Às vezes surpreendo-me... pela atenção que me dão!E este espaço, meu caro Sérgio, sentir-se-á muito honrado se aqui divulgares algumas das propostas que vais defender.
Tenho andado viajando e sem tempo para este convívio de que tanto gosto. Só vou respondendo ao inadiável.
Em Fevereiro não serei candidato. Entrei numa fase de ser decano e/ou mandatário. Serei mandatário da lista CDU por Santarém. E farei campanha como se candidato fosse.
sábado, janeiro 08, 2005
É o estado em que está actualmente a minha humilde casa na Parede.
Há que tomar decisões. Uma é mandar para o lixo dezenas e dezenas de papéis, revistas, livros...
Mas dói-me o coração. Isso faz-me lembrar práticas que não tiveram nada de bom para a humanidade.
Tenho consciência que não volto a olhar para aquilo, que já não tem utilidade para mim, mas não o consigo destruir.
Será que tem utilidade para outros?
Por exemplo, tenho dezenas de exemplares da revista Exame. Pode ser útil a estudantes de gestão...
Será que alguém se quer candidatar à sua posse? Se houver interessado, um dia levá-los-ei para Ourém e é só combinar um ponto de encontro.
sexta-feira, janeiro 07, 2005
Continuo a errar por Ourém sem ninguém me conhecer. Há pouco vi e denunciei as manobras de propaganda de PSL e da clique social-democrata da Câmara.
Agora, vagueio.
Ontem, o famoso vigilante dos céus ainda teve oportunidade para me corrigir. Afinal, aqui em Ourém, nesta piedosa freguesia, as coisas não estão tão mal como eu dizia: a alternativa socialista está quase a ser maioritária.
Mas, caro skywatcher, essa ainda é uma situação pior. Já não os querem em Ourém, mas eles são-nos impostos através da dominância das outras freguesias, designadamente, daquela em que a religião é um negócio, a dos apostólicos romanos. E lá vão continuar a destruir a nossa Ourém.
Será possível maior humilhação?
E já passava um bom bocado sobre o momento em que se ouviram as doze badaladas deste dia 7 de Janeiro quando, finalmente, chegámos à visita 7000. Quem seria a ditosa criatura? Será por vergonha que não se anuncia?
Esperemos que o Sérgio não demore tanto tempo a esclarecer se é ou não candidato em Fevereiro. Ourém precisa de saber...
Repararam, ontem, no ar de Constâncio?
Enquanto PSL se divertia a pensar no gozo que a campanha eleitoral lhe vai trazer, Bagão ria-se a avaliar futuras mordomias da previsível passagem pela privada e Sampaio dava palmadinhas nas costas das criancinhas que lhe foram cantar as Janeiras, o governador, visivelmente mal disposto, ostentava aquele ar de quem conhece a verdade absoluta e ninguém lhe liga.
Preparem-se, vêm aí mais vacas magras, quem o diz é insuspeito. Por isso, não acreditem no rol de promessas que outros estão a preparar para os próximos dias.
Constâncio falou em aumento de impostos.
Julgo que se referia à tributação indirecta.
Estou de acordo, pretendo ajudá-lo, aliás, pensando bem, acho que pode haver subida e descida. Mais, acho que pode criar um novo imposto indirecto, mas não dedutível, em substituição do IVA e que poderia ter taxas como as seguintes:
Produtos de primeira necessidade: 0%
Produtos de consumo corrente: 19%
BMWs, jeeps, Mercedes, e outros automóveis de cilindrada elevada adquiridos localmente ou importados, outros consumos de luxo, mais valias decorrentes da especulação: 60%.
Voltando a coisas sérias...
À noite, assisti a parte de um debate na SIC Notícias entre Frasquilho e Hasse Ferreira, debate entre um tecnocrata do PSD e um político do PS.
O socialista entendia que há que discriminar na tributação, criando benefícios para as empresas que trouxerem inovação.
O social-democrata argumentava que o que precisávamos era de um sistema fiscal simples, sem a complexidade do actual onde os benefícios são uma fonte de fuga fiscal e acrescentava que seria preferível baixar o IRC de modo a integrar os empresários que militam na economia informal com um produto avaliado em mais de 20% do PIB e que assim não é contabilizado.
Curiosamente, embora com reservas, estou de acordo com Frasquilho. Aliás, já imagino os milhares de subtefúrgios que se vão inventar para provar que a empresa mais rafeira está a fazer inovação e assim gozar de benefícios fiscais.
As reservas que antes referi têm a ver com o facto de não achar muito fácil a saída da economia paralela com uma simples diminuição de taxas, sendo talvez conveniente o seu acompanhamento com uma pesada multa para os prevaricadores.
quinta-feira, janeiro 06, 2005
7000 facadas lhe deram
contemplando-o, depois, com desdém
7000 farpas lhe cravaram
já não é menino de Belém.
Exausto, quase por terra,
debatendo-se em palavras e princípios,
arfante, teimosamente resiste,
enquanto outro poder avança.
Novas fronteiras aí vêm,
perfilando novos interesses,
a exploração essa continua
olhem os princípios burgueses.
7000 facadas lhe deram,
7000 farpas lhe cravaram,
7000 flores celebram
7000 visitas ao Ourém.
... que não conseguimos deixar de olhar.
Desta vez, o oureense Bin-Tex, responsável do Grande Fauna, surpreendeu-nos com Imagens de Marrocos. Visita diária obrigatória.
É engraçadíssimo andar por Ourém sem que saibam quem eu sou.
Antes, não podia dar um passo, a casa do largo de Castela era logo ponto de confluência de vizinhas que iam contar à minha mãe todas as tropelias (que nunca foram muitas) que me viram fazer.
Agora, divirto-me a falar com pessoas nos estabelecimentos comerciais e apercebo-me que nem conhecem o blog nem sabem que existe este terrível oposicionista aos políticos de direita. Por vezes, abrem-se como aconteceu há dias num estabelecimento na Praça dos Carros: “o pessoal de Ourém está todo colado ao poder. Pode bramar contra, mas no momento decisivo vai lá pôr o voto”.
Aqui, tiveram de fazer alguma coisa, lixando obviamente o chico-esperto, para mostrarem isenção, dignidade.
Esta semana, quase não tenho tido hipótese de introduzir um artigo tal a colaboração dos amigos do OUrém.
O Sérgio enviou-nos informação sobre a saída do PE que, julgo, vai beneficiar OUrém. O 1big dissertou sobre a saúde na sociedade capitalista e o Zé Rito terminou a sua história dos Estúdios Trini.
Entretanto, ao lado, no Castelo, foi anunciado um novo blog denominado Política Oureense, destinado a os políticos da nossa terra falarem na política nacional e local. Creio que é uma excelente iniciativa. Os senhores do Castelo habituaram-nos a grande competência técnica no tratamento de blogs, fazendo os comentários ganhar um relevo que eu não encontro em qualquer outro. Por outro lado, o seu espírito de abertura verdadeiramente consequente vai permitir que ali se degladiem ideias de todos os quadrantes num clima sadio, sem insulto. É que, no fundo, sendo todos nós diferentes, politica e partidariamente, temos uma preocupação comum: o que havemos de fazer para melhorar isto? Esta constatação faz com que eu tenha grande confiança no Fred e no Pedro e, por isso, conforme as forças o permitirem, de quando em quando, vou postar no Política Oureense e abandono um projecto que já tinha falado com o Bin-Tex de criar algo com o mesmo objectivo. Manterei o Ourem naquela perspectiva para muitos saudosista, melancólica de respeito pelo passado, embora por lá possam passar outros temas (isto é uma coisa que aparece...)
Continuam entretanto as hilariantes trapalhadas de PSL. É o Pôncio que é convidado e não pode ser convidado. É o Cavaco e os amigos que não querem aparecer na fotografia. É a Margarida que recusa fazer parte das listas. É o Antunes, branqueador do Le Pen, que vai representar o PSD no Porto. Já tenho receio do tempo cinzento que virá depois das eleições. Quem nos poderá divertir tanto como este PSL que eu, apesar de tudo, penso que até não é má pessoa?
quarta-feira, janeiro 05, 2005
Por Sérgio Ribeiro
Gostaria de ter sido eu a ter dado a “novidade”. A quem ela pudesse interessar.
Na quinta-feira, 16 de Dezembro, depois da votação do meu relatório sobre a protecção dos recifes de coral nalgumas zonas do Atlântico (Açores, Canárias e Madeira), entreguei ao Presidente do Parlamento Europeu uma carta em que lhe dizia da minha intenção de renunciar ao mandato, e lhe pedia para desencadear o processo necessário para a substituição.
Quando no meu Partido – que sou eu… – me foi proposto que fosse o nº 2 da lista para as “eleições europeias”, comecei por recusar, e com veemência, por não ter condições pessoais para sair de Ourém, do Zambujal, e fazer com a disponibilidade exigida o que compete a um eleito para esse cargo.
Face a insistência e à argumentação da importância de ser eu o candidato, na sequência de dois mandatos anteriores, e de estar no lugar desde Fevereiro por efeito de uma substituição esporádica, só acabei por aceitar com a condição de, a ser eleito, tomar posse e cumprir o mandato mas apenas até ter a consciência de que não fora candidato para ganhar o lugar e não para fazer o trabalho para que poderia ter criado expectativas.
Desde que fui eleito, trabalhei no PE com toda a vontade e dedicação, e consegui, logo no início do mandato, um relatório significativo. Essa circunstância de certo modo abreviou o espaço de tempo que a minha consciência julgava necessário para justificar a minha eleição. Não fiz nada de espectacular mas trabalhei muito e consegui alguns resultados. Assim o possam afirmar todos os que lá estiverem até 2008…
E como a vida em Ourém, familiar e ligada a todas as actividades a que me fui dedicando desde 2000, cada vez me pressiona mais para em Ourém viver e trabalhar, senti que estavam reunidas as condições para sair do PE de cabeça erguida e sem de nada me acusar a consciência, Que é o meu primeiro e maior juiz!
Não foi fácil a tomada de decisão! Mas também o Partido – que sou eu… – não faltou ao compromisso que tomáramos e aceitou a minha decisão. E quem me vai substituir, uns 30 anos mais novo, tem todas as condições para completar o mandato sem que ele perca em quantidade e em qualidade de trabalho!
Aos oureenses, aos eventuais leitores do que venho escrevendo em blogs (em particular no Ourém.blog) e nos nossos jornais, gostaria de ter informado desta decisão em primeiro lugar. Mas a comunicação social é como se sabe e antecipou-se, o que também obrigou o CC do Partido a vir dar a informação nos termos correctos e impedindo especulações.
E, pronto. A concelhia do PCP, a livraria Som da Tinta (que não tem nada a ver com a primeira referida), o Centro de Contabilidade, os projectos de teatro, os papéis velhos por arrumar, os livros por escrever, uma ou outra aula ou conferência, as visitas ao Lar de Vilar dos Prazeres, os convívios com amigos de que tanto gosto, e sei lá que mais, tudo poderá contar com maior disponibilidade da minha parte. Tudo e todos!
Além de que os meus camaradas da frente de luta do Parlamento Europeu sabem que continuam a contar comigo para o que possa ser útil… desde que não tenha de fazer 2 a 4 viagens de avião por semana, de dormir mais em camas de hotéis vários (por Bruxelas, Estrasburgo e onde calha) que na minha, desde que não me afaste nada – ou nem para muito longe, nem por muito tempo – do Zambujal!
Sérgio Ribeiro
Buenos Aires, 18 de Dezembro de 2004
E só hoje, 4 de Janeiro de 2005, assinei, perante o Secretário-Geral do Parlamento Europeu, o pedido de renúncia ao mandato com efeito a partir de 12 de Janeiro.
Bruxelas, 4 de Janeiro de 2005
terça-feira, janeiro 04, 2005
Por 1bigonbalcao
A saúde no meu entender não é um negócio nem pode estar sujeita a modelos que a empurrem para tal. O S.N.S. que existe está classificado entre os dez melhores do mundo.
O cheque saúde como normalizador de um sistema público e privado funcionaria sempre como uma forma de estrangulamento do primeiro. Porquê?
- Os grupos bancários que controlam o sistema privado estão apenas interessados em sectores lucrativos que são aqueles a que normalmente acorrem maior número de "clientes", como por exemplo as ortopedias, oftalmologias, cirurgias, deixando para os públicos as oncologias, as medicinas, certos tipos de cirurgias cardíacas e outros serviços mais dispendiosos, nomeadamente os cuidados primários de saúde que ficariam sempre para o estado e onde o investimento está muito aquém do desejável. Tendo isto em conta a distribuição das unidades de saúde e das suas especialidades (caso se aprofunde a existência de dois sistemas) assentaria em análises económicas do seu "mercado" e não atenderia às necessidades e prioridades dos seus utentes. Posto isto chamava a atenção para o facto de Portugal, sendo um dos países mais pobres da Europa as necessidades da larga maioria da população serem bastante dispares das minorias mais abastadas (exemplo disso é o tipo de patologias de maior incidência quando comparado com os países ricos do norte da Europa).
O acesso aos privados estaria sempre dependente da capacidade financeira do indivíduo (a dívida da saúde é actualmente superior a dois mil e sessenta milhões de euros - há clientes à espera desde 2003!), não me pareçe portanto que houvesse assim condições para rápidas indeminizações dos gastos do utente.
No controlo dos bancos sobre os grupos de saúde privados deve ter-se em conta até onde vai este domínio, por exemplo o grupo Mello controla a A.N.F.(associação nacional de farmácias)com tudo o que daqui se pode depreender!
Durante a implantação do novo modelo de gestão hospitalar de tudo se viu um pouco, desde a decadência das condições de trabalho que resultam obviamente na diminuição da qualidade dos serviços, porque para gerar lucro os privados imediatamente apostaram numa lógica de exploração dos trabalhadores, que pretende destruir a contratação colectiva instalando uma enorme precaridade nos Hospitais S.A..
Acabo com uma história que se passou em Ourém. Em meados do ano passado, uma jovem sofreu no local de trabalho um amputação de um membro superior, passou pelo nosso (rídiculo) Centro de Saúde (um local onde se não for para receitar aspirinas não vale a pena ir, porque não possui os mínimos meio complementares de dignóstico), deste centro foi para Leiria, de Leiria foi para Coimbra (não tenho a certeza se voltou para Leiria, uma coisa é certa o braço é que não foi reimplantado no local).
A saúde é um direito inalienável. Veja-se como são as coisa nos E.U.A., ou veja-se as mazelas provocadas pelo plano Margaret Thatcher no Reino Unido, que de resto é em tudo idêntico ao modelo forçado no nosso país.
Para se corroborar convenientemente as afirmações aqui desenvolvidas pode sempre consultar-se o relatório do Observatório Nacional da Saúde.
segunda-feira, janeiro 03, 2005
Recebi há pouco o Notícias de Ourém e achei muito interessante a sua revista do ano de 2004. De lá, destaquei a seguinte passagem relativa a 20 de Fevereiro:
Os "putos do hóquei" voltaram a repetir a proeza e a sagrar-se campeões tendo ganho o Campeonato Distrital de Hóquei em Patins de iniciados.
Há dias, ao passar por uma acta da Assembleia Municipal ou da Câmara, não sei precisar, reparei que um certo número de treinadores das nossas equipas foi homenageado, mas o nome do treinador dos putos, que os conduz há quatro anos com os resultados conhecidos, nem referido foi.
Eis um verdadeiro exemplo de ingratidão que penso será muito útil a todos os pequenos oureenses que encontram no desporto uma dimensão importante da sua formação para a vida.
Por Zé Rito
Os "Estúdios Trine" deixaram de existir pelo facto de ter saido de Ourém, por motivos profissionais, aliado ao facto de, uma vez em Coimbra, ter vendido o aparelho. Quando me apercebi, anos depois, do que foi feito tentei outro aparelho que reproduzisse aquelas bobinas. Não só não consegui como se perdeu o rasto às bobinas. Uma catástrofe.
Sei que chegaram a estar na Assembleia da República para, através do material lá existente, conseguir-se a sua recuperação. Estou convencido que alguém se aproveitou da situação e ficou com o material aproveitando-o para fins comerciais. Mas é só uma ideia.
Não queria fechar "As minhas memórias" sem deixar de falar, ainda que superficialmente, em quatro pessoas que, algures em Ourém, marcaram, para mim, a década de 60.
1- O Néné, do qual já falei anteriormente, o qual foi mimoseado por crónicas que fazia no "Notícias de Ourém", sob o pseudónio de "Ego Cauny".
Uma das vezes, apelidei-o de "pintor privativo" da Câmara já que andava a pintar com fundo preto e a branco os números das portas das Ruas da Vila. Teve o azar de em determinada Rua colocar do lado direito e esquerdo o mesmo número. Levou, brincando, "castanhada".
2- O Tóná, o qual se hoje fosse vivo andava triste com o seu Ourém. Dedicou uma vida aos jardins e parques, conservando uns e criando outros. Tudo desapareceu ou está a desaparecer.
Veja-se a Praça Agostinho Albano de Almeida, vulgo "Praça dos Carros" em frente ao Central. Nada de nada.
Foi justamente homenageado. No Café Avenida, foi colocada, a propósito, uma fotografia de corpo inteiro com a medida exacta dos seus 2 metros de altura.
3- O Zico Pereira, Comandante dos Bombeiros. Faleceu abruptamente vítima de uma injecção de penincilina. Tinha ido arrancar três ou quatro dentes, numa manhã, a Tomar. O dentista deu-lhe penincilina para utilizar no caso de ter dores. A meio da tarde saiu do armazém, com o filho João, direito ao consultório do Dr. Nini. Teve morte imediata. A prova da sua grande reputação foi transmitida no seu funeral com a presença de um mar de gente. Bombeiros de Norte a Sul do País fizeram-se representar.
Os Bombeiros da então Vila Nova de Ourém ficaram a perder com o seu desaparecimento.
4- Por último, o Ezequiel, no seu "habitat" ou seja o Café Avenida.
a) - Num belo fim de tarde/noite no alpendre do quintal do "Zé Mineiro" apanhei a que foi a minha primeira bebedeira comendo frango de churrasco regado com o bom vinho da casa.
Levaram-me para o Avenida e enfiaram-me não sei quantos cafés sem açúcar entre outras coisas. A finalidade era ser entregue em casa no melhor estado possível. O resultado foi que inundei a mesa e o chão de tudo o que tinha enfiado. Não esquecendo o vinho e o frango. O desgraçado do Ezequiel é que teve que limpar e eu, naturalmente, no dia seguinte pedir-lhe desculpa.
b) - Na altura eram administrados diversos cursos de cristandade. Todos os homens que o desejassem poderiam frequentar estes cursos. E quando saiam tratavam-se com um "tu cá, tu lá", mesmo que antes o tratamento fosse por você ou mesmo por Sr. Doutor ou Sr. Engenheiro. Ficaram conhecidos pelo "Curso dos Tus". Em determinada altura estes cursos tornaram-se extensivos às Senhoras. Foi quando, numa tarde em que estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde exibia-se ao bilhar, que fazendo rodar a porta giratória da entrada do Café entrou esbaforido o Paisana. Deu com o Ezequiel e entusiasticamente afirmou alto e bom som: Ezequiel, meu amigo, a partir de agora a minha mulher também é "tua".
c) - Eventualmente nós, em outra altura, estávamos a jogar às Damas no nosso canto e o Conde a jogar ao bilhar. Uma senhora, que estava em Ourém de passagem, levantou-se, dirigiu-se ao Ezequiel e perguntou: "Tem urinol?" . O Ezequiel no seu alto profissionalismo, conhecendo o local solicitado por "casa de banho" ou, eventualmente, "retrete" respondeu não se intimidando "Minha Senhora, neste momento está esgotado. Muito provávelmente para a semana já temos."
Por mim, vou-me despedir não até para a semana mas ATÉ SEMPRE!
Rio Torto, 2005-01-02
José Manuel Rito
domingo, janeiro 02, 2005
A produção de serviços de saúde pode ser operada por unidades públicas (hospitais, centros de saúde, clínicas) ou privadas (hospitais, clínicas, consultórios) e será tendencialmente gratuita.
Os diferentes serviços deverão ser catalogados e sujeitos a uma análise em termos de processo de produção. A partir desta análise será determinado o seu custo com base no qual o Estado poderá estabelecer um preço de referência.
Os mesmos serviços deverão ser sujeitos a um processo de planeamento que deverá estimar as necessidades a satisfazer pelos estabelecimentos numa unidade territorial determinada.
É livre a concorrência entre unidades públicas e privadas. É livre a escolha pelo utente do estabelecimento que entende lhe poderá prestar os melhores cuidados de saúde. A fim de evitar abusos, não serão permitidas acumulações a nível profissional entre unidades públicas e privadas.
Nas unidades públicas, o utente paga o preço de referência e recebe-o do Estado descontado da taxa moderadora. Com o desenvolvimento dos sistemas de informação e comunicação, este procedimento pode ser praticamente instantâneo. A unidade pública terá assim este preço de referência como a base para o seu financiamento, devendo rever a sua alocação de recursos em função da evidência empírica.
Nas unidades privadas, o utente paga a totalidade do serviço e recebe do Estado o preço de referência descontado da taxa moderadora. Caso o Estado não consiga assegurar a prestação do mesmo serviço nas unidades públicas, receberá a totalidade do que pagou deduzido da taxa moderadora.
Mais uma vez deixamos as questões: onde é que falha este sistema? onde poderão surgir os abusos? será pior que o SNS que não funciona?
sábado, janeiro 01, 2005
sexta-feira, dezembro 31, 2004
Por Zé Rito
Os "Estúdios Trine" existiam em dois locais.
O primeiro prendia-se com a gravação de canções no chamado "Bairro dos Pobres". Eram retiradas de dois programas de rádio, a saber: "Quando o telefone toca" e, sobretudo, "Liga de Amigos da Rádio Renascença". Eu e o Zé Alberto fizémo-nos sócios e solicitávamos, como tal, as canções que entendíamos. O resto ficava dependente das outras solicitações. A pouco e pouco fomos enchendo as bobinas totalizando largas horas de música.
O segundo local tinha a ver com a audição. Era feita na redacção do "Notícias de Ourém", na Rua Teófilo Braga, junto ao velho Hospital Santo Agostinho. Era lá, com a conivência de meu Pai e do Sr. Pina, que o pessoal se reunia para, ouvindo música dos Estúdios, conversar e jogar, sobretudo, o loto. As bolas saiam e os números eram conhecidos por nomes de código,desde "patos marrecos" (22) ao "morreu enforcado" (70).
Lembra-me, de um dia, quando saíamos do Café Central para gravar, cruzámo-nos com o Zé Domingos que nos "intimou" a trazer para a sala de audição duas canções que, até à altura, nunca tínhamos ouvido falar. Tratava-se de "Unchain melody" e "Reach out i'll be there". "Estamos feitos", comentámos. "Lá vai a nossa reputação", acrescentámos. Mas o programa da Renascença salvou-nos "in extremis". Quando saimos de gravar íamos com as duas canções solicitadas prontas a serem difundidas logo que o Zé Domingos entrasse nas instalações do jornal.
Era aqui que falávamos das nossas preocupações e anseios ouvindo música durante as tardes de Sábado e Domingo. Era todos os dias à noite, depois de jogarmos às Damas no Café Avenida ou ao bilhar no Café Central que ficávamos junto à casa do "Manel do Raul", formando "O Poço", continuando essa mesma conversa.
Era com o aparelho debaixo do braço que íamos para bailaricos, sobretudo com destino ao Alqueidão.
Era com o aparelho que se ouvia e se retirava a letra de canções que interessavam para o reportório de um conjunto musical que houve na altura e que eu acompanhava. Introduzia, nos locais onde actuava, os seus intérpretes e posteriormente o nome das canções que iam tocando, preenchendo a sua actuação. Tratava-se do conjunto "Os Escaravelhos". E eu ia chamando-os e eles iam pegando no seu instrumento e começavam a tocar. Na bateria o Magalhães, no acordeão o Genito, na guitarra ou acordeão o Armando "cardâo" e como vocalista era um dos cunhados, o Carlos Alberto. Tinha o nome artístico de Alberto Carlos, para parecer com o Roberto Carlos. Começavam sempre com "E que tudo o mais vá para o Inferno".
Foi para o aparelho que durante uma tarde inteira estive no "Notícias de Ourém" a gravar com o Néné todo o seu reportório, através de um microfone adquirido em Lisboa. Para além da famosa "Volta ao Concelho" tinha muita canção que eu chamaria de operariado. Lembro-me que por cada canção gravada íamos à tasca do "Manel do Raul" para bebermos um copo.
Durante três anos, mais mês menos mês, durou os "Estúdios". Foi em meados de 1969 que mudei de profissão e fui até Coimbra para empregado do então Banco Lisboa & Açores. Agora já não é nem de Lisboa nem dos Açores..
Antes de, para a semana, terminar "As minhas memórias", queria desejar a todos que frequentam estas paragens um feliz ano de 2005 e façam o favor de serem felizes.
Rio Torto, 2004-12-26
José Manuel Rito
Mas não conseguimos disfarçar uma sensação de desencanto.
Apesar disso, vamos ter algumas oportunidades para moldar os nossos destinos. A nível nacional e a nível local. Seria bom que as aproveitássemos.
A nossa terra vai contribuir com pelo menos três gigantes para o debate que se vai travar: o Mário, o Paulo e o Sérgio. Esperemos que estejam ao seu melhor nível. Pessoalmente, prefiro o Sérgio, mas não deixo de desejar ao Paulo um bom resultado. Creio que uma síntese das suas propostas e das de mais alguns seria o ideal para o país. Mas os portugueses escolherão.
Desejo a todos os oureenses e a todos os amigos do Ourem um excelente 2005.
quarta-feira, dezembro 29, 2004
A gruta
Desesperava com o ruído de carros, motorizadas e camionetas mesmo em frente à janela do quarto.
Deambulando pela casa, um dia a ideia ocorreu. Havia um pequeno espaço de 10 metros quadrados, parte de qual subterrâneo e rodeado de pedras de dimensões de 50*30*30. Rebocar e pintar foi num instante, abrir uma comunicação para a parte restante da casa também não foi difícil.
Agora, o descansar faz-se em silêncio seja qual for o movimento da rua. E, no Verão, tudo é mais fresco que lá fora, sendo o Inverno um pouco mais suave que noutras zonas da casa. Por isso, o despertar se está tornar cada vez mais difícil.
terça-feira, dezembro 28, 2004
Desfruto a casa onde viveu a que foi a minha segunda mãe. Recordo a som da motorizada do tio, que tinha dois pequenos alforges sobre a roda traseira, que já se ouvia lá longe na estrada que nos liga à vila.
Lembro aquela lata cheia de água quente que ela me preparava para a cama quando por aqui ficava. E uma braseira metálica feita de brasas preparadas no exterior e que me enchia as pernas de murnas devido à proximidade extrema.
Eles já não estão, a casa parece vazia.
Mas está cheia de recordações. Parece-me que os vejo por todo o lado.
Por isso, vale a pena estar por aqui.
segunda-feira, dezembro 27, 2004
Esta manhã, a nossa terra estava resplandecente de Sol.
Fui ao Central, desloquei-me ao ponto de encontro do Poço, utilizei alguns serviços.
Ourém é magnífica.
Mas aqueles três caixotes do lixo, frente à biblioteca, frente à igreja, frente ao Central e frente à farmácia, em pleno centro histórico, tiram a boa disposição ao ser mais tolerante.
sábado, dezembro 25, 2004
quarta-feira, dezembro 22, 2004
No início de Novembro, enviámos para a Tribuna do Leitor da secção local de Lisboa do Público um pequeno texto acerca da casa do largo de Castela, solicitando a sua publicação.
Durante o último Poço, em conversa com alguém conhecedor destes meandros, fomos alertados para o facto de ser muito difícil a sua publicação dado o facto de o circuito implicar um certo conhecimento entre as partes intervenientes. Julgámos assim que seria mais um protesto condenado ao silêncio.
Afinal, o Público enviou-nos a sua prenda de Natal. Sem qualquer cunha, com total respeito pelos timings do jornal, sem qualquer interferência, o nosso texto, com a fotografia, claro está, da casa, viu, hoje, a luz do dia. Está na página 46 e reza assim:
Nesta casa não viveu ninguém importante. No entanto, o seu aspecto é memória colectiva de uma Ourém não muito distante, que em qualquer outro local do nosso país mereceria ser restaurada. O que acontece é que a Câmara de Ourém se prepara para a destruir, pelo simples facto de ter projectado uma rua para cima dela.
Julgo que, pela sua traça, é um fim muito injusto e que desagrada profundamente a alguns oureenses. Não haverá quem possa travar esta câmara, verdadeiro carrasco das memórias da nossa terra?
...
Poderá o Público dar voz a este protesto?
Há pelo menos uma coisa que resulta daqui: a certeza de que um texto de protesto pode ser publicado num jornal de grande expansão. E isso é muito importante num momento em que a própria imprensa da terra não nos liga nenhuma. Obrigado, Público!
Pertenço a uma geração que fez uma revolução pela liberdade e por melhores condições de vida para os portugueses.
Passados trinta anos, reconheço que toda a prestação a nível de serviço público é uma vergonha. O ensino não presta, a nossa juventude chega à universidade sem saber matemática, sem saber português, sem ter conhecido o sabor do chumbo. Os centros de saúde não funcionam, com utentes mal tratados pelos administrativos que os recebem, por médicos que faltam ou que não existem. O atendimento em Câmaras e repartições públicas também deixa muito a desejar, o funcionário aparece com o rei na barriga geralmente a tentar espezinhar o utente que precisa dos seus serviços. Os serviços de segurança como a PSP e a GNR limitam-se a tomar conta de ocorrências e a caçar multas, não inibindo a criminalidade, não protegendo os portugueses.
Por outras palavras, apesar da monumentalidade de recursos gastos nesses serviços, eles para quase nada servem. São recursos gastos que vão directamente para o lixo. O contribuinte tem toda a razão para se queixar. Por isso, é preciso arranjar soluções para mudar as coisas e eu acho que temos de ter uma grande abertura para admitir tudo, mesmo aquilo que, de acordo com princípios que cultivamos de longa data, noutras condições rejeitaríamos.
Em muitos pontos dos comentários, o Pedro (Pfig) fala em algo que me lembra o cheque-ensino. Admitamos que existe um departamento central encarregue da definição de programas, das normas de prestação do ensino, do rácio professor-aluno por turma (eu entendo que devíamos limitar as turmas a 20/25 alunos), das provas de avaliação a executar em momento chave e da auditoria à prestação do serviço. Julgo que é defensável que o programa seja centralmente definido já que vivemos todos no mesmo país e pretendemos garantir uma matriz de transmissão de conhecimento comum. Tal justifica também provas definidas centralmente e auditoria.
Admitamos que se consegue apurar que o ensino produzido nas condições mínimas referidas tem um determinado custo, por exemplo, 250 euros mensais por aluno. Esse seria o montante do cheque a enviar a cada português inscrito numa escola. Pública ou privada. Com ou sem outros rendimentos.
O ensino poderia ser garantido por escolas públicas ou privadas, sendo que, em primeira instância, as câmaras ou o Estado deveriam garantir o ensino a todos desde que não houvesse iniciativa privada que o pudesse fornecer. O ensino garantido pela escola pública teria uma propina no valor do cheque-ensino. O outro teria um custo para o estudante definido pelas condições de mercado e de excelência de prestação. A prestação pública acabaria no cheque-ensino.
A afectação de professores às escolas seria feita nos mesmos moldes em que o é a prestação de trabalho noutros locais, devendo haver normativos para evitar acumulações, mas que garantissem a efectividade de funções ao fim de algum período de experiência.
Será que isto funciona? Quais são os males de que esta ideia padece? Acham que se perdia muito se se tentasse?
terça-feira, dezembro 21, 2004
segunda-feira, dezembro 20, 2004
Por Maria Branco
Amigos!
Ninguém vive só...
Mesmo as estrelas do céu cantam juntas,
As águas do oceano se espraiam ao mesmo tempo,
E as lágrimas vêm sempre juntas aos sorrisos...
Ninguém vive só...
Enquanto os grãos de areia do deserto
Dançam em uíssono, no bailado da brisa,
As ervas verdejantes dormem juntas,
e os pássaros aderem à revoada...
Ninguém vive só...
Mesmo as pedras procuram os caminhos
porque os caminhos tem sempre homens...
E as flores procuram o jardim,
porque os jardins tem sempre esperanças...
Mesmo o perfume procura flores,
porque as flores encerram ilusões...
Ninguém vive só..
E nesta grande harmonia de conjunto,
Neste quase inimitável poema de sociabilidade,
Procuremos situar-nos como homens,
abandonando a idéia do "eu" do individualismo, do egoismo e aderindo à rima do "nós".
" Aos meus amigos de ontem, que a nossa amizade não terminou, pode estar adormecida, mas um dia vai acordar ainda mais bela, aos meus amigos de hoje, que poso estar longe mas estou sempre presente, aos amigos de amanhã ...bem, a esses direi que, que na maior parte do tempo, estou sorrindo..."
domingo, dezembro 19, 2004
A crónica de António Barreto, hoje publicada no Público, é, mais uma vez, muito interessante. A passagem que se segue tem todo o meu apoio com excepção da passagem relativa à loucura do período revolucionário, onde Barreto não se portou lá muito bem:
Em quem vou votar, se é que vou votar, é, por enquanto, só comigo. Uma coisa é certa: voto contra este governo e esta maioria. O que estes, nos últimos dois anos, destruíram e desperdiçaram é incalculável. Vai ser difícil, no futuro, fazer pior. Da economia ao bom nome, do método de governo à estabilidade, da segurança nas instituições ao crédito externo, da credibilidade à esperança, esta gente errática, mal preparada, amadora e narcisista deixa o país em estado tal que nem artes divinas ou diabólicas manhas conseguirão, em pouco tempo e com relativa facilidade, reparar. Raramente vivemos momentos tão confrangedores como estes. Nem durante o estertor do marcelismo, nem com as loucuras da fase final da revolução, nem com os últimos meses do guterrismo. A desordem mental e a demagogia atingiram picos até hoje considerados inacessíveis.
Por Zé Rito
Entre a saída do Colégio e a entrada no mundo do trabalho mediou o espaço necessário para, como todos os mancebos, cumprir o serviço militar. Na altura era complicado. A necessidade, imposta pelo regime, de ir "defender a Pátria no Ultramar" e algures na Àfrica ser "carne para canhão" assustava qualquer um.
Foi com algum aperto na garganta que os meus Pais assistiram à minha ida, juntamente com o Luís Cúrdia, o Augusto Chapeleiro, vulgo Mina Guta, o Tó Lis, o Portugal, entre outros, até às instalações da Banda, para fazer a inspecção. Saí com a esperança de me safar, já que teria de ir ao Hospital de Tomar, onde, perante o Dr. Tamagnini, era reinspeccionado.
Fomos todos passar o dia na Nazaré tendo voltado com um chapéu de marinheiro para um baile, por nós organizado, que teve lugar no ringue do Atlético.
Guiné, Angola ou Moçambique foi o destino da maioria. Sei que três ficaram isentos de cumprir o serviço militar. Julgo que, para além de "moi même", safou-se o Portugal e o Mina Guta.
Enfim livre deste embróglio passei ao mundo do trabalho, como funcionário público, na Secretaria da Câmara.. Estávamos no fim do ano de 1965.
Foi na altura que foi criado para os velocípedes a obrigatoriedade da chapa amarela (1-VNO-00-01, etc.). E o chefe da Secretaria, de seu nome Hermenegildo Carrilho Escobar, incumbiu-me dessa tarefa.
Lembra-me, como colegas, do Sr. Honório, do Gonçalves, do Zé Félix, do Abel Vieira, da Maria Helena, da Lita, da Maria do Carmo, da Julieta Marçal, para além do meu Pai.
Ao fim do dia lá ia eu com o grande "Livro 8" à Tesouraria, onde com o chefe Baço fazíamos a conferência dos movimentos e das receitas.
Foi então que comecei a juntar o meu "pé de meia".
Em dado momento aventurei-me à aquisição de um gravador. Foi o início dos "Estúdios Trine".
Gravava em bobinas com duas faixas de cada lado em três velocidades. O altifalante estava incorporado na tampa.
Comecei a gravar música em casa mas as condições de recepção não eram as melhores. Foi então que surgiu a oportunidade de gravar a partir do rádio do Zé Alberto. Era um rádio recente que permitia com um cabo a ligação directa entre os aparelhos. O Zé Alberto vivia no Bairro Dr. Trigo de Negreiros. Daí o nome dos "Estúdios" ter o nome das primeiras sílabas do Bairro.
Rio Torto, Gouveia 2004-12-18
José Manuel Rito
sábado, dezembro 18, 2004
Afinal parece que não estamos assim tão mal.
A Economist, através da sua Intelligence Unit, inquiriu cidadãos de 74 países sobre os factores determinantes do bem-estar e concluiu que o lugar geométrico da felicidade se encontra no cruzamento de factores tão diversos como o rendimento (o mais importante, como seria de esperar), a saúde, a liberdade, o desemprego, a vida familiar, o clima, a situação política, a segurança ou a igualdade de sexos.
Utilizando estes critérios, concluiu que o melhor classificado entre 111 países era a Irlanda com um PIB per capita elevado, alta taxa de emprego, estabilidade política e valores tradicionais. Portugal ocuparia o 19º lugar logo atrás do Japão. Surpreendentemente, levamos a melhor sobre a França (25º do ranking), a Alemanha (26º), o Reino Unido (29º), a Áustria (20º), a Bélgica (24º), a Coreia do Sul (30º) e todos os dragões e tigres da Ásia e da Europa de Leste, à excepção de Singapura (11º). A Grécia, nossa eterna rival na luta pela cauda, ficar-se-ia por um honroso 22º lugar.
Se Santana sabe disto com certeza que diz que é resultado da sua excelente e bem coordenada política e ainda vai conseguir descobrir uma série de critérios que podem colocar o país em primeiro lugar antes de 20 de Fevereiro.
sexta-feira, dezembro 17, 2004
Feliz Natal para todos os oureenses e votos que tenham como prenda uma unidade à esquerda que possibilite a realização da grande aspiração de afastamento do poder reaccionário e retrógrado que domina a Câmara.
O pobre homem não pára entre almoços, festas e jantares de Natal.
Para cúmulo, hoje como consta da sua agenda, vai ter que gramar o jantar de Natal do PSD.
Eu já não lhe exigia um sentido de Estado.
Mas um sentido de Município seria no mínimo recomendável e convenhamos que, no exercício de funções públicas, manifestar tão exuberantemente as suas preferências partidárias é, pelo menos, de má consciência.
Eis um extracto da agenda:
Dia 16, quinta-feira
11h00 – Reunião com Director Regional de Edifícios e Monumentos Nacionais
15h00 – Atendimento aos munícipes com marcação prévia
19h30 – Convívio de Natal do Agrupamento de CaxariasDia 17, sexta-feira
- Serviços camarários encerrados devido à festa de Natal da Autarquia-
09h30 – Conselho de Administração da Fatiparques
11h30 – Entrega de prendas aos filhos dos funcionários da Autarquia
13h00 – Almoço de Natal da Autarquia
18h00 – Festa de Natal do Jardim de Infância do Caneiro
19h00 – Festa de Natal da Escola e Jardim de Infância de Seiça
20h00 – Jantar de Natal do PSD ???Dia 18, sábado
11h00 – Festa de Natal do Centro Pastoral João Paulo II
17h00 – Festa de Natal da Casa de Criança de Ourém
19h00 – Festa de Natal da PSP de OurémDia 19, domingo
15h00 – Concerto de Natal do Conservatório de Música de Ourém
16h00 – Festa de Natal dos Bombeiros Voluntários de Ourém
O Blasfémias publicou um texto em que combate os que sustentam que existe uma relação entre o desenvolvimento e a educação, procurando um novo modelo que não se baseie nos baixos salários. Confundindo o que está em causa com o grau de participação do Estado na Economia afirma que "mesmo que o número de licenciados duplicasse de repente, Portugal não deixaria de ter um modelo de desenvolvimento baseado em salários baixos".
O Castelo fez uma aplicação daquele artigo a Ourém e considera que é idiota procurar instalar um polo universitário na nossa terra.
Estou de acordo que não é por causa de se ter um maior grau de educação que o nível de salários é mais elevado, por isso não apoio teses que afirmam a necessidade de o Estado gastar mais nesta área para tudo melhorar. Mas discordo completamente dos dois artigos.
Em relação ao artigo do Blasfémias, há que dizer que quem critica um modelo de desenvolvimento baseado em baixos salários o faz porque entende que esse modelo de desenvolvimento está completamente esgotado para o nosso país. Já não é possível, uma vez que existe trabalho muito mais qualificado e que recebe salários muito mais baixos em países que, inclusivamente, já se integram na União Europeia. E se quisermos ir um pouco mais longe, basta recordarmos a concorrência que pode ser feita aos produtos desse desenvolvimento pelos países asiáticos em alguns dos quais as condições de trabalho são autêntica escravatura, garantindo uma elevada taxa de mais-valia ao capital. Portanto, Portugal tem de procurar um modelo de desenvolvimento diferente onde a formação contínua, o conhecimento e a informação têm um papel relevante gerando inovação e um valor acrescentado elevado. Por isso faz sentido investir mais na educação e no conhecimento, sem se estar com isso a dizer às pessoas que vão ter salários mais elevados e que tudo o mais fica na mesma, designadamente, os produtos objecto do seu trabalho.
Por outro lado, quando se defende um polo universitário em Ourém, isso nada tem a ver com o que atrás se discutiu, mas sim com os benefícios que podem decorrer de uma melhor interacção entre a escola e a empresa. Portanto, não se está a dizer que as pessoas que vão ser formadas daí a uns anos vão ganhar mais, mas sim que a presença desse tipo de ensino pode ser um catalizador do desenvolvimento no momento. Aveiro, o Minho e Caldas da Rainha ilustram saltos qualitativos que estão relacionados com esta feliz associação a qual nem implica que o contribuinte gaste mais. Trata-se apenas de o ensino superior estar mais descentralizado, mais perto da região e da vida real a qual pode ser palco de investigação e de aplicação de actividades de ponta. Pode ser frequentado pelas pessoas que o fariam se estivesse centralizado ou por outras que nunca lhe teriam acesso dadas as barreiras da distância.
Finalmente, como decorre da discussão que actualmente se faz em torno da processo de Bolonha, mesmo que haja um aumento dos que reforçam a sua formação, isto não significa que o contribuinte gaste mais, pois não é transparente que seja o Estado a financiá-la. Até me parece que este agente económico, reconhecendo, apesar de tudo, que o cidadão do futuro periodicamente volta à universidade, se prepara para reduzir a sua participação em mais de 20% pela passagem de currículos dos cursos de quatro para três anos e de cinco para quatro anos.
quinta-feira, dezembro 16, 2004
O Parlamento Europeu aprova hoje, em Estrasburgo, a proibição da pesca do arrasto ao largo dos arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias para proteger os recifes de coral ali existentes.
O relatório, elaborado pelo eurodeputado do PCP Sérgio Ribeiro, apoia a proposta da Comissão Europeia de interditar a pesca de arrasto entre as 100 e as 200 milhas ao largo da Madeira, Açores e Ilhas Canárias devido aos recifes de coral de profundidade, até agora protegidos por leis nacionais de Portugal e Espanha.
Segundo Sérgio Ribeiro, calcula-se que 65 por cento das espécies piscícolas naquelas zonas dependa dos recifes numa determinada fase da sua vida, contribuindo para a conservação de cerca de 300 espécies selvagens.
Os dados científicos disponíveis permitem concluir que a recuperação destes habitats após a sua danificação por artes de arrasto no fundo é impossível ou muito lenta, pelo que é "conveniente proibir a utilização de artes de pesca susceptíveis de causar danos reais aos recifes de coral nas zonas em que estes habitats ainda se encontram num estado de conservação favorável", lê-se no relatório.
Também hoje, o hemiciclo de Estrasburgo votará uma resolução comum dos vários partidos políticos sobre as prioridades da Comissão Europeia para os próximos cinco anos, para os quais o presidente do executivo, Durão Barroso, elegeu a economia, a segurança dos cidadãos e o papel da União no Mundo como principais eixos de actuação.
(in Região de Leiria)
Assim falava 1bigonobalcao
Lembro-me de atravessar campos apinhados de salgueiros, amieiros, sabugueiros, alagados a maior parte do tempo. Tinham um solo de textura muito fina, era mesmo lama daquela de dar bons ralhetes salvo se de botins se tratasse.
Na primavera, procurávamos desalmadamente por todos os ninhos que pudéssemos encontrar, gladiávamo-nos com ramos das árvores e silvas, e o que eram cerca de 2 km exponenciavam para imagens de inexploradas e selvagens florestas do nosso imaginário.
Havia também um loureiro, uma árvore magnífica que não teria menos de 60 anos. Apesar de, por vezes, muitos nas suas copas estarmos, continha-me em dizer que aquele era o meu sítio, talvez achassem esquisita a escolha.
Um dia, peguei mesmo em duas moedas de XX réis, penso que datadas 1886, um canivete, e vai de cravá-las num cilindro à medida escavado na casca (diz-se ritidoma, a canela por exemplo; por falar em ritidoma, lembro-me que nessa altura sempre que cortavam eucaliptos e os descascavam ali, a sua casca dava o que chamávamos as calhas, com as quais deslizávamos pelas encostas abaixo, era uma catecolinização total). Esperava que a casca do loureiro envolvesse aquelas moedas, obtendo daí uma ligação eterna por um tesouro partilhado. As moedas acabaram por desaparecer, mas antes do ritidoma as envolver, pois… foi isso mesmo. Quase duas décadas depois deste episódio, passei no local, o tronco assentava na parte vertical de um valado/socalco. Tinha sido cortado, mas nunca deixei de o ver lá!
Por vezes, após longas caminhadas encontrávamos árvores de fruto, figueiras, pereiras e macieiras aparecidas em terras há muito não amanhadas (as barrigas tanto menos, das longas caminhadas). Como as macieiras germinam relativamente bem a partir da semente, é bem provável que tenhamos comido algum fruto com paladar único, pois uma semente possui a sua individualidade. O alargamento de espécies preferidas dá-se pelos artesanais métodos de clonagem por enxertia de ramos de variedades eleitas sobre o cavalo (ramo de suporte do enxerto enraízado) obtido por semente. Já me perdi, mas, se aqui cheguei, talvez seja porque os aromas e sabores, como tantas outras coisa, ficaram bem impressos na memória, verdadeiros affrescos da vida.
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Eu sou a Andreia, tenho 22 anos, sou Educadora de Infância recém formada e moro em Lisboa. Sucede que até há pouco tempo a minha vida decorria normalmente e feliz até que me foi detectada Leucemia que se veio a verificar ser do tipo Mieloide Crónica poderei ficar totalmente curada se receber uma transplantação de medula óssea. Constatamos que tanto os meus pais como irmã não são compatíveis para o efeito como tal procuro um dador. Todos os esclarecimentos podem ser obtidos no site do CEDACE - Centro de Histocompatibilidade do Sul.
O meu nome é Andreia Margarida Morais e Mota. Poderá contactar-nos através do 966886302 ou para aqui. O possível dador não corre qualquer risco ficar-lhe-ia eternamente grata se me puder ajudar! Caso não seja possível, agradeço na mesma a sua atenção e desejo-lhe toda a felicidade que eu gostaria de ter.
Andreia
P.F., não ignorem a mensagem. Ler e reencaminhar não custa nada. Obrigada.
Por 1bigonobalcao
É fundamental ter uma rede viária estratégica com manutenção permanente (pode mesmo ser aproveitada e melhorada para cicuitos de manutenção). Pode estar ladeada por espécies "resistentes" a incêndios (ardem mais dificilmente e quando ardem rebentam de toiça). Estas plantas podem criar um corredor verde que se pode tornar útil quando transitam carros de bombeiros próximo de chamas.
É fundamental acabar com o regime de monoculturas, a utilização de árvores de folha caduca ou hemi-caduca (carvalhos) cria uma camada de manta morta que dificulta o desenvolvimento de sementes e portanto de biomassa (trabalho natural e por isso rentável a longo prazo), a utilização de espécies como a aroeira ou o medronheiro podem diminuir muito a combustibilidade da zona florestal.
Mas enfim venham os placebos, de qualquer modo a responsabilidade é dos Eng. Florestais que primeiro quiseram tornar este país num acacial, e depois viraram para o eucaliptal. Em todas as discussões sobre estes assuntos é raro verem-se biólogos uma área onde existem mesmo doutoramentos em incêndios.
E pergunto eu quem é que a câmara tem para organizar estas e outras intervenções tanto na área florestal como nos espaços verdes?
No mesmo documento, consta que o PS votou contra o orçamento da Câmara e apresentou um conjunto de alternativas de acção.
Examinando as suas motivações e as suas alternativas, nada descortinamos que não possa ser acolhido pelas forças que dominam. É apenas uma coisa diferente do mesmo...
Será que estou enganado?
Será que o PS tem algo para Ourém e não o fez constar naquela declaração de voto?
Será que o PS está mesmo interessado em ser poder em Ourém ou as coisas como estão servem-lhe perfeitamente?
A acta da reunião da Câmara de 22 de Novembro apresenta, entre outras, algumas medidas interessantes para apoiar o combate aos incêndios e que, conscientes da maldade protagonizada pelo Zé Rito e relatada no post anterior, desejamos que tenham o melhor sucesso:
- Proceder aos trabalhos de limpeza de uma faixa exterior de protecção, de largura mínima não inferior a 100 metros, nos aglomerados populacionais inseridos ou confinantes com áreas florestais;
- Limpeza de uma faixa envolvente não inferior a 100 metros, nos casos de ausência da entidade gestora de parques e polígonos industriais e nos aterros sanitários inseridos ou confinantes com áreas florestais;
- Limpeza, nos espaços rurais, de uma faixa de largura mínima de 50 metros à volta de habitações, estaleiros, armazéns, oficinas ou outras edificações;
- Manter com baixa carga combustível a faixa lateral de terreno confinante com a rede viária, sob sua jurisdição, numa largura não inferior a 10 metros.
- Elaboração do Plano de Defesa da Floresta (até Dezembro de 2005)
terça-feira, dezembro 14, 2004
Eles acusaram o Natureza
Estávamos a fumar, às escondidas, por trás do ginásio.
Ao atirar as beatas fora para junto de um silvado que ali havia aconteceu o inevitável: começou a arder.
Fugimos para a encosta dos moinhos. Sorrateiramente démos a volta e chegámos ao local do crime vindo do lado oposto. Toda a gente com baldes conseguiu apagá-lo.
Alguém nos viu e denunciou-nos. Démos uma desculpa e atribuimos a autoria ao "Natureza" rapaz que vivia na Rua da Castela.
Durante muito tempo estive sempre à espera de ser chamado ao gabinete e prestar contas, que seriam pesadas, ao Dr. Armando.
No fundo, aceitámos a austeridade na esperança de a situação melhorar. A Manuela dizia que andava a fazer a consolidação, Bagão lamentou que o não deixassem fazê-la.
Mas o défice orçamental português, excluindo as receitas extraordinárias, chegará aos cinco por cento em 2004 e 2005. O aviso vem de Vitor Constâncio.
Não podemos deixar de recordar as críticas que o PS lançou no início à política dos seus rivais. E a questão é óbvia: será que nos está a fazer a cama, para trazer algo de semelhante? Será que vêm aí mais mentirosos compulsivos (1 e 2)? Já estou a ver o que isto vai dar. Bolas! É preciso ter muita paciência...




