quarta-feira, abril 20, 2005
Coro dos caídos
Cantai bichos da treva e da aparência
Na absolvição por incontinência
Cantai cantai no pino do inferno
Em Janeiro ou em Maio é sempre cedo
Cantai cardumes da guerra e da agonia
Neste areal onde não nasce o dia
Cantai cantai melancolias serenas
Como trigo da moda nas verbenas
Canta cantai guisos doidos dos sinos
Os vossos salmos de embalar meninos
Cantai bichos da treva e da opulência
A vossa vil e vã magnificência
Cantai os vossos tronos e impérios
Sobre os degredos sobre os cemitérios
Cantai cantai ó torpes madrugadas
As clavas os clarins e as espadas
Cantai nos matadouros nas trincheiras
As armas os pendões e as bandeiras
Cantai cantai que o ódio já não cansa
Com palavras de amor e de bonança
Dançai ó Parcas vossa negra festa
Sobre a planície em redor que o ar empesta
Cantai ó corvos pela noite fora
Neste areal onde não nasce a aurora
Da compilação "As primeiras canções" - Zeca Afonso
Estávamos em Mafra entre Outubro de 1973 e Janeiro de 1974. A instrução processava-se em ritmo normal. Como já referi, tive a sorte de me calhar alguém com uma boa formação humana pelo que as coisas até correram bem ao contrário do que ocorreu a outros. As saídas diárias, a esperança numa especialidade mais ou menos de acordo com a formação, a companhia de alguns amigos com preocupações idênticas, faziam-nos pactuar com o sistema.
Mas havia algo que mordia interiormente e isso manifestou-se no que escrevi na altura1. Texto escondido, com auto-censura, onde não tive coragem de dizer a que se referia. E era simples: durante a manhã, após a instrução, fazia-se uma paragem e surgiam algumas senhoras com cestos à cabeça carregados de sandes e bebidas que nos permitiam passar um momento de descontração.
A questão é que estavam a fazer negócio com aquilo que nos era imposto, com uma espécie de cadáver das nossas consciências. Por isso, chamei-lhe “Os Abutres”. Eis uma versão com pontuação corrigida:
Estavam por trás do muro, oferecendo o que tinham para vender, numa ânsia que lhes arregalava os olhos não os deixando pensar em porque estariam ali, onde seres esfomeados e necessitados de humanidade procuravam pão e algo como o leite materno para se alimentarem e continuarem numa senda repetitiva que faria voltar os abutres.
O negócio era fabuloso e eles teriam assim forma de encontrar na cidade os géneros que necessitavam para a sua auto-subsistência muito embora maldissessem os impostos que pagavam, percebendo que eram para obras colectivas e não das prontas só para eles.
Eram seres cujos filhos também iam à escola, talvez de má vontade, ansiando pela liberdade de se tornarem úteis e servirem um povo sofredor e amante do trabalho produtivo, para assim poderem estar participando na repartição do bolo2.
Eram dez minutos e o seu decorrer, cheio de palavrões e boca cheia, saltitando de vala em vala, do muro para ali, dali para o muro, onde estavam os pães as bebidas e tudo o mais que o esfomeado consumiria pensando estar a fazer algo pelo seu corpo para desenvolver uma formidável musculatura enquanto os olhos arregalados e as vozes livres os procuravam numa confluência de fins que se materializava no exposto.
O dinheiro brilhou e à falta de trocos uma carteira de fósforos serve para aumentar o negócio.
O abutre tinha na realidade algo de estranho.
1 - Anjinho como sempre, tinha informado o NO da minha condição de militar e que me era vedado escrever na imprensa, pretendendo limpar a minha responsabilidade, como se os textos não fossem assinados. Isto, mais ou menos em 1975, em momento mais exaltado, foi utilizado pelo jornal contra mim.
2 - Referência a um texto, entretanto cortado pela censura, que via a inflação como uma força de os grupos sociais influenciarem a partilha do que produzia, designado por bolo
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Ary dos Santos - Obra Poética
Via TóColante
terça-feira, abril 19, 2005

Há pouco, deambulando pelo blog da Som da Tinta, deparei com esta bela descrição que não resisti a transcrever:
Um dia, sentado à minha frente, o Roberto Chichorro ouvia-me contar coisas da prisão e do 25 de Abril. E ia desenhando...
Quando se foi embora, deixou ficar o papel sobre que estavam os seus traços. Recolhi esse papel, com a intenção de o guardar junto a outros que tenho como recordações e sinais de amizade. Só que não resisti a utilizar o desenho do Roberto como "logotipo do 25 de Abril do Som da Tinta".
Eis o que a Som da Tinta tem programado:
No dia 22, às 18 – Jorge Lino dirá poesia alusivaNo dia 25, às 17 – pré-lançamento de "Somos todos netos de Abril" de Sérgio Ribeiro com apresentação de DVD e convívio e representação de cenas por elementos do grupo JCP&VCF
Aproxima-se mais um aniversário da Revolução dos Cravos que, como é usual, vai ser celebrada em Ourém.Assim, às zero horas do dia 25 de Abril, cantar-se-á o Hino Nacional e a Grândola (!!!!... granda frete...) em frente à Câmara Municipal. Às 10 horas da manhã vai, também em frente à sede do município, hastear-se a bandeira, numa cerimónia repleta de simbolismo, que antecede actuação e desfile da banda e fanfarra dos bombeiros.
Seguir-se-á a Corrida da Liberdade, com prémios para os primeiros de cada escalão.
O Namoro
Letra: Viriato da Cruz
Música: Fausto
Viola: Fausto
Viola Baixo: Paulo Godinho
Metalofone: Sérgio Godinho
Fotografia: Mega-Fauna

Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
dizia ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar
Sua pele macia
era suma-uma
sua pele macias
cheirando a rosas
seus seios laranja
laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não
Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
"por ti sofre o meu coração"
num canto "sim"
noutro canto "não"
e ela o canto do "não"
dobrou
Mandei-lhe um recado
pela Zefa do sete
pedindo e rogando
de joelhos no chão
pela Sra do Cabo,
pela Sta Efigénia
me desse a ventura
do seu namoro
e ela disse que não
Mandei à Vó Xica,
quimbanda de fama
a areia da marca
que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço
bem forte e seguro
e dele nascesse
um amor como o meu
e o feitiço falhou
Andei barbado,
sujo e descalço
como um monangamba
procuraram por mim
não viu ai não viu ai
não viu Benjamim
e perdido me deram
no morro da Samba
Para me distrair
levaram-me ao baile
do Sr. Januário,
mas ela lá estava
num canto a rir,
contando o meu caso
às moças mais lindas
do bairro operário
Tocaram a rumba
e dancei com ela
e num passo maluco
voamos na sala
qual uma estrela
riscando o céu
e a malta gritou
"Aí Benjamim"
Olhei-a nos olhos
sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lá
lá lá lá lá lá
E ela disse que sim
Do album: De pequenino se torce o destino (1976), Sérgio Godinho
segunda-feira, abril 18, 2005

Ourém precisa de mudança no poder autárquico (5)
A política autárquica oureense tem sido, e continua, rica em episódios.
A notícia, vinda a lume em jornais da região, de que se vai criar mais uma empresa municipal, nas quase vésperas de umas eleições autárquicas, é reveladora de muita coisa.
Antes de mais, de como o PSD-Ourém utilizou, e continua a utilizar a seu bel-prazer – mesmo quando um mínimo de respeito pelos processos eleitorais o deveria moderar –, métodos e votos que o levaram a ser poder desde 1985. Sempre a “inventar” e a reforçar formas de domínio e de distribuição desse poder tão-só delegado, sem olhar a leis, regulamentos, PDR, o que quer que seja que possa servir de constrangimento.
O caso Intermarché é exemplar, e o verdadeiro imbróglio em que a autarquia está mergulhada resulta dessa postura do PSD-Ourém perante a gestão autárquica que lhe está cometida, e apenas por ter recebido representação e não por qualquer outro mandato derivado de direito divino ou de uma estrutura de Estado ditatorial.
Na semana que passou foi a questão da criação de empresas públicas que veio à baila. De forma absolutamente lamentável, os munícipes souberam que se vai criar uma Sociedade de Reabilitação Urbana da Cova de Iria, já com estatutos e tudo, como a Assembleia Municipal vai, decerto, aprovar… mas esse é, para os detentores do poder, pormenor de somenos!
Tudo expedito, tudo em processo célere, assim se fugindo a todos os tais constrangimentos, para não dizer às “chatices” da democracia e suas regras.
É que, entre variadíssimas competências, a dita “sociedade” pode vir a licenciar e a autorizar operações urbanísticas, expropriar bens imóveis e os direitos a eles inerentes, proceder a operações de realojamento; pode, também e além do mais, elaborar estudos e projectos relativos à urbanização ou reabilitação urbana, seleccionar os investidores e celebrar com eles todos os contratos necessários para a concretização do seu objecto social. Estão-lhe ainda cometidas funções de fiscalização, e a garantia de criação de infra-estruturas adequadas e de elevados níveis de mobilidade e de segurança.
Por este caminho, se o pudessem fazer, tudo o que é relevante na gestão municipal seria distribuído por empresas municipais, onde se colocariam homens de confiança, concretizando um clientelismo desabusado e uma fuga ao controlo, tal como é indispensável em democracia, da gestão de todos os recursos, inclusivé dos humanos.
Ora os vereadores do PS abstiveram-se… porque só teriam sabido da decisão de tal criação no próprio dia da reunião! Tal como, em outros momentos – em todos os que conhecemos – não foram oposição… por outras razões.
Quando Sérgio Ribeiro esteve na AM, entre 1997 e 2001, ele foi oposição! Se a CDU tivesse vereadores, seriam oposição. O que não quer dizer que tivessem de estar sempre contra!
Na batalha política que se aproxima, a concelhia de Ourém do PCP está, como em todas, com a CDU, coligação com o Partido Ecologista os Verdes, a associação cívica Intervenção Democrática, com todos os independentes que, sem preconceitos, concordem com o projecto autárquico da CDU e com os objectivos que se afirmam. E se cumprem!
Uma vereação em que haja oposição
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
O ano passado, surgiram os resultados provisórios de um estudo realizado por CIES/Universidade do Minho relativa à presença de câmaras municipais na Web. O estudo restringiu-se ao Continente e o número de respostas obtias foi de 305 o que significa uma taxa de resposta na ordem do 99%.
Tem algum interesse comparar os resultados verificados a nível nacional com o que se passa com o site da nossa câmara. Analisemos, por exemplo, o quadro C3 – Funções disponíveis no Website da Câmara Municipal. Após a designação da função, apresentamos a média para o Continente e o último dígito significa a ausência (N), a presença (S) ou a presença pontual (P) da função:
- Download e impressão de formulários (34%), P
- Consultas aos cidadãos (na página, via e-mail, etc.) (28%), P
- Utilização personalizada do site (menu personalizado, notícias, etc.) (13%), N
- Subscrição electrónica de jornais ou notícias seleccionadas (11%), N
- Preenchimento e submissão on-line de formulários (8%), N
- Encomenda de material referente ao município (ex., brochuras, planos locais, mapas, etc.) (7%), N
- Fóruns de discussão entre o executivo camarário e os cidadãos (6%), N
- Visionamento de dados pessoais em bases de dados administrativas (ex., livros emprestados, listas de espera, impostos, registo de edifícios) (5%), N
- Pagamentos on-line através do website (1%), N
- Transmissão, através de videoconferência, das reuniões e sessões camarárias (1%), N
É admirável como a Câmara de Ourém que se diz sempre na vanguarda dos vários processos de desenvolvimento da vida social, apenas em alguns casos tem uma ligeira aproximação à função.
Amigos oureenses, que se propõem os candidatos para o executivo camarário a fazer neste aspecto? Tomemos desde já uma decisão como esta: nenhum levará o voto se não puser o conjunto das funções activas ate ao final de 2006.
domingo, abril 17, 2005

Já temos uma resposta ao inquérito que estendemos aos nosso três amigos acima referidos.
Que se passa com os outros?
Estarão a rebuscar a resposta? Tementes do resultado do leão que se conhecerá lá mais para o fim do dia?
O Sérgio, esse, já passou o testemunho. O que é que isto irá dar?
Eis uma notícia do último Região de Leiria:
O sítio da Câmara nada diz
A Câmara Municipal de Ourém aprovou na passada segunda-feira em reunião do executivo os estatutos da Sociedade de Reabilitação Urbana da Cova da Iria. A deliberação, que contou com a abstenção dos vereadores do Partido Socialista, carece agora de aprovação em sede de Assembleia Municipal, o que deverá acontecer sexta-feira próxima, dia 22.
A nova empresa municipal, com um capital social de um milhão de euros - a realizar no prazo de dois anos -, tem por objecto a promoção da reabilitação urbana da área da Cova da Iria que o Conselho de Ministros ainda há-de declarar como crítica. Esta compreende as ruas paralelas ao Santuário de Fátima, estende-se da rotunda Norte à Sul e termina na área da Cova Grande, entre a praça de portagens da Auto-estrada 1 e os Valinhos.
Entre variadíssimas competências, a sociedade pode vir a licenciar e autorizar operações urbanísticas, expropriar bens imóveis e os direitos a eles inerentes, e proceder a operações de realojamento. A empresa municipal pode ainda elaborar estudos e projectos relativos à urbanização ou reabilitação urbana, seleccionar os investidores e celebrar com eles todos os contratos necessários para a concretização do seu objecto social.
À Sociedade de Reabilitação Urbana da Cova da Iria estão ainda acometidas as funções de fiscalização e a garantia de criação de infra-estruturas adequadas e de “elevados níveis de mobilidade e de segurança”
O presidente David afirmou ao REGIÃO DE LEIRIA que a empresa não pode para já tomar qualquer decisão porque a criação da área crítica de Fátima ainda não foi objecto de aprovação pelo Conselho de Ministros. Ainda assim, o responsável acredita que o processo vai ser célere.
“Tenho indicação por parte da Direcção-Geral do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Urbano que a declaração da área crítica de Fátima já recebeu todos os pareceres favoráveis e que está pronta para ir a Conselho de Ministros”.
Os estatutos da sociedade, que tem para já a sua sede nos Paços do Concelho, não contêm nenhuma indicação sobre o quadro de pessoal. O presidente David explica que essa é uma matéria que será tida em conta posteriormente, pelo que nada acrescentou sobre a possibilidade de a empresa vir a afectar trabalhadores actualmente a desempenharem funções na edilidade.
O PS absteve-se na votação que visou a criação da Sociedade de Reabilitação Urbana da Cova da Iria porque o documento foi inserido no próprio dia na agenda da reunião de Câmara.
sábado, abril 16, 2005
O camarada Byn-Tex do Mega-Fauna perguntou e eu respondo...
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?
Um que rebentasse na tromba do Montag quando ele tentasse pegar-lhe fogo.
Mas olhando para trás, já passei por alguns Fahrenheits. O primeiro tinha para aí doze ou treze anitos. O meu pai dava-me 10 escudos por semana que eu aplicava religiosamente no Mundo de Aventuras, no Condor Popular e guardava o restante para mensalmente comprar daqueles livrinhos da colecção Búfalo ou Bisonte que saiam uma vez por mês ao preço de 8$00. Ao fim de um dois anos já tinha uma bela colecção toda escondidinha e arrumada num pequeno móvel que tinha uma cortina à frente. Um dia alguém do controle viu aquilo.
-O quê? A ler estas porcarias em vez de estudar?! Vais desfazer-te disto tudo.
Safei alguns, mas perdi grande parte da colecção.
Mais tarde, passei por algo de semelhante para arranjar daquela literatura subversiva debaixo do regime do Caetano. Em casa, muitas vezes partilhada com outros estudantes, eram guardados escondidos, parecendo de estudo, de vez em quando algum caia e lá apareciam as barbas do Marx à luz do dia. Era um gosto ter esses livrinhos nesse ambiente, mas gerava uma certa castração
Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficção?
Penso que sim. O Cisco Kid... não havia cow-boy mais rápido, mais certeiro e que conseguisse despertar mais cedo o amor naquelas belíssimas meninas: a Lucy, a Sylvie, a Flor Vermelha...
Mas também me imaginei muitas vezes a fazer um trajecto como o Marx (tão longe no tempo, tão diferente da habitual pessoa, surge-me como ficção)... a ler dia a dia as obras dos grandes filósofos, dos economistas e dos políticos, sem ligar à comida e só a pensar em como superar esta malvada sociedade. Tinha uns 20 anos e um amigo, um dia, vira-se para mim: é pá, com a tua idade o Marx já tinha escrito a "Crítica da Filosofia do Direito de Hegel", "Os manuscritos económico-filosóficos" e tu ainda não fizeste nada. Enfim, um percurso de vida impressionante.
Qual o último livro que compraste?
Isto está mau. O sacana do Durão esteve dois anos sem trazer aumentos, os preços têm subido, comprar um livro obriga-me a contar os trocos. Adquiri o Disseste o meu nome? na apresentação que houve na Som da Tinta e, como achei piada ao que foi oferecido, adquiri o 2º livro da História Universal do Público. Não sei se vou continuar a comprar estes. Não os leio, ficam a ocupar lugar na estante, mobilizam sistematicamente o orçamento que poderia ser para outros e aparentemente não servem para nada. Talvez continue com um ou outro volume salteado.
Qual o último livro que leste?
Não me lembro. Só leio bocados de livros. Apanhei este vício por causa dos livros técnicos em que vou à procura de passagens orientado por assuntos. Li alguma coisa em férias ("O Belo Adormecido" da Lídia Jorge que me pareceu conversa de tia da linha), mas em geral tenho pouca paciência e a vista já não ajuda nada...
Que livro estás a ler?
Bocadinhos deste e daquele sem orientação...
Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
Tal como o Byn, levava "A insustentável leveza do ser" do Kundera. Levava também uma edição pirata do Cumplicidades. "A Rosa do Adro" do Camilo: já o disse, adoro aquela entrada. Mas há textos do Engels que são um prazer de ler, por exemplo o "Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã" e "a origem da família, etc. etc". Ele tem um estilo que transforma a leitura em algo de saboroso. O Marx era muito mais complexo, talvez mais dialéctico, tornava-se difícil. Engels lê-se por prazer. Experimentem...
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Tenho que dizer isto. A pessoa que mais me impressionou nesta passagem pela blogosfera foi a Maria do Cumplicidades. Não sei o que se passa com ela que já não escreve nada desde 26 de Janeiro. Temo que algo de grave. Ela seria a minha primeira escolhida, a sua sinceridade, a sua doçura eram algo de inigualável.
A partir daí, quem me resta? Efectivamente, acho que não consigo apresentar mais do que três pessoas. O Bispo de Porto, responsável pelo Santa Cita, pela ajuda e camaradagem que sempre trouxe ao Ourem, o Fred, um lutador do Castelo, pela luta contra o obscurantismo na nossa terra que leva com aquela tenacidade toda e, naturalmente, o Sérgio (o Leão de Ourém), do blog Som da Tinta, pela coerência, amizade, integridade. É a eles a quem passo o testemunho...
E os vencedores são:
Somos todos!
sexta-feira, abril 15, 2005
Esta história do estudo sobre os transportes urbanos em Fátima, localidade que, apesar de Altar do Mundo, se atravessa em qualquer sentido em pouco mais de 20 minutos a pé, que, ainda por cima, vai ser encomendado, deixa-me outra questão: será que se justifica tal distribuição de dinheiro? Isto é, será que alguém fez, com os recursos internos da Câmara, algum estudo de oportunidade para que o que vai ser feito não seja uma mera actividade folclórica de definição do óbvio, paga a peso de ouro?
Pouco a pouco, a nossa Câmara, através da acção do actual executivo, vai perdendo a credibilidade, vai-se envolvendo em teias que mostram que o seu posicionamento perante a lei é algo do tipo: é para respeitar enquanto nos servir.
O seu responsável, até há bem pouco nosso venerado presidente David, vai-se afundando persistindo numa atitude um tanto suicida. Devo dizer que o comprendo. O homem sente-se atacado por todos os lados, possivelmente até através do interior do seu partido. E quer mostrar obra, quer ter o reconhecimento. Eu faria o mesmo: se a lei não me servisse e tivesse poder para tanto, mudava a lei...
Já não me admiro que alguém lhe tenha ouvido dizer: “Sei que há uma mafia organizada contra mim. Eu sei quem são. Mas em breve darei a todos a resposta.”.
Bem escondido dos olhos dos oureenses, existirá um padrinho que planeia e executa rigorosamente a estratégia que lhe poderá trazer o poder no concelho? Em caso afirmativo, quem será? A quem se referia David?

Ao Sérgio, ao Bispo do Porto e aos amigos oureenses sportinguistas aqui ficam os orgulhosos parabéns por mais uma magnífica vitória.
Partilho convosco esta foto do Bin-Tex, roubada ao Mega Fauna, e que traduz algo como isto: agora, o guerreiro merece descanso. E que esteja bem repousante e sonolento naquele célebre jogo para o campeonato que virá lá para o fim!
quinta-feira, abril 14, 2005
1968: Ano da ida às Sortes
Vamos lá ver se a memória não me atraiçoa.
Fixemo-nos na primeira fotografia. Começamos mal...
O oureense mais à esquerda conheci-o apenas nesse dia, não recordo o nome, talvez Mário, falei bastante com ele, mas já passou muito tempo.
Segue-se-lhe o Luís Facas, um distinto dos tempos de infante que também habitou frente à casa do ZéQuim, filho de um dos históricos guarda-redes do Atlético, irmão do Alberto, aquele louco benfiquista que trabalha na gráfica com o Pintassilgo frente ao que resta do jardim da casa amarela.
Ao lado do Luís, está este V. humilde servidor que tanto pensa se está a ter um papel destrutivo relativamente ao progresso ao denunciar o que este faz a Ourém. Mas, ainda há pouco, ao ver a reacção do Rui Veloso perante a destruição da Rotunda da Boavista operada pela Casa da Música, vi que não estava sózinho: o progresso pode não ser agressivo para o que é o nosso património.
Ao meu lado, está o Zé Alberto, filho do Ezequel do café Avenida, assíduo frequentador do Poço e agora seu organizador incansável juntamente com o Julito.
Logo a seguir, isto é, o terceiro a contar da direita, temos o Génito, filho do Cabeça Aguda, um dos famosos condutores da Praça dos Carros, irmão do Duarte, este o tal que pegava no gato de barriga para o ar e o deixava cair. O Génito foi um dos nossos acordeonistas de eleição, responsável por mil bailes em Ourém e arredores e foi quem deu um tiro de pressão de ar ao Luís Nuno.
O segundo a contar da direita é o Luís Filipe. Encontrei-me com ele algumas vezes na tropa a partir desta data e em pleno processo de Abril.
Finalmente, temos o Manuel Miota, se não me engano o mais famoso ciclista oureense da década de setenta...
Há que acrescentar que, sedento da almoçarada e do bailarico, a certa altura, o Zé Domingos juntou-se à festa e, por isso, aparece em algumas fotografias, embora tivesse de esperar mais um ano por tão gratificante acontecimento.
quarta-feira, abril 13, 2005
No dia 16 de Abril, às 17 horas, Rui Pimentel estará no espaço da Som da Tinta para abrir uma exposição de originais seus, e conversar, assim se dando continuidade ao ciclo sobre Banda Desenhada que a livraria está a realizar.
De muitas e relevantes referências possíveis sobre Rui Pimentel – como a da sua ligação ao Olival – pode deixar-se a de ser o autor de Puro Veneno, da revista Visão.

Armas de Ourém

As armas da antiga vila de Ourém são as que se acham colocadas acima das portas de "Santarém"; assim chamada por estar voltada na direcção desta vila, como nas praças de guerra é costume dizer, invocando o nome das terras principais, para as quais olham as portas. Constam as armas de um castelo de duas torres, as cinco quinas em cruz, por cima uma águia de assas estendidas, ao lado esquerdo a meia lua, e ao direito uma estrela.
O castelo é indisputavelmente a própria divisa de Ourém, a meia lua, insígnia mahometana, e do mesmo modo a estrela, usada nas bandeiras mouriscas, o que indica para nós este escudo e trofeu da conquista de Ourém aos muçulanos. Quanto à "águia de asas estendidas, olhando para a esquerda", sabendo que a rainha D. Mafalda mulher de D. Henrique tinha no escudo uma águia de asas estendidas, olhando para a esquerda devemos supor que sua filha a rainha D. Teresa a quem fora dado por el-rei seu pai o castelo de Ourém, adoptara como sua divisa aquela de sua mãe, e tanto mais que é do mesmo modo colocada nas armas de Ourém, como no escudo das armas da rainha D. Mafalda...
As quinas reais nos cinco escudos pequenos são as armas de Portugal, que não estão cercadas na orla de castelos e nos indicam por isso a sua forma , que são as de que usavam os nossos reis...
A quinta da paciência infinita
A fotografia não deixa ver, mas permite recordarAo lado dos distintos, eram os galinheiros. Mais à frente, na habitação guardavam-se os instrumentos de trabalho, palha para os currais de porcos e era o local onde à noite se faziam as descamisadas. Do lado direito, havia pequenas instalações para os porcos, religiosa e diariamente limpas pelo caseiro, o sr. António.
Ao fundo, distingue-se o espaço onde era guardado o que se retirava dos currais, a palha envolta em dejetos que, mais tarde, era aproveitada como fertilizante. Para a direita e em frente, era a quinta que eu percorria quase diariamente para controlar se tudo estava bem.
A rega era efetuada a partir do tanque. A água seguia alegremente por pequenos carreiros que depois eram desviados para a conduzir às couves, ao feijão, às flores. Eu tentava intervir nessa operação, pois fascinava-me a sua entrada naqueles pequenos retângulos e o envolvimento das culturas e, depois, quando a desviávamos para outro, o sorvar da mesma pela terra. Imaginem as secas que dava ao caseiro a pedir para ser eu a fazer o desvio e ele a não me poder dar a resposta merecida por ser amigo dos patrões...
Muitas vezes aproveitava a água e os carreiros para lá introduzir pequenos paus ou barcos de papel e depois procurá-los nos sítios onde encalhavam.
Os donos da quinta suportavam este meu esforço para me divertir com toda a bondade.
Às vezes, ia mais longe, na direcção da vinha (onde está hoje o parque de estacionamento). Um dia, deparei com um cãozito dentro de um poço, a debater-se para tentar sair. Já não sei como, consegui tirá-lo de lá e então reparei que o pobre bicho tinha as patitas da frente em sangue e as unhas todas raspadas de tanto ter lutado.
terça-feira, abril 12, 2005

Pouco tempo passava sobre o nosso post e eis que o Outrora aparece com uma notícia de 1942 sobre o Regato e com duas fotografias (1 2) sugestivas.
O artigo é delicioso. Vejam o pormenor com que se definia a obra:
Num dos ângulos, formado pelos arruamentos, existe, presentemente uma bica rente ao solo, onde o público se serve em más condições. Aproveitar-se-á o mesmo local para ser construída uma pequena fonte com um elegante alçado, ornado com azulejos. Teve-se em vista a pouca altura desta fonte em virtude da água não ter pressão para ser mais elevada; os motivos escolhidos para este trabalho são no entanto de molde a não chocar o conjunto.
No outro ângulo, voltado para a alameda do Regato, o passeio-cercadura do recinto urbanizado, ostentará as armas do concelho.
Será construída uma escada para vencer o desnível da estrada de Torres Novas para o caminho das Laranjeiras, o qual se não pode fazer por uma rampa, pelo facto de se dispor de pouco espaço para a desenvolver e existirem soleiras de portas que têm de ser respeitadas.
Naturalmente impor-se-á que as entidades respectivas regularizem os arruamentos circundantes e que os proprietários dos prédios vizinhos melhorem e embelezem, tanto quanto possível, os aspecto destes, de harmonia com o conjunto.
Parece que será respeitado o gigantesco plátano que ali existe.

Aproximam-se as eleições autárquicas e a concelhia de Ourém do PCP, com a força que tem, prepara-se para essa próxima luta eleitoral.
Parecerá talvez exagerado, no começo de Abril, escrever-se que se aproximam eleições que, habitualmente, são no final do ano, embora neste ano de 2005 se antecipem para Outubro.
Mas não o é, ou melhor, não o pode ser porque, a todo o momento, se sente que as chamadas “máquinas partidárias”, particularmente as concelhias, estão em grande actividade para prepararem essas eleições.
O PS-Ourém apresentou já o seu candidato a presidente da Câmara, José Manuel Alho, figura que tem prestígio fora da área político-partidária; pelo nosso lado, do PCP-CDU, apresentaram-se os nossos objectivos, traduzidos na necessidade de mudança no poder autárquico e no que se pensa ser o nosso insubstituível contributo na actual relação de forças existentes: o regresso de Sérgio Ribeiro à Assembleia Municipal,
contribuir para uma vereação em que haja oposição.
Estamos certos que alguns oureenses desejam e acham necessária a mudança…
… e, na leitura política que o PCP-Ourém faz da situação, essa mudança passa pela concretização desses seus objectivos.
Objectivos não, evidentemente, isolados do que outras forças políticas fizerem, daquilo que seja também o seu contributo para que haja mudança a sério, real, e não só de nomes ou de “arranjo” dentro das mesmas política.
A mudança tem de ser de políticas e não de políticos. Ou seja, têm de se mudar de “políticos” para que as políticas sejam diferentes.
O que está a acontecer no PSD é muito significativo. Mantendo-se a força com maior expressão eleitoral no concelho, graças a uma muito bem montada teia ou rede de influências e de compromissos, as divisões surdas ao nível dos dirigentes, que se arrastam há anos, parece estarem em ponto de ebulição com a proximidade das autárquicas.
Também a situação do partido no plano nacional não ajuda à pacificação local, concelhia, antes acirra essas divisões surdas, latentes, esses “jogos de poder”.
Alguns episódios chegam a atingir o caricato, como a escolha de delegados ao congresso em que houve listas, disputa interna, e eleições secretas para delegados.
Para nós, com o nosso entendimento da democracia, que privilegia o confronto directo, as escolhas olhos nos olhos, e a quem querem obrigar a votações secretas, tudo isto é aberrante.
Por este caminho, as decisões ao nível familiar (e um partido é, de certo modo, uma “família” formada por afinidades político-ideológicas), terão de ser tomadas por voto secreto por exemplo quanto ao orçamento familiar, aos nomes e escolas dos filhos, ao local das férias, a mudança de residência, etc.
Nesta batalha política que se aproxima, a concelhia de Ourém do PCP, na defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações, está, como em todas, com a CDU, coligação com o Partido Ecologista os Verdes, a associação cívica Intervenção Democrática, com todos os independentes que, sem preconceitos, estejam de acordo com o nosso projecto autárquico e com os nossos objectivos.
Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição
Santa Teresa de Ourém
Não há no concelho de Vila Nova de Ourém lugar algum com a singularidade do Zambujal. Os que escreveram a história eclesiástica, narrando a vida dos santos, e os que escreveram a história profana, falam deste lugar com menção especial, porque nele nascera a beata Teresa de Ourém.Não discordam eles enquanto ao lugar do nascimento e milagres que fizera, mas variam numa ou noutra circunstância. O D. Tomaz da Encarnação nos diz com excepção de todos os demais, que tão distinta e formosa beata viveu em Santarém, sendo depois criada do prior de Ourém: todos porém afirmam que Ourém, próspera e florescente, no reinado de D. Afonso III, mereceu a ventura de possuir em toda a sua vida a beata, e em especial a freguesia de S. João, uma das quatro que havia a esse tempo, empregando-se como criada do prior dela.
As suas devoções e os milagres divulgados, lhe granjearam o nome de santa cuja opinião desfrutou ainda em sua vida, e, desde logo, falecendo em 3 de Setembro de 1266, começou o culto com festa que anualmente lhe faziam os seus devotos conservando-se em caixa de prata a cabeça, e no altar a sua imagem que pelo terramoto ficou debaixo das ruínas da sé de Ourém.
A relíquia conservada da santa é de admirável virtude contra as dores de ouvidos. A beata Teresa se não habitava em Ourém o edifício que ainda serve de cadeia pública, e que tradicionalmente se tem chamado de casa de Santa Teresa, é contudo certo que a essa circunstância anda ligada a história interessante dos desgraçados que nela entraram.
Querem alguns supor que na cadeia se empregaram os materiais da casa da beata, que antes vivera numa humilde habitação, construída dentro do castelo: seja porém o que for, é averiguado que ates que a ciência legisladora formalizasse em lei do país, a abolição da pena morte, era constante que o desgraçado arremessado à cadeia de Ourém, por maiores que fossem os malefícios cometidos, nunca sofrera o infamante suplício a que a sentença os condenava! Parece que entre todas as maravilhas da beata Teresa, não é menos recomendável esta, poupando à humanidade mais alguns dos pavorosos espectáculos, convertida a sua casa num asilo da vida.
In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868
O tanque dos nadadores persistentes
Com o aproximar do Verão, este tanque era cuidadosamente lavado e os dias ganhavam novo interesse.
Era o momento da chegada do Rui o que se traduzia em excelente companhia, lanches, idas à piscina a Tomar, leituras, novos discos. E, claro, o encontro com os restantes no Avenida.
Um dos elementos da trupe de nadadores, que não está na fotografia, era, também, o Jó Rodrigues.
Todo este espaço foi destruído e sobre ele construída a Escola Profissional de Ourém. "Uma boa causa", já o afirmei, mas que não me impede de contemplar os invasores com uma certa mágoa.
Aliás, diz-se que o Rui nunca mais veio a Ourém para não ter de se sujeitar a esta tristeza.
segunda-feira, abril 11, 2005
Os congressos do PSD são tradicionalmente o melhor a que se pode aspirar em matéria circense na política portuguesa.
Continuar a ler O nada
A notícia vem, hoje, no Público: Ourém, ou melhor, a câmara de Ourém, pede suspensão do plano director.
O objectivo é ultrapassar impasse da obra do novo supermercado.
A Câmara de Ourém vai pedir às autoridades competentes que suspendam a aplicação do Plano Director Municipal na zona onde está prevista a construção do novo supermercado Intermarché de forma a acabar com o impasse da relocalização da estrutura comercial.
Seguem-se os estafados argumentos da sinistralidade da zona que só pode ser corrigida com a ajuda do supermercado, agora apoiados em estatísticas da GNR.
Tenho dado tão pouca atenção ao Regato...
É pois a antiga Cruz do Regato, um monumento.
Neste sítio, nos diz Carvalho1, existira também a ermida de Santa Margarida de que nenhuns vestígios existem hoje, e provavelmente pertencia à quinta da Loureira há mais de um século destruída.
A cruz, porém, de que falamos, caíra por terra no andar dos tempos.
Houve um cavalheiro, a quem o concelho deve muitos bons serviços, como administrador do concelho e presidente da câmara2, que restaurou a memória.
Colocou-se a nova cruz, cinco metros para o nascente do lugar onde estava a antiga em Outubro ou Novembro de 1857, obrada de uma cantaria da mesma qualidade daquela que foi aplicada no magnífico templo da Batalha (excelente pensamento, porque são ideias associadas da mesma época) e está posta numa peanha de cantaria de seis metros e trinta e oito centímetros, tendo a haste, braços, e carapeta, quatro metros e quatro centímetros...
1 - Carvalho, Corographia Portuguesa, tom. III.
2 - Dr. Joaquim Gomes Vieira GaioIn: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868
O galheteiro

Atenção ao passarinho...

Pode ser que não se note, mas era mais alto que todos eles. Assim, posicionado ao centro, lembra-me as constantes vezes que participei em caminhadas e o pessoal chamava galheteiro ao conjunto.
Nos extremos, estão o Avião e o Luís Nuno e, a separá-los de mim, respectivamente, o Fernando e o João, netos da Júlia padeira, os tais dois miúdos ultra-arreliadores que já vos falei a propósito do Largo de Castela.
O local foi o saudoso jardim de Ourém junto à Câmara.
domingo, abril 10, 2005

Camaradas oureenses,
este post é para demonstrar que tenho feito acesso à nova casa do Byn-Tex e que a recomendo pela sua excelência que, não rara vezes, me deixa sem palavras.
sábado, abril 09, 2005

O livro

Os dias recentemente passados em Ourém permitiram descobrir esta preciosidade, assinada pelo proprietário, no meio de outras coisas enquanto procurava os versos do Dr. Preto. Vou partilhar algumas passagens com os amigos oureenses. Logo a abrir:
E mais à frente:Nunca o Sol luziu tão amigável
Como no sítio em que primeiro o vimos
Filinto Elyseu
Ourém representa-se semelhante ao Pelicano, rasgando o seio donde receberam a vida instituições, origem da riqueza e natural ufania de outras vilas...
sexta-feira, abril 08, 2005
Vou abandonar tudo para só ler este blog. Quero ir para Ourém consultar os arquivos do NO. Já imaginaram as maravilhas que por lá existem e nós nem sonhamos?Numa bela manhã, em tempos muitos distantes, ali passaram o dia, conversando, dois namorados, ele com uma grade aos ombros e ela com uma bilha de água à cabeça, sem nenhum deles se lembrar de arrear estes pesados objectos, tal era o enlevo em que achavam aquelas almas.
Continuar a ler A Ponte dos Namorados
É formidável como o tempo e a forma de publicação dão um novo sabor às coisas. O Ourém Outrora é, na minha humilde perspectiva, uma aposta ganha e vai encantar os oureenses se conseguir manter a excelente selecção e o ritmo (não sei qual o mais difícil). Mas ao mesmo tempo é a prova de que pelos nossos jornais, designadamente o Notícias de Ourém, passaram pérolas que talvez estivessem condenadas à morte e ao esquecimento se não fosse o trabalho de NA.
Não fala ainda o Tónio, o meu netinho,
não fala e vai já um ano e meio;
mas enche as casas todas um gorgeio,
um cholrear de inquieto passarinho;
que de manhã à noite alegra o ninho.
Há voz de mais amor? Eu não o creio.
Quer chore ou ria ou palre, em doce enleio
avós e pais adoram o Toninho.
Quando falar que mais há-de dizer
do que já diz agora o seu olhar,
o seu sorriso, o seu balbuciar?
Pois fala assim, meu pequenino ser,
oh! Cabecita loira, anjo de altar,
que eu sou avô e sei-te perceber
António da Luz Preto
NA agora não pode parar... Toda a Ourém está presa no Outrora!
quinta-feira, abril 07, 2005
Eis algumas das iniciativas que acompanham este assinalável acontecimento:
• apresentação de Disseste o meu nome?, de Manuel Rodrigues, em sessão dedicada à deficiência, na Biblioteca Municipal, cedida pela Câmara Municipal (realizada a 2 de Abril)
• ciclo Banda Desenhada, com José Garcês, Rui Pimentel, Luís Louro
• Glória Marreiros e U…tópico
• lançamento de Somos todos netos de Abril
• sessão sobre o 25 de Abril
• … e o mais que for possível (ou de que se for capaz…)
quarta-feira, abril 06, 2005
Por Sérgio Ribeiro
Cada um lembra-se mais do que viveu mais intensamente. A esplanada do quartel dos Bombeiros, na Carvalho Araújo está gravada na minha adolescência. As festas anuais eram... uma festa! Desde os Companheiros da Alegria, do Igrejas Caeiro, a 'malta' de Coimbra, os ilusionistas, o Néné, a Hermínia Silva, sei lá... E eu a crescer para a vida com a ajuda dos meus amigos, e a dormir em casa do ti'Júlio porque o Zambujal era longe... Lembras-te, Rui?
Cometi, nessa altura, uma 'gaffe' de que, de vez em quando, me lembro, com um sorriso e um corar debaixo da barba. Um dia contá-la-ei.
Tem a ver com as meninas da 'nossa sociedade' que serviam à mesa durante as festas. Ah!, e os versos do dr. Preto, também para angariar fundos e em que o meu pai era sempre 'o oureense número um' para rimar com qualquer coisa acabada em 'um'.
Oh! Luis, oh! Julito... isto não se faz. Não chegavam as memórias que vêm cá de dentro e estão acordadas, para vocês virem, de fora, acordar as que estavam tão sossegadinhas!
Por Júlio Henriques (Julito)
Esperamos que esta chama que continua bem viva mantenha o esplendor de outrora, cujo prenúncio se augura feliz pelo constante rejuvenescimento que temos vindo a assistir com a entrada de muitos jovens que querem continuar com essa mística dos Bombeiros Voluntários de Ourém, que tem passado de boca em boca e de geração em geração.
Não sei se estou a cometer um erro se disser que, desde 1935, os nossos bombeiros homenageiam os seus colegas desaparecidos com uma romagem ao cemitério.
Se esta informação é verdadeira, este ano atingirão a bonita soma de 70 vezes e esta fotografia é a recordação do 1º ano em que teve lugar.O ano passado, o Castelo publicou, assinado por Alberto Figueiredo, um excelente texto sobre esta prática que aqui reproduzimos:
Eis mais um aspecto da deslocação ao cemitério dos nossos bombeiros:É verdade, os nossos Bombeiros já passaram em desfile rumo ao Cemitério. Sempre o fizeram na longa noite fascista. Era a forma consciente, para muitos deles, comemorarem Maio. Muitas das actividades concelhias encerravam. Os Bombeiros homenageavam, no cemitério, os colegas falecidos colocando flores. Havia também a celebração da Missa. Com estas celebrações a Vila,ao tempo, parava e em Ourém celebrava-se o feriado do 1.º de Maio.
Hoje, conscientemente ou inconscientemente, todos festejamos o 1.º de Maio, graças à revolução de Abril.
Em Ourém havia muita gente do"reviralho" que nunca adormeceu. A nossa gratidão a estes e aos Bombeiros!

e do regresso:
terça-feira, abril 05, 2005
Um bombeiro fantástico

O Busto

Guilherme Fernandes, conta-me o Julito, foi um bombeiro, não oureense, fantástico. No entanto, em determinada ocasião participou numa prova internacional e na sua equipa também estavam oureenses. Os resultados foram espantosos. Onde os outros demoravam minutos às dezenas, a sua equipa gastou uns escassos quatro minutos. Após a sua prova, os seguintes desistiram...

A arte de Garcês

... nos bárbaros que tomariam conta da nossa terra?
Pode ser que Garcês tenha uma resposta.
Ele estará na Som da Tinta na próxima sexta-feira, 8 de Abril, a partir das 18 horas, onde poderá esclarecer todas as dúvidas sobre a sua História de Ourém. A editora inicia assim um ciclo dedicado à banda desenhada.

A concelhia de Ourém do PCP, com a força que tem, prepara-se para a próxima luta eleitoral.
A força do PCP-Ourém é a dos seus militantes, é a da sua prática consequente, é a da sua permanente intervenção em defesa das populações de que são parte.
Quando temos eleitos, essa força faz-se sentir nas posições que se tomam nas instâncias, com ela procurando que a política da autarquia seja a que melhor sirva os interesses das populações; quando não temos eleitos, quando os votos não chegaram para que a nossa força tenha essa expressão, nem por isso abranda a vontade de intervir, nem por isso se deixa de intervir por todas as formas que se consigam encontrar.
E se alguns oureenses desejam essa mudança que tão necessária é…
…lembra-se que, de 1997 a 2001, Sérgio Ribeiro foi eleito na Assembleia Municipal e esta foi uma Assembleia Municipal diferente. Estamos certos, também, que muitos dos que participaram nessa sessão legislativa e noutras, têm esta mesma opinião. Que, por isso, não é apenas nossa, da concelhia do PCP de Ourém que de novo o apresenta como candidato.
Nesses quatro anos, houve sessões temáticas, houve sessões dedicadas aos emigrantes na altura apropriada – quando eles estão na “nossa terra”, em Agosto –, discutiram-se os documentos essenciais de uma gestão com qualidade técnica e profundidade política, colocaram-se questões – sobre a criação das empresas municipais, por exemplo – que mais tarde se vie-ram a comprovar como inteiramente justificadas, e outros adoptaram sem reconhecer o erro anterior e ignorando quem tinha sido amigo… porque tinha avisado (não é verdade que quem te avisa teu amigo é?).
A tentativa gorada de eleger Sérgio Ribeiro para a vereação, e o facto dos significativos votos que recebeu Susana Neves não terem sido suficientes para manter esse lugar, fizeram com que a CDU o perdesse. Mas essa perda – que foi para todos – não levou o PCP-Ourém a diminuir de actividade. Em condições mais difíceis esteve sempre presente.
Quando do caso da Waelle, do aumento da água, em cada ano com apresentação de propostas de aumento do PIDDAC no orçamento de Estado – que o PS apoia por achar irrisórias as dotações quando a maioria e o governo são PSD-PP… e estes votam contra, que o PSD apoia por achar irrisórias as dotações quando a maioria e o governo acha irrisórias quando a maioria é PS (com ajudas de deputados de outros partidos) … e estes votam contra – do PDM, do Intermarché, do arranjo urbanístico de Ourém, dos problemas e potencialidades de Fáti-ma.
A mudança por que o PCP-Ourém, a CDU, se bate – bateu e baterá –, a mudança para que quer contribuir com os seus eleitos, independentemente dos lugares,
é uma mudança que faça com que, progressiva e determinadamente, as populações sintam que esse poder é seu e que só o delegam em representantes seus… e enquanto o merecerem. Enquanto se esforça-rem por resolver os problemas de todos, e não apenas se preocupam com os interesses seus e de uma mino-ria.____________________________________
Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição
domingo, abril 03, 2005
Ora aqui temos mais um blog sobre Ourém. Assinado por NA (Nelson Alves? - de qualquer modo, não conheço) é alimentado por notícias e artigos da imprensa da época. Trabalho duro este que exige reescrever um artigo a partir de texto elaborado por outro e que se insere em algo que já tínhamos proposto: digitalização dos nossos jornais.
Esperamos que não desista e desejamos-lhe muita força para esta missão importante. Oportunamente, incluiremos uma ligação.
Eis alguns dos artigos já publicados, um dos quais mostra que este espaço pode ser saudade do que já era saudade:
Praça de Mouzinho de Albuquerque
Iluminaçao da vila
Parque infantil
Basquetebol




