quinta-feira, fevereiro 03, 2005
Memórias em vinil (1)
Nos bailaricos as músicas mais ouvidas eram as dos Procol Harum, “Whiter shade of pale” e dos Bee Gees (tantas: “World”, “Words”, “To love somebody”, “Spicks and Spckes”...).
Meu Caro Luís,
Estás a puxar por mim!“Viuvinha” fui. E campeão universitário. Mas, além do desporto, a Associação teve grande importância para mim, para o que fui e sou.
Comecei por colaborar, por criar uma secção de papelaria e fui co-responsável pela secção de folhas.
Andei nas lutas do “célebre” 40900, de 1956, decreto do MEN fascista para retirar democraticidade às AE e torná-las departamentos dos Centros Universitários da Mocidade Portuguesa. Lutámos, com manifestações e outras formas de luta, e ganhámos! A Assembleia Nacional suspendeu o decreto.
Em 1957/58, meu último ano (com surpresa para muitos que me viam a chumbar dada a assiduidade aos “amigáveis”), fui vice-presidente da direcção e representante de Económicas nas RIAs, onde conheci muitos camaradas, como o João Cravinho e o Zé Bernardino (IST), o Ramos de Almeida e o Orlando Neves (Direito), o Marques Pequito (Veterinária), o Branco Ló (Arquitectura), Portas (Agronomia).
Participei muito activamente no 1º Dia do Estudante. E, já curso acabado, acompanhei de perto tudo o que levou às lutas de 1962, fazendo parte de uma Comissão de Antigos Dirigentes, que, numa semi-clandestinidade, muito apoiou os Sampaios, Vengorovius, Abreus...
A luta do CDUL, e outras, fica para outra “provocação” tua. Das boas.
Amigos Oureenses, isto tem a ver com a nossa história recente.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Subia a travessa do Pasteleiro envolto na sua capa qual ente tenebroso.
Nunca se soube a verdadeira razão. Uns sustentam que o frio a tanto obrigava. Outros acham que, por essa altura, tinha de esconder a sua face para não ser notada pelas pidescas criaturas que cercavam Económicas e perseguiam os estudantes.
Apesar do seu disfarce, na escola cultivava o espírito de Os amigáveis. E era de tal modo empenhado que venceu o campeonato universitário e participou em vários TIAs (Torneios inter-associações).
A designação sugerida não me é estranha, só que, no meu tempo, a campa e batina estava de todo abandonada e era nas RIAs (reunião inter-associações) onde aqueles de que tantas vezes já vos falei delineavam os próximos passos para dar uma ajuda à construção do país livre que hoje temos.
Quais seriam as referências musicais do “Viuvinha”? Eu reivindico o Zeca, o Adriano, o Sérgio, o Cília, o Zé Mário para a minha geração. O que se ouviria doze ou treze anos antes?
E dos outros? Eu tive os Beatles, os Stones, os Animals, os Moody Blues, a Mellanie... Já não sei o que resta ao “Viuvinha”, talvez o Paul Anka, o Pat Boone, o Elvis, não é ele um grande pé de dança como por vezes demonstra em São Sebastião?
Mas, se no meu tempo houve RIAs, é porque, para além do seu magnífico empenho no desporto, ele o conseguiu utilizar como uma forma de gerar a união entre escolas na contestação ao fascismo transformando algo que parecia de todo inofensivo num instrumento de subversão.
Um comentário no Castelo tentou desvalorizar o estudo do INE sobre o poder de compra concelhio per capita. Na onda do autarca de Celorico, insinuava que as pessoas iam fazer as compras a Leiria e afirmava que em Ourém não existe desemprego.
Isto merece-me três notas.
Em primeiro lugar é importante dizer que o estudo do INE se baseou não em uma, mas em vinte variáveis que listamos na parte final do artigo, referindo-se a maior parte delas a actos verificados no concelho. A análise efectuada é assim uma perspectiva multidimensional baseada em técnicas que são utilizadas em todos os países avançados e que procuram identificar um conjunto menor de factoress para proceder à interpretação dos resultados. No caso presente foram identificados os factores Indicador do poder de compra per capita e o Dinamismo Relativo (onde Ourém não se situa nada mal). Mas o resultado para o primeiro é deveras preocupante e deveria fazer pensar qualquer responsável autárquico ou mesmo do governo central em vez de formular desculpas saloias para atirar a questão para o caixote do lixo.
Em segundo lugar, ninguém pretende responsabilizar as autarquias por estes atrasos. Se os empresários não investem, se pagam maus salários, a culpa não é obviamente da Câmara. Mas ela já será culpada de não gerar acções que possam a prazo contrariar esta tendência, sem se substituir à iniciativa privada.
Em terceiro lugar, há que referir a estafada questão do desemprego tão do agrado do Incógnito e do nosso venerado presidente David. Pode parecer que não há desemprego em Ourém, mas tal só acontece porque o desempregado, naturalmente, não fica lá a procurar trabalho. Quantas pessoas de Ourém são obrigadas a procurar trabalho em grandes centros do país ou estrangeiro? Quantos tiveram de emigrar? Quantos estarão nas listas do Instituto de Emprego e Formação Profissional com uma residência na Grande Lisboa ou noutro centro urbano que constitua uma atracção de desempregados? Assim, este argumento não é mais do que cinismo e hipocrisia.
Nestas condições, mantenho que o estudo efectuado deveria ser uma grande fonte de preocupação para todos os oureenses que não devem ir na onda ilusória lançada pelo candidato laranja.
Eis os indicadores utilizados pelo INE:
.Imposto sobre veículos, contabilizado pelas Câmaras Municipais, per capita, 2002
.Consumo doméstico de electricidade, per capita, 2002
.Número de telefones fixos (postos principais) da Portugal Telecom, per capita, 2002
.Número de acessos RDIS básicos instalados pela PT (usados geralmente para estabelecer uma ligação à Internet sem prejuízo do uso normal do telefone), per capita, 2002
.Número de pessoas ao serviço nas empresas da CAE 52 (comércio a retalho), com actividade, sediadas nos concelhos, per capita, segundo uma fotografi a extraída do Ficheiro de Unidades Estatísticas (FUE) do INE, que inclui dados físicos de 2003 e económicos de 2002
.Número de automóveis, ligeiros de passageiros, vendidos e registados nos concelhos, per capita, 2001
Crédito à habitação (stock) concedido em estabelecimentos de crédito localizados nos concelhos, per capita, 2002
.Rendas de habitação, per capita, segundo estimativa realizada a partir dos Censos, refl ectindo o valor unitário e a dimensão do mercado de arrendamento, 2001
.Valor dos levantamentos em caixas multibanco, per capita, 2002
.Número de outras operações em caixas multibanco, excepto consultas, per capita, 2002
.IRS liquidado segundo o concelho de residência do contribuinte, per capita, 2001
.Rendimento colectável para efeitos de IRS segundo o concelho de residência do contribuinte, per capita, 2001
.Contribuição Predial Autárquica, inscrita como receita das Câmaras Municipais, per capita, 2002
.Sisa contabilizada pelas Câmaras Municipais, per capita, 2002
.População divorciada, segundo os Censos, per capita, 2001
.População com 21 ou mais anos com ensino superior concluído, segundo os Censos, per capita, 2001
.Densidade populacional (como indicador do grau de urbanização dos concelhos), 2002
.Número de empresas das CAE 551, 552 e 553 (alojamento e restauração, com exclusão de estabelecimentos de bebidas, cafés e similares), com actividade, sediadas nos concelhos, per capita, segundo fotografi a do FUE, que inclui dados físicos de 2003 e económicos de 2002
.Número de pessoas ao serviço em empresas da CAE 55 (alojamento e restauração, incluindo estabelecimentos de bebidas, cafés e similares), com actividade, sediadas nos concelhos, per capita, conforme a fotografi a mencionada em cima
.Hóspedes totais nos estabelecimentos hoteleiros, registados na Direcção Geral do Turismo, per capita, 2002
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Mais grave que a situação, parece-me uma das justificações dadas pelo nosso venerado presidente:
Quer dizer: ele aproveita-se e deixa manter uma ilegalidade, que demonstra ausência de pulso nos serviços que devia coordenar, para cometer outra que vai lançar mau nome sobre a autarquia.“há funcionários que começam a trabalhar às 9 horas, mas que chegam ao local de trabalho às 10. E depois saem uma hora antes para estarem na sede do concelho às 17h30. E, ainda assim, queixam-se de que não lhe são pagas as ajudas de custo, o que para mim é um escândalo”.
Só em Ourém.
(continuar a leitura de "A Câmara de Ourém é má pagadora?")A Delegação Regional de Santarém do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local admite recorrer a tribunal se a Câmara Municipal de Ourém não pagar as ajudas de custo que entende serem devidas a alguns trabalhadores da edilidade.
Por causa disso, ontem não fez campanha.
Mas, antes, teve oportunidade de nos deixar preciosidades como esta, num comício em Braga, onde estava rodeado de mil mulheres: "O outro candidato tem outros colos. Estes colos sabem bem".
Esperemos que o presidente do PSD recupere rapidamente. Uma coisa é dizer disparates relativamente a questões sérias. Outra são nojices como aquela.
Subia-se o Pasteleiro, passava-se ao Quelhas, entrava-se por uma porta guardada por alguém de nome Coelho.
Os amigáveis eram partidas de futebol realizadas num pequeno campo com as dimensões daqueles em que se pratica hóquei e que permitiam aos estudantes do primeiro ao quinto ano esgrimir entre si.
Nunca fui grande jogador, logo nunca fui seleccionado para qualquer equipa.
Mas recordo-me que, nos primeiros anos do curso, havia entusiasmo entre a assistência. Havia também óptimos jogadores alguns dos quais chegaram a militar em grandes equipas e outros, mais a tender para o maluco, que executavam saltos mortais em pleno Rossio.
Depois, entre 1969 e 1972, tudo mudou. A polícia de choque tornou-se presença habitual na escola e as pequenas refregas entre estudantes transformaram-se numa contestação muito séria à sua presença. Lembro-me de alguns que, naquelas instalações, foram desancados sem dó nem piedade. O ano em que terminei o curso, sempre com muitos incidentes, foi aquele em que foi assassinado Ribeiro dos Santos, um estudante venerado pelo MRPP.
Com o 25 de Abril, Os amigáveis não voltaram. Pouco a pouco, o automóvel foi avançando e aconteceu ao espaço do ISEG algo de semelhante ao que ocorre em muitos locais: foi sufocado.
segunda-feira, janeiro 31, 2005
De acordo com esta notícia do JN, existirão menos 92% de contribuintes entre os que se integravam no escalão mais elevado do IRS.
Terão todos eles empobrecido? Ou terão os seus rendimentos sido sujeitos a um processo de deslocalização para algum paraíso fiscal?
Pasmo por não ter existido qualquer comentário ao post onde abordava esta questão e onde o candidato a deputado pelo PSD era claramente desmentido relativamente a Ourém ser um dos concelhos mais desenvolvidos do país.
Ourém está muito mais perto de Celorico de Basto, cujos responsáveis parece que vão processar o INE, do que da média Nacional. Os 66,05% de Ourém distam apenas cerca de 24 pontos percentuais do valor registado para aquele concelho.
A verdade é que, se me ficar por aquilo que os olhos veem, eu também sou levado a desconfiar daquele número. Ourém é uma terra onde se consome bem e onde grande parte das pessoas ostenta carros cujo preço não é para qualquer um.
Por que não reage então Ourém?
Hoje, a chegada à Miguel Lupi foi particulamente difícil.
Saí do comboio em SAntos, atravessei a Marginal, tomei a bica no café junto ao que foi o Cinearte e onde, actualmente, funciona a Barraca e iniciei a subida da D. Carlos.
Mesmo em grande aceleração, o frio era de tal ordem que me interrogava sobre o que se passava.
Subir a rua, comprar o jornal junto a S. Bento, iniciar a subida da Calçada da Estrela, contemplar o jardim que me separa de Económicas costumam ser um prazer. Pergunto-me já com nostalgia: "Será que alguma vez terei de abandonar isto?". (Estão a ver a ladainha que aí vem daqui a alguns anos?)
Hoje, nem a contemplação serviu para animar.
Mas, de repente, chegou a notícia. Braga fez das suas. Para além das péssimas notícias que fez chegar a PSL ao ponto de o levar a histerismo com a história da Megafraude, deu uma cabazada ao dragão.
E o local de trabalho parece que me trouxe todo o calor que me faltava...
domingo, janeiro 30, 2005
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Cessem querelas com o sábio grego
Cultive-se a paz por momentos que seja
Prometo-vos um Solar e um Barreiros
E um Medieval que fará inveja
Ourém vai esquecer
As falsas promessas do costume
Ourém vai fazer a prova
Ao fabuloso nectar que nos une
Parem a briga com os guerreiros
Assistam à ronda dos Quatro Caminhos
Oiçam os colóquios e os Moleiros
Provem do palhete seus pergaminhos
E eu aqui a ter que preparar a próxima semana e o próximo semestre.
Não há dúvida que o pessoal de Ourém está cheio de sorte. Que belo fim de semana!
A Som da Tinta está a programar actividades para 2005, prevendo quatro ciclos de intervenção:
1. Banda Desenhada
2. Autores da “região”
3. Teatro
4. Ambiente
Por outro lado, a Som da Tinta prepara, como editora, um outro programa editorial que, como até agora, tem a grande limitação das suas capacidades de investimento e de distribuição.
Esperemos que inclua, no seu plano, a edição da nossa crónica "Ourém em estórias e memórias", pensada para celebrar os 20 anos do Poço. Que melhor poderia a editora encontrar para conseguir um crescimento exponencial das vendas?
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Se bem me lembro nem participaram na alegria de a ter gerado.
Agora querem mudá-la, porque não serve os seus intentos.
E num contexto de desemprego, de défice orçamental, de portugueses que há anos não veem um tostão de aumento, de crise em tudo o que é sítio, vêm propor um aumento do salário dos políticos.
Que grandes Irmãs da Caridade!
Como os meus amigos já devem ter reparado, a nossa barra lateral passou a conter apontadores para os programas, sínteses de programas ou páginas dos partidos / organizações com representação parlamentar.
As expressões utilizadas representam exclusivamente a minha sensibilidade aos mesmos.
Assim, entendo que o programa da CDU é o que reflecte melhor uma chamada à consciencialização das pessoas para "agarrarem as condições de produção da sua existência". É, neste momento, a organização que melhor reflecte a minha ligação ao passado, onde consigo encontrar um discurso que me recorda muitas palavras que têm um significado muito preciso para mim. Não quero com isso dizer que defenda a construção de uma sociedade exactamente nos moldes em que a CDU a preconiza, mas entendo que deve ter uma grande influência em qualquer processo de renovação.
O programa do Bloco não é substancialmente diferente em termos de objectivos do da CDU, mas dá maior peso à Europa, às minorias e aceita o multipartidarismo em termos de construção de uma sociedade mais avançada. Também julgo que a nossa ligação à Europa e os efeitos que a mesma teve na destruição do nosso aparelho produtivo inviabilizam a construção de algo em que o centro sejamos nós próprios. Daí o título: "uma revolução à escala europeia".
Para mim, o PS acaba por ser sempre um mal menor, isto é, em vez dos outros (os da direita), entendo que são preferíveis estes. No entanto, não vejo nada no programa deste partido que me entusiasme. As suas concessões à lógica capitalista são tão grandes que, quando oiço Sócrates, me ponho a questão: "serão estes gajos (desculpem o termo ordinário) quem, nos próximos quatro anos, me vai atirar para o desemprego?" Esperemos para ver. A expressão "do mal, o menos" revela uma tentativa de coerência com os valores de esquerda – eu sou incapaz de votar à direita – mas impõe uma atitude que tem a ver mais com o coração do que com a racionalidade. Aquelas figuras em quem não tenho confiança nenhuma estão lá todas...
A designação que dei ao programa do PSD pode ser um pouco injusta. Tenho a dizer que é o programa mais engraçado e mais atractivo de todos que li. Se não soubesse quem o tinha feito, se lhe retirasse a cor laranja, se lhe retirasse uma ou outra expressão mais doutrinária, era capaz de embarcar naquilo. Meus amigos, eu adoro a boa vida, adoro bons carros, adoro centros comerciais, ter muito dinheiro para gastar, poder comprar assistência médica e educação de qualidade, ter tudo o que a social democracia me pode dar. Mas aquilo são promessas que apontam para o efémero e cuja concretização, em termos globais de sociedade, será sempre impedida pela racionalidade dos barões. Por isso, a apelidei de "flatulência" com grande tendência para diarreia se eles ganharem as eleições.
Finalmente, a percepção que tive sobre a caridadezinha do CDS para manter os pobrezinhos muito contentes e agarrados à sua situação (ao contrário do que é preconizado pela CDU e pelo Bloco) fez-me apelidar a entrada para eles de "Irmãs da Caridade". Como não encontrei programa, ficou apontador para o partido. Esperemos, na sequência do que disse Portas, que o governo sombra divulgue com brevidade o programa de esmolinhas aos portugueses pobres.
Eu já dizia que era mais uma história inventada pelos jornalistas para introduzir alguma variedade em momentos tão cheios de política. Como daquelas vezes em que vão para as portagens para reportar as bichas e o trânsito flui normalmente. Mas, esta noite, foi mesmo a valer.
Aliás, para os sportinguistas, deve ter sido uma onda de gelo.
Deixem lá, jogaram muito bem, valorizaram muito a vitória do adversário, à próxima, ganham vocês.
quarta-feira, janeiro 26, 2005
Os Municípios são promotores de progresso social, têm uma grande influência na economia nacional e global e contribuem decisivamente para o desenvolvimento das regiões limítrofes. Mas, para ter sucesso, eles devem estabelecer modos de governo modernos e democráticos capazes de tornar viáveis as políticas para desenvolvimento socio-económico com sustentabilidade.
Um importante e decisivo instrumento da governação local foi criado na Conferência do Rio, em 1992, chamado "Agenda 21", documento esse que incentiva gestores e operadores locais a iniciar um diálogo com os cidadãos e organizações para implementar acções destinadas a gerar mudanças nos três aspectos do desenvolvimento: ambiente, sociedade e economia.
Mas a aplicação desta abordagem de sistemas completos apresenta questões cruciais dentro do sistema local: os agentes estão preparados e querem participar nas estratégias de desenvolvimento que suplantam os seus interesses sectoriais específicos? Como promover um alto grau de participação e compartilhar em cada nível e em cada forma, visando alcançar resultados tangíveis e tornar a Agenda 21 um processo de melhoria local contínua? Como evitar tensões e mobilizar recursos para alcançar um desenvolvimento sustentável?
Lembramo-nos de vários: Cochise, Sitting Bull, Jerónimo. Todos leais, todos grandes guerreiros que se bateram em condições de profunda desigualdade e perderam. Mas a quem a história acabou por dar razão.
O Jerónimo de que falamos também é leal, também é um grande lutador e penso que não venceu o debate com Portas, portador de outra bagagem sobre os assuntos tratados e que teve a vantagem de ser interrogado sobre os assuntos em que interviera no governo.
Os jornalistas também deram uma ajuda talvez inconsciente, mas objectiva. Lembro-me claramente de uma situação em que Portas desancou forte e feio na CDU e a questão que eles puseram, na sequência, a Jerónimo foi: “e que pensa dos 150000 prometidos pelo PS?”. Esta questão foi desonesta quer para a CDU quer para o PS.
Mas, se Jerónimo não conseguiu mostrar a diferença das propostas da CDU em relação às outras forças, isto é, não conseguiu mostrar como vai fazer crescer a produção nacional, como vai dominar o aparelho produtivo, como a Europa é um obstáculo a esses objectivos, o debate conseguiu trazer ao de cima a inutilidade de um partido como o CDS para os portugueses dominarem os seus destinos.
Portas mostrou-nos que o CDS é uma espécie de partido da consolação dos pobrezinhos que nunca deixarão de o ser. “Pobres haverá sempre, é esse o nosso triste destino, mas nós estamos atentos e temos um abono de família para os consolar e de que os ricos não precisam. Aceitai a vossa situação”. A resposta de Jerónimo que lembrou que qualquer pessoa tem direito ao abono de família desde que tenha descontado é extremamente importante e poderia inclusivamente ter sido explorada para mostrar o totalitarismo de Bagão ao se apropriar do fundo de pensões dos trabalhadores da CGD e para desmontar todo o discurso que hoje faz pensar que as pensões são uma espécie de esmola que se dá a pessoas que durante anos andaram a fazer descontos para tal efeito, como se isso não tivesse qualquer analogia com um depósito bancário.
Idêntica conclusão vem do destino que Portas prevê para a Bombardier. ”Eu criei 190 postos de trabalho para produzir Chaimites”. Mas qual é a utilidade das Chaimites? Vai brincar às guerras? Esta produção equivale assim a uma espécie de redistribuição, vão uns tostões para os operários a título de salários, uns milhares para estudos e interesses de empresas, mas o efeito reprodutivo será muito baixo pois as Chaimites não produzem.
Assim, contrariamente ao PSD que, apesar de tudo é um partido que preconiza o desenvolvimento e tem uma mensagem de eficiência e do qual se pode esperar crescimento de riqueza apesar da apropriação privada, o CDS é um partido da manutenção em que surge a correcção dos efeitos da exploração pela distribuição de pequenas migalhas do bolo capitalista.
terça-feira, janeiro 25, 2005
PALAVRAS DE MANDATÁRIO
Por Sérgio Ribeiro
Ser mandatário desta lista é uma honra.
Porque a lista é da CDU, coligação do Partido Comunista, que é o meu – que é o que eu sou! – há quase meio século, com o Partido Ecologista Os Verdes, com os representantes da Intervenção Democrática e independentes
Porque é esta lista que Luísa Mesquita encabeça depois de ter sido, em mandatos sucessivos a deputada de Santarém, a deputada da Educação;
porque é uma lista em que há 5 candidatos na casa dos 20 anos e 3 na casa dos 30, não para “encher” ou para a estatística, pois a 2ª tem 24 anos e o 3º tem 27 anos;
porque é uma lista que, sem alaridos nem artifícios de quotas, tem 5 mulheres, das quais 2 ocupam os dois primeiros lugares;
porque é uma lista que procura cobrir todo o distrito onde os eleitores vão escolher os seus representantes para o parlamento nacional e não o 1º ministro.
Porque é do meu distrito.
No distrito de Santarém, a CDU apresenta uma lista de gente de cá, que encontramos nas ruas das nossas terras, com quem falamos sobre os nossos problemas – que deles também são –, com quem convivemos e, por isso, estão em condições de nos representar, dentro do espírito constitucional (de 1976!): eleger pelos distritos os que, no parlamento nacional, representarão o povo deste País.
Como mandatário, além da honra que quero dizer que tenho, quero também saudar os meus “companheiros de lista” e todo o povo do distrito de Santarém.
Portugal é o país da União Europeia com maior défice em termos de aderência à Agenda 21, lê-se hoje no Público.
Como não encontro na página da Câmara qualquer referência a esta iniciativa, depreendo que se encontra entre as que não estão interessadas na mesma.
Esperava ontem pelo debate entre Louçã e PSL quando tive a notícia que este tinha adiado todos os debates.
A justificação utilizada foi a viabilização da marcação do debate com Sócrates, mas na minha modesta opinião trata-se pura e simplesmente de uma birra de menino por aquele o ter relegado para uma espécie de divisão de honra onde possivelmente levaria duas sovas monumentais.
Santana não teve estômago para enfrentar os seus adversários e continuou com o estafado argumento de que Sócrates receava o debate que é usado e abusado pelo pessoal laranja.
Eu julgo que Sócrates terá todas as razões para recusar debates, mas o receio de se sujeitar aos mesmos não será uma delas. Está mais que provado. Comparando-o com PSL, ele vende tão bem ou melhor a banha da cobra. O seu discurso é rápido e acutilante.
Mas há uma pequena diferença...
PSL parte para o debate como uma virgem tonta, pelo prazer do momento. Ele fala do que não sabe, ele não sabe do que fala, mas tem verborreia que nunca mais acaba. Sócrates é muito mais racional. Por vezes, contrariando tendência que já lhe apontámos para disparar um número, apoia-se em pessoas da ciência, em investigadores, em técnicos que conhecem relativamente bem os problemas. As suas soluções podem não ser as melhores mas são pensadas e, na minha humilde perspectiva, muitas vezes padecem de uma excessiva complexização herdada de cérebros que em tudo encontram factores para a discriminação... que depois a realidade não consegue acompanhar.
Por isso que ninguém pense que Sócrates receia o debate. Ele esteve a preparar-se e tomou uma atitude arrogante ao despejar os seus adversários na divisão de honra.
Mas essa atitude não é nada que os laranjas não mereçam, tanto nos habituaram a ela nestes três anos e em outros momentos que dominaram.
Aliás, tanto nos continuam a habituar em Ourém.
segunda-feira, janeiro 24, 2005
Afinal o desenvolvimento de Ourém não parece tão acentuado como Albuquerque apresentava no NO.
Ou estou muito enganado ou pareceu-me ouvir Santana pedir ao eleitorado a maioria absoluta.
Este homem é um pândego.
Mas será que alguém de direita ainda vai votar no PSD no estado em que o Santana o está a deixar?
Não viu toda a gente que os ministros do CDS é que eram os competentes? Porque não dão a oportunidade ao Paulinho e tratam dos problemas internos? Porque não fazem a travessia do deserto em vez de continuarem a estoirar com o país?
Garanto-vos...
... na actual conjuntura, se eu fosse de direita e me repugnasse votar PS, votava CDS/PP.
domingo, janeiro 23, 2005
Seca
E os nossos governos são tão competentes!
Tanto que em mais de um século de conhecimento do problema nunca deixaram de fazer a agricultura depender de factores climatéricos.
O pobre cordeiro parece que diz: vejam lá se se lembram de nós.
Pois é, Eng. Sócrates, olhe para o país real...
Quando o mesmo espaço de valores e ideais é reivindicado por duas ou mais organizações que diferem entre si pela história ou pelos meios para atingir os objectivos, põe-se o problema do voto útil.
O Sérgio chamou-me muito bem a atenção para esse problema num comentário: com a dispersão de votos entre CDU e Bloco, a esquerda consequente está em vias de perder o único deputado no distrito.
No "Ourém e seu Concelho", Paulo Fonseca abordou uma questão algo semelhante. Desta vez, criticou a possibilidade de um amigo ir apoiar nas urnas as ideias de Louçã, sustentando que estaria a contribuir para diminuir a possibilidade de uma maioria absoluta pelo PS.
Eu aceito melhor a posição do Sérgio que a do Paulo. O primeiro teve em conta um problema sério para a sua organização e, na qualidade de responsável, informou sobre as consequências da dispersão. Mas o caso de Paulo é um pouco diferente. É que ele refere que estava entre amigos. Ele que me perdoe, mas entre amigos pode haver amizade, mas não aliciamento.
Por muito que me desagrade o voto dos outros, eu tenho que dizer aos meus amigos "vota, sem medo, em quem entendes que serve melhor os teus ideais ou os interesses do teu país". A utilização do medo para justificar o voto útil fará com que os portadores de novas ideias, novas práticas nunca consigam ultrapassar a barreira dos que já estão estabelecidos. E se a perda de um deputado da esquerda consequente é efectivamente algo que nos deva fazer meditar, a garantia de uma maioria absoluta do PS é só por si uma razão para tentar reforçar o voto à esquerda. Governem, mas calma aí...
Acresce, na refutação aos argumentos do Paulo o facto de que quer o Bloco quer a CDU poderem estar numa situação de fraqueza quanto ao voto exactamente porque muitas pessoas que pensam como o amigo terem actuado como ele pretendia. Isto é, votam útil PS porque os outros não têm hipótese de ganhar. Por isso, o voto útil é uma forma de encobrir as reais aspirações das pessoas.
Assim, votar no Bloco ou votar na CDU é um verdadeiro exercício de liberdade que só honra quem o pratica.
Mais uma promessa à PS...
Não fizeram qualquer análise profunda, mas sabem despejar um número.
O que vai ser público? O que vai ser privado? Que parcerias? Nada.
Porquê menos 75000? Porque não menos 100000 ou mais 20000?
Deste modo, para manterem o saldo e conciliarem as promessas, há que criar 225000 novos empregos. Será que o privado vai arriscar tanto?
sábado, janeiro 22, 2005
Nós não podemos esquecer o estado em que os dois governos de coligação PSD-CDS/PP deixaram o país.
É verdade que o final da governação socialista não abona muito em relação aos mesmos, mas são dois casos radicalmente distintos.
Tudo o que se depreende do discurso laranja encerra ameaças. Aquela história de a despesa pública no PIB passar de 48% para 40% é, possivelmente, declaração de desemprego para muita gente. Ou então é falsa. Estes indivíduos não têm dó nem piedade desde que esteja em causa a acumulação de capital.
Imaginemos o que ele vai dizer: "Como ? Fechem as universidades, fechem os hospitais, fechem as escolas, fechem tudo que não dê lucro. Cortem nos salários, nos reformados, nos desempregados, nos doentes, na função pública. São aos montes, só atrapalham quem trabalha como nós quando produzimos riqueza. E vão ver como os lucros sobem para termos mais automóveis, mais assessores, mais garinas..."
E os oureenses?
Nós não podemos esquecer o que os autarcas laranja fizeram à nossa terra. Tudo destruíram em prol do betão e do lucro fácil. Ourém está irreconhecível.
Alguns ingénuos ainda os criticam por não terem conseguido mais do que 70000 euros do PIDAC.
Meus amigos, estão a fazer grande confusão. Leiam o orçamento para 2005 e as grandes opções. Eles têm milhares e milhares de euros a apontar para obras de destruição e fachada.
Eles gastaram uma fortuna na Praça dos carros para fazer a porcaria que todos vêm.
Não, meus amigos, eles estragam dinheiro. Eles delapidam o património oureense. Por isso, tanto PSL como os autarcas merecem monumental assobiadela dos oureenses.
Não está aqui qualquer tentativa de impedir o PSD de expôr as suas ideias. Eles são livres, felizmente estamos num país livre. O que criticamos são os seus actos, umas vezes incompetentes, outras vezes racionalmente pensados para destruir o nosso património e defender interesses do grande capital.
PSL e seus comparsas estabelecidos na nossa Câmara não prestam. Por isso, há que ajudar a derrotá-los nos próximos actos eleitorais.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Oureenses,
podem dizer-lhe adeus.
Assim o exigem os interesses do Intermarché. Está tudo no texto da Quercus.
Peço desculpa!
Afinal, não houve qualquer estranha nomeação.
PSL não vai fazer acusações em Ourém.
Possivelmente, vai, "com toda a consideração e respeito", insultar o Presidente Sampaio pelo atestado de incompetência que ele lhe passou.
Vai também apoiar a estranha negociata em torno do Intermarché com aprova, desaprova e volta a aprovar.
Vai prometer um teleférico da Fátima ao Castelo.
Vai alargar o área do santuário para o dobro.
Vai...
...
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Oureenses,
ela vem aí. A mais linda entre as revolucionárias...
No próximo dia 6 de Fevereiro, vai haver jantar comício em Alburitel. Que ninguém falte!
Está tudo no Notícias de Ourém.
No Sábado, 22 de Janeiro, o presidente social-democrata participará num Jantar/Comício em Ourém, no Centro de Negócios, pelas 20H30.
A palavra de ordem é: vamos todos ouvir o calhau com gel e aproveitemos para lhe dar monumental assobiadela!
Há diálogos impossíveis, lembro-me eu que se dizia, há muitos anos, a propósito de coisas como esta.
Posto isto, pergunto-me: como é possível um debate entre estas duas pessoas? Limitar-se-ão a afirmações de princípio?
Estou com uma certa curiosidade do que acontecerá pelas 22.15 na Sic Notícias.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
O programa eleitoral do PCP encontra-se aqui e tem ideias muito interessantes.
Para além da defesa do SNS, para além da aposta na educação, para além do desenvolvimento da sociedade da informação, deixa-nos a ideia de aumentar salários para fomentar o consumo, reorganizando o aparelho produtivo.
Eu também me ponho muitas vezes a questão: para quê aumentar tanto as exportações a preços de uva mijona como fazem os nossos empresários naquela cruzada de conquistar o mundo pelo comércio? Se produzirmos para o mercado interno, se nos organizarmos em termos de autosuficiência...
Acho que isto teria sido possível há uns anos.
O pessoal habituou-se a consumos que só uma economia aberta pode satisfazer. Com padrão de consumo dos ricos, aumento de salários é aumento de importações. Como vamos responder a isto?
