Vale a pena encontrarmo-nos quando a vida, insensivelmente, procura a cada momento afastar-nos. Sabe bem isto porque significa que naqueles tempos se cultivava a amizade, a brincadeira sã, as pedradas “suaves”, as idas ao dentista “macabro”, enfim, o convívio da cultura “poceira”, a amizade verdadeira que, se calhar, hoje pouco se cultiva.
Por tudo o que fomos, o que sentimos e o que somos ainda, vale um abraço daqueles que só amigos podem sentir!
quinta-feira, novembro 04, 2004
Uma mensagem do Luís Nuno aos seus amigos do Poço (e a todos os outros...)
Luís Nuno
Retorno ao Poço
E voltamos ao formidável encontro do próximo sábado.
O tempo parece estar a compor-se o que dará outro sabor à agua-pé e respectivo acompanhamento sólido.
Tinha prometido algo de especial aos meus amigos oureenses. Aqui fica: um texto do Luís Nuno que ele deixou na minha recordação do I almoço. Mas aquele texto não era para mim. Ele refere a amizade e, como tal, tem de ser estendido a todos os que com ele a partilharam. Aqui fica.
E voltamos ao formidável encontro do próximo sábado.
O tempo parece estar a compor-se o que dará outro sabor à agua-pé e respectivo acompanhamento sólido.
Tinha prometido algo de especial aos meus amigos oureenses. Aqui fica: um texto do Luís Nuno que ele deixou na minha recordação do I almoço. Mas aquele texto não era para mim. Ele refere a amizade e, como tal, tem de ser estendido a todos os que com ele a partilharam. Aqui fica.
quarta-feira, novembro 03, 2004
Um movimento cívico para Ourém
Por Alma
Sem lá ter jogado à bola, ao berlinde, ou à "apanhada", também guardo esta casa como uma das já "poucas" recordações de infância que compõem o nosso ser.
Mais do que uma recordação "ainda viva" esta casa acaba por pertencer-nos, a todos nós, Ourienses, que nela assumem o legado e património da memória colectiva.
A memória colectiva, o património histórico, "o passado", não podem ser "derrubados" por uma qualquer "buldozer", despacho administrativo ou judicial, decisão camarária...
Se há que deitar abaixo são duas coisas.
Uma física. Os prédios que naquelas ruas, contíguas e paralelas, deixaram construir. Qual progresso de uma sociedade moderna? Antes a "tacanhez" de autoridades e gentes locais...
A segunda. Derrubar, vencer, "tirar" da autarquia, aqueles que ainda "lá moram" e permitiram que esta "aldeia" (a de Castela, como a dos Álamos), ficassem descaracterizadas.
Mas há uma coisa que podemos fazer nascer.
Um movimento cívico de defesa do património histórico, cultural, social, que ainda resta no nosso concelho.
Um movimento que "grite" pelas pedras das casas que urgem ser recuperadas. Um movimento que saiba assumir o legados dos "nossos". Um movimento que defenda a nossa identidade cultural... antes que seja tarde...
À recordação e consciência dos amigos do Poço
Já deixámos de ver o jardim junto à Câmara. Este ano, encarregaram-se de acabar com o que existia frente ao Central.
Já deixámos de ver o jardim junto à Câmara. Este ano, encarregaram-se de acabar com o que existia frente ao Central.
Também já não temos direito à feira nova.
Iremos perder a memória do Largo de Castela? Ou a do cantinho do Ferraz que nos transporta logo para o local onde moraram o Genito e o Duarte?
Iremos continuar a assistir à triste degradação do que foi o saudoso Colégio Fernão Lopes?
Ou virão aí reclassificações como a hilariante realizada no Ribeirinho?
Esta entrada serve para recordar alguns textos que este blog já publicou sobre a nossa Ourém e que este fim de semana poderão merecer alguma atenção.
Iremos perder a memória do Largo de Castela? Ou a do cantinho do Ferraz que nos transporta logo para o local onde moraram o Genito e o Duarte?
Iremos continuar a assistir à triste degradação do que foi o saudoso Colégio Fernão Lopes?
Ou virão aí reclassificações como a hilariante realizada no Ribeirinho?
Esta entrada serve para recordar alguns textos que este blog já publicou sobre a nossa Ourém e que este fim de semana poderão merecer alguma atenção.
A casa do largo de Castela
Reconhecem esta obra prima?
Pois esta casinha ainda existe ali bem no início da Rua de Castela e continua a dominar com o seu porte a rua que nos conduz à avenida. Ali se travaram renhidos combates de futebol, pião e berlinde. Há quem sustente que, bem rente ao chão, a 20 centímetros do lado esquerdo da porta principal existiu um buraco que terá ocultado dezenas de bolas de futebol que eram engolidas perante os remates inadvertidos dos jovens jogadores. E que, no seu sótão, existirá possivelmente um saco contendo restos da banda desenhada da década de cinquenta e sessenta consubstanciada em Camaradas, Pajens, Moscas, talvez Mundos de Aventuras, ali deixados inadvertidamente por uma família que a habitou.
Consta que esta casa tinha características notáveis para a leitura e contemplação de banda desenhada. Reparem agora naquela pequena torre do lado esquerdo, quando vista bem de frente, que lhe dá uma solidez singular e única em todo o distrito…
A verdade é que me constou que esta casa também está condenada à destruição por causa do traçado de uma rua, por causa da relação com outras arquitecturas que nasceram tortas. Pode acontecer que assim seja, dar-me-ão um grande desgosto. Mas garanto que se tivesse posses para tanto, adquiriria essa casa, restaurá-la-ia e instalaria lá uma mostra de banda desenhada, resistindo ao seu abate até ao último suspiro.
E acreditem no profeta, a sentença está dada: quem participar na sua destruição, quer seja responsável, executante ou mero colaborador, é condenado à sua reconstrução, pedra por pedra, em local digno da visita de distintos oureenses.
Como é possível?
O Albuquerque esteve aqui. Aqui terá passado alguns dos melhores anos da sua vida. Aqui terá conhecido o primeiro sabor dos SGs, dos Portos, dos Definitivos. Aqui terá dado muitos toques na bola, terá levado muitos colegas mais novos ao poste. E certamente terá recebido a formação que o ajudou a ocupar alguns dos postos politicamente mais poderosos no distrito e no concelho. Apesar disso tudo, nada conseguiu fazer para devolver ao que foi o Colégio Fernão Lopes um pouco da dignidade que ele orgulhosamente ostentava noutros tempos.
Esta escola foi responsável pela transmissão de conhecimentos a muitos jovens de Ourém e de outras terras. Nela trabalharam excelentes professores alguns dos quais para mim constituem uma referência: a Dra. Maria da Nazaré, o Dr. Laranjeira, a Dra Lurdes Moreira, a Dra Maria Júlia, o próprio Dr. Armando quando não estava virado do avesso. E quem não recorda a Boazinha?
Por respeito a toda esta gente, a Câmara devia pensar na sua recuperação e na sua utilização como um local de formação do mais alto nível.
Um recanto pitoresco
Afinal, ainda lá está. Ali à entrada do local em que iniciávamos a subida da encosta para os moinhos, existia um cantinho muito agradável habitado por uma família muita afável. Ali apoiei o Ferraz em momentos de doença com a audição dos poucos discos que possuia.
À frente do recanto ainda se pode ver a casa que foi habitada pelo Genito e pelo Duarte (filhos do Cabeça Aguda) a qual ainda apresenta um aspecto razoável.
Do lado esquerdo, constata-se a existência de uma pequena fonte, onde muitas vezes os oureenses se dessedentaram, mas a que a incúria autárquica ainda não devolveu a necessária torneira.
Experimentem descer do recanto até ao largo de Castela e sintam um pouco do ambiente de outro tempo. Trata-se de uma rua estreitinha, silenciosa, com uma certa inclinação. Do lado direito há uma bela casa amarela em degradação. Mais abaixo, do lado esquerdo, encontramos a casa do Boas Falas onde habitava o nosso amigo Augusto.
Sintam a minha angústia: será que tudo isto está condenado à destruição?
Afinal, ainda lá está. Ali à entrada do local em que iniciávamos a subida da encosta para os moinhos, existia um cantinho muito agradável habitado por uma família muita afável. Ali apoiei o Ferraz em momentos de doença com a audição dos poucos discos que possuia.
À frente do recanto ainda se pode ver a casa que foi habitada pelo Genito e pelo Duarte (filhos do Cabeça Aguda) a qual ainda apresenta um aspecto razoável.
Do lado esquerdo, constata-se a existência de uma pequena fonte, onde muitas vezes os oureenses se dessedentaram, mas a que a incúria autárquica ainda não devolveu a necessária torneira.
Experimentem descer do recanto até ao largo de Castela e sintam um pouco do ambiente de outro tempo. Trata-se de uma rua estreitinha, silenciosa, com uma certa inclinação. Do lado direito há uma bela casa amarela em degradação. Mais abaixo, do lado esquerdo, encontramos a casa do Boas Falas onde habitava o nosso amigo Augusto.
Sintam a minha angústia: será que tudo isto está condenado à destruição?
Os restos da fonte de Santa Teresinha
Estão situados bem perto da casa do Zé Quim. Durante alguns anos, habitei em frente à mesma e tive o privilégio de ouvir o correr das suas águas. Trata-se de uma obra que data de 1868, curiosamento não muito diferente daquela que existia no Ribeirinho.
A sua degradação é bem evidente.
A nossa perplexidade perante a acção do poder autárquico é imensa. Como é possível deixar este elemento arquitectónico chegar a este estado de degradação? Será que só é possível a degradação pura e simples até à destruição ou a reconstituição caricatural como a que foi operada na fonte do Ribeirinho?
É que esta está reconstruída, mas toda transformada: não está no local que era o seu, foi rodeada de elementos que nada têm a ver com ela, está virada só para os que entram em Ourém, não ostenta um mínimo de verdura.
Estão situados bem perto da casa do Zé Quim. Durante alguns anos, habitei em frente à mesma e tive o privilégio de ouvir o correr das suas águas. Trata-se de uma obra que data de 1868, curiosamento não muito diferente daquela que existia no Ribeirinho.
A sua degradação é bem evidente.
A nossa perplexidade perante a acção do poder autárquico é imensa. Como é possível deixar este elemento arquitectónico chegar a este estado de degradação? Será que só é possível a degradação pura e simples até à destruição ou a reconstituição caricatural como a que foi operada na fonte do Ribeirinho?
É que esta está reconstruída, mas toda transformada: não está no local que era o seu, foi rodeada de elementos que nada têm a ver com ela, está virada só para os que entram em Ourém, não ostenta um mínimo de verdura.
Será que esta fonte é uma mensagem do tipo: vejam do que somos capazes, vejam as nossas obras de fachada? É que ninguém pode beber da sua água ou ouvir o seu correr com ela instalada naquele local, rodeada por uma rotunda.
terça-feira, novembro 02, 2004
O Parlamento Europeu em 2000 caracteres (+ ou -) por semana
Outubro-II
Por Sérgio Ribeiro
No plenário deste final de Outubro, em Estrasburgo, aconteceu algo de inesperado, talvez histórico.
Ao contrário do previsto, e do que aqui prognostiquei, as coisas encaminharam-se para que a Comissão Europeia, que já tinha um Presidente – Durão Barroso – não fosse aprovada no Parlamento Europeu. Pelo que DB – ou JMB para “europeu” ver – retirou a proposta que iria ser chumbada. Ficou um presidente de uma comissão sem ter comissão…
Porquê?
É preciso lembrar que em Julho, quando DB foi proposto ao PE para Presidente da Comissão, houve 251 votos contra e 44 abstenções. Porque os deputados do grupo Esquerda Unida, dos Verdes, alguns do Partido Socialista Europeu, quiseram assim manifestar que estavam contra a política que DB personifica e interpreta. Não chegou para o chumbar, mas foi significativo. Importa dizer que, em nome de uma solidariedade nacional, os socialistas portugueses votaram a favor de DB.
Agora, quando apresentou a “sua” equipa, que mudou?
Aos que continuariam a votar contra pelo que DB representa e iria interpretar na prática, juntar-se-iam outros que encontraram, na composição da equipa, motivos para estar contra ou até para se indignarem em nome de valores e direitos humanos. Numa convergência pontual, juntar-se-iam, aos que tinham votado contra em Julho, os restantes socialistas e 2/3 dos liberais.
Significativo momento que terá várias interpretações e consequências.
Não me vou deter nelas – estas crónicas têm a medida dos 2000 caracteres… – mas quero sublinhar que, tal como em Julho, considerei absolutamente despropositado falar em “orgulho nacional” para aceitar ou saudar a eleição de um português para um cargo político com as características da presidência da Comissão, sendo a escolha feita como e por quem é, também agora não teria qualquer sentido dizer que esta derrota de DB – o único indiscutível resultado objectivo do que se passou –, significa uma “vergonha nacional”.
Esta procissão ainda vai no adro…
Outubro-II
Por Sérgio Ribeiro
No plenário deste final de Outubro, em Estrasburgo, aconteceu algo de inesperado, talvez histórico.
Ao contrário do previsto, e do que aqui prognostiquei, as coisas encaminharam-se para que a Comissão Europeia, que já tinha um Presidente – Durão Barroso – não fosse aprovada no Parlamento Europeu. Pelo que DB – ou JMB para “europeu” ver – retirou a proposta que iria ser chumbada. Ficou um presidente de uma comissão sem ter comissão…
Porquê?
É preciso lembrar que em Julho, quando DB foi proposto ao PE para Presidente da Comissão, houve 251 votos contra e 44 abstenções. Porque os deputados do grupo Esquerda Unida, dos Verdes, alguns do Partido Socialista Europeu, quiseram assim manifestar que estavam contra a política que DB personifica e interpreta. Não chegou para o chumbar, mas foi significativo. Importa dizer que, em nome de uma solidariedade nacional, os socialistas portugueses votaram a favor de DB.
Agora, quando apresentou a “sua” equipa, que mudou?
Aos que continuariam a votar contra pelo que DB representa e iria interpretar na prática, juntar-se-iam outros que encontraram, na composição da equipa, motivos para estar contra ou até para se indignarem em nome de valores e direitos humanos. Numa convergência pontual, juntar-se-iam, aos que tinham votado contra em Julho, os restantes socialistas e 2/3 dos liberais.
Significativo momento que terá várias interpretações e consequências.
Não me vou deter nelas – estas crónicas têm a medida dos 2000 caracteres… – mas quero sublinhar que, tal como em Julho, considerei absolutamente despropositado falar em “orgulho nacional” para aceitar ou saudar a eleição de um português para um cargo político com as características da presidência da Comissão, sendo a escolha feita como e por quem é, também agora não teria qualquer sentido dizer que esta derrota de DB – o único indiscutível resultado objectivo do que se passou –, significa uma “vergonha nacional”.
Esta procissão ainda vai no adro…
segunda-feira, novembro 01, 2004
O Poço
Guarda o Poço memórias,
D`outro tempo lindas histórias!
Reflexo de traços ausentes,
Gargalhadas cúmplices, olhares inocentes.
Retrato eterno de outrora
Leveza d`alma, certeza do mundo
Que se carrega pela vida fora
Com nostalgia, amor profundo
Tornou-se o Poço sagrado
Lugar de encontro seguro
Marco de efémera separação,
Sublimação de destino duro
Já não é penosa a solidão,
No regresso ao Poço em glória
Seres livres sem ilusão,
Mas seres puros com alguma história...
Ana Prata
Guarda o Poço memórias,
D`outro tempo lindas histórias!
Reflexo de traços ausentes,
Gargalhadas cúmplices, olhares inocentes.
Retrato eterno de outrora
Leveza d`alma, certeza do mundo
Que se carrega pela vida fora
Com nostalgia, amor profundo
Tornou-se o Poço sagrado
Lugar de encontro seguro
Marco de efémera separação,
Sublimação de destino duro
Já não é penosa a solidão,
No regresso ao Poço em glória
Seres livres sem ilusão,
Mas seres puros com alguma história...
Ana Prata
Os excluídos
Uma situação que sempre me fez alguma confusão foi a de alguns distintos que ou nunca foram convocados ou, tendo-o sido, nunca apareceram.
Não discuto as opções de quem não vai, sendo convocado, mas, por vezes, pensei em alguns grandes amigos que nunca ali estiveram por outra razão. Falei algumas vezes com os responsáveis e a resposta era indubitavelmente: "Eles nunca estiveram no Poço. São oureenses, mas não nos acompanharam".
Considero tal argumento um tanto frágil. Há muita coisa que foi feito pelos excluídos que demonstrou o seu espírito de camaradagem e que dispensa perfeitamente reuniões nocturnas naquele largo que, na altura, nem creio que tivessem um grande conteúdo em termos políticos, culturais ou outros.
Eu próprio, se ali estive, foram poucas as vezes. Eles dizem o contrário: "não, não, tu estiveste ca", mas eu pouco me recordo. Em contrapartida, lembro-me de muitas horas que passei com os excluídos. Mas dezanove anos não é brincadeira, já é tarde para voltar atrás.
A primeira prova
Após o reencontro esfuziante, um dos momentos que mais aprecio é aquele em que se consubstancia o pequeno almoço e que nos permite fazer ume efectiva prova da água-pé e de algum vinho novo que já se afirme a acompanharem magníficos bolinhos de mel, chamuças, pastéis e rissóis.
Isso marca o primeiro convívio com pequenos grupos a trocarem impressões e a aquecerem sentindo o velho sabor característico dos produtos da nossa Ourém. Dura um bom bocado e, por vezes, já permite a sensação da volatilidade tão comum a estes momentos.
No primeiro Poço, há dezanove anos, esse momento foi magnificamente enquadrado pela vista de Ourém a partir do castelo. Com a situação foi inesperada, ficou marcada para futuros encontros e não posso deixar de a registar aqui.
Após o reencontro esfuziante, um dos momentos que mais aprecio é aquele em que se consubstancia o pequeno almoço e que nos permite fazer ume efectiva prova da água-pé e de algum vinho novo que já se afirme a acompanharem magníficos bolinhos de mel, chamuças, pastéis e rissóis.
Isso marca o primeiro convívio com pequenos grupos a trocarem impressões e a aquecerem sentindo o velho sabor característico dos produtos da nossa Ourém. Dura um bom bocado e, por vezes, já permite a sensação da volatilidade tão comum a estes momentos.
No primeiro Poço, há dezanove anos, esse momento foi magnificamente enquadrado pela vista de Ourém a partir do castelo. Com a situação foi inesperada, ficou marcada para futuros encontros e não posso deixar de a registar aqui.
domingo, outubro 31, 2004
Uma data especial
A próxima reunião do Poço realiza-se numa data muito especial: 6 de Novembro, dia em que o Luís Nuno faria 56 anos.
Ele não acreditava muito nessas coisas, mas tenho a certeza absoluta que, mais do que nunca, o seu espírito vai estar connosco.
Vamos recordá-lo bem como aos outros companheiros desaparecidos.
Do Luís, terei oferta especial neste local para todos os que estiverem presentes.
A próxima reunião do Poço realiza-se numa data muito especial: 6 de Novembro, dia em que o Luís Nuno faria 56 anos.
Ele não acreditava muito nessas coisas, mas tenho a certeza absoluta que, mais do que nunca, o seu espírito vai estar connosco.
Vamos recordá-lo bem como aos outros companheiros desaparecidos.
Do Luís, terei oferta especial neste local para todos os que estiverem presentes.
Protesto
Gostaria de os levar ao Largo de Castela e ali tirar uma foto de grupo que tivesse por significado um não rotundo ao que se prepara para aquela zona. Calculo que não será possível. É talvez preferível calar e não provocar divisões.
Gostaria também de lhes mostrar o crime praticado no jardim frente ao Central. De certeza não gostarão, mas não serei a melhor pessoa para esse acto. Talvez algum deles se lembre.
Gostaria de os levar ao Largo de Castela e ali tirar uma foto de grupo que tivesse por significado um não rotundo ao que se prepara para aquela zona. Calculo que não será possível. É talvez preferível calar e não provocar divisões.
Gostaria também de lhes mostrar o crime praticado no jardim frente ao Central. De certeza não gostarão, mas não serei a melhor pessoa para esse acto. Talvez algum deles se lembre.
O círculo de distintos
Tudo começa com o encontro junto à casa do Manuel Raul, pai do Luís Cúrdia.
Primeiro dois ou três, depois o círculo vai-se desenhando até se tornar incomodativo para os novos ocupantes da nossa Ourém que ali passam em potentes viaturas enresinados com o dia a dia sem referências.
Todos acham muito estranho ver tantos velhadas ali juntos.
Ficam a saber que estamos ali por uma boa causa: recordar a nossa juventude à qual aquela zona trouxe muitas horas de formidável brincadeira.
Tudo começa com o encontro junto à casa do Manuel Raul, pai do Luís Cúrdia.
Primeiro dois ou três, depois o círculo vai-se desenhando até se tornar incomodativo para os novos ocupantes da nossa Ourém que ali passam em potentes viaturas enresinados com o dia a dia sem referências.
Todos acham muito estranho ver tantos velhadas ali juntos.
Ficam a saber que estamos ali por uma boa causa: recordar a nossa juventude à qual aquela zona trouxe muitas horas de formidável brincadeira.
A semana do encontro
Convocatória para o encontro
Finalmente, chegámos à semana mais aguardada de todo o ano: aquela em que se vai realizar o encontro anual de uma parte substancial dos distintos.
Grande almoçarada nos espera.
A convocatória está acima. E já repararam? Finalmente, em Ourém, há alguém que gosta de nos ver.
Convocatória para o encontro
Finalmente, chegámos à semana mais aguardada de todo o ano: aquela em que se vai realizar o encontro anual de uma parte substancial dos distintos.
Grande almoçarada nos espera.
A convocatória está acima. E já repararam? Finalmente, em Ourém, há alguém que gosta de nos ver.
Vamos tentar dedicar esta semana ao Poço. Esperemos que Santanaz e o estrunfa-mor não façam muitos disparates para não nos desviarmos desse objectivo.
sábado, outubro 30, 2004
Prosseguem as acções para a destruição da memória da nossa Ourém
Os ilustres representantes do povo de Ourém deram mais um passo na senda da destruição.
Educados em circo de feras em tudo semelhante aos da época de César, desses tempos apenas conservaram a noção do polegar para baixo que aqui transfiguram na sistemática destruição.
Incapazes de definir algum projecto que saiba conciliar um passado que não tiveram com um desenvolvimento para cujo planeamento não reunem competências, os resultados da sua acção são o que de mais negativo Ourém tem vindo a conhecer desde os seus primórdios.
Ganham por agora, mas a sua consciência há-de ser mordida para todo o sempre retirando-lhes todas as horas de descanso que porventura pensem desfrutar.
Acompanharemos este processo.
Os ilustres representantes do povo de Ourém deram mais um passo na senda da destruição.
Educados em circo de feras em tudo semelhante aos da época de César, desses tempos apenas conservaram a noção do polegar para baixo que aqui transfiguram na sistemática destruição.
Incapazes de definir algum projecto que saiba conciliar um passado que não tiveram com um desenvolvimento para cujo planeamento não reunem competências, os resultados da sua acção são o que de mais negativo Ourém tem vindo a conhecer desde os seus primórdios.
Ganham por agora, mas a sua consciência há-de ser mordida para todo o sempre retirando-lhes todas as horas de descanso que porventura pensem desfrutar.
Acompanharemos este processo.
sexta-feira, outubro 29, 2004
Reavivar memórias (3)
O fatinho da comunhão

Os fatos da comunhão
Mas porque estavam estes distintos tão bem vestidos?
Haveria eleições? No Portugal de então, era bem duvidoso...
Alguma festa especial?
Se calhar a época da primeira comunhão que o espírito democrático da época nos impunha.
Não consigo reconhecer o local, apesar de lembrar ar puro, mas ali estão os três Luíses nascidos em 48 (Luís Nuno e Luís Filipe, à esquerda e este vosso servidor, à direita) e o Manel. Os primeiros estão sorridentes, o último, cabeça ao lado, um bocadinho apreensivo, preocupado.
Em que pensaria naquela altura?
O fatinho da comunhão

Os fatos da comunhão

Mas porque estavam estes distintos tão bem vestidos?
Haveria eleições? No Portugal de então, era bem duvidoso...
Alguma festa especial?
Se calhar a época da primeira comunhão que o espírito democrático da época nos impunha.
Não consigo reconhecer o local, apesar de lembrar ar puro, mas ali estão os três Luíses nascidos em 48 (Luís Nuno e Luís Filipe, à esquerda e este vosso servidor, à direita) e o Manel. Os primeiros estão sorridentes, o último, cabeça ao lado, um bocadinho apreensivo, preocupado.
Em que pensaria naquela altura?
Reavivar memórias (2)
O piquenique
A turma (parte) da primária
Confesso que não me lembro de isto ter acontecido.
Mas a foto demonstra que estava lá. Simpático como sempre. Como apreciava muito rir-me aí está um magnífico esgar que faz lembrar as aventuras do Drácula.
Fomos todos fazer um piquenique para a zona da Quinta da Sardinha. Meninos: Manel da Mata, Helder, Alfredo, Quim Vaz, Luís Filipe, Faustino, Quim Zé,..., Humberto, Zé Quim, Luís Nuno, eu). Meninas: Teresa, Isabel, Cristina, Aninhas, Lena,..., Gabriela, Mena.
Perdoem algum não reconhecimento.
Diz o Al Simon que tenho de ir ao oftalmologista.
O piquenique
A turma (parte) da primária
Confesso que não me lembro de isto ter acontecido.
Mas a foto demonstra que estava lá. Simpático como sempre. Como apreciava muito rir-me aí está um magnífico esgar que faz lembrar as aventuras do Drácula.
Fomos todos fazer um piquenique para a zona da Quinta da Sardinha. Meninos: Manel da Mata, Helder, Alfredo, Quim Vaz, Luís Filipe, Faustino, Quim Zé,..., Humberto, Zé Quim, Luís Nuno, eu). Meninas: Teresa, Isabel, Cristina, Aninhas, Lena,..., Gabriela, Mena.
Perdoem algum não reconhecimento.
Diz o Al Simon que tenho de ir ao oftalmologista.
Preferência pela liquidez
Curiosamente, se examinarmos a capitação de Ourém em termos de transferências de fundos do OE, constatamos uma significativa melhoria no posicionamento. Situa-se claramente abaixo da mediana na 78ª posição, mas um pouco acima dos 25% menos beneficiados.
Se isto corresponder a um maior interesse do autarca oureense pelo tipo de dotação, ele é compreensível, pois traduz-se em verba sonante enquanto o PIDDAC se traduz em verba em géneros.
Assim, a transferência orçamental confere uma muito maior liberdade de utilização o que está com certeza de acordo com as dificuldades do planeamento de curto e médio prazo. Ela permite que se gaste no período à medida que as necessidades surjam...
Curiosamente, se examinarmos a capitação de Ourém em termos de transferências de fundos do OE, constatamos uma significativa melhoria no posicionamento. Situa-se claramente abaixo da mediana na 78ª posição, mas um pouco acima dos 25% menos beneficiados.
Se isto corresponder a um maior interesse do autarca oureense pelo tipo de dotação, ele é compreensível, pois traduz-se em verba sonante enquanto o PIDDAC se traduz em verba em géneros.
Assim, a transferência orçamental confere uma muito maior liberdade de utilização o que está com certeza de acordo com as dificuldades do planeamento de curto e médio prazo. Ela permite que se gaste no período à medida que as necessidades surjam...
Ainda Ourém e o PIDDAC
Mas se considerarmos a capitação do PIDDAC, isto é, a repartição da dotação pelos elementos da população residente, chegamos a uma situação ainda mais anómala.
Ourém é o sexto concelho mais pobre em termos de investimento público, apresentando um valor de 1,5 euros por pessoa residente. Pior que o nosso concelho apenas Idanha-a-Nova, Nisa, Aljezur, Condeixa-a-Nova e Borba.
No distrito de Santarém, a capitação de Ourém contrasta com a de Ferreira do Zêzere que atinge os 433 euros por pessoa residente, isto é, é quase 300 vezes superior.
Se compararmos com o que se passa em Leiria, apenas a capitação de Idanha-a-Nova é inferior. Pombal consegue um pouco mais que Ourém: 5 euors/pessoa residente.
O campeão da capitação é Alter do Chão no distrito de Portalegre com 1891 euros por pessoa residente que suplantou mesmo o valor de Lisboa (954 euros / pessoa residente). O que haverá de tão especial naquela terrinha agora transportada para a ribalta do investimento público? O desenvolvimento zootécnico (desenvolvimento integrado da coutelaria de Alter) e a integração na rede transeuropeia de transportes. Quando é que Ourém apostará em algo que represente uma vocação específica do concelho e, através dela, consegue captar mais e melhor atenção dos governantes?
Mas se considerarmos a capitação do PIDDAC, isto é, a repartição da dotação pelos elementos da população residente, chegamos a uma situação ainda mais anómala.
Ourém é o sexto concelho mais pobre em termos de investimento público, apresentando um valor de 1,5 euros por pessoa residente. Pior que o nosso concelho apenas Idanha-a-Nova, Nisa, Aljezur, Condeixa-a-Nova e Borba.
No distrito de Santarém, a capitação de Ourém contrasta com a de Ferreira do Zêzere que atinge os 433 euros por pessoa residente, isto é, é quase 300 vezes superior.
Se compararmos com o que se passa em Leiria, apenas a capitação de Idanha-a-Nova é inferior. Pombal consegue um pouco mais que Ourém: 5 euors/pessoa residente.
O campeão da capitação é Alter do Chão no distrito de Portalegre com 1891 euros por pessoa residente que suplantou mesmo o valor de Lisboa (954 euros / pessoa residente). O que haverá de tão especial naquela terrinha agora transportada para a ribalta do investimento público? O desenvolvimento zootécnico (desenvolvimento integrado da coutelaria de Alter) e a integração na rede transeuropeia de transportes. Quando é que Ourém apostará em algo que represente uma vocação específica do concelho e, através dela, consegue captar mais e melhor atenção dos governantes?
quinta-feira, outubro 28, 2004
A velha raposa está a ganhar
É evidente.
Não há pressões sobre a comunicação social.
Ninguém tentou influenciar o sentido dos comentários.
O homem até nem gostava de estar ali. Notava-se...
É evidente.
Não há pressões sobre a comunicação social.
Ninguém tentou influenciar o sentido dos comentários.
O homem até nem gostava de estar ali. Notava-se...
Um durão amolecido
À última hora, baixou a bola, meteu a cauda entre as pernas e retirou a proposta de confirmação dos novos vinte e quatro comissários.
Confesso que esperava mais do nosso venerado estrunfa-mor.
À última hora, baixou a bola, meteu a cauda entre as pernas e retirou a proposta de confirmação dos novos vinte e quatro comissários.
Confesso que esperava mais do nosso venerado estrunfa-mor.
Bolinhas de naftalina (8)
A feira nova
Há uns cinquenta anos, nesta quinta-feira, era, talvez, o melhor dia de festa.
Mas houve uma vez que não o pude desfrutar.
Vivia ainda na casa do Largo de Castela, uma febre malvada apareceu e não pude sair de casa. Ao longe, houvia a música proveniente do carrossel e dos automóveis. O cheirinho a castanhas chegou a invadir a minha casa. O troar daquela carruagem que seguia por uma linha para testar músculo, por vezes, fazia-se ouvir.
Mas eu estava ali sem poder ir ver uma das coisas que mais adorava.
Para ajudar à desgraça, a família lembrou-se de chamar o médico. Lá veio o Dr. Preto que fez o exame necessário.
- Arranje-me água fervida.
O que é que ele estaria para fazer? Vejo-o sacar de um estojo com seringas ameaçadoras.
Lá longe a festa continuava, mas eu quase já não a ouvia pregado naquele filme de terror. Ele fez a preparação bem à minha frente, para eu aprender a ser homem, sem receio de nada. E lá veio o suplício.
Continuei na cama mais uns dias e tudo passou.
Quando me pude levantar, fui revisitar o lugar da feira. Já todos tinham ido embora. Junto à Câmara e ao depósito, tudo era calmaria, silêncio.
Hoje, se for ao lugar onde se costuma realizar actualmente, não há calmaria nem silêncio, mas também não conseguirei ter o som, o cheiro e o movimento da feira nova. Alguém se encarregou de acabar com ela.
A feira nova
Há uns cinquenta anos, nesta quinta-feira, era, talvez, o melhor dia de festa.
Mas houve uma vez que não o pude desfrutar.
Vivia ainda na casa do Largo de Castela, uma febre malvada apareceu e não pude sair de casa. Ao longe, houvia a música proveniente do carrossel e dos automóveis. O cheirinho a castanhas chegou a invadir a minha casa. O troar daquela carruagem que seguia por uma linha para testar músculo, por vezes, fazia-se ouvir.
Mas eu estava ali sem poder ir ver uma das coisas que mais adorava.
Para ajudar à desgraça, a família lembrou-se de chamar o médico. Lá veio o Dr. Preto que fez o exame necessário.
- Arranje-me água fervida.
O que é que ele estaria para fazer? Vejo-o sacar de um estojo com seringas ameaçadoras.
Lá longe a festa continuava, mas eu quase já não a ouvia pregado naquele filme de terror. Ele fez a preparação bem à minha frente, para eu aprender a ser homem, sem receio de nada. E lá veio o suplício.
Continuei na cama mais uns dias e tudo passou.
Quando me pude levantar, fui revisitar o lugar da feira. Já todos tinham ido embora. Junto à Câmara e ao depósito, tudo era calmaria, silêncio.
Hoje, se for ao lugar onde se costuma realizar actualmente, não há calmaria nem silêncio, mas também não conseguirei ter o som, o cheiro e o movimento da feira nova. Alguém se encarregou de acabar com ela.
quarta-feira, outubro 27, 2004
Ainda Ourém e o PIDDAC
Ourém encontra-se entre os 31 concelhos com o menor valor em termos de dotação inscrita no PIDDAC regionalizado (para a nossa terra o valor é de 70000), como se pode ver no quadro seguinte:
Como se pode compreender esta situação?
Será imobilismo?
Haverá investimento público por outras vias?
Preferir-se-á o endividamento?
Ourém não terá necessidades?
Ainda vamos ter lucro?
Estaremos protegidos pelas receitas do santuário?
De qualquer modo, deixo uma questão lateral: porque é que os oureenses não dispõem de qualquer documento produzido por quem de direito (a Câmara) a informar sobre o que se planeia para o próximo ano? Não há plano? Não pode ser consultado?
NOta: considerou-se apenas o Continente e foram excluídos os investimentos envolvendo vários concelhos
Ourém encontra-se entre os 31 concelhos com o menor valor em termos de dotação inscrita no PIDDAC regionalizado (para a nossa terra o valor é de 70000), como se pode ver no quadro seguinte:
Limite Inferior | Limite Superior | Total de Concelhos |
0 | 70000 | 31 |
70000 | 500000 | 81 |
500000 | 1000000 | 44 |
1000000 | 5000000 | 76 |
5000000 | 10000000 | 25 |
10000000 | 50000000 | 17 |
50000000 | 100000000 | 3 |
100000000 | 1000000000 | 1 |
Será imobilismo?
Haverá investimento público por outras vias?
Preferir-se-á o endividamento?
Ourém não terá necessidades?
Ainda vamos ter lucro?
Estaremos protegidos pelas receitas do santuário?
De qualquer modo, deixo uma questão lateral: porque é que os oureenses não dispõem de qualquer documento produzido por quem de direito (a Câmara) a informar sobre o que se planeia para o próximo ano? Não há plano? Não pode ser consultado?
NOta: considerou-se apenas o Continente e foram excluídos os investimentos envolvendo vários concelhos
terça-feira, outubro 26, 2004
Mais um testemunho sobre Ourém
INteressantíssima a entrevista de Fernando Lopes ao Jornal de Leiria de que tivemos conhecimento através do Castelo.
Seleccionámos duas passagens.
A primeira mostra-nos alguém com uma visão semelhante à nossa sobre o processo de destruição de Ourém.
Filmei em Ourém durante quatro semanas e aquela não era a minha Ourém. A única coisa que ainda resiste é o quartel dos bombeiros e a prisão, além de um reservatório de água que é quase arqueológico. Depois há as ruas da cidade, que mantêm ainda a toponímia republicana - não foi por acaso que os pastorinhos foram lá parar à cadeia. Nas aldeias, a situação é mais grave. É algo quase inelutável, porque tem a ver com a modernização, com o progresso...
A segunda revela-nos um aspecto caricato do antigamente só compreensível num meio como Ourém.
O professor Roque, uma figura extraordinária, apesar de rígido e fascista, não nos deixava jogar com as cores dos nossos clubes. Não podíamos dizer que éramos do Benfica, porque a cor das camisolas daquela equipa era vermelha.
INteressantíssima a entrevista de Fernando Lopes ao Jornal de Leiria de que tivemos conhecimento através do Castelo.
Seleccionámos duas passagens.
A primeira mostra-nos alguém com uma visão semelhante à nossa sobre o processo de destruição de Ourém.
Filmei em Ourém durante quatro semanas e aquela não era a minha Ourém. A única coisa que ainda resiste é o quartel dos bombeiros e a prisão, além de um reservatório de água que é quase arqueológico. Depois há as ruas da cidade, que mantêm ainda a toponímia republicana - não foi por acaso que os pastorinhos foram lá parar à cadeia. Nas aldeias, a situação é mais grave. É algo quase inelutável, porque tem a ver com a modernização, com o progresso...
A segunda revela-nos um aspecto caricato do antigamente só compreensível num meio como Ourém.
O professor Roque, uma figura extraordinária, apesar de rígido e fascista, não nos deixava jogar com as cores dos nossos clubes. Não podíamos dizer que éramos do Benfica, porque a cor das camisolas daquela equipa era vermelha.
segunda-feira, outubro 25, 2004
O Parlamento Europeu em 2000 caracteres (+ ou -) por semana
Por Sérgio Ribeiro
Neste espaço oureense, retomo um lugar que me foi facultado para prestar contas. E todos os espaços com essa finalidade nunca serão suficientes. Às vezes – sempre! –, o que falta é o tempo. Por isso, há que estabelecer prioridades. Esta é uma.
O meu relatório sobre a defesa dos recifes de coral nos “mares” dos Açores e da Madeira, por isso portugueses, segue o seu curso. Foi apresentado, foi bem recebido nas palavras todas que ditas foram, embora franzires de sobrolho e comentários em à parte confirmassem que alguns interesses foram atingidos. Aqueles que querem aproveitar a abertura entre as 100 e as 200 milhas para pescar industrialmente, com artes de arrastar e de emalhar no fundo, e assim ultrapassar a proibição que existia nesta parte da Zona Económica Exclusiva das Regiões Autónomas e, ao mesmo tempo, defendia a actividade de comunidades piscatórias. O período de proposta de alterações já passou sem que tivessem aparecido e espero a votação em comissão parlamentar no princípio de Novembro para, depois, ir ao plenário.
Vamos a ver. Trabalho giro e com efeitos práticos em áreas que me interessam. As da defesa do ambiente, de actividades económicas que são equilibradas, dos trabalhadores.
Entretanto, faço a mala para ir à plenária de Outubro em que vamos votar os comissários indigitados da equipa Durão Barroso.
Por vezes perguntam-me, ou ouço “bocas”, sobre o “meu novo chefe”, o presidente da Comissão da UE, o que foi 1º Ministro de Portugal. Nada mais errado. Nem ele ainda é presidente da tal Comissão, porque temos de aprovar (os deputados) a composição da sua equipa com nosso voto, nem por isso mesmo é nosso “chefe”. Pelo contrário.
E a coisa está tremida. Basta um dos 24 indigitados ser chumbado para todos o serem. E entre eles alguns já “chumbaram” nas “primárias”. Não por defenderem os interesses que defendem, embora alguns/mas tenham exagerado e tenham risco de “chumbo”, mas porque um deles se revelou de um reaccionarismo que já não se usa… A propósito da homossexualidade, das mães solteiras, da posição das mulheres na sociedade disse coisas inaceitáveis para quem já não vive na Idade Média.
A “direita” votará a favor, e são uns 300 deputados, os verdes, a “esquerda” consequente e os eurocépticos votarão contra, e são uns 120, e tudo depende dos socialistas/sociais-democratas e liberais, quase 300, que se disseram indignados com o que ouviram, que deixaram no ar que votariam contra mas que não se sabe o que irão fazer.
Se me permitem um prognóstico, Durão Barroso e “sus muchachos e muchachas” passarão por favor do “centro”, mas com nota muito baixa e ficarão mais dependentes do Parlamento, numa posição fragilizada.
Por Sérgio Ribeiro
Neste espaço oureense, retomo um lugar que me foi facultado para prestar contas. E todos os espaços com essa finalidade nunca serão suficientes. Às vezes – sempre! –, o que falta é o tempo. Por isso, há que estabelecer prioridades. Esta é uma.
O meu relatório sobre a defesa dos recifes de coral nos “mares” dos Açores e da Madeira, por isso portugueses, segue o seu curso. Foi apresentado, foi bem recebido nas palavras todas que ditas foram, embora franzires de sobrolho e comentários em à parte confirmassem que alguns interesses foram atingidos. Aqueles que querem aproveitar a abertura entre as 100 e as 200 milhas para pescar industrialmente, com artes de arrastar e de emalhar no fundo, e assim ultrapassar a proibição que existia nesta parte da Zona Económica Exclusiva das Regiões Autónomas e, ao mesmo tempo, defendia a actividade de comunidades piscatórias. O período de proposta de alterações já passou sem que tivessem aparecido e espero a votação em comissão parlamentar no princípio de Novembro para, depois, ir ao plenário.
Vamos a ver. Trabalho giro e com efeitos práticos em áreas que me interessam. As da defesa do ambiente, de actividades económicas que são equilibradas, dos trabalhadores.
Entretanto, faço a mala para ir à plenária de Outubro em que vamos votar os comissários indigitados da equipa Durão Barroso.
Por vezes perguntam-me, ou ouço “bocas”, sobre o “meu novo chefe”, o presidente da Comissão da UE, o que foi 1º Ministro de Portugal. Nada mais errado. Nem ele ainda é presidente da tal Comissão, porque temos de aprovar (os deputados) a composição da sua equipa com nosso voto, nem por isso mesmo é nosso “chefe”. Pelo contrário.
E a coisa está tremida. Basta um dos 24 indigitados ser chumbado para todos o serem. E entre eles alguns já “chumbaram” nas “primárias”. Não por defenderem os interesses que defendem, embora alguns/mas tenham exagerado e tenham risco de “chumbo”, mas porque um deles se revelou de um reaccionarismo que já não se usa… A propósito da homossexualidade, das mães solteiras, da posição das mulheres na sociedade disse coisas inaceitáveis para quem já não vive na Idade Média.
A “direita” votará a favor, e são uns 300 deputados, os verdes, a “esquerda” consequente e os eurocépticos votarão contra, e são uns 120, e tudo depende dos socialistas/sociais-democratas e liberais, quase 300, que se disseram indignados com o que ouviram, que deixaram no ar que votariam contra mas que não se sabe o que irão fazer.
Se me permitem um prognóstico, Durão Barroso e “sus muchachos e muchachas” passarão por favor do “centro”, mas com nota muito baixa e ficarão mais dependentes do Parlamento, numa posição fragilizada.
O Sérgio salvou-nos ou...
de como nos livrou do ministro do bago
de como nos livrou do ministro do bago
Vinha sem grande tema, sem inspiração.
A ideia, se ideia era, era falar naquela extinção de três directores gerais (contribuições e impostos, alfândegas, informática) e sua substituição por seis administradores.
Com questões evidentes: que bens e serviços adicionais traria isso para o nosso povo? permitiria arrecadar mais e melhor receita fiscal (quem actualmente foge, seria apanhado, quem paga seria aliviado?)? possibilitaria uma melhor coordenação? traduzir-se-ia em diminuição de custos (já imaginaram o exército de secratárias e técnicos para apooiar o estudo de seis administradores?)?
Mas o Sérgio enviou-nos mais uma crónica sobre o Parlamento Europeu.
Esperem só um bocadinho. Os cachopos estão à espera, daqui a hora e meia volto e trato de a publicar.
domingo, outubro 24, 2004
Ourém quase abandonada no PIDDAC
De acordo com a proposta de PIDDAC (Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) (Regionalizado, quadros XVa) para o próximo ano, o concelho de Ourém encontra-se em último lugar de entre os que compõem o distrito de Santarém, estando prevista uma exígua verba de 70000 euros que representa cerca de 0,03% do investimento no distrito!!!.
A maior verba (40000) destina-se ao Centro Social e Paroquial Espírito Santo e a restante (30000) a intervenções no concelho em termos de conservação e remodelação do parque escolar.
Isto para além das obras intermunicipais como é o caso da integração de corredores estruturantes associada à IC9 que tem inscrito no PIDDAC uma verba de cerca de 100 mil euros.
De acordo com a proposta de PIDDAC (Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) (Regionalizado, quadros XVa) para o próximo ano, o concelho de Ourém encontra-se em último lugar de entre os que compõem o distrito de Santarém, estando prevista uma exígua verba de 70000 euros que representa cerca de 0,03% do investimento no distrito!!!.
A maior verba (40000) destina-se ao Centro Social e Paroquial Espírito Santo e a restante (30000) a intervenções no concelho em termos de conservação e remodelação do parque escolar.
Isto para além das obras intermunicipais como é o caso da integração de corredores estruturantes associada à IC9 que tem inscrito no PIDDAC uma verba de cerca de 100 mil euros.
O tratamento de Ourém no PIDDAC é claramente confrangedor, chegando-se ao extremo de o concelho nem ali estar colocado de acordo com a ordem alfabética respeitada para todos os restantes. Será que o executivo pensa que não existe? Será que cometi algum erro de consulta?
Apesar de tudo, é caso para perguntar: que anda a fazer quem tem obrigação de puxar pelo investimento público para o concelho?
Apesar de tudo, é caso para perguntar: que anda a fazer quem tem obrigação de puxar pelo investimento público para o concelho?
O Aspirante Sampaio faz anos
Em 1948, em Ourém, na zona do Largo de Castela, surgiram três novos Luíses no espaço de pouco mais de quinze dias.
Confesso que não me lembro da permanência por ali daquele a quem este post se refere: morou naquela casinha acima da do Boas Falas, mas penso que saiu de lá muito novo, tanto que não me lembro da sua presença.
Mas apareceu muitas vezes mais tarde. E uma delas foi durante a revolução do 25 de Abril, tendo sido já imortalizado na nossa crónica como aspirante Sampaio.
Acontece que o dia 24 de Outubro é o seu dia de anos.
Por isso, caro Luís, muitos parabéns, que contes muitos e aqui fica um abraço do eterno descontente.
Em 1948, em Ourém, na zona do Largo de Castela, surgiram três novos Luíses no espaço de pouco mais de quinze dias.
Confesso que não me lembro da permanência por ali daquele a quem este post se refere: morou naquela casinha acima da do Boas Falas, mas penso que saiu de lá muito novo, tanto que não me lembro da sua presença.
Mas apareceu muitas vezes mais tarde. E uma delas foi durante a revolução do 25 de Abril, tendo sido já imortalizado na nossa crónica como aspirante Sampaio.
Acontece que o dia 24 de Outubro é o seu dia de anos.
Por isso, caro Luís, muitos parabéns, que contes muitos e aqui fica um abraço do eterno descontente.
sexta-feira, outubro 22, 2004
Reavivar memórias
A convocação para o XIX já chegou.
Penso que lá estarei e que vou aproveitar para alguma inspiração. Isto apesar de eles não me ligarem nenhuma e de permitirem a destruição do espaço que vão venerar. A memória dos que já partiram a tanto me obriga. A parte final da convocação também:"Gostamos muito de te ver".
Vou aproveitar para tirar umas fotografias durante a celebração e publicá-las neste local.
A convocação para o XIX já chegou.
Penso que lá estarei e que vou aproveitar para alguma inspiração. Isto apesar de eles não me ligarem nenhuma e de permitirem a destruição do espaço que vão venerar. A memória dos que já partiram a tanto me obriga. A parte final da convocação também:"Gostamos muito de te ver".
Vou aproveitar para tirar umas fotografias durante a celebração e publicá-las neste local.
Continua a configuração do tunel
Já tínhamos o do Marquês.
Repentinamente, o do Rossio juntou-se ao lote dos despovoados.
Ontem, Mexia anunciou a eventualidade de mais um entre Algés e Trafaria.
E já se fala no nuclear...
Esta gente só quer a sesta para eles.
Para o povo deixam o pesadelo...
Já tínhamos o do Marquês.
Repentinamente, o do Rossio juntou-se ao lote dos despovoados.
Ontem, Mexia anunciou a eventualidade de mais um entre Algés e Trafaria.
E já se fala no nuclear...
Esta gente só quer a sesta para eles.
Para o povo deixam o pesadelo...
Dear Cohen
Este fim de semana gostaria de adquirir e apreciar isto que, antecipadamente, para mim já é uma obra prima.
É um exagero, bem sei, mas perfeitamente compreensível para quem foi submetido aos disparates governamentais e camarários no grau em que temos sido ultimamente.
A magnífica arte de Leonard Cohen far-nos-á, com certeza, recuperar a moral e sublimar a irritação que nos provocaram.
Este fim de semana gostaria de adquirir e apreciar isto que, antecipadamente, para mim já é uma obra prima.
É um exagero, bem sei, mas perfeitamente compreensível para quem foi submetido aos disparates governamentais e camarários no grau em que temos sido ultimamente.
A magnífica arte de Leonard Cohen far-nos-á, com certeza, recuperar a moral e sublimar a irritação que nos provocaram.
O Fantasma da Câmara
É sempre com agrado que vejo aquela coluna do lado esquerdo da página inicial do Ourém e seu Concelho. Mas desta vez não fiquei totalmente satisfeito. Vejamos...
Diz-se que o nosso venerado presidente vai dando cavadelas com a enxada para daí extrair votos. Que não gostaria que alguém acabe a sua obra, já que a começou.
Possivelmente, esse receio o seu fantasma.
Mas sugere que alguém lhe quer retirar o poleiro.
Quem será? Não é o Governo, não é o próprio jornal.
Eu também não. De facto eu não acabaria a obra de Catarino, eu acabaria com ela.
Mas aquela suspeita ali lançada...
Será que o/a simpático/a editorialista do Ourém e seu Concelho não nos quer dar mais alguns elementos para percebermos tão afastado que estamos das tricas oureenses? É essa a missão do jornal, levar aos que estão longe a compreensão do que se passa naquele meio.
É sempre com agrado que vejo aquela coluna do lado esquerdo da página inicial do Ourém e seu Concelho. Mas desta vez não fiquei totalmente satisfeito. Vejamos...
Diz-se que o nosso venerado presidente vai dando cavadelas com a enxada para daí extrair votos. Que não gostaria que alguém acabe a sua obra, já que a começou.
Possivelmente, esse receio o seu fantasma.
Mas sugere que alguém lhe quer retirar o poleiro.
Quem será? Não é o Governo, não é o próprio jornal.
Eu também não. De facto eu não acabaria a obra de Catarino, eu acabaria com ela.
Mas aquela suspeita ali lançada...
Será que o/a simpático/a editorialista do Ourém e seu Concelho não nos quer dar mais alguns elementos para percebermos tão afastado que estamos das tricas oureenses? É essa a missão do jornal, levar aos que estão longe a compreensão do que se passa naquele meio.
Como é que estes miúdos poderão gostar de estudar?
Ainda ontem tive mais uma prova do que costumo designar por parvoeira do nosso ensino secundário.
Passava com alguns alunos pelas matérias de Estatística Descritiva. Sabia que eles tinham no programa do décimo ano um bom tratamento da mesma apoiada por excelentes manuais.
Mas garantiram-me e tive a prova disso que sobre o assunto nada tinham dado, nem tinham tido qualquer avaliação. Praticamente ninguém sabia o que era uma média ponderada, uma mediana e suspeitavam do que era a moda. Em contrapartida foram rigorosamente examinados numa matéria designada por complexos.
Resta-me acrescentar que isto passa-se numa área que dá acesso a licenciaturas em Economia e Gestão.
Ainda ontem tive mais uma prova do que costumo designar por parvoeira do nosso ensino secundário.
Passava com alguns alunos pelas matérias de Estatística Descritiva. Sabia que eles tinham no programa do décimo ano um bom tratamento da mesma apoiada por excelentes manuais.
Mas garantiram-me e tive a prova disso que sobre o assunto nada tinham dado, nem tinham tido qualquer avaliação. Praticamente ninguém sabia o que era uma média ponderada, uma mediana e suspeitavam do que era a moda. Em contrapartida foram rigorosamente examinados numa matéria designada por complexos.
Resta-me acrescentar que isto passa-se numa área que dá acesso a licenciaturas em Economia e Gestão.
O João conheceu a força da repressão
Não sei se os meus amigos viram ontem na RTP uma entrevista ao jovem que foi detido pela polícia devido aos desacatos em Coimbra.
Ficou claro que se tratava de um perigoso malfeitor.
O seu ar tornava evidente que, quando não estava a apedrejar a polícia ou a insultar o pessoal auxiliar, se dedicava a partir vidros de automóveis para retirar o que lá estava dentro e a assaltar velhinhas no dia em que recebiam a reforma.
Os outros dois miudos que o foram esperar também mostravam evidentes sinais de serem perigosos marginais.
E eu garanto que vi o João a ser extraído do seu grupo por um polícia, a ser violentamente deitado no chão e relativamente maltratado.
Honra à nossa polícia! Com criminosos destes, consegue mesmo mostrar como os seus agentes são valentes...
Ressabiado
"Eu entreguei uma declaração de IRS onde mencionava rendimentos de mais de 400000 euros. Quando fui para a Caixa, não foi para ter prejuízos, fiz os descontos legais..."
Decerto já adivinharam quem foi o autor destas palavras. Exactamente, o da reforma milionária da CGD.
Aparentemente tem toda a razão.
Mas respondam-me a esta questão: que bens e serviços a mais foram postos à disposição do nosso povo graças a acção deste senhor? Isto é, em que é que ele contribuiu para a nossa riqueza como povo?
É difícil responder, não é?
A questão é que este senhor e muitos outros com rendimentos milionários obtêm-nos a partir de uma coisa chamada redistribuição da mais-valia. A riqueza já lá está, já foi produzida, parte foi paga ao trabalhador como remuneração da força de trabalho e o restante dá para estas cenas.
"Eu entreguei uma declaração de IRS onde mencionava rendimentos de mais de 400000 euros. Quando fui para a Caixa, não foi para ter prejuízos, fiz os descontos legais..."
Decerto já adivinharam quem foi o autor destas palavras. Exactamente, o da reforma milionária da CGD.
Aparentemente tem toda a razão.
Mas respondam-me a esta questão: que bens e serviços a mais foram postos à disposição do nosso povo graças a acção deste senhor? Isto é, em que é que ele contribuiu para a nossa riqueza como povo?
É difícil responder, não é?
A questão é que este senhor e muitos outros com rendimentos milionários obtêm-nos a partir de uma coisa chamada redistribuição da mais-valia. A riqueza já lá está, já foi produzida, parte foi paga ao trabalhador como remuneração da força de trabalho e o restante dá para estas cenas.
quinta-feira, outubro 21, 2004
Mais um...
Há uns 25 anos, o Pinholas foi fazer um trabalho a Cabo Verde e trouxe-me de lá um magnífico vinil: o álbum Tabanca dos Tubarões.
Adorei ouvi-lo especialmente aquelas músicas mais lentas com uma sonoridade fantástica nos baixos que provoca como que um ribombar nos espaços envolventes.
Hoje, soube da notícia da partida do que deu voz aos Tubarões (Ildo Lobo). Vai para boa companhia, eu sei, mas tenho pena.
Há uns 25 anos, o Pinholas foi fazer um trabalho a Cabo Verde e trouxe-me de lá um magnífico vinil: o álbum Tabanca dos Tubarões.
Adorei ouvi-lo especialmente aquelas músicas mais lentas com uma sonoridade fantástica nos baixos que provoca como que um ribombar nos espaços envolventes.
Hoje, soube da notícia da partida do que deu voz aos Tubarões (Ildo Lobo). Vai para boa companhia, eu sei, mas tenho pena.
Parecenças com Marcelo...
Hoje, o Público, traz mais um texto sobre o caso do blogger de Pombal, um texto escrito pelo próprio Orlando Cardoso.
O autor chama mais uma vez a atenção para a semelhança com o que se passou com Marcelo Rebelo de Sousa.
Formalmente, eu penso que ele tem alguma razão. Mas há uma diferença abissal.
Existe uma formidável diferença de meios.
Marcelo pôs toda a comunicação em ebulição. Pessoas do PSD criticaram a situação interna no partido. Pessoas do PS ofereceram-lhe o seu espaço de expressão. Foi ouvido pelo próprio Presidente da República.
Orlando não tem força para tanto. Sinto que o seu caso está quase no esquecimento, apesar da revolta manifestada por algumas pessoas em Pombal, apesar de o Público ainda se referir a ele, bem como o Expresso...
Marcelo tem fortuna própria e emprego assegurado em qualquer lado. Orlando é visto com desconfiança por eventuais empregadores, apesar de lhe reconhecerem a competência.
Isto demonstra que, para casos mais ou menos semelhantes, os cidadãos têm direitos diferentes. Pobre democracia a nossa.
Hoje, o Público, traz mais um texto sobre o caso do blogger de Pombal, um texto escrito pelo próprio Orlando Cardoso.
O autor chama mais uma vez a atenção para a semelhança com o que se passou com Marcelo Rebelo de Sousa.
Formalmente, eu penso que ele tem alguma razão. Mas há uma diferença abissal.
Existe uma formidável diferença de meios.
Marcelo pôs toda a comunicação em ebulição. Pessoas do PSD criticaram a situação interna no partido. Pessoas do PS ofereceram-lhe o seu espaço de expressão. Foi ouvido pelo próprio Presidente da República.
Orlando não tem força para tanto. Sinto que o seu caso está quase no esquecimento, apesar da revolta manifestada por algumas pessoas em Pombal, apesar de o Público ainda se referir a ele, bem como o Expresso...
Marcelo tem fortuna própria e emprego assegurado em qualquer lado. Orlando é visto com desconfiança por eventuais empregadores, apesar de lhe reconhecerem a competência.
Isto demonstra que, para casos mais ou menos semelhantes, os cidadãos têm direitos diferentes. Pobre democracia a nossa.
Chegada
Cá estou no posto de observação.
Hoje, vou ficar por aqui até às onze, altura em que o dever me chamará.
Já vi que o misterioso Vigilante dos Céus voltou aos comentários ao Ourém. Tenho que lhe agradecer a atenção que nos tem dado. Mas gostava de saber quem é, porque não me ocorre a identidade de tão simpática criatura.
Percorri os blogs da manhã. O Barnabé também refere a carga doa polícia sobre os estudantes e a utilização de gás. Governo autoritário, grotesco, mas autoritário. As suas tentações para a comunicação já o indiciavam.
Ficam a saber que estarei do lado de cá atento a tudo que façam... ou escrevam. A inspiração, essa, está do pior.
Cá estou no posto de observação.
Hoje, vou ficar por aqui até às onze, altura em que o dever me chamará.
Já vi que o misterioso Vigilante dos Céus voltou aos comentários ao Ourém. Tenho que lhe agradecer a atenção que nos tem dado. Mas gostava de saber quem é, porque não me ocorre a identidade de tão simpática criatura.
Percorri os blogs da manhã. O Barnabé também refere a carga doa polícia sobre os estudantes e a utilização de gás. Governo autoritário, grotesco, mas autoritário. As suas tentações para a comunicação já o indiciavam.
Ficam a saber que estarei do lado de cá atento a tudo que façam... ou escrevam. A inspiração, essa, está do pior.
quarta-feira, outubro 20, 2004
Lá apareceram eles... a malhar nos estudantes
Protesto contra aumento de propinas...
É óbvio que não apoio alguns excessos dos estudantes, mas é uma coisa admirável...
A insegurança nas ruas é cada vez maior.
As pessoas são cada vez mais sujeitas a assaltos e violações de toda a ordem.
Em muitos casos, sabe-se quem os pratica.
Fala-se à polícia e não nos ligam nenhuma.
Mas haja uma acção de desempregados ou estudantes que ultrapasse certos limites...
...
e aí estão eles a malhar nas pessoas.
"Tudo não passou de uma normal acção de contenção", disse o senhor ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, que ainda não estava informado do que se tinha passado.
É o chamado país do faz de conta.
Protesto contra aumento de propinas...
É óbvio que não apoio alguns excessos dos estudantes, mas é uma coisa admirável...
A insegurança nas ruas é cada vez maior.
As pessoas são cada vez mais sujeitas a assaltos e violações de toda a ordem.
Em muitos casos, sabe-se quem os pratica.
Fala-se à polícia e não nos ligam nenhuma.
Mas haja uma acção de desempregados ou estudantes que ultrapasse certos limites...
...
e aí estão eles a malhar nas pessoas.
"Tudo não passou de uma normal acção de contenção", disse o senhor ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, que ainda não estava informado do que se tinha passado.
É o chamado país do faz de conta.
Acção cautelar contra construção de novo Intermarché
A Associação Nacional de Conservação da Natureza Quercus vai entregar hoje uma providência cautelar contestando a construção de um supermercado em Ourém numa zona alegadamente ameaçada pelas cheias.
Em declarações à Agência Lusa, Hélder Spínola, presidente da Quercus, explicou que o processo será hoje entregue no tribunal administrativo de Leiria, depois de o Ministério do Ambiente e da Câmara de Ourém não terem suspendido a obra, como foi solicitado pelas autarquias.
(A notícia é da página em linha do Região de Leiria e tem a data de 19 de Outubro).
Acesso à totalidade da notícia aqui.
A Associação Nacional de Conservação da Natureza Quercus vai entregar hoje uma providência cautelar contestando a construção de um supermercado em Ourém numa zona alegadamente ameaçada pelas cheias.
Em declarações à Agência Lusa, Hélder Spínola, presidente da Quercus, explicou que o processo será hoje entregue no tribunal administrativo de Leiria, depois de o Ministério do Ambiente e da Câmara de Ourém não terem suspendido a obra, como foi solicitado pelas autarquias.
(A notícia é da página em linha do Região de Leiria e tem a data de 19 de Outubro).
Acesso à totalidade da notícia aqui.
A independência da RTP
Num colóquio sobre serviço público, o ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, defendeu, ontem, que deve ser o Governo a definir o modelo de programação da RTP, uma vez que é o Executivo que responde pelas decisões adoptadas na estação pública.
Ainda relacionado com o mesmo assunto, o Barnabé deixa-nos esta magnífica descrição da reunião de hoje do Conselho de Ministros.
Num colóquio sobre serviço público, o ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, defendeu, ontem, que deve ser o Governo a definir o modelo de programação da RTP, uma vez que é o Executivo que responde pelas decisões adoptadas na estação pública.
Ainda relacionado com o mesmo assunto, o Barnabé deixa-nos esta magnífica descrição da reunião de hoje do Conselho de Ministros.
O mercado como sistema de informação social
Os liberais consideram o mercado como o mais fiável sistema de informação social.
Através das suas orientações, os produtores sabem quanto devem produzir e adaptam os seus processos.
Tal posição parece-me um monumental disparate.
É que, neste mercado onde todos vivemos, existem tantos que não conseguem manifestar as suas necessidades, porque não têm dinheiro para o fazer, que qualquer informação por ele dada é com certeza enviezada por aqueles que mais têm.
Os liberais consideram o mercado como o mais fiável sistema de informação social.
Através das suas orientações, os produtores sabem quanto devem produzir e adaptam os seus processos.
Tal posição parece-me um monumental disparate.
É que, neste mercado onde todos vivemos, existem tantos que não conseguem manifestar as suas necessidades, porque não têm dinheiro para o fazer, que qualquer informação por ele dada é com certeza enviezada por aqueles que mais têm.
Brisa Mínima
Anda por aí mais um blog que parece de um oureense. É assinado por 1bigonobalcão.
Há que reconhecer que se trata de uma pessoa informada sobre o que se passa actualmente em Ourém.
Alguns dos seus textos merecem leitura atenta. Aqui ficam alguns apontadores com a promessa de, oportunamente, o juntarmos às nossas Outras Paragens:
Anda por aí mais um blog que parece de um oureense. É assinado por 1bigonobalcão.
Há que reconhecer que se trata de uma pessoa informada sobre o que se passa actualmente em Ourém.
Alguns dos seus textos merecem leitura atenta. Aqui ficam alguns apontadores com a promessa de, oportunamente, o juntarmos às nossas Outras Paragens:
Os mesmos caldeiros desta feita com azeitonas
Marcelo, o paradigma da contra-informação
As árvores morrem de pé ou carta aberta aos delapidadores do património vegetal
A nossa crónica
Lembram-se?
Este blog nasceu para recordar e celebrar a juventude de um conjunto de oureenses: aqueles que apelidei de distintos oureenses...
Em certa altura, pôs-se a hipótese da sua publicação em livro.
Penso que é uma loucura.
Não tem mercado, se vendesse 50 exemplares já seria muito bom.
Há dias fiz uma consulta a uma empresa sobre as custos da produção desse número de exemplares e de um texto de mais ou menos 100 páginas. Falaram-me numa exorbitância superior a 2000 euros.
Eu confesso que não percebo como é que com tecnologia tão moderna isto acontece.
É um verdadeiro sufoco para quem quer publicar.
É uma outra forma de censura de que raramente se fala.
Por isso é melhor pôr a ideia de lado. O Blogger, se não morrer, encarregar-se-á de a eternizar.
Lembram-se?
Este blog nasceu para recordar e celebrar a juventude de um conjunto de oureenses: aqueles que apelidei de distintos oureenses...
Em certa altura, pôs-se a hipótese da sua publicação em livro.
Penso que é uma loucura.
Não tem mercado, se vendesse 50 exemplares já seria muito bom.
Há dias fiz uma consulta a uma empresa sobre as custos da produção desse número de exemplares e de um texto de mais ou menos 100 páginas. Falaram-me numa exorbitância superior a 2000 euros.
Eu confesso que não percebo como é que com tecnologia tão moderna isto acontece.
É um verdadeiro sufoco para quem quer publicar.
É uma outra forma de censura de que raramente se fala.
Por isso é melhor pôr a ideia de lado. O Blogger, se não morrer, encarregar-se-á de a eternizar.
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