quinta-feira, agosto 06, 2015
A cidade dos gatos
segunda-feira, julho 25, 2011
Manhãs tristes de Ourém
quinta-feira, setembro 27, 2007
Este ano, durante as férias, tive o privilégio da companhia de uma série de bichanos que não posso deixar de vos apresentar e cuja memória faço questão de aqui perpetuar.
Ficámos cheios de pena quando os abandonámos, mas não havia outra possibilidade pois não se deixavam apanhar e seria criminoso separar uns dos outros
Mascarilha
Um gatinho preto e branco com uma ligeira distorção do negro sobre o olho direito. Era o mais atrevido e o mais chegado a nós, chegando a entrar em casa, mas fugindo a sete pés mal tentava aproximar-me. Creio que se ficássemos mais dias ele se aproximaria mais
Zorro
Como podem apreciar, neste a máscara é perfeita. O Zorro nunca se aproximou muito, apesar de quase gémeo do MAscarilha com quem passava o dia a brincar.
Blackcat and Litle Blackcat I
Blackcat é mãe de uma série de gatinhos quase tão magra e pequenina como eles. Foi o primeiro com que deparámos e tornou-se especial pois permitia que a nossa mão a afagasse embora esperneasse como uma louca mal a tentávamos apanhar. Quase que se ofereceu para vir connosco, mas nunca a separaríamos dos filhotes.
Tigre de Cabanas e cinzentão dorminhoco
Estes não passavam mesmo cartão ao pessoal. Bom, à hora da comida, o tigre olhava descaradamente para nós com cara de quem não está para brincadeiras e, em pouco tempo, convencia-nos a servi-lo. O cinzentão dorminhoco, mal cheirava a comida, ligava o turbo e ninguém podia concorrer com ele no prato que escolhia.
Não posso deixar de registar no blog mais um gatinho que não consegui fotografar: o "ursinho", imaginam a mescla de cores escuras que o caraterizavam. Também era amistoso e, por isso, nunca será esquecido...
quarta-feira, março 14, 2007
Olá!
Não pensem que sou a Pipoca d'Ourem. Não. Eu sou um gato de cidade, nasci no Algarve, junto ao aldeamento Pedras da Rainha onde, aproveitando um momento de distração, fui raptada, apenas com um mês de idade. Sou uma princesa, gosto das minhas mordomias, não estou habituada a pôr um pé fora de casa. Os meus servidores, auto-intitulados donos, trouxeram-me para aqui, mas não pensem que saio do carro. Ainda me punham a caçar esses horrorosos bichos que povoam o espaço que idolatram...
Reparem nas minhas orelhas. Não sou gato que goste muito de brincadeiras. Não tenho aspecto amigável, estou sempre danada e pronta a dar a minha ferroada. Ao contrário desse outro que povoa o blog do anónimo e anda sempre a exibir olhos de carneiro mal morto como se fosse muito terno e bonzinho. Eu não nego que os tais donos só o são enquanto me servirem...
Podem ir.
Prometeram-me um marcador, aqui, no blog. Nem outra coisa era de esperar tanto já tentaram me obrigar a servi-los. Até me quiseram nomear assessor para a segurança do presidente. Felizmente, o povo não foi na conversa. Ao contrário do que eles dizem, o povo tem sempre razão e faz muito bem as suas escolhas. Será que o meu dono era capaz de lhes trazer um Intermarché? Não creiam, ele tem a mania que é comuna e ainda nacionalizava tudo... Lá recuperava a Aldeia de Castela e tramava o negócio dos especuladores. E, com o outro, hoje podem apreciar magnífico espaço comercial... onde espero existam mil sabores para gato fino de cidade...
terça-feira, fevereiro 06, 2007
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Porta #4: Amigo da bicharada
Há dias, estava no Central e ouvia o miar lancinente de uma série de gatos, entretanto abandonados pelo facto de a sua dona estar numa condição física que não lhe permitia prosseguir o tratamento. Vistos do café, em cima do telhado, ao fim do dia, com restos de Sol projectados sobre eles, mostravam toda a sua beleza. Mas a situação não deixava de ser muito triste e a questão ocorreu imediatamente: não existirão serviços na autarquia que os possam recolher, tratar e eventualmente reencaminhar para adopção?
Ourém, noutros tempos, era uma terra amiga da bicharada. Que o digam os familiares do médico veterinário que nos legou um Caderno de apontamentos e cujo carteiro procurava o devaneio nocturno. Que o diga a estória do gato cirúrgico ou a paciência do Tejo naquele dia em que resolvi dar-lhe um banho.
Mas mais enternecedor que tudo isso é, com certeza, este poema de António Gedeão que nos traz a preocupação do ser humano com estes amigos quando sente a inevitabilidade de os vir a abandonar.
Poema do gato
Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?
Sempre que pode
foge prá rua,
cheira o passeio
e volta pra trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.
Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.
Quando abro a porta corre pra mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.
Repito a festa,
vagarosamente.
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas.
e rosna.
Rosna, deliquescente,
abraça-me
e adormece.
Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?
António Gedeão
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Mirem-me esta fotografia. O diabo daqueles olhos seguem-me para todo o lado. Sento-me a ler o jornal e vem para o meu colo. Deito-me, tento dormir e vem para cima de mim. Se, por acaso, adormeço, arranha todas as peças disponíveis para me fazer acordar e levantar.Agora, vejam como ele me fita...
Será aquilo natural? Não será por acaso um espião programado para registar tudo o que faço e me torturar no dia a dia? Será mesmo um gato ou será um objecto com a sua forma?
terça-feira, janeiro 24, 2006

Em acção

Olá, amigos oureenses.
O dia de hoje é exclusivamente dedicado ao nosso amigo Sylvester, gato cujas peripécias são um manifesto de tenacidade, improviso, loucura...
Um verdadeiro gato, ao contrário de outros que passam o tempo em marradinhas e lamúrias.
Em casa, a Pipoca tem algum destas qualidades. Por volta das cinco da manhã, acorda (após ter passado vinte e duas horas a dormir, interrompidas por suculentas refeições) e então tudo faz para exigir que me levante: deita o relógio para o chão, as fotografias, salta para cima da cómoda, passeia-se por cima da mesa de cabeceira, vê-se ao espelho e arranha-o, joga à bola... até conseguir que este pobre ser que procura umas horas de descanso se levante para lhe servir o pequeno almoço e alguma água matinal...
E está tudo dito.
Deixo-vos com algumas imagens do Sylvester...
segunda-feira, janeiro 23, 2006

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
Fernando Pessoa, 1-1931
(mais Pessoa)
Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?
Sempre que pode
foge prá rua,
cheira o passeio
e volta pra trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.
Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga,
e ele bem sabe.
Quando abro a porta corre pra mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego-lhe ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.
Repito a festa,
vagarosamente.
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas.
e rosna.
Rosna, deliquescente,
abraça-me
e adormece.
Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?
António Gedeão
in Os gatos e a poesia
"Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura.
É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação.
Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual."
(«Perde o gato» - crónica de Carlos Drummond de Andrade)

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!
Álvaro de Campos, 7-11-1933
terça-feira, janeiro 10, 2006

O mutante
Vi nesta fotografia a celebração da recepção que dispensaste aos teus donos e senhores recentemente chegados do gozo de férias.
E pareceu-me que tinhas sido sujeito a qualquer mutação genética. Aquelas unhas de fora bem presas na camisola dele... Aqueles olhos de carneiro mal morto... Aqueles mios lânguidos de que ele nos fala no post...
Que se passa contigo, Mounty?
Porventura não vês que eles se livraram de ti por quinze dias? Se fosse comigo, não lhes ligaria nenhuma durante três dias e haviam de sentir-me afiambrar-lhes o dente nas pernas duas ou três vezes quando menos o esperassem. Mas de ti, já nada posso esperar que faça lembrar as felinas qualidades... És, em aparência, gato e, na essência, cordeiro...
sábado, dezembro 17, 2005
Luta pela subsistência

Quero comidinha!

Olá!
Este é o Manelinho, um gatinho vadio, visita frequente de minha casa à procura de comidinha. Já perdeu uma vista na sua difícil luta pela subsistência.
Apesar de tudo, prefere permanecer na rua. Não se deixa apanhar e ao mínimo movimento de aproximação foge imediatamente.
Mas é ultra simpático. Após ser bem tratado, se houver sol, deita-se na pedra bem esticadinho e brinda-nos com uma sesta.
domingo, dezembro 04, 2005

Pilita

Olá!
Apresento-vos a Pilita, uma gatinha que vive em Fátima.
É muito mansinha, mas tem o malvado hábito de começar a lamber as mãos de quem pega nela e não parar. É uma manifestação de ternura, mas prefiro as traquinices da Pipoca, que já conhecem, que gosta muito de deixar rasgãozinho na nossa pele ou os dentinhos bem marcados, para além de fazer isso com as orelhas para trás e uma terrível cara de furor.
E, para Domingo, o blog está actualizado...
quarta-feira, novembro 23, 2005
quinta-feira, outubro 27, 2005
Lá fora, o uivar do vento e a chuva lembram-me a Ourém do meu tempo. Ainda havia árvores na cidade. Com temporal assim, no entanto, o melhor era ficar em casa e digerir este ruído entediante talvez junto a uma braseira e, obviamente, com o gato a dormir no quentinho. Um dia a tempestade foi mais forte, veio com trovoada e um raio caiu bem perto. A sensação da bola de fogo ainda não se me apagou...
Hoje, celebra(va)-se o dia principal da Feira Nova. Não creio que, com temporal como este, muitos arrisquem a rua. Mas havia muito mais frio. Já andávamos de samarra, com gola de raposa e tudo, e muitos éramos bafejados pelas frieiras nas orelhas.
Tudo muda, é verdade. A própria Feira converteu-se num conjunto de divertimentos ruidosos sem graça que só aborrecem quem mora perto. David continuará a afastar a Ourém do meu tempo cada vez mais para o espaço fantasmagórico da recordação. E nenhuma tempestade se abate sobre ele...



