quinta-feira, junho 09, 2005

Cercal



Escudo de vermelho, águia de prata realçada de negro, acompanhada em chefe de um ramo de oliveira de prata, frutado de negro, entre duas pinhas cosidas de verde, com suas agulhas; campanha ondeada de prata e azul. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "CERCAL - OURÉM". Posted by Hello

De acordo com a página da casa amarela:

É uma das freguesias mais jovens do concelho, tendo conquistado a autonomia somente em 1984, após a desanexação de Espite. Porém, exprime uma capacidade de trabalho e iniciativa exemplares.

A presença humana por essas terras remonta pelo menos a tempos romanos, a avaliar pela descoberta de uma estação romana no lugar da Abelheira, uma ocupação facilmente justificada pela assiduidade de encostas soalheiras, vales protegidos e terrenos irrigados.

O lugar de Ninho de Águia combina um misto de história e fantasia que orgulha as suas gentes e fascina o visitante: a história sobrevive materializada pela Capela do Ninho de Águia, que após a fundação em 1639, viria a ser alvo de saque e destruição por parte das invasões francesas; a recuperação em 1868 devolveu-lhe a dignidade, sendo esta reforçada recentemente com novas obras de restauro. O topónimo em si, persiste envolvido pela lenda de um menino que terá sido resgatado por uma águia... conto esse que alimenta uma ligação entre Cercal e Seiça, ainda que somente no campo do imaginário colectivo.

Cercal partilha ainda com outras freguesias um dos miradouros mais elevados e deleitáveis do concelho, o Cabeço de Óbidos, elevado 370 m. acima do nível médio das águas do mar, de onde se pode contemplar a fisionomia geral do concelho.

A economia local faz-se representar pela pluralidade de actividades ligadas ao sector primário e à indústria. Note-se que a silvicultura ocupa elevadas extensões da área da freguesia, ao ponto de actuar simultaneamente como um dos principais «pulmões» do município.

Os equipamentos de apoio social, esses ganham forma a um ritmo saudável e vão garantindo uma capacidade de resposta às necessidades dos utentes. Também os espaços desportivos e aptos a servir o lazer ocupam uma posição importante na freguesia, pelo que fomentam a coesão da comunidade.

Atravessada pela a Estrada 505, uma das principais vias municipais, Cercal é hoje uma freguesia que se dá a descobrir.

Aliciamento...



Eis um texto do Serviço Alemão de Informações, editado em 1941, claramente com o objectivo de aliciar simpatias:

Viagens do operário alemão!...
Magníficos barcos de férias levam-no aos fiordes da Noruega e ele fica extasiado perante as maravilhas do panorama nórdico; desembarca nas costas do Mediterrâneo e nas benditas ilhas do Atlântico e goza o sol radiante do Sul. Atravessa as extensas florestas e vales encantadores da Alemanha, passa por velhos burgos, cidades e aldeias românticas.
Ei-lo também alpinista corajoso e enérgico, ou então, a deslizar pelos montes, em ski.

O texto é profusamente ilustrado demonstrando que aquelas promessas pelo menos se realizavam para alguns privilegiados que foram fotografados na subida à montanha para admirar o panorama do Grossvenediger ou numa sesta sob as palmeiras.

quarta-feira, junho 08, 2005

Hino das Comboianas #
Pouca terra, pouca terra
O comboio já lá vem
Entro eu, estras tu,
Todas nós já entramos,
Pouca terra, pouca terra...
Caixas, meias e «quejandos»,
Vendo eu e vendes tu:
Parece a feira lá da terra!
O ponto de cruz vai andando,
E o tricot e o crochet
Nas mãos ágeis vão crescendo,
E as línguas, sem descanso
Contam isto e mais aquilo,
Do fulano e do beltrano.
O tempo vai passando,
Já estamos quase chegando
-Caxarias, já cá estamos!
E no Manalvo, nós entramos:
- Sr. António, que é o almoço?
- Sr. Luís, um cafezinho.
E não esqueça o copinho
Daquela água abençoada
Lá da fonte do barquinho!
Ai meu Deus! Olhem as horas
Para e escola temos de ir
Os meninos temos de ensinar
A crescer e a sorrir.
Ai meu Deus, até que enfim!
Este dia chegou ao fim.
O comboio vamos apanhar,
Porque a casa vamos voltar
E amanhã será outro dia
Para o comboio apanhar.
Pouca terra, pouca terra,
Já lávem a apitar,
Já se vê na curva a entrar,
Entro eu e entras tu,
Pouca terra, pouca terra,
Lá vai ele a apitar:
Uuu uuuu uuuuu uuuu!


Abril 98
Comboianas #: grupo de professoras que apanha o comboio entre Coimbra e Caxarias

Maria Paula Leitão Mendes Gameiro

Via Educare
Caxarias


Escudo de azul, banda enxequetada de prata e vermelho, de duas tiras, acompanhado em chefe, sinistra, de uma palma de ouro, posta em pala e, brocante, uma faca de punho vermelho e lâmina de prata, em ponta, duas burelas ondeadas de prata. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas " CAXARIAS - OURÉM " Posted by Hello

Terra da Teresa. Já não me lembro em que sítio li isto:

Caxarias é freguesia do concelho de Ourém desde 9 de Junho de 1947. Situada no extremo norte desse concelho, assenta sobre afloramentos do cretácico que formam uma espécie de pequenos planaltos calcários. Banhada pelas águas do Tomatel, Caxarias é rasgada pela via férrea do Norte, o que lhe facilita o desenvolvimento, tornando-a na principal freguesia (vila sede de freguesia) na sua área de influência, tornando-a também local eleito da escola-sede de um Agrupamento Vertical de escolas.

A freguesia de Caxarias é composta pelos seguintes lugares e povoações: Abadia, Águas Formosas (parte), Andrés, Balancho, Barreira, Carvoeira, Casais da Abadia, Castelo, Caxarias, Chã, Cogominho, Faletia, Pisão do Oleiro, Pisões, Pontes, Ribeira, Seixal, Valados, Vales e Vendas.

Com uma área de cerca de 23km2 para perto de 3100 habitantes, a freguesia está situada numa região de pinhal onde, nos vários vales, se pratica uma agricultura de subsistência.

A zona é eminentemente agrícola.

Os mais velhos dedicam-se à agricultura, exploração florestal e alguma pastorícia, complementada com a sua reforma, muitas vezes adquirida em França.

Os mais novos dedicam-se à construção civil ou trabalham como operários em oficinas, serrações e metalúrgicas, principalmente concentradas na sede de freguesia.

A maioria das mulheres não trabalha fora de casa, dedicando-se à agricultura a nível doméstico.

Não obstante todos os condicionalismos negativos que uma situação de interioridade implica, tem-se verificado nos últimos anos um excelente ritmo de crescimento.

As principais actividades económicas da região são a indústria de transformação de madeiras, a metalomecânica pesada, a construção civil, entre outras actividades de índole comercial.

Faz falta indústria que proporcione emprego para mulheres, no entanto, quase não há desemprego masculino.

O gerico do Clemente

Que mártir, as 5.as feiras,
Quando ia para o mercado
Carregadinho, ajoujado
Com sacas, fardos e ceiras!

Se eu lhes disse que o jumento
Carregava como um macho,
Palavra que nao invento,
Calculo ainda por baixo.

E era tao forte o costume
Que fôsse o peso qual fosse,
No seu olhar triste e doce
Nao se lia um azedume.

Um dia, vendo-lhe as chagas,
Compadecido, o patrao
Resolveu, com muitas pragas,
Melhorar-lhe a situaçao.

E pôs-lhe em cima um carrego.
Tao leve, tao maneirinho,
Que até no dedo mendinho
O levaria um galego!

Pois, nao lhe digo mais nada!
O pacientíssimo bruto,
Ao sentir sôbre a lombada
Um peso tao diminuto,

Pôs-se aos coices a zurrar,
A recusar o serviço
E naquele reboliço
Atirou a carga ao ar!

Conheço muito casmurro
Que, em sendo tratado bem,
Agradece como o burro
De Vila Nova de Ourém.


(Do livro Fábulas e historietas de Acácio de Paiva) in, Notícias de Ourém de 07-04-1935
Via Notícias de Ourém
SONETO SOBRE LEIRIA

Minha terra velhinha! Assim te quero,
Ente as olhalvas frescas, pequenina,
Teu Lis saudoso, teu castelo em ruína,
Teu ar de monja, tímido e severo.

Assim te represento e te venero,
Te possuo em minh'alma e na retina.
Deixei-te muito cedo, porque é sina
Fugir de quem mais amo e mais espero.

Ela me arrasta, força e descaminha,
Mas não me esqueces, terra doce e triste,
Vetusta jóia de precioso engaste.

Em cada pedra tua, em cada ervinha,
Quantas vezes comigo tu sorriste
E, só porque eu chorava, tu choraste!


Acácio de Paiva
A casa do poeta


Antiga igreja paroquial, casa do poeta Acácio Paiva e Museu Etnográfico - moinho de águaPosted by Hello

Olival é uma das freguesias mais antigas do concelho de Ourém, tendo sido ocupada já no tempo dos romanos. A sua antiga igreja paroquial é um amplo templo quatrocentista com belos silhares de azulejos polícromos do século XVII, pinturas retabulares sobre madeira e altares em talha dourada (Para visita contactar o pároco). Neste lugar pitoresco, encontra-se uma artística residência rural onde viveu a família do poeta Acácio de Paiva. No pátio abarrocado chama a atenção a fonte de pedra setecentista. A abundância de água na zona foi determinante para a proliferação de moinhos dos quais ainda hoje se podem encontrar alguns em actividade. O quotidiano centrado à volta destas pequenas unidades industriais está bem retratado no museu etnográfico do Olival que integra um dos muitos moinhos de água outrora ali existentes.

Via
Roteiros da Natureza > Entre vales e outeiros
Copyright: João Pedro Bernardes e Paulo Santos Fonseca
Fotografia: Domingos Patacho, José Alho, José Rui Paisana, Margarida Costa e Paulo Santos Fonseca
Edição: RTL/F

Olival


escudo lisonjado de prata e púrpura; brocante, uma mata de oliveiras de verde e, em ponta, ondeado de azul e prata de três tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "OLIVAL - OURÉM". Posted by Hello
Uma organização impressionante



Eis a prova de que os discursos de HItler chegavam aos oureenses. Neste caso, a edição é de 1941 por um Serviço de Informação da Legação da Alemanha em Lisboa.
Não se impressionem os meus amigos com o termo traição que parece indicar qualquer cumplicidade anterior dos soviéticos: logo na segunda ou terceira página, o Führer informa acerca do desconforto que nos vinte anos anteriores a existência de uma formação socialista lhes teria provocado.

terça-feira, junho 07, 2005

Alburitel


Escudo de ouro, cacho de uvas de púrpura folhado de verde, três ramos de oliveira de verde, frutados de negro e três espigas de milho de vermelho, folhadas de verde e atadas de azul, tudo bem ordenado. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : " ALBURITEL ". Posted by Hello

Terra da boa pinga e de excelente azeite, a avaliar pela imagem anterior.
Daqui partiu Albuquerque à conquista de Ourém e do país. Aliás, temos de reconhecer, a nível de sonoridade, a monumental parecença do seu nome com da freguesia.
Não encontrei página para a junta de freguesia (em determinada página há um apontador para o presidente da junta de freguesia: Manuel Guerra do PSD cujo perfil é desenvolvido pelo Notícias de Fátima), mas encontrei algumas descrições que poderão ajudar a construí-la. Eis a primeira:

Constituída por apenas dois lugares, Alburitel e Toucinhos, esta freguesia é uma das mais pequenas do concelho sendo habitada por cerca de 2.500 habitantes, ocupando uma área de 11.5 Kilometros quadrados.
Tem uma história primitiva, o nome "Alburitel" vindo da presença árabe. Prossepõe-se a passagem de uma via mediaval pelo Vale do Azurrague, que ligava Santarem a Coimbra. A posição geografica da freguesia de Alburitel é favoravel, devido a fazer a ligação entre Ourém e Tomar.
A religião destas gentes tem a ver com a antiguidade dos seus templos, certificam-no a capela de S.Salvador nos Toucinhos, construida em 1592 e a ermida de N. S. da Ajuda, fundada em 1604.
A paisagem da serra, com as suas "lapas" e Vales é apresivel o olhar dos visitantes e a mistura da vinha com os olivais firmados sobre escarpas calcárias.
Alem de ter equipamentos sociais e desportivos, que proporcionam uma boa qualidade de vida á população, a freguesia concentra alguns serviços e postos de comercio, bem como muitos jovens.
Alburitel é conhecido pelas casas de petiscos existentes na localidade. Convida por isso a uma breve paragem com direito a um passeio pelas encostas panorâmicas, seguindo de uma visita aos templos mais antigos e, culminado por fim com uma excelente experiencia gastronomica.

Quanto à génese do topónimo "Alburitel", a mesma é explicada através de duas versões; uma aponta que a sua forma deriva do árabe, reconhecendo-lhe semelhanças com a palavra espanhola "Alborete", cujo significado é "correio"; o argumento apresentado para justificar esta versão é que no limite desta freguesia passava, pelo "Vale do Azurrague", a estrada medieval que ligava Santarém a Coimbra, pelo que seria então possível que ali existisse um posto de entrega de correspondência.

A outra explicação filia-se no nome de um tal "Álvaro Teles", que se julga ter sido fidalgo e senhor destas terras, e cuja junção dos seus dois nomes, seguida da corrupção da mesma, originaria a palavra "Alburitel". O nome de Álvaro Teles acabou mesmo por ser dado à rua principal da freguesia.

Urqueira (2)

A junta de freguesia da Urqueira não tem página na NET, mas uma pesquisa no Google permite-nos determinar a sua composição:

Presidente António Marques das Neves (PPD/PSD)
Secretário Armando Duque Valente
Tesoureiro Luís Miguel de Brito Pascoal
Existem ainda múltiplas referências a esta freguesia, algumas com algum interesse:
No notícias de Fátima
A lista da CDU às autárquicas de 2001
A história da construção da Capela
A escola da Amieira, imbróglio de que nunca mais tivemos notícias.
Urqueira


Escudo de vermelho, dolmen de ouro realçado de negro, entre dois pinheiros de prata, arrancados do mesmo e frutados de verde; em contra-chefe, três coticas ondeadas de prata e azul. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro em maiúsculas : " URQUEIRA". Posted by Hello

É a terra do velho amigo Amândio do Colégio Fernão Lopes, aquele que ia e vinha todos os dias de bicicleta
Sobre a mesma, encontrei esta interessante resenha histórica:

Freguesia desanexada de Olival em 1928, revelou-se no último quartel deste século como uma região de grande importância arqueológica, tendo vindo a merecer uma atenção especial por parte de diversos estudiosos que não hesitam em considerá-la uma das freguesias historicamente mais ricas do concelho.

A antiguidade milenária desta terra é atestada pela própria toponímia - Vale das Antas e Urqueira (Orqueira - Orca) - apontando para a existência na localidade de túmulos sepulcrais de eras pré-históricas.
Indiciando isso mesmo, temos ainda a carta de Couto passada por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Maria de Tomaréis, na qual o monarca se refere claramente a uma “mamoa” que por ali se encontrava: “Vadit ad mamonam vertente acqua quomodo vadit ad orcariam”. Na actualidade parece não haver grandes dúvidas de que as terras de Urqueira abrigaram uma “civilização megalítica”, podendo mesmo já serem habitadas em finais do Eneolítico.
É pelos finais do reinado de D. Afonso Henriques que se dá a primeira tentativa de povoamento de "Orqueira", outorgando-se em 1180 uma carta de povoação, mas apesar dos maiores esforços dos frades de Tomaréis no sentido de desbravar o denso matagal, nada se conseguiu. Nova tentativa e coroada de êxito, é feita por D. Dinis em 1299 mas agora entregando o lugar para povoar a Martim Lourenço de Cerveira, tornando-se este o fundador do actual lugar de Urqueira. Na carta passada por D. Dinis referia-se expressamente que Martim Cerveira possuiria a povoação “durante toda a sua vida como donatário, obrigando-se a revertê-la à coroa após a sua morte,
com todas as suas benfeitorias”.
Aqui nesta freguesia, no lugar do Estreito, passou-se há 300 anos um episódio que ficou nos anais da região e que foi dado a conhecer por Frei Agostinho de Santa Maria no seu “Santuário Mariano”. O conde de Castelo Melhor, D. Luís de Sousa e Vasconcelos, também primeiro ministro de Afonso VI, após ter perdido o valimento junto do novo monarca, D. Pedro II, irmão do anterior, a quem depôs, fugiu disfarçado acabando por encontrar refúgio nesta aldeia.
Algum tempo decorrido, três cavaleiros provenientes de Lisboa, de passagem por ali, surpreenderam-no quando acompanhava um lavrador que conduzia uma carrada de mato. Ao notar o interesse que os cavaleiros mostravam por si, afastou-se sorrateiramente, seguido pelo lavrador, que descarregou sobre ele todo o mato que transportava, frustrando assim os intentos dos cavaleiros que acabaram por se afastar.
Saído do esconderijo, D. Luís atribuiu o caso à intervenção de Nossa Senhora do Testinho, de cuja imagem, oferecida pelas religiosas de Santo Alberto de Lisboa, jamais se apartava. O conde fugiu do País, mas, quando anos mais tarde regressou, quis pagar a dívida contraída com Nossa Senhora do Testinho, ao defender-lhe a vida no esconderijo do Estreito.
Então, como conta o “Santuário Mariano”, o conde “mandou levantar neste sítio uma ermida a Nossa Senhora, e nela mandou colocar uma imagem sua de madeira estofada, com o Menino Deus sentado sobre o braço esquerdo, a qual faz de estatura três palmos e meio, compondo a ermida de todos os ornamentos necessários, consignando renda própria para a sua fábrica”. Além de entronizar a imagem na ermida, o conde mandou gravar uma inscrição em latim, evocativa, e do ano de 1687.
O outro templo de culto da freguesia é a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Piedade, com nave coberta de tecto de madeira e a capela-mor abobadada. No trono, dentro de uma maquineta, está a imagem da padroeira, bonita escultura de madeira do princípio do século XVIII.
Nossa Senhora da Piedade é o orago da freguesia de Urqueira, sendo o segundo Domingo de Agosto o dia destinado à sua celebração.
Via Distritos de Portugal
Em passeio pelas freguesias

Por acaso, ontem descobrimos a página da freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias.
A minha opinião é que seria bom que todas as nossas freguesias tivessem uma página na Internet e que a partir da mesma aos cidadãos fosse possível tratar assuntos, pedir esclarecimentos e inclusivamente fazer acesso à Câmara.
Vamos prosseguir esse passeio.
E pergunto-me: haverá por aí algum candidato que queira modificar um panorama que é com certeza pobre, garantindo que, com a sua eleição nas próximas autárquicas, fará que os sistemas de informação e comunicação se articulem num todo harmonioso em ordem a chegar ao mais longínquo munícipe?
Um mundo novo



Este livro é algo extremamente bem feito dirigido aos trabalhadores.
“A concepção puramente materialista de que o trabalho era um mal necessário, opôs-se a vontade de libertar o trabalho da sua maldição e de lher dar o valor dum serviço honroso. Todo o trabalho útil representa um serviço prestado à comunidade e tem, por esta razão, a sua honra”.
E quem poderia discordar destas palavras que, em 1941, foram distribuídoas pelo nosso país e onde se enaltecia as novas condições de trabalho na Alemanha? Ainda no mesmo documento, um conjunto de fotografias documentando elementos que acompanhavam essas condições de trabalho: recreio nos jardins depois de almoço, desportos e alegria, ping-pong, a biblioteca da fábrica...
Enfim, propaganda elaborada por alguém extremamente competente.

segunda-feira, junho 06, 2005

Wake me up when September ends

Uma bela canção que o filhote me tem ensinado a ouvir.
Aliás, muito do que conheço recentemente, a ele o devo, pois, por mim sozinho, nunca seria capaz de dar a atenção que agora dou aos Dover ou aos Green Day.
Nossa Senhora das Misericórdias



Sabiam que esta lendária freguesia tem uma página toda bonita na Internet? Vejam, está aqui.
Oureana, Moura amada
Por Rosalina Melro

Corria o ano de 1136. Num dos seus ousados e bem sucedidos fossados, D. Afonso Henriques arrebatava a fortaleza de Abdegas, atalaia mourisca alcandorada em elevado morro, num lugar de difícil acesso que travava o avanço dos Cristãos para a linha do Tejo.
Entre os intrépidos guerreiros das hostes do Conquistador encontrava-se o lendário Traga-Mouros, filho de Hermígio Gonçalves, companheiro de Afonso Henriques desde a meninice nas terras galegas do Condado Portucalense. É dos amores desse temível guerreiro que hoje iremos falar. Mais uma lenda apenas. Uma das muitas versões que correm na vila velha de Ourém. Lenda que imortaliza a mais amada de todas as mouras, a doce Fátima, baptizada Oureana pelos cristãos, a bela filha de Abu Déniz, capitão da fortaleza de Alcácer do Sal, nas terras de mar e sol que se alongam para o Sul, a Ocidente do antigo Garbe.
Crelo não errar se disser que de todas as lendas reunidas por Almeida Garrett, a mais poética e, também, a mais dramática é esta Lenda de Ourém, onde se conta a história de um amor que se prolonga para além da morte, pois reúne, na mesma campa aberta em terra sagrada do adro da igreja do Castelo de Ourém, os corpos de Oureana e de Gonçalo Hermigues, o Traga-Mouros. Mas comecemos a Lenda tal como a ouvimos nas terras que foram de D. Teresa, infanta de Portugal.
O galã da "Lenda de Oureana" é dotado de superiores talentos, posto que é o primeiro de todos os belos Trovadores que iniciam as cantigas em Lingua Galega com o novo modo de trobar trazido pelos Cruzados que, dos longínquos castelos da doce Bretanha, tinham vindo auxiliar nas lutas contra os Mouros nos tempos da reconquista. A sua voz melodiosa, a sua arte sublime de poeta, a sua sensibilidade ao dedilhar o alaúde, eram um poder mágico que abria ao guerreiro-trovador as portas de todos os castelos cristãos da Galiza até Coimbra.
Os Mouros tinham esfacelado o seu valente pai, apelidado de Lutador, durante aquela sangrenta Batalha de Ourique, num golpe de traição. Chorou-o como D. Afonso Henriques que, logo em seguida, auxiliado por poderes divinais, degolou cinco reis mouros e desbaratou o poderoso exército da moirama. Gonçalo Hermigues substitui, então, no lugar de valido do rei, o seu nobre pai. Recebe a honra de governar o Castelo de Abdegas acompanhado de um valente punhado de nobre guerreiros, todos jovens e bem treinados nas duras lutas contra o infiel.
Numa noite de S. Joáo, os moços cavaleiros entretinham-se em jogos de lanças, quando um dos mais ousados propôs um treino mais proveitoso nessa noite de amores e de folgança para cristão e para mouros. Em breve, cavalgavam nos areais, batidos por mansas ondas. Embarcam no batel dos cruzados, ancorado junto à praia. Rompia a madrugada, de um S. João exaltante, quando o batel chegou à foz do Mira. Atracaram, em silêncio, frente aos campos floridos de Alcácer. Subitamente, vindo do lado do Alcazar, o vozear pipilante de um bando de formosas e jovens mulheres. Destancando-se de todas as outras, a mais garbosa era Fátima, a filha dilecta do governador do castelo. Sobre ela tombaram os olhos de Gonçalo Hermigues. Por ela ficou enfeitiçado o Traga-Mouros. Logo, esquecidos os perigos, ele improvisa uma trova sublime. Desse momento se acham vestígios nos Cancioneiros Medievais.
Sem temor, a doce Fátima corria para os braços do Trovador. Tomados de êxtase, cada um dos cavaleiros arrebata uma moirinha. No ar perfumado de giesta e rosmaninho, ouviam-se as trovas, que haveriam de dar o nome a Oureana:

Oureana!Oureana! Oh! Tem por certo
Que esta vida, de viver,
Toda a vida se olvidou naquele aperto.
E o que em troco eu vim a haver
Não há mais para se ver.
Ora vos tenho, ora não
E um a um eles que chegaram
Já me apanhaste e já não...
D'aqui largam e d'ali pegam,
que anda tudo ao repelão
Por mil golvos retoiçando
Ai,ai, que vos avistei!...
Já sei por que ando lidando,
Que em tais terras bem pensei
Melhor fruto não verei.

Entretanto, aproximava-se uma chusma de mouros, bem armados de alfanges e adagas reluzentes. Corriam a salvar as suas irmãs e noivas. Então, o corajoso Gonçalo Hermigues deitou o corpo de Fátima, que entretanto desmaiara, sobre uma pequena duna e ordenou aos companheiros que fossem para o batel e o aguardassem. Sozinho, fez frente aos aguerridos sarracenos e, num repente, tomava a amada contra o seu peito e entrava no batel salvador. Alquns dias mais tarde, pela lua cheia de Agosto, grande festa anima a sua herdade, cerca do Castelo de Abdegas. Música e danças e muitos folguedos celebram a alegria da conversão da bela moura. Nesse dia, fora celebrado o baptizado e logo em seguida o casamento cristão da filha de Abu Déniz que tomara o nome de Oureana. Tanta fama teve a sua beleza e a força do seu amor que o povo trocou o nome de Abdegas pelo de Ourém. Mas o drama da manhã de S. João ferira de morte o coração dividido de Oureana. Saudades da família e das terras do Sul entristeciam-lhe a alma e roubavam-lhe o alento. Numa manhã cinzenta de Abril, começavam a florir as rosas brancas no jardim do Castelo, Oureana caía morta no caminho pare a igreja. Inconsolável, o Traga-Mouros encerra a sua dor e a sua juventude na branca cela de um Convento. Diz-se que todas as manhãs, quando o sol nascia, ele vinha rezar junto da campa da sua amada, com uma rosa branca entre as mãos que nunca mais dedilharam as cordas do alaúde. E, porque de amor também se morre, foi sobre a campa de Oureana que, num triste dia de Novembro, abandonou esta vida de paixóes. Os dois ficaram, para sempre, unidos nesse pedaço da terra de Ourém. Terra de ligaçoes profundas entre os homens e os deuses. Terra de fé e de elevados ideais, cultivados de geraçao em geracão, pelos seus filhos, descendentes de Gonçalo Hermigues, o Traga-Mouros.

In "Suplemento Cultural de O Mirante" de 3/9/97
O PDM é um espartilho

O presidente David tem toda a razão
Quero ter a casinha no meio da horta.
Quero criar coelhos e galinhas para auto-consumo nas ruas da cidade.
Quero o centro comercial em cima de leito de cheia.
Quero destruir todos os jardins que me aprouver.
Quero mandar as casas antigas às urtigas.
O PDM é um espartilho.
Impede a minha acção.
Eu sou o desenvolvimento. O crescimento. O que rebenta com tudo muito mais cedo...
... o que enche os bolsos dos que já têm tudo.

E eles, fiéis lacaios, a tudo dizem que sim.
Menos freguesias para Ourém?

Na sequência da divulgação das intenções de António Costa de fusionar freguesias com menos de 1000 habitantes, Formigais, Cercal e Ribeira do Fárrio estão em risco de perder esse estatuto já que a população registada no INE é inferior a esse número. E há mais duas que, a escapar, é por pouco.
O simpático autarca do Cercal, tão preocupado com a sua sucessão, pode, assim, gozar de merecido descanso...
Outrora: O Avenida


O sítio do bilhar Posted by Hello

Julgo que esta fotografia ainda mostra a maravilha que desfrutávamos no Avenida. Não há pormenores esquecidos: o brazão da nossa terra, o mapa do concelho
Deixemos falar as fotografias...
... e um grande obrigado ao Outrora.

Acesso ao balcão Posted by Hello

Jogadores, porta rolante, sítio para a televisão Posted by Hello
Ar puro


Um exercício de contemplação Posted by Hello

É isso...
Qualquer passagem pelo Mega Fauna é um exercício de contemplação, num ambiente muito puro e que nos faz sonhar com algo diferente do que esta luta diária pela subsistência exige.
Aumentos diferenciados no funcionalismo público

Os amigos socialistas tanto querem discriminar que criam verdadeiras aberrações. Alguém acredita que isto vai funcionar de uma forma correcta sem uma profunda remodelação de toda a administração?
Sabem o que é que isto vai dar? Quem cair nas boas graças do chefe leva 4%, quem não cair leva 0%, independentemente do seu valor... Mais, se a escolha do chefe obedeceu a critérios de índole partidária, se for do partido do governo, leva, se não for...
Isto é uma tontaria, tal como o são todas as discriminações baseadas na declaração de rendimentos.
A última muralha



O título só por si é expressivo: deter a marcha do povo soviético cujas realizações tanto assustavam o ocidente...
A história veio a demonstrar a total desfaçatez deste objectivo: mais do que uma muralha contra o quer que fosse, o exército alemão foi um instrumento de agressão às democracias ocidentais, aos povos vizinhos e sucumbiu sem qualquer glória. Acusando os outros de assalto, esta propaganda tenta esconder o que verdadeiramente estava nas intenções dos seus promotores.

domingo, junho 05, 2005

Aspectos da propaganda nazi em Ourém durante a 2ª Guerra

Termina um ciclo, dito de leitura inocente, começa outro de exame, apreciação. Tenho algum receio relativamente à forma como o vou abordar, espero que os meus amigos perdoem alguma incorrecção pois o assunto é bem mais sério que o anterior. Talvez devesse ficar calado, mas não tenho a certeza se o silêncio será a melhor formar de criar alertas, de consciencializar...
Julgar-se-ia que, dada a tradicional desorganização do país e dificuldade em as coisas, as novas ideias chegarem a Ourém que a divulgação das ideias nazis nunca aqui terá existido.
A apreciar pelos exemplos que recolhi, tal suposição é falsa.
A ideologia nazi soube organizar-se, criar documentos de propaganda e fazê-los chegar aos pontos mais recônditos da nossa terra. Que estruturas utilizava para o conseguir não sei dizer, admito inclusivamente que fosse a distribuição normal em cafés e tabacarias que punha à disposição dos oureenses o material ideológico. Uma coisa é o que as pessoas pensavam após o conhecimento dos horrores associados a Hitler e aos seus apaniguados, outra o que decorria do dia a dia de uma guerra que se temia, mas de que ainda não se conhecia o malvado. Este era sentido fundamentalmente pelo povo judeu, pelos polacos...
Os documentos que tenho para vos mostrar são relativamente elucidativos. A Alemanha nazi tentava seduzir as classes trabalhadoras, procurando apresentar-se como detentora do mais elevado expoente em termos de condições de trabalho e via a sua principal inimiga na sociedade soviética.
A semana que se materializa no arquivo ora encetado vai apresentar aos oureenses, à razão de um por dia e intercalados com posts normais, alguns dos elementos em que se materializava a propagação dessa ideologia: tudo bem urdido, pensado, organizado e executado.
Mal! Mal!

São reacções como esta, de militantes socialistas, perante o maior responsável do partido, que me fazem manter a esperança (embora o Sérgio lhe chame ilusão) de que algo de bom possa sair dali.
O bastardo

É inqualificável o discurso e a arrogância de Jardim.
Como é que um paquiderme daqueles (sem ofensa ao bicho) pode estar há trinta anos no poder no nosso país?
E vai continuar. E quem deve não reage, demonstrando que a falta de civismo é estimulada por aqueles que detêm posições importantes neste cantinho afinal tão tolerante.

sábado, junho 04, 2005

O que lhes falta hoje


Um livro de estudo da 1ª República Posted by Hello


Em todos os países cultos se tem reconhecido a vantagem de desenvolver a instrução e, ao mesmo tempo, dar a todos os cidadãos uma educação que os torne aptos para bem cumprirem os seus deveres e exercerem os seus direitos. Por isso, modernamente, as lições de civismo constituem em toda a parte cursos obrigatórios e ocupam nas escolas primárias o lugar mais importante.
Já entre os povos antigos as crianças eram guiadas por mestres competentes no estudo das questões que interessam à sua futura vida pública; e na Grécia e em Roma - cuja história é um maravilhoso campo onde se encontram estímulos e ensinamentos da maior utilidade - a missão da escola quase se resumia em formar bons cidadãos.
Nos países modernos, principalmente naqueles que se orientam por instituições democráticas, o sentimento instintivo do amor da pátria é robustecido pelos exemplos da história; e a maior preocupação é formar o carácter da mocidade, ensinando-lhe todas as virtudes cívicas sem a s quais não pode haver progresso.
Em Portugal, esse estudo, tão importante e tão necessário, só nos últimos tempos se tem desenvolvido um pouco.

Um extracto deste livrinho, datado de 1917, com 225 páginas, onde são apresentados alguns dos factos essenciais da nossa história com o objectivo de reforçar a união entre as pessoas e o seu país. Ao que parece tinha começado naquela altura em Portugal, mas, a avaliar por exemplos actuais, cedo deve ter terminado.
Salvam-se os que sabem estar no lugar certo

De acordo com o Correio da Manhã, os deputados levam mais um milhão desta vez através de um reforço do orçamento da Assembelia da República para pagar subsídios de reintegração a 64 não eleitos.
O jornal dá os nomes dos que se habilitaram, mas fiquei tão enjoado que nem tive a coragem de ver.
Depois dizem que somos nós que andamos a diabolizar a classe política.
Acho que falta a esta gente algo como educação cívica para não pensarem que estão acima do povo que os elegeu. Como vão longe os tempos da 1ª República como demonstrará o livrinho que temos para mostrar no próximo post.
Condecorações em saldo

No dez de Junho, Sampaio vai desfazer-se em condecorações a portugueses ilustres. Leonor Beleza (ainda estou para descobrir que valorosos feitos praticou e, caso os tenha, por que terá sido excluído Costa Freire... e o GTI), Elisa Ferreira, Nicolau Breyner, Sevinate Pinto, Catarina Furtado estão entre os homenageados pelo nosso estimado presidente. Tenho alguma esperança que, algum dia, o José Castelo Branco ou outro insigne frequentador da quinta das celebridades venha a ser considerado.
Enfim, a total vulgarização de uma prática que acaba por tirar todo o significado ao 10 de Junho... e que me faz lembrar o que já se dizia com as condecorações no tempo de Salazar: "eles condecoram-se uns aos outros".

sexta-feira, junho 03, 2005

A campanha de "assassinato de carácter" contra o ministro das Finanças

O nosso simpático Ministro das Finanças desfruta de uma reforma de 8000 euros mensais do fundo de pensões do Banco de Portugal em acumulação com o seu vencimento.
É sem dúvida uma pessoa de bem e digna de toda a confiança como garante o Eng. Sócrates. Isso não está em questão. Só que, relativamente a pessoa tão boa e solidária, não se compreende porque não se junta aos sacrifícios que exige aos portugueses. Porque, certamente, em 6 anos de serviço, nunca fez descontos para ter uma reforma daquele montante.
O Estado que temos

É notícia da TVI: 13 novos BMWs para o Tribunal Constitucional no valor de 500000 euros.
Traduz a moralidade da austeridade.
Morrer de amor

Sinopse pela MediaBooks: «(...) a história de um velho jornalista de noventa anos que deseja festejar a sua longa existência de prostitutas, livros e crónicas com uma noite de amor com uma jovem virgem.

Inspirado no romance A Casa das Belas Adormecidas do Nobel japonês Yasunari Kawabata, o consagrado escritor colombiano submerge-nos, num texto pleno de metáforas, nos amores e desamores de um solitário e sonhador ancião que nunca se deitou com uma mulher sem lhe pagar e nunca imaginou que encontraria assim o verdadeiro amor.

Rosa Cabarcas, a dona de um prostíbulo, conduzi-lo-á à jovem com quem aprenderá que para o amor não há tempo nem idade e que um velho pode morrer de amor em vez de velhice.

A escrita incomparável de Gabriel Garcia Marquez num romance que é ao mesmo tempo uma reflexão sobre a velhice e a celebração das alegrias da paixão.»
Travar o não

De acordo com a página em linha do Público, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, admitiu ontem à noite a hipótese de o referendo à Constituição europeia não se realizar em Portugal, caso haja consenso no sentido de travar o processo de ratificação no próximo Conselho Europeu...
Ocuparam-lhe a terra


Resistir à ocupação espanhola Posted by Hello

Océlia é a filha do imperador inca Atahualpa Capac Amarú, traiçoeiramente preso em 15 de Novembro de 1532 por Francisco Pizarro e mandado matar em 29 de Agosto de 1533. Todos os seus actos são subordinados ao desejo ardente de vingar a morte do pai e livrar o seu país da escravidão. Ela simboliza o amor da pátria.
Mas há outras personagens.
Ima, pela sua dedicação e afeição sincera à irmã e pela sua doçura e bondade, simboliza o amor fraternal em todo o seu mais ardente ardente e afectuoso sentir.
Frei Cervantes é o tipo de homem sensível e entusiasta nos seus afectos, deixando-se facilmente apaixonar por tudo o que é generoso e grande.
Francisco Pizarro era o governador do Peru. Nem o próprio nome sabia escrever: quando, como governador do Peru, assinava qualquer documento, fazia dois traços e entre estes é que o secretário escrevia Francisco Pizarro.
Gonçalo Pizarro é robusto e valente, mas de uma avidez insaciável e dum orgulho sem limites sendo ao mesmo tempo tão ignorante como o irmão, mas sem ter a inteligênia deste.
Enfim, personagens para uma peça em cinco actos: lutar até vencer ou morrer; descrença e deseperança; vae victis; sublime amor fraterno; hecatombe nos céus e na terra.
Trata-se de mais um livrinho, com 176 páginas, do espólio de um oureense que viveu na nossa terra no século passado.

quinta-feira, junho 02, 2005

Acabou o sossego?

Era uma das últimas maravilhas de Ourém.
Mas a globalização não perdoa. De acordo com o NO que sairá amanhã, a farmácia Leitão, em plena Praça dos Carros, no dia 28 de Maio, foi assaltada por um encapuçado que levou cerca de 200 euros com toda a facilidade. Fugiu numa viatura onde um segundo indivíduo o aguardava ao volante. Visto do Central até deve ter sido giro, mas...
Não os parem já, não...
É caso para perguntar aos candidatos David Catarino e José Alho o que vão fazer para melhorar a segurança dos oureenses.
Um herói da nossa juventude

«Nascido no sul da Califórnia no século XVIII, Diego de la Vega é um rapaz preso entre dois mundos. O pai, um militar aristocrata espanhol, é um importante latifundiário. A mãe, por outro lado, é uma guerreira da tribo indígena Shoshone.
Da avó materna, Coruja Branca, aprende os costumes da sua gente, enquanto que do pai aprende a arte da esgrima e como marcar o gado. Durante a infância, cheia de traquinices e aventuras, Diego é testemunha das brutais injustiças que os indígenas norte-americanos enfrentam pela parte dos colonos europeus, e sente pela primeira vez um conflito interior em relação à sua herança.
Aos 16 anos, Diego é enviado a Barcelona para receber uma educação europeia. Num país oprimido pela corrupção do domínio Napoleónico, o jovem decide seguir o exemplo do seu célebre professor de esgrima, e adere À Justiça, um movimento clandestino de resistência, que se dedica a ajudar os pobres e indefesos. Imerso num mundo de um ambiente de revolta e desordem, enfrenta pela primeira vez um grande rival que vem de um mundo de privilégio.
Entre a Califórnia e Barcelona, o novo mundo e o velho continente, forma-se a personagem do Zorro, nasce um grande herói e começa a lenda. Depois de muitas aventuras – duelos ao amanhecer, violentas batalhas marítimas com piratas e resgates impossíveis – Diego de la Vega, conhecido também como Zorro, regressa à América para reclamar a propriedade onde cresceu, em busca de justiça para todos aqueles que não podem lutar por si próprios.»

Sinopse elaborada pela Mediabooks
"Regresso"

Quando eu voltar,
que se alongue sobre o mar,
o meu canto ao Creador!
Porque me deu, vida e amor,
para voltar...

Voltar...
Ver de novo baloiçar
a fronde magestosa das palmeiras
que as derradeiras horas do dia,
circundam de magia...
Regressar...
Poder de novo respirar,
(oh!...minha terra!...)
aquele odor escaldante
que o humus vivificante
do teu solo encerra!
Embriagar
uma vez mais o olhar,
numa alegria selvagem,
com o tom da tua paisagem,
que o sol,
a dardejar calor,
transforma num inferno de cor...

Cada vez melhor o Mega Fauna
A maldição de Barroso

Algo de mau persegue a simpática figura do nosso ex-primeiro Durão Barroso.
Em Portugal, desfrutava de confortável maioria absoluta, mas, a breve trecho, virou todos contra si, pirou-se para a Europa e estoirou com o partido, dando-o de bandeja à quase loucura de Santana Lopes.
Na presidência da Comissão Europeia, cargo para o qual, era opinião de todos, tinha excelente perfil, eis que lhe aparece a batata quente do referendo europeu e a Europa, por que o capital tanto ansiava, parece começar a desmoronar-se.
Para onde será a sua próxima fuga?
A escrava cristã

Quinta-feira.
Dia de mercado em Ourém.
Há uns cinquenta anos, na casa do Largo de Castela, eu e a minha mãe preparamo-nos para a habitual visita à feira.
A gatinha branca e preta dorme sobre uma almofada no recanto da escada.
Há pouco, o Armindo passou por aqui de bicicleta para trocarmos cromos da bola. De uma assentada, obtive o Vasques, o Rogério e o Carlos Gomes.
Finalmente, saímos de casa, mas ainda tivemos tempo para uma visita à vizinha que prepara a mudança para o bairro dos pobres.
Descemos à Avenida, passámos ao chafariz frente ao Sabino, chegámos à praça dos carros. Frente ao Central, a bicha para comprar o Mundo de Aventuras, atingia quase a loja do Povo. Lá estavam o Abel, o Rui Costa, o Pintassilgo nos seus catorze, quinze anitos.
A nossa primeira visita é ao mercado da fruta. Depois, descemos, frente à igreja para o mercado do peixe. Lembro-me de um conjunto de bancadas em pedra, mais ou menos ao ar livre que depois foi substituído pelo mercado já descontinuado. Sabia que ia ser dia bom com carapau grelhado e tangerinas...
Alguém apregoa um folheto com os versos do Dr. Preto. Ora bolas! Não haverá ninguém em Ourém que me empreste por uns dias uma preciosidade destas? Mas naquele tempo não lhes ligava muito. Eu estava com o sentido naquilo que o meu irmão compraria no Central.
E de repente, uma voz anuncia bem alto:
- Olha a história da escrava cristã! Comprem levem para vossas casas uma história que vai derreter os vossos corações...
Contemplei embevecido aquele livrinho. Tão bonito. Tão fino, se calhar tinha ilustrações, se calhar era de continuação. Mais tarde, vim a descobri-lo neste espólio...

quarta-feira, junho 01, 2005

Aos poucos vão desaparecendo...

...as referências que criaram os heróis da minha infância.
O Salinas, o Peon... agora foi o Eduardo Teixeira Coelho.
Curiosamente publicou trabalhos no Mosquito, no Mundo de Aventuras, no Cavaleiro Andante e no Jornal do Cuto.
Trata-se de um autor que chegou a ter problemas no nosso país quando este era governado pela ditadura salazarenta. Trabalhou em Itália, militou no PArtido Comunista Francês e deixou-nos um património inegável em termos de banda desenhada.
Acima, a capa do FAlcão Negro e, em baixo, um pormenor de A Caminho do Oriente.

O horário da biblioteca


A CUF ensina Posted by Hello

E enquanto os meus amigos se degladiam acerca do horário da biblioteca, esquecendo que ela nem disponibiliza um catálogo na INternet, eu, que, ao longo destes anos, fui investindo em alguns livrinhos, contemplo um caderno editado pela Companhia União Fabril na qual esta relatava os benefícios da utilização de certos produtos para aumentar as colheitas.
O pormenor chega à medição das mesmas em Ourém, em terras património de Sua Excelência, o Barão de Alvaiázere, como prova a figura seguinte.


A quinta do barão Posted by Hello

terça-feira, maio 31, 2005

Moi je te dis non! NON!

É tal como na canção da Patricia Carli. Os franceses já se pronunciaram, amanhã serão os holandeses e esperemos que os resultados sejam os mesmos.
Não sou contra a Europa.
Mas os nossos amigos ensinaram-nos que, ao embarcar para esta aventura, ela deve ser bem preparada.
Liberalizar o mercado a nível europeu? Mercadejar mais a força de trabalho? Deslocalizar? Isto é despedir a nível local e investir a nível global? Brincalhões!
Façam trabalho de casa. Não nos obriguem a alinhar sem se saber em quê.
A Europa social pode ser uma ideia interessante. Tratem-na e, quando tiverem alguma coisa de jeito, proponham e esclareçam. E até lá deixem-se dessa estúpida lamúria sobre o atraso do comboio. Só o atrasa quem prepara mal o percurso...
Nem os pensionistas escapam...

Nota: de acordo com o Público de hoje, 1 de Junho de 2005, esta diminuição das
deduções só se confirma para os que recebem valores superiores a 50000 euros.
Antes assim...

... ao ataque às finanças dos pobres iniciado pelo novo governo.
Preparem as bolsas, reformados pobres de Ourém. Lá se vão as deduções.
O novo ministro não é para brincadeiras nem vai em utopias. Ele sabe muito bem que não conseguirá apanhar os tais que beneficiam desta bagunça em que o país se transformou. Eles vão continuar com elevados rendimentos que nunca conseguirá determinar e colectar e o caminho é sacrificar os que não podem escapar. Trata-se de um ensinamento já pacífico.
Ao mesmo tempo, descobrem-se talentos petrolíferos no autarca Fernado Gomes e aquíferos no seu seguidor Nuno Cardoso. Será que os meus amigos repararam no luxo do edifíco da Galp ontem na reportagem? Tenho a impressão que aquilo dava para pagar as pensões todas durantes uns tempos...
Não, meus amigos, isto não é atacar o PS, os socialistas, eles é que estão a fazer a pior propaganda de si próprios. Perguntarão: mas qual é a alternativa? O que é que eles podem fazer? Meus amigos, quem não tem alternativas, e a palavra SOCIALISMO tem um significado muito preciso, não deve aceitar governar. Participa para marcar posição e acabou...
Entretanto, o nosso venerado presidente David esfrega as mãos todo contente, mas o José Alho não merecia esta partida do novo governo. Eu saberei distinguir isso nos próximos tempos...
Uma Ourém anterior à que adorava


Fotografia dos Pa�os do Concelho de 1926 e parte do vasto terreiro que o povo baptizou de "Feira do Mês".
Posted by Hello

Por vezes, o espectáculo a partir da casa do Largo de Castela era mais animado. Se não estou em erro, regularmente, pelo dia três, realizava-se a feira do mês no largo junto à escola da Dona Iria, perto da prisão da GNR.
E a rua de Castela enchia-se das mais diversas espécies de animais - ovelhas, carneiros, cabritos, burros, vacas, mulas - que a desciam para se dirigirem ao largo da feira onde eram transacionados.
O ruído dos chocalhos, a mistura dos sons produzidos pelos animais e pelas pessoas que os controlavam, o seu tropel eram magníficos dando a tudo aquilo uma sensação que de semelhante só se encontrava nos filmes do Oeste com as cavalgadas junto aos bisontes ou a manadas de gado tresmalhadas.
Eu abria a porta e via todo aquele ondulado barulhento a passar. Depois era de novo o silêncio, a rua ficava um pouco suja com excrementos do tipo azeitona e, no mês seguinte, lá se repetia a história.
O carrinho de madeira


Ainda lá está Posted by Hello

Desloco-me do Largo de Castela na direcção da Câmara no meu carrinho de madeira novinho em folha. Trata-se de um pau tipo cabo de vassoura atravessado ao meio por um pequeno bocado de madeira e terminado numa extremidade por uma roda com uns vinte centímetros de diâmetro que funciona em torno de um eixo que atravessa o pau. Frente à prisão da GNR saúdo o simpático prisioneiro que teve a amabilidade de me oferecer aquilo que era produto da sua tentativa de passar o tempo o mais depressa possível. Como é possível pessoa tão boa estar ali dentro, atrás daquelas grades?
Chego junto à Câmara e sigo por trás, mais à frente viro à esquerda e continuo. Começo a ouvir o som que vem da escola do Roque daqueles que decoram tabuada:
um vezes um, um
um vezes dois, dois
um vezes três, três…
Fujo dali. Ena! Que coisa difícil.
Adorava esta Ourém (6)

O Restaurante do Avenida Posted by Hello

O NA insiste e lá me vai trazendo algumas imagens que acabam por dilacerar uma mente cada vez mais fraca.
Eis mais um caso que não é irrecuperável.
Tal como dizia o NO, uma sala como estas é necessária e tem toda a justificação na nossa terra. E, como eu disse, por baixo da ocupação da Marina, tudo isto lá permanece...
Um açougue em casa


Criar coelhos Posted by Hello

Está visto: o trabalho assalariado ou a produção para o mercado estão condenados quer pela ameaça do desemprego, quer pelas restrições impostas pela UE, quer pelo crescimento imparável do IVA. Os oureenses, tal como os restantes portugueses, têm que procurar novas perspectivas.
Folheando mais um livrinho que fazia parte do espólio de um oureense do século passado, deparei com alguns excelentes conselhos provenientes da campanha de produção agrícola.
Temos de tornar Ourém uma região auto-suficiente em termos alimentares. Uma boa ajuda nesse sentido será a criação caseira de coelhos.
Diz o livrinho: " Se houver o cuidado de bem espaçar as datas de cobrição durante o ano, bastam 3 fêmeas para termos em casa um delicioso prato de coelho uma vez por semana".
E noutro ponto:"Ninguém esqueça, portanto, perante as nuvens sempre mais sombriamente desenhadas no horizonte, que ter no quintal, no terraço, debaixo do alpendre ou na horta uma coelheira convenientemente povoada, é o mesmo que ter um açougue em casa!".
Mas o autor do livrinho esquece um pormenor importante: em minha casa ninguém terá coragem para fazer mal a qualquer coelho que por ali seja criado, a tendência será sempre para considerá-lo membro da família. Assim, esta ideia para ultrapassar a crise, transformar-se-ia a curto prazo em falência total.
Permanece a questão: que fazer perante o monumental ataque do governo (objectivamente ao serviço do capital) às nossas pobres posses?

segunda-feira, maio 30, 2005

É-me impossível a indiferença


Viva o Verão I Posted by Hello

perante o trabalho de Manuel Morgado que pode ser apreciado no seu blog.
Não sei se é bom ou mau pois não tenho aptidão para a sua apreciação nesse contexto e sei que sou suspeito nessa perspectiva. Mas sei que gosto...
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