quarta-feira, abril 16, 2008
O Presidente +Eventos
segunda-feira, abril 07, 2008
Eduardo Barrento no OUREM
Um passatempo para o fim de semana
Mais simpático que muitos autarcas
Isto hoje não anima, os acessos estão muito inferiores ao que aconteceu ontem pelo que resolvi deixar-vos um passatempo e ir de fim de semana.
No entanto, quero testemunhar que, aqui da minha janela sobre São Bento, tenho assistido a algumas manifestações que se têm sucedido de forma impressionante. O Eng. Sócrates parece apostado em virar o país todo contra ele. Não é que não tenhamos de fazer sacrifícios pelo país, mas assim... de um modo tão autoritário... a tirarem-nos o direito ao descanso como se o tivessemos ganho criminosamente (eles é que dizem: a reforma do ex-vice do Banco de Portugal está dentro da lei - e só descontou 6 anos; a minha não deve estar e já lá vão mais de trinta).
Bom, mas vamos ao assunto. O autor da foto é obviamente um artista e teve uma relação com Ourém. Vejam lá se descobrem: quem é? por onde andou em OUrém? outros trabalhos...
E, se não for antes, até segunda...Passatempo para o fim de semana - 2
A garça vermelha
Ninguém respondeu...
Tratava-se de Eduardo Barrento nascido em 1968 em Torres Novas. Cresceu em Vilar dos Prazeres, Ourém, onde contactou pela primeira vez com os animais selvagens: répteis, que um velho sábio o ensinou a conhecer e a respeitar.Ainda antes de saber ler ou escrever, começou a desenhar e a pintar, e, claro está, os seus temas favoritos eram animais.Mais tarde, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa descobriu uma nova paixão: a fotografia. Desde então, na última década, tem registado a Natureza em Portugal, com especial incidência para os animais selvagens. Ao mesmo tempo tem exposto em galerias, como artista plástico, sempre com o tema da Natureza presente, embora apresentado de maneira diferente.Trabalha também como fotojornalista, primeiro na área do desporto, agora dedica-se quase em exclusivo à Natureza.
Alguns prémios:
1º. Prémio - Concurso Nacional de Fotografia Científica, Coimbra, Abril de 1999;
1º. Prémio e Menção Honrosa - Cor é Vida da Minolta, Lisboa, Janeiro de 2000;
1º. Prémio - concurso on line fotoclube.com, Outubro de 2000.
Curiosamente, o nosso blog não era indiferente ao artista. Em 11 de Fevereiro de 2007 este deixou-nos um comentário ao post Nada de Novo no concelho de Ourém: "Pela abstenção: que vergonha ser português; pelos resultados: que vergonha ser de Ourém!"
Mas ele exagerava. Ourém tem coisas muito melhores que os resultados eleitorais. Basta olhar para as gentes de cá...
sábado, abril 05, 2008
A Marta já está em casa
Ali para baixo, a écse, o Sérgio e um anónimo associaram-se a este momento particularmente feliz que estamos a viver, deixando palavras muito simpáticas.
O OUREM não é insensível e decidiu brindar estes seus amigos com as duas primeiras fotos tiradas à Marta depois de estar na casa onde vai viver os próximos anos. Desculpem a evidente desarrumação que atesta a ingenuidade do blogger e... reparem como é linda e já tem as mãozitas fechadas como que a querer dançar o vira...
Bom, e agora o tempo urge... o blog vai ficar um pouco para trás...
quinta-feira, abril 03, 2008
Avôzinho, diz-me tu...
quarta-feira, abril 02, 2008
Um dia muito especial
Tão longe de Ourém durante tanto tempo teria de ter alguma razão.
Para já, iniciou-se a exasperante espera. Mil questões e ilusões invadem o nosso pensamento. O mundo, as promessas falsas do Eng. Sócrates, os estragos do presidente David ficam por uns instantes ausentes. Sabemos que o que aí vem se vai integrar nesse mesmo mundo que não temos conseguido melhorar e que teimamos em deixar estragar. Mas há uma grande esperança, contra todas as indicações que dele retiramos...
terça-feira, abril 01, 2008
Um dia verdadeiramente primaveril

Nestas condições, não posso deixar de brindar os amigos do OUREM com a última aquisição da nossa Galeria de Arte.
É magnífico, pronto a ferrar as unhas nos malvados pseudo-autarcas que nos andam a destruir a terra...
E não se atrasem. Neste momento, utilizando o mail fornecido (ourem@sapo.pt), já estão reservados 15 exemplares do "Golden City, cidade sem lei", obra que só terá distribuição em Ourém e da qual apenas foram produzidos 50 exemplares. Apressem-se, não se atrevam a ficar sem este impressionante documento alegórico às malvadezas na nossa terra.
sexta-feira, março 28, 2008
A galeria de arte
Junto ao Art Saloon de Golden City existia uma verdadeira galeria de arte. São de lá as ilustrações que reproduzimos nesta obra e que marcam alguns dos momentos mais interessantes que nela são narrados. Estas reproduções ocupam as páginas centrais, frente e verso e posso garantir-vos que o impacto proporcionado é deveras agradável. Materializa-se assim um segundo aspecto do nosso tributo às BDs que nos acompanharam na juventude.
A actividade editorial sobre Ourém fica, portanto, enriquecida em múltiplos aspectos. Já não falamos na qualidade literária e na capacidade de geração de interesse comercial. É a presença permanente da Arte, não de uma arte em abstracto, mas da arte atravessada pelas formidáveis contradições que se manifestam na sociedade oureana e só não se traduzem em desfecho diferente dada a formidável força de um dos lados. Recordem, por outro lado, os momentos de poesia que este blog divulgou, alguns bem decalcados da Ourém actual.
Enfim, tudo isto podem encontrar no sensacional número 5 do projecto "Ourém em estórias e memórias" que, breve, esperará por vós em algumas livrarias e tabacarias da nossa terra...
quinta-feira, março 27, 2008
A nossa obra integrada no projecto "Ourém em estórias e memórias" surge como um tributo à magnífica colecção Condor que nos acompanhou na juventude em qualquer dessas versões. Para a celebrar e para lembrar este nosso tributo, a capa foi elaborada a partir da que acompanhava uma aventura de Tomahawk Tom publicada no Condor Mensal número 3, lá para 1952, cujo desenho magnífico se deve ao saudoso Vítor Péon. Dado o mau estado do original, pode apresentar algumas mazelas, mas esse é o sabor do antigo. Tivemos de fazer algumas modificações para integrar o título: o anterior era "Colt City, cidade sem lei" e substituir a parte inferior que não se adaptava ao nosso projecto.
Mas que estranho. O nosso teste de mercado começou ontem e ninguém nos liga: não há qualquer reserva na secção de comentários. Um convite decerto à desistência fomentado pelo famigerado governador...
quarta-feira, março 26, 2008
E, depois de três anos a torturar-nos, aí estão as benesses
Hoje, a redução do IVA de 21 para 20%. O governo entrou em acelerada campanha eleitoral e esperemos que não estoire agore com todos os resultados dos sacrifícios que nos obrigou a suportar.
A notícia é do Público e já foi saudada pelo PCP (que considerou que deveria ter sido tomada mais cedo) e por um economista prestigiado: João Ferreira do Amaral. O Dr. Menezes também já manifestou o seu confrangedor azedume...
E Sócrates não afasta a possibilidade de nova descida.
O OUREM sente que esta descida tem potencialidades para beneficiar os portugueses, para lhes dar um certo alívio perante tendencias crescentes em preços motivadas pelas dificuldades do capital financeiro. Isto é, funciona como uma espécie de compensação que só peca por ser curta...
E, para já, perguntamos: e qual a próxima benesse, senhor engenheiro? Vamos, chegue-se à frente, não se acanhe...
Vai ser produzido o elemento número 5 do projecto “Ourém em estórias e memórias”. Contrariamente ao que se indicou anteriormente (ver publicados e a publicar dos Poemas Entrelaçados...), ainda não vamos prosseguir com a tentativa de descoberta de quem matou Branca Flor.
Mantendo algumas características do projecto, verão a luz do dia 50 exemplares utilizando o conceito que definimos por Literatura de Agrafo. A obra será assim semelhante em formato aos dois elementos anteriores.
Mas vai haver uma modificação muito importante. Desta vez, não haverá borlas. Vamos procurar chegar ao mercado, interessando as livrarias e tabacarias da nossa terra na sua venda por um preço que cubra os custos e integre uma margem que as mesmas julguem satisfatória. A distribuição, essa, será exclusivamente operada em Ourém.
Enfim, já estamos a antever que vamos ficar sózinhos, mas o projecto, o ter isto a andar, este fervilhar, é giro...
Nos próximos posts divulgaremos mais alguns pormenores. Entretanto, se houver interessados em receber a obra, podem desde já reservar o vosso exemplar na secção de comentários.
terça-feira, março 25, 2008
Olha que bela ideia!
Os meus parabéns ao senhor Ministro Lino e a sua excelência o Eng. Sócrates.
Como sabem, adoro a Nazaré, terra de mil aventuras em momento de crescimento.
Vêm-me logo à ideia as dormidas na esplanada e no interior das barracas, os bailaricos, o Zé Manel, o Rui e o Jó, o "Get off my Cloud", o casino, os Corsários de Apolo, os convites da malta amiga para pastar sem gastar.
Isto mexe mesmo cá dentro.
Ai se fosse nos meus tempos, naqueles tempos...
Espero, e não julgo estar a ser exigente, que os excelsos governantes e autarcas, que assim mostram quanto valem e ganham o nosso apreço, não se lembrem de partir povoações ao meio para a passagem da dita e dotem a Nazaré de estacionamento decente que responda ao acréscimo de procura que vão gerar e à procura que já não satisfaz. Caso contrário, será melhor ir a pé...
sexta-feira, março 21, 2008
Mas, no fundo, não podemos esquecer que não passam do reflexo da humilhação a que uma classe tem vindo a ser sujeita há muitos anos pelo poder independentemente da cor partidária mais alaranjada ou mais rosa de quem o exerce.
Claro que denotam a total ausência de civismo, de valores e perspectivas de uma juventude que vive manietada pela obsessão do consumismo de que o telemóvel e outras bugigangas fáceis são a expressão actual, também essa um produto social. São também a manifestação da brutalidade a que vamos assistindo em muitos aspectos da vida social quer na relação do poder com as pessoas quer entre estas...
E trazem aos que estão a sair da vida activa um grito de alarme por aquilo que poderá estar a preparar-se para eles para daqui a alguns anos...
quarta-feira, março 19, 2008
Esta semana tem sido algo estranha.
Nada me aparece para publicar nesta coisa...
Sei que há factos relatáveis, mas a forma de os dizer não entusiasma.
Por exemplo, o último Prós e Contras com gente de sucesso da economia... gente que parecia toda para o mesmo lado... e ninguém fala daquilo.
Quem os ouvisse diria que o nosso país vivia maravilhosamente bem. O senhor ministro da economia numa pose majestática. A banca. Empresários de sucesso.
Há pouco um post do Sérgio no Anónimo era um regalo e quase me deu nova inspiração. Ora oiçam e vejam lá se completam:
Nós somos a maioria absoluta
Nós somos a maioria impoluta
Nós somos a maioria absoluta
Desavergonhados e ...
domingo, março 16, 2008
Os redactores do pré-diagnóstico prometem-nos a análise de mais informação entretanto recolhida nesse processo em documento a elaborar no futuro e que será o diagnóstico.
Para além disso, convidam a população do concelho a responder a um inquérito, através da Internet, onde as pessoas darão a sua opinião sobre os maiores problemas (carências) nas mais diversas áreas.
Como é óbvio, é correcto perguntar às pessoas a sua opinião sobre os problemas que sentem. Mas a importância que será dada a este inquérito pode, mais uma vez, vir a enviesar todos os resultados.
Com efeito, não há garantia de que todos os oureenses respondam...
Também não há garantia de que os que respondem só o façam uma vez...
Finalmente, mesmo que respondessem todos e só o fizessem uma vez, qualquer opinião nesta área é subjectiva e a soma de opiniões não se torna numa coisa objectiva, a realidade é apenas a de que essas opiniões existem, podendo não reflectir fielmente a realidade...
Recorde-se que os que usam Internet se integram entre os mais privilegiados. Assim, este meio de questionário vai procurar as necessidades dos que carecem menos e não dos que precisam realmente de apoio. Pode ser mais barato, mas não vai direito ao problema.
A detecção de problemas devia ser uma actividade de campo do grupo de trabalho associado a esta importante área da autarquia.Todo o trabalho devia pautar-se pela ideia de erradicar a pobreza e a miséria do concelho em todos os seus aspectos.
Infelizmente, parece-nos que vai mais servir como material de propaganda do presidente David em futuro acto eleitoral – que já oiça a peneirar-se: “levámos a cabo o diagnóstico social...” - do que como instrumento de intervenção social no sentido referido...
sábado, março 15, 2008
Ourém, em 2001, apresentava-se como um Concelho próspero e de forte dinâmica, esta circunstância era traduzida pela sua posição cimeira relativamente à média do país em 51% dos 35 indicadores analisados e da esmagadora maioria comparativamente à média da Sub-Região Médio Tejo (77% dos indicadores). Salienta-se também que nos indicadores em que Ourém apresenta posições inferiores à média nacional, o diferencial existente é no geral sempre substancialmente mais pequeno do que comparativamente com o diferencial existente entre a média da Sub-Região Médio Tejo e a Média Nacional.
A verdade é que tal perspectiva parece-nos excessivamente cor de rosa para caracterizar a situação no concelho e particularmente grave quando integrada num documento com as finalidades de apoiar objectivos como
1 - Combater a pobreza e a exclusão social e promover a inclusão e coesão sociais;
2 - Promover o desenvolvimento social integrado;
3 - Promover um planeamento integrado e sistemático, potenciando sinergias, competências e recursos;
4 - Contribuir para a concretização, acompanhamento e avaliação dos objectivos do Plano Nacional de Acção para a Inclusão (PNAI);
5 - Integrar os objectivos da promoção da igualdade de género, constantes do Plano Nacional para a Igualdade (PNI), nos instrumentos de planeamento;
6 - Garantir uma maior eficácia e uma melhor cobertura e organização do conjunto de respostas e equipamentos sociais ao nível local;
7 - Criar canais regulares de comunicação e informação entre os parceiros e a população em geral.
Para demonstrar o carácter inócuo do documento relativamente ao problema que visa tratar, basta recordar as conclusões do estudo sobre o poder de compra concelhio, o último dos quais se refere a 2005. Este documento do INE mostra que, quanto ao indicador per capita, Ourém apresenta um valor que não vai além de 70,84% da média nacional, um valor bem inferior ao da região Médio Tejo (83,43%) e que é suplantado por quase todos os concelhos desta região exceptuando Sardoal (70,04%) e Ferreira do Zêzere (56,94%).
Admitimos as boas intenções dos técnicos que elaboraram o estudo. Talvez o leque de indicadores baseado no censo de 2001 não fosse o mais indicado para medir aspectos da situação social, mas fundamentar com base nos mesmos uma política que vai pôr em prática um plano de acção social conduzirá à total ineficácia desta.
Enfim, uma imagem cor de rosa que mais deveria ser um alerta laranja em termos sociais...
sexta-feira, março 14, 2008
Mas esqueceu-se de um pormenor. Retirando a gaveta, havia acesso por cima ao que lá estava dentro. Imaginem a minha sensação a retirar dezenas de livrinhos como o da imagem e a entreter-me durante dias e dias, passados uns cinco ou seis anos sobre a sua edição.
Todos acabaram destruídos. Pouco a pouco, tenho vindo a encontrar em alfarrabistas livros desses tempos e a refazer essa sensação do encontro com a mesa de cabeceira...
A edição pelo MA transmite o prazer de algo que se vê e lê bem ao contrário de outras revistas de formato mais reduzido.
Hoje, o Fanzin'OUREM tem o prazer de, em rigoroso exclusivo, oferecer a todos os seus amigos e outros, esta formidável aventura de Luís Euripo bebida nos números originais do Mundo de Aventuras entre o 209 e o 219.
Reparem como aqueles páginas sabem e cheiram a velhinhas, tão amarelentas estão, tal o receio que temos de lhe tocar e que se desfaçam todas. A imagem captada retrata bem o seu estado e tem muitas mazelas algumas motivadas pelo facto de a edição pelo MA ser um tanto ou quanto desregrada. Por exemplo, as primeiras três páginas ocupavam as duas centrais do número 209 e tivemos de modificar a sequência das vinhetas para a adaptar ao formato do A4. Mas eu penso que com algum produto tipo PhotoShop poderão fazer maravilhas. Ou então peçam ao Manuel Caldas.
A estória é engraçada:
Luís é amigo de Red, actual campeão mundial, por quem já foi derrotado em combate anterior, mas de quem se tornou amigo. Red aceitou a desforra mas os promotores não estão a gostar da boa convivência entre os dois pugilistas, tratando de minar a sua relação. Um dia, após falsas notícias, Red chegou a agredir Luís.
Este não se conformou com o que se passava e conseguiu captar as boas graças da filha de Red, uma miúda con uns quinze anos que, como podem ver, tinha pelo na venta e esta acabou por se revoltar contra o pai o que o enfureceu ainda mais.
No dia do combate, Red recusou o cumprimento de Luís e afastou-o com um empurrão. O combate foi extremamente viril com os dois pugilistas furiosos um com o outro. Luís esteve perto do Knock Out, mas tudo acabou por ter um final feliz e a reconciliação entre os dois amigos acabou por se sobrepor a mal entendidos criados por gente malvada.
quinta-feira, março 13, 2008
Já se sabe por que razão grande parte dos nomes dos nossos heróis dos anos 50 e 60 foram aportuguesados: a salazarenta legislação a isso obrigou. Mas a verdade é que, neste caso, há algo mais: Luís Euripo foi apresentado como o grande campeão português o que indicia que tal transformação não se realizou apenas quanto ao nome.Sendo Luís Euripo português, é legítimo perguntar se ele não seria oureense? É que, durante anos consecutivos, para entusiasmo do pessoal do meu tempo, ele aparecia sem falha às quintas-feiras pelas 10 da manhã no Café Central levando a monumental aglomeração de admiradores que desejavam imitar os seus golpes bem fortes.
Para completar a informação sobre esta figura e acabar definitivamente com a confusão, vejamos o que nos diz a Mania dos Quadradinhos sobre este amigo:
Amigo oureense, esteja atento a valiosa oferta relacionada com o percurso de Luís Euripo a campeão mundial na década de 50 que, amanhã, em rigoroso exclusivo, o OUREM lhe trará...Big Ben Bolt, que em português surgiu com o nome de Luís Euripo, devido a uma imposição de as personagens serem publicadas em Portugal com nomes portugueses, coisas do regime político que vigorava em Portugal nesses tempos, foi criado pelo argumentista Elliott Caplin, irmão de um grande desenhador, Al Capp, e pelo desenhador John Cullen Murphy, cuja maior notoriedade seria atingida ao suceder a Hal Foster na série Prince Valiant (Príncipe Valente entre nós), tendo feito a sua estreia a 20 de Fevereiro de 1950, com distribuição da King Features Syndicate, deixando finalmente de publicar-se em 1978.
Muito embora a série sobre boxe com maior sucesso tivesse sido Joe Palooka (o «nosso« Zé Sopapo, a que aqui já nos referimos), Big Ben Bolt conseguiu obter a preferência de muitos leitores, sobretudo os que apreciavam um desenho mais realista e personagens com maior profundidade psicológica. O seu nome dever-se-á, tanto quanto se sabe, a um poema de Thomas Dunn English intitulado Ben Bolt, que terá dado origem a outra personagem dos comics com este nome, muito antes da obra de Caplin e Murphy. Mas o principal personagem desta série não entrou nos estereótipos do que era habitual num lutador de boxe. Possuía um diploma universitário, e o boxe não era apenas uma forma de ganhar dinheiro, praticando-o unica e simplesmente porque gostava. Quando deixou de poder fazê-lo, devido a uma lesão, o que aconteceu por volta de 1955, acabou por enveredar pela carreira de jornalista, que durante muitos anos foi o principal assunto da acção da série.
John Cullen Murphy desenhou esta série desde o seu início, com a ajuda de vários ajudantes, entre os quais se contam Al Williamson (um dos desenhadores de Flash Gordon), Alex Kotzky (desenhador de Apartment 3-G), Neal Adams (desenhador de Deadman, entre outros), John Celardo (um dos desenhadores de Tarzan), Stan Drake (que desenhou a série The Heart of Juliet Jones, publicada entre nós n'O Primeiro de Janeiro como O Coração de Julieta e também Blondie), mas ao assumir o desenho de Prince Valiant acabou por abandonar Big Ben Bolt, que passou para as mãos de Gray Morrow, o nome que surge na série a partir de Agosto de 1977 até ao seu final um ano depois, já que o interesse por esta temática tinha vindo a esmorecer ao longo dos anos.
quarta-feira, março 12, 2008

Queria ser jogador de baseball, mas tinha um raro talento para desenhar, acabando por se tornar famoso ilustrador e cartoonista.
Estudou sob a supervisão de artistas como Norman Rockwell, Franklin Booth, George Bridgman, e Charles Chapman o que o ajudou a evoluir para um profissionalismo assinalável em qualquer media. Tanto o cartoon como o retrato ou a revista de ilustração foram igualmente exploradas com a habilidade e competência que lhe foram transmitidas pelos ilustre mentores.
Com dezassete anos, o seu primeiro trabalho profissional consistiu na produção de cartoons de boxe para o departamento de publicidade da Madison Square Garden. Tinha ainda várias revistas desportivas de Chicago a publicar, em média, dois desenhos relativos a uma semana.
Quando serviu na Segunda Guerra Mundial, ele prosseguiu a sua carreira de desenhador "no local" com ilustrações para o Chicago Tribune.
Após o regresso do Pacífico, Murphy publicou aguarelas de boxe, pinturas em revista o que chamou a atenção do escritor Elliot Caplin que rapidamente contactou o artista, para ver se ele estaria interessado em colaborar numa série de boxe em banda desenhada. Isto originou a série Big Ben Bolt iniciada em tiras diárias em 20 de fevereiro de 1950 e passando a dispor de uma página dominical a partir de 25 de Maio de 1952.
O personagem da série era dotado de uma gentileza, integridade e generosidade notáveis o que tornou o produto altamente assimilável e capaz de entreter os leitores. Bolt iria ganhar o campeonato de mundo de pesos pesados até que uma lesão o fez abandonar e levar a novas histórias de aventura, mistério e perigo não faltando geralmente uma menina escultural a seu lado.
Em 1970, Murphy foi homenageado por Harold Foster que o convidou para assumir as tarefas artísticas de Prince Valiant. Murphy aceitou de bom grado o novo desafio deixando alguns assistentes com a série Big Ben Bolt até esta acabar em 1978 com a morte do personagem.
Murphy e sua família foram trabalhar nas aventuras de Valente durante mais de trinta anos, mantendo sempre a qualidade desta aventura, embora Murphy nunca tenha tentado copiar o estilo muito distinto de Harold Foster.
O talento e o profissionalismo de John Cullen Murphy ajudaram a manter os notáveis índices de popularidade da série Prince Valiant a nível mundial. Ganhou vários prémios, incluindo o National Cartoonist Society's Best Story Strip.
Faleceu em 2 de Julho de 2004, aos 85 anos, de causa natural, deixando-nos um legado maravilhoso de aventuras e ilustrações.
Fonte: comicartville library em http://www.comicartville.com/jcmurphy.htm
terça-feira, março 11, 2008
Apreciem este desenho fabuloso...
Os oureenses podem não ter dado por ele ou não se recordar. Era um herói muito discreto que apareceu nas páginas do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras. Nas primeiras, a legislação emanada do regime levou a que o seu nome fosse Flecha. A do Mundo manteve o nome original.
No entanto, a grande novidade chega agora. Foi publicado agora o primeiro dos quatro tomos da reedição integral das suas pranchas dominicais. Centrado nos primeiros anos da expansão americana, "Lance" reflecte o eterno confronto bem/mal, com brancos e índios divididos pelos dois campos, com um fundo moralista e romântico, assente em personagens complexas e verdadeiramente humanas.
A edição, de grande formato, que recupera as cores originais, provém da "Livros de Papel" e por detrás dela está o trabalho laborioso de Manuel Caldas, um português nascido em Paredes de Coura, em 1959, poveiro há mais de duas décadas que se dedica à edição de clássicos de Banda Desenhada e já editou seis volumes do Príncipe Valente, três dos quais em Espanha, seguindo-se uma edição para o mercado inglês.
Em entrevista ao Voz da Póvoa, afirmou:
– Nesta minha vocação em que edito aquilo que quero, só me meto em coisas difíceis de restaurar. O Lance que será distribuído este mês, tem 71 páginas a cores que foram digitalizadas de jornais grandes. Como nos jornais vê-se muitas vezes o que está por trás e as cores são em tons uniformes, tive que pôr aquilo tudo impecável. Foram umas 15 horas para cada página, foi desgastante, cansativo e muito gratificante.
Admiro o trabalho e a capacidade de dedicação destas pessoas. Como eu gostava de saber fazer isto!
Ainda há dias, estive a desfolhar Lance. A história Raio de Luar, publicada no Cavaleiro Andante, é fabulosA e tive o projecto de a trazer para aqui, mas perante a publicação que se anuncia, incapaz de retirar as feridas ao que disponho, é preferível espera pelo trabalho anunciado.
Deixo aos oureenses, por link directo para o notável trabalho “Internet Comics Database – Portugal”, algumas capas que talvez lhes recordem algo que ainda guardem no baú mais valioso (porque cheio de recordações):
segunda-feira, março 10, 2008
Pois é, amigo oureense.
Acabada talvez um pouco aceleradamente a exuberância de Golden City, a crise voltou a instalar-se na área de publicação do nossso blog. Que fazer para manter esta coisa?
As ideias não são muitas e a animação davidiana continua a tardar, embora haja por aí quem ainda consiga mergulhar naquelas horrorosas actas com que a casa amarela nos brinda todas as semanas.
Mas precisamos de aguentar mais uns tempos.
Para isso, o OUREM decidiu abrir um ciclo dedicado à banda desenhada que os jovens oureenses das décadas de cinquenta e sessenta consumiam, elaborando uma espécie de fanzine online que vai ter a duração desta semana. Vamos assim construir o Fanzin’OUREM_1. A coisa repetir-se-á de quando em quando conforme a capacidade de digitalização, já que haverá inúmeras ofertas para os velhos amigos recordarem os velhos tempos.
E, para palavras, chega...
sábado, março 08, 2008
Eles vão calar-se!
sexta-feira, março 07, 2008
- Então, pensaste na minha oferta? - perguntou o governador.
- Vá para o diabo com as suas migalhas. Ninguém me tira daqui.
Ó Bössta fez um sinal aos seus homens e estes puxaram das armas. Farison puxou da sua faca e tentou visar a mulher com ela. Mas eis que as janelas da casa questionada se abrem, dela surgem dezenas de espingarda e disparam sobre os pistoleiros do governador. Três homens rolaram imediatamente pelo chão. Os cavalos assustaram-se e encabritaram-se. Zeca fechou a porta e correu para uma janela com uma arma na mão. O tiroteio tornou-se ensurdecedor e alguns cavalos rebolaram pelo chão.
Ciente daquilo de que ó Bössta era capaz, nos dias anteriores, ela tinha contratado pessoas para a ajudar na defesa do seu património. Naquele momento, estavam ali todos entrincheirados prontos a vender muito caro a satisfação dos desejos daquele verme.
O governador sentiu que não dominava a situação. Um balázio que lhe roçou a cabeça mostrou-lhe que estava demasiado exposto. Fez os seus homens recuar e pôs-se em fuga.
Dentro de casa, Zeca e os seus apoiantes saudaram aquela primeira vitória...
Mas o governador não se dava por vencido.
Enquanto voltava ao palácio tecia mil planos de vingança. Tinha de destruir aquela casa e aquela mulher que se atrevera a desafiá-lo. Agora, já nada o deteria. Não faria mais ofertas de dinheiro. Ela não tinha aceite, iria ter razões de sobejo para se arrepender... é que, apesar de tudo, a desproporção de forças era enorme.
Epílogo: O imperador que mandou incendiar a Castle Street
Termina aqui o manuscrito encontrado por acaso no sótão da casa vermelha onde se inicia a Rua de Castela e que nos conta algo sobre o que se terá passado numa geminada povoação do Oeste selvagem. Uma estória em que quase não há heróis, mas apenas vilões.
Golden City, sob a capa de desenvolvimento, continuou assim a definhar e não nos admira que notícias posteriores nos informem que o seu papel foi completamente apagado passando algum tempo depois a ser assumido por alguma cidade rival...
FIM
quinta-feira, março 06, 2008

Nessa noite, ao jantar, Ó Bössta não pôde deixar de pensar no que se tinha passado nas horas anteriores. Finalmente, estava quase livre dos que constituiam a raia miúda que se lhe opunha e tinha terminado com qualquer veleidade de alguém se estabelecer no mesmo local aproveitando as antigas habitações. Agora, tudo era seu. Podia construir ali novas habitações. Devidamente actualizadas. Com todos os requisitos como a sua educada alma de governador exigia.
Contemplou o quadro de parede que tinha conseguido salvar daquela destruição.
Gostava de ver aquela figura óssea totalmente descarnada. Que bom gosto tinha tido e que sorte ter entrado naquela casa antes de a destruir. Possivelmente os ossos dos miseráveis que lá viviam e o tinham vaiado já estariam expostos como aqueles.Suspirou profundamente. Como estava enriquecido o seu património com as acções desencadeadas no dia.
Mas aquela mulher... aquela mulher enervava-o. Tinha-lhe oferecido 100 dólares para sair e ela tinha recusado. Finalmente, havia uma pessoa que recusava as suas ofertas em dinheiro.
Deu monumental garfada no pedaço de carne que tinha à frente...
Amanhã, ela veria como teria sido preferível aceitar a sua oferta...
quarta-feira, março 05, 2008

Passados três dias, Ó Bössta voltou à Castle Street. Mais uma vez, convocou os habitantes utilizando disparos para o ar e rodeou-se dos seus pistoleiros. Acompanhavam-no ainda trabalhadores munidos de instrumentos para a destruição das habitações e resíduos.
Um a um, os moradores da Castle Street entregaram as chaves de sua casa ao governador, receberam uns miseráveis dez dólares, entraram num wagon já com cavalos atrelados onde tinham depositado os seus bens e ao qual tinham preso os seus animais, partindo sem destino, muitos com lágrimas nos olhos...
Ó Bössta não esboçou qualquer sinal de piedade por aquela gente. Mal recebia uma chave, os homens às suas ordens, deitavam as casas abaixo, faziam um monte com as mesmas e pegavam-lhes fogo.
Já longe, alguns dos antigos moradores, a partir da caravana em que seguiam, podiam contemplar a extensa nuvem de fumo que se formava. A Castle Street ardia e soçobrava debaixo do poder de Ó Bössta.
Mas eis que este encontra inesperado obstáculo. Zeca Marth surge à porta da sua casa e afirma alto e bom som:
- Governador, esta casa é minha. Ninguém nos tira daqui.
Ó Bössta olhou-a com um sorriso sarcástico e ao mesmo tempo preocupado. Apesar dos seus poucos escrúpulos, repugnava-lhe disparar sobre uma mulher.
- Sai da minha frente, Zeca. Eu quero limpar tudo isto. Foi uma decisão da nossa assembleia.
- Nenhuma assembleia tem poder sobre o que me pertence. Suma-se daqui...
Alguns pistoleiros de Ó Bössta esboçaram puxar pelas armas, mas o governador fez-lhes sinal para permanecerem quietos.
- Ouve, se queres mais dinheiro, posso subir a minha oferta até aos 100 dólares.
- Nem por um milhão venderia a minha casa.
- Então, vais arrepender-te. Dou-te um dia para pensares. Quando voltar, tu e a tua casa serão passados a ferro e fogo...
Aproxima-se um desfecho trágico para alguns moradores da Castle Street. Conseguirá o governador concretizar o seu plano sinistro? E Zeca MArth? Que providências terá tomado?
terça-feira, março 04, 2008

Não foram precisos muitos dias para o governador, acompanhado dos seus pistoleiros, aparecer na Castle Street e mostrar as verdadeiras intenções.
Ali chegados, dispararam vários tiros para o ar e, quando reuniram um número significativo de habitantes do local, Ó Bössta berrou:
- Vaiaram-me à saída da assembleia de criadores de gado. Vão ver quanto isso vos vai custar, miseráveis. Anda por aí um anedota que diz que na nossa terra quem se trama é a classe média. Vocês, gente miserável de Golden City, vão verdadeiramente sentir na vossa pele "quem se trama". Têm três dias para fazer as malas e abandonar as vossas casas. Pagarei a cada um 10 dólares pela habitação...
Um dos visados experimentou esboçar uma leva resistência:
- Isso não pode ser. Isso é um roubo...
Ouviu-se um tiro e o chapéu de quem contestava a ordem do governador voou pelos ares com um buraco no topo.
- À próxima, atiro mais para baixo... – afirmou o governador soprando o cano do revólver.
Os habitantes de Castle Street ficaram chocados com a visita do governador e não conseguiram dizer mais palavra. Ó Bössta prosseguiu:
- Vou deixar em cada uma das casas uma intimação para a abandonarem. Voltarei daqui a três dias. Nessa altura, pagarei aos que colaborarem e podem partir imediatamente. Trarei os meus homens para reduzir a cinzas este espaço miserável. À noite quero todo este espaço limpo...
E partiu, perante o ar aterrorizado daquela gente.
Era assim este miserável. Uso e abuso da força sempre que fosse necessário. Compensações mínimas para as pessoas. Total ausência de respeito pelo passado, pelos direitos que a história e a tradição poderiam trazer.
Aproxima-se um momento decisivo para a Castle Street. Haverá algum meio para preservar a história daquela rua e os interesses das pessoas que lá habitam? E Zeca Marth? Ninguém a viu neste confronto com Ó Bössta. Que providências iria tomar?
segunda-feira, março 03, 2008

O regresso de Zeca MArth à sua casa na Castle Street foi particularmente doloroso. Como era aquilo possível?
- Nasci aqui há cinquenta anos. Construí a minha casa. Expandi o meu espaço sempre honestamente e vem aquele abutre dizer que vai correr connosco.
Nas horas seguintes, desdobrou-se em contactos com os outros residentes. Mas ficou incrédula com a sua predisposição para aceitarem o destino que Ó Bössta lhes preparava.
- Que podemos nós fazer? O melhor é prepararmos tudo para partir.
- Nunca! -gritou Zeca - Nasci aqui. Quero ficar no espaço onde sempre vivi.
- Nós compreendemos-te... mas a vida não nos tem sido nada fácil neste local. Se o homem nos tomou de ponta, vai transformar-nos o dia a dia num inferno ainda pior.
Zeca ficou sozinha e não deixou de pensar no assunto.
- Não posso acreditar que isto me esteja a acontecer. Deve ser um sonho.
Quando se deitou nessa noite, não conseguiu dormir. Os seus pensamentos eram dominados pela ideia de resistir.
- Aquele malvado não há-de levar a melhor.
No dia seguinte, quando se levantou, disse para o marido:
- Prepara-te para uma viagem. Vamos tomar providências para resistir e lutar pela memória dos nossos...
Que iriam fazer? Haveria alguma forma de resistência possível a Ó Bössta? A narração aproxima-se de um ponto fulcral...
sexta-feira, fevereiro 29, 2008

A voz quente, pausada, dominadora, por vezes trémula, propositadamente comovedora, de Läss Carina apoderou-se num instante do espaço da assembleia:
Hino das conferências da cidade dos pioneiros
Golden City, terra forte
Onde cheguei, onde vim
Gado ao sol , vento norte
Quero-te comigo ou sem mim
Terra de estórias dos sem lei
Rainha de luz e esplendores
Golden City, aqui passei
Por tantas lutas e amores
Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha
Houveram guerras, sonhos, morte
Batalhas e ilusões
Golden City bela e forte
Tens palácio e aldrabões
Tens desfiladeiros rasgados por cavalgada suprema
São sinais de tantas estórias
Onde o povo que já não ordena
Increveu as suas memórias
Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha
Tens mulheres lindas e belas
Princesas do nosso futuro
O povo cria as suas novelas
Com beijos inscritos no muro
Um muro de amor e vontade
Onde em sangue e tempo novo
Será inscrita a verdade:
Abaixo os que licham o povo!
Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha
No final, uma lágrima furtiva, traiçoeira apareceu na face de Läss Carina. Alguém esboçou um tímido aplauso. Mas uma voz não deixou as coisas avançarem:
- Quem é que escreveu esta porcaria? - perguntou furibundo Ó Bössta.
Farison não sabia o que havia de dizer.
- Bom, foi um papel que eu encontrei e pensei que se adaptava...
- Pensaste? Mas tu pensas, alimária? Já viste o que está ali escrito? Tu nem sabes ler, certamente. Aliás, eu não acredito que o tenhas encontrado. Diz-me lá quem to deu...
- Foi o Serge Small River...
- Small River... Big Mind - murmurou Would Do.
Mas Ó Bössta não estava contente.
- O agitador. Já estava à espera dessa. Não veio à assembleia, mas esteve presente através da tua pessoa. Por que não me disseste logo? Esse Small River faz-se nosso amigo mas, na primeira oportunidade, tira-nos o tapete. Ele quer correr connosco. Não viste a actuação dele no festival de country no Art Saloon? Aquilo mais parecia uma sessão de propaganda de comunas com mensagens contra a corrupção...
Farison engoliu em seco. Pouco a pouco, a assembleia foi desmobilizando. O final não tinha sido muito feliz para Ó Bössta, mas duas propostas fundamentais tinham sido aprovadas e poderia dar uma lição aos habitantes de Castle Street.
A paz parece estar definitivamente quebrada em Golden City. Ó Bössta prepara-se para correr da cidade pacatos cidadãos cujo único crime foi o de manifestarem-se contra ele. Haverá resistência? E os rancheiros? Nunca tomarão consciência de como foram conduzidos àquela decisão pelo governador?
quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Recuperado do mau bocado, Ó Bössta reuniu-se com Linda e decidiram realizar uma assembleia extraordinária dos criadores de cabeça de gado já que a ordinária não tinha concluído normalmente e o governador pretendia influenciar nova decisão da mesma.
A assembleia foi convocada com três pontos na ordem de trabalhos:
1. Os acessos ao palácio do governador
2. As feiras de gado de Golden City e
3. O ciclo de conferências da cidade do pioneiro.
No dia da assembleia, para além dos rancheiros, muitos populares resolveram comparecer para assistir.
Linda abriu a sessão e Ó Bössta tomou de imediato a palavra:
- Como sabem, o palácio do governador está concluído. Nele, para me servir, trabalham muitos dos vossos familiares nas mais diversas actividades. Acontece que os acessos ao palácio são francamente maus e um conjunto de barracas que existe nas proximidades retira ao mesmo toda a dignidade que ele merece. A minha proposta é que corramos com os indivíduos que vivem nessas barracas e construamos um acesso decente ao palácio do governador.
Esta entrada de Ó Bössta tinha a sua razão de ser. Ele tinha identificado alguns dos indivíduos que tinham participado na vaia de que fora alvo e sabia que grande parte deles vivia na Castle Street, sendo esta um dos seus principais focos de oposição.
Alguns populares não puderam conter alguns murmúrios de reprovação, mas a assembleia aceitou com agrado e sem oposição significativa a proposta do governador. Videra não estava presente por não ter sido convocado e alguns oposicionistas conhecidos não levantaram qualquer entrave a Ó Bössta. Assim a proposta foi aprovada.
Zeca Marth, que assistia à reunião, e sendo um dos afectados pela decisão, saiu da mesma, extremamente intranquila. E mais ficaria se conhecesse o segundo ponto da ordem de trabalhos introduzido por Linda Simon...
- Meus amigos, penso que tenho a solução para a nossa feira mensal de gado. Como sabem, tradicionalmente temos grandes dificuldades para realizar a feira e ter apoio logístico em termos de bebidas e refeições. Tudo mudaria se passássemos a realizá-la frente ao Central Saloon, naquele local ocupado por um jardim inútil...
Mais uma vez, esta proposta trazia água no bico. Sabia-se que os principais admiradores do jardim eram exactamente os habitantes da Castle Street que tinham brindado Ó Bössta com a vaia. Linda tinha pensado no assunto e resolvera estragar-lhes o foco de admiração.
A proposta foi aprovada por aclamação. Estranhos à vida em Golden City, a grande maioria dos rancheiros não via necessidade em manter aquele jardim, privilegiando a utilização daquele espaço em algo com utilidade para eles.
Finalmente, Farison tomou a palavra a pedido de Ó Bössta:
- Como sabem, o governador atribuiu-me recentemente a gestão dos assuntos culturais. Temos em marcha a realização das conferências da cidade dos pioneiros. Inicialmente, pensava-se realizar todas as sessões em Peaceful City, mas resolvemos concretizar alguns módulos nesta terra devido a um conjunto de calúnias que nos levantaram e diziam que só beneficiávamos os interesses dos outros... Conseguimos a colaboração de alguns vultos de prestígio: a professora Blacksmith, a solicitadora Near Water e o próprio Small River mostrou boa vontade. Vamos ocupar aquele edifício junto ao Central Saloon onde funcionou o Golden City General Bank e posso garantir-vos que tudo será um êxito.
Alguns rancheiros não percebiam bem a utilidade das conferências, mas o grande aplauso que se seguiu à intervenção de Farison convenceu-os da inutilidade de qualquer intervenção.
Ouviu-se então uma voz proveniente da assistência:
- Devíamos ter um hino para a conferência. Um hino!
A face de Farison abriu-se num largo sorriso.
- Com certeza! Tem toda a razão. E já tenho esse hino comigo. Um hino não da conferência mas da nossa cidade. Um hino à altura de ser lido pela nossa Läss Carina...
A assembleia ficou abafada sob o forte aplauso que se fez ouvir. Farison tinha um hino para a cidade. Onde é que tal coisa se tinha visto no velho Oeste? Que alegria para toda aquela gente. Os chapéus foram pelos ares...
Todos queriam ouvir o hino e desataram a gritar:
- Läss Carina! Läss Carina! Vem dizer o hino...
E agora, amigos oureenses? Como vamos sair desta? Há planos sinistros para a Castle Street e a frente do Central Saloon, mas toda aquela gente está entusiasmada com a promessa de Farison. E Zeca Marth? E os outros habitantes da Castle Street? Acham que vão deixar-se tramar pelo governador Ó Bössta e seus comparsas? E o Hino? Onde vamos arranjar um hino para Golden City?
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Não aprenderam nada, não esqueceram nada
Era com este pensamento a martelar-lhe sistematicamente a consciência que Ó Bössta, deitado sobre o altar do sacrifício, contemplava o sacerdote que iniciava a cerimónia perante o ar ávido de centenas de guerreiros que, ali encerrados nas novas fronteiras que a presença do homem branco obrigava, assistiam, mais uma vez, à concretização dos seus costumes ancestrais.
Sábios pensamentos os seus que não testemunhavam qualquer forma de arrependimento. São assim os convencidos da razão. Vão até ao fim, teimando nas suas malvadezas mesmo que o bom senso os procure avisar que algo estão a fazer errado. Mas o seu instinto é compulsivo, obriga-os a agir daquele modo desejosos de deixar marca histórica.
O sacerdote ergueu lentamente o cajado sagrado e preparou-se para invocar o grande Manitu...
- Aceita esta humilde cerimónia...
Claro! Tinha de ser. Lá estragaram a festa aos índios. De repente, ouviu-se um toque de clarim e, imediatamente, uma coluna militar abateu-se sobre os índios, sabres em punho, fazendo-os fugir.
Videra saltou do cavalo e correu para o local do sacrifício. Deu uma coronhada no sacerdote e libertou Ó Bössta.
- Você aqui?
- É verdade. Vi o que lhe aconteceu e não podia deixá-lo morrer...
Pouco depois, após ter libertado os outros rancheiros que partiram para suas casas, entregou-lhe um cavalo.
- Tome. Pode regressar a Golden City...
E, assim, o governador voltou à cidade. Em cima de um cavalo, mas em cuecas. Pelo caminho ainda encontrou Farison que rastejava e sangrava abundantemente do ombro...
- Anda, sobe para o cavalo.
E lá voltou aquele par de jarras a Golden City perante o olhar divertido dos cidadãos.
- Olha, o governador vai nu...
Mas nenhum deles estava contente.
- Alguém vai pagar isto - pensava Ó Bössta.
Não se referia a Videra que o tinha salvo, chamando o exército. Mas a vaia continuava a incomodá-lo.
Os dias seguintes foram de recuperação física e psíquica para as três notáveis personagens de Golden City. Depois, alguém foi arquitectando um plano de vingança
Que fará Ó Bössta para se vingar dos que o vaiaram? Aperceber-se-á da traição de Farison? E Linda? De quem é o braço que aponta na direcção do altar do sacrifício? (a resposta está no número 169...)
terça-feira, fevereiro 26, 2008
E Farison?
Escondido na floresta, assistiu a todo o combate, à refrega com Ó Bössta e ao seu aprisionamento. Resolveu esperar...
- De certeza que ele não vai escapar...
Esfregou as mãos de contente. Aquela era a sua oportunidade. Ele era o ajudante de governador que queria ser governador. Com Ó Bössta morto, seria o principal candidato.
- Basta esperar que tudo aconteça. Vou regressar como um dos poucos que escapou...
Continuou entrincheirado na floresta enquanto os guerreiros índios se afastavam com o governador e mais três prisioneiros. O seu coração batia apressado pelo receio, mas também com as novas perspectivas que se lhe abriam.
Quando o sossego voltou, resolveu regressar à cidade, mas decidiu ir pelo meio da floresta para não dar nas vistas. Puxou da sua faca para cortar algum mato que lhe barrava o caminho e deu vários passos.
Nisto, os seus olhos quedaram-se aterrorizados.
À sua frente, com ar de poucos amigos, um cão enorme, nariz franzido, fitava-o e parecia que estava pronto para atacar. Rápido, tentou atirar-lhe a faca, mas o cão não lhe permitiu. Num instante, estava em cima dele e sua faca rolou poelo chão.
Farison sentiu-se perdido enquanto os dentes do cão dilaceravam o seu ombro esquerdo.
- Que hei-de fazer?
Não queria morrer daquela forma. Logo naquela ocasião em que podia assumir o cargo do governador...
Tentou recuperar as forças e num derradeiro esforço pegou numa pedra e deu com ela na cabeça do cão. Este recuou, ganindo. Farison aproveitou aquele momento para apanhar a faca e desferir um golpe definitivo na fera que lhe acertou sobre o coração. O cão rolou pelo chão e Farison sacudiu-se enquanto estancava algum sangue que lhe corria do ombro.
Era o momento para voltar a Golden City. Ia chegar rastejante, ferido, mas seria visto como um herói. Depois, seria esperar pela nomeação...
Com alguma dificuldade iniciou a caminhada de retorno.
Lá ao fundo, os tambores índios indicavam-lhe que Ó Bössta estaria a passar um momento nada agradável.
Farison regressa a Golden City abandonando o homem que lhe pagava o salário. Conseguirá chegar? Conseguirá assumir o cargo do governador? Os habitantes da cidade serão ainda mais masoquistas para o aceitar? E Ó Bössta? Por que torturas estará a passar?
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Num instante, a confusão tornou-se indiscritível. Dois rancheiros cairam trespassados pelas setas dos índios. O cavalo de Farison tropeçou e este foi projectado sobre a sua cabeça, ficando inanimado. Foi talvez a sua sorte. Os índios passaram por ele sem lhe ligar mais. Ao recobrar a consciência, rastejou na direcção da floresta e ali se quedou silencioso enquanto o combate prosseguia.
Um grupo de sete cavaleiros conseguiu romper o cerco índio e fugir na direcção da cidade. Ó Bössta não teve essa sorte. Disparou contra os índios enquanto era perseguido em terreno com uma inclinação relativamente acentuada. Fez cair um, dois, mas breve foi alcançado. Um índio saltou sobre ele e atirou-o ao chão. Pouco depois, estava imobilizado completamente cercado.
- É ele mesmo, o malvado governador - ouviu dizer a um índio com monumental toucado de penas - Vamos levá-lo ao sumo sacerdote.
Ataram-lhe as mãos e atiraram-no de bruços para cima de um cavalo.
O governador teve a sensação que não sairia dali com vida. Por um instante, ocorreram-lhe todas as malvadezas que fizera ao povo de Golden City. Mas não sentiu arrependimento. Graças a elas conseguira uma vida boa para si e para os seus amigos...
E agora? Será o governador martirizado? Ficará Golden City definitivamente livre dele? Os próximos posts trarão uma resposta...
domingo, fevereiro 24, 2008
sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Vangloriava-se da sua política, mas o seu próprio autoconvencimento não o deixava ver quanto era negativa para os mais necessitados sobre os quais fizera cair grandes cargas tributárias, aos quais retirara múltiplos direitos em matéria de educação e prestações sociais e a quem contribuiu para o lançamento no desemprego nunca antes visto na região. Paradoxalmente, apesar de constestação esporádica, proveniente de camadas populares mais ou menos bem determinadas, a sua renomeação para governador era bem vista por muitos devido ao sistema de compadrio e clientelismo instalado.
Apesar de tudo, enquanto perseguia Videra, a vaia a que fora sujeito incomodava-o sobremaneira.
- Mal apanhe esse sacana, não posso deixar de dar uma lição aos outros - pensava - Sei bem quem são, onde moram. E vai ser por decisão colectiva que os vou tramar...
O grupo de quinze cavaleiros armados aproximava-se do território de uma seita um tanto exótica aparentada com índios, mas com rituais religiosos estranhos. Nunca até então tinha havido problemas na passagem por aquela zona apesar de o relacionamento com aqueles "selvagens" ser quase nulo, sabendo Ó Bössta que eles eram bastante perigosos perante a profanação de alguns lugares sagrados.
Talves por esse conhecimento, a passagem do território indio estava a provocar-lhe alguns nervos. Sentia-se vigiado, sentia um ruído estranho...
E tinha razão para os seus temores. De repente, um grito agudo encheu todo o espaço envolvente e, provenientes de locais escondidos na floresta envolvente, dezenas de índios vieram na direcção dos quinze cavaleiros, alvejando-os com flechas e fazendo-os dirigir na direcção de uma zona rochosa.
O chapéu de Farison voou levado por uma das flechas. A gritaria, entretanto, continuava, tornando-se ensurdecedora. Ó Bössta pensou que já não se safaria daquela...
Amigo oureense, continue a ler na próxima semana o desenvolvimento de Golden City, cidade sem lei. Conseguirá Ó Bössta escapar e consolidar os três anos da sua miserável governação? Ou acabará ali de uma vez por todas o seu poder?
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
- Ele não vai com certeza por Red Apple Town - dizia Farison - A Linda vive lá e não vai querer que os vejam.
- Cavalga e não digas disparates - respondeu-lhe Ó Bössta.
Farison calou-se, sentindo alguma raiva fervilhar dentro de si. Manhoso, convencia-se, apesar de tudo, que o outro o considerava estúpido. Como gostaria de lhe dar uma facada nas costas e assumir o seu lugar. Ser governador era o seu grande desejo...
Um pouco mais atrás, Would Do seguia-os, mas, em determinado momento, algo lhe chamou a atenção. Parou, deixou afastar os perseguidores de Videra e olhou pensativo para uma zona de penhascos.
- Que estranho! Andam ali uns abutres...
Resolveu conduzir a montada naquela direcção, afastando-se ainda mais dos perseguidores de Videra. Ao chegar junto aos penhascos viu um chacal, aproximando-se de uma mulher que estava inconsciente, deitada no chão. Deu um tiro para o ar e o animal afastou-se imediatamente, enquanto os abutres continuavam a esvoaçar. Saltou do cavalo e aproximou-se do corpo caído.
- É o monstro da mulher! E está viva...
Que haveria de fazer? Por uns breves momentos, pensou abandoná-la. Na sua perspectiva, aquela mulher, aliada incondicional de Ó Bössta, era um monstro que apoiava todos os seus actos mais vis e que prejudicavam a população de Golden City. Mas a sua consciência falou mais alto.
- Não posso abandoná-la nesta situação...
Com todo o cuidado colocou-a no seu cavalo, montou e conduziu-a de regresso a Golden City, amparando-a.
Não deixava de pensar nesta partida do destino. Ele, terrível crítico de Linda e do seu comportamento na associação, era quem naquela momento a salvava e a conduzia a um local seguro.
Lá longe, os outros cavaleiros continuavam a perseguição a Videra.
O doce retorno de Would Do e Linda Simon a Golden City ficou registado no quadro que acompanha esta descrição.
E quanto aos perseguidores? Apanhariam Videra? E Linda? Que faria? Qual a sua atitude relativamente ao perseguido?
quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Esta é Linda Simon, fiel seguidora de Ó Bösta, presidente da associação de criadores de cabeças de gado de Golden City, neste momento, presa pelo arruaceiro Videra que foge da cidade perseguido pelo governador e seus lacaios.
Videra leva também dois cavalos consigo. Mudou várias vezes de direcção, escolhendo terreno empedrado e, quando viu que não havia sinal dos perseguidores, suavizou o envolvimento da presa.
- É melhor soltares-me - gritou ela.
- Não tenhas receio que não vou fazer-te qualquer mal.
Saltou do cavalo e ajudou-a a descer, entregando-lhe uma montada.
- Podes ir. Desculpa o mau bocado que te fiz passar.
Linda montou, olhou-o com alguma estranheza e afastou-se na direcção de Golden City. Videra imitou-a e tomou a direcção do seu rancho em grande velocidade desaparecendo rapidamente no horizonte.
A presidente voltava a Golden City, absorta em mil pensamentos. Estaria errada? Teria aquele homen razão ao criticar de tal modo a política local? Mas como poderia afastar-se de Ó Bössta se este tinha tanto poder?
Ia tão distraída que não viu uma cobra passar perto da montada. Esta assustou-se, encabritou-se e atirou-a por terra. Linda bateu com a cabeça no chão e ficou imóvel. O cavalo, esse, permaneceu a seu lado contemplando-a numa doce tristeza.
Ainda ensonado, um chacal sentiu presa fácil bem perto e ergueu-se para a procurar. Pé ante pé, aproximou-se daquele corpo inerte, temporariamente fragilizado...
Linda foi libertada, mas está em perigo. Irá ser comida pelo chacal? Quem a poderá salvar? Videra parece estar em segurança no seu rancho. Que fará Ó Bössta?
terça-feira, fevereiro 19, 2008
O governador insistiu:
- Corram, suas azémulas! A razão é toda nossa. Não veem que ele nos escapa?
Mas as pessoas, em vez de fazerem o que queria, dedicaram-lhe monumental vaia.
Pela primeira vez, frente ao local de realização da assembleia, David Ó Bössta era vaiado por populares que assim manifestavam o seu desagrado pela sua acção desastrosa para Golden City. Olhou-os irado:
- Isto não se admite. Isto não pode ser tolerado. Breve me ocuparei de vocês...
Entretanto, chegou Farison com a sua belissima montada com malhas brancas e quinze homens armados. Ó Bössta montou, puxou da pistola e deu uns tiros para o ar enquanto ao fundo, no inicio da encosta, o gado pastava docemente.
- Vamos. Temos de apanhar aquele arruaceiro e libertar a presidente - e dirigindo-se aos populares - hão-de ver como elas vos mordem!
Via-se que estava fulo, mais fulo com a vaia do que com o que acontecera na assembleia.
Picou a montada e partiu na direcção de Red Apple Town. Alguns rancheiros imitaram-no. Mais atrás, sempre a tomar notas, e mantendo razoável distância, Would Do seguiu-os.
Que irá acontecer? Libertarão a presidente da assembleia? Conseguirão apanhar Videra? E os populares? Estarão seguros a partir do momento em que vaiaram Ó Bössta desafiando a sua ira?
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Era o grande dia da assembleia anual dos criadores de cabeças de gado.
Nela tinham lugar os rancheiros da região quotizados para a associação, o governador Ó Bössta (na qualidade de rancheiro e governador) e respectivos ajudantes. A assembleia era aberta aos populares que quisessem assitir e à imprensa local. Como se sabe, era presidida por Linda Simon, fiel seguidora de Ó Bössta.
Não era muito diferenciado o perfil dos rancheiros da associação. A grande maioria, sedenta dos seus favores, apoiava Ó Bössta. Nela havia pessoas com valor, é certo, mas a sua fidelidade ao governador deitava tudo a perder. Os restantes, mais fracos em poder de decisão e em poder económico, não conseguiam que as decisões da asssembleia os beneficiassem. A sua fragilidade organizativa era enorme e potenciada pela incapacidade de impor decisões contrárias à vontade de Ó Bössta.
A Assembleia que estamos a relatar estava relativamente bem frequentada. Na mesa da presidência, Linda Simon deu a palavra a uma rancheira proveniente das proximidades de Peaceful City e esta resolveu ler uma passagem da “Antologia poética do cowboy solitário”:
Gosto de ouvir os tirosQuase todos apaludiram com gosto aquele momento de poesia protagonizado por Lass Carina, mas a voz de um rancheiro recentemente instalado na reunião fez-se ouvir:
Dos cowboys enquanto partem
Arrancando mil suspiros
Aos corações que ardem
Trouxeram manadas de gado
Beijaram meninas que adoram
Vão para o solitário fado
Enquanto elas, tristes, choram
- Estão aqui os maiores rancheiros da região, os maiores produtores de gado, vejo-os com estas tretas, ou envolvendo-se em negócios que só os beneficiam. Lá fora, o povo não tem trabalho, morre de fome e não fazem nada para o tirar dessa situação.
Ó Bössta ficou logo em guarda com estas palavras.
- Seu arruaceiro! Não venha para aqui com essa conversa...
Mas Lex Videra continuou alto e bom som a denunciar o comportamento daquela assembleia. Do outro lado, Mickel Sleeves levantou-se e afirmou:
- As suas palavras não valem nada, são completamente inúteis e não servem a nossa cidade. Ainda há dias, matámos uma vitela e distribuímos os bifes pelos quinhentos pobres da região. Você é mouco e deve estar louco...
Mas Videra continuou, não dando qualquer importância às palavras de Sleeves entendendo que elas eram um convite a que os pobres permanecessem sempre pobre. No fundo da sala, junto da imprensa local, Serge Would Do tomava notas sobre tudo o que se passava.
Nisto, Ó Bössta perdeu a paciência. Virou-se para os seus lacaios e gritou:
- Abatam-no!
Foi o pânico na assembleia. Farison e companhia tentaram sacar das armas, mas Videra foi mais rápido e desarmou-os com vários tiros. Depois, saltou do seu lugar, agarrou Linda Simon e apontou a arma aos restantes.
- Vamos. Atrevam-se...
Recuou, mantendo-a envolvida com o braço direito sob o busto enquanto sentia o seu arfar, conduziu-a até ao cavalo, deu três tiros para o ar e espantou os cavalos dos outros rancheiros, montou, pegou em Linda e arrastou-a consigo, cavalgando para a saída da cidade.
- Apanhem-no! – gritou Ó Bössta – O malvado espantou as nossas montadas.
E enquanto tentavam apanhar as montadas, Videra, fugiu para longe da saída, levando Linda consigo como refém.
Que iria passar-se? Seria Videra apanhado? Libertaria Linda? E que faria Would Do? Não deixe de seguir mais esta formidável estória de Golden City...
domingo, fevereiro 17, 2008
O Eng. Sócrates tem toda a razão se disser que o desemprego diminuiu ao analisar o que se passou nos quatro trimestres de 2007.
De igual modo, a oposição tem razão se disser que o desemprego aumentou se medir o seu comportamento pela evolução de desempregados, ou pela taxa de desmprego, entre 2006 e 2007.
Os dois indicadores parecem contradizer-se e a fixação num ou noutro prova quanto sofrem de demagogia os agentes da política no nosso país.
Dos valores em causa, só por si, nada pode concluir-se, e também não é muito justo assacar-se ao governo a responsabilidade pela não criação de emprego uma vez que, conscientemmente, os portugueses parece terem optado por uma economia assente na livre iniciativa. Se o patronato não investe como pode haver mais emprego?
É de acreditar que, em 2008, a situação vai piorar já que há indícios de recessão económica.
Mas tudo isto não chega para deixar de produzir aqui uma nota de reprovação pelo esquecimento do que vai acontecendo no nosso país e que a ser avaliado tiraria todas as dúvidas sobre o que está a passar-se.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Este é Vic Farison, conhecido lacaio de Ó Bössta, aqui disfarçado de vaqueiro, mas alma valente e traiçoeira para levar as maiores malfeitorias a Golden City. Usa bigode e o chapéu tapa-lhe preocupante calvície que os anos teimam acentuar.
Vem apressado com fogo no cu para cumprir ordens do governador.
Ó Bössta quer novo palácio e exige que seja construído sobre as cinzas do velho depósito de água que serve a população da cidade. Está-se nas tintas para o prejuízo. Borrifa-se no projecto. O dinheiro a aplicar é do povo.
Farison puxa do seu laço que é um ás a manejá-lo. Atira-o.
Pouco depois, o depósito range num lamento semelhante ao dos corações dos habitantes de Golden City e cai por terra...


