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quarta-feira, dezembro 06, 2006

Acordar

É o retorno lento por acaso num dia que traz algum sol.
Nem sei por onde hei-de começar.
A saga de Branca Flor terminou. Já tenho à minha frente os cinquenta exemplares produzidos e agora há que esperar pelo próximo Poço.
Mas que fazer até lá?
Vamos voltar àquelas horríveis preocupações do dia a dia? Breve, vou ter que retomar aquele trabalho das câmaras. Lá vou escrever ao Orelhas Moucas a fazer-lhe perguntas a que ele não responderá. E são tantos como ele: da última vez, se bem me lembro, uns 92%...
Gostaria de continuar a utilizar Ourém como ficção. Ou o próprio país... apontando para algo mais actual, com novas personagens... por exemplo o Hipócrates. Sim, aquele que veio dizer que garantir 500 euros mensais, em 2011, aos pobrezinhos que se matam a trabalhar, é uma medida de largo alcance. Aliás, consta que nunca houve nada de semelhante no país...

terça-feira, novembro 28, 2006

Um desafio à perspicácia oureana

O OUREM vai hibernar por uns dias.
Mas deixa-vos algo de aliciante. A partir deste momento, os meus amigos podem colaborar na solução do mistério que assola Ourém há tantos anos.
Quem matou BRanca FLor? Estará o inspector Alforedo de Tanta Fita dentro da razão? Não terão os meus amigos uma melhor versão dos acontecimentos?
Deixem aqui a vossa solução e garanto-vos: se for melhor do que a que está elaborada e aguarda publicação, será ela a escolhida. Vamos, ponham à prova os vossos dotes adormecidos de investigação. No final, o prémio para o melhor será inolvidável.
E, com este post, terminamos a nossa longa referência à "História Triste de Branca Flor".

segunda-feira, novembro 27, 2006

Quem matou?

Estavam todos reunidos no espaço do café Central, local escolhido devido à eventual necessidade de reconstituição. Alforedo de Tanta Fita ocupava o local junto àquela mesa de dois lugares nas costas da qual ficava a escada para a cave. Ao seu lado esquerdo, alguns quadros mostravam a Ourém dessa época. As pessoas foram-se espalhando à sua volta e Alforedo começou a sua dissertação.
- Meus senhores, estamos aqui para tentar esclarecer a morte de uma menina de Ourém conhecido por Branca Flor e que teve uma morte horrível num banco do jardim em frente. Durante muitos dias procurei uma explicação para o que se tinha passado. Ouvi pessoas, fui a vários locais, consultei a imagem que a fotografia tirada após o crime revela. Constato que essa imagem tem alguma semelhança com aquele quadro que ali vêem na parede e isso leva-me a pensar que alguma mão criminosa também adulterou a imagem. Reparem no quadro há uma pessoa, na fotografia, a pessoa não se distingue, mas, em baixo, podemos distinguir claramente os pés de alguém...
O empregado do café, o Vicênzio, começou logo a tremer.
- Mas, senhor inspector, eu estou nessa fotografia, mas não matei ninguém...
- Eu sei, meu rapaz. Possivelmente alguém quis atirar as culpas sobre ti, mas eu sei quem é o culpado – e olhou significativamente para Orelhas Moucas.
Leontina começou a enervar-se:
- Vá lá, senhor inspector, diga quem foi esse bandido, preciso de ir regar as couves.
- Esteja calma, dona Leontina. A memória de Branca Flor deve merecer-nos mais respeito. Uma coisa vos posso dizer: o assassino está aqui, entre nós...
- O quê?
Olharam todos uns para os outros cada um pensando que o outro era o criminoso. Mas o inspector não os deixou esperar mais tempo. Alforedo Tanta Fita fitou longamente os presentes. Encheu o peito de ar e disse:
- Meus senhores e minhas senhoras, finalmente esclareci o mistério da morte de Branca Flor. Não foi fácil, podem crer, houve muitos de vós que me ocultaram provas e factos, mas a minha inigualável experiência permitiu-me chegar ao fim. Vou satisfazer a vossa curiosidade. O assassino de Branca Flor foi...

E agora, os amigos oureenses terão de esperar até 3 de Novembro de 2007 para saberem, eventualmente através de algum frequentador do Poço, se o assassino de Branca Flor foi ou não descoberto...

sexta-feira, novembro 24, 2006

O estigma Orelhas Moucas

Branca Flor foi violada, açoitada, usada, enxovalhada, amaldiçoada e assassinada naquela terra.
É certo que amou e foi amada com toda a veracidade que essas palavras podem transportar em qualquer local da nossa sociedade.
Mas não conseguiu perdoar àquela gente. Um dia, antes de encontrar o grande amor da sua vida, ela produziu uma maldição dirigida ao miserável Orelhas Moucas. O uivo de loba apoderou-se do vento, enormas pedras sairam dos seculares buracos onde descansavam, as árvores libertaram as suas raízes da terra, a água desatou a correr, a encosta dos moinhos por trás da Câmara começou a vir por ali abaixo.
De repente, ela teve a noção de que aqueles não eram os únicos culpados do seu infortúnio. E a gente mesquinha de Ourém que os apoiava e que, no fundo, na sua falsa moralidade, a condenava? Ela bem via o seu ar falsamente púdico quando iam aos domingos à igreja pedir perdão dos pecados que tinham feito durante toda a semana. Não mereceriam castigo?
- Pára!!! - exclamou Branca Flor extraindo mais um pelo de gato preto quando assanhado - Que mais Orelhas Moucas assolem esta gente nos próximos cem anos. Que os seus anseios sejam sempre espezinhados. Que o seu património e a sua cultura sejam destruídos a favor dos interesses dos ricos. Que os que de entre os mais humildes têm alguma coisa disso sejam despojados em falsas realizações de interesse público...
Como por encanto a enxorrada parou, ainda envolvendo o edifício onde Orelhas Moucas permanecia aterrorizado com o ruído. O povo pensou tratar-se de algum castigo divino, mas desligou do assunto interessado que não estava em lhe dar castigo terreno.
E a maldição de Branca Flor parece não querer largar os oureenses...

quinta-feira, novembro 23, 2006

O grande detective



Esta é a imagem de Alforedo de Tanta Fita que, uma tarde de Outubro lá para meados da década de sessenta, chegou a Ourém com a missão de descobrir a razão de estranhíssimos acontecimentos que se tinham passado naquela terra e que tinham culminado na morte de uma formosa donzela junto ao café Central, onde se integravam também ataques de vampiros, enforcamentos em escadas de depósito, enxorradas pela encosta do moinho e estampanços contra choupos centenários.
É dele uma das melhores tiradas que ilustra cabalmente a sua sagacidade, embora proferida numa fase muito inicial da pesquisa:
- O assassino de Branca Flor é Leontina... Porquê? Porque é magra... e o que não mata engorda.
Direito de pernada

Branca Flor caiu nas garras de Orelhas Moucas.
Na sequência do acidente que enviou a nossa heroína para o hospital, Orelhas Moucas foi visitá-la e insinuou-se na simpática família da menina. Não tardou muito, estavam a pedir-lhe que contratasse Branca Flor para a Câmara, uma vez que já tinha concluído o quinto ano dos liceus, mas ele teve receio que ela fizesse a cabeça doida a todos aqueles homens que enchiam o local de trabalho e acabou por lhe dar emprego numa lojeca de santos em Fátima perto do posto de turismo e da farmácia.
Branca Flor não era a única menina ali colocada naquelas circunstâncias e, a breve trecho, apercebeu-se que ele servia-se da qualidade de patrão para lhes extrair favores sexuais. Tantas vezes ela ficou envergonhada enquanto ouvia os grunhidos e gemidos de Jaquina da Purificação na lojeca ao lado quando ela fingia atingir o orgasmo com o improvisado mas irrepreensível senhor.
Colabou, é certo, mas permaneceu sempre fria e hirta enquanto Orelhas Moucas se servia dela. No final sentia-se suja, enojada, mas pensava: “quando o lobo chega, é tarde para gritar ordens e conselhos...”.
Ironicamente, nesse mesmo local veio a conhecer o amor da sua vida.
Gandolfo Paixão, um jovem oureense, encantou-se de Branca Flor num momento em que arranjara um emprego em Fátima e, a partir de então, a felicidade do par de pombinhos foi inexcedível.
Mas está escrito que à maior felicidade pode estar associada a maior desgraça. Orelhas Moucas não quis sair da vida da menina.
Um dia, Gandolfo assistiu ao seu encontro e não quis ser vértice naquele malvado triângulo. Branca Flor ficou abandonada na solidão do banco de jardim em frente ao edifício da Loja do Povo, sei lá, talvez a uns trinta metros do café Central.

quarta-feira, novembro 22, 2006

O encontro com Orelhas Moucas

David Orelhas Moucas gostava de fazer favores. Um dia, após um lauto banquete com um proprietário da região, regressava à Câmara a alta velocidade, porque estava atrasado para uma reunião.
Ao passar junto ao depósito, um vulto começou a atravessar a estrada. Travou com toda a força. O carro produziu enorme chiadeira, mas foi tarde.
O embate com o peão produziu-se. Uma menina foi projectada a alguns metros.
David saiu do carro. Nesse momento, o seu homem de confiança, Vitor Pavão, apareceu e reconheceu o corpo.
- É a filha do Adalcibíades.
Orelhas Moucas sentiu-se incomodado. Não gostava daquele homem desde que ele tinha virado a população contra ele e o tinha feito passar um mau bocado.
Aproximou-se do corpo da menina. Apercebeu-se que ela era muito bonita e levou as mãos à cabeça.
- Meu Deus, o que eu fiz...
Começaram a juntar-se pessoas.
- O gajo vinha com excesso de velocidade – ouviu-se dizer.
- Claro, é o presidente da Câmara. Vão ver que não lhe acontece nada.
- Chamem uma ambulância por favor. Responsabilizo-me por todas as despesas...
Branca Flor jazia no chão sem dar sinais de vida.
Que irá acontecer?
Salvar-se-á?
Desaparecerá sem conhecer o presidente Orelhas Moucas?
Quem estava com Orelhas Moucas no regresso do almoço com o rico proprietário da região?
Amigo oureense, não deixe de acompanhar mais pequenos episódios da novela “A história Triste de Branca Flor” que o Ourem vai revelando e não esqueça que a resposta a estas e outras perguntas será dada no momento da sua publicação que, tudo o indica, surgirá em 3 de Novembro de 2007, data do XXII almoço/convívio do Poço

terça-feira, novembro 21, 2006

Oh! O rapaz vai nu...



Um dia, a rapaziada decidiu ir tomar banho para o rio. Branca Flor assistiu aos preparativos de qualquer coisa embora não conseguisse perceber o quê.
Resolveu segui-los...
Sairam de Ourém e ali, na Corredoura, viraram à esquerda, aproximando-se da ponte.
Faziam quase sempre aquele percurso, depois saiam da estrada e subiam ou desciam ao longo do rio conforme lhes desse.
No rio, uma miúda tentava apanhar peixe com um cesto, mexendo-se desalmadamente de um lado para o outro.
- É a fulaninha dos Castelos. Anda quase sempre ali, depois vai vender o peixe para o mercado. Não fala a ninguém, é uma importante...
Continuaram na direcção da Melroeira, sem saberem que Branca Flor os seguia. A certa altura pararam e Branca Flor escondeu-se atrás de uma árvore para os ver. Deliciou-se a vê-los despir e, quando se atiraram à agua, apreciou o seu porte ainda relativamente juvenil.
“Nem sabem o que os espera”.
Enquanto se divertiam na água, ela aproximou-se sorrateiramente das roupas e fugiu com elas na direcção de Ourém.
Pelo caminho aproximava o nariz daquelas roupas cujo cheiro contrastava com o perfume suave e natural do seu corpo. Menina adolescente, isso provocava-lhe sensações contraditórias.
“Homem másculo de Ourém cheira a cavalo ou cabresto...” – pensava.
Imaginam os meus amigos como os miúdos oureenses se sentiram quando viram que lhes tinham roubado as roupas e se aperceberam que tinham de regressar em pelo até casa. Voltaram à ponte, daí passaram para o outro lado e caminharam tentando esconder-se entre as árvores.
Duma janela, a tia Alice chegou a dizer:
- Oh! O rapaz vai nu...
Ninguém lhe ligou, pensaram que era um caso de senilidade, mas a verdade é que a travessia do largo da igreja e o regresso a casa daqueles meninos, perante o espanto dos frequentadores do Central e dos que atravessavam a avenida, foi nas condições descritas. Mais descansados ficaram quando, à porta de casa, depararam com as suas roupas cuidadosamente dobradas.
A partir de então, aquela ponte por onde passaram ficou conhecida como “A ponte dos desnudados”.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Uma sova monumental



- Agora vais pagá-las todas, grande sacana!
Foi assim que Adalcibíades Campos Flor vociferou contra o pérfido professor quando da segunda tentativa deste para violar a sua menina, Branca Flor.
Nunca em Ourém alguém pregou uma sova maior e mais justa do que a que foi dada a Vitorino Falinhas Mansas naquele dia. Foi esmurrado, esbofeteado, pontapeado sem piedade. O sangue jorrou-lhe abundantemente da cara e, ao fim de pouco tempo, ficou inanimado.
Foi transportado ao Hospital de Ourém e depois ao de Torres Novas na ambulância que os meus amigos podem apreciar.
Dizia o seu condutor, o ti Júlio:
- Nunca vi uma coisa assim. Parecia que tinha passado um cilindro por cima do homem ou que lhe tinham pegado por uma perna e batido com ele contra uma árvore. Era só sangue, a cara esborrachada, o peito parecia que se colava com as costas...
Apesar de tudo, o Falinhas Mansas escapou.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Entusiasmo

... é o que pode dizer-se da atitude de muitos oureenses perante a obra que se anuncia.
Um entusiasmo com uma manifestação contraditória: baixam as audiências, mas sobem os comentários. Claro, isto é literatura de cordel, se calhar nem isso é, não merece a atenção de gente tão séria.
A Teresa tem sido excepcional, a povoar o blog com contribuições que o enriquecem de uma maneira que eu não gostaria de ver perdida. O mesmo posso dizer em relação ao nosso amigo Santa Cita que, apesar de tudo, ainda não adivinhou quem foi o assassino de Branca Flor. O Sérgio também já manifestou o seu desejo de que o autor não desistisse.
São três vozes muito importantes para mim e a quem levo muito a sério.
Mas os aplausos não se ficaram por aqui.
Pessoas amigas têm-me telefonado a manifestar o seu apoio. Não percebo a sua timidez em aparecerem no blog. Talvez por a estória ser ordinária, mas isso é assumido desde início e, como já devem ter reparado, já fizemos uma deslocação do palco para não ferir susceptibilidades...
Têm também de compreender a minha inexperiência nestas coisas, na construção de tramas. Já escrevi 49 páginas e ainda faltam alguns capítulos, notando-se uma certa desigualdade nos tamanhos. Outras ideias surgem pelo caminho: mais ficção sobre vida política na Ourém de então (já que a real todos sabemos como é e era), mais brincadeira como o assalto ao carregamento de água-pé ou o roubo do carro dos bombeiros... mas tudo isso vai fervilhando e tem que se deixar cozer bem...
Ainda vou ser acusado de plágio

Confesso que não estava à espera desta.
De repente, percebo por que razão o nome para a obra me chegou com tanta facilidade. Uma espécie de partida do subconsciente operada a partir de uma descoberta na doce casa dos fantasmas.
Mas desenganem-se os meus amigos...
Aquela Branca Flor, anafada, sentada no chão, não é a nossa Branca Flor. O tempo também é diferente: estamos numa Ourém perto da nossa, onde já se anunciavam as maldições que nos iriam perseguir no século XXI e que, se os oureenses dessem ouvidos a quem em devido tempo os avisou, já teriam sacudido. Aquele guerreiro, coberto pela armadura, não é o nosso herói. E o assassino, como se verá, tem uma figura bem diferente daquela que vos é sugerida pela gravura...

quarta-feira, novembro 15, 2006

Terror nos moinhos de vento

Este é uma imagem do local até onde Branca Flor seguiu os seus amigos sem eles se aperceberem e os aterrorizou imitando o uivar dos lobos do Vale Travesso, atirando pequenas pedras sobre a cobertura e pondo a vela do moinho em movimento.
De repente... um enorme clarão iluminou toda a Ourém num raio de mais de 2 quilómentros a contar do ponto central ali no moinho. Ao mesmo tempo, produziu-se uma formidável explosão. Branca Flor desatou a fugir e escapou sem nada lhe acontecer. Dentro do moinho, nem todos foram tão felizes na tentativa de fuga*.
Em poucos segundos, desceram a encosta ingreme, passaram junto ao chafariz e pararam no largo onde se inicia a rua de Castela. Alguns estavam chamuscados, um tremia e não dava sinais de se conseguir recompor.
- Devia ser algum fantasma que não gostou que ali estivessemos.
Nos dias que se seguiram, tudo isto foi muito comentado em Ourém e Branca Flor gozava interiormente com o grande susto que lhes tinha pregado. Gostava de ouvir aquelas conversas em que as pessoas pensavam que uma alma do outro mundo tinha ido incomodar os rapazes que estavam no moinho, isso fazia-a sentir importante, era como se estivesse a observar o mundo e as suas crenças, com plena explicação do real, sem mais ninguém a conseguir ver. Ao mesmo tempo, estava contente por não lhes ter acontecido nada de mal. Essa não fora a sua intenção, ela só pretendia divertir-se.

* - pormenores no desenvolvimento da obra "A história triste de Branca Flor" a editar para o XXII almoço convívio do Poço

terça-feira, novembro 14, 2006

A quinta do lobo uivador



A quinta do lobo uivador situa-se nas imediações do Vale Travesso. Branca Flor e o seu amigo João Sem Terra aí estiveram um dia a surripiar fruta aos seus donos legítimos. Aquilo aqueceu um pouco e os nossos jovens amigos distrairam-se acabando por ser encontrados pelo vigilante da quinta. João Sem Terra conseguiu fugir, mas Branca Flor ficou refém do dono da quinta.
Não calculam os meus amigos o que ela passou. Quanto foi açoitada...
Enquanto o castigo decorria, o uivar dos lobos parecia acompanhar o seu infortúnio. Ela nunca mais esqueceu esse som e esses momentos e, mesmo hoje, quando se passa perto da quinta parece que o vento reproduz esse ruído.
Valeu-lhe mais uma vez a sua beleza e os ciúmes da mulher do dono da quinta.
Branca Flor foi açoitada, enxovalhada e expulsa daquele lugar, sob ameaça de denúncia à polícia.
Mas viria a conseguir a sua vingança...

segunda-feira, novembro 13, 2006

A quinta praga de Branca Flor

Um dia, apontando para o que fora o menino que vivera na casa vermelha da rua de Castela, ela profetizou:
- E tu ficarás lá para dizer mal deles todos.
Ingrato destino este que nos calha. Que nos leva a ver as actas da câmara e a encontrar coisas estranhas. Como aquela... que mereceu voto favorável da oposição e tudo...
A câmara de Ourém (acta de 23 de Outubro) prepara-se para gastar 17500* euros mais IVA no almoço e prenda para os funcionários cá do burgo.
Não fazem por menos.
Não contesto a justeza de as organizações aproveitarem estas ocasiões para cimentar a sua cultura e a aderência das pessoas aos fins da mesma.
Mas imagine-se que as 308 câmaras do país fazem o mesmo: mais de 5 milhões de euros em festas de Natal. E quanto vão gastar a mais nas luzinhas da época? E quantos buracos vão deixar de tapar por falta de verba? Num momento em que se preparam péssimas notícias para os trabalhadores da função pública isto parece mesmo a gozar com o mexilhão (o tal que se licha no fim).

* eles queriam gastar 27500 mas, graças ao vice-presidente, vão poupar 10000
Estrutura da obra

Meus amigos, respondendo a inúmeros receios que entretanto nos fizeram chegar, "nós não vamos desistir". A nossa estória irá para a frente, podendo ao longo do percurso da sua escrita sofrer alguma mudança de rumo. Relembramos que pretendemos que tudo seja visto como ficção: personagens diferentes a ocuparem os nossos espaços em Ourém e possibilidade de existência de outros espaços. Neste momento, já existe uma ideia sobre o conteúdo.
"A história triste de Branca Flor" é uma novela em oito capítulos que obedece à estrutura seguinte:
1 - A infância de Branca Flor
2 - Desvarios de juventude
3 - Branca Flor é violada à saída do colégio no regresso a casa
4 - Açoitada pelo dono da quinta
5 - O encontro com o presidente
6 - Rituais satânicos
7 - Branca Flor é morta
8 - Quem matou Branca Flor?

domingo, novembro 12, 2006

Pelo de gato preto (quando assanhado)




Se os meus amigos consultarem um dicionário satânico ou qualquer demoniólogo (que os há dos bons em Ourém), ficarão desde logo a saber que o pelo de gato preto era utilizado para fulminar com pragas todos os que não caíam nas boas graças dos candidatos a bruxos e bruxas, na nossa terra.
Não admira, então, que Branca Flor, nascida no seio das camadas populares mais genuinas e humilhada por elementos lumpen ou em ascenção na hipócrita sociedade burguesa oureense, os tenha brindado com os castigos tão horrendos como os descritos no post anterior e que a obra onde contamos a sua história vai demonstrar que ainda foram piores.
Mas houve alguém a quem ela não fulminou, transferindo a praga para os oureenses que assim passaram a ter que suportar os resultados das suas acções pelo interior do século XXI. Adivinham quem foi não é verdade?

sexta-feira, novembro 10, 2006

Algumas personagens da estória

Ao ritmo a que avançamos no argumento, é difícil apresentar todas as personagens da novela. Há muitas ideias, falta a ligação entre algumas, há também uma preocupação de dar um tratamento mais ou menos uniforme a cada capítulo e isso é contrariado pela consciência de que muitas ideias se esgotam no seu enunciado e outras podem ter imensas palavras a desenvolvê-las.
Repetimos que tudo não passa de ficção com menor ou maior aderência à realidade envolvente. Apresentamos, em seguida, algumas das personagens já identificadas. Faltam outras como, por exemplo, o grande, o verdadeiro amor de Branca Flor que ela veio a encontrar tardiamente já em pleno processo de lançamento de maldições sobre os seus semelhantes. Era um velho conhecido que já encontrara em criança e lhe mostrava os seus livros de aventuras numa casa da rua de Castela, mas estivera muitos anos sem o ver. Pensamos também em lançar um detective na estória para tentar decifrar quem assassinou Branca Flor e com que motivações.

Branca Flor – a nossa heroína, uma menina que teve o azar de frequentar o estudo no colégio onde foi encontrada e enganada por um professor sem escrupulos que a lançou prematuramente na vida sexual e num conjunto de orgias que mostravam o seu (dela) carácter um tanto desequilibrado.

Luisinho das Caveiras – um amigo de branca Flor que se envolveu com ela na fase de dedicação a rituais satânicos, apoindo-a com instrumentos para a prática e lançamento de maldições a todos os que se serviram de Branca Flor

Eufrázio dos Bons Costumes – director do colégio, mais um que tentou abusar da nossa heroína, expulsando-a no culminar do processo para manter as boas graças da mulher. Acabou por morrer em desastre automóvel quando, após uma travagem para não atropelar um cão frente ao campo de futebol do Lagarinho, o carro derrapou e foi bater violentamente contra um choupo centenário, apercebendo-se então do pelo de gato que simbolizava a maldição e estava sobre o tablier.

Leontina – esposa do Eufrázio. Desconfiava do marido e, por isso, andava sempre a vigiá-lo. Um dia, apanhou-o com Branca Flor e pressionou a expulsão da formosa menina.

Miguel do Pincel Curto – miúdo oureense com uma fixação doentia no volume do orgão genital o que o levava a propor sistematicamente comparações aos amigos e a considerar uma efémera erecção como um tamanho já adquirido, sentindo-se desesperado quando não a conseguia aguentar.

David das Orelhas Moucas – o presidente da câmara em todo o período relativo à nossa estória. Fazendo jus ao nome, nunca tinha em conta os anseios populares e chegou a ser vexado em plena Ourém quando tentou descontinuar os poços da utilização colectiva que os habitantes lhe davam na lavagem de roupas para construir uma nova urbanização. Foi salvo pela GNR que, a cavalo, de espada na mão, investiu contra os populares e assim o livrou e aos seus colaboradores mais directos de um mau bocado.

Fagundes – um vigilante do colégio que cumpria com todo o zelo a obrigação de garantir um ambiente sem pecado no mesmo e nas suas imediações. Chegou a apanhar Branca Flor com um colega, mas o seu bom coração, associado a uma boa dose de machismo, fez com que fingisse não ter reconhecido o parceiro dela.

Zé da Hélice – mais um miúdo pertencente ao grupo de Branca Flor na sua fase pré-satânica. Percorria os castelos, os moinhos, o açude, sempre a correr, em busca de aventures e tinha um estranho corte de cabelo que fazia lembrar a vela de um moinho, daí a alcunha.

Eduardinho Arameiro – um dos galãs de Ourém que também teve um curto relacionamento com Branca Flor na altura da Feira, abandonando-a em seguida. Foi encontrado enforcado na escada do depósito de águas e junto à mesma foi possível ver um pelo de gato preto.

Vitorino Falinhas Mansas – professor do colégio responsável pela assistência aos miúdos em momento de estudo. Sentiu-se atraído pelos encantos de Branca Flor e, um dia, mandando os outros embora mais cedo, fechou-se com ela na sala e seduziu-a, deixando-a louca de prazer e vontade de repetição. Mas Branca Flor acabou por se aperceber do seu cinismo e vingou-se: pereceu vitima de ataque de vampiros numa noite em que circulava junto ao chafariz perto da casa do Administrador. Quando o encontraram tinha dezenas de picadas no pescoço, todas com sangue coalhado mostrando que a vitima tinha sido totalmente sugada. Colado entre duas dessas picadas apareceu um pelo de gato preto...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Pormenores do projecto de edição

"A história triste de Branca Flor" será também uma homenagem a essa fabulosoa colecção de boa literatura, a colecção Búfalo, que nos acompanhou nos anos de juventude cuja contribuição para a nossa formação muitos sábios convencidos teimam em não reconhecer.
Encetámos contactos com os seus representantes e tornou-se possível fazer um número especial que incluirá o seu interessantíssimo símbolo, fazendo com que, em momento de entrega, os meus amigos tenham uma sensação semelhante à que tinham quando, no Central, o Adelino ou, na Marina, o Vieira ou o Zé lhes entregavam o exemplar do mês.
Sim, eu sei que haverá reclamações.
A colecção Búfalo, tal como as suas "clones" Bisonte, Arizona, Pólvora, Kansas, Califórnia, apenas editava novelas do Oeste, mas não era Ourém o local privilegiado das nossas cowboiadas?
Penso que faremos ainda novo sacrilégio. Para reduzir os custos de edição, o livro não será encadernado, mas constituído por um único caderno, agrafado em ponto de dobra e com dimensões sensivelmente iguais a metade de um A4 para aproveitar a possibilidade de imprimir duas páginas em uma. Assim, o formato aproximar-se-á do da também famosa colecção Cowboy nos seus primeiros dez números. E agora tenho de ir trabalhar no argumento. Até amanhã!

quarta-feira, novembro 08, 2006

A história triste de Branca Flor



O título desta obra poderia ser “Quem matou Branca Flor?” e aí os meus amigos reconheceriam imediatamente que terá sido inspirada na monumental seca que anualmente me infligem com a pergunta “Quem matou o cão do Roque?”.
Pensei em decifrar este último mistério, mas creio que não teria graça e exporia demasiado os meus amigos. Assim, povoei Ourém de personagens imaginárias na mesma época em que por lá passámos.
Branca Flor era uma bela menina nascida e criada na nossa terra, no seio de uma família humilde e honesta, que também frequentou o colégio onde teve a sua iniciação sexual.
Após uma adolescência errante, encontrou o amor da sua vida, mas foi tarde demais...
Foi encontrada morta, abandonada, num banco de jardim frente ao Central com uma faca espetada no coração. Admite-se que terá sido vítima de um crime passional. Mas quem terá sido o assassino? O director do colégio? O presidente da câmara? O Zé da Hélice? O Eduardinho Arameiro? Alguma esposa ciumenta? A verdade nunca chegou a ser descoberta.
A sua história nunca foi esquecida. Mas o que os meus amigos não sabem é que conseguimos seguir todos os factos relevantes do seu passado e trazer neste estória ordinária uma contribuição para esclarecer o mistério da sua morte...
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