domingo, fevereiro 20, 2005

Afinal, Sampaio agiu bem

A resposta popular neste acto eleitoral vem de uma vez por todas afastar as razões de todos os que criticaram a decisão de Sampaio quando dissolveu a Assembleia. A coligação de direita foi totalmente rejeitada.
Vi, há pouco, em A Grande Fauna, resultados para Ourém. Não sei se são definitivos, se o são, constata-se a continuação nesta terra de um bastião de resistência importante. Possivelmente até terá decorrido de mensagem de inspiração mariana.
Têm todo o direito e daí as constantes atoardas contra a decisão do Presidente.
Estrondosa derrota da direita

O PSD e o PP parece terem tido o castigo merecido.
Sócrates tem substancial vantagem. Esperemos que a saiba utilizar a favor da satisfação das necessidades populares.
Subida da CDU e BE. Pena é que o PS não precise dela.
Diminuição significativa na abstenção

Que efeito trará sobre os esperados resultados?
Há pouco um amigo de PSL estava com cara de pau. Os fadistas também não pareciam lá muito contentes. Mas...
Para além de significar uma grande preocupação por parte dos eleitores relativamente à política seguida, será que a diminuição da abstenção impedirá a derrota da direita?
A luta por um médico de família

Em Soito, as eleições foram boicotadas como forma de expressão do repúdio da população relativamente a não existir um médico de família.
Por mais anti-democrático que me possam acusar, compreendo, aceito e apoio estas formas de expressão no que de mais genuíno são em termos populares, embora sempre considere a alternativa da anulação do voto no acto de votação.
Efectivamente, chegar a um acto eleitoral sem um médico de família para a população de uma freguesia é o espelho do extremo desleixo da classe política. E, se não fossem as eleições, não sabíamos de nada.
Já lá fui

Fazendo jus ao estatuto de velhote, às 8.30 já estava a bater à porta da minha secção de voto.
O dia, ainda frio, mostrava já uma belíssima manhã. O passeio a pé, de quase 45 minutos, foi excelente.
Pelo caminho, concluí que desta vez não havia grandes dúvidas. Iria ser o partido dos reformados, da classe operária que quase já não existe, dos desempregados, de alguns professores, do pessoal que não quer ir nesta onda...
Agora, vou esperar e aguardar pela festa dos resultados.

sábado, fevereiro 19, 2005

Ao menos por um dia

deixem-me viver a utopia...
Sem capitalismo, sem desemprego, sem opressão
Uma Ourém livre, limpa, restaurada
Longe dos corruptos, facínoras e outros crápulas
E ainda é sábado?

Manhã passada na catedral do consumo cá da zona. Trata-se do reflexo da sociedade capitalista no seu melhor: um excelente espaço.
Há que proceder ao abastecimento necessário para, amanhã, o dia ser dedicado a saborear a derrota anunciada.
Durante este tempo há uma palavra que não me larga: "utopística". Esta Teresa lembra-se de inventar cada coisa...
Porque não utópica? Porque não utopista? Perdoem a minha ignorância, todos já pensaram alto, eu estou a pensar escrito.
E como me hei-de referir a um amigo da utopia? Será Utopifilo? Ou utopofilo? Termos bastante esquisitos e que não encontro em qualquer dicionário?
O mesmo posso dizer se procurar um termo para os que procedem ao estudos de utopias. Utopilogo? Utopologo?
Não vejo saída para esta dúvida dilacerante.
Utopística

“O grande problema da esquerda é que as utopias não chegam a ser concretizadas e isso causa enorme desilusão. Basicamente, o centro de meu argumento é que a esquerda prometeu por aproximadamente 150 anos que, quando ela tivesse poder, transformaria o mundo. Mas isso não aconteceu”. A opinião é do sociólogo americano Immanuel Wallerstein, um dos mais importantes cientistas sociais contemporâneos. Wallerstein dirige o Centro de Pesquisas da ultraprestigiosa École des Hautes Études em Ciences Sociales em Paris. O sociólogo concedeu entrevista ao Jornal do Brasil, 23-5-04, na qual faz referência ao neologismo “Utopística”, criado por ele. Nome que também faz parte do seu livro, Utopística ou as decisões históricas do século 21. Petrópolis: Ed. Vozes, 2003.

Wallerstein reconhece que “precisamos de ideais nos quais acreditar, mas temos que ser mais analíticos em relação à realidade do mundo. Esta é a nossa tarefa por excelência, e é o que chamo de utopística. O sufixo ística, na maior parte dos idiomas ocidentais, acaba indicando um fenômeno analítico. Não se trata apenas de fazer escolhas morais, mas fazer escolhas à luz de uma visão realista sobre para onde o mundo está indo e sobre como encontrar meios políticos de se chegar lá”. Para o sociólogo não basta dizer que ‘Um outro mundo é possível’. Diz ele: “O que temos que nos perguntar é: que outro mundo é este que é possível? Temos imaginado utopias desde então e é exatamente o que não devemos fazer. O que devemos fazer é analisar o mundo real, para onde ele está indo e verificar que escolhas concretas podemos fazer”.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

O piscinómetro de David

Vai ser aplicado um novo sistema de entradas nas piscinas municipais, em Ourém. O nosso venerado presidente anunciou esta decisão na última reunião da Assembleia Municipal, lembrando que, a partir do próximo Verão, as pessoas que queiram aceder ao recinto "pagarão unicamente o tempo que estiverem no complexo", o que não sucedia até ao momento.
Mas, cá para o Ourem, o que se procura é mais receita...
Uma noite de Domingo em grande...



... Recomeço

Mais uma vez a esperança no amanhã.

Já há vários comprometidos para comentar: O Sérgio que todos conhecem, embora um bocadinho mais tarde, a Teresa, outra utópica, o Byn_Tex, um revolucionário a tender para o anarquista.

E o convite estende-se a todos (Julito, Zé Rito, ZéQuim, AlSimon, ZéDomingos, Vitor, Fred...). Falemos. Só há uma certeza: a nossa terra precisa de nós, temos que a melhorar para os nossos filhos. Usem os comentários, o mail para o endereço que deixei.

Que é que estas eleições vão trazer?

Vão significar alguma coisa para a nossa Ourém?

Vão ajudar à mudança?

Sondagens

Talvez caso único na Europa, as últimas sondagens a que tenho tido acesso atribuem à esquerda consequente (CDU e BE) a possibilidade de uma votação entre 12,8% (JN: 7,6% na CDU + 5,2% no BE) e 14% (Público: 7% + 7%).

Que grande partido seria se aquele pessoal se conseguisse entender e se ainda se atrevesse a ir buscar aquela malta de valor e honesta do PS, do PSD e de outras formações para colaborar na construção da utopia.

E, admiravelmente, a sondagem que o Castelo vem realizando vai apresentando uns resultados animadores, embora o voto nulo esteja muito forte. Representará ela efectivamente a vontade do concelho?

Impressionante


Fonte:A grande fauna

Eis a prova provada de que, mais do que de governos a apoiarem a mensagem da eficácia baseada no máximo lucro, o que precisamos é de governos responsáveis.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Ourem

Um fim de semana em que me será impossível estar por lá.
Fisicamente, porque mentalmente é quase sempre...
Mas seria extremamente interessante conhecer a opinião das pessoas sobre os resultados eleitorais à medida que, no domingo à noite, vão sendo conhecidos.
O que pensam?
Qual a sua importância para o que se vai passar nas autárquicas?
Era engraçado ter as opiniões do Sérgio, do skywatcher, do Jonny, do 1big, do byn_tex, da Fernanda, ...
Se quiserem colaborar, podem utilizar esta via que abrirei desde já.
Uma segunda-feira diferente

E que fazer lá para o fim da tarde, depois da euforia da derrota da direita?
Haverá múltiplas interrogações: O que é que eles vão fazer? Será que se vão outra vez esquecer a que lado pertencem? Será que vão minar isto outra vez com os boys?
Há que permanecer vigilante, há que aproveitar a onda para a fazer chegar a Ourém...
Mas, lá para as seis da tarde, é possível desfrutar na Som da Tinta de mais um convívio:



segunda-feira 21 de fevereiro às 18.00
em ourém

hugo santos
poeta
escritor
professor
de raízes em campo maior
e em torres novas
foi professor em ourém
detentor de muitos prémios,
destacam-se apenas alguns:
prémio de poesia mário viegas
prémio miguel torga (romance)
prémio nacional de conto
manuel da fonseca
prémio nacional de poesia
sebastião da gama

poemas de
hugo santos
ditos por jorge lino

nas palavras do poeta, jorge lino é quem melhor diz poesia
em portugal (e o poeta, embora um fingidor…, não mente)

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

A Cor... para um sábado de reflexão



Cor:
a esquiva anunciação da mão.

Ave
nave
trémulo e apaziguador
coração de bruma

tão de súbito chegado
que na palma se acolhe
ainda incólume.

(passagem obrigatória pela Som da Tinta)
Uma questão pertinente

Amigos oureenses,
onde é que, segunda-feira, se há-de comemorar a derrota da direita?
Que pena eu não poder sair daqui: o patronato não me perdoaria...
Manhã de muito frio

Mas voltei e voltarei enquanto as forças o permitirem.
Tal como ela e muitos outros também eu tive a voz interior que me disse: "vai e escreve sobre Ourém".
Tenho esse direito.
Tenho o direito de expressar as minhas dúvidas sobre tudo o que os outros me derem como certezas. Ao fazê-lo não estou a ofender ninguém. Este espaço é meu. Só o visita quem quer.
Assisti comovido a pequena parte das cerimónias. Aquela bonita história acompanhou-me durante mais de cinquenta anos. Faz parte de mim, assim aquele momento foi como que o acabar de uma era.
Mas não posso negar que estou cheio de dúvidas.
E não é por as expressar que qualquer agente da inquisição tem o direito de se sentir envergonhado ou de me querer calar. Deverá sentir-se envergonhado é por não ter capacidade para suportar as dúvidas dos outros.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Bom, agora vou ver o resto do debate descansado.
Amanhã, contra a vontade do Paulo Sousa, voltarei, se Ele permitir...
Ensino básico e secundário

É óbvio que a estabilidade do corpo docente é uma necessidade vital.
Mas, na óptica deste humilde comentador, fundamental é diminuir o número de alunos por professor de forma a poder transformar um ensino de massas numa relação em que o docente conhece todas as qualidades e problemas dos discentes.
Não sendo contra o ensino privado, há que acabar com a maluqueira da privatização para gerar negócio.
Idade da reforma

Sócrates: desincentivar as pré-reformas; não defende o aumento legal da idade da reforma. Respeitar os direitos adquiridos dos que estão a descontar há mais de 30 anos. Ufa! Que alívio...
Santana: os que têm mais de 35 anos devem poder optar; outros devem ser estimulados a trabalhar mais uns anos.
Louçã: em desacordo com os anteriores. Alterar as regras de financiamento. Promover os que estão abaixo do salário mínimo. É errado aumentar a idade da reforma. As pessoas podem escolher a forma de viver (passear, trabalhar uma ou duas horas...). Pode ser alterada a parte descontada para a segurança social pelas empresas em função da intensidade do capital.
Portas: não é a favor do aumento da idade da reforma (pudera, os votos que ele perdia...). Vai pagar em subsídio de desemprego aos novos o que desconta aos mais velhos (inteiramente de acordo...).
Jerónimo: dedo na ferida em relação às reformas antecipadas.
Mas porque é que esta gente não explora mais a ideia do Louçã?
A voz do povo

Jerónimo é a surpresa positiva desta campanha. Em todas as suas intervenções, sente-se o pulsar dos problemas sociais e dos produtores. Parece uma boa pessoa.
Santana lá volta com a conversa da tributação da banca da sua autoria.
Sócrates retoma o domínio do debate e desafia Santana. Este não está rouco, mas está em baixo e na defensiva.
Abandonar o governo?

Sócrates define o duplo carácter da coligação.
"Para Santana, a coligação é uma sociedade anónima, ninguém é responsável.
Para Portas, a coligação é uma sociedade por quotas."
Portas: "Olhe que eu nunca abandonei o governo". Nem quer abandonar, juntamos nós.
A dupla responsabilidade de Louçã

Com Jerónimo de fora, cabe a Louçã defender as posições da esquerda consequente. E fá-lo com a competência que se lhe reconhece.
"O Portas e o Santana fartaram-se de atacar a banca e não há nenhum banqueiro a queixar-se? Vê-se logo que os seus ataques são fogo de vista."
400000 contos perdoados ao Totta e Açores pelo governo demissionário, enquanto o pequeno empresário e o trabalhador por conta de outrem a nada escapam.
Santana: "A isenção está prevista na lei... Eu fui o primeiro ministro a pôr a banca a pagar mais do dobro". PSL tem sempre algum trunfo escondido.
O demagogo Portas

Lá vem com o rol de conquistas, o grande salvador de postos de trabalho.
Até que ponto estes postos correspondem a produção de riqueza?
Acusa Sócrates de ser pouco sério em termos intelectuais. Esta é muito forte, e Sócrates fica calado.
Portas parece uma matraca faladora...
Sócrates em grande

Portas quer os louros da primeira baixa nas taxas do IRS. Um brincalhão...
Sócrates dá uma monumental desanda na política de direita que conseguiu as taxas de crescimento mais baixas.
Santana replica com a curva de confiança.
Sócrates e Louçã aparecem em grande forma. Santana e Portas mostram caras de pau enquanto o líder do PS parece dominar o debate, ele manifesta uma confiança que nunca lhe tinha encontrado anteriormente.
Jerónimo está em baixo...
Os cinco

Eis tudo a postos para o grande debate.
De um lado, Santana e Portas.
Do outro, Sócrates, Jerónimo e Louçã.
Seria engraçado que isto correspondesse a uma identidade de objectivos.
Lá se vão as ruínas


As ruínas da Capela Posted by Hello

A Câmara procedeu à sua aquisição simbólica por um euro e vai desencadear as obras de recuperação necessárias em ordem a tornar ali possível o culto religioso.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Lúcia de Jesus

Não deixa de ser estranho, contudo, que em oitenta anos do século XX – do século XX dos mass media e da opinião pública – uma pessoa que viveu a que poderia ser descrita (neutralmente) como uma das experiências espirituais mais importantes do mundo nunca tenha dado uma entrevista sozinha, deixada em frente a dois ou três jornalistas por uma ou duas horas, circulado até quem sabe num circuito de conferências em escolas religiosas que fosse.
(continuar a ler Lúcia de Jesus)

Uma facadinha na relação com o patronato

Já tenho os olhos tortos de tanto teste ver.
Urge fazer uma paragem.
E reflectir...
Ter a consciência que estamos em campanha eleitoral.
Descobrir que já foi publicada a portaria que levará o Medieval ao mercado e que, agora, cumpre aos produtores garantir e defender a qualidade do produto.
Mas estes testes não me saiem da cabeça.
Ontem, no Público, António Barreto atacava os programas partidários relativamente à educação. Atacava por cima, como observador externo.
Eu achava bem que os partidos me respondessem:
- Como vão fazer para que os alunos entrem na UNiversidade a conhecer um mínimo de Matemática? É incrível nada sabem de Estatística...
- Como vão fazer para que os seus conhecimentos de Português sejam bem melhores?
É que, parece-me mais que demonstrado, se a resolução do problema for deixado aos actores no terreno, será cada vez pior.
O reencontro

Por vezes, junto ao Central, estacionava uma furgoneta carregada de livros. Era uma biblioteca itinerante. Entrávamos por ali dentro com sofreguidão em busca de umas horas de evasão. O mais simpático é que, já naquele tempo, podíamos levar os livros para casa e tê-los connosco durante um mês até nova visita.

Tornei-me um frequentador assíduo daquele espaço, até que um dia me disseram: A partir de agora, existirá uma biblioteca em Ourém, serás o sócio número 2.

Que honra! O Dr. Durão era o número 1. A nova biblioteca era perto da casa do Administrador, frente àquele chafariz que ainda resiste à sanha destruidora. Para lá me dirigi e lá continuei a procurar livros para me transportar para outras paragens.

Há dias voltei a encontrar uma daquelas furgonetas estacionada ao fundo da rua D. Carlos. Foi como que um reencontro com a Ourém do meu tempo.

sábado, fevereiro 12, 2005

Santana tem razão

"Que democracia é esta em que um partido é mais prejudicado por estar lá a comunicação social, do que por não estar?"

Pobre homem. Ele é sempre vítima. Que teria dado à comunicação para assim contribuir para uma saudável despoluição política do país?

Que pena o Dr. Santana não voltar a Ourém. Talvez com mais três ou quatro visitas, os jornalistas se convencessem a dar uma ajuda para varrer de uma vez por todas os santanetes autoclassificados como ignorantes instalados por cá.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Casa Portuguesa

Atenção, oureenses...
Esta noite, no cineteatro de Ourém, o nosso venerado presidente vai participar na gravação de um programa que visa mostrar o melhor de Portugal ao Mundo.
Que irá ele mostrar?
A javardice que deixou na Praça dos Carros?
A destruição programada para a Rua de Castela?
A destruição da aldeia dos Álamos?
Os caixotes do lixo frente à biblioteca?
O desrespeito pelo PDM?
As facadas na REN e na RAN?
O que mereciam era uma monumental assobiadela...
Entra e tira o teu agasalho...

E onde andará a minha cúmplice da palavra doce que, desde o dia 26, não actualiza o blog?
Um pouco de paciência

Amigos oureenses
sei que estão ávidos pelos posts do Ourem.
Eu também gostaria muito de estar todo dedicado às recordações e problemas da nossa terra.
Mas o dever chamou-me. Tenho 160 testes para ver cada um dos quais, no mínimo, me demora 15 minutos.
Como veem, não há grande margem.
Desta vez tenho de ceder ao patronato.
Até breve!
PS. Eu estou deste lado. Se quiserem comentar alguma coisa, não façam cerimónia.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Finalmente! Uma peça de campanha suportada em problemas da nossa terra


O convite da CDUPosted by Hello
A Joana tem razão

"É necessário nao ter medo e votar na mudança, ultrapassando uma característica portuguesa que é a de ir pelo caminho que já se conhece mesmo sabendo que ele é mau, por medo de ir por um caminho desconhecido."
(Do jantar em Alburitel de acordo com o NO)

Votar... sempre à esquerda... e, se possível, à esquerda do PS!
Do lado certo da História

Choca-me.
É a arrogância de quem pensa que a fugaz vitória dá razão à agressão baseada na mentira.

Memórias do vinil (7)




Je suis parti sans un adieu
Il valait mieux pour tous les deux
Laisse-moi te dire, laisse-moi te dire
Je t'aimais bien


Je suis parti
La mélodie elle est trop triste
Oh ! c'est ma vie
Ecoute-là, écoute-là
Elle est pour toi.


Je suis parti
Cette chanson
Je l'ai chantée en criant ton nom
Ne pleure pas, ne pleure pas
Elle est pour toi


Je suis parti sans oublier
La belle histoire que l'on se racontait
Je n'ai plus rien, je n'ai plus rien
C'est ma chanson, c'est ta chanson.

(Esta era de Leiria no tempo em que os Corsários de Apolo estavam no máximo da sua força. Na Esplanada, bem protegidos pelo Castelo, ouvíamos o João Antunes, o magnífico vocalista que chegou a ir ao Zip, enquanto ele procurava exibir-se para as meninas do liceu. O Zé Domingos também foi testemunha).

quarta-feira, fevereiro 09, 2005


Despotismo autárquico

Será legítimo o presidente de uma junta de freguesia atribuir as instalações de uma escola desactivada a uma associação de caçadores? Sem dúvida que sim.

Mas será isso legítimo quando a população que essa mesma escola servia tinha outra finalidade a dar-lhe e disso se conhece hoje documentação?

E quando os caçadores nem sequer são dessa localidade?

E será legítimo que os caçadores imponham os direitos conferidos pelo presidente da junta pela força das armas, como pode deduzir-se do comunicado da Associação de Cultura da Amieira?

Tenho as minhas reservas: o poder não faz sentido sem uma população a quem servir. Ora, o poder instalado em Ourém e em algumas freguesias da mesma começa a manifestar-se como totalitário, despótico.

As suas atitudes são exemplos de quem não liga nenhuma à população de determinado local, impondo-lhe o que melhor serve os seus fins e da sua clientela. Por vezes não respeitam a própria lei que elaboraram ou para a qual contribuiram de que é exemplo o PDM.

Estão em maioria e utilizam o poder para decidir o que melhor lhes convém. Isto pode parecer democrático, mas é o contrário da democracia, parecendo dar razão aos que afirmam que, nas eleições, o povo escolhe quem o vai espezinhar e oprimir.

A Amieira está a conhecer aquilo que vimos denunciando em Ourém há cerca de um ano: fazem o que querem, utilizando o poder que o voto lhes deu.

A Assembleia dos Servos de David

Eles estiveram reunidos nas Matas e atribuiram interesse público ao projecto. Como se isso afastasse todos os riscos associados ao mesmo, como se a natureza pudesse ser ultrapassada por uma votação baseada na fidelidade partidária. Como se não fosse possível afastar a sinistralidade de um local sem beneficiar um privado interessado numa obra na zona.

O que isto prova é que por vezes as estruturas democráticas podem ser utilizadas de uma forma preversa.

A oposição votou contra, fez o seu dever. A Quercus continuou a avisar.

Nada serviu para contrariar os desígnios daquela gente ali reunida. São verdadeiros Servos de David.


Memórias do Vinil (6)


A minha primeira relação com o mercado de trabalho foi, pelos quinze anos, quando fui substituir, em momento de férias, uma pessoa que trabalhava no posto de turismo em Fátima que ocupava cerca de metade do espaço onde é, hoje, a farmácia. Autêntico trabalho infantil durante duas semanas que procurava explorar os meus conhecimento de inglês e francês pondo-os ao serviço dos peregrinos. Não era difícil, havia um lote de coisas preparadas para distribuir e informar e os visitantes também não eram muitos: "Ora, tem aqui a Capelinha. Também pode ir aos Valinhos ver a loca do Anjo...".
Assim, nos muitos momentos livres, dediquei-me a fazer o reconhecimento do local. E estava nesta prospecção quando, de repente, os meus olhos deram com algo de diferente, algo com a forma de uma mala. A curiosidade forçou-me a abrir aquilo e fiquei deslumbrado com a visão. Pela primeira vez, tinha à minha frente um gira-discos. Ainda emocionado, fechei-o e recoloquei-o no mesmo sítio.
Mas, no dia seguinte, a recordação daquela visão não me deixou descansado. Voltei a abri-lo e liguei-o, testando aqueles manípulos que diziam 33, 45 e 78. Vi que aquilo andava e até produzia algum som. Continuei a procurar...
Acabei por descobrir um single dos Beatles de nome "All my loving" e outra canção cujo intérprete já não recordo e que se chamava "This land is your land".

Fátima ganhou novo encanto. Os dias seguintes passei-os a ouvir a maravilhosa viola do Harrison e aquelas vozes que nunca mais me largaram. Em frente ao posto de turismo, os peregrinos e as meninas daquelas lojecas todas iguais, símbolo de mercado de concorrência perfeita, parecia que dançavam ao som da música que eu lhes dava.
Ao fim do dia, quando regressava para junto da oficina do meu pai, os sinos que cantavam a Avé Maria, pelas sete horas, confundiam-se com o magnífico som que não conseguia largar a minha mente...

Close your eyes and I'll kiss you,
Tomorrow I'll miss you;
Remember I'll always be true.
And then while I'm away,
I'll write home ev'ry day,
And I'll send all my loving to you.

I'll pretend That I'm kissing
the lips I am missing
And hope that my draems will come true.
And then while I'm away,
I'll write home ev'ry day,
And I'll send all my loving to you.

All my loving I will send to you.
All my loving, darling I'll be true.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

O Dr. Jardim tem razão

"O Professor Cavaco Silva deve ser expulso do PSD, porque pertence à brigada de reumático da III República."
Quanto ao Dr. Jardim, distinto representante dos atrasados mentais da oligarquia madeirense, fica lá muito bem.
Algo de muito grave se está a passar na Amieira




É tudo por causa desta linda casinha que tem inúmeras recordações para as pessoas da Amieira. O que eu vejo no comunicado que se segue é um caso de polícia. Será que agora os caçadores têm direito a humilhar as populações dada a força das armas?
Para que serve a junta de freguesia?
Para que serve o Presidente da Câmara?
Para que serve a GNR?

Eis o comunicado:

ASSOCIAÇÃO CULTURAL ESCOLA DA AMIEIRA

Comunicado


Graves provocações e humilhações dirigidas pelos caçadores de Urqueira à população da Amieira na sua antiga escola


No dia 6 de Fevereiro de 2005 cerca das 08:00 ocorreram os seguintes factos:

Aproveitando a realização da concentração para a batida de caça às raposas pela direcção dos caçadores de Urqueira, população da Amieira reuniu-se antes da chegada dos caçadores, para uma visita à escola que tinham frequentado e onde está parte das alegrias e saberes compartilhados no passado recente de todos.

À chegada dos caçadores todos os Amieirenses presentes se encontravam em plena confraternização, pacificamente e com urbanidade recordando os tempos e experiências ali vividas.

Surgiram então caçadores com arrogância auto-afirmando-se donos e senhores daquele espaço público, com provocações, procurando o confronto com a população ali presente proferindo termos ofensivos e injuriosos.

Os Amieirenses formam impedidos de entrar dentro do edifício da escola que frequentaram. O presidente dos caçadores alertado para o sucedido, pelo presidente da Associação Cultural da Amieira nada fez.

A Associação Cultural Escola da Amieira manifesta publicamente o seu repúdio pelos factos, os quais indignaram e ofenderam profundamente a população do lugar.

A Associação tinha solicitado por carta enviada em 1 de Fevereiro ao presidente dos caçadores de Urqueira para não violar a sala de aulas conforme tinha ocorrido a 30 de Janeiro.

A Associação Cultural Escola da Amieira apelou na carta à auto-reflexão e bom senso dos caçadores, sensibilizando-os para locais próprios e melhor adequados para actos que o grupo de caçadores pratica ou pretende vir a praticar.

Foram ainda os caçadores informados dos sentimentos e ligações que os Amieirenses têm com a antiga escola da Amieira.

A ocupação do local emblemático dos Amieirenses pelos caçadores irá ser sempre um elemento de desestabilização e perturbação no bom relacionamento, da boa convivência e urbanidade existente.

A Associação Escola da Amieira interroga-se sobre a negligência do Sr. Presidente da Junta de Urqueira em responder a uma audiência pedida no dia 30 de Dezembro de 2004.

A Direcção,
Amieira, 07 de Fevereiro de 2005

Memórias do Vinil (5)



Em férias, a Nazaré era o esplendoroso destino de muitos oureenses. Assim foi até aos meus quinze ou dezasseis anos, umas vezes com os amigos outras com a família.
Nos últimos anos, a excelente convivência com o pessoal fazia que aquele fosse o local mais apetecido, com esplanadas enormes, música difundida em altifalantes, passeatas de grupos pelas estreitas ruas onde por vezes se desenhavam os primeiros namoriscos em mãos dadas.
Junto ao porto, uma máquina de discos permitia que através de uma moeda se ouvisse o "And I love her" dos fab four.
Depois, a chegada do fim, mostrava-nos a volatilidade de tais encontros que acabaram por ser celebrados em múltiplas canções como o "Capri, c'est fini" do Hervé Villard e o "Sylvie" do Ouro Negro. No entanto, nenhuma exprimiu tão bem o quanto valiam aqueles dias e a tristeza da separação como a inesquecível protagonizada pelos Les Chats Sauvages, "derniers baisers":

Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter peut-être pour toujours
Oublier cette plage et nos baisers
Quand vient la fin de l'été sur la plage
L'amour va se terminer comme il a commencé
Doucement sur la plage par un baiser

Le soleil est plus pale mais nos deux corps sont bronzés
Crois-tu qu'après un long hiver notre amour aura changé ?
Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter les vacances ont duré
Lorsque vient septembre et nos baisers

Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter peut-être pour toujours
Oublier cette plage et nos baisers, et nos baisers
Et nos baisers !


A minha notável tentação para estragar as estatísticas

Apenas um em cada dez portugueses não usa telemóvel.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Jerónimo tem razão

"Subir a idade da reforma?!!!
O Eng. Sócrates ainda provoca por aí algum sobressalto social..."

Mas será que os amigos socialistas não percebem que tal medida não tem qualquer utilidade?
Que só servirá para manter os jovens no desemprego durante mais tempo?
Será que eles não veem o rejuvenescimento que existe nas empresas através da substituição de pessoas com sessenta por jovens com vinte?
E o grande acréscimo de produtividade que daí pode vir?
O Dr. Santana tem toda a razão

"A banca deve passar a pagar o dobro dos impostos.
Vamos acabar com o imposto automóvel."

Isto é que são promessas. O Eng. Sócrates devia aprender com o PSD, aliás, devia aproveitar um dos 650000 estágios profissionalizantes que PSL ontem prometeu.
Vivam as promessas do Dr. Santana!!!
O nosso grande caudilho...
O Peron de Portugal...

domingo, fevereiro 06, 2005

Memórias do Vinil (4)



Arrête, arrête ne me touche pas
Je t'en supplie ai pitié de moi
Je ne peux plus supporter
Avec une autre te partager
D'ailleurs demain tu te maries
Elle a de l'argent, elle est jolie
Elle a toutes les qualités
Mon grand défaut c'est de t'aimer
Arrête, arrête ne me touche pas
Je t'en supplie ai pitié de moi
Dès que tes mains se posent sur moi
Je suis prête à subir ta loi
Mais tu as préféré les grands honneurs
A la place de notre bonheur
Et, et pour garder tes ambitions
Tu as détruit mes illusions

Je sais, je sais tu m'aimes encore
L'orgueil pour toi est le plus fort
Il a vécu le grand amour
Pour garantir tes vieux jours
Il faut, il faut nous quitter sans remords
Tu es le maître de ton sort
Laisse-moi, laisse moi te féliciter
Demain, demain tu vas te marier

Chez elle tu auras le confort
Chez moi tu jouais avec mon corps
Chez elle tu vas te distinguer
Chez moi tu venais te griser
Ce soir, ce soir c'est la dernière fois
Que je te parle, que je te vois
Puisque, puisque c'est elle qui aura ton nom
Ce soir, ce soir moi je te dis non
Non ! Non !

(A lamechiche francesa em todo o seu esplendor na fase do Fernão Lopes. Chamava-se Patricia Carli, e não recordo bem o nome da canção. Recordo sim que a sonoridade era excelente e a entrada fantástica com aquele "Arrête, arrête.." pelo que se me tornou inesquecível).
O Dr. Cadilhe tem razão

Os submarinos encomendados pelo Paulinho das Chaimites não têm qualquer interesse para o país. São pura delapidação do nosso magro património em momento que carecemos de aplicações bem mais úteis noutros sectores de actividade.

A chuva voltou

E imagino as vaquinhas, os bezerros, os cabritos, os borregos, os carneiros todos a olharem para o céu, a agradecerem esta magnífica dádiva e, possivelmente a pensar:

O Eng. Sócrates tem razão. São precisos canais de rega para aproveitar o Alqueva, não o podemos deixar esquecer a promessa, mesmo que vá contra alguns interesses baseados no lucro.


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