quarta-feira, julho 06, 2011

A surpresa

O homem já diz que levou um murro no estômago.
Por muito que, como patriotas, nos custe, faz-lhe bem: não eram ele e o seu mentor de Belém tão autoconfiantes nas suas capacidades que iludiram a existência da crise internacional e apoiaram discursos de tomada de posse do tipo "derruba governos"?
Está claro que o nosso país não ultrapassará a crise mantendo-se no actual contexto. O benefício da dúvida extinguiu-se, mas o prejuízo da dívida mantem-se. Também já desconfio que uma reestruturação não será suficiente: é a diferença estrutural entre economias participantes no euro que dita alguns dos males que sofremos; mesmo que eliminemos a dívida, a breve trecho, permanecendo tudo como está, voltaremos ao mesmo. Na ausência de uma verdadeira solidariedade e integração a nível europeu, o caminho é preparar conscientemente a saída do euro...

sexta-feira, julho 01, 2011

E como será a vigarice daqui a 3 meses?

Se consultarmos os dados do INE, veremos que as necessidades de financiamento da economia em milhões de euros foram, por trimestre, respectivamente, desde o segundo trimestre de 2010: -4.731, -2.327, -3.277, -2.985.
No próximo trimestre, esgota-se o efeito do valor negativo, -4.731 e, se admitirmos que o defice do segundo trimestre de 2011 será semelhante ao do primeiro, como foi no ano anterior, a cadeia de valores para o apuramento será: -2.327, -3.277, -2.985, -2.985 o que se traduzirá num déficit de 6,7% para o ano assim considerado.
E depois? Manter-se-á a tendência para as necessidades de financiamento serem bem inferiores no terceiro trimestre que nos restantes? Se assim for, o objectivo dos 5,9% estará praticamente garantido no terceiro trimestre...
E já não falo na ajuda do roubo dos 800 milhões do subsidio de Natal cujo efeito se sentirá no último trimestre.
Claro, com a política dos outros, mas por obra e graça do novo PM: eis Step the Rabbit no seu melhor...

quinta-feira, junho 30, 2011

Derrapagem para a austeridade

O governo prepara-se para anunciar mais medidas de austeridade.
Entre os seus fundamentos está algo que me parece uma mentira e que os jornais não param de propagandear: ontem, o INE anunciou um déficit de 7,7% para o ano que decorreu entre o final de Março de 2010 e Março de 2011; O DN começou por falar em 8,7% no primeiro trimestre e depois corrigiu para os 7,7%; a SIC manteve o número errado e bem assim o período; tudo alinhou pelo mesmo ponto de vista, o da derrapagem e a sua distância para o objectivo de 5,9%.
Estarão todos loucos? Serão todos mentirosos? Ou estarei eu a ver mal?
Um déficit de 7,7% no ano assim definido significa uma acentuada descida em relação ao déficit apurado no final do ano de 8,6% e está inteiramente de acordo com as perspectivas anunciadas pelo anterior governo baseadas nos seus dados sobre execução orçamental. Para esse déficit foram considerados três trimestres de 2010 e um de 2011. Uma média ponderada considerando o valor de 2010 três vezes e o valor final apurado mostra que o déficit do primeiro trimestre deve andar perto dos 5% (=7,7%*4 - 8,6*3, em termos simplistas). No entanto, fala-se em 7,7%. Mente-se.
Mais logo, Passos Coelho, baseado nesta mentira vai anunciar mais medidas de austeridade entre as quais uma taxa especial e única sobre o IRS. Começa mal, muito mal... e estranhamente ninguém do PS, BE ou PC denuncia esta miserável orquestração.

domingo, junho 05, 2011

Fatinho de eleições

De calção e polo...
Já lá fui. Bolas! Não é que ontem, respeitável criatura, com cara de pau, veio dizer-me que, se não votasse, não poderia criticar o governo? Felizmente, o dito não pode mudar a Constituição...
Apesar de tudo, ainda encontro saída no actual sistema, por isso, sou dos mais cuidadosos em exercer o direito de voto.
Agora, é esperar. Confesso que as perspectivas não são animadoras, mas garanti, na perspectiva do tal senhor, o direito à crítica...

terça-feira, maio 10, 2011

UE: uma sigla para Usurários Excessivos

Mas que grande ajuda: juros a 5,5%!
Haverá algum país em recessão e com uma dívida pública quase igual à totalidade do PIB que consiga suportar isto?
Por isso, querem à viva força cortar em tudo: para garantir esta remuneração faraónica do capital especulativo que apelidaram de ajuda.
Mas será que o pessoal do PS não vê? Não haverá um pouco de consciência naquela gente, naqueles dirigentes?
Com juros destes, vale mais arriscar o descrédito que a reestruturação implica e tentar outros caminhos...
Com europeus destes, tenho de ser eurocético: o sonho era bonito, mas os parceiros não são de confiança.

segunda-feira, maio 09, 2011

Mais troikista que a troika

A verdade é que Step the Rabbit não está contente com as medidas da troika. Elas não lhe chegam. É preciso acabar com os governos civis, é preciso diminuir o número de membros do conselho de administração das empresas públicas, há que diminuir o número de deputados...
Confesso a minha simpatia por algumas das medidas. Dir-se-ia que elas materializam alguns dos impulsos que se sente nos não políticos.
Mas não serão estas medidas um engodo para esconder outras mais sérias e perigosas? Que pensarão os trabalhadores da RTP quando parece que mão destruidora vai cair sobre a mesma? E que julgar da privatização da CGD se calhar já com potenciais compradores a postos para o ataque ao bife do lombo?
E haverá alguma ligação lógica naquilo tudo? Baixar a taxa social única descapitaliza a Segurança Social e, se compensada com impostos, atira encargos do patronato para a generalidade doc contribuintes, indo financiar o Estado e não a SS.
As eleições de Junho vão ser muito importantes. E seria bom que contribuissem não para se determinar quem vai pôr em prática o acordo com a troika, mas como será possível uma unidade para descobrir uma alternativa credível que faça pagar a crise aos que criaram as ilusões que conduziram à mesma...

quarta-feira, maio 04, 2011

E será que eles conseguiram enganar a "troika"?

E quando já se previa o pior dos cenários para os reformados pobres e para a generalidade dos trabalhadores, eis que o primeiro ministro surge na TV e informa:
- Não haverá cortes no 13º mês nem no subsídio de Natal.
- Não haverá cortes em pensões inferiores a 1500 euros.
Os receios relativos à modificação da idade de reforma também se dissiparam, confirmando-se a actualização de algumas taxas do IVA.
Isto é, voltou-se a uma versão da desgraça perto do PEC4.
Curiosamente, o PSD apareceu desde logo a saudar o acordo e a dizer que o mesmo era melhor que aquele programa. O CDS também reinvindica alguma bondade do acordo gerado.
Em resumo, os dois partidos da alternação estão contentes acontecendo o mesmo à muleta de direita.
Mas a verdade é que, depois de terem contribuído para levar o país quase à bancarrota, acabaram por aceitar quase todas as medidas que levianamente tinham rejeitado anteriormente. Há assim uma monumental vitória de Sócrates que vê as suas medidas implementadas com o apoio de três organizações internacionais, consegue um apoio financeiro que lhe permite respirar relativamente aos mercados durante algum tempo, consegue suavizar o esforço de consolidação e está posicionado para eleições com uma aderência fortíssima no interior do partido. Curiosamente, os esqueletos que sairam do armário pouco significado tiveram e devem ser considerados apenas como alterações metodológicas.
Step the Rabbit é assim a imagem da infantilidade derrotada pela experiência, é o miúdo que quer chegar ao poder a todo o preço e dá o tiro no pé, sendo de prever que muitas figuras laranja vão dentro em breve mostrar a sua raiva relativamente à nova situação e tendo de pôr-se a hipótese de não conseguirem uma dinâmica para ganhar as eleições. E que resultará destas? Um governo fraco com certeza... o que significa que a crise não vai ter solução com estes actores...

segunda-feira, abril 25, 2011

Um adeus à Pipoca



Agosto(?) de 2000 - 25 de Abril de 2011

Na comemoração de um dos dias mais felizes da minha vida, ela partiu.
Foi uma grande amiga e companheira durante estes onze anos. Os últimos meses foram difíceis, pois sempre que surgia uma crise era pior que a anterior.
Agora, fica a doce recordação da Pipoca que em tantas páginas contribuiu para o OUREM. Mas tudo parece vazio...

sexta-feira, abril 22, 2011

Bronquite aguda

A bronquite aguda continua a atacar nas hostes laranja. Desta vez, foi o homem da relva:
"Enquanto produzirmos como marroquinos não podemos gastar como alemães."
Parece que o autor de tão inteligente comentário esqueceu que Marrocos cresce a uma taxa de 5% ou 6% ao ano e geograficamente não está tão longe de nós que se possa aceitar um tão significativo desprezo pelo relacionamento.
A salvação do PSD está em que a troika mande calar esta gente...

quinta-feira, abril 21, 2011

A questão da tolerância de ponto

Eu à espera que os arautos da burguesia trouxessem planos para um capitalismo resplandencente que ajudasse a tirar o país da fossa para onde o atiraram, que ajudasse a desenvolver as forças produtivas e o que vejo e oiço é uma histeria colectiva contra a tradicional tolerância de ponto na quinta-feira anterior ao domingo de Páscoa.
Começou com essa figura ridícula que é o presidente dos patrões, o sr Saraiva da CIP. Óbviamente, o dr. Passos tinha de acompanhar e a própria troika parece que está escandalizada...
Devo dizer que sou abertamente pela tolerância de ponto. Mais, todos os portugueses quer trabalhem na pública ou na privada, deviam desfrutar da mesma. Ela é uma forma de compensação da força que gastámos num período longo de trabalho, ela permite uma fuga do meio urbano, ela permite uma vinda até Ourém e, na segunda, vamos com muito mais força para a manif do 25...
Mas esta insistência das pessoas referidas e outras relativamente a este assunto demonstra mais uma vez uma coisa: é que não têm uma única ideia séria* para desenvolver o país...

* minto, o sr. Saraiva tem uma ideia: quer que a troika faça mudar a Constituição para que o patronato possa negociar a baixa de salários com a força de trabalho.
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