domingo, maio 07, 2006

Serviços de informação das autarquias – 2
Critérios de análise

Mas continuemos a nossa estória acerca dos serviços de informação da nossa autarquia.
Organizámos as funcionalidades (recolhidas sob a forma presença - 1, ausência - 0) em termos de critérios: informação ao munícipe, informação sobre o concelho, informação sobre os eleitos, abertura, navegação e presença na Internet.
A Informação ao munícipe tem a ver com aquelas funcionalidades, como, por exemplo, a disponibilização do PDM, de formulários, de informação sobre concursos abertos, as publicações da Câmara, que podem vir a ter utilidade para os que habitam no concelho ou que querem actuar no mesmo.
A Informação sobre o concelho é mais virada para pessoas externas ao concelho: aquelas que o procuram por causa da sua história, da sua gastronomia, por qualquer facto ou característica relevante.
A Informação sobre os eleitos é o que diz: quem são, que organizações representam, qual o seu currículo...
No critério Navegação reunimos um conjunto de funcionalidades que têm a ver com as características do sítio em termos de presença na Internet: é fácil de utilizar? Tem serviço de pesquisa? Tem facilidades de extracção de ficheiros? Há um mapa do sítio? Apresenta certificado digital?
A Abertura respeita àquele conjunto de funcionalidades que implicam uma reacção sistemática, transparente pelos responsáveis da autarquia: será que respondem aos emails? É possível apresentar questões AM e seguir o seu tratamento? É possível a encomenda de publicações ou o acesso ao catálogo da biblioteca municipal?
Finalmente, a Presença na Internet, tem a ver com a ausência ou presença de uma Câmara na Internet através de página.
A figura seguinte representa graficamente a avaliação que foi feita para a página da nossa Câmara. O critério mais fraco é designado por Abertura: a Câmara não criou condições para o interface com os seus munícipes e não reage aos emails, como iremos ver. Apenas 8% das funcionalidades da Abertura ali se encontram. A navegação também não é famosa dada as ausências de serviço de pesquisa, de ajudas e de mapa do sítio. Já os três critérios de informação estão um pouco acima dos 50%



Se pretendermos comparar com o que se passa no país, podemos fazê-lo utilizando a figura seguinte, na qual se vê que a Abertura, apesar de não ser famosa é bem melhor do que em Ourém (16%) e que os critérios de informação são um pouco mais pobres que no nosso concelho. A presença na Internet mostra claramente que, existem alguns distritos onde a mesma ainda não está a 100%. Repare-se que, apesar de tudo, a configuração da figura tem algumas semelhanças com a relativa à nossa terra



A figura seguinte, mostra a diferenciação a nível de distritos


Cuidado com a escuridão

Julgo que não tem qualquer vantagem pelo menos para os que a sentem. Isto é, não se vê nada lá para dentro. Eventualmente, poderá trazer vantagens a quem, por causa dela, não é visto.
A escuridão é, assim, lugar de mil factos e perigos que pode ser utilizada em proveito próprio...
Há por aí muitos adeptos da escuridão... para os outros: por exemplo, o venerado presidente, o tal que diz que tudo demora a apurar, que não conhece o que se lhe pergunta, para assim se furtar a divulgá-lo...

sábado, maio 06, 2006

OUREM PlayList

É fartar, vilanagem, mas não esqueçam que, por vezes, o PUTFILE faz as suas partidas (apaga os mp3, muda-lhes o nome, deita-se para o chão, enfim, nem sei como lhe chamar...)

Adriano Correia de Oliveira: Cantar da Emigração
Adriano Correia de Oliveira: Trova do Vento que Passa
Banda do George: Beware of darkness
Banda do George: Something
Beatles: While my Guitar (versão demo do George)
Duo Dinamico: El final del Verano
Duo Dinamico: Perdoname
Honeybus: I cant let maggy go
Joe Brown: I'll see you in my dreams
Johnny Halliday: Le Penitencier
Johnny Halliday: Johnny lui dit adieu
Les chats sauvages: Derniers baisers
Les chats sauvages: Oh Lady
Luis Cilia: Má Reputacão
Luís Cília: O romance do Lulu do INtendente
Patricia Carli: Demain tu te marries
Richard Anthonny: Le ciel est si beau ce soir
Rolling Stones: If you need me
Rolling Stones: Tell me you are comming back
Searchers: All my sorrows
Searchers: Dont throw your love away
Searchers: Farmer John
Searchers: Needles and Pins
Searchers: Sweets for my sweet
Searchers: What have they done to the rain
Sheiks: Lonely lost and sad
Simon and Garfunkel: Sounds of Silence
Spriguns: Letter to a lady
Tino Flores: Meu amigo está preso
Tubaroes: Destino de crioula
Tubaroes: Manu
Tubaroes: Mar piscina de nhas lagrimas
Vitorino: Alentejo, és nossa terra
Vitorino: O MAltes
Zeca Afonso: Cantares de Andarilho
Zeca Afonso: Cantigas de Maio
Zeca Afonso: Canto Moco
Zeca Afonso: Coro da Primavera
Zeca Afonso: TRaz outro amigo tambem
Zeca Afonso: Vejam bem
Zeca Afonso:Grandola vila morena

sexta-feira, maio 05, 2006

Os serviços de informação da nossa autarquia

Não apresentam 50% das funcionalidades procuradas, quedando-se por uns singelos 43%. Mas há as que estão bem pior, dirá o venerado presidente e sempre podemos continuar à espera do sebastiânico Leiria Digital e das nuvens que a sua chegada garantirá. A imagem seguinte é o retrato nacional com detalhe a nível de concelhos...
Os de cima são os mais pobrezinhos, Ourém está quase ao meio, lá bem ao fundo temos Pombal, Portalegre, Porto e Nelas (um caso em que eu não confio muito...)

E adivinhem...



... onde é que estes três marotos amanhã vão estar. Há oureanos com muita sorte. Outros têm que continuar a aguentar o barco por estas terras longínquas, imaginando o que por lá se passa.
Como é que o da casa amarela ainda não se lembrou de fechar isso?
Com passo de espera...

Já faltam poucos dias para terminarem as aulas deste semestre.
Foi algo muito diferente. Pela primeira vez, leccionei uma disciplina claramente da área de Economia e, numa outra, na área de sistemas de informação, iniciei uma experiência de recolha e análise de informação muito interessante.
Eu já tinha ameaçado há cerca de um ano. Durante algum tempo estive hesitante, porque trabalhos nesta área tinham-se multiplicado, mas o facto de poder sujeitar os alunos a uma daquelas análises como se costuma fazer no mundo real (não vejam aqui qualquer tipo de crítica), decidiu-me. Assim, os meus quase cinquenta alunos de informática e sistemas de informação aplicados andaram estes três meses à volta com os serviços de informação das autarquias, procurando as funcionalidades que os mesmos disponibilizavam, registando-as em base de dados e interrogando as bases de dados para subir ao nível distrito e país na dimensão territorial e ao nível de critério e indicador geral de maturidade na dimensão relativa a características. Aproveitámos também para fazer gráficos, pesquisar árvores e regras, associações, clusters, introduzi-los ao tema de tabelas dinâmicas. Um verdadeiro festival...
O mais interessante disto tudo é que Ourém está ali, no meio daqueles dados, escondida entre concelhos e funcionalidades. Claro que os resultados ainda são provisórios. Há muito chico esperto que, em vez de fazer o trabalho, prefere preencher os dados ao acaso, gerando monumental necessidade de validações e verificações. Mas algumas coisas podem desde já ser concluídas. E muitas delas não abonam em relação ao que se passa em Ourém. Digamos que a nossa autarquia tem uma certa tendência para se refugiar na gigantesca nuvem da mediocridade. Claro que isso não acontece em todas as cinquenta e tal funcionalidades que procurámos nos sítios de todo o país, mas acontece em algumas muito importantes.
Nas próximas semanas, antecipando uma publicação com um horizonte mais vasto que se antevê lá para Setembro, intercalando com a música doce do Harrison e com alguma estória, iremos vendo alguns dos tópicos que daqui decorrem...

quinta-feira, maio 04, 2006

Musa inspiradora

E onde andará a musa inspiradora que há tantos dias não me visita?
Em tempos, deixou-me à espera dias sem fim. Mesmo assim ainda produzi uns textos que conservo.
Depois, largou-me quase por quarenta anos.
Um dia voltou. Garantiu que não me deixaria, que estaria aqui comigo contemplando o Tejo, recordando tempos idos...
Mas foram esperanças vãs...
Cortai as ervas daninhas

Que empecilho são à nossa terra...
Mas como pode tão humilde espaço fazê-lo se nem por breves minutos elas desaparecem e escudadas estão em significativo apoio popular e em domínio quase monopolista de todos os meios de expressão local?
Olha que incomodado ele vai por lhe terem dito das boas...
Confesso que também não tenho uma casaca para a vida política e outro para a vida social, em mim tudo se confunde e a separação de águas é-me claramente impossível. As pessoas são o que são e, por isso, assim são politicamente. Empecilhos. Piores do que isso. Empecilhos destruidores da nossa terra ao serviço da causa do negócio... até Fátima já se vê como “marca” para aumentar o negócio (são eles que o dizem)... onde andará o do cajado que os expulsou para fora do templo?
Enjoo de blog

É verdade que há muito não estava sem actualizar o blog tantos dias. Mas confesso o meu cansaço. E, contrariamente ao que dizem os amigos Nyo e Duarte, a crise não passou. Ela anda por aqui em todas as dimensões da nossa vida, inclusivamente esta que, sendo um reflexo da vida material, mas integrando-se muitas vezes nela com efeitos pertinentes, agora parece não conseguir gerar a necessária superação.
No passado, houve muitas tábuas de salvação: os escritos de há trinta e tal anos, a destruição de Ourém, os processos eleitorais, a governação de Santana, as cowboiadas, as canções da nossa época. Agora, carago, está mesmo difícil. Não há ponta de inspiração que não passe pela repetição. Um verdadeiro enjoo...

domingo, abril 30, 2006

Compasso de espera

É o que se faz quando se não pretende acabar, mas não há material disponível para continuar. Enfim, a crise é cada vez mais visível...

sexta-feira, abril 28, 2006

O código David

Destruir, destruir, destruir...
Deixar degradar e destruir...
Entregar aos agentes do negócio...

Este é o retrato da miserável política da cambada de urbicidas que tem gerido a autarquia.
Até dá para elaborar um mosaico. E garanto que faltam ali algumas peças entre as que já foram e as que estão programadas.
A legenda fica a vosso cargo.

quinta-feira, abril 27, 2006

O código Picasso

Na lateral direita superior (visão do observador) destaca-se a figura de um homem com os braços levantados, boca aberta e pescoço muito comprido. Essa figura pode simbolizar duas coisas: o homem, que está apavorado, devido aos seus traços torcidos, tenta deter as bombas que são lançadas sobre a cidade. Uma outra hipótese é que essa figura faz analogia a figura principal da obra "Os fuzilamentos" do 03 de maio de 1808 de Goya.


O fato de o quadro de Goya também ser motivado por um ato de brutalidade contra pessoas inocentes reforça essa teoria.

Na lateral direita inferior, pode-se ver a figura de uma mulher que parece sair da escuridão para dentro do cone de luz.

Sua expressão de completo esgotamento, como se carregasse um grande fardo, e seu rosto erguido na direção da luz pode ter uma certa semelhança com as imagens de Jesus Cristo carregando a cruz.

Essa imagem talvez seja uma tentativa de exprimir o sofrimento humano, mas sem simbolizar explicitamente o cristianismo.

No lado direito superior e ao centro, logo ao lado da figura de um homem com os braços levantados, vemos uma figura que parece surgir, suavemente, por debaixo das telhas. Essa figura, com o rosto dominador, e que vem do infinito, olha horrorizada para o cavalo ferido. Repare que ela está boquiaberta, como se não acreditasse no que estivesse vendo.

No centro superior da tela, próximo à cabeça do cavalo, existe um braço, que se parece como uma nuvem. A sua mão disforme segura uma lamparina a óleo, muito comum nas casas de camponeses.
Essa lamparina emana uma luz suave, que talvez represente a luz da consciência

Ao lado da lamparina, sobre a cabeça do cavalo, está uma espécie de lâmpada elétrica. Devido ao seu formato de sol, essa figura pode sugerir o "olho de Deus", que vê tudo vê. Repare ainda que até mesmo essa luz parece "gritar de horror".

Na parte central do quadro, vemos um cavalo em agonia. Repare que ele está caído de joelhos, como se estivesse sentindo as terríveis dores causadas pela lança fincada em seu corpo e por uma enorme ferida ainda aberta.
A cabeça do cavalo está voltada para o touro. Da boca do cavalo parece sair um rugido feroz, um misto de ira e dor. Repare que esse "urro" parece estar direcionado para a figura do touro, ao lado.
O cavalo pode representar a angústia do povo espanhol. No entanto, essa figura é ambígua, pois segundo alguns críticos de arte, o cavalo, devido aos traços rígidos, que beiram o patético, representam o general Franco.
No lado esquerdo da tela encontra-se o touro. Essa é também é uma figura ambígua, pois nele pode estar representada a resistência do povo espanhol. No entanto, o touro, que representa brutalidade, pode simbolizar o general Franco.

Repare que o touro está parado, abanando a cauda, como se, "após um ataque bem-sucedido", recuasse para ver os "estragos feitos no adversário" e se preparasse para o próximo ataque. A presença do touro deve-se também ao fascínio que Picasso sempre teve por touradas, esporte nacional, que aparece freqüentemente em suas obras.
Uma vez questionado sobre a ambigüidade existente entre as figuras do touro e do cavalo Picasso disse: "Este touro é um touro, este cavalo um cavalo (...). É preciso que o público, os espectadores, vejam no cavalo, no touro, símbolos que eles devem interpretar como os compreendem". (extraído da obra Mundo; Homem; Arte em Crise de Mário Pedrosa)
Dentre tantas figuras complexas existentes em "Guernica", a mãe, que carrega uma criança morta nos braços, talvez seja a de mais fácil interpretação.

Nessa imagem percebe-se claramente a dor que sente uma mãe quando perde um filho. Não só essa mãe, ou só as mães da cidade de Guernica, mas sim todas as mães do mundo, ou seja, essa dor é a mesma dor que tiveram as mães americanas e vietnamitas quando perderam seus filhos na guerra do Vietnã.
Janeiro, ao verem seus filhos brutalmente assassinados. É também a dor das mães que viram seus filhos serem covardemente assassinados no atentado do World Trade Center em Nova York.

Voltando a Guernica, o grito da mãe é representado por sua língua pontiaguda, que nos faz lembrar um estilhaço de vidro ou, até mesmo, um punhal. Vale lembrar que "cacos" semelhantes aparecem em outras partes do quadro.
A figura da mãe ainda ajuda a aumentar um pouco a discussão sobre o que pode simbolizar o touro e o cavalo.
Repare que a mãe está quase que envolvida pelo touro e seu grito parece ir praticamente em sua direção. Sob a ótica de que o touro simbolize o povo, a figura da mãe procura a proteção do povo e "grita" para compartilhar a sua dor com ele.

No entanto, sob ótica de que o touro o General Franco, pode-se dizer que a mãe procura fugir, já com seu filho morto, do meio de toda aquela brutalidade, pois ela parece caminhar em direção à porta. No entanto, o touro a impede de concluir seu intento. Essa teoria é reforçada pelo próprio momento histórico: quando os sobreviventes do ataque aéreo tentaram fugir para os arredores da cidade, eles foram alvos das rajadas de metralhadora disparadas pelos caças nazistas. Além disso, a semelhança entre a língua pontiaguda da mãe com a língua, também pontiaguda, do cavalo permite concluir que tanto o cavalo como a mãe "gritam" de forma semelhante, ou seja, ambos são vítimas da brutalidade.


Toda a lateral inferior esquerda do quadro é ocupada por uma figura totalmente mutilada, que pode ser assemelhada uma espécie de guerreiro. Repare que, apesar de ter a cabeça e os braços cortados, o guerreiro está agarrado a uma espada quebrada, simbolizando assim a resistência do povo espanhol. Próxima a sua mão, ainda contraída em torno da espada quebrada, encontra-se uma flor, símbolo da esperança de uma nova era.
A flor, símbolo da esperança, quase que unida à espada, símbolo da resistência, juntas, podem transmitir uma mensagem do tipo: "enquanto houver resistência haverá esperança".


in: Mundo Cultural

quarta-feira, abril 26, 2006

Guernica




A obra Guernica de Pablo Picasso tem como tema o bombardeio à cidade basca de Guernica, no dia 26 de abril de 1937, que culminou com a morte de 1654 pessoas e 889 feridos. Pode-se dizer que a tragédia de Guernica começou em julho de 1936, quando o exército, liderado pelo General Franco, se revoltou contra o governo da II República Espanhola, dando origem à guerra civil espanhola, que terminou em 1º de abril de 1939 com a vitória dos revoltosos. Ainda em julho, mais precisamente na noite do dia 25, Hitler decidiu apoiar o General Franco.
Com a perda de Madrid, os revoltosos necessitavam abalar, de alguma forma, os Republicanos. Para isso, adotaram a estratégia de bombardear, ininterruptamente, um alvo qualquer com bombas de fragmentação e incendiárias. O alvo escolhido, muito provavelmente por Franco, foi à cidade de Guernica. Essa escolha deve-se aos seguintes motivos:

Guernica não tinha população numerosa e nem proteção antiaérea, ou seja, a cidade era um alvo fácil;
A cidade abrigava um velho carvalho (Guernikako arbola). Sob o qual, desde os tempos medievais os monarcas espanhóis juravam respeitar as leis e costumes dos bascos. Destruir a cidade seria uma espécie de castigo a todos os que imaginavam uma Espanha federalista ou descentralizada. Destruir Guernica significava também abalar, moralmente, os adversários.

Em 4 de maio de 1939 a Prefeitura de Guernica, dirigindo-se ao povo espanhol, divulgou o seguinte comunicado:

"Em pé, diante desde microfone, quero contar o que os meus olhos viram no lugar do que já foi Guernica, e tomo Deus como testemunha:
Envergonhados pelo monstruoso crime que cometeram, os rebeldes apelam para a falsidade para camuflar, para negar a mais vil das proezas da História, a total e absoluta destruição da cidade de Guernica.
Aquele dia fatal, 26 de abril, era dia de mercado e a cidade estava cheia de gente. Em Guernica havia milhares de camponeses de toda a vizinhança, numa atmosfera de camaradagem basca, e ninguém suspeitava de que uma tragédia se aproximava.
Pouco depois das quatro da tarde, aviões jogaram nove bombas no centro da cidade. Procurávamos os feridos, quando mais aviões surgiram, jogando todo tipo de bombas, incendiárias e explosivas.
As feras que pilotavam tais aviões, logo que avistavam nas ruas ou fora da cidade uma figura humana, focalizavam nela suas metralhadoras, semeando terror e morte, entre mulheres, crianças e velhos. Tal foi a tragédia de Guernica, cuja verdade, eu, prefeito da cidade, afirmo diante do mundo inteiro.
A Milícia estacionada em Guernica, naquele dia, era exatamente a mesma que havia confraternizado todos esses meses com o povo de Guernica, ganhando sua afeição. Foi a primeira a prestar auxílio naqueles momentos terríveis. Não foi nossa milícia que ateou fogo a Guernica, e se o juramento de um alcaide cristão e basco tem algum valor, juro diante de Deus e da História que aviões alemães bombardearam cruelmente nossa cidade até riscá-la do mapa."
Guernica foi ferida, mas não morrerá. Da árvore brotarão novas folhas verdes em toda primavera; seus filhos a ela retornarão; suas casas serão reconstruídas, suas igrejas escutarão novamente seus hinos e preces...
Guernica, o símbolo de nossas liberdades nacionais, e o símbolo da ferocidade do fascismo internacional, não pode morrer."
Fonte: História do Século 20, volume 4 - Abril Cultural

terça-feira, abril 25, 2006

Traz outro amigo também

Aqui, pelo OUREM, já passaram o ZéBitor, o Santa Cita e o Sérgio todos unidos neste monumental hino à liberdade que é o 25 de Abril que tem notável particularidade de unir pessoas, mesmo que não estejam totalmente de acordo umas com as outras.
Há trinta e dois anos também foi assim. Por esta altura, a vitória parecia assegurada, os que não acreditaram e abandonaram no momento da decisão começaram a regressar ao quartel onde foram recebidos com alegria dando mais força à unidade contra o regime opressivo.
É altura de ouvirmos nova canção do Zeca...

Traz outro amigo também

25 de Abril

Um dia para recordar sempre

Oiça as canções do Zeca no OUREM: "Grandola, Vila Morena"

segunda-feira, abril 24, 2006

Cantares do andarilho

Já fiz recados às bruxas
do caselho à portelada
dei-lhes a minha inocência
elas não me deram nada.

Andei à giesta
ao lírio maninho
na Bouça da Fresta
no Casal Velido
erva cidreira
à erva veludo
na Lomba regueira
no Pinhal do Mudo.

Andei ó licranço
andei ao lacrau
no Monte do Manso
na Espera do Mau
vibra à carocha
ao corujão cego
na mata da Tocha
no rio Lágedo.

Fui andarilho das bruxas
moço de S. Cipriano
já fui morto e inda vivo
vendi a alma ao Diabo.

Era donzel e guardei-me
p´ras filhas da feiticeira
parti-me em metade à loira
noutra metade à morena.

Oiça as canções do Zeca no Ourem: "Cantares do andarilho"
Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara

Lá no cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá no cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

Oiça as canções do Zeca no OUREM: "Canto Moço"

domingo, abril 23, 2006

Vejam bem

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de de febre a arder

Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer

Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão

E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vem levantá-lo do chão
ninguém vem levantá-lo do chão

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

Oiça as canções do Zeca no OUREM: "Vejam bem"

sábado, abril 22, 2006

TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Oiça Trova do Vento que passa

sexta-feira, abril 21, 2006

Por causa do Ukelele

O Ric Jo, no seu Malibu Cola, tem um artigo muito interessante sobre uma guitarra acústica Havaiana muito pequena de apenas 4 cordas: o Ukelele.
A questão é que esse instrumento traz-me alguns sentimento e recordações (por exemplo, o fabuloso “Cavaquinho” do Júlio Pereira) que não posso deixar calados e, por isso, contrariando o momento, todo virado para a comemoração do 25, vamos criar um pequeno enclave.
Contam os amigos que o nosso velho amigo Harrison, quando viajava, transportava consigo sempre dois Ukeleles, um para ele tocar e outro para alguém que conhecesse e o quisesse acompanhar. Imaginem aqueles passeios...
O Harrison morreu já há alguns anos e, no ano seguinte, alguns dos mais chegados fizeram-lhe um concerto de homenagem, algo muito comovente, algo que me recorda sempre os nossos amigos oureenses já desaparecidos e outros que tanto produziram para nós sem nos conhecer.
É verdade, há trinta e dois anos, estávamos bem mais ricos. Tínhamos perdido o Zé Manel, mas o Luís Nuno e o Félix preparavam-se para dar o contributo para o nascimento do Poço, o Vitor Guerra ainda nos acompanhava, o Jó Rodrigues estudava aquelas estranhas ervas com que pretendia melhorar a nossa saúde (um dia chegámos à loja dele: “Ó Jó, para que é que são estas ervas?”, “Sei lá...”), o Lennon preparava mais albuns (a compilação “shaved fish” com o fabuloso Imagine e o Give peace a chance, e o magnífico “Double Fantasy” que trazia o Woman e a capa mostrava a malvada Beatlecida), o George ainda faria o Cloud Nine, deixaria músicas para o póstumo, ajudaria a regressar os Beatles com a Antologia, dinamizaria os Travelling Wilburys, o Zeca ainda tinha muito para dar (“com as minhas tamanquinhas”, “fura-fura”, “como se fora seu filho”, “enquanto há força”...) e o Adriano cantava e não lhe ficava atrás (“que nunca mais”, “cantigas portuguesas”). Deram-nos muita coisa a partir do 25. Depois, pouco a pouco, deixaram-nos...
Imagino-os lá em cima, naquela confraternização que a sua qualidade de espírito puro, nada sujeito às barreiras que a matéria cria, proporciona. Se calhar atentos ao tributo que foi prestado ao George que os outros também mereceriam naquilo em que se tornaram notados entre nós. Uma das peças desse tributo foi uma nova versão do “Something” que, e aqui está a razão do post, foi introduzida por Ukelele. Ora oiçam...
Claro que, em DVD, ainda é mais interessante, pois mostra-nos algumas particularidades dos intervenientes: do baterista, do Clapton..., dos instrumentos a associarem-se um por um... A mim, bate-me especialmente a transição para a versão convencional. Por tudo isto, sempre que oiço esta canção ela traz-me a recordação dos nossos amigos, destes que vos falei. Tudo isto estava guardado para mais tarde, mas o artigo do Ric Jo levou-ma a antecipá-lo. São danados estes jovens ourenenses...

Paul McCartney - Something (Concert for George) from Samuel Bello on Vimeo.

O NSU Prinz, carrinho do palhete




Tinha chegado das aulas para almoçar e notei que o meu irmão, estranhamente,  habitualmente tão pontual, não estava.

A minha mãe informou-me logo.

- O Abel foi a Lisboa buscar um carro que lhe saiu no sorteio dos Inválidos do Comércio.

- Um carro? Olha a sorte...

- O pai ainda lhe disse para ele trazer o dinheiro, mas ele insistiu e vem com o carro.

O resto do dia foi à espera daquele terceiro prémio que bafejou a nossa gente. Lá para a década de cinquenta uma viagem Ourém – Lisboa demorava o seu tempo, pelo que, só para o final do dia, a bela máquina chegou ao largo de Castela.

Eu imaginava uma carripana enorme e saiu-me uma miniatura quase mais pequenino que os Morris ou os Austin da época. Era um NSU Prinz, um carrinho ao que julgo alemão, cor avermelhada, e com uma chiadeira no trabalhar que fazia lembrar o choro...

Nesse dia, ainda houve tempo para testar o carro pelas estradas à volta de Ourém. O meu irmão encheu-o de amigos (o Zé Penso, o Pereira, o Félix) e lá fomos que aquilo não dava para muito mais.

Todos apreciaram aquela maravilha, mas não estavam muito de acordo:

- Agarra-se bem à estrada – dizia o Zé Penso.

Mas o Pereira tinha notado alguns pontos negativos:

- Não é carro para estas estradas...

Claro, se vocês vissem aquelas rodinhas tão finas a passar pelos buracões daquele tempo também estariam de acordo com o Pereira.

- Eu acho que dá perfeitamente – dizia o Félix – e até podemos visitar as adegas com mais frequência...

- É vermelho e tudo – respondia o Penso – faz lembrar o palhete...

Pois é, meus amigos. A fama de tal carro e a sua associação ao palhete foi de tal ordem que, ao fim de alguns anos, teve de mudar de cor. Mas a verdade é que a sua longevidade foi notável, com mais de quinze anos, ainda se deslocava perfeitamente e nunca deixou o dono apeado. Às vezes, até parecia que conhecia o caminho...


quinta-feira, abril 20, 2006

40000

Está quase...
Confesso que não esperava chegar a este número de acessos.
A ressaca, no final do processo eleitoral de Outubro, foi grande e nada me dizia conseguir recuperar temas que motivassem, ao menos ao nível de acesso, os leitores do blog.
O tratamento de canções da nossa geração deu uma forte ajuda a qual acabou por traduzir-se em mais estórias quando eu já sentia o baú fechado.
Se estou satisfeito pelo número de acessos (que fazer?, nunca consegui aquela mudança qualitativa para os 300 ou 400 por dia), não o posso dizer acerca de outras formas de interacção. O OUREM é um blog isolado, marginal que, excluindo a boa vontade de dois ou três leitores, não consegue gerar comentários. Está aqui, tipo paspalhão, no meio da floresta de blogs.
Confesso que esperava muito mais, não junto dos que não conhecia, mas exactamente, junto daqueles para quem isto é um certo repositório de recordações da nossa terra e que, como tal, são património de todos. Vejo, no fundo, que os conhecia mal ou que mudaram bastante já que, noutros tempos, seria fácil a sua participação numa paródia destas. Mas é óbvio que só eu tenho a culpa de vir para um blog tratar estas coisas e insistir tanto nesta imagem de uma Ourém destruída por gente que não a merece, mas que é quem lá está e quem a faz mexer.
Chegar aos 50000? Não acredito muito, nem sei se me interessa, o encanto passou tal como passa em muitas outras coisas da vida...
... mas, para já, não fecho a porta e vou continuar com uma recordação muito especial, desejando a todos a mesma sorte.
Alentejo, és nossa terra

Este ainda tem a sorte de encontrar uma terra que considera como sua.
Compreende-se, sempre foi lugar de elevada contestação à exploração do trabalhador assalariado e, naquele momento, vivia importantíssimo processo de transformação das relações sociais.
Invejo-os.
Nada tenho que me ajude a dizer: "Ourém, és nossa terra..."
A “nossa terra” é um local que rejeita as coisas que nos prendiam a ela, que as vai destruindo. Não é que não me sinta por lá bem. A recente estadia foi daquelas que queria que nunca mais acabasse, apesar das faltas dos amigos e das coisas materiais que recordo. É uma terra onde se sente a quietude e o afecto dos fantasmas dos que já partiram.
Mas já me falaram em novas ameaças de destruição. Prepara-se a construção de novo mamarracho e mais símbolos da nossa geração vão desaparecer.

Oiça "Alentejo és nossa terra" por Vitorino

quarta-feira, abril 19, 2006

O ausente

Mas a reunião número 13 da vereação da nossa Câmara teve outra passagem interessante. Imagine-se a cena.

Secretária: O ponto seguinte da ordem de trabalhos diz respeito a um Pedido de elementos em formato digital por parte da Associação de Agricultores e Produtores Florestais do Norte do Ribatejo, designadamente
- Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios;
- Planta de Ordenamento das Classes do PDM;
- Relatório Final de limites de áreas ardidas no Concelho;
- Plano Municipal de Ordenamento e Exploração Cinegética.
Levanta-se o Zé Manel Alho: Vou ali fora...
Ordena o Presidente David:
Tome nota que, aquando da discussão e votação do assunto supra referido, este vereador se ausentou.

E indeferiram o pedido por unanimidade.
Não comento o indeferimento. Apesar de não me ser muito clara a razão pela qual os elementos referidos não são disponibilizados livre e gratuitamente, ainda mo é menos esta necessidade de apontar uma ausência no tratamento de um assunto como se a mesma tivesse outros intuitos. Assim, nunca conheceremos a posição do vereador.
O guarda diligente

Muitas das nossas noites eram passadas num café da Buenos Aires que apelidámos de Gordo devido ao volume de um dos proprietários. Daí, destaco as famosas sandes mistas de um conteúdo indescritível feito de queijo, fiambre, pickles, pasta de fígado e outras iguarias.
Bem comidos e bebidos, descíamos o Quelhas, falávamos, caminhávamos aproveitando a bonomia da noite.
O cigarro era uma boa ajuda.
Mas, naquela noite, faltaram-me os fósforos e lembrei-me de os pedir a um polícia de guarda à Emissora Nacional.
- Senhor Guarda, tem lume?
Ele virou-se para nós, apontou a metralhadora e só disse:
- A minha última palavra é dispersar!!!
Aí fomos nós pela Travessa do Pasteleiro. O homem não era para brincadeiras e estava bem ensinado…

terça-feira, abril 18, 2006

Prevê-se aumento da nebulosidade sobre Ourém

É curiosa a definição de hotspot veiculada pela Câmara, na acta número 13 do ano corrente: equipamentos que criam nuvens para acesso à internet. Aliás, calculamos que todos os oureenses fieis leitores deste documento tenham ficado esclarecidos...
Mais interessante é o facto de, na Internet, se encontrarem definições como as seguintes:

PT: É um local público onde o serviço Wi-Fi está disponível para sua utilização. São mais de 700 locais em todo o país, desde hotéis, aeroportos, restaurantes, cafés, estações de correio, centros comerciais, estações de serviço, centros de conferência, entre muitos outros!
In: http://www.ptwifi.pt/wifi_out1.aspx


CLIX: Um Hotspot (também conhecido por Wireless Lan) é um local onde poderá utilizar o seu equipamento portátil para se ligar à Internet de banda larga através da tecnologia Wi-Fi, bastando para tal ter equipamento compatível e dados de acesso.
In: http://wifi.clix.pt/faq_tecnologia.html?resp=2

FL-22-08, o acelera das retas infinitas

Era a matrícula de um dos carros de estimação da nossa juventude. Um magnífico Simca Aronde, cinzento, religiosamente guardado numa garagem sobre as ruínas da qual foram construídas as instalações da EPO e mantido em estado impecável.
O proprietário era o Sr. Ferreira, padrinho do Rui, sempre disponível para nos transportar para Tomar, Leiria, Nazaré e outros passeios.
A sua confiança no bólide era de tal ordem que, quando pronunciava a matrícula, o fazia de forma a ouvir-se claramente “FieL”, vinte e dois, zero oito.
Mas quem o topava bem como condutor era o Vitor Guerra.
- Sr. Ferreira, meta-lhe a quarta...
- Tenha calma, Vítor – respondia ele – deixe-me chegar àquela recta, lá ao fundo...

segunda-feira, abril 17, 2006

O caixote do lixo

Era noite de Santo António lá para 1969/70.
Fomos em grupo para Alfama onde se comeu sardinha, bebeu carrascão e bagaço e conviveu um bom bocado. Alguns aproveitaram para distribuir panfletos de solidariedade com os colegas de Coimbra.
O regresso foi a pé e todos vinham animados.
A certa altura, junto a uma casa surgiu o caixote de lixo. Bem cheio.
Um de nós pegou nele e atirou-o para o meio da estrada onde tudo se derramou. Com tal despropósito que vinha um carro da polícia a passar. Pararam e rodearam-nos imediatamente.
- Por que fizeram aquilo? Identifiquem-se…
A perícia deles era tal que, em poucos segundos, um virou a banda do casaco a um de nós e inspeccionou o que transportava no bolso interior.
- Que é isto? Panfletos de apoio a Coimbra? Acompanhe-me…
Impotentes, vimo-los levar o nosso amigo. De nada valeu a nossa proclamação de inocência, tinham ganho a noite, já podiam apresentar serviço.
Não sabíamos o que fazer, mal conseguimos dormir. Apesar de tudo, no dia seguinte, ele já estava connosco. Teve sorte…

domingo, abril 16, 2006

O Maltês

Este tem olhar de felino, mas possivelmente não toca piano nem fala francês.
E é interessante como uma canção como esta não figura num triplo album de êxitos...

Oiça "O Maltês" por Vitorino

sexta-feira, abril 14, 2006

Quietude

Resta-me fechar os olhos e descansar
percorrer prados, com os olhos postos no mar,
esquecer descobertas, parar e dormir
acolher sonhos e deixar-me sorrir.

Resta-me afastar normas e conceitos,
fitar erros e achá-los perfeitos,
esquecer vozes de deuses ausentes
e abraçar estes dias por serem diferentes.

Resta-me repousar na paz de um leito,
fechar os olhos ao mundo dos outros,
criar um pacto simples e estreito.

Murmurar, com os olhos parados no tecto
que adormeci para este mundo
e que suplico às sombras do quarto um afecto.

Carmen Zita Ferreira
In Do Mar Grande e doutras Águas – Antologia Poética
Ecos da maresia

Gosto do poema simples, curto, mas profundo.
Não é o que encontro em todos os autores e por isso tantas vezes me é difícil compreender o que estou a ler. Aliás, parece que eu e a poesia celebrámos um pacto de não compreensão. Conheço as palavras todas, sei o seu significado, mas a junção delas provoca-me monumental vazio.
Não é assim sempre e a antologia que organizei do OUREM é disso um exemplo.
Do poema que hoje vos deixo não posso deixar de sublinhar aquela passagem que tanta vez aqui vivo: “… e que suplico às sombras do quarto um afecto”

quinta-feira, abril 13, 2006

Má reputação

Passeio-me por Ourém e sinto o extremo prazer do ser desconhecido.
Os amigos falam-me, mas os outros, alguns a quem já conheci, afastam-se e ignoram-me.
Dir-se-ia que tenho má reputação por algum motivo.
É altura de chamar o Cília
Oiça "Má reputação" por Luís Cília

quarta-feira, abril 12, 2006

Levaram o pé de ferro

Os sapatos já andavam em estado lastimoso. Que é que se poderia esperar? Jogar à bola, subir e descer a encosta dos moinhos, correr pela calçada, pontapear a terra... Enfim, o aspecto nada tinha de animador e por vezes por baixo eu tinha a sensação de possuir ventilador automático.
A tia Elvira não era para brincadeiras. Um dia viu-me aqueles sapatos e deu imediatamente as suas ordens:
- Luís, amanhã esses sapatos vão para o sapateiro. Não quero voltar a vê-los nesse estado.
Tudo bem...
Os sapatos foram e vieram.
Nem calculam o regalo para os olhos que era receber uns sapatos após arranjo. O artista tinha colocado solas novas, lindas. Tinha também engraxado, dado lustro. Eu imaginava o trabalho que ele tinha tido. Aliás, por vezes deliciava-me a contemplar o seu trabalho a juntar novas meias solas. Limpar todo o espaço da aplicação, pôr cola, juntar a sola, cortar com uma faca que tinha capacidade e precisão notáveis. E, depois, depois, enfiá-los num pé de ferro, espetar uns pregos e dar monumental aderência à aplicação.
Os sapatos brilhavam, estavam melhores que novos, eu hesitava entre guardá-los para qualquer ocasião especial ou voltar a utilizá-los nas frenéticas actividades da infância.
Mas a voz da tia Elvira não me deixou qualquer dúvida:
- Luís, já podes calçar os sapatos arranjados.
Confesso que o fiz um pouco contrafeito, com pena de ir estragar aquela obra-prima.
Comecei a andar com os sapatos. Mas, ao fim de algum tempo, comecei a sentir uma coisa estranha, algo que vinha da sola e me magoava o pé, que picava.
Não disse nada.
Sempre fui assim. Resistir até ao fim, até cair...
E o problema é que ao fim de alguns dias comecei a sentir alguma dificuldade em me deslocar. O pé parecia maior, a perna já me doía, mas curiosamente a picada que tinha sentido nos primeiros dias já não a sentia. Que seria?
A minha mãe começou a ver as minhas dificuldades em andar e achou estranho:
- Luís, o que é que tens?
- Nada, nada...
Mas ela não se deu por satisfeita.
- Luís, mostra-me imediatamente o teu pé...
De má vontade, lá tirei o sapato, a meia e mostrei-lhe a sola do pé.
- Luís, o teu pé está um horror, tens de ir para o hospital!
- Outra ves? Ainda há dias foi a história do gato? Não vou...
Mas fui, porque eu próprio já não aguentava. Mais uma vez, o atendimento do enfermeiro Cruz foi impecável (reparem, para comparar, isto era Ourém na década de 50, sem qualquer exagero).
- Tens isto bonito, Luís. Vais ter de levar uma injecção, vou ter de te lancetar...
As horríveis torturas... mas por que vim eu ao mundo?
Ele desinfectou, cortou um pedaço de pele que cobria uma matéria mais espessa, retirou tudo lá de dentro. Lembro-me que parecia uma espinha esbranquiçada... fez o penso e recomendou:
- Agora, tens de ter cuidado: andar sem assentares a palma do pé no chão, se possível compra uma palmilha macia...
Lá me adaptei como pude. Mas a família quis esclarecer o assunto. Passando a mão por dentro do sapato, sentiu-se imediatamente a ponta de um prego.
- Pois, a culpa é do sapateiro.
Fomos falar com o homem que ficou um pouco acabrunhado.
- Sabe, peço muita desculpa. É que roubaram-me o pé de ferro e eu utilizei um calço de madeira para eliminar as pontas dos pregos. Possivelmente, não correu bem com esse...
Imaginam que a partir de então não calço qualquer bota ou sapato sem, previamente, lhe fazer o teste do prego despistado pelo fé de ferro...

terça-feira, abril 11, 2006

Autores de novelas de Oeste: Lou Carrigan



Na minha longa, profícua e saudosa dedicação à literatura de cordel suportada em cowboiadas, não posso deixar de citar alguns autores que, na minha humilde perspectiva, conseguiam escrever excelentes textos com bons argumentos. Isto é muito diferentes da opinião generalizada que sempre recolhi das pessoas para quem aquele tipo de literatura era lixo. Claro, eu confesso: enquanto li aquilo, não li o Eça, o CAmilo, o Júlio Dinis, o Pessoa... mas estes acabaram por cá chegar. Talvez tenha perdido muito, mas aquela leitura dava-me gozo. Um dos autores que mais gostava (e breve falaremos noutros, só que deste consegui algumas gravuras na NET) era Lou Carrigan de quem ainda possuo alguns textos na coleccção Cow-Boy e na colecção Búfalo. Recordo um título aplicado numa história, numa terra em que a banditagem tinha tomado controlo da situação: "Fica sempre um homem" o que não deixa de ser uma esperança. Entretanto, o scanner está desactualizado. Por isso, para ilustrar a produção deste autor, tenho de recorrer a nuestros hermanos.









Cabe ainda dizer que este autor não se restringiu à literatura do Oeste, tendo escritos policiais alguns dos quais acompanhados com capas tão interessantes como as seguintes:


segunda-feira, abril 10, 2006

Já se está bem em Ourém

Confesso que, nos meses que se seguem ao Natal, me é extraordinariamente difícil aguentar na nossa terra. O frio, a terra húmida, a água gélida, a cama que parece molhada. Por isso, passo sempre quase meses sem cá vir.
Agora, parece que tudo mudou…
O banho já soube bem, os agasalhos podem ser abandonados.
Estou cheio de trabalho.
Dar a isto um aspecto razoável. Cortar ervas daninhas, eliminar lixos, enfim justificar o pagamento da taxa de resíduos sólidos que sistematicamente o venerado presidente nos aplica. Arranjar mantimentos.
Ourém…
E agora quem me tira de cá? Como vou voltar para aquelas aulas?...

domingo, abril 09, 2006

O meu amigo está preso

Há 32 anos, por esta altura, existiriam alguns oureenses que teriam motivos para não se sentir muito bem:
- o Zé Quim, detido em Santa Margarida em virtude de ter acompanhado as tropas que em 16 Março desencadearam um golpe abortado, mas que já anunciava o 25 de Abril;
- o Sérgio que, pela segunda ou terceira vez, foi convidado a uma estadia em Caxias adornada pelos tratamentos da polícia política e
- o Luís Nuno que, na sequência do movimento estudantil em Coimbra, prestes a ser preso, meteu-se a caminho, atravessou a fronteira e exilou-se em França durante alguns anos.
Em França, o Luís acompanhou as movimentações políticas e esteve associado a uma organização da esquerda radical da qual também fazia parte um cantor chamado Tino Flores.
Uma das práticas de agitação desta organização baseava-se em festas populares onde a actuação do Tino continha canções com uma mensagem muito directa e intimamente relacionada com a exploração de que as pessoas eram alvo.
Só por um ou dois dias, aqui fica uma dessas canções, cuja qualidade de gravação neste momento, após tantas vezes ter sido ouvida no nosso país, deixa bastante a desejar.
Oiça "O meu amigo está preso"

sexta-feira, abril 07, 2006

Missão em terras oureanas

Em Outubro de 2005, quando soube que este vosso servidor era candidato à Câmara de Ourém pela CDU, um vizinho aqui da Parede ficou tão contente que veio ter comigo e me disse:
- Sr. Vieira, tenho uma estampa com um poema do Ary dos Santos sobre o Partido. Vou oferecer-lha. Se a quiser para si, pode ficar com ela, mas, uma vez que está a apoiar a CDU, também veria com bons olhos que a entregasse na sede na sua terra. Já estou muito velho e não tenho ninguém a quem o deixar.
Fiquei assim com enorme responsabilidade que quero desde já satisfazer.
Pus uma pequena moldura à estampa e, se estiver em Ourém na próxima semana, será a altura ideal para o entregar à CDU o que farei através do Sérgio se ele estiver de acordo.
Eis o poema referido.

E CADA VEZ SOMOS MAIS

Pela espora da opressão
pela carne maltratada
mantendo no coração
a esperança conquistada.
Por tanta sede de pão
que a água ficou vidrada
nos nossos olhos que estão
virados à madrugada.
Por sermos nós o Partido
Comunista e Português
por isso é que faz sentido
sermos mais de cada vez.

Por estarmos sempre onde está
o povo trabalhador
pela diferença que há
entre o ódio e o amor.
Pela certeza que dá
o ferro que malha a dor
pelo aço da palavra
fúria fogo força flor
por este arado que lavra
um campo muito maior.
Por sermos nós a cantar
e a lutar em português
é que podemos gritar:
Somos mais de cada vez.

Por nós trazemos a boca
colada aos lábios do trigo
e por nunca acharmos pouca
a grande palavra amigo
é que a coragem nos toca
mesmo no auge do perigo
até que a voz fique rouca
e destrua o inimigo.
Por sermos nós a diferença
que torna os homens iguais
é que não há quem nos vença
cada vez seremos mais.

Por sermos nós a entrega
a mão que aperta outra mão
a ternura que nos chega
para parir um irmão.
Por sermos nós quem renega
o horror da solidão
por sermos nós quem se apega
ao suor do nosso chão
por sermos nós quem não cega
e vê mais clara a razão
é que somos o Partido
Comunista e Português
aonde só faz sentido
sermos mais de cada vez.

Quantos somos? Como somos?
novos e velhos: iguais.
Sendo o que nós sempre fomos
seremos cada vez mais!

José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, abril 06, 2006

Canções de tubarões
Eu calculava que a canção dos Tubarões traria alguma emoção para o Sérgio o que é visível no comentário que ele lá deixou.
Aliás, é notável este oureense que, como sublinhou ilustre vereador da nossa praça há pouco tempo, tem apenas o defeito de ser comuna, não o impedindo isso de ter notável produção escrita e de se emocionar e partilhar sentimentos alicerçados na vida e na amizade.
Pouco sei sobre os Tubarões. O Sérgio conta que vieram à festa do Avante, se calhar também eram comunas. Mas cantavam e tinham coisas engraçadas. Aqui ficam mais duas... para o Sérgio e para os amigos do Ourém que encontrei no nosso magnífico servidor musical:- Distino de Crioula- Manu
E podem continuar a dançar...

quarta-feira, abril 05, 2006

O caso do gato cirúrgico


Era uma manhã primaveril de Ourém quase há uns cinquenta anos. Tinha estado no Central a assistir ao desembrulhar das novidades o que me trouxe irresistível atracção: um álbum do Cavaleiro Andante com uma aventura da cadela Bessy.
Não sei se os meus amigos recordam o fascínio que este canino trazia.
Naquelas aventuras, ela dominava os malfeitores, comandava os rebanhos, mordia os tornozelos de quem a queria atacar, dava monumental salto para cima de quem não tivesse uma atitude correcta com o seu dono ou pedia socorro no rancho mais próximo quando alguém ficava em situação difícil.
Isto também era visível na televisão, onde, curiosamente, não se chamava Bessy, mas Lassy. Não importa.
Vinha eu do Central com o álbum na mão...
Subi as escadinhas junto ao Mariano, virei à direita, avancei e, de repente, dei com eles...
O Licínio e o TóLiz eram duros. Passar no seu território era quase uma aventura do tipo atravessar território apache. Por vezes, cobravam direitos de passagem. Por isso, pus-me logo em guarda à sua aproximação...
- O que é que levas aí? Mostra cá.
É o mostras. Num instante, avaliei a situação e corri para o outro lado da rua. Apanhados de surpresa, eles não reagiram logo, mas, pouco depois, perseguiram-me. Eu corri na direcção da loja do Adelino, flecti para a esquerda e fui na direcção do largo de Castela. Um súbito obstáculo surgiu. No meio da rua, junto à casa do Luís Nuno, estava estacionada uma camioneta do Sr. Isidro, carregada de jaulas com galinhas, frangos, galos, patos e o espaço para passar não era muito largo.
Não abrandei. Corri como pude ao lado da camioneta que, dos lados, tinha daqueles elementos metálicos pontiagudos onde as cordas que seguravam as jaulas se fixavam. De repente senti o braço preso e a camisa a ser rasgada. O corpo foi projectado para a frente e para a direita, aproximando-se do chão. Bati com a cara em cheio mais à frente na camioneta.
Mesmo assim, não desisti. Livrei-me da camioneta e continuei a corrida para o Largo de Castela, enquanto eles desistiam vendo a minha situação. Ao mesmo tempo, a minha camisa ia-se tingindo de vermelho.
Ao chegar a casa, com o álbum na mão, esfarrapado, a minha mãe ficou aterrorizada.
- Ó Luís, já viste como tu vens, o que é que te fizeram?
Mas eu não consegui falar. A pancada tinha sido forte, sentia algo estranho sobre os dentes à frente que estavam doridos.
- Mas tu estás a deitar sangue, tens o lábio aberto...
A minha mãe percebeu do que se tratava.
- Tens de ir para o hospital.
- Não - murmurei como pude, com a mão sobre a boca e já a pensar nas torturas que aí vinham - isto passa...
Mas não passou e tive mesmo de ir para o hospital.
Lá, o enfermeiro Cruz examinou-me cuidadosamente, estancou a hemorragia, desinfectou a zona e, pouco depois disse:
- O espigão de ferro abriu-te o lábio. Não vou coser-te, mas tens de levar um gato ou dois...
Fiquei admirado, mas a ideia não me desagradou de todo, já que sempre tive alguma simpatia pelos felinos.
Como devem estar recordados, um gato era uma espécis de agrafo mais largo.
Ele espetou-me dois gatos sobre o lábio a unir os dois pedaços em que se tinha dividido. Imaginem bem, as garras de um felino bem espetadas sobre a vossa boca. Mas confesso que não custou muito. Tudo tratado, tapou e lá voltei para casa.
Não podia falar nem comer com grande facilidade, mas a minha aventura foi estória para os amigos no colégio.
Já mais calmo, tratado, pude finalmente descansar de tão longa caminhada e sentar-me no meu recanto a ler a magnífica aventura da Bessy...

terça-feira, abril 04, 2006

Reclamação Aceite

Há dias, o RicJo protestava contra a facto de alguns blogs despejarem música sem que os seus frequentadores estivessem interessados em ouvi-las.
Compreendi-o imediatamanete.
Aliás, consta que houve pessoas que tiveram desagradáveis surpresas quando, nos empregos, naquele santo momento para descomprimir, faziam acesso a blogs.
O Ourem passa a criar um apontador para as músicas que disponibiliza, indo imediatamente cortar o arranque selvagem... o blog fica mais leve, podem publicar-se mais posts e a cauda vai encurtar, notando-se menos.
Autores de novelas do Oeste: Zane Grey

Muitas vezes, o meu ritual mensal enriquecia-se com a visão da abertura dos pacotes de livros que chegavam ao Central ou à Marina e, de onde, como por encanto saiam coisas que eu nunca tinha visto ou lido.
Entre elas estavam as colecções de novelas do Oeste selvagem, na sua maioria livros em formato bolso com umas 128 páginas e que eu lia em cerca de duas horas, depois de, perante o olhar cheio de reprovação de eruditos oureenses (oportunamente, falaremos nisto), as adquirir. Aliás, é curioso como a novela escrita é objectiva, simples, decorrendo e desdobrando-se em torno de um tema que, resolvido, a faz terminar, enquanto uma telenovela recorre às mais ignóbeis tretas para se prolongar e reter as pessoas.
Mas havia uma colecção especial. Os livros eram maiores e tinham muito mais páginas. O seu autor era genuinamente americano, por vezes, chato: tinha aquela capacidade de encher doze páginas a descrever um desfiladeiro ou uma pradaria. Mas as histórias eram menos violentas, mais estruturadas, mais o espelho da difícil vida que aquelas pessoas enfrentaram. Refiro-me a Zane Grey. Para a época, qualquer desses livros era caro: 22$50 contra os 8$00 dos Búfalos ou Bisontes, mas era leitura para muitos dias.
Lembro-me que um dos últimos livros que requisitei na Biblioteca se chamava “30000 cabeças de gado”, fui devolvê-lo lá para um Verão de 1966 ou 67, em momento que me propiciou derradeiros encontros. Será que ainda lá existe?
Este autor é celebrado em várias páginas onde se contituem mosaicos com as capas das suas obras. Aqui ficam váios apontadores e várias capas reproduzidas de edições estrangeiras (neste campo, o meu património é nulo): NOta biográfica, Galeria Zane Grey, Fotos, ligação a Edgar Rice Burroughs.







segunda-feira, abril 03, 2006

A idade um blog

Começa a notar-se quando aquela coluna do lado direito, cresce, cresce, formando uma extensa cauda que um número razoável de posts não consegue acompanhar.
Ela indicia que está quase na hora de parar, já quase não há nada para dizer e pode haver muito para recordar...

domingo, abril 02, 2006

Mar piscina de nhas lagrimas
Que doçura!
Que melancolia!
O mar, piscina das minhas lágrimas...
Quem o diria melhor do que os fabulosos Tubarões?
Esta música já não é dos meus tempos de Ourém, mas tem de figurar no nosso álbum.
Reparem naquela passagem sem voz. Imaginem-se a dançar àquele som nos bailes dos bombeiros ou do Atlético...

Oiça Mar Pincinha de nhas lagrimas

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