Eis-me de novo na Cidade da
Luz, e a minha primeira sensação é de desgosto. Tudo me parece insuportável: o
cinzento das ruas e dos edifícios, as mulheres vestidas de gala, as conversas
que ouço por acaso no boulevard Saint-Michel e na avenue d'Orléans, as
lembranças assaltam-me por todo o lado. Senti-me triste e assustada. Recordei
os sentimentos, as emoções e os pensamentos e fiquei triste porque não
regressam. Eram fruto da despreocupação da juventude e sei que não voltarão.
Mas que pena já não poder pensar, sentir e ver como antes. A vida passa e é
realmente triste. Triste porque Arosa foi apenas um momento de passagem, um
lugar transitório. Em Arosa ainda estávamos perto de Cracóvia, enquanto em
Paris tudo é definitivo e sem esperança. Separados. Nós, meu querido, estamos
separados. E é tão doloroso para mim. Sei muito bem, sinto que nunca mais
voltarás aqui. E ao rever estes lugares tão familiares percebi claramente, como
nunca, o lugar gigantesco que ocupaste na minha vida quando estávamos juntos em
Paris. Tudo o que fazia estava ligado por mil fios ao meu pensamento em ti. Não
estava apaixonada, é certo, mas já te amava. Hoje, como então, poderia
renunciar aos teus beijos se pudesse voltar a falar contigo, só algumas vezes.
Para mim, seria uma alegria e não faria mal a ninguém. Porque me impediste?
Perguntas-me se estou zangada pela tua decisão de romper. Não, porque penso que
não foste tu a desejá-lo.
segunda-feira, agosto 26, 2019
domingo, agosto 25, 2019
OUREM Play list
Tentámos organizar grande parte das músicas que já disponibilizámos no OUREM. Com consciência de que ainda faltam algumas, aqui fica uma play list provisória.
Adriano
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Amália
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Animals
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Antoine
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António
Mello Correia
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Beatles
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Brigada
Vitor Jara
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Crishtophe
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Cristina
Branco
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Gabriel
Carlos
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Geoff
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Geoff
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George
Harrison
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George
Harrison
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Gregoire
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Gregoire
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Honeybus
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Johnny
Halliday
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Les
chats sauvages
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Les
chats sauvages
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Luis
Cilia
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Marceneiro
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Maria
Teresa
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Marino
Marini
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Mazgani
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Miley
Cyrus
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Patrcia
Carli
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Paul,
Clapton,...
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Paul,
Clapton...
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Richard
Anthony
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Rolling
Stones
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Spriguns
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Tom
Petty, Clapton...
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Tony
de Matos
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Tubarões
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Tubarões
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Tubarões
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Zeca
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sexta-feira, agosto 23, 2019
Suicidária encantadora
Paula
Dolce Paula
Não queira nunca mais
saltar de sua jaula
Dolce Paula
Não queira nunca mais
saltar de sua jaula
A nossa querida e belíssima Paula Fernandas que, ainda em Junho do ano corrente, nos encantou e deliciou com as suas canções, revelou já ter sentido a tentação do suicídio na sequência de uma depressão.
Ela quis saltar pela janela de um edifício altíssimo para a rua. Quem a salvou foi a mãe que ameaçou fazer o mesmo se ela concretizasse a ameaça.
Abençoada senhora que assim nos permite continuar a contemplação de um ser tão dotado...
(Calma, leitores do Ourem. Não vamos torturar-vos com nenhuma canção da pequena)
quinta-feira, agosto 22, 2019
quarta-feira, agosto 21, 2019
O silêncio interior
Desloco-me para Ourém a pensar que vou ter repouso, mas estou muito enganado. Pior que a praga de emigrantes que me inunda o povoado, o vizinho adjacente é barulheira constante.
Até arranjou uma espécie de papagaio de plástico com uma gravação barulhenta a imitar o bicho. Os cães não se calam noite e dia e fazem movimentos pelo meio da vegetação que assustam quem quer dormir.
E o gajo, a alimária, que não para de fazer muros e estradinhas, arranjou uma mota barulhenta para se treinar ao fim da tarde. É altura de dar a palavra ao MEC...
São os cães a ladrar, sempre a ladrar a mesma coisa, sem
variações.
São os pombos que moram e cagam na nossa casa, a arrulhar aos
gritos, mesmo por cima da janela do quarto onde uma noite gostaria de dormir.
São as motas de escape propositadamente furado para se saber
a qualquer hora do dia que estão a fazer-nos o favor de acelerar a fundo. Como
acelerando passam mais depressa e não querem que fiquemos a perder, fazem
questão de voltar de cinco em cinco minutos — até porque são motoqueiros
adolescentes que têm medo de se afastar aqui da aldeia, onde se sentem seguros
e ninguém os manda prender.
Temos a sorte de morar mesmo em frente de três caixotões do
lixo e gostamos muito de brincar às garrafinhas: quantas irão estilhaçar? Serão
duas? Ou vinte e três? Ou, já aconteceu várias vezes, adegas inteiras?
Tenho tampões para os ouvidos feitos à medida que me tornam
completamente surdo mas não são confortáveis. Desconfio que o meu canal
auditivo está a encolher. A minha salvação são as bolinhas de cera da Ohropax.
Por pouco mais de 4 euros, numa caixinha giríssima, obtém-se uma dúzia destes
maravilhosos empecilhos. Desde 1907 que trazem a paz a um mundo conturbado.
Também há para tomar banho — adeus otites de nadador — e para apanhar aviões,
para ir a concertos, para suportar gélidas ventanias e para todas as agressões
aos nossos ouvidos. Os alemães da Ohropax têm tudo previsto, muito obrigado.
Quando se é novo, o silêncio também maça. Felizmente essa inquietação passa — e
já não se quer outra coisa.
terça-feira, agosto 20, 2019
Um elevador com muita graça
Apita óscensor
Já está a apitar
não abriu a porta
no segundo andar
Já está a apitar
não abriu a porta
no segundo andar
No local onde habito, também existe um elevador. Claro que não preciso muito dele, pois vivo no rés-do-chão. Mesmo assim, sou obrigado a pagá-lo de acordo com a permilagem o que, muitas vezes, acho assaz injusto.
Mas este elevador é muito especial. Entregue aos cuidados de uma empresa credenciada, há perto de dois anos que não funciona corretamente. Por exemplo, para reforçar a minha inaptidão para a sua utilização, não abre a porta no piso em que moro, mas se o chamarem para a cave ou para o terceiro, aí vai ele todo galhordas e quase a cantar o «apita o comboio». Por vezes é traiçoeiro e para antes ou depois do piso pretendido, mas a boa vontade do administrador, dalgum vizinho ou do próprio 112 logo acorre a resolver a situação.
Tem um contrato de manutenção religiosamente pago. Está certificado por quem de direito. E, tantas vezes, não anda…
E surge a velha questão de Ulianov: Que fazer? A minha vontade é fazer denunciar o contrato. A minha vontade é pôr toda a gente a andar a pé. Mas não é que há pessoas que preferem a situação como está? A mente humana é muito esquisita...
segunda-feira, agosto 19, 2019
Inês Armand - Uma mulher na revolução (2)
Vladimir Ilyich, o pai da pátria soviética, mesmo depois da
sua morte que ocorreu quatro anos depois de Inês, tinha de permanecer num
pedestal.
A historiografia soviética e estalinista não podia admitir, e
ainda menos revelar, que viveu um amor fora do casamento e assumir que não fora
o fiel marido de Nadja Krupskaja. Não podia permitir que a imagem de quem tinha
como único pensamento os destinos do proletariado fosse manchada por uma
história de amor.
Falar da relação entre Inês e Vladimir Ilyich significaria
revelar muitos factos e muitas circuns-tâncias, os quais não era nada oportuno
trazer à luz: que Lenine, também Lenine, fora arrastado pelos sentimentos e
sentira a falta da mulher que amava, que sofrera por outra coisa além da
dificul-dade de pôr o socialismo em prática, e qualquer momento vivido sem ela
o fizera sentir-se perdido.
Além disso, a Rússia estalinista não podia aceitar uma
ligação do chefe da Revolução proletária a uma mulher da burguesia, com uma
autonomia cultural, e cuja família de industriais progressistas fora uma das
fontes de financiamento dos bolcheviques.
Quando o conheceu pela primeira vez em Paris, Inês tinha
trinta e cinco anos e uma personalidade formada. Tinha quatro filhos, separara-se
do marido (com o qual aliás manteve ótimas relações) para se unir ao cunhado de
quem tivera um outro filho. Era uma militante bolchevique, uma revolucionária
convicta e audaz, sempre disponível para tudo em prol da Causa.
Também ela, como Lenine, queria a Revolução do proletariado e
um novo futuro para o seu país. Também ela participou na grande ilusão da
construção do país dos Sovietes.
Morreu antes de viver em pleno a desilusão, mas antecipou-a e
entendeu antes de outros aquilo que não funcionava. Era social, cultural e
economicamente autónoma, podia até contribuir para as caixas do partido,
mostrara uma certa autonomia de julgamento e, quando foi necessário, uma
oposição aberta às ideias do líder supremo.
Inês era a favor do amor livre, contra a paz de
Brest-Litovsk, era simpatizante do grupo de Baugy, crítico de Lenine. Em suma,
apresentava uma biografia de militante política e feminista que se distinguia,
por vezes polemicamente, da do seu líder. Se estes são os motivos do
obscurecimento da figura de Inês na historiografia soviética, menos claros são
os motivos da difícil compreensão da figura de Inês por parte da história
ocidental. É certo que dependia, em grande medida, de fontes soviéticas que,
apesar de tudo, a influenciava.
Mas, provavelmente, existe uma outra razão. Inês não é fácil
de enquadrar nos estereótipos femininos que abundam na melhor cultura
ocidental. É dificil para um historiador ou um académico, inevitavelmente
sujeito a esquemas masculinos, retratá-la e orientar-se na história e na
psicologia de uma mulher que reunia em si, e na sua vida, tantas paixões e
inclinações.
Inês era uma revolucionária convicta que conhecia a prisão e
o exílio, mas também era a mãe afetuosíssima e presente de cinco filhos.
Era dedicada a Lenine, mas prezava a sua liberdade. Era uma
«bolchevique», mas consciente dos limites do seu partido sobre a «questão
feminina». Viveu o início da decadência trágica dos projetos revolucionários,
mas aos quais ficou ligada. Era rica, contudo nunca receou a pobreza e morreu
pobre.
Foi uma boa esposa, mas praticou e teorizou o amor livre. A
sua ligação a Vladimir Ilyich, sólida até ao fim, não a impediu de ser amiga de
Nadja Krupskaja. Tinha relações por todo o mundo, mas quando podia refugiava-se
na solidão. Era uma idea-lista e tinha abraçado a utopia do mundo novo, mas
também uma dirigente realista e mediadora.
A sua maneira de ser, complexa, contraditória, sujeita a
todas as fraquezas humanas, aos entusias-mos e à depressão, à abnegação e à
rebelião, a sua capacidade de amar a política, os filhos, o amor e a amizade e
de viver tudo com paixão, faziam dela uma figura excêntrica, não catalogável.
domingo, agosto 18, 2019
Last of the moihcans
Na Biblioteca de Ourém, passei alguns dias, algumas horas excelentes a ler um famoso livro com o mesmo nome. Agora, aqui fica mais um instrumental do nosso amigo Geoff. A apresentação é muito bem feita com constantes referências à civilização índia que a ânsia dos europeus civilizados ajudou a destruir.
sábado, agosto 17, 2019
Tarzan no Páginas de BD
Na passada quinta-feira, o Páginas de BD publicou mais uma aventura de Tarzan, uma história baseada em livro de Edgar Rice Burroghs e com o título «O homem misterioso». O desenho é de Hogarth.
Em momento de férias, aqui ficam mais alguns títulos publicados naquele blog. Como podem notar, são «velharias» preciosas publicadas no Cavaleiro Andante, no Mundo de Aventuras e na Coleção Condor
sexta-feira, agosto 16, 2019
Hoje, o meu irmão faria anos
Faria a bonita idade de 82 anos. Ainda poderia gozar mais alguns, mas, apressado, resolveu abandonar um mundo que, em muitos aspetos, não o tratou bem nos últimos tempos, especialmente a partir do momento que uma maldita queda o enviou ao Hospital de Leiria e começou um doloroso percurso e progressiva degradação.
Estou por cá, tal como em anos anteriores em que lhe trazia uma garrafa e lanchávamos ou almoçávamos juntos. Acho que vou privar com ele ao local onde descansa. Depois, faço tal qual como em anos anteriores: um apetitoso convívio com a família. Assim, é quase como se ele cá estivesse…
(Nota: a foto é recordação de passeio à Figueira de Foz proporcionado pelo saudoso relojoeiro João Dias. Apesar da diferença de idades, nota-se que éramos muito novinhos)
(Nota: a foto é recordação de passeio à Figueira de Foz proporcionado pelo saudoso relojoeiro João Dias. Apesar da diferença de idades, nota-se que éramos muito novinhos)
quinta-feira, agosto 15, 2019
Procurar ou construir um mundo melhor?
Andei a viajar. Caminhei muito.
Andei à procura de um lugar melhor, do melhor lugar
onde fosse possível fazer a minha vida.
Muitas vezes pensei que finalmente tinha encontrado esse lugar.
Em todas elas me enganei
quarta-feira, agosto 14, 2019
Os interruptores
Ontem, falava de interruptores por causa do regresso do PedroL e do seu amor à leitura. Parecia que me estava a lembrar de um texto aparecido há algum tempo no Público. Garimpei, garimpei e eis mais um rapinanço...delicioso…
À medida que os anos passam as batalhas que perdemos custam cada vez menos a suportar porque, apesar de tudo, vão sendo apagadas pelo esquecimento. Em contrapartida, as batalhas que continuamos a perder custam cada vez mais. Quanto mais lutámos por elas mais amarga é a noção do desperdício de tempo e de esforço que vamos acumulando.
À medida que os anos passam as batalhas que perdemos custam cada vez menos a suportar porque, apesar de tudo, vão sendo apagadas pelo esquecimento. Em contrapartida, as batalhas que continuamos a perder custam cada vez mais. Quanto mais lutámos por elas mais amarga é a noção do desperdício de tempo e de esforço que vamos acumulando.
Uma das batalhas que perco diariamente é contra a interrupção
da leitura. Já a expliquei milhares de vezes. Alguma vezes explodi. Outras
vezes pedi encarecidamente. Nunca funcionou. Continuam a interromper-me como se
eu estivesse a ler a ementa.
Há pessoas que têm pena de mim por estar a ler.
"Coitado", pensam, "está a ler porque está sozinho". Vêm
fazer-me companhia, orgulhosos de serem bons samaritanos, salvando-me do triste
destino de ler. Mesmo gritando para que desandem dali e me deixem em paz não se
comovem — e não arredam pé. Alguém pôs-lhe nas cabeças que os livros só servem
para estudar e estudar é um castigo a que só nos submetemos quando tempos de
passar um exame.
Os livros precisam de concentração. Ando a ler a Simone Weil,
enlevado mas com dificuldade. Tenho de reflectir, voltar a ler, interpretar,
verificar se compreendi, pensar em exemplos e aplicações. Interromperam-me para
me dizer, com voz excitada, que estava ali sentado um jogador de andebol do
Sporting. Isto mesmo a meio de um parágrafo misterioso sobre a alma e a
gravidade. Passei-me. Tenho a certeza que esse interruptor nunca mais me fala.
Mas com a sorte que tenho pode ter sido o princípio de uma linda amizade.
terça-feira, agosto 13, 2019
O regresso do filho pródigo
Depois de mais de três
meses a vaguear pela Europa Central, o PedroL regressa hoje a casa dos pais.
Mas ele não se comportou como o da parábola. Ao contrário do mesmo, não levou
uma vida dissoluta, antes se refugiou durante dois meses em Berlim a fazer um curso
da língua germânica. Depois, circulou pela Polónia e Ucrânia gastando o que
tinha sido o seu rendimento durante os meses de trabalho.
É um padrão de vida novo o de alguns jovens de agora.
Trabalhar um certo período e, depois, largar tudo para viajar e conhecer outras
realidades.
O PedroL adora viajar e é leitor compulsivo de livros
de poesia e de grandes obras de autores russos. O seu quarto envergonharia
qualquer biblioteca de aldeia tão recheado está do material que tem vindo a ser
editado entre nós. Aos poucos vou transportando os meus livros para Ourém,
enchendo o meu refúgio de obras de Marx, Engels, Lenine, Betelheim, Althusser,
Poulantzas…, e o espaço que eu ocupava vai sendo ocupado pelo crescimento
avassalador dos livros dele.
Na Net, a sua página de contador de histórias e
divulgador de viagens tem mais de 86000 seguidores.
Durante a última viagem, um pequeno incidente levou ao
desaparecimento do telemóvel (perda ou roubo não se sabe) o que se traduziu na
perda de dezenas de fotografias que lhe permitiriam atualizar as suas páginas.
Mas não desistiu, todos os dias há um ou vários posts destinados aos
seguidores.
Claro que estamos radiantes com a sua chegada. A
receção também não será de um pai abastado que manda abater o melhor vitelo.
Pelo contrário. chegando à noite vai contentar-se com um bifinho de peru para
não ficar mal disposto depois de tanta fome acumulada e de tantos frangos
mirrados à Chernobyl com que teve de conviver.
E amanhã já poderá deliciar-se a ler, ler, ler… apesar
dos interruptores...
segunda-feira, agosto 12, 2019
Inês Armand - uma mulher na revolução russa
Inês Armand nasceu em Paris, em 1879, filha de pais artistas.
Cresceu a falar francês e inglês, a língua materna de sua mãe. Após a morte do
pai, aos cinco anos, mudou-se para a Rússia onde foi educada por uma avó e uma
tia, ambas professoras.
Aos 14 anos já falava quatro línguas, russo, inglês, francês
e alemão, e era uma excelente pianista. Tornou-se uma mulher atraente e
apaixonante, uma importante figura do movimento comunista pré-revolucionário e
ativista na luta pela defesa dos direitos das mulheres e da sua emancipação.
Casou aos 19 anos com o seu primeiro marido. De dois
relacionamentos teve cinco filhos mas largou tudo para se dedicar de corpo e
alma à Revolução Russa e às causas feministas. Regressou a Paris, em 1908, onde
conhece Lenine. Apaixonam-se e mantêm uma relação longa que só se veio a
conhecer depois da divulgação parcial dos arquivos soviéticos ocorrida na
década de 1990.
Inês era uma das mulheres mais cultas do seu tempo, talento
que Lenine muito valorizava. Confiou nela mais do que em qualquer outra pessoa
do seu círculo tendo sido o seu braço direito. Apesar de alguns aspetos da vida
de Inês permanecerem ainda hoje obscuros, este livro apresenta-se como uma
importante contribuição para a compreensão deste capítulo da história russa e
da vida desta mulher fascinante.
Inês Armand morreu de cólera, em 1920, aos 46 anos. O seu
corpo foi sepultado na Necrópole do Muro do Kremlin, na Praça Vermelha, em
Moscovo, tendo sido a primeira mulher a receber essa honra.
domingo, agosto 11, 2019
Campos de Athenry
(uma canção folk da Irlanda, talvez a mais famosa e mais cantada lá do sítio. O som da viola parece reproduzir as palavras que surgem. Notável. Aqui fica uma tradução livre. Perdoem os erros)
Através da parede da prisão solitária,
Ouvi uma jovem chamar
“Michael, eles vão-te levar
Por teres roubado o milho de Trevelyan”
Pela manhã os jovens puderam ver
um navio prisão à espera na baía
Mais abaixo, os campos de Athenry
onde uma vez vimos pássaros livres voar
e o nosso amor estava nas suas asas
nós tínhamos sonhos e músicas para cantar.
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
Ouvi uma jovem chamar
“Michael, eles vão-te levar
Por teres roubado o milho de Trevelyan”
Pela manhã os jovens puderam ver
um navio prisão à espera na baía
Mais abaixo, os campos de Athenry
onde uma vez vimos pássaros livres voar
e o nosso amor estava nas suas asas
nós tínhamos sonhos e músicas para cantar.
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
Por uma parede da prisão solitária
ouvi um jovem dizer
“Nada importa Mary, quando tu estás livre.
Revoltei-me contra a fome e a coroa
e eles derrubaram-me.
Agora deves criar o nosso filho com dignidade”
Mais abaixo, os campos de Athenry
onde uma vez vimos pássaros livres voar
e o nosso amor estava nas suas asas
nós tínhamos sonhos e músicas para cantar
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
“Nada importa Mary, quando tu estás livre.
Revoltei-me contra a fome e a coroa
e eles derrubaram-me.
Agora deves criar o nosso filho com dignidade”
Mais abaixo, os campos de Athenry
onde uma vez vimos pássaros livres voar
e o nosso amor estava nas suas asas
nós tínhamos sonhos e músicas para cantar
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
Por uma parede do porto solitário
ela viu, quando a última estrela caiu,
como o navio prisão navegava contra o céu.
Depois ela viveu na esperança e rezou
Por seu amor em Botany Bay
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
Mais abaixo, os campos de Athenry
onde uma vez vimos pássaros livres voar
e o nosso amor estava nas suas asas
nós tínhamos sonhos e músicas para cantar
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
ela viu, quando a última estrela caiu,
como o navio prisão navegava contra o céu.
Depois ela viveu na esperança e rezou
Por seu amor em Botany Bay
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
Mais abaixo, os campos de Athenry
onde uma vez vimos pássaros livres voar
e o nosso amor estava nas suas asas
nós tínhamos sonhos e músicas para cantar
É tão solitário em volta dos campos de Athenry
sábado, agosto 10, 2019
E que fazer sem gasolina?
Claro que podia ir de trotinete, mas não me atrevo no meio de tantas alimárias. Assim, sem gasolina, não vou deslocar-me para Ourém. Vou ficar por aqui… a ler… a ouvir umas coisas… a contemplar o mar...
E que tenho aqui para ler? Neste aspecto, fui mais cuidadoso, em vez de ir para a bomba rogar pragas aos que estavam à frente ou aos que via a açambarcar, andei à procura de livrinhos. Já que toda a gente fala em leitura de férias, aqui ficam mais algumas sugestões.
Inês Armand - o grande amor de Lenine
Sempre gostei destas calhandrices. Já li um livro sobre a Jenny do Marx, já li «Os amores de Salazar» da Cabrita, já li as palavras da Cynthia sobre o John Lennon, mas a autora desta obra merece-me todo o respeito. Inês foi uma revolucionária a sério, participou muito em todo o processo que levou à revolução de 1917 e foi um grande apoio para Lenine. Depois, o coração teve daquelas coisas imprevisíveis… e o poder oficial quis apagar o seu nome. Está prometido, vou torturar-vos com umas passagens
Monika
Trata-se de uma novela gráfica editada recentemente pelo Público. Já vi algumas imagens, não sei se vou ter paciência, gosto mais da BD clássica, menos séria dos anos 50 e 60.
Uma nova série da Coleção Vampiro
A Coleção Vampiro era do meu tempo. Passou por mim ser ter lido um livro. Preferia os policiais da APR ou da IBIS coisas sem qualidade, conforme se dizia. Agora, decidi reparar esse erro e já tenho aqui alguns livrinhos para me encher os dias. Não sei é se terei paciência.
... tudo isto acompanhado de boa música
sexta-feira, agosto 09, 2019
Por que voa o pardalinho
Por que voa o pardalinho?
Que assim lixa tanta gente
o que ele quer é mais milho
quer enriquecer de repente...
segunda-feira, agosto 05, 2019
domingo, agosto 04, 2019
Uma sombra na calçada
E pronto…
Estamos de abalada.
Acaba mais um período delicioso com muito Sol e banhocas.
As coisas, entretanto, mudaram muito. Nos primeiros dias era tudo à larga. Agora, as ruas, as praias, os restaurantes estão cheios. Se não abafam de calor, pelo menos abafam de gente ficando insuportáveis. Mas, diabo, eles ficam cá e eu vou embora, ficam a desfrutar o que já não posso desfrutar.
Custa-me sempre largar algo que gosto. E Tavira é sempre uma cidade que me agrada muito…
Com a abalada, termina também este período de convívio com os leitores do Ourém. Amanhã, virá a canção de despedida e depois voltaremos ao antigamente…
Pobre pirata que ainda tinha tanto amor para dar e tanto amor para recordar. Mas fica a sua sombra bem marcada na calçada...
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