupo ou separado. E quando pedíamos para ver essas fotografias,respondia invariavelmente. "Da... da perdi as chaves da gaveta onde as meti."

Quero lembrar, sem menosprezo para os outros alunos, o Barroso. Talvez porque quando chegava ia logo à sua procura. Talvez porque era o meu colega de carteira. Lembra-me que adivinhava sempre a altura exacta em que o Sr. Nunes tocava a campainha para sairmos. Talvez porque nunca mais o vi. Já lá vão quarenta anos.

Quero recordar ainda a Sâozinha Nunes. Por um facto que entristeceu a sua família. Decorria uma aula, na sala do lado do recreio, quando a sirene tocou. Passado algum tempo o Sr. Nunes bateu à porta solicitando a saida da Sãozinha. Viemos a saber que a avó tinha morrido carbonizada. Vivia numa casa entre os armazéns dos Pereira e a casa do Dr. Amândio.

Em acontecimentos elejo uma situação que se passou comigo e o meu irmão. Estávamos a fumar, às escondidas, por trás do ginásio. Ao atirar as beatas fora para junto de um silvado que ali havia originou o inevitável. Começou a arder. Fugimos para a encosta dos moinhos. Sorrateiramente démos a volta e chegámos ao local do crime vindo do lado oposto. Toda a gente com baldes conseguiu apagá-lo. Alguém nos viu e denunciou-nos. Démos uma desculpa e atribuimos a autoria ao "Natureza" rapaz que vivia na Rua da Castela. Durante muito tempo estive sempre à espera de ser chamado ao gabinete e prestar contas, que seriam pesadas, ao Dr. Armando.

Rio Torto, Gouveia 2004-12-11
José Manuel Rito

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Saudosismo
Na primeira das suas crónicas no Ourem, o Zé Rito, o nosso venerado "Avião", diz-nos que não pretende despertar saudosismos.
Mas será o saudosismo uma coisa assim tão má, tão negativa?
Pessoalmente, não me importo nada de olhar para trás e afirmar quanto apreciei uma dada vivência, que inclusivamente gostaria de a repetir ou voltar a ela.
Por exemplo, o dia de hoje...
Foi, quase sempre, para mim o dia da mãe.
Vivi-o até àquele dia em que parece que tudo acaba por desaparecer quem nos dá a sensação de nos segurar a este universo. Apesar das mudanças burocráticas que o transferiram para a zona de Maio nunca deixei de o sentir nos mesmos moldes que os primeiros anos me ensinaram. E lá vem a saudade, o pessimismo quanto ao presente, ... enfim, é melhor estar calado...

segunda-feira, dezembro 06, 2004

AS MINHAS MEMÓRIAS
Por Zé Rito

As minhas memórias são escassas e têm um tempo definido.
Para além do Fernão Lopes o que poderei contar são episódios vividos até ao ano de 1969, altura em que a minha vida profissional me retirou do Poço e de outros locais, como o Café Avenida onde pontuava o Ezequiel e o Fernando Forte.
Passei, sobretudo, depois da fase escolar com a D. Aninhas, como professora, em que eu me deslocava Rua da Castela acima, Rua da Castela abaixo, na tal motorizada virtual, que até tinha marcha atrás, e que me valeu, na altura, o cognome de "Zé Avião", e depois, na fase seguinte, com o Dr. Armando, o Zebú, a Pau de Giz, a Botija e outros, não esquecendo o Sr. Nunes. Passei, dizia, pelos "Estúdios Trine", o conjunto "Os Escaravelhos", a fase jornalística, em que utilizava o pseudónimo de Ego Cauny, entre outras.
Este espaço não tem mais do que dar um, ainda que pequeno, contributo para que todos que o visitem relembrarem tempos vividos em determinada época sem, espero eu, despertar saudosismos.
Contar por contar.
Despertar outros a fazerem o mesmo.
Contribuir para, no fim, juntar as peças e constituir uma história que será a história das nossas vidas em Ourém.
Dado que os "Estúdios Trine" foram vividos de forma particular, na companhia do Zé Alberto, na segunda metade da década de 60, vou a partir dos estúdios recordar "as minhas memórias".
Até lá..

domingo, novembro 14, 2004

Última hora
E quando já desesperava sem matéria para alimentar este blog, eis que recebo excelente notícia: O Zé Rito, o nosso venerado Avião, vai escrever, acerca dos Estúdios Trini. Eis a sua promessa:
Olá. Só agora tive tempo para ler a tua mensagem, embora soubesse de imediato que tinha recebido pelo telele. Prometo que vou escrever sobre os Estúdios
Trine, a sua origem e alguns episódios curiosos dentro do que me lembro. Vou, se
possível, utilizar esta via. Era bom que o Zé Alberto também contribuisse pois
ele terá a sua versão. Até breve. Um abraço.
Zé Rito

Zé Alberto, espero que vejas aquela referência e que actues em conformidade...

segunda-feira, agosto 09, 2004

O «maquitan»

Era uma tarde de futebol no largo de Castela.
JOgava-se com empenho à procura do golo. O Jó Alho era o mais habilidoso, um autêntico médio de ataque benfiquista que só Ourém conseguiu descobrir.
O Manel não lhe ficava muito atrás. Bom a fintar e a idealizar jogo era mais possante e isso dava grande solidez à sua equipa.
O Luís Cúrdia tinha mais um ou dois anos pelo que a diferença física dava de imediato superioridade a quem jogava com ele.
O Luís Nuno era o guarda-redes de eleição. Um autêntico Carlos Gomes, que então brilhava pelo Sporting.
A minha modéstia proibe-me de falar no mais desajeitado ponta de lança que Ourém alguma vez conheceu, mas que, de vez em quando, marcava um golito.
O Zé Rito jogava, relatava e fazia de árbitro.
O Mina Guta trazia rapidez e argúcia a qualquer equipa.
Eram estes e outros heróis que, em certo dia da década de cinquenta do século passado, depois de os capitães de equipa escolherem, após moeda ao ar, os guerreiros de cada lado, procedimento em que, estranhamente, eu ficava sempre para o fim, disputavam renhida partida naquela fabuloso estádio.
A minha equipa já vencia por uns claros três a zero.
De repente, vindo daquela rua que se iniciava frente àquele local onde hoje funciona a Dirup, que passava frente à casa do Luís Nuno e ao atelier do Souto, ouve-se um monumental ruído que atroa oa ares.
Os jogadores param apreensivos. Que se passaria? Seria o George a ensaiar, uns cinquenta anos antes, a operação estrondo e terror, já a pensar na famosa cruzada em que se empenharia no início do século XXI?
O ruído continuava enorme e ouvia-se lata a bater sobre lata.
Ao fim de algum tempo, o mistério era esclarecido.
Um carrinho, um Austin de eleição, daqueles mais ou menos de forma semelhante aos actuais Partner ou Kangoo, carregado com balanças, entra pelo largo de Castela em baixa velocidade e com ruído elevado.
Era o maquitan.
Lá dentro, o João Honório gozava o susto que nos tinha pregado.
Excelente pessoa, foi outro dos que puderam desfrutar o prazer de habitar a casa do Largo de Castela, após eu a ter deixado. Tantas vezes lá voltei para ele me emprestar os magníficos Búfalos e Bisontes que possuia.
Agora, ali, estacionava junto à casa da Dona Aurora e permitia que nós, com o devido cuidado, continuássemos o jogo.

quinta-feira, junho 03, 2004

Alcunhas oureenses

Vamos actualizar o inventário de alcunhas constante do livro do Dr. Durão que já apresentámos. Limitamo-nos à caracterização de pormenores que nos eram simpáticos nas pessoas em questão. Por isso, calámos outras que sabemos existentes, mas exploram eventuais ressentimentos ou poderão ser mal interpretadas.

Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.

Chien. Obviamente que não podemos esquecer o grande amigo que era o sr. Ezequiel que trabalhava no Café Avenida e com o qual contactávamos todos os dias. As suas características não passaram em claro ao Jó Rodrigues que se encarregou de o eternizar com esta alcunha. É pai de um distinto oureense.

Jones Bittus. Tratamento carinhoso que, sob responsabilidade do Jó Rodrigues, foi atribuído a um oureense de outra geração que nos era muito simpático, o sr. Júlio barbeiro, só por si responsável pelo nascimento de dois distintos oureenses.

Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.

Pele e Osso. Se não estou em erro, era o nome pelo qual era conhecido o Chico César, praticamente o único oureense que se atrevia a usar máscara no Carnaval e que, segundo reza a lenda (Jó Rodrigues) terá tido um dia a perna atravessada por uma cana de foguete.

Robalo. Provém de Ribeiro, passou por Ribeirinho, Ribeirinho que estás tu a murmurar,… depois não sei porque metamorfoses linguísticas se terá fixado em Robalo a designação com que distintos oureenses resolveram brindar este V. servidor. A verdade é que, ainda hoje, muitos me tratam por esta alcunha.

Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.

quinta-feira, maio 27, 2004

O Piromaníaco

Recordo Ourém, há cinquenta anos, talvez lá para 1953/54 ou mesmo antes.
Desfrutava a magnífica casa do Largo de Castela.
A partir daquela janela sobre a porta de entrada, dominava todo o espaço circundante.
Em frente, a rua que conduz à avenida. Mais ou menos a cinquenta metros, ficava a casa da Vizinha e do Rafael. Ela era uma espécie de terceira mãe sempre pronta a proteger-me em momentos difíeis, ele um verdadeiro avôzinho que me levava a passear pelos pinhais e até ao rio para que, de lingrinhas, ultraleve e doentio, me transformasse em alguém forte e saudável.
Mais abaixo, a casa do Luís Nuno e do Zé Rito à frente da qual ficavam os quintais onde o sr. Isidro guardava as galinhas que transacionava. Ao fundo e, já a dar para a avenida, o estabelecimento comercial do sr. Adelino e, do outro lado da rua, um sítio onde me lembro que se comprava carvão.
O largo de Castela, famoso pelas formidáveis partidas de futebol que possibilitava, era rodeado por mais duas casas relativamente habitáveis e por outra em piores condições. À direita, era a padaria da Júlia padeira e do sr. Zé Maria, avós do Fernando e do João, dois miúdos ultra-arreliadores primos do Quim e do Julito. Ela era a fornecedora do magnífico pão que podíamos saborear na época; do lado esquerdo era a casa da Dona Aurora, mãe da Aurorita que me ensinou as primeiras letras e números.
Em frente à padaria e do outro lado da rua, numa casa que penso que ainda lá está, o Souto dedicava-se ao trabalho artesanal de construir jaulas em madeira, cortando pacientemente pequenos pausinhos e descacando-os com uma navalha para depois os assemblar em estruturas mais complexas. Eu passava horas e horas a contemplar esse trabalho, embevecido e sem pensar nos pobres animais que iam ali ser guardados e torturados.
Por vezes, o espectáculo a partir da casa era mais animado. Se não estou em erro, regularmente, pelo dia três, realizava-se a feira do mês no largo junto à escola da Dona Iria, perto da prisão da GNR. E a rua de Castela enchia-se das mais diversas espécies de animais - ovelhas, carneiros, cabritos, burros, vacas, mulas - que a desciam para se dirigirem ao largo da feira onde eram transacionados. O ruído dos chocalhos, a mistura dos sons produzidos pelos animais e pelas pessoas que os controlavam, o seu tropel eram magníficos dando a tudo aquilo uma sensação que de semelhante só se encontrava nos filmes do Oeste com as cavalgadas junto aos bisontes ou a manadas de gado tresmalhadas. Eu abria a porta e via todo aquele ondulado barulhento a passar. Depois era de novo o silêncio, a rua ficava um pouco suja com excrementos do tipo azeitona e, no mês seguinte, lá se repetia a história.
Mas o objectivo do nosso post de hoje é a casa do largo de Castela.
Vamos até lá e entremos.
Logo do lado direito, uma escada conduzia-nos à parte superior da casa. Subindo-a, há que fazer um ângulo de noventa graus à esquerda para termos acesso às várias divisões.
À direita, existia uma casa de banho com um anexo que, com uma escada, permitia o acesso ao sótão.
Em frente, era o quarto do meu irmão. Lembro-me que ele tinha uma cama de metal toda bonita, uma mesa de cabeceira onde religiosamente guardava a colecção do Mundo de Aventuras que eu, com a mania de tudo ler, e, aproveitando uma possibilidade de acesso retirando a gaveta superior, contribuí para destruir e uma pequena estante com um rádio onde, na época, se ouviam delícias como os folhetins do Tide e do Omo, adaptados por Alice Ogando e cujo começo era mais ou menos assim: Teatro Tide apresenta.... a gata...
Do lado esquerdo era o meu quarto, do qual tenho a primeira recordação desta minha passagem por este efémero planeta, onde tive a honra de conhecer os meus excelsos amigos, e que se resume simplesmente a isto: um acordar, sentindo qualquer coisa junto aos dedos que se ia desfazendo e que era, afinal, a parede do quarto que eu riscava com as unhas. Ao lado, era o quarto dos meus pais.
Na parte de baixo, a casa tinha menos divisões devido ao espaço que a monumental escada ocupava. Assim do lado esquerdo, tinha uma verdadeira sala de jantar, onde a minha mãe, à quinta-feira, escondia as tangerinas que eu depois me entretinha a procurar para meu exclusivo proveito.
Em frente, era a cozinha que tinha uma despensa relativamente grande. Na altura, ainda não tínhamos fogão a gaz, pelo que o fogareiro de petróleo e aquele fogareiro a carvão do tipo que se utiliza quando fazemos grelhados nas praias eram os mais usados. Assim, em minha casa, na despensa, havia sempre caruma e carvão. E um dia a contemplação daquela caruma deu-me uma brilhante ideia.
Estava sózinho na parte de baixo, ouvia-se o Tony de Matos:
O vendaval passou, nada mais resta...
e eu, pé ante pé, vou até à cozinha para me apoderar dos fósforos, dirigindo-me posteriormente para a despensa. Risquei o primeiro fósforo e, depois de aceso, atirei-o para cima das carumas.
Frustrado, vi que se apagou no ar, pelo que pensei logo em repetir a operação. Como não era muito corajoso, não me aproximei suficientemente e o resultado era sempre o mesmo: fumaça e algum cheiro...
E estava eu todo entretido nesta operação que, mais tarde, me lembraria o que possibilitou aquela cena de Nero a contemplar Roma, quando oiço a voz da minha mãe: Oh Luís! O que é que estás tu a fazer?
Gelei, fiquei paralizado. Só me ocorreu uma resposta: era para ouvir a sirene dos bombeiros...
Não sei se a a sova foi grande ou pequena, sei que deu para fugir de casa, ir até à casa da Vizinha, para me acolher à sua quase maternal protecção, dar umas voltas a fugir em torno da cama, enquanto a minha mãe, ainda relativamente jovem, me perseguia com algo na mão e que eu não queria que me fizesse chegar a roupa ao pelo.
A Vizinha, sempre conciliadora, lá conseguiu acalmá-la e o caso ficou por aqui depois de eu fazer mil promessas de que nunca mais repetiria tão valente feito.
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