Deixaremos de ter uma expressão municipal. Seremos nacionais ou mesmo globais...
sexta-feira, julho 09, 2004
quinta-feira, julho 08, 2004
Gosto desta foto!
Por Sérgio Ribeiro
É de um fotógrafo da Letónia, Romas Cekanavicius,
que expôs no Parlamento Europeu de 22 a 26 de Março.
Dei-lhe outro título: Mater/Paternidade.
Um dia deste, escreverei um texto para legenda.
E porque não começar já a escrevê-lo?:
5 de Julho de 2004
Por Sérgio Ribeiro
É de um fotógrafo da Letónia, Romas Cekanavicius,
que expôs no Parlamento Europeu de 22 a 26 de Março.
Dei-lhe outro título: Mater/Paternidade.
Um dia deste, escreverei um texto para legenda.
E porque não começar já a escrevê-lo?:
O futuro dentro da mulher e nas mãos dos homens.
Até porque o futuro começou já… sempre!
5 de Julho de 2004
O PE em 2000 caracteres por semana - II
Por Sérgio Ribeiro
Estas primeiras semanas são complicadas. Os grupos têm de se recompor a partir dos resultados eleitorais e, depois, têm de repartir entre si "funções especiais", como são as de Presidente, Vice-presidentes e Questores do Parlamento, que formam a Mesa da Presidência, através de candidaturas de quem virá a ser eleito por maioria absoluta em plenário, e ainda de Presidentes e Vice-presidentes de comissões, além da distribuição de todos os deputados pelas comissões, tendo cada um direito a um lugar de efectivo e a um lugar de suplente, havendo ainda comissões que não contam para estas "cont(h)abilidades". E mais, e mais...
Além disso, há ainda a votação prévia da designação do Presidente da Comissão Europeia, que tem, para nós portugueses, uma particular importância pois, através de um processo um tanto confuso em que apareceu um candidato português a ser falado durante meses, o anterior comissário Vitorino, e depois de terem sido rejeitados outros candidatos "fortes" por razões várias e nem todas claras, surge, dir-se-ia que à última hora, a "solução" Durão Barroso.
O tempo levará a que assente muita poeira, não toda, e talvez os contornos deste processo venham a ficar mais visíveis, embora não se possa deixar de, desde já, sublinhar que DB saíu de umas eleições (europeias!) em que teve um péssimo resultado, estava com sérios problemas de constestação interna, a nível nacional e no próprio partido, tem o anátema de ter ficado na "fotografia da guerra" por ter sido anfitrião da cimeira Bush, Blair, Aznar dos Açores, tudo configurando uma "saída" para a sua difícil situação e para uma presidência de transição no momento particular da União Europeia por efeito do alargamento de 15 a 25 Estados-membros.
De qualquer modo, há que votar a designação deste candidato-a-designação e coloca-se, aos deputados portugueses, uma situação com alguma delicadeza. Não por razões objectivas, mas por alguma sensibilidade que tem a ver com concepções algo confusas de patriotismo.
Pelo meu/nosso lado, não há hesitações. Quem em Portugal tem feito uma política que julgamos contra o interesse dos portugueses, dos trabalhadores, não poderá vir a fazer o contrário na Comissão. Votarei contra, sem ambiguidades. E não escondo a estranheza e desaprovação relativamente a quem se comporta de maneira ambígua e demagógica. Afirmando-se politicamente contra e votando a favor ou abstendo-se.
7 de Julho de 2004
Por Sérgio Ribeiro
Estas primeiras semanas são complicadas. Os grupos têm de se recompor a partir dos resultados eleitorais e, depois, têm de repartir entre si "funções especiais", como são as de Presidente, Vice-presidentes e Questores do Parlamento, que formam a Mesa da Presidência, através de candidaturas de quem virá a ser eleito por maioria absoluta em plenário, e ainda de Presidentes e Vice-presidentes de comissões, além da distribuição de todos os deputados pelas comissões, tendo cada um direito a um lugar de efectivo e a um lugar de suplente, havendo ainda comissões que não contam para estas "cont(h)abilidades". E mais, e mais...
Além disso, há ainda a votação prévia da designação do Presidente da Comissão Europeia, que tem, para nós portugueses, uma particular importância pois, através de um processo um tanto confuso em que apareceu um candidato português a ser falado durante meses, o anterior comissário Vitorino, e depois de terem sido rejeitados outros candidatos "fortes" por razões várias e nem todas claras, surge, dir-se-ia que à última hora, a "solução" Durão Barroso.
O tempo levará a que assente muita poeira, não toda, e talvez os contornos deste processo venham a ficar mais visíveis, embora não se possa deixar de, desde já, sublinhar que DB saíu de umas eleições (europeias!) em que teve um péssimo resultado, estava com sérios problemas de constestação interna, a nível nacional e no próprio partido, tem o anátema de ter ficado na "fotografia da guerra" por ter sido anfitrião da cimeira Bush, Blair, Aznar dos Açores, tudo configurando uma "saída" para a sua difícil situação e para uma presidência de transição no momento particular da União Europeia por efeito do alargamento de 15 a 25 Estados-membros.
De qualquer modo, há que votar a designação deste candidato-a-designação e coloca-se, aos deputados portugueses, uma situação com alguma delicadeza. Não por razões objectivas, mas por alguma sensibilidade que tem a ver com concepções algo confusas de patriotismo.
Pelo meu/nosso lado, não há hesitações. Quem em Portugal tem feito uma política que julgamos contra o interesse dos portugueses, dos trabalhadores, não poderá vir a fazer o contrário na Comissão. Votarei contra, sem ambiguidades. E não escondo a estranheza e desaprovação relativamente a quem se comporta de maneira ambígua e demagógica. Afirmando-se politicamente contra e votando a favor ou abstendo-se.
7 de Julho de 2004
Superman
O ZéQuim fala na necessidade do Mandrake e do Luís Euripo (Big Ben Bolt)
Penso que o problema é um pouco mais sério.
Efectivamente o país não precisa de alguém que o dirija através de truques e ilusões. Para isso bastaram os dois anos de choque fiscal, de promessas de emprego e desenvolvimento que estão em vias de terminar e que deram nesta desgraça a que assistimos todos os dias.
Por outro lado, não há qualquer interesse em andar para aqui à estalada. Vamos a bem, com paz social, em grande harmonia interclassista.
Ora, eu julgo que o herói que melhor reune os atributos necessários para este quadro é o Superman. Na realidade tal como Sampaio, ele esteve num dilema o qual é bem documentado nas aventuras da década de sessenta em que se fala no seu regresso a Krypton.
Ficamos a saber que ele vai ter de optar entre uma Lois que o ama pelos seus poderes como Superman e uma Lyla, representando o regresso às suas origens, que o vê exactamente como ele é, isto é, com as limitações inerentes aos seres da sua espécie.
Tal como Superman, Sampaio está perante uma alternativa...
Sampaio terá de optar entre, por um lado, as suas origens, aqueles que o apoiaram confiantes em que em momentos decisivos ele seria coerente, e, por outro, aqueles outros que transfiguram a sua essência humana num super herói que pode abstrair da ideologia que o acompanhou toda a vida para passar a actuar de acordo com interesses que pretendem ser universais(claro que Marx já desmontou esta treta do interesse universal que se confunde com o da classe dominante).
Qualquer das opções terá custos, mas qualquer delas é legítima do ponto de vista constitucional.
Esperemos que ele se decida pelo regresso a Krypton.
O ZéQuim fala na necessidade do Mandrake e do Luís Euripo (Big Ben Bolt)
Penso que o problema é um pouco mais sério.
Efectivamente o país não precisa de alguém que o dirija através de truques e ilusões. Para isso bastaram os dois anos de choque fiscal, de promessas de emprego e desenvolvimento que estão em vias de terminar e que deram nesta desgraça a que assistimos todos os dias.
Por outro lado, não há qualquer interesse em andar para aqui à estalada. Vamos a bem, com paz social, em grande harmonia interclassista.
Ora, eu julgo que o herói que melhor reune os atributos necessários para este quadro é o Superman. Na realidade tal como Sampaio, ele esteve num dilema o qual é bem documentado nas aventuras da década de sessenta em que se fala no seu regresso a Krypton.
Ficamos a saber que ele vai ter de optar entre uma Lois que o ama pelos seus poderes como Superman e uma Lyla, representando o regresso às suas origens, que o vê exactamente como ele é, isto é, com as limitações inerentes aos seres da sua espécie.
Tal como Superman, Sampaio está perante uma alternativa...
Sampaio terá de optar entre, por um lado, as suas origens, aqueles que o apoiaram confiantes em que em momentos decisivos ele seria coerente, e, por outro, aqueles outros que transfiguram a sua essência humana num super herói que pode abstrair da ideologia que o acompanhou toda a vida para passar a actuar de acordo com interesses que pretendem ser universais(claro que Marx já desmontou esta treta do interesse universal que se confunde com o da classe dominante).
Qualquer das opções terá custos, mas qualquer delas é legítima do ponto de vista constitucional.
Esperemos que ele se decida pelo regresso a Krypton.
quarta-feira, julho 07, 2004
Pratt
Enquanto Sampaio toma difícil decisão (se votei nele, era porque confiava na sua acção), deixo-os com a magnífica arte de Hugo Pratt.
Lembram-se? Sargent Kirk apareceu lá para 1960 no Mundo de Aventuras (mais rigorosamente, em 28-12-1961 no número 640).
E não teve contemplações com os que faziam aquelas barbaridades aos legítimos detentores...
Enquanto Sampaio toma difícil decisão (se votei nele, era porque confiava na sua acção), deixo-os com a magnífica arte de Hugo Pratt.
Lembram-se? Sargent Kirk apareceu lá para 1960 no Mundo de Aventuras (mais rigorosamente, em 28-12-1961 no número 640).
E não teve contemplações com os que faziam aquelas barbaridades aos legítimos detentores...
Crónica de Distintos Oureenses
Há alguns dias, prometemos que disponibilizaríamos um endereço para percorrer a Crónica com Page Down e Page Up.
Fazemos o mesmo relativamente às imagens sobre Ourém.
Aqui estão:
--> Crónica
--> Imagens sobre Ourém
De qualquer forma, é melhor fazerem acesso às imagens a partir da crónica.
Há alguns dias, prometemos que disponibilizaríamos um endereço para percorrer a Crónica com Page Down e Page Up.
Fazemos o mesmo relativamente às imagens sobre Ourém.
Aqui estão:
--> Crónica
--> Imagens sobre Ourém
De qualquer forma, é melhor fazerem acesso às imagens a partir da crónica.
Sérgio Ribeiro
Não esqueçam.
O Sérgio está convidado e já produziu dois textos para o Ourém blog:
A promessa é que vai continuar.
Não esqueçam.
O Sérgio está convidado e já produziu dois textos para o Ourém blog:
para além dos magníficos comentários com que nos tem brindado.
A propósito de Joaquim Espada e
O PE em 2000 caracteres por semana,
A promessa é que vai continuar.
Publicidade enganosa?
A minha deformação burguesa diz-me: é preciso mudar de carro. Este já tem uns anitos, umas mazelas de cidade, cumpriu, deixa saudades, mas começa a oferecer menos confiança.
No entanto, os preços são proibitivos.
Já há bastante tempo, venho assistindo àquele anúncio que diz: "poupe até 4000 euros no seu automóvel novo".
Citröen. Uma marca com algo de mítico. A arrasteira, o dois cavalos, o boca de sapo. Defeitos conhecidos: chapa de cartão, manutenção cara, elevada desvalorização quando nos queremos desfazer... Qualidades: comodidade, um carrinho mesmo para velhotes.
Lá vou ao stand. Aprecio aquelas maravilhas do C3 e do C2, mas preciso algo maior.
E o meu espanto foi enorme. Passei quase pelos carros todos, mas não consegui determinar em qual poderia ter os 4000 euros de desconto. Será que se esqueceram do anúncio?
Depois indaguei preços: pelo menos nos mais pequeninos bem superiores aos da concorrência.
E, de repente, a dúvida ocorre-me: será que eles sobem os preços para depois oferecerem descontos maiores?
Malvada sociedade que nos põe a desconfiar uns dos outros.
A minha deformação burguesa diz-me: é preciso mudar de carro. Este já tem uns anitos, umas mazelas de cidade, cumpriu, deixa saudades, mas começa a oferecer menos confiança.
No entanto, os preços são proibitivos.
Já há bastante tempo, venho assistindo àquele anúncio que diz: "poupe até 4000 euros no seu automóvel novo".
Citröen. Uma marca com algo de mítico. A arrasteira, o dois cavalos, o boca de sapo. Defeitos conhecidos: chapa de cartão, manutenção cara, elevada desvalorização quando nos queremos desfazer... Qualidades: comodidade, um carrinho mesmo para velhotes.
Lá vou ao stand. Aprecio aquelas maravilhas do C3 e do C2, mas preciso algo maior.
E o meu espanto foi enorme. Passei quase pelos carros todos, mas não consegui determinar em qual poderia ter os 4000 euros de desconto. Será que se esqueceram do anúncio?
Depois indaguei preços: pelo menos nos mais pequeninos bem superiores aos da concorrência.
E, de repente, a dúvida ocorre-me: será que eles sobem os preços para depois oferecerem descontos maiores?
Malvada sociedade que nos põe a desconfiar uns dos outros.
Lisboa
Começa a acontecer uma coisa que aprecio bastante.
Os dias estão um pouco mais frescos do que naquela maluqueira de Maio e Junho.
O trânsito é cada vez menor. Muita gente vai de férias.
Lisboa começa a ser uma cidade desfrutável.
Por isso, trabalhar em Agosto, nestas condições, não custa.
E, depois, é vê-los chegar e dizer: aí vou eu outra vez...
Começa a acontecer uma coisa que aprecio bastante.
Os dias estão um pouco mais frescos do que naquela maluqueira de Maio e Junho.
O trânsito é cada vez menor. Muita gente vai de férias.
Lisboa começa a ser uma cidade desfrutável.
Por isso, trabalhar em Agosto, nestas condições, não custa.
E, depois, é vê-los chegar e dizer: aí vou eu outra vez...
terça-feira, julho 06, 2004
Manara
Agora que Santana está a um passo do governo, há que celebrar recordando a arte de Manara. Aqui fica um link para um sítio excelente. Não esqueçam de ver as referências a Portugal.
Agora que Santana está a um passo do governo, há que celebrar recordando a arte de Manara. Aqui fica um link para um sítio excelente. Não esqueçam de ver as referências a Portugal.
Os avisos vêm de dentro
Marcelo na TVI, ontem.
É "mil vezes preferível a eleições antecipadas" uma solução em que, sendo Santana o líder do PSD, não seja também primeiro-ministro.
"Um presidente do partido vai ter a tentação de andar a prometer coisas dificilmente compatíveis com o equilibrio orçamental".
E, ainda, sobre Santana...
"É hiper-decisório. Como é muito intuitivo e pouco coordenado, tende a ter decisões múltiplas ao longo do tempo."
Marcelo na TVI, ontem.
É "mil vezes preferível a eleições antecipadas" uma solução em que, sendo Santana o líder do PSD, não seja também primeiro-ministro.
"Um presidente do partido vai ter a tentação de andar a prometer coisas dificilmente compatíveis com o equilibrio orçamental".
E, ainda, sobre Santana...
"É hiper-decisório. Como é muito intuitivo e pouco coordenado, tende a ter decisões múltiplas ao longo do tempo."
As festas de Peras Ruivas
Lá para 1967, eu e o ZéQuim fomos às festas de Peras Ruivas. Calor tórrido bem no início de Agosto.
Bebemos um palhete no Janeca e subimos aquela rampa que levava à quermesse. Lá, comprámos umas rifas em que não saiu nada.
Continuámos a nossa vigília. A animação começava. Os foguetes estoiravam por todos os lados. No meio da estrada assistia-se a um interessante jogo: um concorrente em cima de uma bicicleta tentava rebentar com um cântaro suspenso no ar. Se o partisse, ganhava. E o povo aplaudia enquanto o António Mafra cantava o Sete e Picos.
De repente, na minha mente faz-se um silêncio impressionante.
Vinda não sei de onde, aparece ela. Linda como sempre. Tal e qual a Silvie Vartan ou France Gall. Mais bonita que elas...
Já a conhecia. “Olá! Então por aqui?”. “Sim, vim passar estes dias com uma amiga”.
E foi-se.
Naquele momento, a festa acabou para mim. E era o ZéQuim:”Quem era? Quem era?”.
Lá para 1967, eu e o ZéQuim fomos às festas de Peras Ruivas. Calor tórrido bem no início de Agosto.
Bebemos um palhete no Janeca e subimos aquela rampa que levava à quermesse. Lá, comprámos umas rifas em que não saiu nada.
Continuámos a nossa vigília. A animação começava. Os foguetes estoiravam por todos os lados. No meio da estrada assistia-se a um interessante jogo: um concorrente em cima de uma bicicleta tentava rebentar com um cântaro suspenso no ar. Se o partisse, ganhava. E o povo aplaudia enquanto o António Mafra cantava o Sete e Picos.
De repente, na minha mente faz-se um silêncio impressionante.
Vinda não sei de onde, aparece ela. Linda como sempre. Tal e qual a Silvie Vartan ou France Gall. Mais bonita que elas...
Já a conhecia. “Olá! Então por aqui?”. “Sim, vim passar estes dias com uma amiga”.
E foi-se.
Naquele momento, a festa acabou para mim. E era o ZéQuim:”Quem era? Quem era?”.
segunda-feira, julho 05, 2004
O humor indiscreto de Santa Cita
E aqui ficam apontadores para o excelente humor de Santa Cita (atenção aos mais sensíveis: há cenas eventualmente chocantes e politicamente incorrectas):
E aqui ficam apontadores para o excelente humor de Santa Cita (atenção aos mais sensíveis: há cenas eventualmente chocantes e politicamente incorrectas):
Vamos continuar atentos.
Quando ela passa
Inesperados encontros
A salvadora
O mais engraçado
Passeio por Ourém e encontro alguns amigos.
Será que eles sabem do blog?
À cautela lanço veneno.
Pouco a pouco, vejo que eles conhecem. Ou o Sérgio lhes falou no Poço... Ou têm um filho que escreve no Castelo...
Afinal, até acham alguma piada.
“Sabes? Eu gosto muito da forma como tu escreves. Acho que tens razão. Mas...”
Ai aquele mas! O que é que vai sair dali?
“Vê-se que não és de cá... que não estás informado...”
Mas será preciso estar-se informado para falar do nosso passado em comum? Não merecerá ele um tratamento especial?
“Temos que contribuir para desenvolver Ourém. Há os problemas do comércio, da indústria...”
Pois há. Mas serão diferentes dos problemas do país? Admitamos que sim.
“Eh, pá! Tu é que eras porreiro para escreveres qualquer coisa no blog. Estás informado, acompanhas Ourém todos os dias...”
Retirada suave. Qualquer dia, fogem de mim...
Passeio por Ourém e encontro alguns amigos.
Será que eles sabem do blog?
À cautela lanço veneno.
Pouco a pouco, vejo que eles conhecem. Ou o Sérgio lhes falou no Poço... Ou têm um filho que escreve no Castelo...
Afinal, até acham alguma piada.
“Sabes? Eu gosto muito da forma como tu escreves. Acho que tens razão. Mas...”
Ai aquele mas! O que é que vai sair dali?
“Vê-se que não és de cá... que não estás informado...”
Mas será preciso estar-se informado para falar do nosso passado em comum? Não merecerá ele um tratamento especial?
“Temos que contribuir para desenvolver Ourém. Há os problemas do comércio, da indústria...”
Pois há. Mas serão diferentes dos problemas do país? Admitamos que sim.
“Eh, pá! Tu é que eras porreiro para escreveres qualquer coisa no blog. Estás informado, acompanhas Ourém todos os dias...”
Retirada suave. Qualquer dia, fogem de mim...
O momento
Pouco a pouco, a realidade cai sobre nós.
Os nossos heróis tudo tentaram. Mas nada foi possível perante o cinismo dos gregos. Não deixarão de ser os nossos heróis, mas à próxima há que escolher melhor. Não nos podemos esquecer da maldição associada à equipa do estádio da Luz. Pode ser que ela se projecte em todos os nossos que o utilizam.
A política vai voltar no seu melhor.
Lembram-se? O desemprego? A crise? A retoma? A fuga de Durão Barroso? Santana...
Que será que está a passar-se?
Eis uma possível resposta.
Sampaio e anti-santanistas em reflexão
Santanistas em campanha
Pouco a pouco, a realidade cai sobre nós.
Os nossos heróis tudo tentaram. Mas nada foi possível perante o cinismo dos gregos. Não deixarão de ser os nossos heróis, mas à próxima há que escolher melhor. Não nos podemos esquecer da maldição associada à equipa do estádio da Luz. Pode ser que ela se projecte em todos os nossos que o utilizam.
A política vai voltar no seu melhor.
Lembram-se? O desemprego? A crise? A retoma? A fuga de Durão Barroso? Santana...
Que será que está a passar-se?
Eis uma possível resposta.
Sampaio e anti-santanistas em reflexão
Santanistas em campanha
O PE em 2000 caracteres por semana
Por Sérgio Ribeiro
Pensavam que, depois de eleitos, os deputados do PE iam todos para férias?
Qual quê?! Nós não.
Logo a 16, ainda madrugada, ala para Bruxelas que o grupo reunia para analisar resultados e perspectivar o futuro. Fiquei lá 4ª, 5ª, e voltei à noite.
Na semana seguinte, repetiu-se a dose, mas mais ampliada pois a partida foi na 3ª com regresso na 5ª.
Nesta, foi dose reduzida, com reuniões 3ª e 4ª.
Já lá vão, nas 3 semanas pós-eleições, 6-viagens de avião-6 e 4-noites em hotel-4.
Depois, cá na terrinha, reuniões e mais reuniões, entre eleitos, colaboradores e responsáveis, no partido, para conhecer, reflectir e decidir sobre o que vai sendo “negociado” em Bruxelas. Sempre com telefones, mails e faxes numa azáfama.
Tem isto importância?
Acho que sim. Prepara-se o trabalho para 5 anos.
O grupo onde os deputados do PCP se integram é a Esquerda Unida Europeia/Esquerda Verde Nórdica, e chegou às eleições com 49 deputados de 10 nacionalidades. Era o 4º grupo, depois do PPE, do PSE e dos “liberais”.
Após as eleições, as componentes alemã (7), portuguesa (2) e finlandesa (1) mantinham-se, diminuíam as dinamarquesa (-1), espanhola (-3), francesa (-12), grega (-3) e sueca (-1), aumentavam as italiana (+1) e holandesa (+1) e somavam-se as componentes checa (6) e cipriota (2). Logo, 39 deputados de 12 países. Para começar.
Alguns deputados que compunham o grupo tinham ido entrando durante a legislatura. Dados políticos relevantes: a queda dos espanhóis (a Isquierda Unida passou, em 99, de 9 a 4 e agora elegeu 2, indo um para os Verdes) e a dos franceses, embora, neste caso, tenha tido grande influência a manobra de divisão do círculo único em 7 regiões para, cirurgicamente, se retirarem eleitos a partidos como o PCF.
Entretanto, entrou para o grupo o eleito do Bloco de Esquerda, como associado, com o estatuto de eleitos franceses (trotskistas e outros) que agora não elegeram ninguém.
Tudo isto dá muito que fazer. Há que escolher presidente e vices, e o secretariado, a repartir pelas componentes, e começa o trabalho fundamental de distribuir os deputados por comissões e delegações. Nós, os do PCP, estamos a procurar estar nas comissões que respeitam ao que estimamos serem os interesses nacionais prioritários – assuntos sociais, pesca, indústria, ambiente, mulheres – e nas delegações com países com que temos mais afinidades – ACP e América do Sul.
Mas também já houve que preparar decisões políticas de fundo por causa da Comissão e de Durão Barroso.
Irei contando.
30.06.2004
Por Sérgio Ribeiro
Pensavam que, depois de eleitos, os deputados do PE iam todos para férias?
Qual quê?! Nós não.
Logo a 16, ainda madrugada, ala para Bruxelas que o grupo reunia para analisar resultados e perspectivar o futuro. Fiquei lá 4ª, 5ª, e voltei à noite.
Na semana seguinte, repetiu-se a dose, mas mais ampliada pois a partida foi na 3ª com regresso na 5ª.
Nesta, foi dose reduzida, com reuniões 3ª e 4ª.
Já lá vão, nas 3 semanas pós-eleições, 6-viagens de avião-6 e 4-noites em hotel-4.
Depois, cá na terrinha, reuniões e mais reuniões, entre eleitos, colaboradores e responsáveis, no partido, para conhecer, reflectir e decidir sobre o que vai sendo “negociado” em Bruxelas. Sempre com telefones, mails e faxes numa azáfama.
Tem isto importância?
Acho que sim. Prepara-se o trabalho para 5 anos.
O grupo onde os deputados do PCP se integram é a Esquerda Unida Europeia/Esquerda Verde Nórdica, e chegou às eleições com 49 deputados de 10 nacionalidades. Era o 4º grupo, depois do PPE, do PSE e dos “liberais”.
Após as eleições, as componentes alemã (7), portuguesa (2) e finlandesa (1) mantinham-se, diminuíam as dinamarquesa (-1), espanhola (-3), francesa (-12), grega (-3) e sueca (-1), aumentavam as italiana (+1) e holandesa (+1) e somavam-se as componentes checa (6) e cipriota (2). Logo, 39 deputados de 12 países. Para começar.
Alguns deputados que compunham o grupo tinham ido entrando durante a legislatura. Dados políticos relevantes: a queda dos espanhóis (a Isquierda Unida passou, em 99, de 9 a 4 e agora elegeu 2, indo um para os Verdes) e a dos franceses, embora, neste caso, tenha tido grande influência a manobra de divisão do círculo único em 7 regiões para, cirurgicamente, se retirarem eleitos a partidos como o PCF.
Entretanto, entrou para o grupo o eleito do Bloco de Esquerda, como associado, com o estatuto de eleitos franceses (trotskistas e outros) que agora não elegeram ninguém.
Tudo isto dá muito que fazer. Há que escolher presidente e vices, e o secretariado, a repartir pelas componentes, e começa o trabalho fundamental de distribuir os deputados por comissões e delegações. Nós, os do PCP, estamos a procurar estar nas comissões que respeitam ao que estimamos serem os interesses nacionais prioritários – assuntos sociais, pesca, indústria, ambiente, mulheres – e nas delegações com países com que temos mais afinidades – ACP e América do Sul.
Mas também já houve que preparar decisões políticas de fundo por causa da Comissão e de Durão Barroso.
Irei contando.
30.06.2004
sábado, julho 03, 2004
Um susto em Fátima
E, de repente, soa-me aos ouvidos que há por aí intenções de destruir a Via Sacra, em Fátima, que, nascendo na rotunda sul, conduz aos Valinhos.
Não sei se os meus amigos conhecem esta maravilha. Eu admiro-a e gozo-a, sempre que posso, há muitos anos.
Desaprovo totalmente a intenção relatada. Esperemos que não se concretize e que os Fatimenses se revoltem se a tentarem implementar.
E, de repente, soa-me aos ouvidos que há por aí intenções de destruir a Via Sacra, em Fátima, que, nascendo na rotunda sul, conduz aos Valinhos.
Não sei se os meus amigos conhecem esta maravilha. Eu admiro-a e gozo-a, sempre que posso, há muitos anos.
Desaprovo totalmente a intenção relatada. Esperemos que não se concretize e que os Fatimenses se revoltem se a tentarem implementar.
Restauração em Ourém
Quinta e sexta almoçámos na cidade.
Uma desgraça.
Carne seca, comida mal cozinhada. Não diremos nomes para não estragar a vida a ninguém, já que num dos casos, inclusivamente, quiseram devolver-nos o dinheiro após reclamação.
O que mais me admira é ver ao lado pessoas comerem aquilo com aparente satisfação. Grandes pratos, carregados, de baixo preço, um grande banquete para quem só vê quantidade.
Quinta e sexta almoçámos na cidade.
Uma desgraça.
Carne seca, comida mal cozinhada. Não diremos nomes para não estragar a vida a ninguém, já que num dos casos, inclusivamente, quiseram devolver-nos o dinheiro após reclamação.
O que mais me admira é ver ao lado pessoas comerem aquilo com aparente satisfação. Grandes pratos, carregados, de baixo preço, um grande banquete para quem só vê quantidade.
Som da Tinta
Sábado, 11 horas. Visita à Som da Tinta.
Momento ideal para em sossego me aperceber das edições recentes e para procurar alguns textos para desfrutar.
Procuro algo que me dê mais força para falar sobre Ourém.
E aqui vão cinco livrinhos. As próximas semanas serão boas pelo menos em leitura.
Sábado, 11 horas. Visita à Som da Tinta.
Momento ideal para em sossego me aperceber das edições recentes e para procurar alguns textos para desfrutar.
Procuro algo que me dê mais força para falar sobre Ourém.
E aqui vão cinco livrinhos. As próximas semanas serão boas pelo menos em leitura.
Indiferença
Sinto que esta é a palavra que melhor caracteriza a atitude dos meus amigos oureenses quando tento chamá-los para a revolta contra o poder que vai destruindo a nossa Ourém.
Será que me tomam por maluquinho?
Será que pensam que não sei o que digo?
Ou terão receio de ferir o poder instituído?
Já estou a vê-los a apelidarem-me de reaccionário por não apoiar esta forma de desenvolvimento que sistematicamente destrói o nosso passado e o que foi a nossa história.
Mas estão equivocados. Só haverá verdadeiro desenvolvimento de Ourém quamdo ele não for contra o passado dos que lá viveram.
Sinto que esta é a palavra que melhor caracteriza a atitude dos meus amigos oureenses quando tento chamá-los para a revolta contra o poder que vai destruindo a nossa Ourém.
Será que me tomam por maluquinho?
Será que pensam que não sei o que digo?
Ou terão receio de ferir o poder instituído?
Já estou a vê-los a apelidarem-me de reaccionário por não apoiar esta forma de desenvolvimento que sistematicamente destrói o nosso passado e o que foi a nossa história.
Mas estão equivocados. Só haverá verdadeiro desenvolvimento de Ourém quamdo ele não for contra o passado dos que lá viveram.
quarta-feira, junho 30, 2004
Nenhum olhar
Hoje o tempo não me enganou. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfiados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu. Um açude sem peixes, sem fundo, este céu. Nuvens, veios ténues. E o ar a arder por dentro, chamas quentes e abafadas na pele, invisíveis. Suspenso, como um homem cansado, ar.
José Luís Peixoto
Hoje o tempo não me enganou. Não se conhece uma aragem na tarde. O ar queima, como se fosse um bafo quente de lume e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfiados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu. Um açude sem peixes, sem fundo, este céu. Nuvens, veios ténues. E o ar a arder por dentro, chamas quentes e abafadas na pele, invisíveis. Suspenso, como um homem cansado, ar.
José Luís Peixoto
Crónica de Distintos Oureenses
E ei-la disponível.
Não vou nomear ninguém, há sempre o perigo de algum esquecimento. Espero que todos se reconheçam, porque estão lá todos (amigos, familiares, professores, equipa maravilha...) e acreditem no imenso prazer que tive em elaborá-la.
É óbvio que gostava de lá voltar, àquele tempo...
Hoje, só disponibilizo o endereço para visualizarem controlados por menu, mas qualquer dia permitirei que a visualizem sequencialmente: é que ainda há um pequeno erro de paginação.
Não esqueçam de fazer acesso aos postais sobre Ourém.
E preparem já uma lagrimazinha no canto do olho.
Hesitei na designação.
Balada do Largo de Castela não dava, porque a polícia quase nunca entrou nos nossos jogos e preocupações, ou se entrou não era sistematicamente.
Crónica da destruição de Ourém era por demais negativo e nostálgico.
Ficou Crónica de Distintos Oureenses, a celebração da nossa juventude e amizade. Tem princípio, meio e fim. Sigam-na, carregando nas palavras sublinhadas. Ela está aqui.
E ei-la disponível.
Não vou nomear ninguém, há sempre o perigo de algum esquecimento. Espero que todos se reconheçam, porque estão lá todos (amigos, familiares, professores, equipa maravilha...) e acreditem no imenso prazer que tive em elaborá-la.
É óbvio que gostava de lá voltar, àquele tempo...
Hoje, só disponibilizo o endereço para visualizarem controlados por menu, mas qualquer dia permitirei que a visualizem sequencialmente: é que ainda há um pequeno erro de paginação.
Não esqueçam de fazer acesso aos postais sobre Ourém.
E preparem já uma lagrimazinha no canto do olho.
Hesitei na designação.
Balada do Largo de Castela não dava, porque a polícia quase nunca entrou nos nossos jogos e preocupações, ou se entrou não era sistematicamente.
Crónica da destruição de Ourém era por demais negativo e nostálgico.
Ficou Crónica de Distintos Oureenses, a celebração da nossa juventude e amizade. Tem princípio, meio e fim. Sigam-na, carregando nas palavras sublinhadas. Ela está aqui.
Dizer mal?
O Zéquim comove-me.
Desaparecidos o Luís Nuno e o Jó Rodrigues, parece o único distinto da minha geração disponível para sair em minha defesa.
Mas, nestes casos, o desprezo é a melhor arma. Aos JAs e companhia eu mando a Sybylla.
O Zéquim comove-me.
Desaparecidos o Luís Nuno e o Jó Rodrigues, parece o único distinto da minha geração disponível para sair em minha defesa.
Mas, nestes casos, o desprezo é a melhor arma. Aos JAs e companhia eu mando a Sybylla.
terça-feira, junho 29, 2004
Durmo
Um gracioso tropel de donzelas formosas,
Frescas e virginais como botões de rosas,
A saia curta, o rir brejeiro, o arzinho honesto,
Deixando ver a perna e fantasiar o resto,
Vinha cantando atrás esta canção feliz,
Ao som de tiorbas d'oiro e avenas pastoris:
Somos trezentas sessenta e seis,
Olhos maganos, bocas em flor...
Dignas de reis!
E vimos todas, senhor Prior,
Dar-vos aquilo que vós sabeis...
Somos trezentas sessenta e seis!
Um calendário d'ano bissexto,
Feito d'amor!
Livro novinho!... papel e texto!...
Abra-lhe as folhas sem medo ao sexto,
Abra-lhe as folhas, Padre-Prior!
in A Sesta do Senhor Abade
Exemplo para Ourém?
"No Mercado de Santana
Leiria abriu Loja do Empresário para desburocratizar serviços públicos
Lusa
Leiria tem a funcionar desde ontem uma Loja do Empresário, no Mercado de Santana, com o objectivo de dar uma resposta eficaz às necessidades dos empresários em assuntos relacionados com a autarquia.
Com o novo serviço, a autarquia descentraliza os serviços em processos de natureza empresarial, "oferecendo um atendimento personalizado", disse a vereadora Neusa Magalhães, que tutela o pelouro do Desenvolvimento Económico, e que foi a autora deste projecto."
Trata-se de notícia do Público que pode ser consultada aqui.
Considerando qualquer exemplo de desburocratização válido para Ourém, há que dizer que é pena que haja cidadãos de primeira e segunda na óptica da autarquia.
E o que é que estes produtores de riqueza fazem sem a força de trabalho dos outros, isto é, dos que não têm direito ao mesmo atendimento e que são efectivamente quem tudo produz?
"No Mercado de Santana
Leiria abriu Loja do Empresário para desburocratizar serviços públicos
Lusa
Leiria tem a funcionar desde ontem uma Loja do Empresário, no Mercado de Santana, com o objectivo de dar uma resposta eficaz às necessidades dos empresários em assuntos relacionados com a autarquia.
Com o novo serviço, a autarquia descentraliza os serviços em processos de natureza empresarial, "oferecendo um atendimento personalizado", disse a vereadora Neusa Magalhães, que tutela o pelouro do Desenvolvimento Económico, e que foi a autora deste projecto."
Trata-se de notícia do Público que pode ser consultada aqui.
Considerando qualquer exemplo de desburocratização válido para Ourém, há que dizer que é pena que haja cidadãos de primeira e segunda na óptica da autarquia.
E o que é que estes produtores de riqueza fazem sem a força de trabalho dos outros, isto é, dos que não têm direito ao mesmo atendimento e que são efectivamente quem tudo produz?
As instruções do ser da luz
Abri o envelope que me tinha sido entregue e destaquei uma folha com instruções para a acção.
Não são segredo. Descansem, não vão ficar dezenas de anos à espera para as conhecer a todas.
Afinal, era algo simples, possível de fazer. Vejamos:
“Luís pretendo que convides alguns distintos oureenses para colaborarem no Ourém blog.
O deputado no PE pode muito bem semanalmente criar um texto sobre o que é tão importante local e o que se pode esperar do mesmo para Ourém e para o país. Pode, também, a exemplo do que fez para o Joaquim Espada, dar-nos a conhecer outras figuras de Ourém. Todos sabemos que ele está muito ocupado, mas um ou dois posts semanais com quatro ou cinco parágrafos não custam nada.
O professor na Suíça tem um jeitão para histórias como tu já viste na versão que ele elaborou relativa ao “O tiro saiu pela culatra”. Ele que traga mais histórias. Ele que fale sobre a sua esperiência de ensino naquele país que parece tão europeu e, ao mesmo tempo, de costas viradas para a Europa.
Não deves esquecer o Zé Rito. Os estúdios Trini foram famosos no final da década de sessenta, ele tem que deixar aqui a história dos mesmos. Quero lá saber que não tenhas um mail ou um telefone, alguém que lhe faça chegar a mensagem. Alguém que diga à Teresa, a Teresa que o avise... Ele também era competentíssimo a relatar jogos de futebol, será que não nos poderá surpreender com alguma coisa nessa área?
E o Zé Domingos? É o melhor contador de histórias de Ourém. Conhece as histórias todas, ele que as ouviu ali naquele cantinho onde se celebrava o palhete, ele que acompanhou o Néné em tantas e tantas borgas. Sei que é um grande preguiçoso, mas deve esse sacrifício a Ourém.
Tens que esclarecer com o Julito este estranho silêncio que parece uma barreira intransponível para ti e para o blog. Fala com ele, sem ninguém saber. Ainda me parece que o estou a ver, magnífico, naquela transmissão televisiva após a desgraça dos incêndios: “Bombeiros de Portugal...!”. E nunca te esqueças do pacto entre distintos oureenses: onde quer que um se candidate, quer se situe à direita quer à esquerda, deverá ter o teu apoio. Aquele atributo é a tua melhor garantia.
E o Alfredo? Será que não tem nada para nos dizer? Abre isto, Luís, abre isto, para isso precisas do mail dele...
E que espero eu de ti, meu caro?
Para já, vais reorganizar o teu trabalho anterior. Vais criar uma crónica dos distintos oureenses com os posts que já elaboraste, quem sabe se um dia não poderão passar a livro e ser um testemunho mais directamente aceite sobre essa Ourém que tiveste. E, se outros trouxerem histórias, um segundo e um terceiro livro podem ser publicados. Vais criar um guia para a leitura dos posts sobre as europeias. Vais organizar uma coluna sobre um oureense na área do poder, onde descreves esses contactos que tens a tão alto nível.
Se estás ocupado e tens dificuldade em ir a Ourém, é contigo. Mas, como vês, se eles não recusarem, não é razão para desistires.
E, agora, volta para o teu posto. Vamos, fala sobre o que é importante para o teu país e para a tua terra. Proclama a unidade que sempre tens defendido. E nunca te esqueças: não tens qualquer obrigação de pôr aqui um post todos os dias, isso até tem o perigo de afastar alguma coisa importante que tenhas dito.”
Respirei aliviado.
Afinal, parece que posso passar a dormir melhor todas as noites e manter o blog. Se não houver nada para dizer, nada se dirá...
E, agora, mãos à obra!
Abri o envelope que me tinha sido entregue e destaquei uma folha com instruções para a acção.
Não são segredo. Descansem, não vão ficar dezenas de anos à espera para as conhecer a todas.
Afinal, era algo simples, possível de fazer. Vejamos:
“Luís pretendo que convides alguns distintos oureenses para colaborarem no Ourém blog.
O deputado no PE pode muito bem semanalmente criar um texto sobre o que é tão importante local e o que se pode esperar do mesmo para Ourém e para o país. Pode, também, a exemplo do que fez para o Joaquim Espada, dar-nos a conhecer outras figuras de Ourém. Todos sabemos que ele está muito ocupado, mas um ou dois posts semanais com quatro ou cinco parágrafos não custam nada.
O professor na Suíça tem um jeitão para histórias como tu já viste na versão que ele elaborou relativa ao “O tiro saiu pela culatra”. Ele que traga mais histórias. Ele que fale sobre a sua esperiência de ensino naquele país que parece tão europeu e, ao mesmo tempo, de costas viradas para a Europa.
Não deves esquecer o Zé Rito. Os estúdios Trini foram famosos no final da década de sessenta, ele tem que deixar aqui a história dos mesmos. Quero lá saber que não tenhas um mail ou um telefone, alguém que lhe faça chegar a mensagem. Alguém que diga à Teresa, a Teresa que o avise... Ele também era competentíssimo a relatar jogos de futebol, será que não nos poderá surpreender com alguma coisa nessa área?
E o Zé Domingos? É o melhor contador de histórias de Ourém. Conhece as histórias todas, ele que as ouviu ali naquele cantinho onde se celebrava o palhete, ele que acompanhou o Néné em tantas e tantas borgas. Sei que é um grande preguiçoso, mas deve esse sacrifício a Ourém.
Tens que esclarecer com o Julito este estranho silêncio que parece uma barreira intransponível para ti e para o blog. Fala com ele, sem ninguém saber. Ainda me parece que o estou a ver, magnífico, naquela transmissão televisiva após a desgraça dos incêndios: “Bombeiros de Portugal...!”. E nunca te esqueças do pacto entre distintos oureenses: onde quer que um se candidate, quer se situe à direita quer à esquerda, deverá ter o teu apoio. Aquele atributo é a tua melhor garantia.
E o Alfredo? Será que não tem nada para nos dizer? Abre isto, Luís, abre isto, para isso precisas do mail dele...
E que espero eu de ti, meu caro?
Para já, vais reorganizar o teu trabalho anterior. Vais criar uma crónica dos distintos oureenses com os posts que já elaboraste, quem sabe se um dia não poderão passar a livro e ser um testemunho mais directamente aceite sobre essa Ourém que tiveste. E, se outros trouxerem histórias, um segundo e um terceiro livro podem ser publicados. Vais criar um guia para a leitura dos posts sobre as europeias. Vais organizar uma coluna sobre um oureense na área do poder, onde descreves esses contactos que tens a tão alto nível.
Se estás ocupado e tens dificuldade em ir a Ourém, é contigo. Mas, como vês, se eles não recusarem, não é razão para desistires.
E, agora, volta para o teu posto. Vamos, fala sobre o que é importante para o teu país e para a tua terra. Proclama a unidade que sempre tens defendido. E nunca te esqueças: não tens qualquer obrigação de pôr aqui um post todos os dias, isso até tem o perigo de afastar alguma coisa importante que tenhas dito.”
Respirei aliviado.
Afinal, parece que posso passar a dormir melhor todas as noites e manter o blog. Se não houver nada para dizer, nada se dirá...
E, agora, mãos à obra!
A esquerda, unida, vencerá
Esquerda Unida: mas que magnífica designação para assinar comentários. De qualquer forma, apesar de não excluir Louçã ou Carvalhas, mantenho a confiança que, há muitos anos, Ferro me desperta.
É preciso ser tão inteligente como os outros foram...
É preciso unir:
- os que falam de humanidade e solidariedade;
- os que falam em eficiência, iniciativa privada, liberdade de acção;
- os que defendem um controlo operado a partir da sociedade organizada em Estado;
- os mais radicais.
É preciso que todos mantenham a sua especificidade que ela não seja esmagada pela aliança, mas também que não sirva para se apunhalarem mutuamente.
É preciso que os mais moderados tenham um papel chave, mas que, logo nos primeiros momentos, não se esqueçam que são esquerda e que têm compromissos com os seu ideais.
É preciso tirar o país deste pântano de miséria, corrupção e fuga às obrigações.
É preciso arranjar quem governe borrifando-se no resultado de futuras eleições.
Quer haja ou não eleições antecipadas...
Esquerda Unida: mas que magnífica designação para assinar comentários. De qualquer forma, apesar de não excluir Louçã ou Carvalhas, mantenho a confiança que, há muitos anos, Ferro me desperta.
É preciso ser tão inteligente como os outros foram...
É preciso unir:
- os que falam de humanidade e solidariedade;
- os que falam em eficiência, iniciativa privada, liberdade de acção;
- os que defendem um controlo operado a partir da sociedade organizada em Estado;
- os mais radicais.
É preciso que todos mantenham a sua especificidade que ela não seja esmagada pela aliança, mas também que não sirva para se apunhalarem mutuamente.
É preciso que os mais moderados tenham um papel chave, mas que, logo nos primeiros momentos, não se esqueçam que são esquerda e que têm compromissos com os seu ideais.
É preciso tirar o país deste pântano de miséria, corrupção e fuga às obrigações.
É preciso arranjar quem governe borrifando-se no resultado de futuras eleições.
Quer haja ou não eleições antecipadas...
Bom dia
Vinha desejoso de conhecer os comentários da noite, mas o título de capa (manchete?) do Correio da Manhã entristeceu-me.
Como diria Pacheco Pereira:
Pobre País.
O nosso...
onde a própria saúde tem de ser esmolada.
Vamos ficar por aqui esta manhã...
Estamos a ultimar um texto sobre a Esquerda Unida que nos foi sugerido por um comentário mais abaixo.
Vamos divulgar as instruções do "ser da luz".
Vamos estar atentos ao desenrolar político matinal.
Vai haver Conselho de Ministros.
O nosso primeiro vai encontrar-se com o Presidente, mas, segundo o Público, quer garantir que não haverá eleições para já.
Apesar de não estar muito entusiasmado com a ideia, recordo que está convocada nova concentração para Belém, às 19 Horas, exigindo:
Vinha desejoso de conhecer os comentários da noite, mas o título de capa (manchete?) do Correio da Manhã entristeceu-me.
Como diria Pacheco Pereira:
Pobre País.
O nosso...
onde a própria saúde tem de ser esmolada.
Vamos ficar por aqui esta manhã...
Estamos a ultimar um texto sobre a Esquerda Unida que nos foi sugerido por um comentário mais abaixo.
Vamos divulgar as instruções do "ser da luz".
Vamos estar atentos ao desenrolar político matinal.
Vai haver Conselho de Ministros.
O nosso primeiro vai encontrar-se com o Presidente, mas, segundo o Público, quer garantir que não haverá eleições para já.
Apesar de não estar muito entusiasmado com a ideia, recordo que está convocada nova concentração para Belém, às 19 Horas, exigindo:
segunda-feira, junho 28, 2004
Os seres da luz
Já estava praticamente em forma de espírito puro.
Ia por aquele túnel escuro que um dia todos conhecerão quando, repentinamente, distingo as suas faces: cinco distintos oureenses que já partiram. Contrariamente ao modo como sempre me olharam, nem sorriam. No seu olhar, eu via expressões duras onde só conseguia ler: "Traidor!".
Mesmo assim não parei e, mais à frente, oiço, distinta, a voz de helvética criatura: “Estou todos os dias à tua espera, embora não o saibas”.
Afinal, isto começa a ser incómodo. Eu a pensar que podia dormir até ser dia claro, sem mais preocupações com os posts e agora começa isto a morder-me a consciência.
Pouco depois, surge-me alguém a quem recentemente apoiei: “Luís, tu criaste blogdependentes. Não podes desistir”.
Passo pelo Abrupto e logo descubro a acédia: "A Acédia é a apatia, ou a indiferença perante a prática da virtude, ou o espectáculo do mal. Sabemos que está mal, mesmo muito mal, e ficamos calados. Acédia. Vai-se para o Inferno por isso".
E eis que, repentinamente, uma voz mais sabedora tranquiliza-me.
- Volta para lá! Não precisas de estar sózinho. Fala com o deputado oureense na Europa, fala com o professor oureense na Suíça, fala com a voadora criatura em Seia, fala com alguém que esteja em Ourém. Ainda lá estão tantos. Não haverá nenhum que queira colaborar? Não tens que te preocupar com questões eleitorais. Não te preocupes se gostam ou não de ti. É um simples blog que pretende respeito pelo passado que lá tiveste. Demora o que for preciso a organizar-te. Não precisas de estar em Ourém se é esse o teu problema, nestes moldes estarás lá sempre. Mas, por favor, não abandones, mostra que há alguém que se opõe.
E entregou-me um envelope com instruções para a acção.
De repente, vejo-me a recuar na minha decisão inabalável.
Até breve...
Já estava praticamente em forma de espírito puro.
Ia por aquele túnel escuro que um dia todos conhecerão quando, repentinamente, distingo as suas faces: cinco distintos oureenses que já partiram. Contrariamente ao modo como sempre me olharam, nem sorriam. No seu olhar, eu via expressões duras onde só conseguia ler: "Traidor!".
Mesmo assim não parei e, mais à frente, oiço, distinta, a voz de helvética criatura: “Estou todos os dias à tua espera, embora não o saibas”.
Afinal, isto começa a ser incómodo. Eu a pensar que podia dormir até ser dia claro, sem mais preocupações com os posts e agora começa isto a morder-me a consciência.
Pouco depois, surge-me alguém a quem recentemente apoiei: “Luís, tu criaste blogdependentes. Não podes desistir”.
Passo pelo Abrupto e logo descubro a acédia: "A Acédia é a apatia, ou a indiferença perante a prática da virtude, ou o espectáculo do mal. Sabemos que está mal, mesmo muito mal, e ficamos calados. Acédia. Vai-se para o Inferno por isso".
E eis que, repentinamente, uma voz mais sabedora tranquiliza-me.
- Volta para lá! Não precisas de estar sózinho. Fala com o deputado oureense na Europa, fala com o professor oureense na Suíça, fala com a voadora criatura em Seia, fala com alguém que esteja em Ourém. Ainda lá estão tantos. Não haverá nenhum que queira colaborar? Não tens que te preocupar com questões eleitorais. Não te preocupes se gostam ou não de ti. É um simples blog que pretende respeito pelo passado que lá tiveste. Demora o que for preciso a organizar-te. Não precisas de estar em Ourém se é esse o teu problema, nestes moldes estarás lá sempre. Mas, por favor, não abandones, mostra que há alguém que se opõe.
E entregou-me um envelope com instruções para a acção.
De repente, vejo-me a recuar na minha decisão inabalável.
Até breve...
domingo, junho 27, 2004
Eleições antecipadas?
Acho que estou um bocado contra esta ideia que o pessoal de esquerda anda para aí a defender e que se traduz na exigência de eleições antecipadas se o PM se demitir.
Tem-se falado muito na retoma, mas não há retoma nenhuma. Isto vai cada vez pior, o défice ainda descontrolado, a Economia sem pinga de recuperação. Não se esqueça que não houve qualquer medida estrutural, houve pura e simplesmente venda de património.
E o pior é que se vai passando a mensagem que a retoma está aí.
Se Sampaio se decidir pela demissão do Governo e marcação de eleições antecipadas, lá virá o PS a pegar numa retoma envenenada.
E quem será o culpado da crise que se seguirá? Obviamente, a esquerda…
Por isso, a minha palavra de ordem é: com ou sem Santana, não os deixem fugir!
Acho que estou um bocado contra esta ideia que o pessoal de esquerda anda para aí a defender e que se traduz na exigência de eleições antecipadas se o PM se demitir.
Tem-se falado muito na retoma, mas não há retoma nenhuma. Isto vai cada vez pior, o défice ainda descontrolado, a Economia sem pinga de recuperação. Não se esqueça que não houve qualquer medida estrutural, houve pura e simplesmente venda de património.
E o pior é que se vai passando a mensagem que a retoma está aí.
Se Sampaio se decidir pela demissão do Governo e marcação de eleições antecipadas, lá virá o PS a pegar numa retoma envenenada.
E quem será o culpado da crise que se seguirá? Obviamente, a esquerda…
Por isso, a minha palavra de ordem é: com ou sem Santana, não os deixem fugir!
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