sábado, abril 16, 2005

Porque não? Um desafio ao SantaCita, ao Fred e ao Sérgio...

O camarada Byn-Tex do Mega-Fauna perguntou e eu respondo...

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?

Um que rebentasse na tromba do Montag quando ele tentasse pegar-lhe fogo.
Mas olhando para trás, já passei por alguns Fahrenheits. O primeiro tinha para aí doze ou treze anitos. O meu pai dava-me 10 escudos por semana que eu aplicava religiosamente no Mundo de Aventuras, no Condor Popular e guardava o restante para mensalmente comprar daqueles livrinhos da colecção Búfalo ou Bisonte que saiam uma vez por mês ao preço de 8$00. Ao fim de um dois anos já tinha uma bela colecção toda escondidinha e arrumada num pequeno móvel que tinha uma cortina à frente. Um dia alguém do controle viu aquilo.
-O quê? A ler estas porcarias em vez de estudar?! Vais desfazer-te disto tudo.
Safei alguns, mas perdi grande parte da colecção.
Mais tarde, passei por algo de semelhante para arranjar daquela literatura subversiva debaixo do regime do Caetano. Em casa, muitas vezes partilhada com outros estudantes, eram guardados escondidos, parecendo de estudo, de vez em quando algum caia e lá apareciam as barbas do Marx à luz do dia. Era um gosto ter esses livrinhos nesse ambiente, mas gerava uma certa castração

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por uma personagem de ficção?

Penso que sim. O Cisco Kid... não havia cow-boy mais rápido, mais certeiro e que conseguisse despertar mais cedo o amor naquelas belíssimas meninas: a Lucy, a Sylvie, a Flor Vermelha...
Mas também me imaginei muitas vezes a fazer um trajecto como o Marx (tão longe no tempo, tão diferente da habitual pessoa, surge-me como ficção)... a ler dia a dia as obras dos grandes filósofos, dos economistas e dos políticos, sem ligar à comida e só a pensar em como superar esta malvada sociedade. Tinha uns 20 anos e um amigo, um dia, vira-se para mim: é pá, com a tua idade o Marx já tinha escrito a "Crítica da Filosofia do Direito de Hegel", "Os manuscritos económico-filosóficos" e tu ainda não fizeste nada. Enfim, um percurso de vida impressionante.

Qual o último livro que compraste?

Isto está mau. O sacana do Durão esteve dois anos sem trazer aumentos, os preços têm subido, comprar um livro obriga-me a contar os trocos. Adquiri o Disseste o meu nome? na apresentação que houve na Som da Tinta e, como achei piada ao que foi oferecido, adquiri o 2º livro da História Universal do Público. Não sei se vou continuar a comprar estes. Não os leio, ficam a ocupar lugar na estante, mobilizam sistematicamente o orçamento que poderia ser para outros e aparentemente não servem para nada. Talvez continue com um ou outro volume salteado.

Qual o último livro que leste?

Não me lembro. Só leio bocados de livros. Apanhei este vício por causa dos livros técnicos em que vou à procura de passagens orientado por assuntos. Li alguma coisa em férias ("O Belo Adormecido" da Lídia Jorge que me pareceu conversa de tia da linha), mas em geral tenho pouca paciência e a vista já não ajuda nada...

Que livro estás a ler?

Bocadinhos deste e daquele sem orientação...

Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?

Tal como o Byn, levava "A insustentável leveza do ser" do Kundera. Levava também uma edição pirata do Cumplicidades. "A Rosa do Adro" do Camilo: já o disse, adoro aquela entrada. Mas há textos do Engels que são um prazer de ler, por exemplo o "Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã" e "a origem da família, etc. etc". Ele tem um estilo que transforma a leitura em algo de saboroso. O Marx era muito mais complexo, talvez mais dialéctico, tornava-se difícil. Engels lê-se por prazer. Experimentem...

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

Tenho que dizer isto. A pessoa que mais me impressionou nesta passagem pela blogosfera foi a Maria do Cumplicidades. Não sei o que se passa com ela que já não escreve nada desde 26 de Janeiro. Temo que algo de grave. Ela seria a minha primeira escolhida, a sua sinceridade, a sua doçura eram algo de inigualável.
A partir daí, quem me resta? Efectivamente, acho que não consigo apresentar mais do que três pessoas. O Bispo de Porto, responsável pelo Santa Cita, pela ajuda e camaradagem que sempre trouxe ao Ourem, o Fred, um lutador do Castelo, pela luta contra o obscurantismo na nossa terra que leva com aquela tenacidade toda e, naturalmente, o Sérgio (o Leão de Ourém), do blog Som da Tinta, pela coerência, amizade, integridade. É a eles a quem passo o testemunho...

E os vencedores são:

Somos todos!

sexta-feira, abril 15, 2005

Estudar, estudar, estudar

Esta história do estudo sobre os transportes urbanos em Fátima, localidade que, apesar de Altar do Mundo, se atravessa em qualquer sentido em pouco mais de 20 minutos a pé, que, ainda por cima, vai ser encomendado, deixa-me outra questão: será que se justifica tal distribuição de dinheiro? Isto é, será que alguém fez, com os recursos internos da Câmara, algum estudo de oportunidade para que o que vai ser feito não seja uma mera actividade folclórica de definição do óbvio, paga a peso de ouro?
O padrinho

Pouco a pouco, a nossa Câmara, através da acção do actual executivo, vai perdendo a credibilidade, vai-se envolvendo em teias que mostram que o seu posicionamento perante a lei é algo do tipo: é para respeitar enquanto nos servir.
O seu responsável, até há bem pouco nosso venerado presidente David, vai-se afundando persistindo numa atitude um tanto suicida. Devo dizer que o comprendo. O homem sente-se atacado por todos os lados, possivelmente até através do interior do seu partido. E quer mostrar obra, quer ter o reconhecimento. Eu faria o mesmo: se a lei não me servisse e tivesse poder para tanto, mudava a lei...
Já não me admiro que alguém lhe tenha ouvido dizer: “Sei que há uma mafia organizada contra mim. Eu sei quem são. Mas em breve darei a todos a resposta.”.
Bem escondido dos olhos dos oureenses, existirá um padrinho que planeia e executa rigorosamente a estratégia que lhe poderá trazer o poder no concelho? Em caso afirmativo, quem será? A quem se referia David?
Magnífico leão



Ao Sérgio, ao Bispo do Porto e aos amigos oureenses sportinguistas aqui ficam os orgulhosos parabéns por mais uma magnífica vitória.
Partilho convosco esta foto do Bin-Tex, roubada ao Mega Fauna, e que traduz algo como isto: agora, o guerreiro merece descanso. E que esteja bem repousante e sonolento naquele célebre jogo para o campeonato que virá lá para o fim!

quinta-feira, abril 14, 2005

1968: Ano da ida às Sortes

Então querem saber quem eram aqueles heróis...
Vamos lá ver se a memória não me atraiçoa.
Fixemo-nos na primeira fotografia. Começamos mal...
O oureense mais à esquerda conheci-o apenas nesse dia, não recordo o nome, talvez Mário, falei bastante com ele, mas já passou muito tempo.
Segue-se-lhe o Luís Facas, um distinto dos tempos de infante que também habitou frente à casa do ZéQuim, filho de um dos históricos guarda-redes do Atlético, irmão do Alberto, aquele louco benfiquista que trabalha na gráfica com o Pintassilgo frente ao que resta do jardim da casa amarela.
Ao lado do Luís, está este V. humilde servidor que tanto pensa se está a ter um papel destrutivo relativamente ao progresso ao denunciar o que este faz a Ourém. Mas, ainda há pouco, ao ver a reacção do Rui Veloso perante a destruição da Rotunda da Boavista operada pela Casa da Música, vi que não estava sózinho: o progresso pode não ser agressivo para o que é o nosso património.
Ao meu lado, está o Zé Alberto, filho do Ezequel do café Avenida, assíduo frequentador do Poço e agora seu organizador incansável juntamente com o Julito.
Logo a seguir, isto é, o terceiro a contar da direita, temos o Génito, filho do Cabeça Aguda, um dos famosos condutores da Praça dos Carros, irmão do Duarte, este o tal que pegava no gato de barriga para o ar e o deixava cair. O Génito foi um dos nossos acordeonistas de eleição, responsável por mil bailes em Ourém e arredores e foi quem deu um tiro de pressão de ar ao Luís Nuno.
O segundo a contar da direita é o Luís Filipe. Encontrei-me com ele algumas vezes na tropa a partir desta data e em pleno processo de Abril.
Finalmente, temos o Manuel Miota, se não me engano o mais famoso ciclista oureense da década de setenta...
Há que acrescentar que, sedento da almoçarada e do bailarico, a certa altura, o Zé Domingos juntou-se à festa e, por isso, aparece em algumas fotografias, embora tivesse de esperar mais um ano por tão gratificante acontecimento.

quarta-feira, abril 13, 2005

Prossegue o ciclo de BD na Som da Tinta



No dia 16 de Abril, às 17 horas, Rui Pimentel estará no espaço da Som da Tinta para abrir uma exposição de originais seus, e conversar, assim se dando continuidade ao ciclo sobre Banda Desenhada que a livraria está a realizar.

De muitas e relevantes referências possíveis sobre Rui Pimentel – como a da sua ligação ao Olival – pode deixar-se a de ser o autor de Puro Veneno, da revista Visão.
As armas de Ourém

Armas de Ourém Posted by Hello

As armas da antiga vila de Ourém são as que se acham colocadas acima das portas de "Santarém"; assim chamada por estar voltada na direcção desta vila, como nas praças de guerra é costume dizer, invocando o nome das terras principais, para as quais olham as portas. Constam as armas de um castelo de duas torres, as cinco quinas em cruz, por cima uma águia de assas estendidas, ao lado esquerdo a meia lua, e ao direito uma estrela.
O castelo é indisputavelmente a própria divisa de Ourém, a meia lua, insígnia mahometana, e do mesmo modo a estrela, usada nas bandeiras mouriscas, o que indica para nós este escudo e trofeu da conquista de Ourém aos muçulanos. Quanto à "águia de asas estendidas, olhando para a esquerda", sabendo que a rainha D. Mafalda mulher de D. Henrique tinha no escudo uma águia de asas estendidas, olhando para a esquerda devemos supor que sua filha a rainha D. Teresa a quem fora dado por el-rei seu pai o castelo de Ourém, adoptara como sua divisa aquela de sua mãe, e tanto mais que é do mesmo modo colocada nas armas de Ourém, como no escudo das armas da rainha D. Mafalda...
As quinas reais nos cinco escudos pequenos são as armas de Portugal, que não estão cercadas na orla de castelos e nos indicam por isso a sua forma , que são as de que usavam os nossos reis...
In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868

A quinta da paciência infinita


A fotografia não deixa ver, mas permite recordar
Ao lado dos distintos, eram os galinheiros. Mais à frente, na habitação guardavam-se os instrumentos de trabalho, palha para os currais de porcos e era o local onde à noite se faziam as descamisadas. Do lado direito, havia pequenas instalações para os porcos, religiosa e diariamente limpas pelo caseiro, o sr. António.
Ao fundo, distingue-se o espaço onde era guardado o que se retirava dos currais, a palha envolta em dejetos que, mais tarde, era aproveitada como fertilizante. Para a direita e em frente, era a quinta que eu percorria quase diariamente para controlar se tudo estava bem.
A rega era efetuada a partir do tanque. A água seguia alegremente por pequenos carreiros que depois eram desviados para a conduzir às couves, ao feijão, às flores. Eu tentava intervir nessa operação, pois fascinava-me a sua entrada naqueles pequenos retângulos e o envolvimento das culturas e, depois, quando a desviávamos para outro, o sorvar da mesma pela terra. Imaginem as secas que dava ao caseiro a pedir para ser eu a fazer o desvio e ele a não me poder dar a resposta merecida por ser amigo dos patrões...
Muitas vezes aproveitava a água e os carreiros para lá introduzir pequenos paus ou barcos de papel e depois procurá-los nos sítios onde encalhavam.
Os donos da quinta suportavam este meu esforço para me divertir com toda a bondade.
Às vezes, ia mais longe, na direcção da vinha (onde está hoje o parque de estacionamento). Um dia, deparei com um cãozito dentro de um poço, a debater-se para tentar sair. Já não sei como, consegui tirá-lo de lá e então reparei que o pobre bicho tinha as patitas da frente em sangue e as unhas todas raspadas de tanto ter lutado.

terça-feira, abril 12, 2005

Roque in London

Não sei de quem se trata, mas ter um apontador para o nosso humilde blog é razão para o juntar com prazer ao lote dos nossos amigos.
É eventualmente mais um oureense, perdido em Londres e louco de saudades pela sua terra. Bom, isto é uma força de expressão: uma vez que passei por lá para um curso, ao fim de uma semana já dizia que não me importava de ficar.
A cruz do Regato (2)



Pouco tempo passava sobre o nosso post e eis que o Outrora aparece com uma notícia de 1942 sobre o Regato e com duas fotografias (1 2) sugestivas.
O artigo é delicioso. Vejam o pormenor com que se definia a obra:

Num dos ângulos, formado pelos arruamentos, existe, presentemente uma bica rente ao solo, onde o público se serve em más condições. Aproveitar-se-á o mesmo local para ser construída uma pequena fonte com um elegante alçado, ornado com azulejos. Teve-se em vista a pouca altura desta fonte em virtude da água não ter pressão para ser mais elevada; os motivos escolhidos para este trabalho são no entanto de molde a não chocar o conjunto.
No outro ângulo, voltado para a alameda do Regato, o passeio-cercadura do recinto urbanizado, ostentará as armas do concelho.
Será construída uma escada para vencer o desnível da estrada de Torres Novas para o caminho das Laranjeiras, o qual se não pode fazer por uma rampa, pelo facto de se dispor de pouco espaço para a desenvolver e existirem soleiras de portas que têm de ser respeitadas.
Naturalmente impor-se-á que as entidades respectivas regularizem os arruamentos circundantes e que os proprietários dos prédios vizinhos melhorem e embelezem, tanto quanto possível, os aspecto destes, de harmonia com o conjunto.
Parece que será respeitado o gigantesco plátano que ali existe.

Dissimulado?

Inserimos hoje no blog, de forma dissimulada, como todos podem ver, mais um bocadinho de propaganda ao candidato da CDU à AM, Sérgio Ribeiro.
Pretendemos, dessa forma, contribuir para que algo mude em Ourém no sentido que nos parece o mais correcto.
Que fique claro: apoiamos e apoiaremos o Sérgio e outros amigos de Ourém onde quer que eles se candidatem. Se discordarmos deles, apoiá-lo-emos pela crítica, tentando fazer com que os pensamentos se encontrem. Se concordarmos, vamos no mesmo barco.
Não quero com isto dizer que corte a mensagem de outras organizações de esquerda neste blog. Nunca o faria. Gostaria até de as ter, por várias vezes o anunciei. Acontece que a sua arrogância faz que sintam que não precisam. Que mais posso eu dizer?


Ourém precisa de mudança no poder autárquico (4)

Aproximam-se as eleições autárquicas e a concelhia de Ourém do PCP, com a força que tem, prepara-se para essa próxima luta eleitoral.
Parecerá talvez exagerado, no começo de Abril, escrever-se que se aproximam eleições que, habitualmente, são no final do ano, embora neste ano de 2005 se antecipem para Outubro.
Mas não o é, ou melhor, não o pode ser porque, a todo o momento, se sente que as chamadas “máquinas partidárias”, particularmente as concelhias, estão em grande actividade para prepararem essas eleições.
O PS-Ourém apresentou já o seu candidato a presidente da Câmara, José Manuel Alho, figura que tem prestígio fora da área político-partidária; pelo nosso lado, do PCP-CDU, apresentaram-se os nossos objectivos, traduzidos na necessidade de mudança no poder autárquico e no que se pensa ser o nosso insubstituível contributo na actual relação de forças existentes: o regresso de Sérgio Ribeiro à Assembleia Municipal,
contribuir para uma vereação em que haja oposição
.

Estamos certos que alguns oureenses desejam e acham necessária a mudança…
… e, na leitura política que o PCP-Ourém faz da situação, essa mudança passa pela concretização desses seus objectivos.
Objectivos não, evidentemente, isolados do que outras forças políticas fizerem, daquilo que seja também o seu contributo para que haja mudança a sério, real, e não só de nomes ou de “arranjo” dentro das mesmas política.
A mudança tem de ser de políticas e não de políticos. Ou seja, têm de se mudar de “políticos” para que as políticas sejam diferentes.
O que está a acontecer no PSD é muito significativo. Mantendo-se a força com maior expressão eleitoral no concelho, graças a uma muito bem montada teia ou rede de influências e de compromissos, as divisões surdas ao nível dos dirigentes, que se arrastam há anos, parece estarem em ponto de ebulição com a proximidade das autárquicas.
Também a situação do partido no plano nacional não ajuda à pacificação local, concelhia, antes acirra essas divisões surdas, latentes, esses “jogos de poder”.
Alguns episódios chegam a atingir o caricato, como a escolha de delegados ao congresso em que houve listas, disputa interna, e eleições secretas para delegados.
Para nós, com o nosso entendimento da democracia, que privilegia o confronto directo, as escolhas olhos nos olhos, e a quem querem obrigar a votações secretas, tudo isto é aberrante.
Por este caminho, as decisões ao nível familiar (e um partido é, de certo modo, uma “família” formada por afinidades político-ideológicas), terão de ser tomadas por voto secreto por exemplo quanto ao orçamento familiar, aos nomes e escolas dos filhos, ao local das férias, a mudança de residência, etc.
Nesta batalha política que se aproxima, a concelhia de Ourém do PCP, na defesa dos interesses dos trabalhadores e das populações, está, como em todas, com a CDU, coligação com o Partido Ecologista os Verdes, a associação cívica Intervenção Democrática, com todos os independentes que, sem preconceitos, estejam de acordo com o nosso projecto autárquico e com os nossos objectivos.

Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição

Santa Teresa de Ourém


Não há no concelho de Vila Nova de Ourém lugar algum com a singularidade do Zambujal. Os que escreveram a história eclesiástica, narrando a vida dos santos, e os que escreveram a história profana, falam deste lugar com menção especial, porque nele nascera a beata Teresa de Ourém.

Não discordam eles enquanto ao lugar do nascimento e milagres que fizera, mas variam numa ou noutra circunstância. O D. Tomaz da Encarnação nos diz com excepção de todos os demais, que tão distinta e formosa beata viveu em Santarém, sendo depois criada do prior de Ourém: todos porém afirmam que Ourém, próspera e florescente, no reinado de D. Afonso III, mereceu a ventura de possuir em toda a sua vida a beata, e em especial a freguesia de S. João, uma das quatro que havia a esse tempo, empregando-se como criada do prior dela.

As suas devoções e os milagres divulgados, lhe granjearam o nome de santa cuja opinião desfrutou ainda em sua vida, e, desde logo, falecendo em 3 de Setembro de 1266, começou o culto com festa que anualmente lhe faziam os seus devotos conservando-se em caixa de prata a cabeça, e no altar a sua imagem que pelo terramoto ficou debaixo das ruínas da sé de Ourém.

A relíquia conservada da santa é de admirável virtude contra as dores de ouvidos. A beata Teresa se não habitava em Ourém o edifício que ainda serve de cadeia pública, e que tradicionalmente se tem chamado de casa de Santa Teresa, é contudo certo que a essa circunstância anda ligada a história interessante dos desgraçados que nela entraram.

Querem alguns supor que na cadeia se empregaram os materiais da casa da beata, que antes vivera numa humilde habitação, construída dentro do castelo: seja porém o que for, é averiguado que ates que a ciência legisladora formalizasse em lei do país, a abolição da pena morte, era constante que o desgraçado arremessado à cadeia de Ourém, por maiores que fossem os malefícios cometidos, nunca sofrera o infamante suplício a que a sentença os condenava! Parece que entre todas as maravilhas da beata Teresa, não é menos recomendável esta, poupando à humanidade mais alguns dos pavorosos espectáculos, convertida a sua casa num asilo da vida.


In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868

O tanque dos nadadores persistentes


Com o aproximar do Verão, este tanque era cuidadosamente lavado e os dias ganhavam novo interesse. 
Era o momento da chegada do Rui o que se traduzia em excelente companhia, lanches, idas à piscina a Tomar, leituras, novos discos. E, claro, o encontro com os restantes no Avenida.
Um dos elementos da trupe de nadadores, que não está na fotografia, era, também, o Jó Rodrigues.
Todo este espaço foi destruído e sobre ele construída a Escola Profissional de Ourém. "Uma boa causa", já o afirmei, mas que não me impede de contemplar os invasores com uma certa mágoa. 
Aliás, diz-se que o Rui nunca mais veio a Ourém para não ter de se sujeitar a esta tristeza.

segunda-feira, abril 11, 2005

Um congresso algo falhado

Os congressos do PSD são tradicionalmente o melhor a que se pode aspirar em matéria circense na política portuguesa.
Mas em Pombal até a comédia pareceu pífia.
A qualidade dos actores? Certamente. Toda a gente sente (e penso que não apenas à esquerda) que se trata de figurantes promovidos a protagonistas por ausência de melhor.
Mas o problema principal é, certamente, a qualidade do texto: um nada absoluto percorreu todos os discursos que ouvi.
O mais revelador foi o de Manuela Ferreira Leite, alcandorada, entretanto, a reserva do partido: nada senão banalidades do género «Eles só sabem falar, nós sabemos fazer» e suas múltiplas variantes. Nem uma ideia para o país.

Continuar a ler O nada
Se não te serve o plano, suspende-o

A notícia vem, hoje, no Público: Ourém, ou melhor, a câmara de Ourém, pede suspensão do plano director.

O objectivo é ultrapassar impasse da obra do novo supermercado.

A Câmara de Ourém vai pedir às autoridades competentes que suspendam a aplicação do Plano Director Municipal na zona onde está prevista a construção do novo supermercado Intermarché de forma a acabar com o impasse da relocalização da estrutura comercial.

Seguem-se os estafados argumentos da sinistralidade da zona que só pode ser corrigida com a ajuda do supermercado, agora apoiados em estatísticas da GNR.

A cruz do Regato

Tenho dado tão pouca atenção ao Regato...
Mas a passagem que vos deixo é assaz sugestiva ao referir alguém que prestou bons serviços ao concelho como presidente da câmara. Há que passar por lá: será que resta alguma coisa?

É pois a antiga Cruz do Regato, um monumento.
Neste sítio, nos diz Carvalho1, existira também a ermida de Santa Margarida de que nenhuns vestígios existem hoje, e provavelmente pertencia à quinta da Loureira há mais de um século destruída.
A cruz, porém, de que falamos, caíra por terra no andar dos tempos.
Houve um cavalheiro, a quem o concelho deve muitos bons serviços, como administrador do concelho e presidente da câmara2, que restaurou a memória.
Colocou-se a nova cruz, cinco metros para o nascente do lugar onde estava a antiga em Outubro ou Novembro de 1857, obrada de uma cantaria da mesma qualidade daquela que foi aplicada no magnífico templo da Batalha (excelente pensamento, porque são ideias associadas da mesma época) e está posta numa peanha de cantaria de seis metros e trinta e oito centímetros, tendo a haste, braços, e carapeta, quatro metros e quatro centímetros...

1 - Carvalho, Corographia Portuguesa, tom. III.
2 - Dr. Joaquim Gomes Vieira Gaio

In: J. Elyseu, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, 1868

O galheteiro



Atenção ao passarinho... Posted by Hello

Pode ser que não se note, mas era mais alto que todos eles. Assim, posicionado ao centro, lembra-me as constantes vezes que participei em caminhadas e o pessoal chamava galheteiro ao conjunto. 
Nos extremos, estão o Avião e o Luís Nuno e, a separá-los de mim, respectivamente, o Fernando e o João, netos da Júlia padeira, os tais dois miúdos ultra-arreliadores que já vos falei a propósito do Largo de Castela. 
O local foi o saudoso jardim de Ourém junto à Câmara.

domingo, abril 10, 2005

Mãe e filha



Camaradas oureenses,
este post é para demonstrar que tenho feito acesso à nova casa do Byn-Tex e que a recomendo pela sua excelência que, não rara vezes, me deixa sem palavras.

sábado, abril 09, 2005


Uma gravura do livro Posted by Hello
Do sótão


O livro Posted by Hello

Os dias recentemente passados em Ourém permitiram descobrir esta preciosidade, assinada pelo proprietário, no meio de outras coisas enquanto procurava os versos do Dr. Preto. Vou partilhar algumas passagens com os amigos oureenses. Logo a abrir:

Nunca o Sol luziu tão amigável
Como no sítio em que primeiro o vimos
Filinto Elyseu

E mais à frente:
Ourém representa-se semelhante ao Pelicano, rasgando o seio donde receberam a vida instituições, origem da riqueza e natural ufania de outras vilas...

sexta-feira, abril 08, 2005

Irresistível
Numa bela manhã, em tempos muitos distantes, ali passaram o dia, conversando, dois namorados, ele com uma grade aos ombros e ela com uma bilha de água à cabeça, sem nenhum deles se lembrar de arrear estes pesados objectos, tal era o enlevo em que achavam aquelas almas.
Vou abandonar tudo para só ler este blog. Quero ir para Ourém consultar os arquivos do NO. Já imaginaram as maravilhas que por lá existem e nós nem sonhamos?

Continuar a ler A Ponte dos Namorados
E dizia-se que não prestava para nada

É formidável como o tempo e a forma de publicação dão um novo sabor às coisas. O Ourém Outrora é, na minha humilde perspectiva, uma aposta ganha e vai encantar os oureenses se conseguir manter a excelente selecção e o ritmo (não sei qual o mais difícil). Mas ao mesmo tempo é a prova de que pelos nossos jornais, designadamente o Notícias de Ourém, passaram pérolas que talvez estivessem condenadas à morte e ao esquecimento se não fosse o trabalho de NA.

Desta vez, brindou-nos com versos do Dr. Preto dedicados a um dos seus netos. A avaliar pela data de publicação não seriam para a Luzinha ou o João mas para um “pássaro” mais velho, o Tónio. Que, curiosamente, também chilreava...

Não fala ainda o Tónio, o meu netinho,
não fala e vai já um ano e meio;
mas enche as casas todas um gorgeio,
um cholrear de inquieto passarinho;

que de manhã à noite alegra o ninho.
Há voz de mais amor? Eu não o creio.
Quer chore ou ria ou palre, em doce enleio
avós e pais adoram o Toninho.

Quando falar que mais há-de dizer
do que já diz agora o seu olhar,
o seu sorriso, o seu balbuciar?

Pois fala assim, meu pequenino ser,
oh! Cabecita loira, anjo de altar,
que eu sou avô e sei-te perceber

António da Luz Preto

NA agora não pode parar... Toda a Ourém está presa no Outrora!

quinta-feira, abril 07, 2005

Som da Tinta: 5º aniversário

Eis algumas das iniciativas que acompanham este assinalável acontecimento:
• apresentação de Disseste o meu nome?, de Manuel Rodrigues, em sessão dedicada à deficiência, na Biblioteca Municipal, cedida pela Câmara Municipal (realizada a 2 de Abril)
• ciclo Banda Desenhada, com José Garcês, Rui Pimentel, Luís Louro
• Glória Marreiros e U…tópico
• lançamento de Somos todos netos de Abril
• sessão sobre o 25 de Abril
• … e o mais que for possível (ou de que se for capaz…)
Glória Marreiros em Ourém

Glória Marreiros estará em Ourém, no dia 7 de Abril, em acções da Escola Conde de Ourém,no dia 9 de Abril, às 17 horas, no espaço da livraria Som da Tinta acompanhada pelo grupo de jograis U…tópico.
Glória Marreiros tem vasta e importante obra publicada.

quarta-feira, abril 06, 2005

Memórias da "gaffe" a propósito da história dos nossos bombeiros
Por Sérgio Ribeiro

Cada um lembra-se mais do que viveu mais intensamente. A esplanada do quartel dos Bombeiros, na Carvalho Araújo está gravada na minha adolescência. As festas anuais eram... uma festa! Desde os Companheiros da Alegria, do Igrejas Caeiro, a 'malta' de Coimbra, os ilusionistas, o Néné, a Hermínia Silva, sei lá... E eu a crescer para a vida com a ajuda dos meus amigos, e a dormir em casa do ti'Júlio porque o Zambujal era longe... Lembras-te, Rui?
Cometi, nessa altura, uma 'gaffe' de que, de vez em quando, me lembro, com um sorriso e um corar debaixo da barba. Um dia contá-la-ei.
Tem a ver com as meninas da 'nossa sociedade' que serviam à mesa durante as festas. Ah!, e os versos do dr. Preto, também para angariar fundos e em que o meu pai era sempre 'o oureense número um' para rimar com qualquer coisa acabada em 'um'.
Oh! Luis, oh! Julito... isto não se faz. Não chegavam as memórias que vêm cá de dentro e estão acordadas, para vocês virem, de fora, acordar as que estavam tão sossegadinhas!
Uma chama bem viva
Por Júlio Henriques (Julito)

Esperamos que esta chama que continua bem viva mantenha o esplendor de outrora, cujo prenúncio se augura feliz pelo constante rejuvenescimento que temos vindo a assistir com a entrada de muitos jovens que querem continuar com essa mística dos Bombeiros Voluntários de Ourém, que tem passado de boca em boca e de geração em geração.
Os bombeiros e o 1º de Maio

Não sei se estou a cometer um erro se disser que, desde 1935, os nossos bombeiros homenageiam os seus colegas desaparecidos com uma romagem ao cemitério. Se esta informação é verdadeira, este ano atingirão a bonita soma de 70 vezes e esta fotografia é a recordação do 1º ano em que teve lugar.
O ano passado, o Castelo publicou, assinado por Alberto Figueiredo, um excelente texto sobre esta prática que aqui reproduzimos:

É verdade, os nossos Bombeiros já passaram em desfile rumo ao Cemitério. Sempre o fizeram na longa noite fascista. Era a forma consciente, para muitos deles, comemorarem Maio. Muitas das actividades concelhias encerravam. Os Bombeiros homenageavam, no cemitério, os colegas falecidos colocando flores. Havia também a celebração da Missa. Com estas celebrações a Vila,ao tempo, parava e em Ourém celebrava-se o feriado do 1.º de Maio.
Hoje, conscientemente ou inconscientemente, todos festejamos o 1.º de Maio, graças à revolução de Abril.
Em Ourém havia muita gente do"reviralho" que nunca adormeceu. A nossa gratidão a estes e aos Bombeiros!

Eis mais um aspecto da deslocação ao cemitério dos nossos bombeiros:

e do regresso:
Os nossos bombeiros

Hoje, vamos terminar a incursão na história dos nossos bombeiros. Oportunamente será criado um apontador na coluna lateral, após os Estúdios Trini (ordem cronológica...) para este conjunto de artigos de modo que fique sempre à mão.
Quero agradecer ao Julito (para este blog, ele é o Julito, por mais importante que seja o seu papel) toda a colaboração que prestou em termos de tempo, artigos e fotografias.
E agora uma questão: quem será o próximo oureense a contar algo de importante?
Entretanto, aqui ao lado, no Outrora, há um artigo fabuloso sobre os nossos moinhos assinado pelo pai do Luís Nuno e do Zé Rito. Fabuloso e actual... Todas as terras tratam dos seus moinhos e Ourém é o que se vê.

terça-feira, abril 05, 2005

A sala de troféus


Troféus Posted by Hello

Esta é a sala de troféus dos bombeiros nossos heróis onde podemos examinar alguns dos que eles justamente receberam...

Um bombeiro fantástico



O Busto Posted by Hello

Guilherme Fernandes, conta-me o Julito, foi um bombeiro, não oureense, fantástico. No entanto, em determinada ocasião participou numa prova internacional e na sua equipa também estavam oureenses. Os resultados foram espantosos. Onde os outros demoravam minutos às dezenas, a sua equipa gastou uns escassos quatro minutos. Após a sua prova, os seguintes desistiram...
Terá a rainha alguma vez pensado...


A arte de Garcês Posted by Hello

... nos bárbaros que tomariam conta da nossa terra?
Pode ser que Garcês tenha uma resposta.
Ele estará na Som da Tinta na próxima sexta-feira, 8 de Abril, a partir das 18 horas, onde poderá esclarecer todas as dúvidas sobre a sua História de Ourém. A editora inicia assim um ciclo dedicado à banda desenhada.

Ourém precisa de mudança no poder autárquico (3)

A concelhia de Ourém do PCP, com a força que tem, prepara-se para a próxima luta eleitoral.
A força do PCP-Ourém é a dos seus militantes, é a da sua prática consequente, é a da sua permanente intervenção em defesa das populações de que são parte.
Quando temos eleitos, essa força faz-se sentir nas posições que se tomam nas instâncias, com ela procurando que a política da autarquia seja a que melhor sirva os interesses das populações; quando não temos eleitos, quando os votos não chegaram para que a nossa força tenha essa expressão, nem por isso abranda a vontade de intervir, nem por isso se deixa de intervir por todas as formas que se consigam encontrar.

E se alguns oureenses desejam essa mudança que tão necessária é…
…lembra-se que, de 1997 a 2001, Sérgio Ribeiro foi eleito na Assembleia Municipal e esta foi uma Assembleia Municipal diferente. Estamos certos, também, que muitos dos que participaram nessa sessão legislativa e noutras, têm esta mesma opinião. Que, por isso, não é apenas nossa, da concelhia do PCP de Ourém que de novo o apresenta como candidato.
Nesses quatro anos, houve sessões temáticas, houve sessões dedicadas aos emigrantes na altura apropriada – quando eles estão na “nossa terra”, em Agosto –, discutiram-se os documentos essenciais de uma gestão com qualidade técnica e profundidade política, colocaram-se questões – sobre a criação das empresas municipais, por exemplo – que mais tarde se vie-ram a comprovar como inteiramente justificadas, e outros adoptaram sem reconhecer o erro anterior e ignorando quem tinha sido amigo… porque tinha avisado (não é verdade que quem te avisa teu amigo é?).
A tentativa gorada de eleger Sérgio Ribeiro para a vereação, e o facto dos significativos votos que recebeu Susana Neves não terem sido suficientes para manter esse lugar, fizeram com que a CDU o perdesse. Mas essa perda – que foi para todos – não levou o PCP-Ourém a diminuir de actividade. Em condições mais difíceis esteve sempre presente.
Quando do caso da Waelle, do aumento da água, em cada ano com apresentação de propostas de aumento do PIDDAC no orçamento de Estado – que o PS apoia por achar irrisórias as dotações quando a maioria e o governo são PSD-PP… e estes votam contra, que o PSD apoia por achar irrisórias as dotações quando a maioria e o governo acha irrisórias quando a maioria é PS (com ajudas de deputados de outros partidos) … e estes votam contra – do PDM, do Intermarché, do arranjo urbanístico de Ourém, dos problemas e potencialidades de Fáti-ma.

A mudança por que o PCP-Ourém, a CDU, se bate – bateu e baterá –, a mudança para que quer contribuir com os seus eleitos, independentemente dos lugares, é uma mudança que faça com que, progressiva e determinadamente, as populações sintam que esse poder é seu e que só o delegam em representantes seus… e enquanto o merecerem. Enquanto se esforça-rem por resolver os problemas de todos, e não apenas se preocupam com os interesses seus e de uma mino-ria.
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Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição

domingo, abril 03, 2005

Regressou a casa do pai

Não posso deixar passar em claro o seu desaparecimento, apesar de grandes divergências.
E dizer que gostei especialmente do puxão de orelhas que deu ao Bush, esse miserável agente de Satanás. Apreciei também a sua passagem por países da América Latina, onde a mensagem foi de libertação, e o seu esforço para diálogo entre religiões.
Realço a sua amizade com a nossa terra onde recordo uma pessoa associada a cada uma das suas passagens, mas isto fica comigo...
Disseste o meu nome?

Despedi-me desta estadia em Ourém com uma sessão organizada pela Som da Tinta que teve lugar na Biblioteca da nossa terra.
Uma sessão muito importante. Em que se mostrou que a exclusão está presente em todos os nossos actos e práticas e que pouco fazemos para melhorar a vida daqueles que, se se pensasse um pouco mais em momento de concepção e decisão, poderiam ter a vida relativamente facilitada.
O José, o Carlos e o Rui contaram-nos as suas experiências no âmbito da apresentação do livro com este nome. E tornaram bem claro que é uma questão de políticas e que não é tão difícil como podemos crer.
Ourém Outrora
Ora aqui temos mais um blog sobre Ourém. Assinado por NA (Nelson Alves? - de qualquer modo, não conheço) é alimentado por notícias e artigos da imprensa da época. Trabalho duro este que exige reescrever um artigo a partir de texto elaborado por outro e que se insere em algo que já tínhamos proposto: digitalização dos nossos jornais.
Esperamos que não desista e desejamos-lhe muita força para esta missão importante. Oportunamente, incluiremos uma ligação.
Eis alguns dos artigos já publicados, um dos quais mostra que este espaço pode ser saudade do que já era saudade:
Praça de Mouzinho de Albuquerque
Iluminaçao da vila
Parque infantil
Basquetebol

sábado, abril 02, 2005

Os aquartelamentos
Por Júlio Henriques (Julito)

O seu primeiro aquartelamento, segundo relatos não muito precisos, teria sido em instalações provisórias pertencentes à quinta do Barão de Alvaiázere, ali à Rua 1º. de Dezembro, dispondo apenas de uma bomba braçal, relíquia essa ainda hoje presente no nosso Quartel, e mais alguns poucos apetrechos para, se necessário fosse, atalhar qualquer fogo que se levantasse.
Posteriormente, vieram a instalar-se na Rua Teófilo de Braga, junto ao Hospital de Santo Agostinho, num rés do chão amplo, mais tarde transformado em oficina de automóveis do Ezequiel “Biché”, pertencente ao Sr. Joaquim Vieira Verdasca, hoje propriedade da família Prazeres Durão (médico-veterinário), onde durante muitos anos funcionou o Grémio da Lavoura.
Dali saíram para a Rua Carvalho Araújo, onde permaneceram durante cerca de 3 décadas, ficando o quartel em frente à Casa Verdasca, com um quintal que servia de parada e local de festividades e aonde foi construído em madeira um “esqueleto” para a realização de exercícios. Mais tarde este edifício, com a saída dos Bombeiros, passou a servir de sede do Clube Atlético Ouriense. Muitos ainda se lembrarão dos bailaricos ali realizados e as partidas de ping-pong.

É já na década de 50, mais propriamente em 21 de Junho de 1953, após algumas peripécias e divergências com a família Verdasca para a cedência do respectivo terreno, que é inaugurado com pompa e circunstância o novo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Ourém, ali mesmo na Avenida, onde ainda hoje se encontra, mas já transfigurado e ampliado para assim poder acolher o seu inevitável crescimento orgânico e melhor servir a sua missão.


Moderno aquartelamento na década de 60 Posted by Hello

A Avenida ficou mais rica e os Bombeiros, já orgulhosos do seu passado, rejubilavam de alegria por terem uma nova Casa, sendo justo reconhecer a determinação daqueles homens e a disponibilidade financeira de alguns contos de réis desde logo anunciada pelo Senhor Vicente Rodrigues, grande benemérito da Associação, para que fosse possível adquirir aquele terreno pelo preço de 170 contos.


Instalações actuais Posted by Hello

Nova perspectiva do Castelo Posted by Hello

sexta-feira, abril 01, 2005

Uma lenda viva...

... há 70 anos a servir o comércio de Ourém.
Manifesta formidável lucidez e não se deixa levar pelos argumentos alheios. Tem estórias e estórias. Lembrou-se do meu nome quando me identifiquei.
Chegou a Ourém aos 12 anos, oriundo do seminário de Cartuxa, e foi trabalhar para a loja do sr. Oliveira, junto à do sr. Pina. “Uma excelente pessoa” – diz ele.
Mal soube da minha qualidade de economista, perguntou-me de imediato se sabia como estes profissionais enganavam o povo. E esclareceu-me: “Há doze casas para treze pessoas, vou-te dizer como eles fazem”. Desenhou 12 quadrados que preencheu com números:
2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7
8 - 9 - 10 - 11 - 12 - _
“Sabes? Para a primeira vão 2. Depois vai o terceiro, o quarto, etc. Resta uma casa vazia. Vai para lá o que estava a mais na primeira...”.
É notável esta sapiência e, ao mesmo tempo, a ingenuidade. Na perspectiva do sr. Manuel, as 12 casas iam, apesar de tudo, para 12 pessoas que necessitavam delas.
Já não tinha mais tempo. Tentei ir-me embora. Ele percebeu.
"Quando cá voltares, já cá não estou".
"Você vai durar mais dez ou vinte anos".
Ele riu-se...
Uma boa ideia


Ainda em esqueleto Posted by Hello

Manter a fachada.
Renovar todos os interiores, se possível crescer... Ourém mantém a sua imagem...
Amizade ou nostalgia?

O skywatcher põe esta questão a propósito da minha vivência em Ourém e eu não tenho dúvidas em responder: amizade e nostalgia. E muito prazer por poder recordar as horas que por lá passei, as pessoas que conheci, os momentos verdadeiramente bons. Mesmo a recordação é prazer, contrariamente à tristeza que sinto no Sérgio quando afirma: "o que foi vivido, vivido está".
Uma mágoa: termos deixado que alguém se apossasse da nossa Ourém e a tivesse transformado no deserto que quase todos, menos os seus autores e respectiva clientela que julgam ter parido uma grande obra, reconhecem...

Los presuntos implicados




A famosa adega Posted by Hello

Tal como os três de Dumas eram quatro e o mais terrível era o mais jovem.
Estavam em perfeita sintonia com o Oeste selvagem. Chegaram ao ponto de terminar a infindável colecção de cromos que tanto apreciavam.
Nesta casa recriavam o ambiente.
Uma vez, que tive a honra de lá estar, assisti a uma cena de antologia. Cada um deles tinha a sua cama de rede, instalada bem alto para a subida e descida ser radical. Dali liam as suas estórias e mandavam as bocas da ordem. Encontrei lá também o Duarte. E havia um gato. Quase uma bola.
O Duarte pegou no gato pelas patas com a barriga para cima, mais ou menos a um metro do chão. E largou-o. Fiquei arrepiado, o pobre bicho iria com certeza rebentar. Qual quê? Com extrema agilidade, virou-se no ar e aterrou em cima das patas.
O Duarte repetiu a cena várias vezes enquanto todos riam da minha atrapalhação...
Flor Vermelha


A flor solitária Posted by Hello

Era uma personagem da série Cisco Kid, desenhada por Salinas. Linda, tal como as outras três mulheres que ajudaram a salvar o nosso herói.
Mas a questão que deixamos aos nossos amigos, sendo indesculpável que não se lembrem, é: como se chamava o episódio publicado no Mundo de Aventuras em que Flor Vermelha era o elemento central da história?

quinta-feira, março 31, 2005

Um punhado de homens bons
Por Júlio Henriques (Julito)

O 4 de Janeiro de 1912 marca de forma indelével uma página doirada da história de Vila Nova de Ourém. É com aquela data no pergaminho da sua certidão de nascimento que oficialmente nasce na nossa Vila uma das mais prestigiadas e prestimosa Associação de Bombeiros do País - a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Ourém, tributo esse devido ao trabalho incansável de ilustres Ourienses que nunca regatearam esforços para a sua criação, apesar do muito desânimo em momentos cruciais da vida desta Instituição.

Já em Agosto de 1911, dado o atraso na aprovação dos estatutos de constituição da Associação, esse punhado de “homens bons” que se propuseram erguer este baluarte de esperança, de solidariedade e de humanitarismo, que passou a ser um “ex-libris” da nossa Terra, em reunião para o efeito realizada, nomearam para os cargos de 1º. Comandante e Imediato do seu Corpo de Bombeiros, respectivamente, os Senhores Alfredo Viana de Sousa Leitão e José Andrade da Fonsêca Ritto.
O nosso Castelo esta manhã


As brumas de Ourém Posted by Hello

O nevoeiro indiciará a chegada do desejado?
Os dias vão passando e não consigo aquela imagem do Castelo a pairar acima das nuvens que, uma vez, tive o privilédio de descortinar. Fica aqui um esboço...
VIDA POR VIDA
Por Júlio Henriques (Julito)

Vila Nova de Ourém era nas décadas de 40, 50 e por aí fora uma menina adormecida. Vivia-se no remanso bucólico de uma pequena Vila, outrora Aldeia da Cruz, que a espaços e muito especialmente no verão era sacudida e entrecortada pelo som estridente da sirene dos Bombeiros. E então era vê-los, esses soldados da paz, a correr desenfreadamente ou pegando em qualquer bicicleta estacionada junto a qualquer taberna em direcção ao seu Quartel, vindos de todos os lados como formigas, fosse de noite ou de dia, chovesse ou fizesse sol, por vezes ainda a vestirem-se e descalços. E nós, os mais pequenos, não perdíamos pitada de todo aquele frenesim, sendo gostoso de ver a população vir para a rua ou assomar-se às suas janelas numa prova clara e inequívoca de que os Bombeiros estavam no seu coração.

Era assim também a nossa Avenida que fervilhava nesses momentos de grande agitação com a passagem “sempre a abrir” e com a sirene e rotativos ligados dos carros dos Bombeiros conduzidos por uma lenda do nosso Corpo de Bombeiros “o Ti Júlio dos Bombeiros” e outros ases do volante que faziam as delícias da pequenada, que quando fossem “grandes” também queriam ser bombeiros.

E assim se foi construindo com muito esforço, muita abnegação e altruísmo a mística dos Bombeiros Voluntários de Ourém envolta no seu lema “VIDA POR VIDA”, por onde têm passado centenas de homens que deixaram no acervo histórico da Instituição momentos marcantes de episódios e estórias bem dramáticas, salpicadas aqui e ali com momentos hilariantes e de muita pertinácia, relembrando as figuras carismáticas dos Comandantes José Maria Pereira (Zico Pereira) e Joaquim da Silva (Joaquim Chucha) que em muito contribuíram para que o nosso Corpo de Bombeiros se alcandorasse entre os melhores.

quarta-feira, março 30, 2005

À volta de Ourém


Uma casinha patusca Posted by Hello

Há pormenores - muito vulgares, dirão alguns - que fazem as delícias de quem anda à volta de Ourém. Um dos que mais me seduz é o desenho daquelas janelas. Fazem-me inveja...
Entretanto, os nossos heróis lá vão perdendo com a Eslováquia. Será que vamos ultrapassar aquele forte obstáculo? Ofereceremos um exemplar do "Ourém em estórias e memórias" a quem adivinhar o resultado...
Os nossos bombeiros

Amigos oureenses, estou em condições de anunciar a publicação para breve de alguns artigos sobre a gloriosa história dos nossos bombeiros. Já tenho quase todo o material, faltam apenas algumas fotografias.
E, garanto, essa história será contada por quem bem a conhece...

terça-feira, março 29, 2005

Ourém precisa de mudança no poder autárquico (2)
O PS acaba de anunciar quem será o seu cabeça de lista, e fá-lo com a habitual postura arrogante de que ele-PS, e só ele, é a mudança. Só ele e os seus candidatos…
A CDU não discute nomes, não emite juízos de valor sobre pessoas. Avalia, isso sim, declarações e projectos políticos.
E o arranque da campanha autárquica do PS não augura nada de bom. Não evidencia a intenção de contribuir para a mudança de que Ourém precisa.
Depois de todas as distribuições de lugares dentro do partido, e pelos independentes com que foram estabelecendo compromissos, não ficou clara, como seria indispensável, que a escolha feita corresponde a uma hierarquização de objectivos e que o candidato escolhido para Ourém seria aquele que, em qualquer circunstância, estava indicado para ser o cabeça de lista.
Não se põe em dúvida a boa fé de quem se candidata mas o modo como a “máquina partidária” funcionou na distribuição dos lugares nos vários níveis do poder, justifica todas as desconfianças e não se encontra o sinal de que a mudança de políticas seja o objectivo prioritário.

Alguns oureenses desejam essa mudança que tão necessária é…
… e decerto muitos militantes e eleitores do Partido Socialista estão entre os que mais a desejam.

Mas a apresentação do cabeça de lista, como correu e pelo que foi dito, não mostra essa necessidade e esse desejo como os verdadeiros motores da candidatura.

Até pelas responsabilidades científicas e cívicas do candidato, esperar-se-ia muito mais que afirmações vagas e de “luta pelo poder” em alternância, sem claras linhas políticas de mudança e alternativa, e que não se deixasse enredar na questão “caso Intermarché”.
Sobre este caso, foi evidente a preocupação de tudo conciliar, os interesses que não são conciliáveis, de afirmar respeito por leis que são ignoradas em nome de uma racionalidade que considera irracional o que seria não aceitar factos consumados, ou que, para que essa consumação concilie todos os interesses, se torçam leis, programas e regulamentos.
A CDU continua a aguardar que seja dada resposta a requerimento apresentado na Assembleia da República pela deputada do PCP do distrito e não será a falta ou adiamento de resposta que a fará aceitar o que só seria aceite por estar já consumado.

No entanto, os casos são casos e apenas ilustram o global, a orientação política, a maneira como se exerce o poder executivo.

A mudança por que a CDU se bate – bateu e baterá –, independentemente dos lugares em que possam estar eleitos seus, é antes de mais uma mudança de entendimento do que representa o poder autárquico, uma mudança que faça com que, progressiva mas determinadamente, as populações sintam que esse poder é seu e que apenas o delegam em representantes seus… e enquanto o merecerem.
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Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal

Uma vereação em que haja oposição
Ourém precisa de mudança no poder autárquico (1)

Desde 1976 que os oureenses têm delegado esse poder, que é seu e foi conquistado com o 25 de Abril, primeiro no CDS, depois, no PSD, ao longo dos anos com alguma participação, ao nível dos executivos, do PDC e do PS. O PCP, nas coligações eleitorais FEPU, APU ou CDU, também teve eleitos, quer em freguesias, quer na Assembleia Municipal, sem alguma vez ter tido responsabilidades nos executivos.
Muitos oureenses que reflectem sobre o concelho, sobre a “sua terra”, e exprimem as suas opiniões têm vindo a manifestá-las de forma crescentemente crítica relativamente a quem detém o poder, e revelam a consciência dessa necessidade e desse desejo de mudança.

Alguns oureenses desejam essa mudança…
… mas não todos, nem a maioria dos oureenses, como o comprovam os sucessivos resultados, em quaisquer que sejam os actos eleitorais, mantendo uma confortável maioria para o PSD e CDS/PP.
A CDU considera que no concelho de Ourém foi laboriosamente entretecida uma rede de influências e de clientelismo que faz com que a maioria dos oureenses esteja muito grata por todos os benefícios que o tempo – e o 25 de Abril – lhes trouxe aos eleitos dos partidos que têm sido poder, como se fossem sua dádiva, e receie todos os malefícios se outros partidos vierem a ser os detentores desse poder. Por exemplo, para a população idosa, as conquistas sociais, que tão dificilmente se conseguem promover e manter contra uma política de direita, seriam benesses oferecidas pelos eleitos desses partidos e perder-se-iam se outros fossem os eleitos… pelo que voto só pode ser no PSD ou no CDS/PP.
É o mundo ao contrário!
Como contribuir, então, para o esclarecimento, num meio fechado e manipulado, que leve à tomada de consciência que, por sua vez, provoque a mudança necessária?
A CDU, sem a obsessão de tomar seja que poder for, mas sempre disponível para ser poder onde quer que sejam escolhidos candidatos seus, entende que a única via é a do esclarecimento contínuo, da verdade como único método, do contacto e do respeito pelas populações, sempre dizendo quem somos, ao que vimos, o que faríamos se eleitos tivéssemos. E assim tem sido sempre.

A CDU é uma coligação de dois partidos, o PCP e o Partido Ecologista os Verdes, com uma associação cívica, a Intervenção Democrática, e integra todos os independentes que a ela se queiram juntar por estarem de acordo com os programas relativos a cada uma das eleições. O projecto autárquico da CDU é conhecido, e temos provas dadas, como é o caso em concelhos vizinhos do concelho de Ourém.
No nosso espaço cabem todos os que queiram partilhar uma experiência de luta, pela liberdade, pela democracia, pelo ambiente, por um projecto autárquico que vale pelo que tem feito, por vezes apesar dos esforços para o diminuírem e desvalorizarem, e que tem orgulho em se dar a conhecer.

Por isso, a CDU candidata-se.
Em Ourém, com o objectivo de recuperar mandatos e de recolocar Sérgio Ribeiro na Assembleia Municipal, onde é consensual que faz muita falta, também com o objectivo de contribuir, no mínimo, para uma vereação em que haja oposição!
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