sábado, julho 27, 2019

Barcos na noite escura



É tarde…
A noite está escura como breu…
Para onde é a minha casa que não vejo o caminho?
O pirata está aqui para te oferecer carinho…



sexta-feira, julho 26, 2019

Um paiol à entrada de Peras Ruivas


Tal como esperava, o presidente Albuquerque não ligou ao nosso aviso de há uns dois meses. Mas quem somos para nos ser dada alguma atenção? Sua Excelência não olha para munícipes inferiores, uma raça que devia ser excomungada.
E a verdade é que a coisa piorou muito. Os ramos cortados dos cedros secaram e podem ser um rastilho eficaz. As árvores parece que começam a secar depois do corte.
Num momento em que ocorre no país tudo o que sabemos, como pode o desleixo autárquico chegar tão longe? Será que remover esta massa não faz parte do plano de contingência do burgo? Se calhar, nem plano têm…
Claro, depois a culpa é da gerigonça...



quinta-feira, julho 25, 2019

Hoje é dia de ir até Espanha

Bolas!
Querem tirar-me daqui para ir até Ayamonte…
Que seca! Todo o dia à espera. Montras e mais montras. Gente aos encontrões.
Já nem há tapas decentes naquela terra.
O melhor de tudo ainda é o passeio de barco. Ver as casas de Vila Real cada vez mais afastadas, cruzar-me com os que vão para lá, ver os acenos. Sentir-me a sair do meu espaço...
Bom, talvez lá encontre um boneco engraçado para pôr no blog, algo que me ilumine...
E eu aqui tão bem
A pensar só em Ourém

quarta-feira, julho 24, 2019

Um Governo em pânico

A anunciada greve dos motoristas de matérias perigosas parece estar a esfarrapar os nervos aos membros do executivo. É neste contexto que surge uma sugestão para os portugueses se abastecerem antecipadamente resolvendo assim a previsível carência que se sentirá nos dias de greve.

- Corram, corram antecipadamente aos postos de abastecimento. Levem convosco depósitos de 10, 20, 50, 100, 200 litros ou mais e encham-nos de gasóleo ou gasolina. Armazenem-nos com cuidado em vossa casa, no vosso apartamento ou na vossa moradia. Há sempre um espaço disponível onde podem ficar. Até têm a vantagem de poderem colocar o cinzeiro ou a caixa de fósforos em cima do dito. E esperem descansados até ao dia da greve. Com um bocado de sorte, ainda restará um bocado de produto para beber…

Prevê-se trânsito caótico pelas ruas de Ourém tão estreitinhas ficaram depois da requalificação. E os bidons todos a chocalhar em cima das 15 lombas. Que espetáculo!

Dehra Dun



E enquanto contemplas as sights
outros têm chatices com os rights

Descobri esta música por acaso. Não sei se alguma vez foi publicada em álbum.
Claro que não é uma das mais sonantes, mas, numa tarde calma, de contemplação, com barquinhos a circular para um e outro lado, é quase perfeita.
Experimentem, transponham este bem estar para a contemplação do Castelo…
E imaginem a mais bela amazona que desce apressada a colina...

Dehra Dehra Dun, Dehra Dehra Dun
Dehra Dehra Dun, Dehra Dehra Dun

Dehra Dehra Dun, Dehra Dehra Dun
Dehra Dehra Dun

Many roads can take you there, many different ways
One direction takes you years, another takes you days

Dehra Dehra Dun...

Many people on the roads looking at the sights
Many others with their troubles looking for their rights

Dehra Dehra Dun...

See them move along the road in search of life divine
...beggers in a goldmine

Dehra Dehra Dun...
many roads can take you there, many different ways
one direction takes you years, another takes you days

Dehra Dehra Dun...

terça-feira, julho 23, 2019

O homem da grelha


Esta terra deve também um pouco da sua fama aos homens da grelha que nos presenteiam com peixe delicioso. 
Neste painel, há uma espécie de homenagem a um histórico da terra, um homem de nome Afonso entretanto desaparecido. 
Um pouco acima do local onde exercia a sua atividade, existe agora outro gigante das assaduras: o terrível Acácio, sem dúvida seu discípulo, que diz vender «a melhor sardinha da Europa».

segunda-feira, julho 22, 2019

Indiferença

Deve estar a perguntar-se: «O que andam aqui estes chatos todos a fazer e a atazanar-me a tarde? Ainda se, ao menos, me dessem umas sandes».
Ali o descobrimos numa recente visita ao Santuário. Esperemos que se pense que o espaço chega para todos.
Já estou a ouvir: «Andas por maus caminhos, Luís».
Não, amigos, eu ando por toda a parte, nada me faz mal...

domingo, julho 21, 2019

Será que vou onde o vento me leva?

Saí pela manhã e caminhei ao longo da ria. A suave aragem tomava conta de mim. Os pequenos barcos continuavam ancorados e a sua imagem refletia-se no leito. Mais uma vez, recordei os versos que ontem tinha lido. Será que têm algo a ver comigo? Não, parece que são o meu contrário...



Alberto Caeiro
Hoje de manhã saí muito cedo, 


Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer…

Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.



13-6-1930

sábado, julho 20, 2019

Está a pedi-las...



Reparem-me neste…
Refastelado no meio da rua, não sei como chegou tão longe.
É ultra simpático, mas um preguiçoso de primeira.
Hoje cheira-lhe a peixe.
É que, aqui ao pé, há a melhor grelha da aldeola

sexta-feira, julho 19, 2019

Anagrama do pirata


Armado...?
com o meu terrível, longo e duro punhal
amei uma formosa rapariga
junto às cabanas da ria

quinta-feira, julho 18, 2019

Aspetos da especulação imobiliária em Tavira


A especulação imobiliária invadiu todo o país. Ela é acelerada pelo crescimento do turismo, pelas perspetivas de venda e aluguer. Ao mesmo tempo todo um aceleramento da construção traduzida na recuperação de prédios antigos vai criando riqueza nova e dando novo aspeto ao património imobiliário. 

Apesar de tudo, sob o aparente enriquecimento suscitado por este fenómeno, os portugueses estão cada vez mais longe de poder arrendar ou comprar uma casa para melhorar as suas condições de habitação.
Esta especulação não é de estranhar, ela é uma consequência da sociedade em que vivemos onde muitas vezes o investimento, traduzido em criação de riqueza com retorno se confunde com aplicação de dinheiro com retorno (em que não se vê nenhuma riqueza nova criada).
Um caso curioso surgiu nas minhas deambulações na zona de Tavira. O prédio cuja imagem reproduzimos situa-se na marginal de Cabanas e, como podem ver, está a venda através da Remax. Consultando o site desta empresa, anotei que o preço de venda é de 730.000 euros (mais ou menos). Claro que a casa tem vista para a ria e para o mar, mas o seu preço parece-me de todo obtuso, muito superior ao seu real valor, tanto mais que, como retorno dessa proximidade, quem o adquira terá de suportar o nauseabundo cheiro proveniente do lodaçal e os incomodativos insetos que a ria atrai. Imaginem…
… Imaginem que, em Ourém, me ponho a pedir um valor destes pela minha casa. Tenho vista para o Castelo e para a famosa Ribeira de Seiça e não tenho de suportar aqueles odores. Portanto, estou numa posição de vantagem em relação ao prédio de Cabanas, só não vejo o mar, mas isso até me protege de um maremoto. Acham que alguém me dava 730.000 euros? Eu não queria vender, mas vendia logo…
Mas, voltando ao prédio de Cabanas, um aspeto que achei graça neste anúncio é a postura visual adotada pelos vendedores que mais parecem saídos da apresentação de um programa da manhã da RTP. Que é aquilo? Como é que alguém pode adotar uma imagem daquelas e pedir 730.000 euros? Está tudo louco? Será aquilo profissional? Só falta fazerem o pino à frente do cliente para atrair a atenção de papalvos…
Enfim, dá a impressão que a procura vai diminuindo e o desespero apodera-se dos agentes que tentam a todo o preço despachar estes negócios, adotando posturas que nem ao Diabo lembram.

quarta-feira, julho 17, 2019

Isto vai...

Pois…
… parece que o nosso blog ganhou nova vida. De um momento para o outro fizemos mais posts que nos últimos 3 ou quatro anos. Isto mostra que, com umas fotos, uns poemas, uns livros se consegue ir alimentando um espaço blogueiro. Tuso isto sem se falar de Ourém.
E já agora, por que não recordar uma musiquinha?
Exatamente: é deste modo que isto vai… diz o nosso amigo Harrison.


A canção faz parte do álbum Gone Troppo editado em 1982 quando o nosso amigo estava mais virado para filmagens e a letra é a seguinte:

There's a man talking on the radio
What he's saying I don't really know
Seems he's lost some stocks and shares
Stops and stares
He's afraid I know
That's the way it goes

There's a man talking of the promised land
He'll aquire it with some Krugerrand
Subdivide and deal it out
Feel his clout
He can stoop so low
And that's the way it goes

There's an actor who hopes to fit the bill
Sees a shining city on a hill
Step up close and see he's blind
Wined and dined
All he has is pose
And that's the way it goes

There's a fire that burns away the lies
Manifesting in the spiritual eye
Though you won't understand the way I feel
You conceal, all there is to know
That's the way it goes

Lutar contra o grande capital

Um político que muito prezo apareceu a apresentar o programa eleitoral para as legislativas e a propor que se taxassem depósitos superiores a 100000 mil euros, integrando tal ação na luta contra o Grande Capital.
Perdoem a falta de respeito, mas a ausência de rigor até faz o Marx levantar-se da tumba. Grande capital um depósito de 100000 euros? Um depósito que nem juros recebe? Estará o homem senil? Não terá conselheiros naquele partido? Porventura alguma vez pensou nos impostos e taxas que já foram pagos por quem, trabalhador ou aposentado, conseguiu juntar aquele montante?
Já sei o que vou fazer se alguma vez dispuser de tal montante: uns dias antes da liquidação, levanto 500 euros, o equivalente aos 0,5% propostos, e vou gastá-los mal gastos. Assim, já acabei com o grande capital… pelo menos, com o meu!

terça-feira, julho 16, 2019

E depois da leitura...

… a bebida.


Francamente, não percebo como é que esta gente consegue beber tanto. São horas e horas agarrados aos copos e sentados. 
Ontem, um velho, mais velho que eu e parecido com o da foto, às dez da noite ainda estava num lauto banquete na varanda da casa. No dia seguinte, a janela não se abriu às oito, às nove às dez.. 
Anteontem, outro velho sem juízo veio ao apartamento ao lado por volta das onze da noite e quando saiu levava duas garrafas de tintol e foi para um esconderijo afastado.
Não se vê esta gente fazer uma caminhada ou apanhar um bocadinho de Sol. É só afogar as mágoas em álcool. Um triste refúgio.
E ao contrário da figura da imagem, nem sequer uma lanterna têm.

segunda-feira, julho 15, 2019

Disse adeus ao companheiro de viagem

Da «Leitura de Férias», eis mais um texto que diz muito. A fonte foi «Tenho medo de partir». Claro que sabem de quem me estou a lembrar...


Álvaro de Campos

Saí do comboio,


Saí do comboio,
Disse adeus ao companheiro de viagem
Tínhamos estado dezoito horas juntos..
A conversa agradável
A fraternidade da viagem.
Tive pena de sair do comboio, de o deixar.
Amigo casual cujo nome nunca soube.
Meus olhos, senti-os, marejaram-se de lágrimas...
Toda despedida é uma morte...
Sim toda despedida é uma morte.
Nós no comboio a que chamamos a vida
Somos todos casuais uns para os outros,
E temos todos pena quando por fim desembarcamos.
Tudo que é humano me comove porque sou homem.
Tudo me comove porque tenho,
Não uma semelhança com ideias ou doutrinas,
Mas a vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.
A criada que saiu com pena
A chorar de saudade
Da casa onde a não tratavam muito bem...
Tudo isso é no meu coração a morte e a tristeza do mundo.
Tudo isso vive, porque morre, dentro do meu coração.
E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.

4-7-1934

domingo, julho 14, 2019

Ainda há piratas à solta


Pirateei uma miúda 
no meio dos canaviais 
ela não pediu ajuda 
beijei-a e muito mais



sábado, julho 13, 2019

Associação MIAU

Vamos amenizar que o ambiente está pesado…
(aviso: os mais susceptíveis não devem prosseguir, pois há linguagem imprópria…)
Nesta aldeola maravilhosa de pé descalço e lodaçal, alguns dão atenção à bicharada de quatro patas. E, num momento em que os humanos parece que andam à trela puxados por uma praga de caninos que se divertem a deixar excrementos pelas ruas, um bocadinho de atenção aos felinos é saudável.
Aqui deixo um poster espelho de uma terra onde, saltitando distraída à porta de um supermercado cujos funcionários a alimentavam a fiambre, descobri a terrível Pipoca que tantas alegrias me deu. 
E, neste caso, há três exemplares que me prenderam a atenção: o Papacavalas, mais ou menos uma versão gatina do «trepanacueca», o Zorbas com um verdadeiro ar helénico e o Faísca sempre pronto para esperar a dona debaixo da cama e espetar-lhe monumental unhada.

sexta-feira, julho 12, 2019

O meu irmão


Também tive um irmão.

Era uma pessoa afável, honesta, trabalhadora, equilibrada, imaginária e sempre disponível.

Também gostava de comidinha e ficaram famosas as patuscadas que organizava para deliciar a família e amigos de tal modo que era conhecido pelo «Abelito das comemorações». Diz-se que, lá no Paraíso, quando souberam da sua chegada, os cordeiros, cabritos, leitões, coelhos, frangos, etc., etc. fizeram reunião de emergência e proclamaram estado de sítio, tentando em vão impedir-lhe a entrada.

Foram dele os primeiros livros que ajudei a destruir-lhe na saudosa casa da rua de Castela, livros que ele guardava secretamente na mesinha de cabeceira, com cadeado, e que eu, já promissor rato de biblioteca, procurava e devorava.

Foram dele também as palavras de orientação que me marcaram definitivamente e o esforço para prosseguir estudos para além do normal naqueles tempos longínquos onde a subsistência era o supremo objectivo das famílias de poucas posses.

Foi o meu ídolo quando, no Atlético cá da terra, desafiava os avançados de equipas fortíssimas a passar por ele.

Foi também sempre uma luz aberta ao regresso em qualquer momento que as coisas dessem para o torto, um verdadeiro porto de abrigo.

Separados há mais de cinquenta anos, a sua maravilhosa recordação ficou e é como se permanecesse vivo, apesar de já não estar naquela casa onde tanta vez o procurava.


quinta-feira, julho 11, 2019

Hoje, rapinei um texto ao Público

Não resisti…
Por razões óbvias fiquei comovido ao ler este texto de MEC.
Resolvi faná-lo ao jornal Público e integrá-lo no meu espaço, espero que não me levem a mal.

O meu irmão








Miguel Esteves Cardoso

Ainda ontem



O meu irmão chama-se Paulo e é a pessoa masculina que mais amo nesta vida.

Hoje almocei com ele na Praia das Maçãs e fartou-me de fazer rir. O meu irmão é o meu cúmplice mais antigo, o meu amigo mais velho, se eu medisse os meus amigos por velhice. O meu irmão é o riso que nasce de ser ele, o riso que nasce de sermos nós, o riso que nasceu só da sorte de nos encontrarmos. Só tenho um Irmão - deveria dar-lhe mais valor. Isto sou eu a dar-lhe mais valor; só tenho um irmão, estou a dar-lhe mais valor.

Num dia aceso, feito dos nossos desejos, as pessoas que estão próximas de nós deveriam ser devidamente agradecidas. Não são. Somos nós que pagamos a irresolução.

Eu adoro o meu irmão. A única coisa que me limita é que quase nunca estou com ele: desgraça-me uma deficiência de comparência.

Na vida, afinal, é sempre melhor exigir. Ser desiludido é o nosso estado natural. O meu irmão Paulo faz-me rir.

O meu irmão Paulo faz-me pensar. O meu irmão Paulo enche-me de palavras e de amor.

O dia é sexta-feira e o mês é julho. Estou na Praia das Maçãs com o meu irmão Paulo e como Chico, o nosso melhor amigo desde 1970. Estou feliz e cheio de riso. É tudo graças ao meu irmão e ao Chico.

É uma grande tristeza da vida não conseguirmos dar valor ao que já temos, sem mérito algum da nossa parte. Metade da alegria da vida é reconhecer que se teve sorte.

É a sorte de ter tido este irmão e não outro, é a sorte de ter escolhido bem os amigos que se têm. A alegria é sempre mais simples do que pensamos: é estar com as pessoas que. amamos, a fazer as coisas que mais nos apetecem.

terça-feira, julho 09, 2019

Poema da ossada desencantada

Quero passar para o outro lado
Tenho medo de avançar
Barqueiros com pouco juízo
Não sei como atravessar

A formosa criatura que me chama em toda a parte
Fez-me promessas, acreditei
Afastei tentações de fugir e,
de tanto esperar, assim fiquei

Ontem, pela tarde, o telefone tocou.
Era ela. Decerto me queria na outra margem.
Não atendi, não devolvi a chamada.
Afinal, esperar até sabe bem.

domingo, julho 07, 2019

Leituras para férias


Resolvi munir-me de alguns livros para preencher aqueles tempos que ficam depois de abandonar a praia e ao lautos almoços de peixinho fresco. Uma curta passagem pela Note, já que a Feira do Livro me está cada vez mais distante, permitiu arranjar algumas boas companhias para as tardes repousantes.

Tenho medo de partir de Fernando Pessoa
Um texto menos falado, mas com passagens muito interessantes. Também eu tenho medo de partir, mas um dia terá que ser e só espero encontrar-me em boa companhia, porque os melhores já lá estão…

Uma antologia de Literatura Tradicional Portuguesa de José Viale Moutinho
Um conjunto de textos algo bizarros, mas por vezes divertidos e que me transportam aos tempos fantásticos da infância.

O tesouro do Cisne Negro de Paco Roca e Guillermo Corral
Uma novela gráfica recentemente editada pelo jornal Público que nos mostra o conflito entre o estado espanhol e um reconhecido caçador de tesouros em torno da carga riquíssima de um navio naufragado depois de bombardeado pela marinha britânica.

terça-feira, julho 02, 2019

Tavira: economia informal e invasão de falsos guias

Passeava-me pelos Algarves, mais propriamente pela quase clássica Tavira. De fronte ao coreto, dois velhotes admiravam as belezas da terra. Presenciei então algo de interessante: uma jovem aproximou-se deles e perguntou se queriam fazer uma fotografia.
- Não, não! Estamos apenas a admirar…
- A nossa terra tem muito orgulho em preservar o património que nos legaram.
- Pois, é muito bonito, fazem muito bem…
- Sabem, eu sou organizadora de passeios que exploram as belezas da cidade. Já conhecem as nossas 37 igrejas?
- Sim, conhecemos quase todas…
- Decerto não é bem assim, com a minha ajuda, podem admirar toda a influência árabe que ainda cá existe. Não estragámos nada…
- Pois, nós portugueses não somos sectários…
- E temos a casa do Fernando Pessoa, as casas com telhados Quatro Águas. Se quiserem, posso levá-los lá…
- Hoje, não, menina, temos pouco tempo…
- Mas ficam com o meu telefone. Chamo-me (pronunciou o nome) e trabalho para o turismo da terra… Quando quiserem, podem ligar-me e até vos posso dar brochuras sobre os nossos passeios.
Os velhotes tomaram nota do télélé, e em vão esperaram pelas brochuras.
- Por agora, não tenho aqui nenhuma, mas, se forem ali ao turismo, eles dão-vos imediatamente tudo o que relaciona com a pegada árabe.
Por curiosidade, tomei nota do número de telefone que a jovem indicou aos velhotes…
- Sabe, menina, temos que ir embora…
- Tenho pena, os senhores são muito simpáticos…
- A menina também. Adeus, até à próxima…
- Esperem, então não me pagam o meu serviço?
- O quê?
- Sim, o meu serviço, estive aqui a dar-vos pistas sobre Tavira, os árabes, Fernando Pessoa, a gastar o meu tempo… isto tem de ser pago.
- Coisa estranha, não esperava nada disso. E quanto leva?
- Entre sete e dez euros por contacto, é o que puderem dar.
- Ah! A menina é uma espécie de free lancer
- Isso mesmo, este é o meu trabalho, tenho de ser remunerada por ele.
Afastei-me, estranhando toda aquela conversa e a pensar naquilo. Uma jovem, a utilizar o património da terra para ganhar dinheiro a turistas incautos, não os avisando à priori do custo dos seus serviços, não passando recibo e sob a aparente conivência do poder.
Resolvi procurar um pouco mais… E se eu googlasse o número de telemóvel? Aonde me levava aquilo?
A pesquisa resultou. Daí a pouco, estava perante as famosas brochuras acerca do património de Tavira. Pouco depois, surgiu um nome que coincidia com o dado por ela. Vá, vamos um pouco mais longe, precisamos de um apelido, de formação, de outras atividades, de uma foto…
Bolas, isto é um caso sério. A pequena tem uma pós-graduação. Participa em conferências sobre o Papa Francisco, em colóquios sobre a presença árabe, é um caso sério de conhecimentos sobre religião, sobre o património da cidade. Até há fotografias na Net que coincidem exatamente com ela.
E anda a pedir em Tavira...

segunda-feira, junho 17, 2019

Até quando, sr. Albuquerque?


Chegaram equipados, comandados por alguém que poderia ser um engenheiro do ambiente. O homem percebia do assunto, sabia dar ordens. Rodearam-se de toda a proteção para um carro não lhes cair em cima. Comecei a ouvir movimentos, ruídos, uma serra… 
Com certeza tinham a sua razão: as copas dos cedros já batiam nos fios, havia que baixá-las. Pouco depois a obra estava consumada. Arrancaram e foram repetir a operação um pouco mais à frente.
Infelizmente, deixaram tudo no local. Passadas mais de três semanas, todo este material continua ali, bastante seco, por vezes a invadir a estrada e pronto para uma qualquer ignição. 

quinta-feira, maio 16, 2019

Batida às ervas daninhas

Mal acordei, fui cortar ervas que davam um aspeto desolador aos meus domínios. Ontem já lhes tinha dado um bom desbaste. Cortei, cortei... Enchi para ai uns dez sacos que enviei logo para a Camara de Ourem. Lá dentro, alguém me preparava um arrozinho de peixe com camarões.
Terminada a missão, preparei-me para o banho. E a impiedosa realidade caiu-me em cima. Não havia água. Aliás, ainda não há no momento em que escrevo. Tenho de ir à cidade comprar uns garrafões para me lavar. E o mais chato é que vem fria. Malvada Camara de Ourem, malvada Be Water que tanto nos fazem sofrer!
Ainda a propósito disto, relato que entre o meio-dia e a uma telefonei várias vezes para aquela empresa e ninguém teve a delicadeza de atender. Um serviço público, cheio de custos escondidos, em situação de monopólio e que não atende o cliente. Verdadeira erva daninha!
À tarde, lá atenderam o telefone. Um funcionário simpático que até me disse que era preciso ter sorte para ter o serviço de águas em pleno funcionamento quando vimos a Ourém. Enfim, prometeu-me água lá para as dezassete, mas o melhor é preparar as malas para desandar daqui para fora...

segunda-feira, abril 08, 2019

Devo estar a ficar velho

Compras na mão, dirigi-me à estação de comboios com o objetivo de adquirir bilhetes para o dia seguinte. A luta com a máquina durou tempo a mais. Queria meio bilhete, de uma só zona, para viagem a iniciar-se em estação diferente daquela onde estava. Voltas e voltas, sempre a reiniciar o procedimento.
De súbito, vejo ao pé de mim, uma miúda que parecia saída do último acampamento do Baden-Powell.
- O senhor precisa de ajuda?
- Eu? Claro que não menina… muito obrigado.
E voltei a dar atenção máquina. Mas a verdade é que o bilhete não saía. Resolvi abandonar e peguei nos sacos de compras.
A vozinha voltou a ouvir-se:
- Quer que o ajude a levar as compras?
- Não, muito obrigado…
A miúda não desarmou:
- Então, desejo-lhe um dia muito feliz…
Mas será que estou neste mundo?

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

A avenida das 15 lombas

Depois de quase dois anos à espera, o resultado das obras de requalificação na Avenida D. Nuno Álvares Pereira provocou-me profunda deceção quer do ponto de vista estético quer funcional. 
Já não chegava o caráter sombrio e húmido do espaço com edifícios enormes por onde o Sol não consegue furar. Agora, os passeios são uma tristeza com os desenhos em calçada cortados por blocos de cimento em toda a extensão. 
A circulação também é algo de desagradável com constantes lombas a convidar os peões a atravessar e com semáforos que, por vezes, demoram tempos infinitos a mudar.
Os oureenses tudo acatam com calma, mas deviam mobilizar-se para pedir contas aos responsáveis pelos milhares de euros que ali foram despejados sem um proveito visível. Mas a certeza é que alguém ganhou com isto e não foi o munícipe.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Ensopado de borrego à Girassol

É difícil deslocar-.me por Ourém e não dar uma espreitadela a esse fabuloso espaço de nome «Girassol», um pequeno restaurante que já vem dos tempos do saudoso Filipe carteiro, que fica ali bem encostado à Marina e a Praça Mouzinho da Silveira(?). Mais uma vez, este Domingo isso aconteceu e fui surpreendido por um excelente ensopado de borrego.

E apesar do dinheiro não ser muito, contrariando as observações da cozinheira, a verdade é que o preço é tão baixo que não se sente qualquer vantagem em ficar por casa.
Damos assim toda a razão ao segundo elemento decorativo que retirámos daquele espaço enquanto observávamos o vaivém da clientela que tinha feito as suas encomendas e que tem o privilégio de o desfrutar toda a semana.

quarta-feira, outubro 03, 2018

Afinal, burros já não há, mas vem a taxa hoteleira

Aos poucos, os simpáticos bichos foram desaparecendo da estrada de Penigardos. Um dia, um cartaz, anunciou o destino: «Vendem-se burros». E hoje nem sombra deles havia.
Mas uma notícia da Paulinha no ABC mostrou-me que a sua influência não estava diminuída no concelho: A equipa de Albuquerque anunciou a intenção de lançar uma taxa de 1 euro/dia na indústria hoteleira em Fátima. Um dos fundamentos tem a ver com os vultosos investimentos que têm sido feitos para melhorar o abastecimento de água e as infraestruturas de que beneficiam os turistas. Como se os custos associados não estivessem já revertidos nos preços de bens e serviços fornecidos.
E aqui sente-se uma mãozinha pouco amiga. A hotelaria está a entrar em retração. Os preços que alguns praticam num quarto quase nem pagam os custos associados. Assim, adivinha-se o destino de muitas unidades pouco rentáveis.
Mas para o presidente nada disto é relevante. A taxa Albuquerque é para implementar, ela virá para ficar e a casa amarela poderá encher os seus cofres. Do alto do seu trono, Albuquerque II dirá: «se essas unidades de hotelaria nem uma taxa de 1 euro suportam, então não têm razão para existir. HUM-HAM».
Viva a clarividência do Presidente!

segunda-feira, setembro 03, 2018

Ourém: mentes brilhantes, novos caminhos


A perturbação da circulação provocada pelas infindáveis obras na Avenida D. Nuno Álvares Pereira levou-nos a optar por outros caminhos para entrar e sair da cidade.
Agora, é a engraçada recta de Penigardos que nos serve de rota. E, apesar de curva e contracurva, travagem e arranque a que somos obrigados nas imediações no lugar donde nunca mais se volta, o panorama da viagem é admirável.
Pela manhã, os simpáticos asnos olham como se esperassem comida. À tarde, parecendo já satisfeitos, espojam-se, deliciando-se com uma soneca ao Sol. Admira-nos que não aproveitem a sombra das árvores, mas o que vai nas suas mentes não conseguimos descortinar tal como não descortinamos o que andou na mente de quem idealizou e planeou as obras em Ourém...

quarta-feira, julho 11, 2018

Ourém pejada de clclistas malucos

Hoje ia sendo atropelado por um ciclista maluco frente à velha loja do fotógrafo na Avenida principal de Ourém. De quem seria a culpa? Do ser distraído em que me tornei? Do miúdo a quem disseram «tens aí uma pista para utilizares à vontade»? ou da alimária do estratega que resolveu pôr umas lajes diferentes num espaço que devia ser reservado aos peões?
Não contente com a chaga que estas obras representam para quem necessita de se deslocar por Ourém, o poder deu agora em ceder a inovações que são de bom tom existir mas obviamente não têm espaço em local tão apertado.
 

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