sábado, maio 20, 2006

Pobres reformados

Diz o Expresso que o Governo prepara o ataque ao 14º mês dos reformados, correspondente ao subsídio de férias, citando o secretário de EStado do Orçamento, Emanuel Santos.
Mais uma vez mostram a coragem que o PSD e a chamada direita nunca têm, tomando as medidas necessárias contra tudo e contra todos... é pena é que se esqueçam da casta ultraprotegida em que pululam.
Dizem-se socialistas, mas o que socializam é a miséria...
Unânime deprimência

A acta de 2 de Maio das reuniões da casa amarela é o testemunho da preparação de mais um ataque urbicida à nossa terra, com pontaria para a aldeia de Castela e sob o pretexto circulação e estacionamento na envolvente Centro de Saúde. Desta vez, com a unânime conivência dos vereadores do PS.
É lamentável!

sexta-feira, maio 19, 2006

A arte do OUREM
A capa do nosso CD



Bolas!
Vocês estão de todo!
Nem um comentariozinho para animar isto. Fazem-me lembrar o presidente David que não passa cartão a ninguém.
Deixo-vos...
... com a capa que idealizei para o CD e para o segundo volume do estórias, se o houver. Antes, virámo-nos para os moinhos e encontrámos pela frente a casa do Largo de Castela, agora contemplamos os CAstelos e uma torre que me traz imensa saudade e que a trupe já destruiu.
Serviços de informação das autarquias – 15
As câmaras e a eficiência a nível de Navegação

O concelho mais eficiente em termos de concretização das condições de Navegação na página da autarquia é Vila Nova de Famalicão com um ratio de 8,71 entre o valor do critério e a despesa corrente per capita do município.
Curiosamente, Famalicão, no distrito de Braga, ainda não tem todas as funcionalidades do critério implementadas, mas mesmo assim consegue mostrar a forma mais económica de o fazer. Também é curioso o facto de, falando com pessoas que têm neste momento um relativo conhecimentos destas páginas, ninguém se ter apercebido do facto. E, se os meus amigos visitarem aquela página, descobrirão com facilidade algumas razões para muito deste sucesso.
Ourém queda-se pela 163ª posição com um valor de 1,26 no ratio calculado. Note-se que esta posição é melhor que a classificação de Ourém em Navegação.
Se Ourém tivesse a eficiência de Famalicão, poderia ter um valor para a maturidade em termos de Navegação de 2,304 o que significa que aproveita qpenas 14% do que poderia aproveitar. Por outro lado, aquele número significa que Ourém poderia ter todas as funcionalidades de Navegação implementadas gastando cerca de 2,3 vezes o que os mais eficientes gastam.
Enfim, valha-nos o novo edifício... será que vai ter ratios semelhantes?

Notas: se quiserem encontram aqui a folha de cálculo de que me servi para estes resultados. Podem brincar com ela e, se virem algum erro, avisem...
Giro

Giro é o que está para vir...
Destroem-nos Ourém.
Poluem-nos o ambiente.
Lixam-nos o estacionamento.
E mandam-nos um autocarro para deslocações que ainda por cima temos de pagar.
É Giro, não é? Quer dizer, ainda brincam com o pessoal!

Notícia no NO.
042240

Já falta pouco para mais um número giro. Claro eu sei que, lá mais para a frente, estará o 044440, mas temos de comemorar estas coisas.
E vamos fazê-lo...
À sua passagem, divulgarei, na nossa secção A arte do OUREM, a imagem tratada da nossa terra que utilizarei para capa do nosso CD e, eventualmente, no segundo volume do estórias.
Acelerem então as vossas consultas...
Serviços de informação das autarquias - 14
A eficiência da Navegação

Esgotámos as funcionalidades da Navegação, mas podemos falar um pouco acerca da eficiência da construção das condições de Navegação nas páginas das autarquias.
A solução a que recorremos é rebuscada, de recurso, mas interessante.
Como sabem, fizemos um inquérito às autarquias acerca dos seus gastos. A taxa de não resposta levou a que não possamos utilizar o seus resultados.
Mas há alternativas.
O INE tem dados acerca da despesa corrente das câmaras e da população residente dos concelhos.
É discutível, mas eu julgo que posso utilizar o valor da despesa corrente como um elemento para apoio à análise da eficiência. Na realidade, nessa despesa, as câmaras integram, entre outras, a que realizam com o seu serviço de informação. Está lá uma fatiazinha de tudo que, tendencialmente, irá para valores estardizados.
Podemos construir um ratio entre a despesa corrente e a população, e utilizá-lo para calcular um índice de eficiência do critério, neste caso, Navegação.
Depois, podemos escolher o concelho com o melhor ratio. Não vemos razão para as câmaras não trabalharem em termos de sistemas de informação de acordo com as melhores práticas. Isto é importante, porque significa que podemos utilizar como referência um concelho que nem sequer tenha todas as funcionalidades da Navegação implementadas. O que interessa é que não gaste rios de dinheiro no que faz...
Escolhido o melhor, podemos determinar os valores que os concelhos teriam se trabalhassem nas condições do melhor e, seguidamente, medir o desperdício.
Vamos lá então...

quinta-feira, maio 18, 2006

Serviços de informação das autarquias - 13
Facilidade de utilização



Como nem tudo pode ser mau nesta vida, a nossa página foi considerada "fácil de utilizar" pelos seus observadores.
Isto está de acordo com o que se passa no país, onde o distrito de Bragança tem a honrosa marca de 100% dos concelhos com páginas com essa característica (de acordo, com informação dos observadores, isto passou-se porque, prejudicando a diversidade de páginas, alguém aplicou o mesmo formato a todos os concelhos de distrito e só varia o que está lá escrito...).
Os piores distritos serão Beja, Açores e Faro de qualquer modo com valores superiores aos 50%.
Serviços de informação das autarquias – 12
Serviço de ajuda



Integrando-se num distrito onde 52% das páginas das autarquias dispoem de Serviço de Ajuda à sua utilização, a página da nossa câmara contribui para uma pior imagem do distrito que, apesar de tudo, é o que apresenta melhor valor a nível nacional.
Seguem-se-lhe o Porto com 33% e Braga com 29%.
No outro extremo, nos distritos de Castelo Brano, Vila Real e Beja essa funcionalidade não se encontra em qualquer concelho.
A média nacional queda-se pelos 15%
A arte do OUREM



Consta-me que eles também querem destruir este convidativo e relaxante espaço.
Aqui fica uma das suas últimas imagens obtida enquanto ainda se mantém de pé.
É a arte do OUREM a acompanhar, passo a passo, o lamentável processo da sua descaracterização...
Worried life time blues

Gente!
Dia para passar com essa coisa horrível das avaliações.
Não preparei nada, perdoem... talvez lá para a tarde.
Deixo-vos com uma daquelas canções do Clapton de oito minutos e solos intermináveis.
Melodicamente não é das mais engraçadas, de acordo com o meu gosto. Arranha um bocadinho, tem solavancos... mas tem pormenores notáveis.
Então oiçam, se resistirem...

Oiça Worried Life Blues por Eric Clapton

quarta-feira, maio 17, 2006

Serviços de informação das autarquias - 11
Indicador de localização



Muitas páginas fazem acompanhar a sua consulta de um indicador permanente de localização, que, naturalmente, ganha mais relevo em sítios com uma estrutura complexa.
Este é um daqueles casos em que eu não confio muito nos resultados da observação que vos estou aqui a disponibilizar já que senti nos alunos muitas vezes a confusão com o anterior. De qualquer modo, aqui ficam os resultados.
Ourém não apresenta esse indicador. De acordo com os nossos observadores, ele existirá em 64,3% dos sítios do país.
Os distritos referência são Aveiro, Porto e Bragança com valores superiors a 90% e o mais carente será o de Vila Real apenas com indicador em 14% dos sítios. O distrito de Santarém, com a ajuda da nossa terra queda-se por uns 71%.
A formosa amazona - 2

Esqueci-me de coomprar o Woody desta semana, por isso, há pouco, voltei ao posto de venda de jornais.
Resolvi atravessar o jardim onde me tinha parecido reencontrar a formosa amazona que nunca mais esqueci. A esta hora não são precisos cuidados especiais, mesmo que encontre algum ser desagradável, tenho com certeza antídoto para ele...
Mas a preocupação era outra...
Por onde andaria ela?
Será aquela na clareira que parece dar descanso à montada?
No jardim, procedia-se à actividade de rega. Cascatas e cascatas de água derramadas por tudo que é sítio. Rega que parecia não deixar um bocadinho de caminho disponível. Tantas vezes que os vi, mesmo em momento de seca, regarem o lixo...
Os pombos esperavam a um canto que aquele dilúvio que nada poupava parasse para começarem a deslocar-se de um lado para o outro. Mais ao lado duas senhoras tentavam distribuir imagens de santos a quem passava. Ao fundo, o imponente edifício da Assembleia.
E recordei: voltou um estranho silêncio. Que andará o nosso primeiro a congeminar?
Mas da formosa amazona nem sinal...
Serviços de informação das autarquias – 10
O mapa do tesouro



Muitos desenhadores de páginas web consideram útil a existência de um mapa geral do sítio.
Isso não aconteceu em Ourém nem em quase 52% dos concelhos do país.
São referência quanto a esta matéria Vila Real com 93% das páginas dos concelhos a ostentarem mapa, Setúbal e Bragança onde as percentagens descem para 85% e 83%, respectivamente.
A Madeira (27%), Coimbra (24%), Évora (21%) e Beja (21%) são os distritos onde é mais raro encontrar esta funcionalidade nas páginas das autarquias.
Navegar, Navegar
Fausto

Navegar navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar

Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá

Já vou de grilhões nos pés
Já vou de algemas nas mãos
De colares ao pescoço
Perdido e achado
Vendido em leilão
Eu já fui a mercadoria
Lá na praça do Mocá
Quase às avé-marias
Nos abismos do mar


navegar navegar...


Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor
De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
Do cimo e do fundo
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar

terça-feira, maio 16, 2006

Serviços de informação das autarquias – 9
Facilidades de extracção



Contrariamente ao que poderia pensar-se, a página da nossa autarquia até cria algumas facilidades de extracção de informação, organizando ficheiros Adobe para alguns relatórios, formulários e outros documentos. É um elemento positivo que registamos.
O valor médio do país estará para os 73% de concelhos, o que é um número muito satisfatório. Os concelhos dos distritos de Bragança, Aveiro, Santarém, Porto e Viseu são os que realizam esta funcionalidade na quase totalidade.
No outro extremo, Beja queda-se por uns modestíssimos 21% obrigando o alentejanito a ir buscar o papel à Câmara sempre que precisa dele...

Nota: o facto de registar com agrado a presença desta funcionalidade na nossa página não significa que esteja muito satisfeito com o modo como a disponibilização é feita o que será retomado mais à frente. Por exemplo, os documentos de prestação de contas apenas são disponibilizados por períodos curtos. Neste momento tenho acesso ao Relatório de gestão, daqui a dois ou três meses posso não ter, tal como já não tenho ao Orçamento.
A arte do OUREM



Apreciem agora este magnífico exemplar da arte do OUREM que consiste mais ou menos em pegar numa tela original e dar-lhe uns retoques com o microsoft photo editor.
O cavaleiro parece estar com receio de voltar à sua terra:
- Que mais andarão eles a destruir? - interroga-se.
As últimos informações não foram de molde a deixá-lo descansado.
A verdade é que já não tem muitas razões para se preocupar.
A nau Catarineta tem conduzido Ourém para um porto bem lamentável. Mas as pessoas não querem ver e, quando acordarem, será irremediável...
Serviços de informação das autarquias - 8
A pesquisa na Página



Contrariando a tendência manifestada por todo o país e no próprio distrito, a página da nossa autarquia não tem qualquer facilidade de pesquisa.
A sua existência permitiria ao utilizador procurar os locais nessa página onde fosse tratado determinado tema que não estivesse imediatamente visível na página presente. Lisboa, Aveiro, Porto, Braga e Santarém são a referência quanto a esta funcionalidade. Em qualquer desses distritos, mais de 70% dos concelhos têm serviço de pesquisa na página.
A simplicidade da nossa página não o torna necessário, dir-se-á. É verdade, mas esperemos que, em futura revisão, eventualmente com uma organização mais complexa, tal funcionalidade não seja esquecida.

ps: serviço de pesquisa no blog? Já sabem, em casa de ferreiro, espeto de pau... contentem-se com o índice que já custa bem a fazer...

segunda-feira, maio 15, 2006

Serviços de informação das autarquias - 7
Navegar, navegar... em ducentésimo quadragésimo quarto...



Sem certificado digital, mapa geral do sítio, indicação de localização, serviço de pesquisa, serviço de ajuda, com uma utilização relativamente simples e com facilidades de extracção de ficheiros, o sítio da nossa autarquia queda-se por um modesto posicionamento com um score de 33% nas funcionalidades procuradas idêntico ao 219º e ao 258º, no ranking das páginas dos concelhos em termos de Navegação. Há alguns um bocadito pior, mas muitos deles nem página têm.
É verdade que o certificado digital nada vale a sítios em que não há interactividade com o munícipe, mas é um passo seguro para o mesmo e, por isso, passaremos a considerá-lo nos resultados definitivos.
O gráfico que ilustra este post refere-se à situação nacional que evidencia a fragilidade da posição da nossa terra.
Ao longo da semana apresentaremos indicadores mais detalhados das funcionalidades da navegação a nível nacional, comparando-as com a situação local.

Tem aqui acesso a uma listagem do ranking provisório estabelecido pelos alunos do ISEG

domingo, maio 14, 2006

Navegar é preciso



Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Nau catrineta

Lá vem a nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.

Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija
Que a não puderam tragar.

Deitaram sorte à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.

-- Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal.

"Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar".

-- Acima, acima gajeiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal
"Avíçaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terra de Espanha,
Areias de Portugal.

Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar".

--Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.
"A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar".

-- Dar-te-ei tanto dinheiro,
Que o não possas contar.
"Não quero o vosso dinheiro,
pois vos custou a ganhar!

-- Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.
"Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar".

--Dar-te-ei a nau Catrineta
Para nela navegar.
"Não quero a nau Catrineta
Que a não sei governar".

-- Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíçaras te hei-de dar?
"Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar".

-- Renego de ti, demônio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus,
O corpo dou eu ao mar.

Tomou-o um anjo nos braços,
Não o deixou afogar.

Deu um estouro o demônio,
Acalmaram vento e mar;

E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.



Nota: O Romanceiro Português é um conjunto de romances tradicionais populares. Sem autor conhecido nem texto fixo, os romances são transmitidos por via oral, o que origina um grande número de variantes. A sua origem está ligada aos cantares de gesta.
Maria Augusta Seabra Dinizin As Fadas não foram à Escola, Lisboa, Edições Asa, 1994.

A Nau Catrineta foi uma das recolhas efectuadas por Almeida Garrett, entre 1830 e 1851 e que juntamente com outra poesias de tradição popular deram origem aos três volumes do Romanceiro.



Severo Portela

Oiça Fausto em "Nau Catrineta"

sexta-feira, maio 12, 2006

A amazona



Há dias passava ao lado de um jardim aqui perto e pareceu-me ver lá esta formosa amazona. Ela estava lá em baixo como que esperando, olhando aquela estátua com o homem a mulher e a criança. Via-se que estava nervosa, andando de um lado para o outro, não se apercebendo dos perigos que alguma má frequência do jardim lhe podia trazer.



Ele aproximou-se por um caminho estreito bem desenhado no interior do jardim. Fingia-se descontraído de casaco às costas. Foi-se aproximando. Ela viu-o, sorriu. Cumprimentaram-se. Via-se que não estavam à vontade, que parecia não se encontrarem há muito tempo, mas que, apesar de tudo se conheciam. Falaram um pouco, notava-se a sua comoção, o seu tremer, depois caminharam, subiram uma pequena rampa e seguiram juntos evidenciando já mais calma.
Não sei bem porquê, passei a ter mais uma referência naquele jardim perto do qual passo há uns quarenta anos, mas que nunca me influenciou significativamente. Será que a formoza amazona ali voltará?

Acompanhe a sua visita ao OUREM com Marwa Blues de George Harrison

quinta-feira, maio 11, 2006

Ir até ao fim...

Por mais que isso pese, vamos procurar mostrar como é que as diferentes funcionalidades procuradas se nos apresentaram e situar Ourém no conjunto do país.
Abandonemos o George por um ou dois dias e procuremos uma música para dar força...

Oiça Carry that weight - Beatles
Serviços de informação das autarquias - 6
Email a fingir

Cientes que muitos autarcas ainda não olham o dever de prestar informação como responsabilidade sua, decidimos enviar aos mesmos um conjunto de perguntas relacionadas com o seu Município e os seus serviços e avaliar a partir da resposta ou da sua ausência a predisposição para as mesmas.
Os resultados não poderiam ser mais reveladores.
A esmagadora maioria dos autarcas do nosso país (92,5%) não responde a quem se lhes dirige, mostrando assim toda a arrogância que o cargo que ocupa lhe transmite.
Os resultados podem ser vistos a nível de distrito no gráfico seguinte.



A título de curiosidade, deixo aqui aos amigos do Ourem, informação sobre aqueles a quem vale a pena perguntar alguma coisa, pois a sua predisposição é para a resposta:
Alcochete
Aljustrel
Alvito
Baião
Cantanhede
Coimbra
Lagos
Leiria
Loures
Lousã
Marco de Canaveses
Mira
Miranda do Corvo
Monção
Montijo
Moura
Pombal
Portalegre
Porto de Mós
Santa Marta de Penaguião
Santarém
Valongo
Vila Franca do Campo

quarta-feira, maio 10, 2006

Cuidado com a escuridão

Em Março do ano corrente, um aluno do ISEG dirigiu-se por email ao nosso venerado presidente pedindo-lhe alguma informação sobre os processos e as contas da autarquia. Fê-lo enquadrado pela escola onde estudava e na convicção de que os autarcas seriam em geral seres disponíveis para apoiar os mais novos já que os resultados da avaliação dependiam deste trabalho. O que pretendia era muito simples, apenas uma resposta a estas perguntas:
1 - Existe e está em funcionamento algum Sistema de Gestão Documental integrado com um sistema de workflow?
2 - Existe e está em funcionamento algum sistema de apoio à decisão para melhorar significativamente a eficiência de trabalho dos decisores?
3 - Qual a percentagem de processos de aquisição suportados por meios electrónicos?
4 - Qual a percentagem de disponibilização em formato digital de conteúdos produzidos pelos serviços da autarquia?
5 - Qual a percentagem de directores, técnicos e administrativos que nos últimos três anos foram sujeitos a desenvolvimento de competências na área de Sistemas de Informação?
6 – Qual o montante de gastos no último ano em Hardware?
7 – Qual o montante de gastos no último ano em Software?
8 – Qual o montante de gastos em Documentos de Informação ao Munícipe (boletim...)?
9 – Qual o montante dos gastos totais do Município?
10 – Qual o total de efectivos em recursos humanos?
11 - Qual o total de efectivos em desenvolvimento e manutenção de software?
12 – Qual o total de efectivos em assistência hardware, redes,...?
13 – Qual o total de efectivos dedicados à produção de informação (boletim...)?
O argumento "isso dá muito trabalho a apurar" não me parece aceitável. Qualquer autarca tem esta resposta na ponta da língua. Por isso, perante o total silêncio do nosso presidente, só podemos acreditar que ele não quis responder. E não quis responder para que outros não tivessem conhecimento do que se passa pelo Município.
Não é caso único infelizmente.
Para os alunos da escola este é um dos péssimos exemplos que ficou amplamente documentado, uma imagem do mundo real que vão defrontar e que, por todo o lado, lhes semeia obstáculos, boicotando-lhes os projectos. Mas, ao mesmo tempo, uma imagem que pode ser medida e caracterizada e, como tal, ultrapassada. É isso que vos trarei amanhã...

A grande desilusão

Um dia, junto ao tanque das banhocas da trupe, o pai do Rui fez-me a sacramental pergunta frente aos outros:
- Então, Luís, e vai estudar para ser o quê?
Eu sabia lá, embevecido que andava com estórias de cowboys. Nenhuma profissão daquela gente de fatos cinzentos ou das de fato macaco me seduzia. Imaginava-me cavaleiro solitário de viola na mão ou como pistoleiro em cidade selvagem para a qual traria a ordem ou galanteador perante aquelas fabulosas meninas que se cruzavam no caminho do Cisco ou de outro dos nosso heróis.
Mas que havia de responder? Eu sempre abusei da sinceridade em momentos críticos como este.
- Eu quero ir para a América para ser cow-boy.
Ficaram de boca aberta.
- Mas já não há cow-boys hoje...
- Não há. Mas eu vejo-os nos livros e no cinema.
- Mas o que lá vê passou-se há quase cem anos ou mais. Agora o mais que lá encontrará serão alguns ranchos e o tratamento de gado...
Fiquei de todo. Lá se foram os meus sonhos... como era possível todas as ilusões irem por água abaixo de um momento para o outro.
Nessa noite, passaram pela minha frente todas essas figuram que tanto me diziam...
Beware of Darkness

É este o título da canção do nosso amigo George que nos tem vindo a acompanhar esta semana. Através do PUTFILE, ouvimos uma versão pela Banda do George (Clapton, Lynne, e companhia) tocada no concerto de homenagem póstuma e o original gravado pelo George em 1970.
É outra das canções que normalmente me comove talvez pelo seu tom deprimente bem claro na voz do George e pela sua utilização no concerto de homenagem.
Separados os Beatles, ninguém acreditava que musicalmente alguém resistisse para além de Lennon e McCartney. O George tinha contribuído com três exitos para a monumental lista do conjunto e com algumas músicas que não passaram da vulgaridade. Esses êxitos situaram-se na parte final da produção da banda (Abbey Road, uma espécie de fabulosa manta de retalhos e no álbum branco).
Afinal, terminado o grupo, a produção do George surgiu como se antes existisse uma rolha a estorvá-la. Ela jorrou, logo em 1970, com um álbum triplo e canções notáveis como “Beware of darkness”, “isn’t it a pitty”, “all things must pass” e a polémica “my sweet lord” (o George foi acusado de plágeo, mas respondeu logo de seguida com outras canções que mostravam que não precisava disso para nada).
Comparando a sua produção posterior com a dos seus antigos companheiros, vê-se que ela é bem mais rica melódica e instrumentalmente e, o que é curioso, que o som anterior dos Beatles era mais parecido com o seu isoladamente do que com o de Lennon e McCartney. Daqui a minha suspeita de que as canções que constituiram aquele álbum de 27 canções number 1 (e eu era capaz de criar outro álbum dos Beatles com 27 canções not number 1 tão engraçadas ou melhores que as aí publicadas...) só terão tido aquele êxito retumbante devido ao empenhamento musical do George nas mesmas.
A minha interpretação é que, estabelecido o grupo, a tirania e a sobranceria da dupla impedia que as qualidades do George como criador viessem ao de cima.
Foi pena e mais pena foi a separação. Eu imagino o que os quatro poderiam ter feito daquele lote de magníficas canções que produziram após esse momento se tivessem colaborado para elas juntos...
Mas, voltando à nossa canção, ela alerta-nos contra a escuridão, a obscuridade.
Alerta muito importante, nesse tempo e, mesmo, agora. Alerta muito importante em Ourém e em qualquer outro espaço do nosso país, onde os poderosos não querem que nós conheçamos o pormenor do que fazem com o dinheiro do povo para continuarem a poder alimentar os seus bolsos propagando a crise para os mais fracos. Na nossa sociedade, o fosso vai-se alargando, o que significa que, para alguns, apesar do empobrecimento progressivo das pessoas, o enriquecimento é a palavra de ordem...

Oiça o George no Beware of Darkness

terça-feira, maio 09, 2006

Outros terão
Um lar, quem saiba, amor...

Outros terão
Um lar, quem saiba, amor, paz, um amigo.
A inteira, negra e fria solidão
Está comigo.

A outros talvez
Há alguma coisa quente, igual, afim
No mundo real. Não chega nunca a vez
Para mim.

"Que importa?"
Digo, mas só Deus sabe que o não creio.
Nem um casual mendigo à minha porta
Sentar-se veio.

"Quem tem de ser?"
Não sofre menos quem o reconhece.
Sofre quem finge desprezar sofrer
Pois não esquece.

Isto até quando?
Só tenho por consolação
Que os olhos se me vão acostumando
À escuridão.
Serviços de informação das autarquias - 5
E vai uma Caixa de Bigodes?



É uma representação muito sugestiva.
Mostra a quase presença da totalidade dos concelhos na INternet.
Mostra que é o critério Navegação aquele que mais tem motivado os que concebem as páginas.
Apesar de tudo, todos os critérios têm concelhos com funcionalidades não presentes.
A Abertura é o verdadeiro calcanhar de Aquiles. Porto, Nelas, Setúbal e Odivelas (e mais uns tantos que o gráfico não apresenta para não ficar pesado) estão a puxar, mas a inércia, o comodismo, o receio que se saiba são muito fortes.
Serviços de informação das autarquias – 4
E como ler o diabo dos números?


Despejei aquele quadro e nada de dizer como chegar ao seu significado. Vamos lá...
As funcionalidade foram recolhidas em termos de ausência (0) ou presença (1). Em casos especiais, admitiu-se que poderiam assumir um valor no intervalo 0-1, representando o seu grau de consumação. Depois, houve agregações para o nível critério, o nível país e o nível distrito. Assim muitos valores apresentados são médias simples ou então frequências relativas.
Por exemplo, vejam a coluna sobre Presença na Internet. O seu significado refere-se à percentagem de concelhos que, em determinado distrito, têm página activa. Assim, podemos concluir que, nos Açores 84% dos concelhos têm página, que esse número em Aveiro é de 95%, etc. Neste critério, passou-se um facto interessante: alguns concelhos agora considerados sem página já a tiveram, mas apagaram toda a sua informação deixando a mensagem “em manutenção”. Não percebemos esta opção: a informação que lá estava era com certeza útil e a manutenção costuma fazer-se em área diferente daquela que é a disponibilizada não interagindo com a mesma e, portanto, não a impedindo.
Quanto aos outros critérios, que agregam muitas funcionalidades, a sua imagem é de uma média de concelhos no distrito. Por exemplo, em termos de Abertura, podemos dizer que, em média, os concelhos de Açores têm apenas 7% das funcionalidades activas. No mesmo critério, o concelho médio de Santarém terá 15%, bem superior ao valor de Ourém (8% como se recordam). Sendo um valor médio, poderá haver concelhos com valor superior ou inferior.
Um valor para o nível país é então um valor do concelho médio...
Num dos próximos dias, vamos então mostrar porque é que o presidente David “não quer que se saiba”. Não perca o próximo número...

segunda-feira, maio 08, 2006

Serviços de informação das autarquias - 3
Os distritos e regiões autónomas por critério


Para os que preferem ver números em vez de figuras, aqui ficam os que originaram o último gráfico do post de ontem. De qualquer modo, não esqueçam que estes números ainda são provisórios.

domingo, maio 07, 2006

Serviços de informação das autarquias – 2
Critérios de análise

Mas continuemos a nossa estória acerca dos serviços de informação da nossa autarquia.
Organizámos as funcionalidades (recolhidas sob a forma presença - 1, ausência - 0) em termos de critérios: informação ao munícipe, informação sobre o concelho, informação sobre os eleitos, abertura, navegação e presença na Internet.
A Informação ao munícipe tem a ver com aquelas funcionalidades, como, por exemplo, a disponibilização do PDM, de formulários, de informação sobre concursos abertos, as publicações da Câmara, que podem vir a ter utilidade para os que habitam no concelho ou que querem actuar no mesmo.
A Informação sobre o concelho é mais virada para pessoas externas ao concelho: aquelas que o procuram por causa da sua história, da sua gastronomia, por qualquer facto ou característica relevante.
A Informação sobre os eleitos é o que diz: quem são, que organizações representam, qual o seu currículo...
No critério Navegação reunimos um conjunto de funcionalidades que têm a ver com as características do sítio em termos de presença na Internet: é fácil de utilizar? Tem serviço de pesquisa? Tem facilidades de extracção de ficheiros? Há um mapa do sítio? Apresenta certificado digital?
A Abertura respeita àquele conjunto de funcionalidades que implicam uma reacção sistemática, transparente pelos responsáveis da autarquia: será que respondem aos emails? É possível apresentar questões AM e seguir o seu tratamento? É possível a encomenda de publicações ou o acesso ao catálogo da biblioteca municipal?
Finalmente, a Presença na Internet, tem a ver com a ausência ou presença de uma Câmara na Internet através de página.
A figura seguinte representa graficamente a avaliação que foi feita para a página da nossa Câmara. O critério mais fraco é designado por Abertura: a Câmara não criou condições para o interface com os seus munícipes e não reage aos emails, como iremos ver. Apenas 8% das funcionalidades da Abertura ali se encontram. A navegação também não é famosa dada as ausências de serviço de pesquisa, de ajudas e de mapa do sítio. Já os três critérios de informação estão um pouco acima dos 50%



Se pretendermos comparar com o que se passa no país, podemos fazê-lo utilizando a figura seguinte, na qual se vê que a Abertura, apesar de não ser famosa é bem melhor do que em Ourém (16%) e que os critérios de informação são um pouco mais pobres que no nosso concelho. A presença na Internet mostra claramente que, existem alguns distritos onde a mesma ainda não está a 100%. Repare-se que, apesar de tudo, a configuração da figura tem algumas semelhanças com a relativa à nossa terra



A figura seguinte, mostra a diferenciação a nível de distritos


Cuidado com a escuridão

Julgo que não tem qualquer vantagem pelo menos para os que a sentem. Isto é, não se vê nada lá para dentro. Eventualmente, poderá trazer vantagens a quem, por causa dela, não é visto.
A escuridão é, assim, lugar de mil factos e perigos que pode ser utilizada em proveito próprio...
Há por aí muitos adeptos da escuridão... para os outros: por exemplo, o venerado presidente, o tal que diz que tudo demora a apurar, que não conhece o que se lhe pergunta, para assim se furtar a divulgá-lo...

sábado, maio 06, 2006

OUREM PlayList

É fartar, vilanagem, mas não esqueçam que, por vezes, o PUTFILE faz as suas partidas (apaga os mp3, muda-lhes o nome, deita-se para o chão, enfim, nem sei como lhe chamar...)

Adriano Correia de Oliveira: Cantar da Emigração
Adriano Correia de Oliveira: Trova do Vento que Passa
Banda do George: Beware of darkness
Banda do George: Something
Beatles: While my Guitar (versão demo do George)
Duo Dinamico: El final del Verano
Duo Dinamico: Perdoname
Honeybus: I cant let maggy go
Joe Brown: I'll see you in my dreams
Johnny Halliday: Le Penitencier
Johnny Halliday: Johnny lui dit adieu
Les chats sauvages: Derniers baisers
Les chats sauvages: Oh Lady
Luis Cilia: Má Reputacão
Luís Cília: O romance do Lulu do INtendente
Patricia Carli: Demain tu te marries
Richard Anthonny: Le ciel est si beau ce soir
Rolling Stones: If you need me
Rolling Stones: Tell me you are comming back
Searchers: All my sorrows
Searchers: Dont throw your love away
Searchers: Farmer John
Searchers: Needles and Pins
Searchers: Sweets for my sweet
Searchers: What have they done to the rain
Sheiks: Lonely lost and sad
Simon and Garfunkel: Sounds of Silence
Spriguns: Letter to a lady
Tino Flores: Meu amigo está preso
Tubaroes: Destino de crioula
Tubaroes: Manu
Tubaroes: Mar piscina de nhas lagrimas
Vitorino: Alentejo, és nossa terra
Vitorino: O MAltes
Zeca Afonso: Cantares de Andarilho
Zeca Afonso: Cantigas de Maio
Zeca Afonso: Canto Moco
Zeca Afonso: Coro da Primavera
Zeca Afonso: TRaz outro amigo tambem
Zeca Afonso: Vejam bem
Zeca Afonso:Grandola vila morena

sexta-feira, maio 05, 2006

Os serviços de informação da nossa autarquia

Não apresentam 50% das funcionalidades procuradas, quedando-se por uns singelos 43%. Mas há as que estão bem pior, dirá o venerado presidente e sempre podemos continuar à espera do sebastiânico Leiria Digital e das nuvens que a sua chegada garantirá. A imagem seguinte é o retrato nacional com detalhe a nível de concelhos...
Os de cima são os mais pobrezinhos, Ourém está quase ao meio, lá bem ao fundo temos Pombal, Portalegre, Porto e Nelas (um caso em que eu não confio muito...)

E adivinhem...



... onde é que estes três marotos amanhã vão estar. Há oureanos com muita sorte. Outros têm que continuar a aguentar o barco por estas terras longínquas, imaginando o que por lá se passa.
Como é que o da casa amarela ainda não se lembrou de fechar isso?
Com passo de espera...

Já faltam poucos dias para terminarem as aulas deste semestre.
Foi algo muito diferente. Pela primeira vez, leccionei uma disciplina claramente da área de Economia e, numa outra, na área de sistemas de informação, iniciei uma experiência de recolha e análise de informação muito interessante.
Eu já tinha ameaçado há cerca de um ano. Durante algum tempo estive hesitante, porque trabalhos nesta área tinham-se multiplicado, mas o facto de poder sujeitar os alunos a uma daquelas análises como se costuma fazer no mundo real (não vejam aqui qualquer tipo de crítica), decidiu-me. Assim, os meus quase cinquenta alunos de informática e sistemas de informação aplicados andaram estes três meses à volta com os serviços de informação das autarquias, procurando as funcionalidades que os mesmos disponibilizavam, registando-as em base de dados e interrogando as bases de dados para subir ao nível distrito e país na dimensão territorial e ao nível de critério e indicador geral de maturidade na dimensão relativa a características. Aproveitámos também para fazer gráficos, pesquisar árvores e regras, associações, clusters, introduzi-los ao tema de tabelas dinâmicas. Um verdadeiro festival...
O mais interessante disto tudo é que Ourém está ali, no meio daqueles dados, escondida entre concelhos e funcionalidades. Claro que os resultados ainda são provisórios. Há muito chico esperto que, em vez de fazer o trabalho, prefere preencher os dados ao acaso, gerando monumental necessidade de validações e verificações. Mas algumas coisas podem desde já ser concluídas. E muitas delas não abonam em relação ao que se passa em Ourém. Digamos que a nossa autarquia tem uma certa tendência para se refugiar na gigantesca nuvem da mediocridade. Claro que isso não acontece em todas as cinquenta e tal funcionalidades que procurámos nos sítios de todo o país, mas acontece em algumas muito importantes.
Nas próximas semanas, antecipando uma publicação com um horizonte mais vasto que se antevê lá para Setembro, intercalando com a música doce do Harrison e com alguma estória, iremos vendo alguns dos tópicos que daqui decorrem...

quinta-feira, maio 04, 2006

Musa inspiradora

E onde andará a musa inspiradora que há tantos dias não me visita?
Em tempos, deixou-me à espera dias sem fim. Mesmo assim ainda produzi uns textos que conservo.
Depois, largou-me quase por quarenta anos.
Um dia voltou. Garantiu que não me deixaria, que estaria aqui comigo contemplando o Tejo, recordando tempos idos...
Mas foram esperanças vãs...
Cortai as ervas daninhas

Que empecilho são à nossa terra...
Mas como pode tão humilde espaço fazê-lo se nem por breves minutos elas desaparecem e escudadas estão em significativo apoio popular e em domínio quase monopolista de todos os meios de expressão local?
Olha que incomodado ele vai por lhe terem dito das boas...
Confesso que também não tenho uma casaca para a vida política e outro para a vida social, em mim tudo se confunde e a separação de águas é-me claramente impossível. As pessoas são o que são e, por isso, assim são politicamente. Empecilhos. Piores do que isso. Empecilhos destruidores da nossa terra ao serviço da causa do negócio... até Fátima já se vê como “marca” para aumentar o negócio (são eles que o dizem)... onde andará o do cajado que os expulsou para fora do templo?
Enjoo de blog

É verdade que há muito não estava sem actualizar o blog tantos dias. Mas confesso o meu cansaço. E, contrariamente ao que dizem os amigos Nyo e Duarte, a crise não passou. Ela anda por aqui em todas as dimensões da nossa vida, inclusivamente esta que, sendo um reflexo da vida material, mas integrando-se muitas vezes nela com efeitos pertinentes, agora parece não conseguir gerar a necessária superação.
No passado, houve muitas tábuas de salvação: os escritos de há trinta e tal anos, a destruição de Ourém, os processos eleitorais, a governação de Santana, as cowboiadas, as canções da nossa época. Agora, carago, está mesmo difícil. Não há ponta de inspiração que não passe pela repetição. Um verdadeiro enjoo...

domingo, abril 30, 2006

Compasso de espera

É o que se faz quando se não pretende acabar, mas não há material disponível para continuar. Enfim, a crise é cada vez mais visível...

sexta-feira, abril 28, 2006

O código David

Destruir, destruir, destruir...
Deixar degradar e destruir...
Entregar aos agentes do negócio...

Este é o retrato da miserável política da cambada de urbicidas que tem gerido a autarquia.
Até dá para elaborar um mosaico. E garanto que faltam ali algumas peças entre as que já foram e as que estão programadas.
A legenda fica a vosso cargo.

quinta-feira, abril 27, 2006

O código Picasso

Na lateral direita superior (visão do observador) destaca-se a figura de um homem com os braços levantados, boca aberta e pescoço muito comprido. Essa figura pode simbolizar duas coisas: o homem, que está apavorado, devido aos seus traços torcidos, tenta deter as bombas que são lançadas sobre a cidade. Uma outra hipótese é que essa figura faz analogia a figura principal da obra "Os fuzilamentos" do 03 de maio de 1808 de Goya.


O fato de o quadro de Goya também ser motivado por um ato de brutalidade contra pessoas inocentes reforça essa teoria.

Na lateral direita inferior, pode-se ver a figura de uma mulher que parece sair da escuridão para dentro do cone de luz.

Sua expressão de completo esgotamento, como se carregasse um grande fardo, e seu rosto erguido na direção da luz pode ter uma certa semelhança com as imagens de Jesus Cristo carregando a cruz.

Essa imagem talvez seja uma tentativa de exprimir o sofrimento humano, mas sem simbolizar explicitamente o cristianismo.

No lado direito superior e ao centro, logo ao lado da figura de um homem com os braços levantados, vemos uma figura que parece surgir, suavemente, por debaixo das telhas. Essa figura, com o rosto dominador, e que vem do infinito, olha horrorizada para o cavalo ferido. Repare que ela está boquiaberta, como se não acreditasse no que estivesse vendo.

No centro superior da tela, próximo à cabeça do cavalo, existe um braço, que se parece como uma nuvem. A sua mão disforme segura uma lamparina a óleo, muito comum nas casas de camponeses.
Essa lamparina emana uma luz suave, que talvez represente a luz da consciência

Ao lado da lamparina, sobre a cabeça do cavalo, está uma espécie de lâmpada elétrica. Devido ao seu formato de sol, essa figura pode sugerir o "olho de Deus", que vê tudo vê. Repare ainda que até mesmo essa luz parece "gritar de horror".

Na parte central do quadro, vemos um cavalo em agonia. Repare que ele está caído de joelhos, como se estivesse sentindo as terríveis dores causadas pela lança fincada em seu corpo e por uma enorme ferida ainda aberta.
A cabeça do cavalo está voltada para o touro. Da boca do cavalo parece sair um rugido feroz, um misto de ira e dor. Repare que esse "urro" parece estar direcionado para a figura do touro, ao lado.
O cavalo pode representar a angústia do povo espanhol. No entanto, essa figura é ambígua, pois segundo alguns críticos de arte, o cavalo, devido aos traços rígidos, que beiram o patético, representam o general Franco.
No lado esquerdo da tela encontra-se o touro. Essa é também é uma figura ambígua, pois nele pode estar representada a resistência do povo espanhol. No entanto, o touro, que representa brutalidade, pode simbolizar o general Franco.

Repare que o touro está parado, abanando a cauda, como se, "após um ataque bem-sucedido", recuasse para ver os "estragos feitos no adversário" e se preparasse para o próximo ataque. A presença do touro deve-se também ao fascínio que Picasso sempre teve por touradas, esporte nacional, que aparece freqüentemente em suas obras.
Uma vez questionado sobre a ambigüidade existente entre as figuras do touro e do cavalo Picasso disse: "Este touro é um touro, este cavalo um cavalo (...). É preciso que o público, os espectadores, vejam no cavalo, no touro, símbolos que eles devem interpretar como os compreendem". (extraído da obra Mundo; Homem; Arte em Crise de Mário Pedrosa)
Dentre tantas figuras complexas existentes em "Guernica", a mãe, que carrega uma criança morta nos braços, talvez seja a de mais fácil interpretação.

Nessa imagem percebe-se claramente a dor que sente uma mãe quando perde um filho. Não só essa mãe, ou só as mães da cidade de Guernica, mas sim todas as mães do mundo, ou seja, essa dor é a mesma dor que tiveram as mães americanas e vietnamitas quando perderam seus filhos na guerra do Vietnã.
Janeiro, ao verem seus filhos brutalmente assassinados. É também a dor das mães que viram seus filhos serem covardemente assassinados no atentado do World Trade Center em Nova York.

Voltando a Guernica, o grito da mãe é representado por sua língua pontiaguda, que nos faz lembrar um estilhaço de vidro ou, até mesmo, um punhal. Vale lembrar que "cacos" semelhantes aparecem em outras partes do quadro.
A figura da mãe ainda ajuda a aumentar um pouco a discussão sobre o que pode simbolizar o touro e o cavalo.
Repare que a mãe está quase que envolvida pelo touro e seu grito parece ir praticamente em sua direção. Sob a ótica de que o touro simbolize o povo, a figura da mãe procura a proteção do povo e "grita" para compartilhar a sua dor com ele.

No entanto, sob ótica de que o touro o General Franco, pode-se dizer que a mãe procura fugir, já com seu filho morto, do meio de toda aquela brutalidade, pois ela parece caminhar em direção à porta. No entanto, o touro a impede de concluir seu intento. Essa teoria é reforçada pelo próprio momento histórico: quando os sobreviventes do ataque aéreo tentaram fugir para os arredores da cidade, eles foram alvos das rajadas de metralhadora disparadas pelos caças nazistas. Além disso, a semelhança entre a língua pontiaguda da mãe com a língua, também pontiaguda, do cavalo permite concluir que tanto o cavalo como a mãe "gritam" de forma semelhante, ou seja, ambos são vítimas da brutalidade.


Toda a lateral inferior esquerda do quadro é ocupada por uma figura totalmente mutilada, que pode ser assemelhada uma espécie de guerreiro. Repare que, apesar de ter a cabeça e os braços cortados, o guerreiro está agarrado a uma espada quebrada, simbolizando assim a resistência do povo espanhol. Próxima a sua mão, ainda contraída em torno da espada quebrada, encontra-se uma flor, símbolo da esperança de uma nova era.
A flor, símbolo da esperança, quase que unida à espada, símbolo da resistência, juntas, podem transmitir uma mensagem do tipo: "enquanto houver resistência haverá esperança".


in: Mundo Cultural
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