sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Colecção Caravana, Vol VI - O Vingador do Kansas

Data de edição: Maio de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 72, manuscritas, tinta azul.
Organização: Oito capítulos com título. As últimas páginas ocupadas com o primeiro capítulo de uma nova estória: "Cumprimentos a Satanás".
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um homem e uma mulher. Esta está amarrada e ele corta-lhe a corda que a prende. Não se apercebem que uma estranha figura os observa escondido atrás de umas pedras. A nota de pé de página é legível.
Sinopse da obra: Ó Bössta é uma espécie do Olrik de Jacobs. É apanhado, condenado, enforcado, morto, sepultado e ressurge como se nada se tivesse passado com ele. Havia quem dissesse que ele voltaria sempre da tumba, mesmo que passasse mais de uma centena de anos.
Red Fullen chega a Golden City, no Texas, e logo nos primeiros tempos se apercebe que a cidade, apesar de pacífica, vive sob um domínio estranho que ultrapassa em muito as forças vivas da cidade se as associarmos àqueles que lá detinham o poder económico. A cidade parece dominada a partir de fora.
Intrigado, resolve investigar o que se passa e não tarda a descobrir que o governador, Ó Bössta, não é mais que um dos elos de ligação entre alguns criadores de gado e os grandes armazéns que dominam a cidade rival, ponto de passagem de muitas caravanas. Todo o desenvolvimento de Golden City era sobredeterminado pelo interesse económico dos rancheiros que abastecem a outra cidade e pelos armazenistas lá instalados, não sendo ali possível qualquer actividade que pudesse levar alguma concorrência aos mesmos. Sempre que algum pacífico cidadão de Golden City ali se instalava, passava por algum momento difícil: ou era desafiado para um duelo por um pistoleiro perigoso, ou era assaltado durante a caminhada entre uma e outra cidade ou a lei encontrava-lhe uma nódoa no currículo que o levava à prisão e acabava por lhe levar o negócio à falência.
Muitos populares, que sentiam na pele aquele jugo, confessaram a Fullen que em Golden City se vivia uma paz podre e desconfortável e que a raiz de tal mal estar era o governador.
Pouco a pouco, Red Fullen reuniu provas contra os que dominavam Golden City e, um dia, resolveu ir falar com Ó Bössta. A conversa decorreu no palácio do governador e deu para o torto porque Farison, escondido atrás da porta que dava acesso à sala das reuniões, ouviu algumas passagens da mesma que não lhe agradaram, contactou Linda Simon que pôs em guarda os rancheiros e um deles enviou um pistoleiro que abateu Red à saída do palácio.
A morte de Red tornou-se suspeita a muitos habitantes de Golden City e um advogado, jovem e cheio de coragem, recentemente instalado na cidade junto à alfaiataria "Think", Victorio Brown Tree, decidiu fazer algumas investigações por sua conta, não tardando a aperceber-se do compadrio entre o assassino de Fullen e aquelas personagens. Ó Bössta, Farison e Linda Simon foram presos e, levados a tribunal, condenados a vários anos de prisão. Antes, Farison teve castigo especial: foi apanhado pelos populares e coberto de alcatrão, sobre o mesmo foram colocadas penas de galinha, sendo uma delas, especial e mais comprida, colocada mesmo por cima do traseiro. “Vai agora pavonear-te frente às meninas...”, ouviu-se dizer a muita gente enquanto ele corria apavorado para fora da cidade.
Um novo período desenvolvimento pôde então surgir para Golden City, afastados que estavam os principais malfeitores que tolhiam o seu progresso. "Por quanto tempo?", é a questão que o OUREM aqui deixa...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Colecção Caravana, Vol V - Meu pai é um assassino

Data de edição: Abril de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 96, manuscritas, tinta azul.
Organização: Dez capítulos com título e um epílogo.
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando uma mulher e um jovem em estranho diálogo perante o que não se distingue bem, embora faça lembrar uma campa. Para além do diálogo enriquecedor entre estas duas personagens, reparem no arredondamento do tronco do jovem já a denunciar alguma propensão para a obesidade e na cor estranha da sua camisa. A nota de pé de página é legível.
Sinopse da obra: A passagem de Ó Bössta por Golden City ficou marcada por muitas realizações que careciam da colaboração de populares e geralmente beneficiavam os seus interesses ou dos seus amigos. Nos finais da década, ele concebeu um estranho plano que, num primeiro momento, se pensou iria ajudar à ocupação de tempo por parte dos mais idosos. A sua ideia era a de reunir algumas personalidades da cidade em realizações a que chamou “Conferências da cidade do pioneiro”. Ao planear estas acções, reuniu-se com alguns dos populares mais letrados da cidade e pediu-lhes a colaboração.
Emmylou Blacksmith, Helen NearWater, Serge Small River e Tony McMórmon foram convocados para estranha reunião no palácio do governador sem saber do que iam tratar já que o seu relacionamento com Ó Bössta não era, na generalidade, o melhor. Num primeiro momento, acharam excelente a ideia que o governador lhes apresentou, assinaram um documento de comprometimento na sua realização e trataram imediatamente de planear a sua colaboração.
Mas a sua boa vontade sofreu um forte revés, quando algum tempo depois, ele lhes confirmou que o local de realização das conferências não seria Golden City, mas sim uma cidade rival, situada a 50 milhas da mesma, uma cidade ponto de encontro e passagem de muitas caravanas. Compreenderam imediatamente que Ó Bössta queria fazer negócio com os seus conhecimentos e tentaram desvincular-se do compromisso, mas o governador não aceitou, prometendo-lhes o pagamento dos transportes. "Mas por que não faz as conferências aqui no palácio?", perguntaram-lhe. "Sabem, não temos vocação para estas coisas... mas talvez se possam fazer algumas acções em Golden City", respondeu embora o tom deixasse adivinhar que não era essa a sua intenção.
Small River era o mais revoltado e, detentor de notável capacidade conspirativa, foi denunciando e motivando a população contra mais esta habilidade do governador. Um dia, a tampa saltou e as pessoas vieram para a rua em formidável manifestação contra Ó Bössta. Apedrejaram o palácio. O governador viu-se acossado, mandou chamar os seus pistoleiros e fê-los enfrentar a população utilizando as suas armas.
No formidável combate que se travou, Small River foi abatido e os populares dispersaram. Teceram-se muitas suposições acerca de quem disparara contra o agitador e as suspeitas recaíram sobre o pai de um jovem seguidor das suas ideias.
A estória desenvolve-se, a partir daqui, através de uma apaixonante pesquisa por parte do jovem de provas para mostrar a inocência do seu pai. O seu empenho foi de tal ordem que o próprio sheriff chegou a suspeitar dele. Que aconteceria a Ó Bössta? Conseguiria alguém provar a sua cumplicidade na morte do agitador Small River? A leitura da obra tirará todas estas dúvidas aos amigos do Ourem...

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Colecção Caravana, Vol IV – Uma mulher perigosa

Data de edição: Março de 1963
Dimensão aproximada: 105 * 140
Número de páginas: 62, algumas dactilografadas, tinta preta; manuscrito da página 21 à 42.
Organização: Introdução; Parte I com cinco capítulos sem nome; Parte II com nome "Segredo de um talismã" com um capítulo apenas. Há manifesta desorganização na obra, indiciando a concretização de mudança de formato e ferramenta de escrita.
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um homem a ser atacado por índios enquanto uma mulher já está pelo chão sem dar sinais de vida. O homem grita desesperado quando mais uma seta o atinge na barriga enquanto tenta extrair outra que já tinha cravada no peito. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Na selva do Oeste, qualquer mulher é perigosa. Especialmente quando tem alguma beleza...
Golden City dispunha de um belo jardim frente ao Central Saloon, jardim, diga-se, construído pela carolice de alguns populares que encontravam no paraíso que era aquela terra o local ideal para viverem. Mal sabiam eles que esse jardim era cobiçado por Linda Simon, a presidente da Associação de Criadores de Cabeças de Gado, uma mulher já não muito jovem, mas bastante decidida, com acesso fácil ao governador Ó Bössta, mulher sempre pronta a botar discurso mesmo nas ocasiões mais despropositadas e a escrever extensas ladainhas no Golden City News. Linda pretendia cobrir de pedra aquele espaço para o mesmo servir de suporte às feiras de gado que se realizavam regularmente, podendo, nessas condições, beneficiar da proximidade do saloon.
Tentou convencer a população o que não conseguiu. Os populares entendiam que a feira do gado devia realizar-se fora da zona habitacional da cidade e que a junção de cow-boys e saloon só poderia quebrar-lhes a habitual paz. Mas ela não se deu por vencida e manobrou o suficiente para levar David Ó Bössta a ordenar a destruição do jardim e a sua conversão a espaço para a feira de gado. Tudo se passou como Linda pretendia para indignação dos populares que se revoltaram.
No seio da revolta popular, destacou-se um jovem, Serge Would Do, muito hábil com as armas, a palavra e a pena que foi capaz de motivar os populares que, um dia, puseram em fuga Linda e David Ó Bössta. Seguiram-se enormes perseguições que levaram fugitivos e perseguidores a território apache. Aí, os perseguidores foram desbaratados por uma estranha aliança entre os índios e os dois fugitivos quando tentaram entrar no seu santuário. O regresso a Golden City foi um tanto humilhante para os poucos que escaparam. E Linda? E Ó Bössta? Que lhes terá acontecido? Poderiam os habitantes da cidade reconstruir o seu jardim?

terça-feira, janeiro 29, 2008

Adeus, senhor Ministro

O Eng. Sócrates reconheceu a proximidade do processo eleitoral e tratou de se livrar de uma das maiores chagas que caracterizavam este governo.
Temos de reconhecer que o senhor Ministro da Saúde trouxe algo de novo ao quotidiano dos portugueses. Não, não foi o cinismo com que enfrentava o diálogo com as pessoas. Esse era comum ao seu colega da agricultura e ao actual colega da propaganda. A grande inovação do Ministro Correia de Campos residiu na transformação de ambulâncias em maternidades e serviços de urgência, acompanhada pela responsabilização de bombeiros como médicos assistentes. Nunca ninguém fez tanto mal ao Serviço Nacional de Saúde que já não era famoso.
Esperam-se melhoras? Não acredito muito. Mas, para já, há que respirar e deixar um voto: Vá, senhor Ministro. Vá e não volte!
Colecção Caravana, Vol III - O faca voadora

Data de edição: primeiro trimestre de1962
Dimensão aproximada: desconhecida
Número de páginas: desconhecido
Organização: desconhecida
Capa: indisponível
Sinopse da obra: Vic Farison chegou a Golden City em meados do século XIX. Ninguém conhecia em pormenor a sua actividade. Sabia-se que vivia sem dificuldades, mostrava uma atitude pacífica e bonacheirona e era um fiel seguidor do governador a cujo gabinete gozava de acesso a qualquer momento. Tinha, no entanto, uma particularidade que fazia com que muita gente o receasse. Era um exímio manejador de facas e punhais, distinguindo-se pela notável precisão para lançá-las a grande distância ou para apunhalar os seus adversários pelas costas. Chamavam-lhe, por isso, o Faca Voadora.
Um dia, estabeleceu-se um grande armazém num local privilegiado da cidade, o Hazelnut Valley, local até aí apenas utilizado como dormitório. O nome dado a esse armazém, Model Store, mostra que terão sido seguidas todas as directivas existentes à época para a sua instalação, apesar do aspecto descuidado do espaço circundante. Mas o mais estranho foi, numa rua de acesso ao mesmo, na qual não era permitido o trânsito de carroça, ter sido estabelecida um semáforo em madeira, subido e descido manualmente de dez em dez minutos, que causava grande transtorno aos populares que se viam obrigados a saltar pelos montículos de pedra circundantes às vezes com grandes cargas de produtos.
As preocupações cresceram quando esses locais passaram a ter a preferência de malfeitores que realizavam ali os seus assaltos aos incautos compradores. Muitos apareceram esfaqueados, bolsos completamente vazios e os que escaparam com vida diziam que nada tinham ouvido nem visto para além de um silvo que cortava o ar a grande velocidade.
O pânico começou a tomar conta da cidade. Que se passaria? Porquê aquela praga de assaltos junto ao Model Store? Haveria alguém que conseguisse deslindar aquele caso e explicar o estranho silvo de que muitas vítimas falavam? As suspeitas recaíram sobre Farison dado o padrão de assaltos e o seu gosto por facas e punhais, mas ninguém o tinha visto nas imediações nem o próprio operador de semáforo que jurava não ter dado por nada. Voltaria Golden City à sua tradicional paz?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Colecção Caravana, Vol II – Lex Colt



Data de edição: Fevereiro de 1962
Dimensão aproximada: 70 * 105
Número de páginas: 80, dactilografadas, tinta preta
Organização: 7 capítulos com título: I - Regresso acidentado; II - A verdadeira personalidade do juiz; III - O traidor; IV - Amigo inesperado; V - A partida de um filho; VI - Mate uma pedra; VII - O rapto
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um pistoleiro que se exibe de arma na mão e ar arrogante, a aba do chapéu cainda discretamente sobre um dos lados da cara e tapando-lhe o olho. Outros pormenores interessantes: o verde, a cor das montanhas, o arame farpado de desenho perfeito, o logotipo da colecção. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Começaram a chamar-lhe Lex Colt devido à sua capacidade para, contra tudo e todos, impor a sua lei através do poder das suas armas. Aos vinte e cinco anos, já tinha abatido mais de trinta adversários, em combates leais, é certo, mas para os quais o seu desafio muitas vezes era irrecusável. Levava uma vida errante que, um dia, o conduziu até Golden City, uma pacata cidade com gente humilde e trabalhadora sujeita ao estranho poder de um homem de negócios, David Ó Bössta, detentor de notável capacidade para motivar as pessoas para fins colectivos e proveito próprio. A última façanha de Ó Bössta tinha consistido em ser o fiel depositário dos fundos que os populares tinham junto para erguer uma escola na cidade e, em vez de satisfazer a sua vontade, utilizou-os para montar o seu escritório pessoal a partir do qual dominava os negócios. A população sussurrava baixinho contra Ó Bössta, mas não se atrevia a enfrentá-lo. Lex apercebeu-se da situação e a obra desenvolve-se através de uma narração em que se assiste à comovente regeneração do pistoleiro operada através do pôr as suas capacidades ao serviço daquelas pessoas. Conseguirá Lex Colt destronar David Ó Bössta? Ou será a sua regeneração tardia? Terão os habitantes de Golden City os fundos destinados à sua escola aplicados com esse objectivo?

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Colecção Caravana, Vol I – O Rural voltou

Data de edição: Janeiro de 1962
Dimensão aproximada: 70 * 105
Número de páginas: 92, manuscritas, tinta azul
Organização: 8 capítulos sem título; o IX aparece iniciado sugerindo que a obra ficou inacabada
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um cow-boy que espera enquanto um homem está pelo chão, sem consciência, provavelmente morto. Reparem no excelente pormenor da cerca em madeira. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: acabada a guerra da secessão, Claude estabeleceu-se numa povoação onde conviviam antigos nortistas e sulistas. Apesar das feridas deixadas pela guerra, o relacionamento entre as pessoas era na generalidade bom, mas havia dois conhecidos de Claude que não lhe perdoaram a condição de antigo nortista. Um deles, Larry Ferguson, era o pai de uma escultural e linda menina a cujos encantos o ex-combatente não conseguiu escapar. A paixão entre eles cresceu até que um dia foi descoberta por Larry que tentou afastar Claude da filha. Não o conseguindo, optou por o atacar das mais diversas formas. Num desses ataques, Claude foi abrigado a abater alguns homens de Larry e, apesar de o combate ter sido leal, formou-se contra ele formidável opinião negativa que o levou a abandonar a terra por alguns anos. A filha de Larry não o seguiu, sofrendo com a sua ausência. Longe da sua terra, Claude dedicou-se à defesa da lei e da ordem integrando um corpo de polícia do Texas que o levou a múltiplas aventuras. Um dia, pensando que tudo estaria esquecido da mente das pessoas, voltou à sua terra, para recuperar a sua amada. Mas encontrou o local em que vivera sob o jugo do todo poderoso Arino the Kat, detentor de extensa propriedade, com múltiplos pistoleiros a soldo e capaz dos actos mais vis para sustentar o seu poder. Contava-se que um dia tinha entrado na povoação com a manada de gado tresmalhada e pistoleiros a soldo, disparando para o ar, arrasando completamente uma das suas ruas, sem qualquer respeito pelos que lá viviam, e com a argumentação de que aquelas casas “estavam no sítio errado”. Nada podia motivar mais o nosso herói do que repor a lei e a ordem na sua terra e recuperar a mulher que adorava. A obra continua através de um conjunto de peripécias cujo desenlace não é fácil de desvendar... Quem vencerá? Claude? Arino the Cat? Encontrará ele a sua amada? E Larry? Nas novas condições, aceitará tê-lo por perto?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A obra do blogger enquanto jovem e escritor

O Carnaval está à porta pelo que o OUREM decidiu ridicularizar ainda mais o seu autor, expondo-o à dura e exigente crítica dos seus amigos (oureenses e outros), através da divulgação de um segredo até agora fielmente guardado e só conhecido da família, do Rui Melo e da Paulinha (estes devido a invisível divulgação durante as últimas autárquicas).
Trata-se do seguinte: entre 1962 e 1963, nos seus treze, catorze anos, o Luís era um entusiasta criador de estórias do Oeste Selvagem, muitas das quais antecipavam o actual ambiente de facínoras que se respira em certos lugares da nossa terra e país, mas que nunca saíram do baú para publicação ou divulgação. Produziu quase uma dezena de obras organizadas numa colecção designada por Caravana o que lhes conferia um certo sabor a pioneirismo...
Neste momento, é impossível refazer texto entretanto desaparecido ou divulgar algum que ainda exista mas cujo conteúdo é de profundo e insofismável mau gosto. Naquele tempo, a cabeça do autor jorrava cowboiadas a toda a hora, conferindo-lhe um alheamento que todos notavam e, por vezes, estranhavam, mas que correspondia a elevado processamento intelectual. No entanto, pode ser estabelecido um catálogo relativo a tão notáveis criações (e reparem que o autor não só fazia o texto como criava belíssimas capas para o mesmo decorrentes da total ausência de jeito para o desenho) que assim ficará para a posteridade e anulará os efeitos de corrosão temporal que aqueles documentos sofreram e continuarão a sentir até à sua extinção...
Isto demonstra que uma acusação que alguns anos depois um amigo (o Boisano) fez ao autor, no Quelhas, não tem razão de ser. Dizia ele:”Aos dezoito anos, o Marx já tinha escrito vários textos a criticar os hegelianos. Tu ainda nada fizeste”. Não era verdade como podem agora constatar os meus amigos.
E, para apresentação, chega. Os próximos posts serão dedicados, com eventuais interrupções dedicadas aos comentários que a actualidade suscitar, às obras de juventude do autor...

quarta-feira, janeiro 23, 2008

E o OUREM também tem



E o mais engraçado é que penso ser a primeira edição (ver a discussão no Anónimo). Foi adquirido antes de 9-1-71, uma altura muito quente para os lados do Quelhas. Se a edição foi apreendida, fomos mais rápidos que a própria PIDE...
O prefácio é do Sérgio (fez tantas que acabou por ser convidado a passar o 25 de Abril em Caxias).

terça-feira, janeiro 22, 2008

Pedido de contagem de tempo de serviço

A dobrar os sessenta, surge inevitavelmente o momento em que há que ponderar o custo-benefício de perder 2*4,5% relativamente à saúde mental e disponibilidade de tempo que daí resultarão.
No último Poço, alguns amigos manifestaram-se contra as antecipadas. Ouvi-lhes as razões, mas penso que quem tem períodos contributivos longos não pode concordar com eles que, possivelmente, terão beneficiado ao longo de todos estes anos daquilo que não descontaram... Além disso, é uma vaga para os mais novos...

sábado, janeiro 19, 2008

Vieram cantar-me as Janeiras

Manhã de sábado em Ourém...
A inevitável passagem pelo Central fez-me deparar com um café relativamente despovoado. Foi, portanto, fácil ocupar a mesa do Sol e ali permanecer deliciando-me com o cálido ambiente.
Cá fora, alguns fumadores satisfaziam o vício dando uso de Inverno à esplanada. A certa altura, vi o Sol a afastar-se da mesa já que o Nuno foi obrigado a descer o toldo para proteger esses clientes.
A quase escuridão que se formou deixou-me um pouco taciturno, mas não por muito tempo. Eis que ao longe se começou a ouvir agradável som. Vozes, violas, um bombo com aquela magnífica ressonância. Depois, avistei-os: eram miúdos e graúdos em magnífica partilha com os oureenses. Passaram pelo talho, pela farmácia, pela loja do povo, pela loja do sr. David e, pouco depois, ali estavam. Confraternizaram no exterior e no interior. Deliciaram-nos com as suas vozes e a sua mensagem dirigida a "uma casa de gente honrada".
Há muito tempo que não tinha uma passagem tão agradável por Ourém.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Anti-europeu?




Se calhar até sou…
Mas confesso que não sabia. Não sabia até ouvir, ontem, as declarações no Parlamento de sua excelência o sr. Ministro Santos Silva, que tutela a Comunicação Social. Há muito tempo que não ouvia verborreia tão prepotente, arrogante, mesquinha mesmo. Muito para além do Eng. Sócrates...
Não é que fosse grande amigo da Europa. A sua construção sempre me fazia surgir aquela ideia de “uma reacção do imperialismo à crise geral do capitalismo”... mas, ao mesmo tempo, era atraente. Mas o que não posso ser adepto é de uma frase do tipo “todos para a Europa e à força” que decorre com toda a justiça do seu discurso. Oh! Que lembranças me traz dos saudosos tempos da salazarenta figura...
Não posso abdicar do meu direito à opinião. E o facto de entender que o tratado de Lisboa devia ter sido ratificado por referendo não dá a ninguém o direito de me excomungar e afirmar coisas como sua excelência o sr. Ministro afirmou. Coisas execráveis. Pestilentas. Parecia que destilava ódio para os opositores. Coisas que não fazem esquecer o mal que este Governo nos tem feito em termos de saúde, educação, poder de compra e vai continuar a fazer. Coisas que merecem censura, pois então!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

2,5%

Meu pobre cabaz de compras!
Como está desfigurado e quase abaixo da subsistência mínima! Já quase nem leva transportes, comida e renda de casa. Onde param os livros, os discos, as viagens, o convívio...?...
Já nem nos números do INE acredito... e mesmo com esses ando há muitos anos a perder!
2,1%

Foi uma grande vitória!
Consegui todos os objectivos...
Melhor que eu só o Luís há uns anos quando desafiou a Camarilha que vai arrasando Ourém...
Olhem do que o Pessoal se livrou

O comendador Berardo queria presidir ao Conselho de Remunerações...
Que teria tal função de aliciante para um accionista? Para este accionista...
Possivelmente, aquilo que os accionistas desejam: um maior excedente... agora, não pela via do trabalho extraordinário não pago, mas pela remuneração normal a crescer (?) a um ritmo inferior...
Ou estaria ele a pensar em alguma franja especial de trabalhadores?

segunda-feira, janeiro 14, 2008

O quiosque

Há dias, em paragem junto do senhor Manuel Cartucho, ele, na sabedoria que tão longa idade lhe confere, afirmou: “Olhe, meu amigo, acredite no que lhe digo. Mal passe de ano, desaparecem metade das empresas do país”. Não sei se a estatística dele estará ou não correcta. A verdade é que, aqui para a minha zona de trabalho, o desaparecimento de pequenas lojas tem sido avassalador.
Agora, foi o simpático quiosque dos jornais. Naquele sítio, onde paramos todos os dias, onde há sempre mais uma palavra de quase amizade, não se encontrou viabilidade para prosseguir. E, um dia, chegaram a dizer-me: “Fechamos e não temos quaisquer perspectivas sobre o que vamos fazer”. Quer dizer, é preferível fechar do que fazer qualquer coisa mesmo que, teoricamente, esta deixe margem...
Bem pode São Cavaco pregar contra o crescimento das desigualdades. Estas reforçam-se todos os dias como resultado directo de uma política que tem o foco nas pessoas como principal inimigo. À pauperização absoluta da grande maioria dos portugueses, a que temos vindo a assistir, só pode seguir-se a continuação da espiral de pauperização até que leve à ruína e inação todos aqueles cujos rendimentos se baseiam na actividade local. É uma espécie de contradição criação * realização do valor. Quando tudo terminar, o senhor Ministro poderá orgulhosamente ufanar-se frente às câmaras: “Meus amigos, conseguimos a vitória final: o défice é zero%!”.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Aeroporto

Eu sei que vou chatear os ribatejanos essencialmente muitos oureenses (anda para aí um que diz que não se sente ribatejano, mas já fez mal que chegue na cidade pequena e, em breve, estará de partida...). Mas mandam a economia e os altos interesses do capital que o aeroporto seja em Alcochete. O que é que os capitalistas com interesses na Ota têm a mais do que os que apostam em Alcochete? Nada, absolutamente nada. Pelo contrário, ali, bem perto do deserto, vamos construir uma verdadeira cidade aeroporto. Uma cidade que se dizia “Jamais...”. A especulação vai disparar e eu vou poder cobrar mais receitas. Que me interessa que umas avezitas viessem passar uns tempos ao estuário? Vão saber-me muito bem assadinhas no forno com puré de batata e agriões... Não era o tal que dizia que a comidinha estava toda feita antes de tirar a tampa? Esta está guardada para depois e vai-lhe fazer muita inveja... E já viram, com a capacidade de rápida decisão que me caracteriza, o que se pode vir a ganhar com a Portela? É preciso estar atento a todos os sinais do mundo que nos rodeia... vindos do que foi e do que será...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Referendo?...

Ó meus amigos, isso era apenas uma promessa eleitoral e, como sabem e é muito bem aceite pelo meu povo, eu não costumo cumprir promessas eleitorais.
Mas permitam-me que vos chame a atenção para mais um pormenor: o que eu prometi foi referendar a Constituição. Ora, o que está em causa não é uma Constituição, é apenas um tratado. E há uma diferença. As constituições referendam-se; os tratados aprovam-se especialmente em assembleias onde haja maioria absoluta.
Referendar o tratado? Já viram o péssimo exemplo de imaturidade democrática que daríamos aos nossos parceiros europeus? E se eles se lembrassem de fazer o mesmo?
Triagem de Hipócrates

Urgências?...
Meu caro amigo, já falámos tanto sobre isso que já o posso tratar assim e acredite que estou a ser sincero. Eu quero servi-lo melhor. Se é urgente, deve vir mais cedo... para poder realizar a sua triagem e esperar pelos corredores comodamente deitado na maca. Com um bocado de sorte, consegue morrer sem se sujeitar a qualquer tortura.
E, sempre que estiver atrapalhado, para chegar mais cedo, aqui tem uma ambulância novinha em folha, capaz de fazer muitos quilómetros, de dia ou de noite, na planície ou na serra, equipada com bloco para partos, bombeiro parteiro e tudo...
Indisciplina de idoso

Pagar o aumento extraordinário por inteiro?
A reformados?
Já viu o péssimo hábito que lhes criávamos? A ilusão monetária torná-los-ia compulsivos gastadores! No próximo ano, estariam a exigir novo extra ordinário aumento.
Não, senhor...
Os nossos reformados querem-se bem domesticados, bem disciplinados. Vão receber e agradecer 12 maravilhosas prestações de 68 cêntimos. Quem é bom, quem é?

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Um mundo pequeno

...
Somos cinco numa cama. Para a cabeceira, eu, a rapariga, o bebé de dias; para os pés, o miúdo e a miúda mais pequena. Toco com o pé numa rosca de carne meiga e macia: é a pernita da Lina, que dorme à minha frente. Apago a luz, cansado de ler parvoíces que só em português é possível ler, e viro-me para o lado esquerdo: é um hálito levemente soprado, pedindo beijos no escuro que me embala até adormecer. Voltamo-nos, remexemos, tomados pelo medo de estarmos vivos, pela alegria dos sonhos, quem sabe!, e encontramos, chocamos carne, carne que não é nossa, que é um exagero, um a-mais do nosso corpo mas aqui, tão perto e tão quente, é como se fosse nossa carne também: agarrada (palpitante, latejando) pelos nossos dedos; calada (dormindo, confiante) encostada ao nosso suor.
...

Este terá sido um dos primeiros livros que li na fase de intensa, acelerada e amaldiçoada formação. De quando em quando, acode-me à memória sempre com uma sensação de amargura e estranheza. Não segui o percurso do autor, apesar de não lhe ter esquecido o nome. Agora, vou relê-lo e guardá-lo de forma a nunca mais voltar a sentir que o tinha perdido.
Ontem, chegou a notícia da sua morte e a inevitável e letal homenagem da RTP que em vida passa o tempo a esquecer-se de gente com valor. Afinal, era um nome importante, um dos maiores do século XX, de acordo com testemunhos como o de Saramago e Soares, apesar de pequenas diabruras como a feita com a tradução do Voltaire...
Curiosamente, soube ainda que um dos seus filhos, o João Miguel, tinha sido meu colega de trabalho numa petrolífera, onde convivemos na área de informática, a qual abandonámos exactamente no mesmo dia e pelo mesmo motivo.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Primeira passeata matinal de 2008

Já é quase sempre assim.
Recusado o esgar de satisfação obrigatório pela mudança de ano, a noite serve para algum convívio, o assistir a alguma televisão e para um deitar cedo que propicia um acordar que convida à primeira passeata do ano. Antes, porém, houve que controlar a Pipoca que andou a passear-se sobre a mesa do banquete, a lamber o leitão e a pôr as delicadas patas dianteiras sobre o Bolo Rei.
Hoje, tudo estava em silêncio e com um esboço de chuva. As folhas amarelas pelo chão contribuiam para uma visão agradável e a ausência total de ruído e de movimento transformavam-se em boas sensações.
Ontem, vi os Gatos, um programa bem melhor que as palermices da concorrência e terminei na quatro onde assisti à sensacional vitória de Ourém no Casamento de Sonho. Como não vi nada para trás deste programa, não vou fazer qualquer consideração negativa relativa ao mesmo. Por isso, parabéns ao Bruno e à Magali, habitantes do Zambujal e os desejos que sejam muito felizes.
Lateralmente, um comentário: é lamentável que os jovens vejam nestes programas (alguns com passagens inenarráveis) a forma de conseguirem resolver os seus problemas de vida. Isto indicia quanto o nosso país e a nossa terra andam a maltratar a juventude com níveis de desemprego nunca antes vistos (apesar da criação líquida de cento e tal mil postos de trabalho durante governo de Sócrates) e total ausência de perspectivas.
E aí vem mais um ano que se prevê mau, mas se prenuncia anedótico: Cadilhe, Menezes, Flopes, Berardo e o Engenheiro com certeza contribuirão para a festa.

domingo, dezembro 30, 2007

Perspectivas para 2008


Fonte: esta figura foi modificada a partir de foto do blog Vila Nova de Ourém (um obrigado ao Acácio Paiva)

Gostaria de desejar aos oureenses um excelente 2008!
Mas a hora na nossa terra é de profunda consternação pela acção da Camarilha que está a levar a cabo o arrasar da Rua de Castela sob o argumento de que as casas ancestrais estavam no local errado e que a ilegalidade reconhecida em tribunal é que é o correcto.
As coisas não ficarão por aqui. É de admitir que as negociatas tragam em breve volumosos mamarrachos para a rua que vão modificar completamente o seu aspecto. É esperar para ver...
Ourém é uma pobre terra a saque, progressivamente endividada ou com endividamento escondido que um dia cederá a sede de concelho à cidade do reitor, começando desde já a adoptar o seu caótico aspecto.
Por isso, 2008 não lhe trará nada de bom, dada a evidente incapacidade para responder aos despóticos actos do presidente David, bem apoiados na vitória eleitoral e numa Assembleia Municipal que de tanto apoio que lhe dá, mais parece usar palas. Que mais podemos esperar? Será que o presidente já pensou se o Central estará no local correcto? E a desgraça é tanta que já não recordo mais símbolos... por isso, não esperem que eu seja cínico e deseje um excelente 2008. Pelo contrário: raios abrasem o David e companhia!

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Às do pedal

Olhem que linda prenda de Natal se podia ter há uns cinquenta anos. A energia exercia-se no pedal e era sustentada pela força de cada um.
Apesar de conduzir tão distinto objecto, fazia-o por especial deferência do Rui, o proprietário legal do NI-11-71. Hoje, olho para a foto como se tivesse sido meu. É que a sua importância reside nos momentos que proporcionou e na magnífica partilha de que foi alvo.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Aos amigos do OUREM



Vem aí o Natal e, claro, desejamos a todos os amigos uma quadra muito feliz.
O OUREM cala-se por uns dias...

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Últimas notícias: Worten Hardcore

Interrompemos a doce hibernação para trazer sensacional novidade. Ourém foi invadida pelo grupo Modelo. O OUREM não podia faltar a tão sensacional acontecimento e por lá passou. Parece que num só dia o valor das vendas foi superior ao montante do investimento realizado. A contribuir para tal êxito terá estado com certeza a fila central da filmografia Worten. Vejam só estas maravilhas que por lá se vendem:
- Mamalhudas depravadas.
- Ninfomaníacas penetradas por 2 paus.
- Pilas femininas.
- Sexo duro para jovens inexperientes.
Que não haja dúvidas. Ourém está na vanguarda em termos de farra natalícia.

domingo, dezembro 16, 2007

Figuras secundárias - III



Foi preciso esperar pelo Natal para termos acesso ao alucinante album fotográfico do capitão Rosa (nome pelo qual ficou conhecido na nossa geração).
As fotografias falam por si, por isso, não utilizaremos mais palavras para caracterizar a sua bondade, a sua irascibilidade e o cuidado que sempre punha no relacionamento com os seus amigos...
Imaginemos o que ele diria ontem depois daquele magnífico jogo que o Glorioso fez com os de Belém.



























sexta-feira, dezembro 14, 2007

Um mundo ao contrário

É curioso…
Um, o ditador, faz um referendo destinado a aprovar transformações constitucionais no seu país, perde, aceita os resultados... mete a viola no saco...
Outro, o democrata, em matéria de que os portugueses parecem não informados, vai ratificá-la sem a sujeitar ao seu conhecimento e aprovação... faz a festa, deita os foguetes, apanha as canas...
Há coisas fantásticas, não há?

terça-feira, dezembro 11, 2007

Segway



Ora aqui está uma bela ideia para o trânsito caótico da Avenida em Ourém. Os forasteiros deixam as viaturas à porta da cidade e utilizam este engraçado brinquedo para se deslocarem.
Falo a sério...
Bom, pode não servir para os forasteiros que nos visitam, por ausência de estacionamento à entrada, mas o presidente David, que já tem novo site interactivo e tudo como diz a revista, podia desistir da obra do novo edifício camarário, que evidencia graves carências a nível de suporte financeiro, e pôr funcionários e munícipes a deslocarem-se neste instrumento entre os diferentes serviços.
Em Lisboa, a ideia já deu frutos para os que comercializam esta maravilha. Na baixa, a contrastar com o ar formatado e pombalino dos edifícios, a polícia já se desloca, entre os peões e atrás dos bandidos e carteiristas, em funcionais Segways. Sem qualquer desrespeito, acreditem que é deveras engraçado vê-los em tal azáfama, tanto mais que ficam mais altos que o comum dos mortais graças à plataforma para os pés. Ora, se servem para Lisboa, por que não servirão para a nossa terra? Será por causa dos buracos?...

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Figuras Secundárias II

E, enquanto o tempo não melhora, voltemos a saborear aquilo que ainda não nos conseguiram apagar: as recordações da juventude.

Decerto o conhecem: Pancho, o inseparável companheiro de Cisco Kid. Na vinheta que apreciam ele tinha acabado de fugir a uns bandidos, mas, sujeito ao seu fogo quase contínuo, mergulhou para dentro de uma pipa a partir do cavalo. Depois, a barriguinha não autorizou a sair e teve de esperar por ajuda.
Mas não pensem que o Pancho não tinha papel activo nas histórias. Várias vezes salvou a vida ao seu amigo e, quando ele pensava em abandonar as aventuras para se dedicar a alguma formosa menina, não tardava em arranjar uma motivação para o levar para as formidáveis cavalgadas e para o descanso ao luar, apreciando o uivo dos coiotes.

Era famosa a barriga do Pancho. Aliás, a sua figura algo atarracada, obesa sempre se distinguiu pelo contraste relativamente a Cisco. O qual não ficava por aí. Como podem apreciar, nesta outra vinheta, enquanto Cisco pensa nas deliciosas Flor Vermelha e Lucy dos cabelos de ouro, Pancho sonha com uma boa refeição...

terça-feira, dezembro 04, 2007

O último dia de Sol em Ourém



Saio da aula e tirito de frio nesta manhã de neblina, sol escondido. Recordo um dos últimos dias que passei em Ourém. A manhã também não estava convidativa, mas o Sol tinha entrado casa dentro e acordado toda a gente.
Lá para as onze a disposição mudou. O dia aqueceu e durante algumas horas pudemos desfrutar aquele magnífico calor na paz que é quase sempre Ourém. Paz falsa, deve dizer-se. Escondida nela, aproveitando os circuitos do poder, muitos conspiram e organizam-se para nos destruir a Ourém que vivemos. Da qual quase nada resta...
Lá para as cinco, o Sol escondeu-se por trás do Castelo exactamente como a foto documenta apesar dos horrorosos fios que persistem em nos acompanhar. Rapidamente, a temperatura desceu e os agradáveis 18 graus da tarde converteram-se em pouco mais de 7. Fechei-me em casa, acendi lume e pensei que a manhã traria melhor dia. Qual quê? A manhã parecia não querer chegar. Veio sombria, chuvosa, friorenta. Veio lúgubre fazendo-me lembrar a acção do Orelhas Moucas, o autarca que desafia as decisões dos tribunais (até tem uns 20 meses, vejam lá o desplante...). Não fosse excelente repasto no Pirilampo nada a animaria. Depois, foi o regresso... com a recordação daquele dia soalheiro cuja imagem ainda não se repetiu até hoje.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Rei na cidade menor



Na pequena aldeia, as pessoas tinham uma vida humilde, mas reviam-se no seu espaço e na sua convivência que para elas se tornou uma referência. Nenhum dos que por lá passaram a esqueceu.
Um dia, a cidade onde era a pequena aldeia foi tomada pelo rei laranja. E logo a descaracterização começou. Formidável prédio que não respeitava as mais elementares normas de urbanismo avançou sobre o largo que era o centro da pequena aldeia e a todos sufocou, escureceu e humidificou a existência. Alguns reagiram. Mas a chegada de tão indesejado vizinho logo fez lembrar a muitos os benefícios da especulação.
O que era emanação de tribunal deixou de se cumprir. O rei laranja em breve fez os seus cortesãos elaborar e aprovar normas em que o ilegal correspondia ao que lá estava há décadas. Apreciem este trecho retirado do Crónicas recentes da cidade menor: “corrigir agora o erro como deve ser não é gastar recursos públicos a demolir um prédio que está no sítio certo e com a altura certa, mas sim retirar as casas que estão no sítio errado...”.
Acabou-se a esperança. O rei laranja virou o bico ao prego. O formidável mamarracho não virá abaixo, não recuará para os limites onde era o Albergue da Dona Aurora. A aldeia, essa, será certamente arrasada.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Figuras secundárias - I

Ora viva, amigos oureenses. Iniciando uma nova secção no nosso blog, destinada a figuras secundárias que podiam ser as principais, aqui vos trago mais uma formidável recordação da nossa juventude: o simpático Pequeno Castor que acompanhava para todo o lado o terrível Red Ryder, também conhecido por Cavaleiro Ruivo, uma figura criada por Fred Harman (visite aqui o museu de arte deste criador em Pagosa Springs, Colorado).
O Pequeno Castor era um mouro de trabalho, era um miúdo valente e salvou por diversas vezes a vida do seu amigo. Mas não gostava muito de tomar banho. Aliás, com a pouca roupa que vestia, bastavam umas borrifadelas de chuva para sacudir as montanhas de pó que o cobriam.
O Pequeno Castor tinha também uma namorada. Um dia, ela disse-lhe:
- Sabes? Vou realizar uma grande viagem para fazer as compras de Natal. Que prenda queres que te traga?
Ele pensou um bocadinho e, depois, com o seu sorriso matreiro, respondeu:
- Traz-me água de Colónia...
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