quarta-feira, dezembro 15, 2004
No mesmo documento, consta que o PS votou contra o orçamento da Câmara e apresentou um conjunto de alternativas de acção.
Examinando as suas motivações e as suas alternativas, nada descortinamos que não possa ser acolhido pelas forças que dominam. É apenas uma coisa diferente do mesmo...
Será que estou enganado?
Será que o PS tem algo para Ourém e não o fez constar naquela declaração de voto?
Será que o PS está mesmo interessado em ser poder em Ourém ou as coisas como estão servem-lhe perfeitamente?
A acta da reunião da Câmara de 22 de Novembro apresenta, entre outras, algumas medidas interessantes para apoiar o combate aos incêndios e que, conscientes da maldade protagonizada pelo Zé Rito e relatada no post anterior, desejamos que tenham o melhor sucesso:
- Proceder aos trabalhos de limpeza de uma faixa exterior de protecção, de largura mínima não inferior a 100 metros, nos aglomerados populacionais inseridos ou confinantes com áreas florestais;
- Limpeza de uma faixa envolvente não inferior a 100 metros, nos casos de ausência da entidade gestora de parques e polígonos industriais e nos aterros sanitários inseridos ou confinantes com áreas florestais;
- Limpeza, nos espaços rurais, de uma faixa de largura mínima de 50 metros à volta de habitações, estaleiros, armazéns, oficinas ou outras edificações;
- Manter com baixa carga combustível a faixa lateral de terreno confinante com a rede viária, sob sua jurisdição, numa largura não inferior a 10 metros.
- Elaboração do Plano de Defesa da Floresta (até Dezembro de 2005)
terça-feira, dezembro 14, 2004
Eles acusaram o Natureza
Estávamos a fumar, às escondidas, por trás do ginásio.
Ao atirar as beatas fora para junto de um silvado que ali havia aconteceu o inevitável: começou a arder.
Fugimos para a encosta dos moinhos. Sorrateiramente démos a volta e chegámos ao local do crime vindo do lado oposto. Toda a gente com baldes conseguiu apagá-lo.
Alguém nos viu e denunciou-nos. Démos uma desculpa e atribuimos a autoria ao "Natureza" rapaz que vivia na Rua da Castela.
Durante muito tempo estive sempre à espera de ser chamado ao gabinete e prestar contas, que seriam pesadas, ao Dr. Armando.
No fundo, aceitámos a austeridade na esperança de a situação melhorar. A Manuela dizia que andava a fazer a consolidação, Bagão lamentou que o não deixassem fazê-la.
Mas o défice orçamental português, excluindo as receitas extraordinárias, chegará aos cinco por cento em 2004 e 2005. O aviso vem de Vitor Constâncio.
Não podemos deixar de recordar as críticas que o PS lançou no início à política dos seus rivais. E a questão é óbvia: será que nos está a fazer a cama, para trazer algo de semelhante? Será que vêm aí mais mentirosos compulsivos (1 e 2)? Já estou a ver o que isto vai dar. Bolas! É preciso ter muita paciência...
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Começa a ouvir-se falar em choque tecnológico e sectores prioritários (automóvel, têxteis, calçado, biotecnologia, turismo e moldes).
Eis as principais propostas que deverão ser levadas à discussão na Convenção "novas fronteiras"
1- Criação de um Comité de Política Fiscal, de institutos independentes de controlo, de regras de intervenção pró-ciclica e de uma carta/compromiso de transparência orçamental;
2- Redução de impostos e concessão de ajudas directas aos sectores exportadores, sobretudo PME dos "clusters" automóvel, têxtil, calçado, biotecnologia, turismo e moldes;
3 - promoção de parcerias entre o Estado e as empresas;
4 - Obrigatoriedade do ensino do inglês e da informática desde a primária e criação de cursos especializados e orientados para os sectores dinâmicos;
5 - Apoios à compra de computadores e equipamento informático novo a empresas e particulares;
6 - Majoração de 150 por cento aos encargos em I&D e investimentos na recuperação do ambiente e da paisagem e aos encargos em formação de recursos humanos;
7 - Reposição dos beneficios fiscais para os produtos de longo prazo;
8 - Recuperação das Scuts;
9 - Reestruturação do sector do gás/electricidade;
10 - Não à privatização das Águas de Portugal.
E eis algumas questões:
1 - e as pescas?
2 - e a soberania sobre as águas territoriais?
3 - e os desempregados?
4 - e a ciência?
5 - e os professores? Continuarão a ser carne para canhão em momento de revolta contra a direita?
O Alqueva pode pôr em causa a criação de gado na região.
Voto útil – 2
O voto é útil numa perspectiva de classe ou de aliança de classes.
O voto no PPD/PSD ou no CDS é claramente útil à direita... que durante dois anos deu uma interessante lição de unidade e depois, na sequência da fuga de DB, começou a disparatar.
O voto no PS é sempre uma incógnita porque este partido é capaz do pior (devolução das conquistas de Abril, liberalização dos despedimentos) e do melhor (luta pelas liberdades).
O voto na CDU e no BE é útil à esquerda, ele fará mudar a política, ele poderá levar à unidade que permita uma política correcta para este país e que favoreça os que trabalham em detrimento dos que vivem da especulação, da fraude fiscal e do tráfico ilícito.
sábado, dezembro 11, 2004
Por Zé Rito
Antes de entrar na época dos "Estúdios Trine" não queria deixar passar em claro a época do Fernão Lopes.
Durante a chamada instrução primária fomos "instruidos", e muito bem, diga-se, pela D. Aninhas durante quatro curtos anos.
Tínhamos como sala de aula o primeiro andar do edifício do Colégio com acesso exterior pelo recreio, em frente ao ginásio, através de dois lanços de escada.
Era nessa sala de aulas que aprendi muito do que ainda hoje sei, como se diz "de cor e salteado". Rios e afluentes, Serras ou linhas de caminho de ferro.
Era no recreio que jogávamos, sobretudo, à bola e em que eu, habituei-me a ir para a baliza talvez porque, para mim, dominar o esférico não era grande atributo.
Passei de seguida para o domínio do Dr. Armando. E o que deveria ser cinco risonhos anos tornaram-se, para mim, sete anos muito compridos.
Em termos de aproveitamento escolar fui um aluno q.b.. O pior era a voz autoritária, a mão pesada e a presença intimidatória do Dr. Armamdo.
Foi um excelente professor. Com ele, como professor de história, parecia que vivíamos os acontecimentos. Estou a ver o Gungunhana não querendo ajoelhar-se argumentando que o chão estava sujo ...
Passei por outros excelentes professores como a D. Nazaré, professora de matemática, alta, magra, sempre de bata branca, que lhe valeu o nome de "pau de giz". Em dada altura ela saiu por, alegadamente, problemas de vencimento. Sei que, manifestámos a nossa vontade em que ela voltasse. E apesar da rigidez do sistema os alunos acabaram por vencer. No ano seguinte voltava a ser a nossa professora. Penso que quem, na altura, a substituiu foi o Dr. Preto.
Passei também por um professor que só sei o none porque ficou conhecido. Veio de Àfrica e ensinava português. Vivia na Avenida, junto do Melo. Era o "Zebú". Para começar uma frase tinha que usar a expressão "Da..da..."
Em relação a ele lembro-me de quando chamou o Amílcar ao quadro e lhe disse "Da...da..., Amílcar escreve aí" . E o Amílcar escreveu "Da...da... Amílcar escreve aí!.
Também há que contar que era um excelente ... fotógrafo. Só que não vimos qualquer fotografia. Tirava, com a sua máquina fotografias a toda a gente. Em grupo ou separado. E quando pedíamos para ver essas fotografias,respondia invariavelmente. "Da... da perdi as chaves da gaveta onde as meti."
Quero lembrar, sem menosprezo para os outros alunos, o Barroso. Talvez porque quando chegava ia logo à sua procura. Talvez porque era o meu colega de carteira. Lembra-me que adivinhava sempre a altura exacta em que o Sr. Nunes tocava a campainha para sairmos. Talvez porque nunca mais o vi. Já lá vão quarenta anos.
Quero recordar ainda a Sâozinha Nunes. Por um facto que entristeceu a sua família. Decorria uma aula, na sala do lado do recreio, quando a sirene tocou. Passado algum tempo o Sr. Nunes bateu à porta solicitando a saida da Sãozinha. Viemos a saber que a avó tinha morrido carbonizada. Vivia numa casa entre os armazéns dos Pereira e a casa do Dr. Amândio.
Em acontecimentos elejo uma situação que se passou comigo e o meu irmão. Estávamos a fumar, às escondidas, por trás do ginásio. Ao atirar as beatas fora para junto de um silvado que ali havia originou o inevitável. Começou a arder. Fugimos para a encosta dos moinhos. Sorrateiramente démos a volta e chegámos ao local do crime vindo do lado oposto. Toda a gente com baldes conseguiu apagá-lo. Alguém nos viu e denunciou-nos. Démos uma desculpa e atribuimos a autoria ao "Natureza" rapaz que vivia na Rua da Castela. Durante muito tempo estive sempre à espera de ser chamado ao gabinete e prestar contas, que seriam pesadas, ao Dr. Armando.
Rio Torto, Gouveia 2004-12-11
José Manuel Rito
sexta-feira, dezembro 10, 2004
O PE em (mais ou menos) 2000 caracteres por semana (mais ou menos) - Dez I
Por Sérgio Ribeiro
Se desde que estou no Parlamento, neste regresso, me “tenho dedicado à pesca”, a semana que termina veio justificá-lo. Pelo trabalho que me deu.
Na verdade, a Comissão – aquele órgão institucional que é presidido por um português que foi 1º ministro de Portugal – anunciou, depois de ter pré-anunciado, a TAC e as quotas de 2005 para Portugal.
Um desastre. Passagem de 28 dias de trabalho por mês para 20 dias e reduções de quotas de pescado autorizado em muitas espécies – lagostim, linguado, sarda, carapau – e em condições que até impedem a pesca nalgumas zonas com consequências muito graves para quem, neste País, ainda vive da pesca.
Não que os meios laboral e empresarial ligados à pesca contrariem a necessidade de salvaguardar os recursos dada a sua exiguidade e risco de desaparecimento mas o facto é que as actividades atingidas são precisamente as menos predadoras, e as que mais impacto social e regional têm, enquanto as de dimensão industrial aproveitam todas as abertas… nos nossos mares e é um “ver se te avias”.
O que esses meios laborais e empresariais não aceitam é a dureza das medidas proposta, a que chama drásticas. E é contra estas medidas que me bato na convicção de que defendo interesses nacionais, de trabalhadores e populações que vivem da pesca e de actividades que têm, ao longo dos tempos, conseguido o equilíbrio entre o aproveitamento dos recursos e a sua salvaguarda e do ambiente marinho.
O que é espantoso é que Portugal, tendo a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia, por efeito das “mares” açoreano e madeirense e da longa linha de costa continental, tem visto perder essa vantagem comparativa e riqueza potencial.
Porquê?
Por ausência de capacidade e de força negociais, sendo o percurso da “construção europeia” um processo de negociação permanente. Estou na expectativa de ver como é que o Governo, no Conselho de Ministros da UE, se vai comportar face a estas propostas da Comissão. Partindo elas de tão drásticas medidas ainda se virá, decerto, vangloriar, como é costume, de que ganhou por perder menos do que seria desastroso e foi proposto pela Comissão Barroso.
Pelo meu lado, no Parlamento, faço o que me é possível com a força que tenho.
Parafraseando A grande Fauna, às vezes, é preciso voltar atrás... e, como os meus amigos calcularão, isso não me custa nada, aliás ao menor pretexto, aí vou.
Vem isto a propósito de uma recordação musical datada dos finais de setenta. Os seus executantes chamavam-se Spriguns, ela Mandy Morton. E a minha estupefacção é de tal ordem que, nesta maravilhosa sociedade de consumo, não consigo encontrar a sua obra, designadamente, o magnífico Time Will Pass.
Mas a paixão tem coisas maravilhosas. Um admirador da Mandy e dos ditos legou-nos esta magnífica página a eles dedicada na qual encontramos, inclusivamente, excertos das canções.
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Em Cerro Maior nasci
Depois, quando as forças deram
para andar, desci ao largo.
Depois, tomei os caminhos
que havia e mais outros que
depois desses eu sabia.
E tanto já me afastei
dos caminhos que fizeram,
que de vós todos perdido
vou descobrindo esses outros
caminhos que só eu sei.
II
Veio a guarda com a lei no cano das carabinas.
Cercaram-me num montado;
puseram joelho em terra;
gritaram que me rendesse
à lei dos caminhos feitos.
Mas eu olhei-os de longe,
tão distante e tão de longe,
o rosto apenas virado,
que só vi em meu redor
dez pobres ajoelhados
perante mim, seu senhor .
III
Gente chegou às janelas,
saíram homens à rua:
- as mães chamaram os filhos,
bateram portas fechada!
E eu, o desconhecido,
o vagabundo rasgado,
entrei o largo da vila
entre dez guardas armados;
- mais temido e mais amado
Que o deus a que todo rezam.
IV
...E vendo que eu lhes fugia
assim de altiva maneira
à sua lei decorada,
lá,
longe do sol e da vida,
no fundo duma cadeia,
cheios de raiva me bateram.
Inanimado,
tombei por fim a um canto.
E enquanto eles redobravam
sobre o meu corpo tombado,
adormecido
eu descansava
de tão longa caminhada! ...
Começa a ser longa a ausência relativa às crónicas do Sérgio.
Apesar de, por vezes, ele surgir num tímido comentário, sentimos a falta daquele texto bem construído sobre as causas ou os problemas do nosso povo ou da nossa terra.
A propósito, gostei do artigo que ele publicou no NO sobre a "praça dos carros" o qual, ou parte do qual, ficaria aqui muito bem se ele mo enviasse.
E também gostaria que ele nos brindasse com alguma nota sobre as próximas eleições.
Isto já permitiria que eu descansasse um bocado perante as dificuldades de manutenção deste espaço...
quarta-feira, dezembro 08, 2004
terça-feira, dezembro 07, 2004
Um amigo tranquilo
Era aí que ganhavam importância aqueles que, obstinadamente, encontravam na sua terra, a razão de viver.
Um deles acompanhou-me naquelas noites frias pela ruas de Ourém dias sem conta. Jogávamos bilhar no Central, depois passávamos ao Grémio do Comércio.
Era uma pessoa muito tranquila com a qual de tudo se podia falar, pois sabia ouvir e sabia dar a sua opinião.
Um dia, deixei de o ter por companhia. Quando passava direito à casa da Rua de Santa Teresinha, via-o num escritório mais ou menos frente ao sítio onde era o café Parreirinha. Lá estava a aprender a viver, a fazer algo de útil, a fazer aquilo a que hoje chamaríamos, indignados, trabalho infantil, enquanto muitos de nós andávamos por ali a passar tempo.
Voltei a encontrá-lo muitas vezes e, também, no último Poço. Sei que vem muitas vezes ver este espaço e que conhece alguns posts pelo nome. Falámos sobre tudo isto e sobre a minha fixação no passado. De um modo tranquilo... mas com imenso gosto por recordarmos anos de uma saudável amizade que parece reforçada à medida que o tempo vai passando.
Por sua excelência, o Ministro do bago
Aprender com a prática
Aprendi muito com a elaboração e discussão na praça pública deste Orçamento.
Tem que vir sempre o autoelogio
Percebi como é um privilégio arriscar ser violentamente criticado apenas porque se decide, se opta e se escolhe com convicções, com rigor e com esperança.
É dos livros: mal chegam ao poder, o seu interesse é universal
Senti, como nunca, como é que certas pessoas fazem, de um modo falso e quase angélico, o discurso do interesse geral, para tentar ganhar nos interesses corporativos ou mesmo particularistas.
Mas a um ministro pede-se mais que capacidades aritméticas
Senti como alguns arautos da consolidação tentam contrariar as mais elementares regras de aritmética orçamental. Isto é, exigindo mais nas parcelas (entenda-se despesa), ao mesmo tempo criticando o ministro das Finanças por a soma não ser inferior.
E viva a bagunça que assim não dão por mim...
Senti por que é que alguns interesses parecem preferir a instabilidade e a indisciplina para que melhor medrem os respectivos proveitos.
Seria o sr. Ministro tão ingénuo?
Senti como alguns se servem da discussão pública do Orçamento como palco para dissimular as suas incapacidades, despeitos e pequenas «vendettas».
Nomes, por favor, nomes...
Senti como é coerente a incoerência de tantos paladinos do rigor que, por certo, já se esqueceram do que não fizeram ou do que deixaram fazer, por acção ou opmissão, em cargos e ocasiões passados.
Repito: nomes... senão quem se licha é o mexilhão...
Senti como é fácil para certas mentes enunciar princípios de aceitação universal, como a luta contra a evasão e fuga fiscais, desde que não passe disso mesmo: mero enunciado de intenções.
Se calhar, nem ler sabem
Percebi que é «dispensável» a leitura do Orçamento para sobre ele se dissertar eloquentemente.
Vá, seja mais explícito. Quem o tramou?
Percebi que o medo também orienta a crítica.
(in Expresso de 3.12.2004)
segunda-feira, dezembro 06, 2004
Por Zé Rito
Para além do Fernão Lopes o que poderei contar são episódios vividos até ao ano de 1969, altura em que a minha vida profissional me retirou do Poço e de outros locais, como o Café Avenida onde pontuava o Ezequiel e o Fernando Forte.
Passei, sobretudo, depois da fase escolar com a D. Aninhas, como professora, em que eu me deslocava Rua da Castela acima, Rua da Castela abaixo, na tal motorizada virtual, que até tinha marcha atrás, e que me valeu, na altura, o cognome de "Zé Avião", e depois, na fase seguinte, com o Dr. Armando, o Zebú, a Pau de Giz, a Botija e outros, não esquecendo o Sr. Nunes. Passei, dizia, pelos "Estúdios Trine", o conjunto "Os Escaravelhos", a fase jornalística, em que utilizava o pseudónimo de Ego Cauny, entre outras.
Este espaço não tem mais do que dar um, ainda que pequeno, contributo para que todos que o visitem relembrarem tempos vividos em determinada época sem, espero eu, despertar saudosismos.
Contar por contar.
Despertar outros a fazerem o mesmo.
Contribuir para, no fim, juntar as peças e constituir uma história que será a história das nossas vidas em Ourém.
Dado que os "Estúdios Trine" foram vividos de forma particular, na companhia do Zé Alberto, na segunda metade da década de 60, vou a partir dos estúdios recordar "as minhas memórias".
Até lá..
sábado, dezembro 04, 2004
Pelo contrário, o PS já vai encarando o acto eleitoral de uma forma positiva.
É curioso ver o comportamento dos partidos que, tradicionalmente, são candidatos à vitória. O que sente que vai ganhar preocupa-se com o programa a apresentar, com ideias novas, com a situação concreta do país. O outro tem uma atitude arruaceira.
Do PS soubemos, entretanto, que vai continuar a contenção orçamental (iniciada pelo seu rival), mas que apoiará o investimento na sociedade da informação e na inovação. Esperamos mais concretização desta ideia. Mas é preciso dizer ao PS que não basta um choque tecnológico, é preciso mudar o social. Será que são capazes de tocar nestas fronteiras?
Estalou o verniz a PSL.
Depois de durante quatro meses ter ostentado total incapacidade de coordenação do governo, parece agora preferir o insulto camuflado à meritória tarefa de preparar o programa eleitoral. É só ouvi-lo: "Com todo o respeito, acho que o senhor Presidente foi um irresponsável. Ele que explique as razões...".
É claro que Sampaio vai explicar as razões. Quando entender. Não quando PSL mandar.
Esta necessidade de atacar pessoas e insultar mostra claramente o desespero do PSD quanto às eleições que sente que vai perder e que, possivelmente, está a tentar transformar em batalha campal. Mas o povo já os conhece...
Esta manhã, pasmava pela terra do dever.
De repente, dei por algo familiar: uma carrinha do Quim dos leitões. Que estaria a fazer por ali tão longe da nossa terra?
Aproximando-me do mercado, qual não foi o meu espanto quando vi uma bela banca, antes ocupada por pessoas que vendiam fruta, agora na posse dos nossos conterrâneos.
Claro que fiz honras ao nosso leitão que, segundo apurei, ali chega todos os dias após confecção.
Lá estive à conversa com um descendente do Quim. Admiro esta gente que arrisca para além do burgo e acaba por nos trazer produtos que nos sabem sempre melhor por serem da nossa terra.
Vão ter enorme concorrência, mas, se servirem sempre com qualidade, com certeza ultrapassarão as dificuldades.
Aqui ficam os meus desejos que tudo lhes corra bem.
sexta-feira, dezembro 03, 2004
Alegre é um dos símbolos vivos de Abril.
Ligado ao PS, aí se constitui como uma reserva disponível em momentos críticos. Votaria com muito mais gosto nele para a presidência da República do que num Guterres. Recentemente, vimo-lo enfrentar Sócrates na disputa da liderança do partido.
Agora, traz-nos um importantíssimo alerta: cuidado com a procura de entidades providenciais como Cavaco, pode vir novo 28 de Maio.
Creio que tem razão.
Se é óbvio que Cavaco não é um fascista, também o é que se pode conciliar perfeitamente com os dessa espécie. Para ele, a discussão política é algo abstruso que contraria o rigor dos números e o que os mesmos ditam. Por isso pode servir qualquer ideário desde que se sinta reclamado.
Mas há que ter mais qualquer coisa em conta: se as pessoas se lembram de uma entidade providencial que pode abrir as portas ao pior, isso acontece porque quem tem que fazer a diferença não se tem portado à altura. Reivindique-se do socialismo ou da social-democracia.
Por isso, o melhor combate a esses receios pode vir de um programa mobilizador, capaz de unir aqueles para quem Alegre é um símbolo e que têm em comum a noção de que a luta de classes nos planos político, económico e ideológico é que faz andar a história.
O diagnóstico da nossa sociedade está feito: temos um capitalismo que produz as maiores aberrações a todos os níveis. Agora precisamos de um programa para, em liberdade, progressivamente, o irmos destruindo...
A Maria suspendeu o Cumplicidades.
Termina assim uma das páginas mais bonitas que podiamos desfrutar na Internet. Ela promete que continuará a visitar-nos e que talvez um dia regresse. Aqui fica o desejo de que isso aconteça.
Mas é engraçado o mundo dos blogs.
Vamos falando, conhecendo e estimando pessoas que, fisicamente, nunca tínhamos visto nem sonhávamos que existissem. Parece um encontro de bons espíritos. Maria, Bin-Tex, Suplementador, 1bigonobalcao, Skywatcher (por onde andará este estimado oureense?), Fred, Santa Cita,... permitiram-nos concluir que vale a pena estar por aqui.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
Meus amigos, hoje não há mesmo tema.
A dissolução da Assembleia da República ofuscou tudo o que pudessemos dizer sobre Ourém.
Mas ela continuará sob a nossa atenção.
Com efeito, de que valerá mudar o governo do país, se em Ourém tudo permanecer na mesma e a nossa terra se vier a transformar num nicho de descontentes relativamente ao novo poder?
Não podemos dar tréguas. Ourém tem de mudar.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Pacheco diz que a solução está no PSD, mais propriamente em Cavaco. Para ele, Sócrates e Santana são as duas faces da mesma moeda... que não presta.
Mas Cavaco já teve a sua oportunidade. Esteve lá dez anos e ninguém tem saudades da sua política. Teve a sorte de receber o governo em período de vacas gordas e deixou algum obra. Mas era tão autoritário que os próprios barões do PSD não descansaram enquanto não correram com ele.
Por isso, deixem o povo escolher. Façam programas, colaborem em programas, proponham o melhor possível, critiquem o adversário... mas deixem escolher. Se não prestar, voltará a cair e surgirá nova oportunidade.
Ferro não lhe agradava. Estava demasiado perto do BE, lembrava excessivamente o revolucionarismo do MES.
A coligação não estava queimada, apenas tinha sofrido o desgaste da governação em tempo de crise com a consequente derrota nas europeias.
A austeridade de Manuela era aprovada pelo insuspeito Constâncio como a única política viável.
Permitiu-lhes que formassem governo, apesar de impor algumas condições. Deixou-os governar.
Entretanto, o PS fez chegar à direcção uma figura mais do seu agrado. Durante três meses não se deu por este partido.
Potenciais aliados de Ferro voltaram à solidão, um deles fez novo congresso e redefiniu o seu posicionamento.
O governo da coligação, esse, foi de disparate em disparate. Não me consigo lembrar de alguma coisa positiva que tenha feito. Aquela de quem esperava alguma coisa, Graça de seu nome, quedou-se em mais esquecimento da situação dos docentes universitários.
Soaram gritos de aviso. Na comunicação, no Banco de Portugal, de anteriores ministros que deviam apoiar a coligação.
O Presidente entendeu que tinha chegado o momento e, legitimamente, resolveu dissolver a Assembleia e convocar eleições.
Tudo bem. A haver instabilidade será durante mais dois três meses, não durante mais de um ano.
Os partidos podem rever os seus programas e apresentar propostas ao povo.
Obviamente que gostaria que existisse uma boa proposta da esquerda e que ganhasse, que o povo a apoiasse. Algo contra a exploração capitalista, contra a corrupção, contra o parasitarismo e que tivesse bem presente as liberdades, a solidariedade, a diminuição progressiva das desigualdades, Algo que não gerasse mais pobreza sob a aparência de estar a distribuir melhor, algo que as organizações que se reveem nos valores da esquerda pudessem apoiar, mantendo a sua caracterização de base e não abdicando por isso do seu espírito crítico.
Será que o Presidente pensou tudo isto? Será que em Julho já antevia o que iria fazer no final do ano e preferiu enfrentar algum desencanto dos portugueses para não o acusarem de não ter deixado governar quem tinha legitimidade?
As eleições aí estão, esperemos que os programas sejam dignos dos princípios em que os partidos se apoiam Uma garantia temos: a da liberdade para criticar aquilo de que não gostarmos e dessa não queremos abdicar. É o nosso activo mais valioso.
terça-feira, novembro 30, 2004
E, no fundo, o que são quatro meses de atraso na lenta caminhada para o socialismo?
Agora é preciso ganhar as eleições.
À primeira vista, não parece difícil. A incompetência evidenciada pelo governo que fazia e desfazia, a fragilização da direcção do PSD e a manifesta crise resultado da sua acção com certeza serão uma ajuda.
Se tal acontecer, é preciso que o PS não se esqueça de que é esquerda (eu tinha mais confiança no Ferro, mas fica o benefício da dúvida...), como tanta vez tem feito, e é preciso a ajuda crítica da rapaziada da CDU e do BE. Tudo unido por reformas revolucionárias, mas sem se despirem da capacidade crítica...
Com sempre temos referido, este espaço estará aberto à defesa e crítica, numa perspectiva de melhoria e unidade na diversidade, das posições das organizações de esquerda.
EM DEFESA DA PESCA PORTUGUESA
Comunicado do Gabinete de Imprensa
dos deputados do PCP ao Parlamento Europeu
Realizou-se ontem, na Comissão da Pescas do Parlamento Europeu, a votação do relatório do deputado do PCP, Sérgio Ribeiro, relativo à "protecção dos recifes de coral nos "mares" dos Açores, Madeira e Canárias ".
Das 6 propostas apresentadas pelo relator, 4 foram aprovadas e as restantes rejeitadas. No entanto, as propostas rejeitadas continham algumas propostas essenciais, tais como:
· reservas sobre a competência exclusiva da União Europeia no domínio marítimo previstas no novo Tratado Constitucional;
· a inclusão de referência às jurisdições nacionais (Espanha e Portugal) a exemplo do que relatório similar fazia para os Darwin Mounts com referência explícita à jurisdição do Reino Unido;
· a proibição de artes de pesca, para além da de arrasto de fundo, também danosas para os recifes de coral (e outras formações), como acontecia até ao final de 2003, quando a responsabilidade da protecção era das autoridades nacionais e regionais no limite das 200 milhas da ZEE;
· a não aceitação da substituição do critério de delimitação, em milhas e ZEE, por graus de latitude e longitude, delimitando zonas sem qualquer vínculo às jurisdições nacionais.
Significativo é que tal resultado (por escassíssima margem de votos) só tenha sido possível graças à forte mobilização de deputados espanhóis (do PSE e do PPE).
Assim se comprova que interesses se julgam atingidos, com as propostas que estavam contidas no relatório do deputado Sérgio Ribeiro, que pretendia a proibição de pescar com determinadas artes, como até recentemente o fizeram autoridades regionais e nacionais, particularmente no caso dos "mares dos Açores", em que mais de 10 % da população vive de pesca não industrial e sempre soube promover e exigir dessas autoridades o indispensável equilíbrio entre a exploração dos recursos e a sua preservação.
O relator tudo fará para, em plenário, repor e ver aprovadas as propostas que foram rejeitadas.
Bruxelas, 25 de Novembro de 2004
Para mais informações:
Sandra Pimenta - 0032 475980226
segunda-feira, novembro 29, 2004
Por Bin_Tex
Especialmente se o novo, como V. tão bem denuncia, não presta, caro Albergue dos Danados?
Eu secundo a mensagem de Álvaro Cunhal ao congresso, talvez dita da seguinta forma que aponta para algo ainda mais velho, apesar de reconhecer a necessidade de ser revisitado e revisto à luz dos problemas da sociedade actual:
Viva o Marxismo-leninismo!
domingo, novembro 28, 2004
Estou um pouco confuso.
Há tempos, surgiu-me um comentário assinado por Alma que, eu próprio, reproduzi como post. Como o comentário apontava para um blog, fui vê-lo e pareceu-me que os textos também estavam assinados por Alma. Gostei do seu conteúdo.
Entretanto, no Ourém e seu Concelho, muitos artigos de João Heitor são submetidos a um título geral que coincide com o deste post. João Heitor aparece-me como uma figura do Partido Socialista ligada ao ensino que me merece toda a simpatia e respeito. Tenho acompanhado os seus comentários no Castelo em que se assina como jh com os quais em geral concordo e onde se bate por uma maior eficácia das acções dos órgão autárquicos e respectivos serviços.
Mas, recentemente, o Suplemento de Alma mudou de formato e passou a ser assinado por um Suplementador. Isto não tem nada de especial mas cria-me uma certa confusão. Alma, João Heitor e Suplementador são uma e a mesma pessoa? Ele é oureense ou teve efémera passagem por Ourém?
Já se vê e vem dos lados de Almada.
O novo grande timoneiro chama-se Jerónimo e, tal como o lendário guerreiro e chefe dos apaches, promete muita luta. Luta contra a exploração capitalista e luta por uma certa pureza ideológica. Apesar de distanciado deste partido, estou de acordo com estes dois aspectos.
sábado, novembro 27, 2004
A Teresa sugere:
Seria tempo de recolher algumas dessas "estórias" para constituirem parte do acervo "arqueológico" da vida do moinho... que passará a olhar as estrelas!
Mas quem está em condições de nos trazer essas estórias?
No último Poço, o pessoal deu força, recordou aqueles dias; tenho promessas, mas parece que está tudo a voltar à tradicional concha.
Pus neste blog o que me recordo de Ourém. Há outras coisas, mas falta um fio condutor que as transforme em estórias.
Lembro-me, por exemplo, que o Vítor e o Humberto eram dos principais dinamizadores de escaladas direito ao moinho, reproduzindo, por vezes, o ataque dos apaches ao forte dos soldados que ocupavam a sua terra, eles que beberam os fundamentos dessa flosofia de vida nos mesmos livros que eu, para além de terem tido paciência para completar a infindável História do Oeste.
Recordo que o Manel foi um dos responsáveis por um dia uma das mós estar apontada para o Fernão Lopes e só não o atingiu por um declive traiçoeiro a ter detido antes de chegar ao alvo.
Sei que o Zé Domingos é um dos maiores conhecedores de estórias da nossa terra, ele que acompanhou tantas vezes o Nené, ele que conviveu, em lugar privilegiado, com tantas gerações.
Já tenho uma promessa do Zé Rito sobre os Estúdios Trini.
Apesar disso tudo, este blog continua a ser profundamente egocêntrico: é Ourém, mas uma Ourém vista por um só que, ainda por cima, a abandonou num momento determinante.
E como vai ser possível alargar isto, Teresa?
sexta-feira, novembro 26, 2004
Consideramos o documento apresentado muito frágil em termos do que se propõe relativamente à interactividade com o cidadão.
Com efeito, não existe nenhuma explicitação que formule a necessidade de tal objectivo. Há uma referência a Leiria Digital, há referências a aquisição de equipamento e software informático, mas nada nos leva a acreditar que a Câmara viabilize um sistema em que possa existir a discussão em linha de projectos, ou o comentário às suas posições, ou a oferta e procura de emprego suportada em base de dados. Mais longe deve estar ainda a possibilidade de digitalizar toda a informação constante dos arquivos camarários e que hoje em dia é de difícil consulta: em Julho, a situação chegou a ser caricata com as consultas suspensas por o funcionário ir de férias.
A corroborar esta nota sobre a ausência de diálogo com o cidadão, pensamos que o próprio texto que na página da Câmara anuncia este documento mostra uma posição assaz autoritária própria de Estados que praticavam a planificação imperativa:
A Câmara Municipal de Ourém deliberou no passado dia 22 de Novembro remeter à Assembleia Municipal o Orçamento para 2005 e as Grandes Opções do Plano para o período 2005/2008. Consulte aqui o documento (comprimido em formato RAR - 4,4MB ) que comandará os destinos do concelho no futuro próximo.Por aqui se vê a consideração em que têm a iniciativa privada e o papel que lhe atribuem na formulação dos destinos do concelho.
tão maltratado que tens sido...
--- e se calhar continuarás a ser...
A requalificação do Agroal vai utilizar a módica quantia de 1,5 milhões de euros da qual a parte de leão (1,17 milhões) se destina a requalificação de espaços verdes.
Uma surpresa é que nesta atenção dada ao Agoal para este período de 2005/2008, consta mais um comboio turístico avaliado em 49000 euros.
Apesar dos 68000 euros (!) previstos para estudos e projectos, há que questionar se esta requalificação não vai ter efeitos perversos sobre esta descrição roubada a João Pedro Bernardes e Paulo Fonseca:
(Nascente do Agroal) - seguindo o curso das ribeiras de Seiça e Caxarias desembocamos no rio Nabão. Aqui os vales férteis ribeirinhos encontram o meio cársico agreste que os faz minguar até à nascente do Agroal, um dos locais mais pitorescos de toda esta região. A Nascente do Agroal, uma exsurgência de onde brota uma parte significativa do caudal do Nabão, é um lugar de lazer e de banhos públicos na piscina ali improvisada. Região de natureza selvagem com grandes escarpas talhadas pelas águas ao longo dos milénios, apresenta-se como um meio ecológico rico e variado, resultante da peculiaridade do meio cársico ser rasgado por um rio que, congregando a força de várias ribeiras, vai ignorando obstáculos, teimando em prosseguir o seu percurso.
quinta-feira, novembro 25, 2004
Será que o meu moinho, sim, aquele que existia no cima da encosta por trás da casa do largo de Castela, vai ser recuperado? Será mesmo esse? Lembro-me que quase nunca tinha a parte superior e que ostentava um tronco onde já não existia vela. Lembro-me da monumental mó no seu interior e da vista de Ourém a partir da sua pequena janela. Há uns trinta anos, escrevi um péssimo artigo sobre ele e os seus pares no Ourém e seu Concelho. Não me dei ao trabalho de o digitar.
Hoje, esse moinho voltou às minhas memórias graças às opções do plano da Câmara.
E a boa notícia é que (será esse?) vai ser recuperado (60000 euros repartidos por 2006 e 2007) e vai lá ser instalado um núcleo de astronomia.
...
Deixem-me ser um desses astrónomos...
Sentir aquela vegetação...
Ver aquela paisagem...
Ser levado naquele vento...
Voltar àquele tempo...
Uma verba de 720600 euros está prevista para o período referido em termos de acções relacionadas com a protecção civil. Desta, mais de metade, destina-se a limpeza de matas e é financiada em 80% por fundos comunitários.
Regista-se a previsão de realização de uma campanha de sensibilização, pena é que a mesma termine em 2005.
Prevê-se ainda aquisição de software, realização de estudos e projectos, uma página na Web em valores que chegam perto dos 150000 euros.
Estou de acordo com todas estas acções, penso é que devem ser muito bem controladas para que respondam mesmo àquilo para que forma planeadas.
Mas talvez se pudesse ir mais longe nesta área. Vigilância florestal eventualmente suportada em sistemas de informação e comunicação, obrigatoriedade de cultivo de terras em torno de zonas florestais e substituição dos particulares quando não assumam essa obrigação deveriam ser implementados no concelho.
Assim, o que está previsto em termos de protecção civil peca por defeito. Tem que se fazer mais e ser exigente perante a população por mais que isso desagrade em termos eleitorais.
