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sexta-feira, abril 25, 2014

25 de Abril - 40 anos depois

Pessoas mais tristes, envelhecidas, revoltadas mas sempre com a vontade de comemorar Abril.
Eis algumas imagens da monumental caminhada a que me propus hoje.








quarta-feira, abril 25, 2007

Marca #16: 25 de Abril

Aqui posto de comando...
O 25 de Abril foi um dos dias mais felizes da vida deste permanente descontente. Pelo que foi desejado e pela humilde participação a partir da EPAM.
Hoje, 33 anos depois, deixamos aqui uma marca que testemunha essa inapagável ligação, permitindo ainda o acesso a vinte posts que, sobre o tema, trouxemos em anos anteriores.
E, agora, toca a comemorar lá fora...

terça-feira, abril 25, 2006

Traz outro amigo também

Aqui, pelo OUREM, já passaram o ZéBitor, o Santa Cita e o Sérgio todos unidos neste monumental hino à liberdade que é o 25 de Abril que tem notável particularidade de unir pessoas, mesmo que não estejam totalmente de acordo umas com as outras.
Há trinta e dois anos também foi assim. Por esta altura, a vitória parecia assegurada, os que não acreditaram e abandonaram no momento da decisão começaram a regressar ao quartel onde foram recebidos com alegria dando mais força à unidade contra o regime opressivo.
É altura de ouvirmos nova canção do Zeca...

Traz outro amigo também

25 de Abril

Um dia para recordar sempre

Oiça as canções do Zeca no OUREM: "Grandola, Vila Morena"

quinta-feira, março 23, 2006

O 25 de Abril é banido da Assembleia Regional da MAdeira

Também ouvi. E a decisão não é só do Reizinho, mas do PSD. Alerta o Skywatcher:

Desculpe ser aqui, mas tinha que manifestar o meu repúdio por aquilo que ouvi há pouco no Telejornal: O Reizinho da Madeira quer proibir as comemorações do 25 de Abril na Assembleia Regional. Será que aquele, a quem há bem pouco tempo chamou jocozamente "O SR SILVA", vai ficar calado, perante tal afronta e continuada guerra à democracia?

É uma espécie de clarificação das águas. Sentem-se mal com a democracia, rejeitam a comemoração do seu estabelecimento. E são coerentes: impõem essa decisão aos outros que fazem parte da mesma Assembleia. E em Ourém alguém pensa: ai seu eu pudesse...

quinta-feira, maio 05, 2005

Nascida com o 25 de Abril

Ser diferente!
Ser maior ou ser menor,
Mas ser diferente!
Eis o desejo de muito poucos,
Eis o desejo dos que chamam loucos.
Ser diferente é ser só,
É ser sozinho como cada fragmento de pó.
À diferença a desventura
Se associa em comum loucura.

Ser diferente!
Caminhar nas vielas da dor.
Ser diferente,
Eis o que almeja o sofredor,
Eis o que anseia quem sentiu verdadeiro amor.
Ser diferente é ser verdadeiro,
É ser destemido e aventureiro.
Não encarar cada manhã eufórica,
Como uma etapa meramente histórica.

in: Jogo de Espelhos
Carmen Zita Ferreira
Edição Som da Tinta, Novembro de 2004

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril

Olha bem p'ra esta terra
Que explora quem trabalha
Mandam-nos a todos p'rá guerra
Não há perdão que lhes valha

O pensar é uma afronta
p'ra quem já não tem razão
é preciso um mundo novo
que não seja uma prisão

O quartel abriu-me as portas
deixou-me entrar, aderir
e ilusões que eram mortas
puderam então florir

Faz comigo a revolução
Tenho milhares de homens bravos.
Poupa os teus homens, irmão
Vamos vencer com cravos

domingo, abril 24, 2005

Há 31 anos

O Sérgio traz-nos, no blog da Som da Tinta, duas estórias do 25 de Abril em cem palavras. Gosto muito da que reproduzo aqui. Vejam:

Cumpri o ritual.
Com a unha, risquei na parede uma nova manhã acordada em Caxias.
Noutras salas, em Peniche, noutros lugares, camaradas actualizavam as suas séries. Todas, somavam 48 anos. De fascismo.
“Mais um dia, menos um dia”.
Lembrei, como cada manhã, o servente do Aljube que, anos antes, assim anunciava o dia nascido.

Não adivinhava é que aquele dia, 25-de-Abril, iria ser O DIA.
O dia em que as portas dos tarrafais se abririam pelo lado de fora. Pelo povo. Para todos sairmos das prisões com 48 anos contados a riscos de unha em paredes brancas, sujas.

sexta-feira, abril 22, 2005

Será que esta conversa existiu?

Preparem-se.
Falta pouco mais de dois dias...
Temos de aproveitar para libertar o Sérgio e o Zé Quim.
Temos de criar condições para o Luís Nuno poder regressar de França.
Maia, parece que tens alguém porreiro para comandar um pelotão quando avançares. É de Ourém e...
Mas que se passa, camarada Luís? Parece triste, nostálgico, pouco confiante...

Não é isso, meu major. Tive uma visão do que vai ser isto daqui a trinta anos: corrupção, fuga ao fisco, tráfico de droga, insegurança, mentira, terrorismo de Estado...
Comparada com isto, a exploração capitalista, aquela em que o patrão paga o salário para obter mais-valia, parece uma santa. Mesmo o meu major vai ser perseguido e acusado de coisas horríveis...

Eu, perseguido? E achas que é a primeira vez? Tu próprio vais escrever sobre uma história um tanto semelhante que ocorreu quase há dois mil anos. O nosso povo padece de um défice, não aquele com que ela1 vos vai torturar, mas educacional. Mas eu vou tratar já disso, das perseguições políticas...
Aspirante Sampaio, vá pensando numa lista de homens de confiança porque temos que extinguir a dita...

A verdade é que o Luís Nuno (que aqui representa o português incoformado que resistiu até à última relativamente à integração na tropa colonial) pôde regressar e o Sérgio (o preso político) e o ZéQuim (militar detido por ter participado no golpe que antecedeu e anunciou o 25 de Abril) foram libertados. Um pelotão de Salgueiro Maia que avançou para Lisboa foi comandado por um oureense.
Curiosamente, aquele que preparou tudo isto ao pormenor (e que o fez com o sentido de gerar o que gerou), acabou por ser preso e perseguido. Tantas vezes as revoluções devoram os seus heróis!


1-Referência à política de Manuela Ferreira Leite no governo de Durão

terça-feira, abril 19, 2005

O 25 de Abril na Som da Tinta



Há pouco, deambulando pelo blog da Som da Tinta, deparei com esta bela descrição que não resisti a transcrever:

Um dia, sentado à minha frente, o Roberto Chichorro ouvia-me contar coisas da prisão e do 25 de Abril. E ia desenhando...
Quando se foi embora, deixou ficar o papel sobre que estavam os seus traços. Recolhi esse papel, com a intenção de o guardar junto a outros que tenho como recordações e sinais de amizade. Só que não resisti a utilizar o desenho do Roberto como "logotipo do 25 de Abril do Som da Tinta".


Eis o que a Som da Tinta tem programado:
No dia 22, às 18Jorge Lino dirá poesia alusiva

No dia 25, às 17 – pré-lançamento de "Somos todos netos de Abril" de Sérgio Ribeiro com apresentação de DVD e convívio e representação de cenas por elementos do grupo JCP&VCF
O 25 de Abril da casa amarela

Aproxima-se mais um aniversário da Revolução dos Cravos que, como é usual, vai ser celebrada em Ourém.

Assim, às zero horas do dia 25 de Abril, cantar-se-á o Hino Nacional e a Grândola (!!!!... granda frete...) em frente à Câmara Municipal. Às 10 horas da manhã vai, também em frente à sede do município, hastear-se a bandeira, numa cerimónia repleta de simbolismo, que antecede actuação e desfile da banda e fanfarra dos bombeiros.

Seguir-se-á a Corrida da Liberdade, com prémios para os primeiros de cada escalão.

segunda-feira, abril 18, 2005

Regresso a Abril

Pois é, meus amigos, cá estamos outra vez.
Sem programa, tirando a tradicional comemoração, e agora com muito trabalho (e ainda bem, é excelente sinal, pode ser que venha aí a retoma...)
Eu julgo que isto de falarmos do 25 de Abril vem em espiral. Este ano, tenho poucas ou nenhumas ideias, mas pode ser que isto mude. Então, ponhamos a questão: o que há, desde já, programado para o Ourem?
Vamos esperar que chegue o documento das autárquicas da CDU número 5 e, a partir daí, falaremos exclusivamente sobre o 25 de Abril. Quer isto dizer que vamos iniciar um período de tréguas com o presidente David, vamos deixá-lo em paz por uma semana...
E que vamos fazer ou falar?
Temos algo sobre o 25 de Abril na Som da Tinta para divulgar e que integra um livro do Sérgio Ribeiro (será que alguém tem noção dos livros que o Sérgio tem produzido?).
Encontrarão, a partir desta página, um blog onde se divulga um conjunto de auto-colantes só possíveis após o 25 de Abril. Creio que são poucos, mas, como não tenho nenhuns, já me dou por satisfeito. E há, lá, pérolas como esta:
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Deixo uma proposta ao Fred: que divulgue em formato post a contribuição de Uerun que o ano passado saiu no Castelo, mas em forma de comentário. Acho que ganharia outra dimensão.
Deixo um desafio ao NA: como é que a imprensa da época de Ourém viu o 25 de Abril?
Vou procurar mais algumas fotografias da época.
Vou reciclar alguns textos (4-5) já publicados no Ourem, alguns sem aparente relação com o 25 e vou publicá-los de novo, eventualmente, com alguma nota explicativa.

sexta-feira, março 11, 2005

Um 11 de Março de há 30 anos recordado à dimensão apropriada para blog
Por Sérgio Ribeiro

O Luís pediu (pediu?, convidou!, desafiou!, ordenou!…) que escrevesse sobre o 11 de Março de 1975. Difícil, sobretudo fazê-lo à dimensão do tempo que tenho e de ser suportável por um blog.

Só duas ou três notas. Com a minha verdade histórica.

O 25 de Abril de 1974, abertas as portas das prisões, onde estávamos presos todos nós, e alguns de nós em particular, depois da euforia e indefinição das primeiras horas, recomeçou a luta (de classes, digo eu…).

Que tomou a forma de controlo da economia. Os 7 grandes grupos económicos que dominavam a economia e a finança tinham um poder sobre a sociedade portuguesa verdadeiramente tentacular, e os novos caminhos, a trilhar em liberdade e democracia, teriam de beliscar esse poder. Que não gosta de o ser. Foi a luta entre um poder político a democratizar-se – e a querer desenvolver e descolonizar – e um poder económico alapado aos proteccionismos de todo o tipo.

O primeiro confronto terá sido com a proposta de um “movimento” de empresários (MDSE) que se propôs “gerir a política”, com Spínola, que fora nº 2 de Champlimaud na Siderurgia Nacional, SA, a servir de ponte. Quase logo, ou ao mesmo tempo, o apelo à “maioria silenciosa” e o ensaio do 28 de Setembro.

Mas o poder político, os governos provisórios – com os partidos neles representados (PPD, PS, MDP/CDE, PCP) – e o MFA, resistiu a essa tentativa do poder económico-financeiro de recuperação do controlo total sobre a vida social portuguesa.

No final do ano de 1974, apareceram os alarmes, catastrofistas e falsos, quanto aos défices e à situação da economia e finanças portuguesas, e apareceram uns planos “de rigor”, com Melo Antunes e Vítor Constâncio a serem protagonistas, mas era evidente que, sem o controlo da banca e sem a subordinação dos grandes grupos ao novo poder político, não haveria novos caminhos.

Os confrontos iam-se agudizando, dentro dos “poderes”, entre o poder político, inseguro e heterogéneo, e o poder económico, nada disposto a perder posições e a submeter-se a objectivos que não controlasse.

Como o poder real estava nas mãos dos militares, o conflito eclodiu em golpe e contra-golpe, utilizando grupos e armas, e foi o 11 de Março. Que, na minha versão, começou por ser uma tentativa do poder económico tomar o poder pela via das forças armadas, com uma reacção, ainda das forças armadas e populares, para se prosseguir pelas portas que Abril abrira, como disse o poeta.

Ganharam estas forças. Do 11 de Março resultou a grande leva de nacionalizações, o esforço para que o poder económico ficasse, de vez, subordinado ao poder político, tal como se ia organizando.
Mais dois apontamentos.


1. A vitória desde logo se sabia (quem sabia…) efémera, porque a luta iria continuar por outras (e todas!) as formas, desde a demissão de ministros do 4º governo provisório que o derrubariam, até ao terrorismo que surgiu em Portugal. E assim foi continuando, com o derrube do 5º governo, com o remendo que foi o 6º governo, com o 25 de Novembro.

2. Apesar de tudo, e não obstante parecer pretender-se esquecê-lo, foi cumprido, escrupulosamente, o calendário que marcava eleições no prazo de ano a contar de 25 de Abril de 1974: a 25 de Abril de 1975 houve eleições para a Assembleia Constituinte! O 11 de Março não o impediu. Talvez sem o 11 de Março, como ele foi, assim não tivesse sido.

Com o 11 de Março foram criadas condições para se fazer um caminho que estava delineado desde 25 de Abril de 1974, mas ele foi, sempre, combatido, sabotado, traído. Continua a sê-lo por quem conta a História de outra maneira.


Isto digo eu, claro. Que a conto assim. Porque assim a vivi.

11 de Março de 1975

Ainda se fazia a festa, pá...
A Teresa e o Luís Nuno (na altura conhecido, no meio, por Barbas e seu companheiro),viviam em Alpiarça. Eram ferozes anti revisionistas, de extrema esquerda, mas sempre conviveram com os 'inimigos' e respeitaram-se mutuamente, ao ponto de o Luís Nuno ter feito parte da Direcção da maior Associação Desportiva e Recreativa - Os Águias.
Eu, sempre hesitante, estava no Exército ligado a uma estrutura do COPCON. Puxava para a extrema, mas recusava-me a atacar o PCP.
Tínhamos a ilusão que as coisas podiam avançar, mas já havia a certeza de que alguém não apoiava. Spínola armadilhou os paras e atirou-os contra o RALIS. Houve perda de vidas. O soldado Luís foi martirizado e imortalizado.
Ficámos em alerta máximo uns dias. Foram horas em que, para além dos nervos, se conseguia, apesar de tudo, jogar xadrês enquanto as forças em conflito se reequilibravam.
Tive a honra de num desses dias ficar de vigilância à casa, em Cascais, desse ser magnífico que foi conhecido como Camarada Vasco que, poucos dias depois, se não estou em erro, declarava a nacionalização da banca.
Começou a ver-se o processo avançar. No Governo, Silva Lopes e Mário Murteira não se manifestavam contras as nacionalizações, eu penso que até apoiaram, apesar de, agora, exibirem alguma hesitação quando falam no assunto.
Mais de 1000 empresas entraram em autogestão. Os capitalistas, quando sabotadores, fugiam ou eram presos. Houve excessos? Sem dúvida. Mais tarde, houve coisas erradas que viraram as pessoas contra nós. Mas foi bonito...

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Sei Que estás em festa, pá…

Pois é, meus amigos, foi quase tão bonito como no 25 de Abril.
Temos uma maioria de esquerda, apoiada na maioria absoluta de uma organização que tem na liberdade uma mensagem essencial. Claro que podia ser melhor com mais uns votos na CDU e no BE em detrimento do PS, mas...
Pela primeira vez, acredito que podemos construir uma sociedade mais justa pela via eleitoral.
Os políticos de direita reconheceram a derrota e aceitaram-na.
Será que os políticos de esquerda vão estar à altura de quem os elegeu?

terça-feira, abril 27, 2004

O 25 de Abril na imprensa da época em Ourém
No meio do meu arquivo de papeladas de há 30 anos, saco colagens referentes ao modo como vi essa data magnífica no Notícias de Ourém e no Ourém e seu Concelho.
Peço desculpa pelo facto de não ter passado os documentos para formato texto. O reconhecimento óptico de caracteres não está a funcionar bem e depois a correcção é algo de fastidioso e corta a magia do momento. Ourém merece tudo, é verdade, mas emendar ou reescrever aquilo é sofrimento a mais.
Assim, fiquem-se com os restos de papel amarelecido que guardei. Infelizmente também já não tenho os jornais na sua totalidade para dar uma visão mais completa sobre os mesmos.
Não resisto a contar-vos que o radicalismo era de tal ordem que, algum tempo mais tarde, em momento de crítica e auto-crítica, levei um ralhete dos meus amigos que viriam a juntar-se em organizações ml (marxistas leninistas), com os quais alinhava embora hesitante, pelo facto de ter dado vivas a Portugal e às forças armadas. Eu confesso que também nunca gostei muito de dar vivas, mas, na altura, até pensei que se justificavam. O momento era único, mas a herança do fascismo transportava uma enorme desconfiança.

Eis o artigo do Notícias de Ourém



Eis o que escrevi em Ourém e seu Concelho





domingo, abril 25, 2004

Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas...
E, naquele tempo, , por onde andavam e que faziam distintos oureenses?
Sérgio: preso em Caxias (prestes a ser libertado).
Luís Nuno: exilado em França (prestes a regressar).
Zé Quim: sob detenção nas Caldas (prestes a ser libertado).
Luís: vigilante na EPAM.
Luís Filipe: apoiando em alguma unidade do Continente.
Zé Rito: em voo para Seia.
Jó Rodrigues: coleccionador competente e avisado de plantas, xaropes e químicos naturais para aliviar o mal-estar dos oureenses de então.
Alfredo: a preparar o abandono organizado do Quelhas e a grande marcha relativa ao regresso vitorioso à futura urbe.
Rui Themido: Ourém já não é o que era, a Medicina vai chamá-lo para outras paragens.
Rui Leitão: novas fórmulas, novos fármacos, há que revitalizar Ourém.
Zé Domingos: Engenharia é para terminar, mas em Ourém continuará caçadas e patuscadas.
Jó Alho: quase martirizado nas colónias.
Humberto: em busca dos tesouros dos Aztecas, dos Maias e dos Incas.
Vítor: guarda-redes da equipa maravilha a quem alguém não reconhece o Direito de, de Facto, o ter sido (mas ele já tem hábil seguidora para defender tão intangível activo).
Tóino: a assistir ao nascimento dos primeiros vitelinhos.
Ferraz: à procura do verso, à procura do trinado, a ensaiar o maior, o menor, o corrido…
Barrosos, Quim Manel, Quim Zé, João da Quinta, Aires, Kansas, Zé-Tó, Tó-Liz, Licínio, Luís e Alberto (manos Facas), Maximino, Nicolau, Natureza, Queimado, Augusto, Jóia: nada sei sobre o que faziam neste momento, mas podem enviar-me relatório para o Quartel.
Quim, Julito, Genito, Duarte, Félix, Vitor Guerra, Pintassilgo, Cúrdia, Zé Alberto, Manuel: ou a iniciar as suas vidas ou aos tiros nas colónias ou no Poço (então bem real) a comentar tão gratificantes acontecimentos.

E o Zé Manel, lá de cima, contemplava tudo isto com um sorriso e pensava: “se estivesse lá com a minha viola, também podia dar uma ajuda”.

quinta-feira, abril 22, 2004

Preparem-se.
Falta pouco mais de dois dias...
Temos de aproveitar para libertar o Sérgio e o Zé Quim.
Temos de criar condições para o Luís Nuno poder regressar de França.
Maia, parece que tens alguém porreiro para comandar um pelotão quando avançares. É de Ourém e...
Mas que se passa, camarada Luís? Parece triste, nostálgico, pouco confiante...
Não é isso, meu major. Tive uma visão do que vai ser isto daqui a trinta anos: corrupção, fuga ao fisco, tráfico de droga, insegurança, mentira, terrorismo de EStado... Comparada com isto, a exploração capitalista, aquela em que o patrão paga o salário para obter mais-valia, parece uma santa. Mesmo o meu major vai ser perseguido e acusado de coisas horríveis...
Eu, perseguido? E achas que é a primeira vez? Tu próprio vais escrever sobre uma história um tanto semelhante que ocorreu quase há dois mil anos. O nosso povo padece de um défice, não aquele com que ela vos vai torturar, mas educacional. Mas eu vou tratar já disso, das perseguições políticas...
Aspirante Sampaio, vá pensando numa lista de homens de confiança porque temos que extinguir a dita...

segunda-feira, abril 19, 2004

À espera do 25 de Abril

E pronto, fazemos uma curta paragem até à data em que se comemora o Magnífico. Manter-nos-emos em silêncio, se não houver guerras suscitadas pelas recordações.
O próximo post vai de novo lembrar os distintos oureenses. Vai enumerá-los e procurar determinar onde estavam, o que faziam, com que sonhavam...
Peço desculpa por qualquer omissão, incorrecção ou referência considerada de mau gosto que possa ser feita. Estarei disponível para modificar o quer que seja.
O post será publicado exactamente no 25 de Abril (se o sistema o permitir) e, como calculam, já está elaborado e bem guardado em local secreto.
Planeamos, entretanto, os detalhes de nova peregrinação a Ourém, para visitar e comentar sítios que nos foram queridos. Agentes da destruição, se virem alguém de máquina fotográfica ao peito, cuidem-se...

domingo, abril 04, 2004

Ó do Castelo
Eu também lá estava no 25 de Abril.
A participação foi muito humilde, mas serviu para ficar feliz da vida por uns tempos. Estava na Escola Prática de Administração Militar (EPAM) tinha concluído a especialidade e aguardava colocação noutra unidade como aspirante a oficial miliciano. Apesar do carácter ditatorial do regime, éramos uns senhores, pois deixavam-nos sair do quartel e vir dormir a casa. Comigo estavam muitos colegas de Económicas (o Albino, o Jorge (boisano), o Teixeira, o Angelo, o Gilberto e outros cujo nome não recordo). Não sabíamos de nada, quando acordei fui surpreendido pela rádio a anunciar o golpe e a dizer-nos para comparecermos no quartel. Lá fui com mil interrogações: seria um golpe da extrema direita de que tanto se falava?
No quartel sossegámos. Um oficial de alta patente informou-nos acerca das intenções e pediu a nossa participação. Deixou-nos a liberdade de sair ou ficar. Mais de 90% ficaram, dois ou três saíram. E começou a grande aventura. O boisano, tipo comando suicida, muniu-se de granadas à volta da cintura e foi dar uma ajuda para a RTP. A mim coube-me guardar os postos de sentinela da EPAM. Pela tarde começaram carros a passar com pessoas a saudar-nos e a fazer o V da vitória, lá mais para meio da tarde alguém gritava "ganhámos, ganhámos". Não ouvi um tiro, nem um insulto, só vi alegria nas pessoas. Pela noite, os dois ou três que tinham abandonado o quartel regressaram e foram recebidos com alegria. A vigilância ao quartel continuou. Mas logo nesse dia um camarada de armas me dizia que a revolução era uma coisa muito limitada, só iria trazer as liberdades formais. Mas eu não acreditava, sempre depositei muitas esperanças no Movimento, apesar de o primeiro contacto com a Junta de Salvação Nacional ter constituído um choque. Que faziam ali aqueles generais? As parecenças com a junta chilena fizeram-me pensar o pior o que felizmente não veio a verificar-se.
Ficámos fechados no quartel uns três ou quatro dias. Eu comecei a preocupar-me, a Ana estava quase a nascer e o comando revolucionário permitiu-me ir a casa. Fiquei extasiado com as manifestações que vi na rua e a que antes nunca tinha assistido, porque era sempre fugir à frente da polícia.
A festa durou mais perto de ano e meio. Estive lá no 28 de Setembro e no 11 de Março. Tive sempre a sensação de estar muito perto do poder. Na altura, desculpem-me que o diga, embirrava com os nove, gostava de Otelo. Mas o meu temperamento hesitante fazia-me sempre admirar Vasco Gonçalves, apesar de não gostar do PCP.
Pouco a pouco, fui vendo as pessoas cansarem-se da revolução, exigirem o regresso dos militares aos quartéis. Mas por que nos estavam a fazer aquilo, se nós só queríamos o melhor para elas? Vieram as eleições. O PS venceu e quando eu pensava que uma aliança com o PCP era o mais natural teimou em governar sozinho ou em aliar-se à direita. Uma coisa que nunca consegui perceber é porque é que o PS e o PCP nunca se entenderam para formar governo. A verdade é que, olhando hoje para as sociedades que seguiram o modelo de desenvolvimento soviético, confesso que não gostava nada daquilo. Mas o cinismo da sociedade burguesa é tão limitador, porquê ficar sujeito a estas opções?
No 25 de Novembro já tinha abandonado a vida militar. Vi de fora, com alguma tristeza, o desmoronar de um sonho em que procurava uma sociedade onde não existisse a exploração do homem pelo homem.
Mas ficou a liberdade formal. Antes não podia falar porque corria o risco de ser preso, agora posso gritar à vontade que ninguém me liga.
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