quinta-feira, novembro 13, 2008

POÇO XXIII - O reencontro

Ena!
Há quanto tempo não via esta gente toda!
Parece que estão na mesma, parece que vieram mais que em outros anos... ou sou eu que estou a chegar atrasado?



O Cúrdia cada vez mais me faz lembrar o nosso estimado e venerado Ministro dos Prantos. Porque será? A alvura do seu cabelo? Ou terá algo a ver com o FED e a crise do SUBPrime?
E, lá ao fundo, já repararam no mamarracho onde o contribuinte se viu obrigado a empatar o seu magro pecúlio. Tudo porque o Orelhas Moucas assim quis...


Eis um pequeno grupo sempre bem divertido. Pudera! Ainda não viram o que vos vai ser dado ver...



Mais uma das nossas referências desapareceu. A casa onde o Toná vinha tomar as suas refeições, que, o ano passado estava de tecto esburacado, agora é um espaço vazio deixando adivinhar as agressões que a encosta vai sofrendo. Bem se pode dizer: vítima do progresso... deste falso progresso que tanto alimenta Ourém... um progresso que nem soube rebocar as feridas deixadas na casa ao lado (a do Manel Raul).



Catarino e FRazão são bem os obreiros deste triste e escolhido destino que coube à nossa terra. Que passem mais uns meses e nada tenho que me recorde do nosso passado, dos locais que desfrutámos. Um deles parece que queria ir para a região de turismo Leiria / Fátima. Fazer obra decerto... tramou-o a Nazaré que não quis que ele lhe mudasse a Santa de Sítio.
Mas o outro promete ficar... já se exibe por todo o lado de bigode farfalhudo e cumprimento fácil. Seria divertido se não fosse trágico.


Eis mais um grupo que põe a conversa em dia. É divertida esta hora do reencontro se bem que o repórter não consiga transmitir toda a emoção que se desfruta. Começa a notar-se a definição da ausência dos que não vieram.




Olha o Alferes Sampaio! Recentemente sexygenário, ei-lo, como sempre, a jogar bilhar de bolso. O Zé consulta resultados da bolsa...

Mais um pequeno grupo...


A grande roda começa a desenhar-se, agora sem a protecção da casinha do nosso tempo e com a encosta do moinho quase a esconder-se.

O grande chefe faz a chamada.
- Exijo que respondam "Presente"!
Depois informa sobre os que não virão: o Génito, O Duarte, o Ferraz, o Tó, o Jó Alho, o Zé Quim... os faltosos foram recordados um a um e justificados... talvez para o ano venham...


Mas estes vieram e estão satisfeitos por estar aqui...



- Meus amigos, vamos agora tomar o pequeno almoço...

E agora, amigo oureense, adivinha para onde foi o pessoal? Para o saber, terá de esperar pelo próximo post que, ao ritmo a que temos postado no OUREM, não sabemos quando será...
Até lá podem fazer acesso aos marcadores e ver tudo sobre outras realizações do Poço e mais posts sobre este miserável processo de destruição da nossa Ourém operado por Catarino, Frazão e companhia....

terça-feira, julho 15, 2008

Cidadania e Serviços de Apoio à População estão pelas ruas da amargura em Ourém

Foi recentemente publicado o Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM) que visa ser uma medida de referência que permita hierarquizar os 308 Municípios portugueses em termos de desenvolvimento, tendo em conta critérios específicos devidamente descriminados e justificados.
Para a construção do IDM foram considerados 7 Indicadores Sectoriais, compostos por uma selecção de variáveis consideradas pelos autores do Estudo (Municípia, SA) representativas e pertinentes para traduzirem o desenvolvimento e qualidade de vida dos Municípios.
Apesar de nos parecer que, em termos de rigor, o estudo carece de alguma melhoria, não deixa de ser muito interessante poder comparar Ourém com outros municípios.
Assim, em termos gerais, parece poder concluir-se que Ourém está comodamente situado entre os primeiros cinquenta com um valor (143,9) sensivelmente inferior a Lisboa (593,9), mas nem sequer muito afastado dos que estão imediatamente acima.
Tal posição provém fundamentalmente do seu Potencial Demográfico (capacidade de atrair populações), único caso em que o posicionamento de Ourém é melhor do que o seu posicionamento geral.
Não envergonham o município o seu posicionamento em termos de Capacidade de Influenciar o Exterior onde se situa na 59ª posição, o Dinamismo Económico um pouco pior que o anterior onde se coloca na posição 70 e o Ambiente e Qualidade de Vida (posição 89ª).
Onde sobressai a má gestão de que o município tem vindo a ser vítima é em aspectos sectoriais como o Índice de Investimento Municipal, onde Ourém se situa a meio da tabela, Serviços de Apoio às Populações onde ocupa a posição 181 e Cidadania que relega Ourém para a ducentésima sexta posição.
Este resultado confirma as críticas que têm vindo a ser feitas à gestão municipal no concelho caracterizada por grande autismo em relação aos interesses da população em geral que transparece na arrogância do presidente, por opções de gastos que não privilegiam o investimento que beneficie as populações mas sim os potentados do betão acabando por traduzir-se em obras de fachada e pela utilização das fragilidades dos serviços de saúde e outros para atacar demagogicamente o poder central (cuja prática também não tem sido nada digna de aplauso) e não para concretizar no mesmo grande parte do esforço financeiro possível.
Os oureenses poderão encontrar o estudo aqui.

sexta-feira, junho 20, 2008

Novos serviços online: marcação de reunião



Amigo oureense, se lhe disserem que já pode marcar reuniões através da iNternet com o presidente ou com o vereador da sua preferência, desconfie...
Repare no formulário que lhe é dado para preenchimento.
Encontra nele a disponibilidade do presidente?
Encontra no mesmo ou noutra página da autarquia os pedidos de reunião que estão por satisfazer?
As nossas perguntas não têm nada de estranho. O presidente (ou o vereador) só se reúne consigo se lhe apetecer e não se o seu problema for muito importante. Ele pode ignorar completamente o seu pedido pois não fica nenhum registo do mesmo.
Isto é mesmo uma tribo mefistofélica...

20 de Junho, dia da cidade de Ourém

Dentro em pouco começam as cerimónias oficiais.
Um grupo de pessoas ilustres vai ser homenageado. Haverá menções honrosas, medalhas de bons serviços, medalhas de ouro de mérito municipal e medalhas de ouro do município. Procura-se assim distinguir aqueles que, por feitos importantes, por bons serviços, por dedicação a uma causa, trouxeram algo de bom à nossa terra.
Tenho todo o respeito por essas pessoas.
E teria ainda mais, se, no momento decisivo de atribuição da distinção na cerimónia oficial, elas a declinassem com toda a naturalidade e firmeza, sem arruaça, recusando assim ser associados à miserável política que o presidente David tem mantido na nossa terra.
Verificar-se-ia então que, para além das magníficas qualidades que todos lhes reconhecemos e pelas quais lhes estamos gratos, eles teriam verdadeira raça, verdadeira fibra oureana.

quinta-feira, junho 19, 2008

Novos serviços online: consulta a processos



Pensávamos em grandes novidades para a página da autarquia. Elas até vão ser anunciadas no dia da raça oureana...
Mas o panorama é desolador. Qualquer informação mais avançada depara com um "Página em construção". Este é o caso da "Consulta a processos". Mas não é único, já que qualquer simples informação sobre empresas municipais tem o mesmo destino.
O OUREM promete um brinde único ao primeiro dos seus amigos que, nos próximos seis meses, consiga uma consulta online a um processo. Vamos, não hesite! Use os novos serviços online prometidos pelo presidente David.

O Leiria Digital, a câmara e os novos serviços online

O Leiria Digital é um dos muitos projectos de região digital lançados nos últimos anos que pretendiam a melhoria dos serviços baseados em sistemas de informação e comunicação nos municípios associados.
A estruturação destes municípios em região nunca foi muito bem definida. Casos houve que englobaram apenas um concelho, vários concelhos ou todo um distrito ou vários concelhos de vários distritos desprezando esta forma de organização. Ourém associou-se a alguns concelhos do distrito de Leiria e houve concelhos deste distrito que se integraram no Oeste Digital. É ainda de referir um caso, Vila do Rei, se não estou em erro, que se integrou em duas regiões digitais. Portanto, à partida, a anarquia...
As promessas e prática do Leiria Digital nunca foram muito entusiasmantes. Integrando uma autarquia com considerável avanço na utilização de sistemas e tecnologias de informação, Pombal, nunca conseguiu alcançar a projecção que a mesma tem no país com classificações consecutivas como a mais avançada em termos de maturidade. Também não conseguiu ter a capacidade de outras regiões digitais como Maia e Aveiro que atingiram notável articulação com as necessidades do município e o tecido empresarial contribuindo para a criação de valor nos concelhos dessas regiões. Também não conseguiu desenvolver e implementar um formato avançado de página como aconteceu nos municípios algarvios organizados no Algarve Digital.
A página do Leiria Digital é uma página sorumbática, tristonha, da qual os oureenses pouco ou nada poderão esperar, que, com algumas coisitas novas, está condenada ao que muitas regiões digitais fizeram: consumir recursos públicos em projectos que vão duplicar na região muitas funcionalidades que já existiam a nível concelhio, transformando-se em entidades redundantes, deixando para um futuro “próximo” aquelas que se traduziam em verdadeiro benefício ou ajudar a desenvolver páginas de relacionamento pouco transparente entre autarquia e munícipe onde o mais poderoso tem sempre a última palavra.

quarta-feira, junho 18, 2008

Vida Municipal

Como sabem o presidente David vai fazer uma comunicação sobre este tema. Estou a vê-lo, corpo de David Catarino, todo bem vestido, fato acastanhado e gravata, leve cheirinho a naftalina disfarçado de água de colónia. Ao lado, a fidelíssima presidenta que fará o elogio do dito e o ajudante de estimação que conhecemos por Faca Voadora. Por cima dele, esvoaçando quando necessário, os heterónimos:
- Ó Bössta recordará a obra feita que não é mais que monumental desperdício de recursos e destruição de uma cidade com eventual benefício para alguns actores, benesses para clientelas e criação de eventos para geração de presidentes.
- Arino de Kat, falar-nos-á na ligeireza e subtileza do relacionamento com especuladores, leiloeiros e outros sacripantas, lamentando a triste sina de um município sempre sujeito a uma pressão financeira superior à última projecção aprovada, qual evolução de preço de barril de petróleo e como tal é conciliável com declaração de rendimentos evidenciadora de enriquecimento anual superior aos 100000 euros.
- Orelhas Moucas mostrará como se pode fingir abrir canais para ouvir o povo, restringindo-os a gente do seu agrado e acabando por manter a eterna arrogância que todos lhe reconhecem.
A comunicação é um auto-elogio baseado na mais pardacenta obra que confunde desenvolvimento com arrasar de coisas antigas e instalação de coisas novas, muitas vezes nas mais precárias condições, gerando movimentos de concentração da propriedade.
No final, os aplausos dos apoiantes transmitir-lhe-ão a encenada ideia de que está no bom caminho, que ficarão tristes por o seu mandato terminar no próximo ano, mas a verdade é que ele merecia monumental vaia...

terça-feira, junho 17, 2008

Há festa na nossa aldeia

Animem-se, oureenses. No dia 19, começam as festas da cidade e o programa deste ano, não envergonhando os anteriores, promete...
A abrir, teremos tasquinhas, exposições e folclore. Depois, vem um dia em cheio. Pela manhã, há que não faltar à sessão solene onde o magnífico presidente fará uma oração de sapiência sobre "Vida Municipal". Haverá distinções, e lançamento de livros. No cine-teatro falar-se-á sobre "novos serviços online". Depois do almoço oficial (só para eles...), haverá um seminário sobre eficiência energética. À noite, e pondo certamente em prática as recomendações do seminário, haverá a inauguração da nova iluminação da Zona Histórica de Ourém e a inauguração da “Ucharia do Conde” e actuações da Sabrina Simões e da banda Kamasutra.
No sábado, haverá torneio de natação, demonstração de iniciação de hóquei e patinagem artística e gincana de escuteiros. A banda da noite é os "Peorth".
Finalmente, após tanta excitação, o domingo trar-nos-á ainda Gincana de Cavalos, Desfile de Fanfarras dos Bombeiros e Largada de Pára-quedistas. Mais para o fim do dia, haverá Sardinhada Popular e Porco no espeto. O grupo da noite será “Quinta do Bill”.
Depois, é o encerramento. Vai tudo para casa, reencontra os mesmos problemas e... para o ano há mais...
Bom, mas antes disso, o Ourém vai fazer uns posts sobre algumas destas coisas. Estejam atentos.

sexta-feira, junho 13, 2008

Porreiro, pá!

Não: 53,4%
Sim: 46,6%
Decididamente, esta semana, a carreira política do Eng. Sócrates está a bater no fundo.
Em dois ou três dias, os camionistas demonstraram a total inconsequência da sua política e a fragilidade do abastecimento à capital.
Logo de seguida, o Tratado de Lisboa de que tanto se orgulha e cujo referendo tanto temia foi rejeitado na Irlanda.
E agora? Agora, vão virar o bico ao prego e a Irlanda que se desenrasque: ou sai do barco ou arranja maneira de ratificar... uma verdadeira lição de democracia!

terça-feira, junho 10, 2008

O estrangulador da praça

Algo de estranho volta a passar-se junto ao Central: duas das tímidas árvores que tentam fazer pela vida, amarradas a troncos para direccionar o crescimento, apresentam sinais evidentes de estrangulamento por aglomeração da seiva incapaz de passar devido ao aperto de um atilho que se pretenderia flexível.
Será o retorno do misterioso assassino de Branca Flor? Ou uma declaração de negligência por parte da área de ambiente?

Neste 10 de Junho, para os da "raça" oureana, lembrando os que nos andam a destruir a terra

Sem memória, o mais inteligente dos homens nada é, porque com nada se identifica

João Bénard da Costa
(presidente da comissão do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas)

sábado, junho 07, 2008

"Golden City, cidade sem lei" é top de vendas em Ourém



Eu não queria acreditar.
O telefone tocou várias vezes e, do outro lado, uma voz dizia:
- Envie-me mais exemplares...
"Decerto estão a gozar comigo" - pensei.
Mas uma visita aos dois pontos de distribuição tirou-me todas as dúvidas. O número de encomendas era impressionante. Num instante, despachei a produção toda.
Guardei um pequeno número dos quais talvez faça leilão... por uma boa causa...
Os oureenses aderiram em cheio. É um bom sinal. Significa que se interessam muito pelo que se passa na sua terra. Embora queiram permanecer anónimos.
Ou teria sido pela sensacional galeria de arte reproduzida no livro?
Agora, apressem-se. Vão ao Central! Vão à Letra! Nesta encontrarão ainda dois exemplares da "Branca Flor..." e dos "Poemas Entrelaçados..."

segunda-feira, junho 02, 2008

E chegou o homem dos leilões

Estava a Câmara toda lançada na senda da destruição pronta a envolver a fabulosa casa vermelha do Largo de Castela. Meticulosamente, tinha previsto um valor de 18.975,00 euros para a expropriação.
Mas eis que lhe surge carta da leiloeira (vide acta nº 20 de 12 de Maio).
- Ó meus amigos, se querem essa casa e mais duas, terão de desembolsar 170.000,00 euros.
O contribuinte vai pagar, pois então! Por um lado, destrói-se-lhe o património referencial, por outro financia-se a inovação com o seu dinheiro. No final, o empobrecimento é em múltiplas dimensões.
Mas tem de ser assim. Eles foram legitimamente eleitos...

sexta-feira, maio 30, 2008

Será que, em Ourém, o grande guerreiro não merece apoios?


O presidente David e a presidenta Deolinda não se coibiram de aparecer hoje no Notícias de Ourém a apoiar o seu candidato Pedro Passos Coelho. A avaliar pelos apoios é, desde logo, de desconfiar do candidato: será que pretendem que ele faça tanto mal ao país como eles têm feito à nossa terra? Mas o incontornável presidente David vai mais longe e, noutra passagem pelo NO, classifica os tempos de governo de Santana de desastrosos. Olha pra ele, está a tirar os olhares de cima de si...
O deputado e ex-presidente Albuquerque apoia a candidata Ferreira Leite. É a voz do cuidado desvelado com a coisa financeira. É o domínio do déficit em todos os aspectos da vida política. É a repetição de Teixeira dos Santos. É a falta de ideias, é o “está parado para não gastares”.
Ambos os candidatos mereceram larga referência no Notícias de Ourém. Mas o grande guerreiro, o inigualável Pedro Santana Lopes foi completmente abandonado e deixado conspurcado pelas cruéis referências do presidente David. Creio que é injusto. Já não digo o mesmo de Patinha Antão que, com o seu ar gongórico e emproado, não merece outra coisa.
Por isso, amigo oureense, se for militante do PSD e tiver as quotas em dia, siga o nosso conselho: vote em Pedro Santana Lopes! O maior! O grande guerreiro! Por Portugal!

terça-feira, maio 27, 2008

Prós e Contras… o modo de produção...

Apesar do arrastado da hora, já que o levantar antes das seis obriga a um início de descanso mais cedo, ontem ainda assisti a boa parte do programa relativo a “Crise económica – como vamos resistir”.
Ficou claro que havia 4 – prós – 4 o modo de produção e 1, apenas 1, contra o mesmo. Assim as divergências entre Medina e Horta eram divergências secundárias, significando, “como sair da crise deixando tudo na mesma?” e o mesmo se pode dizer de Nogueira Leite que via a solução numa injecção de dinheiro na Economia, já não falando em Teodora que, apesar de reconhecer a monumental pressão sobre os produtos energéticos operada pelas economias em expansão, entendeu “não haver motivos para alarme”.
O dedo, o dedo na ferida, foi posto obviamente pelo nosso SR. Lá ouviram eles verdades que se dizem quase há dois séculos e que os levaram a sorrir, não sei se a escarnecer, mas a verdade é que do seu lado não pareceu surgir qualquer perspectiva que permita esperar que o MPC (modo de produção capitalista) consiga ultrapassar esta crise sem feridas sensíveis em algumas economias.
O Sérgio chamou a atenção para a baixa tendencial da taxa de lucro, para a pauperização progressiva dos trabalhadores, para as relações sociais em que se inserem os processos produtivos, para a "financeirização" da economia mesclada em progressiva especulação pronta a arruinar os produtores. Será possível sair disto sem modificar as relações sociais? Bastará cultivar os 90% de terras agrícolas em Moçambique que não estão a ser utilizadas? Bastará usar menos o transporte individual?
Há dias, no Eixo do Mal, o Daniel Oliveira chamava a atenção para a inutilidade do modelo de desenvolvimento cavaquista baseado na construção de infraestruturas rodoviárias, possivelmente condenadas à não utilização e isto mostra que quem tem governado o país, mesmo numa perspectiva de manutenção do modo de produção, até tem ajudado a afundá-lo mais.
Enfim, o debate foi muito interessante, até porque, no mesmo, o Sérgio lembrou que esta semana houve notícias de que Portugal é um dos países com maiores desigualdades sociais a nível europeu e que os socráticos paliativos não servirão para nada a não ser para preparar o terreno para ganhar as próximas eleições...

sexta-feira, maio 23, 2008

"Golden City, cidade sem lei" à venda em Ourém

Foi difícil, mas tornou-se realidade. Finalmente, os amigos oureenses podem apreciar esta obra que remete Ourém para o Oeste selvagem.
Queríamos um pouco mais, mas vicissitudes várias limitam-nos a dois pontos de distribuição: o Café Central e a Livraria Letra.
E, agora, apressem-se. O número de exemplares já não é elevado.
Conheça as razões que levaram Ó Bössta a destruir a Castle Street. Não, não foi para garantir um melhor serviço aos habitantes da cidade...

segunda-feira, abril 28, 2008

Vem aí o Orelhas MOucas

Será com estas palavras que os habitantes de Kazan, no estado de Tatarstan, Rússia saudarão a chegada do presidente David em tão boa hora convidado para visitar aquela cidade e ali assistir, no final de Agosto, à inauguração do templo católico e ao dia da cidade (ver acta nº 15 de 2008). Tudo isto, pois então, apenas com a finalidade de incentivar o turismo religioso entre as duas cidades.
A câmara de Ourém financiará a viagem de tão nobre visitante... e a oposição votou a favor de tão proveitosa iniciativa possivelmente pensando em algo do género: "Não quererão os Kazanenses (perdoem a calinada...) ficar por lá com o homem e experimentar os seus serviços por uns anos?"

domingo, abril 20, 2008

A Fabiana veio conhecer a prima Marta



Este fim de semana o som da criançada voltou à nossa casa tão esquecido que já andava há bastantes anos.
Os programas de televisão para miudagem foram pesquisados em certeiros zappings e a animação foi palavra importante por aqui.
O pretexto foi a Marta que continua de mão fechada ou de dedo a apontar e a fazer pela vida sem deixar passar em claro a hora de qualquer refeição. Ela teve a visita da sua priminha Fabiana que se deslocou das imediações de Ourém até à grande cidade. Vinha com umas asinhas de anjo como podem descortinar na foto e não resistiu: teve de embalar aquele ser pequenino que passou a ser o foco principal na família.

quarta-feira, abril 16, 2008

O Presidente +Eventos

De acordo com a acta 13/2008 da ainda casa amarela, vamos passar a ter uma estrutura no Centro de Negócios na qual participam diversas entidades e órgão municipais, destinada à organização de eventos de diversa índole, continuando assim a esvaziar as funções do órgão autárquico.
O presidente David pretende ter algo mesmo a sério, mesmo a funcionar à maneira...
Confesso que até nem desgosto da ideia,desta fusão do município com as forças vivas do concelho no sentido de o tornar mais visível, mais activo.
O engraçado é que tal estrutura vai ter um Presidente que deverá exercer as funções em regime de avença e a câmara participará com a respectiva remuneração (Quem será o eleito, quem será? Mas as hostes laranjas são tão avantajadas que +1 Presidente ainda é pouco, com certeza...)).
E já imaginaram como se deve sentir toda uma Divisão da educação, desporto e cultura da Câmara a quem é retirada a organização de coisas tão interessantes passando alguns dos seus elementos a ser comandados por fora?

segunda-feira, abril 07, 2008

Eduardo Barrento no OUREM

O OUREM não precisou dos prémios da Visão para se aperceber da qualidade do trabalho de Eduardo Barrento. Em 2005, dois posts chamavam a atenção para a sua actividade. Ei-los:


Um passatempo para o fim de semana


Mais simpático que muitos autarcas Posted by Picasa

Isto hoje não anima, os acessos estão muito inferiores ao que aconteceu ontem pelo que resolvi deixar-vos um passatempo e ir de fim de semana.
No entanto, quero testemunhar que, aqui da minha janela sobre São Bento, tenho assistido a algumas manifestações que se têm sucedido de forma impressionante. O Eng. Sócrates parece apostado em virar o país todo contra ele. Não é que não tenhamos de fazer sacrifícios pelo país, mas assim... de um modo tão autoritário... a tirarem-nos o direito ao descanso como se o tivessemos ganho criminosamente (eles é que dizem: a reforma do ex-vice do Banco de Portugal está dentro da lei - e só descontou 6 anos; a minha não deve estar e já lá vão mais de trinta).
Bom, mas vamos ao assunto. O autor da foto é obviamente um artista e teve uma relação com Ourém. Vejam lá se descobrem: quem é? por onde andou em OUrém? outros trabalhos...
E, se não for antes, até segunda...

Passatempo para o fim de semana - 2


A garça vermelha Posted by Picasa

Ninguém respondeu...
Tratava-se de Eduardo Barrento nascido em 1968 em Torres Novas. Cresceu em Vilar dos Prazeres, Ourém, onde contactou pela primeira vez com os animais selvagens: répteis, que um velho sábio o ensinou a conhecer e a respeitar.
Ainda antes de saber ler ou escrever, começou a desenhar e a pintar, e, claro está, os seus temas favoritos eram animais.
Mais tarde, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa descobriu uma nova paixão: a fotografia. Desde então, na última década, tem registado a Natureza em Portugal, com especial incidência para os animais selvagens. Ao mesmo tempo tem exposto em galerias, como artista plástico, sempre com o tema da Natureza presente, embora apresentado de maneira diferente.
Trabalha também como fotojornalista, primeiro na área do desporto, agora dedica-se quase em exclusivo à Natureza.

Alguns prémios:

1º. Prémio - Concurso Nacional de Fotografia Científica, Coimbra, Abril de 1999;
1º. Prémio e Menção Honrosa - Cor é Vida da Minolta, Lisboa, Janeiro de 2000;
1º. Prémio - concurso on line fotoclube.com, Outubro de 2000.

Curiosamente, o nosso blog não era indiferente ao artista. Em 11 de Fevereiro de 2007 este deixou-nos um comentário ao post Nada de Novo no concelho de Ourém: "Pela abstenção: que vergonha ser português; pelos resultados: que vergonha ser de Ourém!"
Mas ele exagerava. Ourém tem coisas muito melhores que os resultados eleitorais. Basta olhar para as gentes de cá...

sábado, abril 05, 2008

A Marta já está em casa




Ali para baixo, a écse, o Sérgio e um anónimo associaram-se a este momento particularmente feliz que estamos a viver, deixando palavras muito simpáticas.
O OUREM não é insensível e decidiu brindar estes seus amigos com as duas primeiras fotos tiradas à Marta depois de estar na casa onde vai viver os próximos anos. Desculpem a evidente desarrumação que atesta a ingenuidade do blogger e... reparem como é linda e já tem as mãozitas fechadas como que a querer dançar o vira...
Bom, e agora o tempo urge... o blog vai ficar um pouco para trás...



quinta-feira, abril 03, 2008

Avôzinho, diz-me tu...

E, aos dois de abril do ano dois mil e oito, apareceu, nesta imensidão, um serzinho, minúsculo, quase três kilitos que já se manifesta contra o ruído, parece chuchar no dedo e esbraceja de quando em quando.
Marta, descendente de Marte (deus da guerra), chegou a este mundo e terá por missão lutar contra as injustiças, as desigualdades e as inverdades. É algo muito forte para quem é tão pequenino, mas fica desde já o compromisso.
Claro que antevejo os próximos anos. A ida ao parque, voltar a ver o Vicky e a Heidi, enfim mais um regresso aos bons tempos...

quarta-feira, abril 02, 2008

Um dia muito especial

Talvez mais logo vos diga porquê.
Tão longe de Ourém durante tanto tempo teria de ter alguma razão.
Para já, iniciou-se a exasperante espera. Mil questões e ilusões invadem o nosso pensamento. O mundo, as promessas falsas do Eng. Sócrates, os estragos do presidente David ficam por uns instantes ausentes. Sabemos que o que aí vem se vai integrar nesse mesmo mundo que não temos conseguido melhorar e que teimamos em deixar estragar. Mas há uma grande esperança, contra todas as indicações que dele retiramos...

terça-feira, abril 01, 2008

Um dia verdadeiramente primaveril



Está um dia verdadeiramente primaveril, um dia que anuncia grandes acontecimentos.
Nestas condições, não posso deixar de brindar os amigos do OUREM com a última aquisição da nossa Galeria de Arte.
É magnífico, pronto a ferrar as unhas nos malvados pseudo-autarcas que nos andam a destruir a terra...
E não se atrasem. Neste momento, utilizando o mail fornecido (ourem@sapo.pt), já estão reservados 15 exemplares do "Golden City, cidade sem lei", obra que só terá distribuição em Ourém e da qual apenas foram produzidos 50 exemplares. Apressem-se, não se atrevam a ficar sem este impressionante documento alegórico às malvadezas na nossa terra.

sexta-feira, março 28, 2008

A galeria de arte



Junto ao Art Saloon de Golden City existia uma verdadeira galeria de arte. São de lá as ilustrações que reproduzimos nesta obra e que marcam alguns dos momentos mais interessantes que nela são narrados. Estas reproduções ocupam as páginas centrais, frente e verso e posso garantir-vos que o impacto proporcionado é deveras agradável. Materializa-se assim um segundo aspecto do nosso tributo às BDs que nos acompanharam na juventude.
A actividade editorial sobre Ourém fica, portanto, enriquecida em múltiplos aspectos. Já não falamos na qualidade literária e na capacidade de geração de interesse comercial. É a presença permanente da Arte, não de uma arte em abstracto, mas da arte atravessada pelas formidáveis contradições que se manifestam na sociedade oureana e só não se traduzem em desfecho diferente dada a formidável força de um dos lados. Recordem, por outro lado, os momentos de poesia que este blog divulgou, alguns bem decalcados da Ourém actual.
Enfim, tudo isto podem encontrar no sensacional número 5 do projecto "Ourém em estórias e memórias" que, breve, esperará por vós em algumas livrarias e tabacarias da nossa terra...

quinta-feira, março 27, 2008

Um tributo à colecção Condor

Decerto todos se lembram do Condor Popular. Era BD minúscula com os heróis já conhecidos do MA, as vinhetas mais pequeninas ou em menor número por página. Organizava-se em volumes de dez, saía aos fins de semana, e chegou longe. Para além desse Condor, existiu uma colecção Condor com um formato relativamente maior possibilitando uma publicação com melhor qualidade, características semelhantes ao MA da primeira série na fase iniciada no 512 embora sem capa em papel forte e brilhante. Desta, poucos números se encontram actualmente.
A nossa obra integrada no projecto "Ourém em estórias e memórias" surge como um tributo à magnífica colecção Condor que nos acompanhou na juventude em qualquer dessas versões. Para a celebrar e para lembrar este nosso tributo, a capa foi elaborada a partir da que acompanhava uma aventura de Tomahawk Tom publicada no Condor Mensal número 3, lá para 1952, cujo desenho magnífico se deve ao saudoso Vítor Péon. Dado o mau estado do original, pode apresentar algumas mazelas, mas esse é o sabor do antigo. Tivemos de fazer algumas modificações para integrar o título: o anterior era "Colt City, cidade sem lei" e substituir a parte inferior que não se adaptava ao nosso projecto.
Mas que estranho. O nosso teste de mercado começou ontem e ninguém nos liga: não há qualquer reserva na secção de comentários. Um convite decerto à desistência fomentado pelo famigerado governador...

quarta-feira, março 26, 2008

E, depois de três anos a torturar-nos, aí estão as benesses

Ontem, a IC9.
Hoje, a redução do IVA de 21 para 20%. O governo entrou em acelerada campanha eleitoral e esperemos que não estoire agore com todos os resultados dos sacrifícios que nos obrigou a suportar.
A notícia é do Público e já foi saudada pelo PCP (que considerou que deveria ter sido tomada mais cedo) e por um economista prestigiado: João Ferreira do Amaral. O Dr. Menezes também já manifestou o seu confrangedor azedume...
E Sócrates não afasta a possibilidade de nova descida.
O OUREM sente que esta descida tem potencialidades para beneficiar os portugueses, para lhes dar um certo alívio perante tendencias crescentes em preços motivadas pelas dificuldades do capital financeiro. Isto é, funciona como uma espécie de compensação que só peca por ser curta...
E, para já, perguntamos: e qual a próxima benesse, senhor engenheiro? Vamos, chegue-se à frente, não se acanhe...
Actividade editorial do OUREM

Vai ser produzido o elemento número 5 do projecto “Ourém em estórias e memórias”. Contrariamente ao que se indicou anteriormente (ver publicados e a publicar dos Poemas Entrelaçados...), ainda não vamos prosseguir com a tentativa de descoberta de quem matou Branca Flor.
Entretanto, algo de muito importante se passou na nossa terra e suplantou em interesse o desvendar esse mistério que fica para melhor ocasião e inspiração: a política insensata dos nossos autarcas conduziu à destruição da Rua de Castela levando as nossas memórias para o reino da fantasmagoria.
Abordámos a questão visualizando Ourém numa povoação do Oeste selvagem. Que mais selvagem se pode ser do que conduzindo uma política como aquela que se vai sentindo na nossa terra? Assim, a obra “Golden City, cidade sem lei” vai ser produzida em livro.
Mantendo algumas características do projecto, verão a luz do dia 50 exemplares utilizando o conceito que definimos por Literatura de Agrafo. A obra será assim semelhante em formato aos dois elementos anteriores.
Mas vai haver uma modificação muito importante. Desta vez, não haverá borlas. Vamos procurar chegar ao mercado, interessando as livrarias e tabacarias da nossa terra na sua venda por um preço que cubra os custos e integre uma margem que as mesmas julguem satisfatória. A distribuição, essa, será exclusivamente operada em Ourém.
Enfim, já estamos a antever que vamos ficar sózinhos, mas o projecto, o ter isto a andar, este fervilhar, é giro...
Nos próximos posts divulgaremos mais alguns pormenores. Entretanto, se houver interessados em receber a obra, podem desde já reservar o vosso exemplar na secção de comentários.

terça-feira, março 25, 2008

Tomar – Nazaré em auto-estrada com escala em Ourém

Olha que bela ideia!
Os meus parabéns ao senhor Ministro Lino e a sua excelência o Eng. Sócrates.
Como sabem, adoro a Nazaré, terra de mil aventuras em momento de crescimento.
Vêm-me logo à ideia as dormidas na esplanada e no interior das barracas, os bailaricos, o Zé Manel, o Rui e o Jó, o "Get off my Cloud", o casino, os Corsários de Apolo, os convites da malta amiga para pastar sem gastar.
Isto mexe mesmo cá dentro.
Ai se fosse nos meus tempos, naqueles tempos...
Espero, e não julgo estar a ser exigente, que os excelsos governantes e autarcas, que assim mostram quanto valem e ganham o nosso apreço, não se lembrem de partir povoações ao meio para a passagem da dita e dotem a Nazaré de estacionamento decente que responda ao acréscimo de procura que vão gerar e à procura que já não satisfaz. Caso contrário, será melhor ir a pé...

sexta-feira, março 21, 2008

Vejam, a velha vai cair



São revoltantes estas palavras sem dúvida. São indecentes quando proferidas por um jovem em quem estão depositadas todas as esperanças deste país. As palavras e o que lhes está por trás...
Mas, no fundo, não podemos esquecer que não passam do reflexo da humilhação a que uma classe tem vindo a ser sujeita há muitos anos pelo poder independentemente da cor partidária mais alaranjada ou mais rosa de quem o exerce.
Claro que denotam a total ausência de civismo, de valores e perspectivas de uma juventude que vive manietada pela obsessão do consumismo de que o telemóvel e outras bugigangas fáceis são a expressão actual, também essa um produto social. São também a manifestação da brutalidade a que vamos assistindo em muitos aspectos da vida social quer na relação do poder com as pessoas quer entre estas...
E trazem aos que estão a sair da vida activa um grito de alarme por aquilo que poderá estar a preparar-se para eles para daqui a alguns anos...

quarta-feira, março 19, 2008

A quadra incompleta

Esta semana tem sido algo estranha.
Nada me aparece para publicar nesta coisa...
Sei que há factos relatáveis, mas a forma de os dizer não entusiasma.
Por exemplo, o último Prós e Contras com gente de sucesso da economia... gente que parecia toda para o mesmo lado... e ninguém fala daquilo.
Quem os ouvisse diria que o nosso país vivia maravilhosamente bem. O senhor ministro da economia numa pose majestática. A banca. Empresários de sucesso.
Pudera! Tantos a viver à conta do QREN...
Aliás, se há por aí desempregados, é porque não criam o seu próprio emprego. No entanto, apesar de o senhor ministro da administração interna o não reconhecer, há alguns que já criaram: e é ver pessoal decente a ser abatido no centro comercial ou à porta de casa, cafés a serem assaltados com clientes lá dentro que isto está a ficar bom a valer...
Há pouco um post do Sérgio no Anónimo era um regalo e quase me deu nova inspiração. Ora oiçam e vejam lá se completam:

Nós somos a maioria absoluta
Nós somos a maioria impoluta
Nós somos a maioria absoluta
Desavergonhados e ...

domingo, março 16, 2008

Do pré-diagnóstico ao diagnóstico: a quimera da Internet

Os redactores do pré-diagnóstico prometem-nos a análise de mais informação entretanto recolhida nesse processo em documento a elaborar no futuro e que será o diagnóstico.
Para além disso, convidam a população do concelho a responder a um inquérito, através da Internet, onde as pessoas darão a sua opinião sobre os maiores problemas (carências) nas mais diversas áreas.
Como é óbvio, é correcto perguntar às pessoas a sua opinião sobre os problemas que sentem. Mas a importância que será dada a este inquérito pode, mais uma vez, vir a enviesar todos os resultados.
Com efeito, não há garantia de que todos os oureenses respondam...
Também não há garantia de que os que respondem só o façam uma vez...
Finalmente, mesmo que respondessem todos e só o fizessem uma vez, qualquer opinião nesta área é subjectiva e a soma de opiniões não se torna numa coisa objectiva, a realidade é apenas a de que essas opiniões existem, podendo não reflectir fielmente a realidade...
Recorde-se que os que usam Internet se integram entre os mais privilegiados. Assim, este meio de questionário vai procurar as necessidades dos que carecem menos e não dos que precisam realmente de apoio. Pode ser mais barato, mas não vai direito ao problema.
A detecção de problemas devia ser uma actividade de campo do grupo de trabalho associado a esta importante área da autarquia.Todo o trabalho devia pautar-se pela ideia de erradicar a pobreza e a miséria do concelho em todos os seus aspectos.
Infelizmente, parece-nos que vai mais servir como material de propaganda do presidente David em futuro acto eleitoral – que já oiça a peneirar-se: “levámos a cabo o diagnóstico social...” - do que como instrumento de intervenção social no sentido referido...

sábado, março 15, 2008

Pré-diagnóstico social em Ourém?

Ourém, em 2001, apresentava-se como um Concelho próspero e de forte dinâmica, esta circunstância era traduzida pela sua posição cimeira relativamente à média do país em 51% dos 35 indicadores analisados e da esmagadora maioria comparativamente à média da Sub-Região Médio Tejo (77% dos indicadores). Salienta-se também que nos indicadores em que Ourém apresenta posições inferiores à média nacional, o diferencial existente é no geral sempre substancialmente mais pequeno do que comparativamente com o diferencial existente entre a média da Sub-Região Médio Tejo e a Média Nacional.

É com estas palavras que se inicia a redacção da secção de Conclusões do relatório “Pré-Diagnóstico Social” relativo ao concelho de Ourém.
A verdade é que tal perspectiva parece-nos excessivamente cor de rosa para caracterizar a situação no concelho e particularmente grave quando integrada num documento com as finalidades de apoiar objectivos como

1 - Combater a pobreza e a exclusão social e promover a inclusão e coesão sociais;
2 - Promover o desenvolvimento social integrado;
3 - Promover um planeamento integrado e sistemático, potenciando sinergias, competências e recursos;
4 - Contribuir para a concretização, acompanhamento e avaliação dos objectivos do Plano Nacional de Acção para a Inclusão (PNAI);
5 - Integrar os objectivos da promoção da igualdade de género, constantes do Plano Nacional para a Igualdade (PNI), nos instrumentos de planeamento;
6 - Garantir uma maior eficácia e uma melhor cobertura e organização do conjunto de respostas e equipamentos sociais ao nível local;
7 - Criar canais regulares de comunicação e informação entre os parceiros e a população em geral.

que podem ser encontrados na página da autarquia quanto a este tópico e na secção de destaques onde anuncia e publica o documento.
Para demonstrar o carácter inócuo do documento relativamente ao problema que visa tratar, basta recordar as conclusões do estudo sobre o poder de compra concelhio, o último dos quais se refere a 2005. Este documento do INE mostra que, quanto ao indicador per capita, Ourém apresenta um valor que não vai além de 70,84% da média nacional, um valor bem inferior ao da região Médio Tejo (83,43%) e que é suplantado por quase todos os concelhos desta região exceptuando Sardoal (70,04%) e Ferreira do Zêzere (56,94%).
Admitimos as boas intenções dos técnicos que elaboraram o estudo. Talvez o leque de indicadores baseado no censo de 2001 não fosse o mais indicado para medir aspectos da situação social, mas fundamentar com base nos mesmos uma política que vai pôr em prática um plano de acção social conduzirá à total ineficácia desta.
Enfim, uma imagem cor de rosa que mais deveria ser um alerta laranja em termos sociais...

sexta-feira, março 14, 2008

Luís Euripo contra Red Dowdy

Conseguem recordar aquelas mesas de cabeceira com uma pequena pedra de mármore em cima frente a um espelho quadrado envolvido em madeira, uma gavetinha e uma porta que dava acesso a um penico?
Imaginem que o penico foi à vida e que a porta foi dotada de cadeado.
O Abelito era assim: à quinta-feira comprava religiosamente o Mundo de Aventuras no Central, lia-o e, depois, guardava-o naquele espaço da mesa de cabeceira, fechando-o a cadeado.
Mas esqueceu-se de um pormenor. Retirando a gaveta, havia acesso por cima ao que lá estava dentro. Imaginem a minha sensação a retirar dezenas de livrinhos como o da imagem e a entreter-me durante dias e dias, passados uns cinco ou seis anos sobre a sua edição.
Todos acabaram destruídos. Pouco a pouco, tenho vindo a encontrar em alfarrabistas livros desses tempos e a refazer essa sensação do encontro com a mesa de cabeceira...
A edição pelo MA transmite o prazer de algo que se vê e lê bem ao contrário de outras revistas de formato mais reduzido.
Hoje, o Fanzin'OUREM tem o prazer de, em rigoroso exclusivo, oferecer a todos os seus amigos e outros, esta formidável aventura de Luís Euripo bebida nos números originais do Mundo de Aventuras entre o 209 e o 219.
Reparem como aqueles páginas sabem e cheiram a velhinhas, tão amarelentas estão, tal o receio que temos de lhe tocar e que se desfaçam todas. A imagem captada retrata bem o seu estado e tem muitas mazelas algumas motivadas pelo facto de a edição pelo MA ser um tanto ou quanto desregrada. Por exemplo, as primeiras três páginas ocupavam as duas centrais do número 209 e tivemos de modificar a sequência das vinhetas para a adaptar ao formato do A4. Mas eu penso que com algum produto tipo PhotoShop poderão fazer maravilhas. Ou então peçam ao Manuel Caldas.
A estória é engraçada:


Luís é amigo de Red, actual campeão mundial, por quem já foi derrotado em combate anterior, mas de quem se tornou amigo. Red aceitou a desforra mas os promotores não estão a gostar da boa convivência entre os dois pugilistas, tratando de minar a sua relação. Um dia, após falsas notícias, Red chegou a agredir Luís.
Este não se conformou com o que se passava e conseguiu captar as boas graças da filha de Red, uma miúda con uns quinze anos que, como podem ver, tinha pelo na venta e esta acabou por se revoltar contra o pai o que o enfureceu ainda mais.
No dia do combate, Red recusou o cumprimento de Luís e afastou-o com um empurrão. O combate foi extremamente viril com os dois pugilistas furiosos um com o outro. Luís esteve perto do Knock Out, mas tudo acabou por ter um final feliz e a reconciliação entre os dois amigos acabou por se sobrepor a mal entendidos criados por gente malvada.


Termina aqui o primeiro número do Fanzin'Ourem. As audiências foram descendo pelo que, possivelmente, fica número único.
Logo se verá...



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quinta-feira, março 13, 2008

Luís Euripo, grande campeão oureense?

Já se sabe por que razão grande parte dos nomes dos nossos heróis dos anos 50 e 60 foram aportuguesados: a salazarenta legislação a isso obrigou. Mas a verdade é que, neste caso, há algo mais: Luís Euripo foi apresentado como o grande campeão português o que indicia que tal transformação não se realizou apenas quanto ao nome.
Sendo Luís Euripo português, é legítimo perguntar se ele não seria oureense? É que, durante anos consecutivos, para entusiasmo do pessoal do meu tempo, ele aparecia sem falha às quintas-feiras pelas 10 da manhã no Café Central levando a monumental aglomeração de admiradores que desejavam imitar os seus golpes bem fortes.
A verdade, é que isto não se passava exclusivamente em Ourém, pelo que ou o Luís tinha o dom da ubiquidade ou vinha travestido noutra forma qualquer... E, efectivamente, vinha em papel formato A4 por vezes colorido.
Para completar a informação sobre esta figura e acabar definitivamente com a confusão, vejamos o que nos diz a Mania dos Quadradinhos sobre este amigo:

Big Ben Bolt, que em português surgiu com o nome de Luís Euripo, devido a uma imposição de as personagens serem publicadas em Portugal com nomes portugueses, coisas do regime político que vigorava em Portugal nesses tempos, foi criado pelo argumentista Elliott Caplin, irmão de um grande desenhador, Al Capp, e pelo desenhador John Cullen Murphy, cuja maior notoriedade seria atingida ao suceder a Hal Foster na série Prince Valiant (Príncipe Valente entre nós), tendo feito a sua estreia a 20 de Fevereiro de 1950, com distribuição da King Features Syndicate, deixando finalmente de publicar-se em 1978.

Muito embora a série sobre boxe com maior sucesso tivesse sido Joe Palooka (o «nosso« Zé Sopapo, a que aqui já nos referimos), Big Ben Bolt conseguiu obter a preferência de muitos leitores, sobretudo os que apreciavam um desenho mais realista e personagens com maior profundidade psicológica. O seu nome dever-se-á, tanto quanto se sabe, a um poema de Thomas Dunn English intitulado Ben Bolt, que terá dado origem a outra personagem dos comics com este nome, muito antes da obra de Caplin e Murphy. Mas o principal personagem desta série não entrou nos estereótipos do que era habitual num lutador de boxe. Possuía um diploma universitário, e o boxe não era apenas uma forma de ganhar dinheiro, praticando-o unica e simplesmente porque gostava. Quando deixou de poder fazê-lo, devido a uma lesão, o que aconteceu por volta de 1955, acabou por enveredar pela carreira de jornalista, que durante muitos anos foi o principal assunto da acção da série.

John Cullen Murphy desenhou esta série desde o seu início, com a ajuda de vários ajudantes, entre os quais se contam Al Williamson (um dos desenhadores de Flash Gordon), Alex Kotzky (desenhador de Apartment 3-G), Neal Adams (desenhador de Deadman, entre outros), John Celardo (um dos desenhadores de Tarzan), Stan Drake (que desenhou a série The Heart of Juliet Jones, publicada entre nós n'O Primeiro de Janeiro como O Coração de Julieta e também Blondie), mas ao assumir o desenho de Prince Valiant acabou por abandonar Big Ben Bolt, que passou para as mãos de Gray Morrow, o nome que surge na série a partir de Agosto de 1977 até ao seu final um ano depois, já que o interesse por esta temática tinha vindo a esmorecer ao longo dos anos.

Amigo oureense, esteja atento a valiosa oferta relacionada com o percurso de Luís Euripo a campeão mundial na década de 50 que, amanhã, em rigoroso exclusivo, o OUREM lhe trará...

quarta-feira, março 12, 2008

John Cullen Murphy



Queria ser jogador de baseball, mas tinha um raro talento para desenhar, acabando por se tornar famoso ilustrador e cartoonista.
Estudou sob a supervisão de artistas como Norman Rockwell, Franklin Booth, George Bridgman, e Charles Chapman o que o ajudou a evoluir para um profissionalismo assinalável em qualquer media. Tanto o cartoon como o retrato ou a revista de ilustração foram igualmente exploradas com a habilidade e competência que lhe foram transmitidas pelos ilustre mentores.
Com dezassete anos, o seu primeiro trabalho profissional consistiu na produção de cartoons de boxe para o departamento de publicidade da Madison Square Garden. Tinha ainda várias revistas desportivas de Chicago a publicar, em média, dois desenhos relativos a uma semana.
Quando serviu na Segunda Guerra Mundial, ele prosseguiu a sua carreira de desenhador "no local" com ilustrações para o Chicago Tribune.
Após o regresso do Pacífico, Murphy publicou aguarelas de boxe, pinturas em revista o que chamou a atenção do escritor Elliot Caplin que rapidamente contactou o artista, para ver se ele estaria interessado em colaborar numa série de boxe em banda desenhada. Isto originou a série Big Ben Bolt iniciada em tiras diárias em 20 de fevereiro de 1950 e passando a dispor de uma página dominical a partir de 25 de Maio de 1952.
O personagem da série era dotado de uma gentileza, integridade e generosidade notáveis o que tornou o produto altamente assimilável e capaz de entreter os leitores. Bolt iria ganhar o campeonato de mundo de pesos pesados até que uma lesão o fez abandonar e levar a novas histórias de aventura, mistério e perigo não faltando geralmente uma menina escultural a seu lado.
Em 1970, Murphy foi homenageado por Harold Foster que o convidou para assumir as tarefas artísticas de Prince Valiant. Murphy aceitou de bom grado o novo desafio deixando alguns assistentes com a série Big Ben Bolt até esta acabar em 1978 com a morte do personagem.
Murphy e sua família foram trabalhar nas aventuras de Valente durante mais de trinta anos, mantendo sempre a qualidade desta aventura, embora Murphy nunca tenha tentado copiar o estilo muito distinto de Harold Foster.
O talento e o profissionalismo de John Cullen Murphy ajudaram a manter os notáveis índices de popularidade da série Prince Valiant a nível mundial. Ganhou vários prémios, incluindo o National Cartoonist Society's Best Story Strip.
Faleceu em 2 de Julho de 2004, aos 85 anos, de causa natural, deixando-nos um legado maravilhoso de aventuras e ilustrações.

Fonte: comicartville library em http://www.comicartville.com/jcmurphy.htm

terça-feira, março 11, 2008

Lance ou Flecha?


Apreciem este desenho fabuloso...
Os oureenses podem não ter dado por ele ou não se recordar. Era um herói muito discreto que apareceu nas páginas do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras. Nas primeiras, a legislação emanada do regime levou a que o seu nome fosse Flecha. A do Mundo manteve o nome original.
Há reedições, como a que podem constatar através desta engraçadíssima capa do Condor Popular, que nos coloca perante uma Valle que se adivinha formosa, mas a correr sério perigo perante a investida do bisonte.
No entanto, a grande novidade chega agora. Foi publicado agora o primeiro dos quatro tomos da reedição integral das suas pranchas dominicais. Centrado nos primeiros anos da expansão americana, "Lance" reflecte o eterno confronto bem/mal, com brancos e índios divididos pelos dois campos, com um fundo moralista e romântico, assente em personagens complexas e verdadeiramente humanas.
A edição, de grande formato, que recupera as cores originais, provém da "Livros de Papel" e por detrás dela está o trabalho laborioso de Manuel Caldas, um português nascido em Paredes de Coura, em 1959, poveiro há mais de duas décadas que se dedica à edição de clássicos de Banda Desenhada e já editou seis volumes do Príncipe Valente, três dos quais em Espanha, seguindo-se uma edição para o mercado inglês.
Em entrevista ao Voz da Póvoa, afirmou:
– Nesta minha vocação em que edito aquilo que quero, só me meto em coisas difíceis de restaurar. O Lance que será distribuído este mês, tem 71 páginas a cores que foram digitalizadas de jornais grandes. Como nos jornais vê-se muitas vezes o que está por trás e as cores são em tons uniformes, tive que pôr aquilo tudo impecável. Foram umas 15 horas para cada página, foi desgastante, cansativo e muito gratificante.
Admiro o trabalho e a capacidade de dedicação destas pessoas. Como eu gostava de saber fazer isto!
Ainda há dias, estive a desfolhar Lance. A história Raio de Luar, publicada no Cavaleiro Andante, é fabulosA e tive o projecto de a trazer para aqui, mas perante a publicação que se anuncia, incapaz de retirar as feridas ao que disponho, é preferível espera pelo trabalho anunciado.
Deixo aos oureenses, por link directo para o notável trabalho “Internet Comics Database – Portugal”, algumas capas que talvez lhes recordem algo que ainda guardem no baú mais valioso (porque cheio de recordações):

segunda-feira, março 10, 2008

Feira de velharias

Pois é, amigo oureense.
Acabada talvez um pouco aceleradamente a exuberância de Golden City, a crise voltou a instalar-se na área de publicação do nossso blog. Que fazer para manter esta coisa?
As ideias não são muitas e a animação davidiana continua a tardar, embora haja por aí quem ainda consiga mergulhar naquelas horrorosas actas com que a casa amarela nos brinda todas as semanas.
Mas precisamos de aguentar mais uns tempos.
Para isso, o OUREM decidiu abrir um ciclo dedicado à banda desenhada que os jovens oureenses das décadas de cinquenta e sessenta consumiam, elaborando uma espécie de fanzine online que vai ter a duração desta semana. Vamos assim construir o Fanzin’OUREM_1. A coisa repetir-se-á de quando em quando conforme a capacidade de digitalização, já que haverá inúmeras ofertas para os velhos amigos recordarem os velhos tempos.
E, para palavras, chega...

sábado, março 08, 2008

80000?

Eles vão calar-se!
Eles vão calar-se primeiro que eu!
Oiçam o senhor ministro da propaganda tão cioso da liberdade ganha pela luta de Soares, Alegre e Sampaio! A liberdade de manter os outros calados...
Felizmente, ninguém lhe deu ouvidos e a manif foi um êxito. Imagino o que este homem faria se tivesse as polícias às ordens.
Mas para os lados do governo nada melhorou. A senhora ministra já veio afirmar que a política é para continuar tal como foi definida. Não acredito que esteja assim tão segura. Aliás, gostaria de ser uim espião do Contra Informação no seio da equipa de Sócrates. Por lá as coisas devem ferver.
Mas é lamentável!
É lamentável que um partido socialista tenha obtido uma maioria absoluta e não tenha conseguido resolver qualquer problema. Mais, agravou os problemas que existiam pela total incapacidade em dialogar. Pior, tornou-se parte do problema de tal modo que a única saída possível parece a demissão...

sexta-feira, março 07, 2008

Golden City a ferro e fogo



Ao amanhecer, Ó Bössta mandou reunir os seus pistoleiros e cavalgaram direitos à casa de Zeca Marth. Esta já os esperava...
- Então, pensaste na minha oferta? - perguntou o governador.
- Vá para o diabo com as suas migalhas. Ninguém me tira daqui.
Ó Bössta fez um sinal aos seus homens e estes puxaram das armas. Farison puxou da sua faca e tentou visar a mulher com ela. Mas eis que as janelas da casa questionada se abrem, dela surgem dezenas de espingarda e disparam sobre os pistoleiros do governador. Três homens rolaram imediatamente pelo chão. Os cavalos assustaram-se e encabritaram-se. Zeca fechou a porta e correu para uma janela com uma arma na mão. O tiroteio tornou-se ensurdecedor e alguns cavalos rebolaram pelo chão.
Ciente daquilo de que ó Bössta era capaz, nos dias anteriores, ela tinha contratado pessoas para a ajudar na defesa do seu património. Naquele momento, estavam ali todos entrincheirados prontos a vender muito caro a satisfação dos desejos daquele verme.
O governador sentiu que não dominava a situação. Um balázio que lhe roçou a cabeça mostrou-lhe que estava demasiado exposto. Fez os seus homens recuar e pôs-se em fuga.
Dentro de casa, Zeca e os seus apoiantes saudaram aquela primeira vitória...
Mas o governador não se dava por vencido.
Enquanto voltava ao palácio tecia mil planos de vingança. Tinha de destruir aquela casa e aquela mulher que se atrevera a desafiá-lo. Agora, já nada o deteria. Não faria mais ofertas de dinheiro. Ela não tinha aceite, iria ter razões de sobejo para se arrepender... é que, apesar de tudo, a desproporção de forças era enorme.


Epílogo: O imperador que mandou incendiar a Castle Street

Termina aqui o manuscrito encontrado por acaso no sótão da casa vermelha onde se inicia a Rua de Castela e que nos conta algo sobre o que se terá passado numa geminada povoação do Oeste selvagem. Uma estória em que quase não há heróis, mas apenas vilões.

Small River andava demasiado assoberbado com a criação de uma célula marxiana de acordo com manifesto recentemente editado e com a preparação do próximo rodeo da cidade.

Serge Would Do, talvez desiludido com tudo o que se lá passava, anunciou que iria abandonar a escrita de notas sobre os factos relevantes ali vividos e que tanto gostava de publicar numa folha pessoal quase diária. Videra raro aparecia e era por demais individualista.

O que se passou em seguida não nos é revelado. Talvez haja um segundo manuscrito entre o volumoso espólio que aquela casa nos legou... De qualquer forma, isso não nos impede de fazer um breve juízo sobre o que aqui foi relatado.

Enganam-se os que dizem que Ó Bössta agiu no interesse do desenvolvimento de Golden City. O governador cometeu pelo menos três erros imperdoáveis.

Primeiro, sendo uma figura a quem tinha sido transmitido algum poder político, usou e abusou da arrogância e do físico em vez de utilizar o poder de que dispunha para servir o povo. Ele era uma besta que não dialoga, que olha todos os outros como um inimigo, que se mune de todos os meios para impor a sua lei mesmo que esta contrarie a legalidade estabelecida e reafirmada em tribunal.

Segundo, Ó Bössta não tinha necessidade de destruir a Castle Street e correr com os seus habitantes. Ele podia ter contribuído para a requalificação da rua e ali ter mantido as características que esta sempre tinha tido embora com novas ou reconstruídas habitações.

Terceiro, ele não actuou para o desenvolvimento da cidade mas para o desenvolvimento da minoria que detinha ali o poder económico: alguns dos membros da associação de criadores de cabeças de gado. Na verdade, o governador não era mais do que um boneco nas mãos dos que dominavam esta associação, embora convencido de ter algum papel e alguma capacidade de decisão. Ele detinha aquele lugar porque interpretava e punha em prática fielmente os seus interesses.
Golden City, sob a capa de desenvolvimento, continuou assim a definhar e não nos admira que notícias posteriores nos informem que o seu papel foi completamente apagado passando algum tempo depois a ser assumido por alguma cidade rival...






FIM

quinta-feira, março 06, 2008

O repasto do abutre



Nessa noite, ao jantar, Ó Bössta não pôde deixar de pensar no que se tinha passado nas horas anteriores. Finalmente, estava quase livre dos que constituiam a raia miúda que se lhe opunha e tinha terminado com qualquer veleidade de alguém se estabelecer no mesmo local aproveitando as antigas habitações. Agora, tudo era seu. Podia construir ali novas habitações. Devidamente actualizadas. Com todos os requisitos como a sua educada alma de governador exigia.
Contemplou o quadro de parede que tinha conseguido salvar daquela destruição. Gostava de ver aquela figura óssea totalmente descarnada. Que bom gosto tinha tido e que sorte ter entrado naquela casa antes de a destruir. Possivelmente os ossos dos miseráveis que lá viviam e o tinham vaiado já estariam expostos como aqueles.
Suspirou profundamente. Como estava enriquecido o seu património com as acções desencadeadas no dia.
Mas aquela mulher... aquela mulher enervava-o. Tinha-lhe oferecido 100 dólares para sair e ela tinha recusado. Finalmente, havia uma pessoa que recusava as suas ofertas em dinheiro.
Deu monumental garfada no pedaço de carne que tinha à frente...
Amanhã, ela veria como teria sido preferível aceitar a sua oferta...

Aproxima-se o desenlace desta estória. Quem vencerá? Ó Bössta? Zeca Marth? Manterão os restantes habitantes de Golden City total indiferença em relação ao que se passa na Castle Street?

quarta-feira, março 05, 2008

Fumo negro sobre Golden City


Passados três dias, Ó Bössta voltou à Castle Street. Mais uma vez, convocou os habitantes utilizando disparos para o ar e rodeou-se dos seus pistoleiros. Acompanhavam-no ainda trabalhadores munidos de instrumentos para a destruição das habitações e resíduos.
Um a um, os moradores da Castle Street entregaram as chaves de sua casa ao governador, receberam uns miseráveis dez dólares, entraram num wagon já com cavalos atrelados onde tinham depositado os seus bens e ao qual tinham preso os seus animais, partindo sem destino, muitos com lágrimas nos olhos...
Ó Bössta não esboçou qualquer sinal de piedade por aquela gente. Mal recebia uma chave, os homens às suas ordens, deitavam as casas abaixo, faziam um monte com as mesmas e pegavam-lhes fogo.
Já longe, alguns dos antigos moradores, a partir da caravana em que seguiam, podiam contemplar a extensa nuvem de fumo que se formava. A Castle Street ardia e soçobrava debaixo do poder de Ó Bössta.
Mas eis que este encontra inesperado obstáculo. Zeca Marth surge à porta da sua casa e afirma alto e bom som:
- Governador, esta casa é minha. Ninguém nos tira daqui.
Ó Bössta olhou-a com um sorriso sarcástico e ao mesmo tempo preocupado. Apesar dos seus poucos escrúpulos, repugnava-lhe disparar sobre uma mulher.
- Sai da minha frente, Zeca. Eu quero limpar tudo isto. Foi uma decisão da nossa assembleia.
- Nenhuma assembleia tem poder sobre o que me pertence. Suma-se daqui...
Alguns pistoleiros de Ó Bössta esboçaram puxar pelas armas, mas o governador fez-lhes sinal para permanecerem quietos.
- Ouve, se queres mais dinheiro, posso subir a minha oferta até aos 100 dólares.
- Nem por um milhão venderia a minha casa.
- Então, vais arrepender-te. Dou-te um dia para pensares. Quando voltar, tu e a tua casa serão passados a ferro e fogo...

Aproxima-se um desfecho trágico para alguns moradores da Castle Street. Conseguirá o governador concretizar o seu plano sinistro? E Zeca MArth? Que providências terá tomado?

terça-feira, março 04, 2008

O avanço de Ó Bössta



Não foram precisos muitos dias para o governador, acompanhado dos seus pistoleiros, aparecer na Castle Street e mostrar as verdadeiras intenções.
Ali chegados, dispararam vários tiros para o ar e, quando reuniram um número significativo de habitantes do local, Ó Bössta berrou:
- Vaiaram-me à saída da assembleia de criadores de gado. Vão ver quanto isso vos vai custar, miseráveis. Anda por aí um anedota que diz que na nossa terra quem se trama é a classe média. Vocês, gente miserável de Golden City, vão verdadeiramente sentir na vossa pele "quem se trama". Têm três dias para fazer as malas e abandonar as vossas casas. Pagarei a cada um 10 dólares pela habitação...
Um dos visados experimentou esboçar uma leva resistência:
- Isso não pode ser. Isso é um roubo...
Ouviu-se um tiro e o chapéu de quem contestava a ordem do governador voou pelos ares com um buraco no topo.
- À próxima, atiro mais para baixo... – afirmou o governador soprando o cano do revólver.
Os habitantes de Castle Street ficaram chocados com a visita do governador e não conseguiram dizer mais palavra. Ó Bössta prosseguiu:
- Vou deixar em cada uma das casas uma intimação para a abandonarem. Voltarei daqui a três dias. Nessa altura, pagarei aos que colaborarem e podem partir imediatamente. Trarei os meus homens para reduzir a cinzas este espaço miserável. À noite quero todo este espaço limpo...
E partiu, perante o ar aterrorizado daquela gente.
Era assim este miserável. Uso e abuso da força sempre que fosse necessário. Compensações mínimas para as pessoas. Total ausência de respeito pelo passado, pelos direitos que a história e a tradição poderiam trazer.

Aproxima-se um momento decisivo para a Castle Street. Haverá algum meio para preservar a história daquela rua e os interesses das pessoas que lá habitam? E Zeca Marth? Ninguém a viu neste confronto com Ó Bössta. Que providências iria tomar?

segunda-feira, março 03, 2008

Fazer as malas



O regresso de Zeca MArth à sua casa na Castle Street foi particularmente doloroso. Como era aquilo possível?
- Nasci aqui há cinquenta anos. Construí a minha casa. Expandi o meu espaço sempre honestamente e vem aquele abutre dizer que vai correr connosco.
Nas horas seguintes, desdobrou-se em contactos com os outros residentes. Mas ficou incrédula com a sua predisposição para aceitarem o destino que Ó Bössta lhes preparava.
- Que podemos nós fazer? O melhor é prepararmos tudo para partir.
- Nunca! -gritou Zeca - Nasci aqui. Quero ficar no espaço onde sempre vivi.
- Nós compreendemos-te... mas a vida não nos tem sido nada fácil neste local. Se o homem nos tomou de ponta, vai transformar-nos o dia a dia num inferno ainda pior.
Zeca ficou sozinha e não deixou de pensar no assunto.
- Não posso acreditar que isto me esteja a acontecer. Deve ser um sonho.
Quando se deitou nessa noite, não conseguiu dormir. Os seus pensamentos eram dominados pela ideia de resistir.
- Aquele malvado não há-de levar a melhor.
No dia seguinte, quando se levantou, disse para o marido:
- Prepara-te para uma viagem. Vamos tomar providências para resistir e lutar pela memória dos nossos...

Que iriam fazer? Haveria alguma forma de resistência possível a Ó Bössta? A narração aproxima-se de um ponto fulcral...
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