sábado, março 26, 2005

O Santuário da Irmandade de Sangue




Havia um estranho ritual entre alguns oureenses baseado no que se lia nas revistas de quadradinhos. Fazer uma pequena incisão no pulso, juntá-lo com o de um amigo de toda a confiança e, a partir daí, ficavam irmãos de sangue.
O Luís Nuno deve ter sido quem reuniu mais irmãos, tendo trazido a essa qualidade o Humberto e o Jó Rodrigues.
Um dia, por trás desta porta, tive uma conversa com ele sobre este assunto. Esperávamos o Manel, já não me lembro o que se guardava por ali, mas era um espaço agradável, talvez o melhor local para se instalar o «Santuária da Irmandade».
O Luís falava em termos de aliciamento para a causa, no que já era um perito, mas eu nunca me senti muito atraído, incisões e outras coisas sempre fizeram impressão e, como sabem, a coragem não abundava. De modo que a nossa amizade continuou sem este ritual um tanto selvagem. 
Mas, nessa noite, algo de extraordinário invadiu os meus sonhos. Parecia que uma corrente de sangue fluía do improvisado Santuário para a nossa ribeira que, progressivamente, se ia tingindo de vermelho cobrindo enorme extensão. Houve quem chamasse àquela zona «Red River Valley»...
E, enquanto eu sonhava, parecia ouvir o som de uma harmónica de boca.
Outra rua com história


Frente ao cine-teatro Posted by Hello

Não é apenas por ser a rua do fabuloso cine-teatro do nosso tempo: o das imensas cavalgadas e perseguições.
Frente ao mesmo, vemos que estas três casinhas lá se mantêm. A primeira, mais perto de nós tem um desenho de referência, merecia bem um destino melhor que o que se adivinha. A última, já na Avenida, era habitada pela Lili e família (Amaral).
Entre as duas, nota-se uma casinha em forma de pescoço. Estreitinha. Foi lá que conheci o grande amigo Manel, o tal a quem devo um arroz de cabidela na Gondemaria.

sexta-feira, março 25, 2005

Encenação?


Hoje, nos Castelos Posted by Hello

Cristo perdoou aos que o maltrataram, humilharam e executaram.
O presidente David aproveita o seu exemplo com uma encenação para divertir os turistas.
Ao mesmo tempo, revela-se como o carrasco da nossa Ourém, destruindo a recordação que dela temos, deixando definhar o nosso património, dando falsas perspectivas a empresários, sugerindo incompetência para os técnicos que estudaram o poder de compra concelhio, divulgando números ilusórios sobre o desemprego...
Por isso, não merece perdão!

quinta-feira, março 24, 2005

Era uma mancha verde


A ferida Posted by Hello

Da janela das traseiras da minha casa da rua de Santa Teresinha, o verde era presença exclusiva, quebrado aqui e ali pela fugaz aparição da estrada. Parecia inexpugnável.
Hoje, a interrogação é: até quando consentirão na sua presença?
Que lindo futuro preparamos para os nossos netos...
Uma recordação do passado...


Ourém, o passado Posted by Hello

...num local bem moderno.
Parafraseando aquela BD, apetece perguntar: onde estará David? Tanta gente que ali andava...
E era tudo tão longe!


Marcos históricos Posted by Hello


É incrível o que coisas tão simples podem significar para cada um de nós.
Durante muito tempo, na minha infância, este marco significou para mim a maior distância que podia percorrer a partir de Ourém. Tomar – 20, Leiria – 25, Batalha– 31. Havia outro que a fotografia não mostra que era Alvaiazere, 32. Que terra importante esta devia ser para estar tão longe. Até tinha um barão...
E a importância daquele objecto devia ser enorme para estar mesmo no interior de uma povoação num ponto onde hoje ninguém passaria para se deslocar para tal destino.
Tantas vezes eu olhei para aquilo a pensar na sua importânia informativa.
Recorda-me as viagens que faziamos à Nazaré, na camioneta dos Claras, onde a Batalha, apesar da sua importância histórica, não era mais que um ponto de passagem. Depois, no regresso, a subida para Fátima a uns dez à hora atingia o seu quê de radical naquela curva em ferradura em que uma das laterais é quase a pique...
Indiferente ao significado deste marco para as pessoas que o tiveram nessa época, o poder deixa-o definhar, deixa-o consumir-se. Não é que uma lata de tinta preta ou branca seja grande custo, o problema é que nada disto é sentido por gente de fora. Eles não são de cá, por isso nunca deveriam ter poder na nossa terra.

quarta-feira, março 23, 2005

Pipoca


A Pipoca Posted by Hello

É tão difícil a vida no campo, pensa a nossa gatinha habituada às comodidades da cidade. Aqui, tudo a enerva: o vento, os pássaros, a restante bicharada.
De repente, entra pela casa adentro como se fosse perseguida por uma alcateia: cauda grossa, orelhas para trás, um olhar alucinado. Se aparece alguém, esconde-se debaixo de uma manta...

A casa virada ao Sol Poente

Eis a fabulosa casa onde nasceram e cresceram o Luís Nuno e o Zé Avião. Casa onde entrei muitas vezes para participar em conversas e brincadeiras.
Lembro-me que eles tinham um estranho jogo com figuras de plástico cujos contornos já não sei precisar. Recordo também que era lá que jogávamos poker de dados de que o Luís contabilizava a evolução.
Muitas vezes, partíamos desta casa para o Central, o Avenida, a feira nova ou o ataque ao moinho.
E, um dia, também fomos daqui para o Largo de Castela.
Permanecemos lá em amena cavaqueira. De repente, um grupo de quatro ou cinco perdizes, em formação, atravessou Ourém. Uma delas parecia ter problemas...
Tinha mesmo. Veio cair na quingosta ao lado do quintal da Júlia padeira.
Corremos para lá para tentar apanhá-la. O pobre animal estava vivo, mas mexia-se mal. Ao fim de algum tempo, o Avião conseguiu apanhá-la.
Voltámos ao Largo de Castela. Ciente dos meus direitos por ter sido o primeiro a vê-la, disse:
- Dá cá...
Mas o Zé não estava pelos ajustes.
- Não, não, a perdiz é minha, eu é que a apanhei.
Tentei tirar-lha, mas ele era muito rápido, não tivesse já treino completo por toda a Ourém, e fugiu direito a casa acompanhado pelo irmão. Ainda lhes atirei com um pedregulho da calçada que felizmente não acertou no alvo.
E, nessa noite, a perdiz foi saboreada na casa virada ao Sol Poente, perante o desespero dos habitantes da casa do Largo de Castela

E lá longe ouviam-se os Animals...
 

terça-feira, março 22, 2005

Concerto da Primavera


Tanta miudagem Posted by Hello

Pois é...
O OUREM foi ao concerto da Primavera, no último domingo, no cine-teatro. E gostou do que viu... especialmente daquela monumental banda cheia de gente nova. A facilidade com que eles reorganizaram tudo aquilo para poderem apresentar a sua música...
Houve também oportunidade para ver a colaboração entre as principais forças do concelho. Subtil e Frazão pareciam excelentes amigos.
O meu casaco verde

Não me obriga a despir o vermelho, obviamente. Só se consegue ser consequentemente pelo ambiente se se compreender que as maiores agressões ao mesmo provêm do malvado sistema capitalista em que nos inserimos e que tudo justifica desde que favoreça o lucro dos privados.
E o mesmo se pode dizer relativamente às liberdades.
O meu radicalismo carece, no entanto, de uma condição: a vontade de mudança da quase totalidade. Ir contra as pessoas não vale a pena...
Memórias do vinil (16)

Something in the way she moves
Attracts me like no other lover
Something in the way she woos me

I don't want to leave her now
You know I believe, and how

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover
Something in her style that shows me

Don't want to leave her now
You know I believe, and how

You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know

Something in the way she knows
And all I have to do is think of her
Something in the things she shows me

Don't want to leave her now
You know I believe, and how

Existe algo nesta canção (Something) que me faz recordar sistematicamente os nossos amigos desaparecidos – Zé Manel, Jó Rodrigues, Vítor Guerra, Luís Nuno, Felix – e toda a amizade que nos dedicaram, tal como o seu autor que, desde os treze, catorze anos teimou em não nos largar o que justifica que o seu legado seja utilizado numa celebração de amizade que eles bem merecem, tal como foi produzido pelos amigos de Harrison.
Se tudo correr como eu penso, este post é a descodificação do que se poderá passar no próximo dia 5 de Novembro
Também temos um rio


O nosso rio Posted by Hello

Era enfezado, magricelas, sem apetite. Levavam-me pelos pinhais, à procura de ar puro para me modificar e salvar. Um desses caminhos iniciava-se onde, hoje, é uma estrutura da Mercedes, descia por ali abaixo e fazia-me chegar a um local como este...
Onde a água era límpida e havia peixes...
O regresso era sempre mais difícil. Alguém tinha de sacrificar-se para trazer o menino às cavalitas.
Lá me safei e, hoje, perante o que os meus olhos veem, pergunto-me: será que o parque linear operará o milagre?
Os luzecus


Junto à casinha Posted by Hello

À noite, juntávamo-nos perto desta casinha e junto a uma rede metálica existente na rampa que nos separava da rua que tantas vezes subi e desci.
Falávamos, corríamos, brincávamos, gritávamos.
Quando havia mais calor, apareciam os pirilampos e tudo fazíamos para os apanhar. O processo não era nada simpático para o pobre bicho. Atrevia-se a acender a luz e a mão rápida caía-lhe em cima e atirava-o ao chão.
Depois, o seu destino era ir para debaixo de um copo e esperar pacientemente que se meforfoseasse numa moeda. O desgraçado nunca mais voltava a brilhar.
Imaginem a desilusão quando soubémos que era um familiar quem, pacientemente, lá ia tirar o bicharoco e substituí-lo pela moeda desejada....

segunda-feira, março 21, 2005

Memórias do vinil (15)


My mother went out
In a cloudy rainy day
I'miserable, feel lousy
It's hard to say
Tell her, if you see her around
Tell her to come home some day

I still believe in the days to come
Without her can't believe in none
Tell her, if you see her around
Tell her to come home some day

I still do love her
Do want her again
Tell, tell mommy to come home, my friend

I'lonelly I'm lost I'm deeply sad
In my life never felt so bad
Tell her, if you see her around
Tell her to come home some day

A Som da Tinta é o máximo. Vejam lá o que eles fizeram: conscientes do meu gosto em obter esta letra, conseguiram processo para ma arranjar. MAs não se limitaram a isso.
Acompanharam-na com palavras:


Um nosso vizinho - o amigo Luis Vieira do Ourémblog -, num comentário, mostrou gosto em relembrar a letra de "Lonely, Lost and sad", dos Sheiks.

Tem, o Som da Tinta-blog, todo o gosto em lho trazer, e a todos que nos acompanhem nas recordações, agradecendo muito a quem conseguiu ir recuperar essa letra não se sabe a que sótão e possibilitar-nos esta "gracinha", daquelas de que a vida é (deveria) ser feita.







Estou muito feliz com esta atitude da Som da Tinta. É amiga, demonstra consideração pelo que vamos fazendo (com prazer, diga-se) no Ourem.
Tantas vezes...

A descida Posted by Hello

... subi e desci esta rua que lhe perdi o conto.
Mas recordo perfeitamente uma delas em que utilizava uma daquelas bicicletas da década de cinquenta para me ajudar na deslocação. Parti da Rua de Santa Teresinha pela estrada interior até à zona das bombas de gasolina, aí entrei na avenida e fiz o percurso até à tasca do Frazão de onde virei para esta rua.
Desatei a pedalar que nem um doido sentindo-me possuído pelas qualidades do Alves Barbosa, do Ribeiro da Silva, autênticos campeões da nossa geração e não sei se não havia em mim já qualquer gene de Armstrong que me fizesse desejar a sua Crow.
Pedalava por ali abaixo. A rua parecia deslocar-se sob os meus olhos e sob a roda da frente da biciclete. Lá ao fundo uma velhota, toda de negro, de lenço na cabeça, avançava vagarosamente.
O esforço devia ser de tal ordem que ela teve a tentação de virar-se. Tinha um sapato na mão. Não tive tempo para nada, levei-lhe o sapato com uma monumental limpeza.
De vez em quando, esta recordação arrepia-me de pensar no que teria acontecido se em vez de um sapato fosse uma faca.

domingo, março 20, 2005

Memórias do vinil (14)

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.

Ourém, 20 de Março de 2005

sexta-feira, março 18, 2005

Dia da Floresta em Ourém
"Para celebrar o Dia da Floresta, a Câmara de Ourém vai distribuir, pelos mais de 4.000 utentes dos Jardins-de-Infância e alunos do primeiro ciclo de ensino básico, um kit do ambiente.
O kit é composto por 10 sementes de pinheiro bravo e por uma brochura que ensina a semear e que apela à conservação do ambiente. A entrega simbólica vai-se processar segunda-feira, pelas 11h00, no complexo escolar de Urqueira, sector norte." - refere o sítio da Câmara.
Pobres crianças que não perceberão que estão a branquear a acção do presidente David. De contrário, alguma lhe perguntaria: "qual foi a brochura por onde estudou para ter estoirado com o jardim da praça dos carros?".
E respondia a Catarina dos Batanetes: "Ó Reboredo, ele só lia cowboiadas daquelas passadas nos desertos do Arizona, daí a paisagem que quer criar em Ourém. Dizem que quando sobe para Fátima, em Alvega, se julga no Grand Canyon".
Quando há qualidade...


Uma obra prima Posted by Hello

...o reconhecimento é forçado a surgir. Eis uma das minhas obras da juventude: o raposus.
Preparativos de fecho

Uma manhã cheia de aulas, como é hábito à sexta-feira. Relembrar contactos, dar algum trabalho para férias já que o excesso de descanso nunca fez bem a ninguém, recomendar a chegada atempada após as férias. Alguns irão para a viagem de fim de curso pelo que fiz votos que nunca esquecessem a disciplina. Lá foram eles todos contentes...
Mostrar aos do semestre anterior os testes e os disparates que fizeram. Apareceram às dezenas, todos prontos a reclamar, mas tiveram saída de cordeiro. Estes ainda eram do primeiro ano pelo que vão ter que mudar muito para fazer alguma coisa de jeito. Como já disse, cada vez entram em pior estado.
E a papelada... nunca mais largo isto...
Memórias do vinil (13)

Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say, "Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.

How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you how to live on the street
And now you find out you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And ask him do you want to make a deal?

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns
When they all come down and did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people get your kicks for you
You used to ride on the chrome horse with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discover that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Princess on the steeple and all the pretty people
They're drinkin', thinkin' that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you'd better lift your diamond ring, you'd better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Haveria loucos que tentariam dançar ao som de Dylan? Era interminável, mas alguns oureenses, na Nazaré, um dia, demonstraram que isso era possível.
Tínhamos de escolher alguém muito especial para número 13 nesta referência...
Excelente lagartão

Parabéns ao Sérgio. Parabéns ao bispo do Porto.
Os ingleses já foram eliminados. Custa a crer como uma equipa que joga tão bem faz disparates como o último praticado no campeonato.
Mas, agora, há que manter a moral, a esperança. O empate com o FCP é possível...

quinta-feira, março 17, 2005

Uma mensagem aos estudantes participantes no forum



Vicissitudes várias fizeram com que o ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) não possa estar presente neste encontro.
Trata-se de uma escola com uma tradição de qualidade e crítica bem elevadas no estudo da Economia, da Gestão, da Matemática aplicada à Economia e Gestão e das Finanças.
Terá das melhores bibliotecas na sua área no país. No departamento de Economia a quase totalidade dos professores é doutorada. Os seus melhores alunos saem com emprego praticamente garantido.
Por isso, com toda a seriedade, não deixem de a considerar como uma das vossas opções. Nunca esquecerão a recepção que estará à vossa espera...
O presidente David é contra a burocracia

O Conselho Nacional da Reserva Agrícola (CNRA) recusou desafectar terrenos para instalar o Intermarché.
Mas o Presidente David discorda. Está no seu direito. E vai daí ataca os manos de classe: "a culpa é dos burocratas e dos cinzentos".

Via Público
O protótipo (3)

Levo comigo 5 exemplares do protótipo.
O primeiro é para desafiar o desejado editor. O segundo é para aprovação pelo corajoso e teimoso dinamizador do Poço que prometeu um texto sobre os bombeiros. O terceiro e quarto exemplares são para potenciais mecenas cuja identidade não revelo, não vão surgir pressões da casa amarela. O quinto servir-me-á para o diálogo, será base para notas e sei lá se qualquer mecenas, que não esteja a recordar, não o quererá...
Memórias do Vinil (12)

E no mesmo disco, Sérgio, está lá qualquer coisa como isto:


Lisboa tem um vestido azul feito de mar e guerra.

E cheira a laranjas maduras.

Quando as gaivotas trazem no bico
os primeiros pedaços de sol para
acender o dia, Lisboa deixa correr
os cabelos pelo Tejo e o Povo pelas ruas.

À mesma hora, a coragem agita no
sangue duas grandes asas inquietas.

Por todas as janelas destruídas, já
o mar entrou, derrubando acácias
cantando hinos de espuma.

E porque toda a coragem é necessária,
toda a esperança é legítima.

..

Chamar-te a ti, Lisboa, camarada,
e depois, eu sei lá, enlouquecer.
Que a loucura é quase um grão de nada
e tu tens um nome de mulher.

...

E pode ser que eu guarde a tempestade
de ter que aqui ficar. E então dizer
que sobre a minha boca ninguém há-de
pôr rosas de silêncio, se eu quiser.

E não podemos esquecer o Alcácer que Vier, de que eu não encontro a letra. Isto é que era uma tarde bem passada.
Rotas de Ourém (3)


A rota do Agroal Posted by Hello

Via o sítio da Câmara

quarta-feira, março 16, 2005

10000
Os piores entre os piores

Vamos chegar aos 10000 a dizer mal, não fosse o Ourem.
O Castelo tem uma interessante sondagem acerca dos piores serviços a que os oureenses têm acesso. Neste momento, em termos de mau, o Centro de Saúde lidera logo seguido da Câmara.
Acredito nas motivações dos meus conterrâneos.
Mas, cá para mim, o pior de todos não figura na lista.
E o eleito pelo Ourem é, nada mais nada menos, os serviços da TVCabo e NETCabo de que desfrutamos no nosso país. Os serviços (em regime de quase monopólio) e o respectivo atendimento (quase sempre entregue a gente bestial). Nunca encontrei coisa pior...
Faltam 12 badaladas...

Para as 10000 visitas.
Não esqueçam. Há um exemplar do "Ourém em estórias e memórias" à espera do feliz visitante que consiga captar a imagem da página no momento e enviá-la para aqui, encapsulada num documento Word.
O protótipo (2)

Divulgamos em seguida a estrutura de "Ourém em estórias e memórias". Tal como ontem noticiámos, ainda podem ser integrados mais alguns textos (que aliás nos estão prometidos), mas cairão em algumas das grandes secções que a seguir listamos, onde o número representa a página inicial:

Em forma de Introdução, 1
Balada do Largo de Castela, 4
Estorias do Colégio, 17
A feira nova, 25
Praça dos Carros, 30
Avenida, 36
Noites de Ourém, 46
À volta de Ourém, 62
Crescer, 66
Estúdios Trine, 78
Os Pasquins, 83
25 de Abril, 97
Crónica da destruição de Ourém, 106
Em forma de conclusão, 117
Para onde irão os que apostam na destruição da nossa Ourém?



«As leis do Céu e do Inferno são versáteis. Que vás para um lugar ou para outro depende de um simples pormenor. Conheço pessoas que por uma chave partida ou por uma gaiola de vime foram para o Inferno e outras que por uma folha de papel ou por um copo de leite foram para o Céu.»

Silvina Ocampo, «La Furia» (citado por Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares em «Livro do Céu e do Inferno»)

(roubado e adaptado ao meio oureense a partir do blog de esquerda)
O protótipo (1)


A capa Posted by Hello

Eis a sugestiva capa, concebida pelo mais famoso designer oureense, a propor ao editor, da obra que celebra e retrata a amizade e a vivência de um conjunto de oureenses na segunda metade do século XX, sem esquecer o lamentável processo de anos recentes.
Distingue-se nela, a cores negras que retratam o sórdido destino que lhe é prometido pelos modernos bárbaros, insuflados de profecias marianas, a fabulosa casa do Largo de Castela, verdadeiro centro da época. Distinguem-se ainda a casa do Mina Guta e outra onde viveu o Luís Filipe. Atrás, a encosta dos moinhos vigia silenciosa...

terça-feira, março 15, 2005

Gente de palavra
Estará Fátima de costas voltadas para o resto do concelho?

Responde António Pinheiro Lopes:

Não se vê qualquer razão para a afirmação de costas voltadas, que é artificial e só serve os interesses de alguns; aliás bem se viu com a criação do concelho!
Publicamente todos eram a favor da criação porque se viam livres de Fátima, mas nos gabinetes e bastidores todos os influentes de Ourém ficaram aliviados com o veto do Presidente.

Via Notícias de Fátima
Ourém em estórias e memórias
Tenho de confessar aos meus amigos duas grandes ausências: um texto sobre os bombeiros e um texto sobre o Café Ourém.
Os bombeiros, no meu tempo, eram venerados. Eram os melhores do país, se não os melhores do mundo. Mas não consigo recordar qualquer estória relativamente aos mesmos. E deve haver muitas... que o Julito ou outros amigos conhecem. Exacto, esse mesmo Julito que me fez a encomenda...
Quanto ao café Ourém, a minha presença por lá foi sempre reduzida, estava longe da minha morada, eu ia para os outros mais perto. Alguém quer colaborar?
Amanhã, levanto mais a ponta do véu sobre a estrutura do livro.
Rotas de Ourém (2)


Castelos e paisagens Posted by Hello

E já repararam?
Lá em cima, quase em oposição aos castelos, está a Lagoa do Grou, designação que serviu para o blog do Marco enquanto este, fora do país, teve de resistir e sublimar a saudade da sua terra.

Via o sítio da Câmara
A caminho das 10000 visitas

Já falta pouco para o conseguirmos.
É só mais um esforço, amigos oureenses.
Em breve chegaremos às 10000 visitas. Nem será preciso esperar pela campanha para as autárquicas.
Claro que não é o mesmo do milhão do Barnabé. Não é o mesmo, mas vale muito mais.
Temos que assinalar tal feito.
Quem conseguir realizar a visita que nos transportará aos cinco dígitos significativos terá como oferta um exemplar, assinado pelo autor, do "Ourém em estórias e memórias" que verá a luz do dia no próximo 5 de Novembro. Chovam pás ou picaretas...
Para o reclamar deverá realizar um print screen do respectivo ecran, integrá-lo num documento Word através da facilidade Copy Paste, e enviar-nos para endereço que oportunamente disponibilizaremos.
Poesia popular oureense do século XXI

15 dias a bailar
15 dias a provar
Coisas que sabem bem,
Aqui vamos nós
Pró palhete de Ourém

15 dias a bailar
15 dias a estacionar
Na zona do hospital
Aqui vamos nós
Prá bica no Central

Na mala seguem estórias
Instrumentos pra memórias
De oureenses avivar
Aqui vamos nós
A Som da Tinta desafiar

Comigo levo 100 contos
5 exemplares de estórias
Que os oureenses poderão ler
Aqui vamos nós
Prós mecenas convencer

Ser esquerda é um crime
Nesta terra de eleição
Que se diz tão liberal
Desprezam os da terra
Pra apoiar o capital

segunda-feira, março 14, 2005

Herculano, volta!

Saiu o bobo do governo...
... e, quando já desesperávamos dado o silêncio ensurdecedor protagonizado por Sócrates e companhia,...
... ressurgiu o bobo da câmara. Ele reassumiu a presidência e a comunicação esteve presente, mas não assume o brilho da tua obra.
Se fosse vivo, faria hoje 126 anos (2)

E, nesta data, não posso deixar de recordar aquela querida professora de cujos ensinamentos desfrutei no CFL que atravessava Ourém a 20 à hora e a fazer ouvir: PI-PI.
Quando irritada, se é que por esse estado passava, com o ruído que fazíamos, lá vinha aquela frase: "Que coisa! Vocês são de uma impertinência única".
Se fosse vivo, faria hoje 126 anos




Cabelo branco desgrenhado, bigode farfalhudo, camisola velha, sandálias, ou até sapatos sem meias em ocasiões formais, e uma certa tristeza no olhar - é a imagem de marca que perdura na memória colectiva de um dos maiores físicos de sempre, Albert Einstein, o judeu alemão que aos 17 anos, em 1896, renunciou à cidadania e viveu cinco anos apátrida, até ter a nacionalidade suíça e, em 1940, a americana também.

(Continuar a ler Albert Einstein)
Rotas de Ourém (1)


A rota dos vinhos Posted by Hello

Via o sítio da Câmara
Ourém no horizonte

Parece-me já ver ao longe os traços dos castelos.
Será miragem agora que tanto se falou em deserto?
Será da minha vontade que a uma semana de distância já me transporta para lá?
Começaram os preparativos...
Escorregadelas

Dragões e lagartões proporcionaram-nos deliciosas escorregadelas no fim de semana.
Para os excomungados de longa data deste espaço que pouco têm feito para o merecer, é o renascer da esperança.
Maratona da esperança

Preferia o socialismo mais radical, é certo, garantidas que lhe estejam as liberdades. Apoiaria a nacionalização da banca e dos principais meios de produção.
Mas estar num país onde é possível ver o Presidente e o Primeiro-Ministro participar alegremente numa maratona, sem uma segurança ostensiva, no meio de amigos, povo autêntico, é reconfortante.
Maratona da esperança

Preferia o socialismo mais radical, é certo, garantidas que lhe estejam as liberdades. Apoiaria a nacionalização da banca e dos principais meios de produção.
Mas estar num país onde é possível ver o Presidente e o Primeiro-Ministro participar alegremente numa maratona, sem uma segurança ostensiva, no meio de amigos, povo autêntico, é reconfortante.

domingo, março 13, 2005

Um blog (com o nome OUREM) não deve mostrar tendências políticas

Que disparate!
Onde é que a transparência alguma vez enganou alguém?
Será que há blogs sem autor?
Será que a ausência de tendências políticas não é a conciliação com a dominante?
Quem é que pode ser enganado sobre o que Ourém é? BAsta ver o mapa eleitoral publicado no NO.
Negam-nos o direito à existência...

... com esta designação.
Mas o OUREM resistirá até ao fim a todos os Anónimos que o ponham em causa. Mesmo que nos denunciem nos jornais, na televisão, nos tribunais, no blogue. Como este:

Como ouriense gostava que o nome de ourém não fosse usado como titulo de um blog que mostrasse tendências politicas.
No caso deste blog talvez devesse ter o nome esquerdad'ourém. para não confundir quem quer que seja sobre ourém, terra de pessoas de esquerda e de direita.

Que grande confusão!
Este blogue não é Ourém. Ele é dominantemente sobre Ourém. Contra a direita e contra a esquerda quando for preciso. Contra os que destroem a nossa memória, os nossos jardins, o cine-teatro, a rua de Castela, o Fernão Lopes, a Praça dos Carros... o que tem sido privilégio da direita dado o monolitismo local.
É conservador, podeis dizer. Quer restaurar a nossa Ourém. Talvez por isso devesse ser muito mais apoiado do que realmente é.
Mas estou-me nas tintas: vou até ao fim com a única arma (e frágil) que tenho...
Vem aí mais uma encenação Pascal


Um momento da encenação Posted by Hello

Marcada pela tradição e pelo realismo da encenação, a Semana Santa de Ourém, cujo momento alto é a Procissão do Enterro e Celebração da Paixão do Senhor, respectivamente na Igreja Paroquial de N.ª Sr.ª das Misericórdias e nas ruas da zona histórica, atrai ano após ano milhares de fieis e curiosos à zona muralhada da cidade. Consulte aqui o programa.

Via o sítio da câmara

sexta-feira, março 11, 2005

Um 11 de Março de há 30 anos recordado à dimensão apropriada para blog
Por Sérgio Ribeiro

O Luís pediu (pediu?, convidou!, desafiou!, ordenou!…) que escrevesse sobre o 11 de Março de 1975. Difícil, sobretudo fazê-lo à dimensão do tempo que tenho e de ser suportável por um blog.

Só duas ou três notas. Com a minha verdade histórica.

O 25 de Abril de 1974, abertas as portas das prisões, onde estávamos presos todos nós, e alguns de nós em particular, depois da euforia e indefinição das primeiras horas, recomeçou a luta (de classes, digo eu…).

Que tomou a forma de controlo da economia. Os 7 grandes grupos económicos que dominavam a economia e a finança tinham um poder sobre a sociedade portuguesa verdadeiramente tentacular, e os novos caminhos, a trilhar em liberdade e democracia, teriam de beliscar esse poder. Que não gosta de o ser. Foi a luta entre um poder político a democratizar-se – e a querer desenvolver e descolonizar – e um poder económico alapado aos proteccionismos de todo o tipo.

O primeiro confronto terá sido com a proposta de um “movimento” de empresários (MDSE) que se propôs “gerir a política”, com Spínola, que fora nº 2 de Champlimaud na Siderurgia Nacional, SA, a servir de ponte. Quase logo, ou ao mesmo tempo, o apelo à “maioria silenciosa” e o ensaio do 28 de Setembro.

Mas o poder político, os governos provisórios – com os partidos neles representados (PPD, PS, MDP/CDE, PCP) – e o MFA, resistiu a essa tentativa do poder económico-financeiro de recuperação do controlo total sobre a vida social portuguesa.

No final do ano de 1974, apareceram os alarmes, catastrofistas e falsos, quanto aos défices e à situação da economia e finanças portuguesas, e apareceram uns planos “de rigor”, com Melo Antunes e Vítor Constâncio a serem protagonistas, mas era evidente que, sem o controlo da banca e sem a subordinação dos grandes grupos ao novo poder político, não haveria novos caminhos.

Os confrontos iam-se agudizando, dentro dos “poderes”, entre o poder político, inseguro e heterogéneo, e o poder económico, nada disposto a perder posições e a submeter-se a objectivos que não controlasse.

Como o poder real estava nas mãos dos militares, o conflito eclodiu em golpe e contra-golpe, utilizando grupos e armas, e foi o 11 de Março. Que, na minha versão, começou por ser uma tentativa do poder económico tomar o poder pela via das forças armadas, com uma reacção, ainda das forças armadas e populares, para se prosseguir pelas portas que Abril abrira, como disse o poeta.

Ganharam estas forças. Do 11 de Março resultou a grande leva de nacionalizações, o esforço para que o poder económico ficasse, de vez, subordinado ao poder político, tal como se ia organizando.
Mais dois apontamentos.


1. A vitória desde logo se sabia (quem sabia…) efémera, porque a luta iria continuar por outras (e todas!) as formas, desde a demissão de ministros do 4º governo provisório que o derrubariam, até ao terrorismo que surgiu em Portugal. E assim foi continuando, com o derrube do 5º governo, com o remendo que foi o 6º governo, com o 25 de Novembro.

2. Apesar de tudo, e não obstante parecer pretender-se esquecê-lo, foi cumprido, escrupulosamente, o calendário que marcava eleições no prazo de ano a contar de 25 de Abril de 1974: a 25 de Abril de 1975 houve eleições para a Assembleia Constituinte! O 11 de Março não o impediu. Talvez sem o 11 de Março, como ele foi, assim não tivesse sido.

Com o 11 de Março foram criadas condições para se fazer um caminho que estava delineado desde 25 de Abril de 1974, mas ele foi, sempre, combatido, sabotado, traído. Continua a sê-lo por quem conta a História de outra maneira.


Isto digo eu, claro. Que a conto assim. Porque assim a vivi.

11 de Março de 1975

Ainda se fazia a festa, pá...
A Teresa e o Luís Nuno (na altura conhecido, no meio, por Barbas e seu companheiro),viviam em Alpiarça. Eram ferozes anti revisionistas, de extrema esquerda, mas sempre conviveram com os 'inimigos' e respeitaram-se mutuamente, ao ponto de o Luís Nuno ter feito parte da Direcção da maior Associação Desportiva e Recreativa - Os Águias.
Eu, sempre hesitante, estava no Exército ligado a uma estrutura do COPCON. Puxava para a extrema, mas recusava-me a atacar o PCP.
Tínhamos a ilusão que as coisas podiam avançar, mas já havia a certeza de que alguém não apoiava. Spínola armadilhou os paras e atirou-os contra o RALIS. Houve perda de vidas. O soldado Luís foi martirizado e imortalizado.
Ficámos em alerta máximo uns dias. Foram horas em que, para além dos nervos, se conseguia, apesar de tudo, jogar xadrês enquanto as forças em conflito se reequilibravam.
Tive a honra de num desses dias ficar de vigilância à casa, em Cascais, desse ser magnífico que foi conhecido como Camarada Vasco que, poucos dias depois, se não estou em erro, declarava a nacionalização da banca.
Começou a ver-se o processo avançar. No Governo, Silva Lopes e Mário Murteira não se manifestavam contras as nacionalizações, eu penso que até apoiaram, apesar de, agora, exibirem alguma hesitação quando falam no assunto.
Mais de 1000 empresas entraram em autogestão. Os capitalistas, quando sabotadores, fugiam ou eram presos. Houve excessos? Sem dúvida. Mais tarde, houve coisas erradas que viraram as pessoas contra nós. Mas foi bonito...
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