quarta-feira, maio 17, 2006

A formosa amazona - 2

Esqueci-me de coomprar o Woody desta semana, por isso, há pouco, voltei ao posto de venda de jornais.
Resolvi atravessar o jardim onde me tinha parecido reencontrar a formosa amazona que nunca mais esqueci. A esta hora não são precisos cuidados especiais, mesmo que encontre algum ser desagradável, tenho com certeza antídoto para ele...
Mas a preocupação era outra...
Por onde andaria ela?
Será aquela na clareira que parece dar descanso à montada?
No jardim, procedia-se à actividade de rega. Cascatas e cascatas de água derramadas por tudo que é sítio. Rega que parecia não deixar um bocadinho de caminho disponível. Tantas vezes que os vi, mesmo em momento de seca, regarem o lixo...
Os pombos esperavam a um canto que aquele dilúvio que nada poupava parasse para começarem a deslocar-se de um lado para o outro. Mais ao lado duas senhoras tentavam distribuir imagens de santos a quem passava. Ao fundo, o imponente edifício da Assembleia.
E recordei: voltou um estranho silêncio. Que andará o nosso primeiro a congeminar?
Mas da formosa amazona nem sinal...
Serviços de informação das autarquias – 10
O mapa do tesouro



Muitos desenhadores de páginas web consideram útil a existência de um mapa geral do sítio.
Isso não aconteceu em Ourém nem em quase 52% dos concelhos do país.
São referência quanto a esta matéria Vila Real com 93% das páginas dos concelhos a ostentarem mapa, Setúbal e Bragança onde as percentagens descem para 85% e 83%, respectivamente.
A Madeira (27%), Coimbra (24%), Évora (21%) e Beja (21%) são os distritos onde é mais raro encontrar esta funcionalidade nas páginas das autarquias.
Navegar, Navegar
Fausto

Navegar navegar
Mas ó minha cana verde
Mergulhar no teu corpo
Entre quatro paredes
Dar-te um beijo e ficar
Ir ao fundo e voltar
Ó minha cana verde
Navegar navegar

Quem conquista sempre rouba
Quem cobiça nunca dá
Quem oprime tiraniza
Naufraga mil vezes
Bonita eu sei lá

Já vou de grilhões nos pés
Já vou de algemas nas mãos
De colares ao pescoço
Perdido e achado
Vendido em leilão
Eu já fui a mercadoria
Lá na praça do Mocá
Quase às avé-marias
Nos abismos do mar


navegar navegar...


Já é tempo de partir
Adeus morenas de Goa
Já é tempo de voltar
Tenho saudades tuas
Meu amor
De Lisboa
Antes que chegue a noite
Que vem do cabo do mundo
Tirar vidas à sorte
Do fraco e do forte
Do cimo e do fundo
Trago um jeito bailarino
Que apesar de tudo baila
No meu olhar peregrino
Nos abismos do mar

terça-feira, maio 16, 2006

Serviços de informação das autarquias – 9
Facilidades de extracção



Contrariamente ao que poderia pensar-se, a página da nossa autarquia até cria algumas facilidades de extracção de informação, organizando ficheiros Adobe para alguns relatórios, formulários e outros documentos. É um elemento positivo que registamos.
O valor médio do país estará para os 73% de concelhos, o que é um número muito satisfatório. Os concelhos dos distritos de Bragança, Aveiro, Santarém, Porto e Viseu são os que realizam esta funcionalidade na quase totalidade.
No outro extremo, Beja queda-se por uns modestíssimos 21% obrigando o alentejanito a ir buscar o papel à Câmara sempre que precisa dele...

Nota: o facto de registar com agrado a presença desta funcionalidade na nossa página não significa que esteja muito satisfeito com o modo como a disponibilização é feita o que será retomado mais à frente. Por exemplo, os documentos de prestação de contas apenas são disponibilizados por períodos curtos. Neste momento tenho acesso ao Relatório de gestão, daqui a dois ou três meses posso não ter, tal como já não tenho ao Orçamento.
A arte do OUREM



Apreciem agora este magnífico exemplar da arte do OUREM que consiste mais ou menos em pegar numa tela original e dar-lhe uns retoques com o microsoft photo editor.
O cavaleiro parece estar com receio de voltar à sua terra:
- Que mais andarão eles a destruir? - interroga-se.
As últimos informações não foram de molde a deixá-lo descansado.
A verdade é que já não tem muitas razões para se preocupar.
A nau Catarineta tem conduzido Ourém para um porto bem lamentável. Mas as pessoas não querem ver e, quando acordarem, será irremediável...
Serviços de informação das autarquias - 8
A pesquisa na Página



Contrariando a tendência manifestada por todo o país e no próprio distrito, a página da nossa autarquia não tem qualquer facilidade de pesquisa.
A sua existência permitiria ao utilizador procurar os locais nessa página onde fosse tratado determinado tema que não estivesse imediatamente visível na página presente. Lisboa, Aveiro, Porto, Braga e Santarém são a referência quanto a esta funcionalidade. Em qualquer desses distritos, mais de 70% dos concelhos têm serviço de pesquisa na página.
A simplicidade da nossa página não o torna necessário, dir-se-á. É verdade, mas esperemos que, em futura revisão, eventualmente com uma organização mais complexa, tal funcionalidade não seja esquecida.

ps: serviço de pesquisa no blog? Já sabem, em casa de ferreiro, espeto de pau... contentem-se com o índice que já custa bem a fazer...

segunda-feira, maio 15, 2006

Serviços de informação das autarquias - 7
Navegar, navegar... em ducentésimo quadragésimo quarto...



Sem certificado digital, mapa geral do sítio, indicação de localização, serviço de pesquisa, serviço de ajuda, com uma utilização relativamente simples e com facilidades de extracção de ficheiros, o sítio da nossa autarquia queda-se por um modesto posicionamento com um score de 33% nas funcionalidades procuradas idêntico ao 219º e ao 258º, no ranking das páginas dos concelhos em termos de Navegação. Há alguns um bocadito pior, mas muitos deles nem página têm.
É verdade que o certificado digital nada vale a sítios em que não há interactividade com o munícipe, mas é um passo seguro para o mesmo e, por isso, passaremos a considerá-lo nos resultados definitivos.
O gráfico que ilustra este post refere-se à situação nacional que evidencia a fragilidade da posição da nossa terra.
Ao longo da semana apresentaremos indicadores mais detalhados das funcionalidades da navegação a nível nacional, comparando-as com a situação local.

Tem aqui acesso a uma listagem do ranking provisório estabelecido pelos alunos do ISEG

domingo, maio 14, 2006

Navegar é preciso



Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Nau catrineta

Lá vem a nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide, agora, senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.

Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija
Que a não puderam tragar.

Deitaram sorte à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.

-- Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal.

"Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar".

-- Acima, acima gajeiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal
"Avíçaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terra de Espanha,
Areias de Portugal.

Mais enxergo três meninas
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar".

--Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.
"A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar".

-- Dar-te-ei tanto dinheiro,
Que o não possas contar.
"Não quero o vosso dinheiro,
pois vos custou a ganhar!

-- Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.
"Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar".

--Dar-te-ei a nau Catrineta
Para nela navegar.
"Não quero a nau Catrineta
Que a não sei governar".

-- Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíçaras te hei-de dar?
"Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar".

-- Renego de ti, demônio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus,
O corpo dou eu ao mar.

Tomou-o um anjo nos braços,
Não o deixou afogar.

Deu um estouro o demônio,
Acalmaram vento e mar;

E à noite a nau Catrineta
Estava em terra a varar.



Nota: O Romanceiro Português é um conjunto de romances tradicionais populares. Sem autor conhecido nem texto fixo, os romances são transmitidos por via oral, o que origina um grande número de variantes. A sua origem está ligada aos cantares de gesta.
Maria Augusta Seabra Dinizin As Fadas não foram à Escola, Lisboa, Edições Asa, 1994.

A Nau Catrineta foi uma das recolhas efectuadas por Almeida Garrett, entre 1830 e 1851 e que juntamente com outra poesias de tradição popular deram origem aos três volumes do Romanceiro.



Severo Portela

Oiça Fausto em "Nau Catrineta"

sexta-feira, maio 12, 2006

A amazona



Há dias passava ao lado de um jardim aqui perto e pareceu-me ver lá esta formosa amazona. Ela estava lá em baixo como que esperando, olhando aquela estátua com o homem a mulher e a criança. Via-se que estava nervosa, andando de um lado para o outro, não se apercebendo dos perigos que alguma má frequência do jardim lhe podia trazer.



Ele aproximou-se por um caminho estreito bem desenhado no interior do jardim. Fingia-se descontraído de casaco às costas. Foi-se aproximando. Ela viu-o, sorriu. Cumprimentaram-se. Via-se que não estavam à vontade, que parecia não se encontrarem há muito tempo, mas que, apesar de tudo se conheciam. Falaram um pouco, notava-se a sua comoção, o seu tremer, depois caminharam, subiram uma pequena rampa e seguiram juntos evidenciando já mais calma.
Não sei bem porquê, passei a ter mais uma referência naquele jardim perto do qual passo há uns quarenta anos, mas que nunca me influenciou significativamente. Será que a formoza amazona ali voltará?

Acompanhe a sua visita ao OUREM com Marwa Blues de George Harrison

quinta-feira, maio 11, 2006

Ir até ao fim...

Por mais que isso pese, vamos procurar mostrar como é que as diferentes funcionalidades procuradas se nos apresentaram e situar Ourém no conjunto do país.
Abandonemos o George por um ou dois dias e procuremos uma música para dar força...

Oiça Carry that weight - Beatles
Serviços de informação das autarquias - 6
Email a fingir

Cientes que muitos autarcas ainda não olham o dever de prestar informação como responsabilidade sua, decidimos enviar aos mesmos um conjunto de perguntas relacionadas com o seu Município e os seus serviços e avaliar a partir da resposta ou da sua ausência a predisposição para as mesmas.
Os resultados não poderiam ser mais reveladores.
A esmagadora maioria dos autarcas do nosso país (92,5%) não responde a quem se lhes dirige, mostrando assim toda a arrogância que o cargo que ocupa lhe transmite.
Os resultados podem ser vistos a nível de distrito no gráfico seguinte.



A título de curiosidade, deixo aqui aos amigos do Ourem, informação sobre aqueles a quem vale a pena perguntar alguma coisa, pois a sua predisposição é para a resposta:
Alcochete
Aljustrel
Alvito
Baião
Cantanhede
Coimbra
Lagos
Leiria
Loures
Lousã
Marco de Canaveses
Mira
Miranda do Corvo
Monção
Montijo
Moura
Pombal
Portalegre
Porto de Mós
Santa Marta de Penaguião
Santarém
Valongo
Vila Franca do Campo

quarta-feira, maio 10, 2006

Cuidado com a escuridão

Em Março do ano corrente, um aluno do ISEG dirigiu-se por email ao nosso venerado presidente pedindo-lhe alguma informação sobre os processos e as contas da autarquia. Fê-lo enquadrado pela escola onde estudava e na convicção de que os autarcas seriam em geral seres disponíveis para apoiar os mais novos já que os resultados da avaliação dependiam deste trabalho. O que pretendia era muito simples, apenas uma resposta a estas perguntas:
1 - Existe e está em funcionamento algum Sistema de Gestão Documental integrado com um sistema de workflow?
2 - Existe e está em funcionamento algum sistema de apoio à decisão para melhorar significativamente a eficiência de trabalho dos decisores?
3 - Qual a percentagem de processos de aquisição suportados por meios electrónicos?
4 - Qual a percentagem de disponibilização em formato digital de conteúdos produzidos pelos serviços da autarquia?
5 - Qual a percentagem de directores, técnicos e administrativos que nos últimos três anos foram sujeitos a desenvolvimento de competências na área de Sistemas de Informação?
6 – Qual o montante de gastos no último ano em Hardware?
7 – Qual o montante de gastos no último ano em Software?
8 – Qual o montante de gastos em Documentos de Informação ao Munícipe (boletim...)?
9 – Qual o montante dos gastos totais do Município?
10 – Qual o total de efectivos em recursos humanos?
11 - Qual o total de efectivos em desenvolvimento e manutenção de software?
12 – Qual o total de efectivos em assistência hardware, redes,...?
13 – Qual o total de efectivos dedicados à produção de informação (boletim...)?
O argumento "isso dá muito trabalho a apurar" não me parece aceitável. Qualquer autarca tem esta resposta na ponta da língua. Por isso, perante o total silêncio do nosso presidente, só podemos acreditar que ele não quis responder. E não quis responder para que outros não tivessem conhecimento do que se passa pelo Município.
Não é caso único infelizmente.
Para os alunos da escola este é um dos péssimos exemplos que ficou amplamente documentado, uma imagem do mundo real que vão defrontar e que, por todo o lado, lhes semeia obstáculos, boicotando-lhes os projectos. Mas, ao mesmo tempo, uma imagem que pode ser medida e caracterizada e, como tal, ultrapassada. É isso que vos trarei amanhã...

A grande desilusão

Um dia, junto ao tanque das banhocas da trupe, o pai do Rui fez-me a sacramental pergunta frente aos outros:
- Então, Luís, e vai estudar para ser o quê?
Eu sabia lá, embevecido que andava com estórias de cowboys. Nenhuma profissão daquela gente de fatos cinzentos ou das de fato macaco me seduzia. Imaginava-me cavaleiro solitário de viola na mão ou como pistoleiro em cidade selvagem para a qual traria a ordem ou galanteador perante aquelas fabulosas meninas que se cruzavam no caminho do Cisco ou de outro dos nosso heróis.
Mas que havia de responder? Eu sempre abusei da sinceridade em momentos críticos como este.
- Eu quero ir para a América para ser cow-boy.
Ficaram de boca aberta.
- Mas já não há cow-boys hoje...
- Não há. Mas eu vejo-os nos livros e no cinema.
- Mas o que lá vê passou-se há quase cem anos ou mais. Agora o mais que lá encontrará serão alguns ranchos e o tratamento de gado...
Fiquei de todo. Lá se foram os meus sonhos... como era possível todas as ilusões irem por água abaixo de um momento para o outro.
Nessa noite, passaram pela minha frente todas essas figuram que tanto me diziam...
Beware of Darkness

É este o título da canção do nosso amigo George que nos tem vindo a acompanhar esta semana. Através do PUTFILE, ouvimos uma versão pela Banda do George (Clapton, Lynne, e companhia) tocada no concerto de homenagem póstuma e o original gravado pelo George em 1970.
É outra das canções que normalmente me comove talvez pelo seu tom deprimente bem claro na voz do George e pela sua utilização no concerto de homenagem.
Separados os Beatles, ninguém acreditava que musicalmente alguém resistisse para além de Lennon e McCartney. O George tinha contribuído com três exitos para a monumental lista do conjunto e com algumas músicas que não passaram da vulgaridade. Esses êxitos situaram-se na parte final da produção da banda (Abbey Road, uma espécie de fabulosa manta de retalhos e no álbum branco).
Afinal, terminado o grupo, a produção do George surgiu como se antes existisse uma rolha a estorvá-la. Ela jorrou, logo em 1970, com um álbum triplo e canções notáveis como “Beware of darkness”, “isn’t it a pitty”, “all things must pass” e a polémica “my sweet lord” (o George foi acusado de plágeo, mas respondeu logo de seguida com outras canções que mostravam que não precisava disso para nada).
Comparando a sua produção posterior com a dos seus antigos companheiros, vê-se que ela é bem mais rica melódica e instrumentalmente e, o que é curioso, que o som anterior dos Beatles era mais parecido com o seu isoladamente do que com o de Lennon e McCartney. Daqui a minha suspeita de que as canções que constituiram aquele álbum de 27 canções number 1 (e eu era capaz de criar outro álbum dos Beatles com 27 canções not number 1 tão engraçadas ou melhores que as aí publicadas...) só terão tido aquele êxito retumbante devido ao empenhamento musical do George nas mesmas.
A minha interpretação é que, estabelecido o grupo, a tirania e a sobranceria da dupla impedia que as qualidades do George como criador viessem ao de cima.
Foi pena e mais pena foi a separação. Eu imagino o que os quatro poderiam ter feito daquele lote de magníficas canções que produziram após esse momento se tivessem colaborado para elas juntos...
Mas, voltando à nossa canção, ela alerta-nos contra a escuridão, a obscuridade.
Alerta muito importante, nesse tempo e, mesmo, agora. Alerta muito importante em Ourém e em qualquer outro espaço do nosso país, onde os poderosos não querem que nós conheçamos o pormenor do que fazem com o dinheiro do povo para continuarem a poder alimentar os seus bolsos propagando a crise para os mais fracos. Na nossa sociedade, o fosso vai-se alargando, o que significa que, para alguns, apesar do empobrecimento progressivo das pessoas, o enriquecimento é a palavra de ordem...

Oiça o George no Beware of Darkness

terça-feira, maio 09, 2006

Outros terão
Um lar, quem saiba, amor...

Outros terão
Um lar, quem saiba, amor, paz, um amigo.
A inteira, negra e fria solidão
Está comigo.

A outros talvez
Há alguma coisa quente, igual, afim
No mundo real. Não chega nunca a vez
Para mim.

"Que importa?"
Digo, mas só Deus sabe que o não creio.
Nem um casual mendigo à minha porta
Sentar-se veio.

"Quem tem de ser?"
Não sofre menos quem o reconhece.
Sofre quem finge desprezar sofrer
Pois não esquece.

Isto até quando?
Só tenho por consolação
Que os olhos se me vão acostumando
À escuridão.
Serviços de informação das autarquias - 5
E vai uma Caixa de Bigodes?



É uma representação muito sugestiva.
Mostra a quase presença da totalidade dos concelhos na INternet.
Mostra que é o critério Navegação aquele que mais tem motivado os que concebem as páginas.
Apesar de tudo, todos os critérios têm concelhos com funcionalidades não presentes.
A Abertura é o verdadeiro calcanhar de Aquiles. Porto, Nelas, Setúbal e Odivelas (e mais uns tantos que o gráfico não apresenta para não ficar pesado) estão a puxar, mas a inércia, o comodismo, o receio que se saiba são muito fortes.
Serviços de informação das autarquias – 4
E como ler o diabo dos números?


Despejei aquele quadro e nada de dizer como chegar ao seu significado. Vamos lá...
As funcionalidade foram recolhidas em termos de ausência (0) ou presença (1). Em casos especiais, admitiu-se que poderiam assumir um valor no intervalo 0-1, representando o seu grau de consumação. Depois, houve agregações para o nível critério, o nível país e o nível distrito. Assim muitos valores apresentados são médias simples ou então frequências relativas.
Por exemplo, vejam a coluna sobre Presença na Internet. O seu significado refere-se à percentagem de concelhos que, em determinado distrito, têm página activa. Assim, podemos concluir que, nos Açores 84% dos concelhos têm página, que esse número em Aveiro é de 95%, etc. Neste critério, passou-se um facto interessante: alguns concelhos agora considerados sem página já a tiveram, mas apagaram toda a sua informação deixando a mensagem “em manutenção”. Não percebemos esta opção: a informação que lá estava era com certeza útil e a manutenção costuma fazer-se em área diferente daquela que é a disponibilizada não interagindo com a mesma e, portanto, não a impedindo.
Quanto aos outros critérios, que agregam muitas funcionalidades, a sua imagem é de uma média de concelhos no distrito. Por exemplo, em termos de Abertura, podemos dizer que, em média, os concelhos de Açores têm apenas 7% das funcionalidades activas. No mesmo critério, o concelho médio de Santarém terá 15%, bem superior ao valor de Ourém (8% como se recordam). Sendo um valor médio, poderá haver concelhos com valor superior ou inferior.
Um valor para o nível país é então um valor do concelho médio...
Num dos próximos dias, vamos então mostrar porque é que o presidente David “não quer que se saiba”. Não perca o próximo número...

segunda-feira, maio 08, 2006

Serviços de informação das autarquias - 3
Os distritos e regiões autónomas por critério


Para os que preferem ver números em vez de figuras, aqui ficam os que originaram o último gráfico do post de ontem. De qualquer modo, não esqueçam que estes números ainda são provisórios.

domingo, maio 07, 2006

Serviços de informação das autarquias – 2
Critérios de análise

Mas continuemos a nossa estória acerca dos serviços de informação da nossa autarquia.
Organizámos as funcionalidades (recolhidas sob a forma presença - 1, ausência - 0) em termos de critérios: informação ao munícipe, informação sobre o concelho, informação sobre os eleitos, abertura, navegação e presença na Internet.
A Informação ao munícipe tem a ver com aquelas funcionalidades, como, por exemplo, a disponibilização do PDM, de formulários, de informação sobre concursos abertos, as publicações da Câmara, que podem vir a ter utilidade para os que habitam no concelho ou que querem actuar no mesmo.
A Informação sobre o concelho é mais virada para pessoas externas ao concelho: aquelas que o procuram por causa da sua história, da sua gastronomia, por qualquer facto ou característica relevante.
A Informação sobre os eleitos é o que diz: quem são, que organizações representam, qual o seu currículo...
No critério Navegação reunimos um conjunto de funcionalidades que têm a ver com as características do sítio em termos de presença na Internet: é fácil de utilizar? Tem serviço de pesquisa? Tem facilidades de extracção de ficheiros? Há um mapa do sítio? Apresenta certificado digital?
A Abertura respeita àquele conjunto de funcionalidades que implicam uma reacção sistemática, transparente pelos responsáveis da autarquia: será que respondem aos emails? É possível apresentar questões AM e seguir o seu tratamento? É possível a encomenda de publicações ou o acesso ao catálogo da biblioteca municipal?
Finalmente, a Presença na Internet, tem a ver com a ausência ou presença de uma Câmara na Internet através de página.
A figura seguinte representa graficamente a avaliação que foi feita para a página da nossa Câmara. O critério mais fraco é designado por Abertura: a Câmara não criou condições para o interface com os seus munícipes e não reage aos emails, como iremos ver. Apenas 8% das funcionalidades da Abertura ali se encontram. A navegação também não é famosa dada as ausências de serviço de pesquisa, de ajudas e de mapa do sítio. Já os três critérios de informação estão um pouco acima dos 50%



Se pretendermos comparar com o que se passa no país, podemos fazê-lo utilizando a figura seguinte, na qual se vê que a Abertura, apesar de não ser famosa é bem melhor do que em Ourém (16%) e que os critérios de informação são um pouco mais pobres que no nosso concelho. A presença na Internet mostra claramente que, existem alguns distritos onde a mesma ainda não está a 100%. Repare-se que, apesar de tudo, a configuração da figura tem algumas semelhanças com a relativa à nossa terra



A figura seguinte, mostra a diferenciação a nível de distritos


Cuidado com a escuridão

Julgo que não tem qualquer vantagem pelo menos para os que a sentem. Isto é, não se vê nada lá para dentro. Eventualmente, poderá trazer vantagens a quem, por causa dela, não é visto.
A escuridão é, assim, lugar de mil factos e perigos que pode ser utilizada em proveito próprio...
Há por aí muitos adeptos da escuridão... para os outros: por exemplo, o venerado presidente, o tal que diz que tudo demora a apurar, que não conhece o que se lhe pergunta, para assim se furtar a divulgá-lo...

sábado, maio 06, 2006

OUREM PlayList

É fartar, vilanagem, mas não esqueçam que, por vezes, o PUTFILE faz as suas partidas (apaga os mp3, muda-lhes o nome, deita-se para o chão, enfim, nem sei como lhe chamar...)

Adriano Correia de Oliveira: Cantar da Emigração
Adriano Correia de Oliveira: Trova do Vento que Passa
Banda do George: Beware of darkness
Banda do George: Something
Beatles: While my Guitar (versão demo do George)
Duo Dinamico: El final del Verano
Duo Dinamico: Perdoname
Honeybus: I cant let maggy go
Joe Brown: I'll see you in my dreams
Johnny Halliday: Le Penitencier
Johnny Halliday: Johnny lui dit adieu
Les chats sauvages: Derniers baisers
Les chats sauvages: Oh Lady
Luis Cilia: Má Reputacão
Luís Cília: O romance do Lulu do INtendente
Patricia Carli: Demain tu te marries
Richard Anthonny: Le ciel est si beau ce soir
Rolling Stones: If you need me
Rolling Stones: Tell me you are comming back
Searchers: All my sorrows
Searchers: Dont throw your love away
Searchers: Farmer John
Searchers: Needles and Pins
Searchers: Sweets for my sweet
Searchers: What have they done to the rain
Sheiks: Lonely lost and sad
Simon and Garfunkel: Sounds of Silence
Spriguns: Letter to a lady
Tino Flores: Meu amigo está preso
Tubaroes: Destino de crioula
Tubaroes: Manu
Tubaroes: Mar piscina de nhas lagrimas
Vitorino: Alentejo, és nossa terra
Vitorino: O MAltes
Zeca Afonso: Cantares de Andarilho
Zeca Afonso: Cantigas de Maio
Zeca Afonso: Canto Moco
Zeca Afonso: Coro da Primavera
Zeca Afonso: TRaz outro amigo tambem
Zeca Afonso: Vejam bem
Zeca Afonso:Grandola vila morena

sexta-feira, maio 05, 2006

Os serviços de informação da nossa autarquia

Não apresentam 50% das funcionalidades procuradas, quedando-se por uns singelos 43%. Mas há as que estão bem pior, dirá o venerado presidente e sempre podemos continuar à espera do sebastiânico Leiria Digital e das nuvens que a sua chegada garantirá. A imagem seguinte é o retrato nacional com detalhe a nível de concelhos...
Os de cima são os mais pobrezinhos, Ourém está quase ao meio, lá bem ao fundo temos Pombal, Portalegre, Porto e Nelas (um caso em que eu não confio muito...)

E adivinhem...



... onde é que estes três marotos amanhã vão estar. Há oureanos com muita sorte. Outros têm que continuar a aguentar o barco por estas terras longínquas, imaginando o que por lá se passa.
Como é que o da casa amarela ainda não se lembrou de fechar isso?
Com passo de espera...

Já faltam poucos dias para terminarem as aulas deste semestre.
Foi algo muito diferente. Pela primeira vez, leccionei uma disciplina claramente da área de Economia e, numa outra, na área de sistemas de informação, iniciei uma experiência de recolha e análise de informação muito interessante.
Eu já tinha ameaçado há cerca de um ano. Durante algum tempo estive hesitante, porque trabalhos nesta área tinham-se multiplicado, mas o facto de poder sujeitar os alunos a uma daquelas análises como se costuma fazer no mundo real (não vejam aqui qualquer tipo de crítica), decidiu-me. Assim, os meus quase cinquenta alunos de informática e sistemas de informação aplicados andaram estes três meses à volta com os serviços de informação das autarquias, procurando as funcionalidades que os mesmos disponibilizavam, registando-as em base de dados e interrogando as bases de dados para subir ao nível distrito e país na dimensão territorial e ao nível de critério e indicador geral de maturidade na dimensão relativa a características. Aproveitámos também para fazer gráficos, pesquisar árvores e regras, associações, clusters, introduzi-los ao tema de tabelas dinâmicas. Um verdadeiro festival...
O mais interessante disto tudo é que Ourém está ali, no meio daqueles dados, escondida entre concelhos e funcionalidades. Claro que os resultados ainda são provisórios. Há muito chico esperto que, em vez de fazer o trabalho, prefere preencher os dados ao acaso, gerando monumental necessidade de validações e verificações. Mas algumas coisas podem desde já ser concluídas. E muitas delas não abonam em relação ao que se passa em Ourém. Digamos que a nossa autarquia tem uma certa tendência para se refugiar na gigantesca nuvem da mediocridade. Claro que isso não acontece em todas as cinquenta e tal funcionalidades que procurámos nos sítios de todo o país, mas acontece em algumas muito importantes.
Nas próximas semanas, antecipando uma publicação com um horizonte mais vasto que se antevê lá para Setembro, intercalando com a música doce do Harrison e com alguma estória, iremos vendo alguns dos tópicos que daqui decorrem...

quinta-feira, maio 04, 2006

Musa inspiradora

E onde andará a musa inspiradora que há tantos dias não me visita?
Em tempos, deixou-me à espera dias sem fim. Mesmo assim ainda produzi uns textos que conservo.
Depois, largou-me quase por quarenta anos.
Um dia voltou. Garantiu que não me deixaria, que estaria aqui comigo contemplando o Tejo, recordando tempos idos...
Mas foram esperanças vãs...
Cortai as ervas daninhas

Que empecilho são à nossa terra...
Mas como pode tão humilde espaço fazê-lo se nem por breves minutos elas desaparecem e escudadas estão em significativo apoio popular e em domínio quase monopolista de todos os meios de expressão local?
Olha que incomodado ele vai por lhe terem dito das boas...
Confesso que também não tenho uma casaca para a vida política e outro para a vida social, em mim tudo se confunde e a separação de águas é-me claramente impossível. As pessoas são o que são e, por isso, assim são politicamente. Empecilhos. Piores do que isso. Empecilhos destruidores da nossa terra ao serviço da causa do negócio... até Fátima já se vê como “marca” para aumentar o negócio (são eles que o dizem)... onde andará o do cajado que os expulsou para fora do templo?
Enjoo de blog

É verdade que há muito não estava sem actualizar o blog tantos dias. Mas confesso o meu cansaço. E, contrariamente ao que dizem os amigos Nyo e Duarte, a crise não passou. Ela anda por aqui em todas as dimensões da nossa vida, inclusivamente esta que, sendo um reflexo da vida material, mas integrando-se muitas vezes nela com efeitos pertinentes, agora parece não conseguir gerar a necessária superação.
No passado, houve muitas tábuas de salvação: os escritos de há trinta e tal anos, a destruição de Ourém, os processos eleitorais, a governação de Santana, as cowboiadas, as canções da nossa época. Agora, carago, está mesmo difícil. Não há ponta de inspiração que não passe pela repetição. Um verdadeiro enjoo...

domingo, abril 30, 2006

Compasso de espera

É o que se faz quando se não pretende acabar, mas não há material disponível para continuar. Enfim, a crise é cada vez mais visível...

sexta-feira, abril 28, 2006

O código David

Destruir, destruir, destruir...
Deixar degradar e destruir...
Entregar aos agentes do negócio...

Este é o retrato da miserável política da cambada de urbicidas que tem gerido a autarquia.
Até dá para elaborar um mosaico. E garanto que faltam ali algumas peças entre as que já foram e as que estão programadas.
A legenda fica a vosso cargo.

quinta-feira, abril 27, 2006

O código Picasso

Na lateral direita superior (visão do observador) destaca-se a figura de um homem com os braços levantados, boca aberta e pescoço muito comprido. Essa figura pode simbolizar duas coisas: o homem, que está apavorado, devido aos seus traços torcidos, tenta deter as bombas que são lançadas sobre a cidade. Uma outra hipótese é que essa figura faz analogia a figura principal da obra "Os fuzilamentos" do 03 de maio de 1808 de Goya.


O fato de o quadro de Goya também ser motivado por um ato de brutalidade contra pessoas inocentes reforça essa teoria.

Na lateral direita inferior, pode-se ver a figura de uma mulher que parece sair da escuridão para dentro do cone de luz.

Sua expressão de completo esgotamento, como se carregasse um grande fardo, e seu rosto erguido na direção da luz pode ter uma certa semelhança com as imagens de Jesus Cristo carregando a cruz.

Essa imagem talvez seja uma tentativa de exprimir o sofrimento humano, mas sem simbolizar explicitamente o cristianismo.

No lado direito superior e ao centro, logo ao lado da figura de um homem com os braços levantados, vemos uma figura que parece surgir, suavemente, por debaixo das telhas. Essa figura, com o rosto dominador, e que vem do infinito, olha horrorizada para o cavalo ferido. Repare que ela está boquiaberta, como se não acreditasse no que estivesse vendo.

No centro superior da tela, próximo à cabeça do cavalo, existe um braço, que se parece como uma nuvem. A sua mão disforme segura uma lamparina a óleo, muito comum nas casas de camponeses.
Essa lamparina emana uma luz suave, que talvez represente a luz da consciência

Ao lado da lamparina, sobre a cabeça do cavalo, está uma espécie de lâmpada elétrica. Devido ao seu formato de sol, essa figura pode sugerir o "olho de Deus", que vê tudo vê. Repare ainda que até mesmo essa luz parece "gritar de horror".

Na parte central do quadro, vemos um cavalo em agonia. Repare que ele está caído de joelhos, como se estivesse sentindo as terríveis dores causadas pela lança fincada em seu corpo e por uma enorme ferida ainda aberta.
A cabeça do cavalo está voltada para o touro. Da boca do cavalo parece sair um rugido feroz, um misto de ira e dor. Repare que esse "urro" parece estar direcionado para a figura do touro, ao lado.
O cavalo pode representar a angústia do povo espanhol. No entanto, essa figura é ambígua, pois segundo alguns críticos de arte, o cavalo, devido aos traços rígidos, que beiram o patético, representam o general Franco.
No lado esquerdo da tela encontra-se o touro. Essa é também é uma figura ambígua, pois nele pode estar representada a resistência do povo espanhol. No entanto, o touro, que representa brutalidade, pode simbolizar o general Franco.

Repare que o touro está parado, abanando a cauda, como se, "após um ataque bem-sucedido", recuasse para ver os "estragos feitos no adversário" e se preparasse para o próximo ataque. A presença do touro deve-se também ao fascínio que Picasso sempre teve por touradas, esporte nacional, que aparece freqüentemente em suas obras.
Uma vez questionado sobre a ambigüidade existente entre as figuras do touro e do cavalo Picasso disse: "Este touro é um touro, este cavalo um cavalo (...). É preciso que o público, os espectadores, vejam no cavalo, no touro, símbolos que eles devem interpretar como os compreendem". (extraído da obra Mundo; Homem; Arte em Crise de Mário Pedrosa)
Dentre tantas figuras complexas existentes em "Guernica", a mãe, que carrega uma criança morta nos braços, talvez seja a de mais fácil interpretação.

Nessa imagem percebe-se claramente a dor que sente uma mãe quando perde um filho. Não só essa mãe, ou só as mães da cidade de Guernica, mas sim todas as mães do mundo, ou seja, essa dor é a mesma dor que tiveram as mães americanas e vietnamitas quando perderam seus filhos na guerra do Vietnã.
Janeiro, ao verem seus filhos brutalmente assassinados. É também a dor das mães que viram seus filhos serem covardemente assassinados no atentado do World Trade Center em Nova York.

Voltando a Guernica, o grito da mãe é representado por sua língua pontiaguda, que nos faz lembrar um estilhaço de vidro ou, até mesmo, um punhal. Vale lembrar que "cacos" semelhantes aparecem em outras partes do quadro.
A figura da mãe ainda ajuda a aumentar um pouco a discussão sobre o que pode simbolizar o touro e o cavalo.
Repare que a mãe está quase que envolvida pelo touro e seu grito parece ir praticamente em sua direção. Sob a ótica de que o touro simbolize o povo, a figura da mãe procura a proteção do povo e "grita" para compartilhar a sua dor com ele.

No entanto, sob ótica de que o touro o General Franco, pode-se dizer que a mãe procura fugir, já com seu filho morto, do meio de toda aquela brutalidade, pois ela parece caminhar em direção à porta. No entanto, o touro a impede de concluir seu intento. Essa teoria é reforçada pelo próprio momento histórico: quando os sobreviventes do ataque aéreo tentaram fugir para os arredores da cidade, eles foram alvos das rajadas de metralhadora disparadas pelos caças nazistas. Além disso, a semelhança entre a língua pontiaguda da mãe com a língua, também pontiaguda, do cavalo permite concluir que tanto o cavalo como a mãe "gritam" de forma semelhante, ou seja, ambos são vítimas da brutalidade.


Toda a lateral inferior esquerda do quadro é ocupada por uma figura totalmente mutilada, que pode ser assemelhada uma espécie de guerreiro. Repare que, apesar de ter a cabeça e os braços cortados, o guerreiro está agarrado a uma espada quebrada, simbolizando assim a resistência do povo espanhol. Próxima a sua mão, ainda contraída em torno da espada quebrada, encontra-se uma flor, símbolo da esperança de uma nova era.
A flor, símbolo da esperança, quase que unida à espada, símbolo da resistência, juntas, podem transmitir uma mensagem do tipo: "enquanto houver resistência haverá esperança".


in: Mundo Cultural

quarta-feira, abril 26, 2006

Guernica




A obra Guernica de Pablo Picasso tem como tema o bombardeio à cidade basca de Guernica, no dia 26 de abril de 1937, que culminou com a morte de 1654 pessoas e 889 feridos. Pode-se dizer que a tragédia de Guernica começou em julho de 1936, quando o exército, liderado pelo General Franco, se revoltou contra o governo da II República Espanhola, dando origem à guerra civil espanhola, que terminou em 1º de abril de 1939 com a vitória dos revoltosos. Ainda em julho, mais precisamente na noite do dia 25, Hitler decidiu apoiar o General Franco.
Com a perda de Madrid, os revoltosos necessitavam abalar, de alguma forma, os Republicanos. Para isso, adotaram a estratégia de bombardear, ininterruptamente, um alvo qualquer com bombas de fragmentação e incendiárias. O alvo escolhido, muito provavelmente por Franco, foi à cidade de Guernica. Essa escolha deve-se aos seguintes motivos:

Guernica não tinha população numerosa e nem proteção antiaérea, ou seja, a cidade era um alvo fácil;
A cidade abrigava um velho carvalho (Guernikako arbola). Sob o qual, desde os tempos medievais os monarcas espanhóis juravam respeitar as leis e costumes dos bascos. Destruir a cidade seria uma espécie de castigo a todos os que imaginavam uma Espanha federalista ou descentralizada. Destruir Guernica significava também abalar, moralmente, os adversários.

Em 4 de maio de 1939 a Prefeitura de Guernica, dirigindo-se ao povo espanhol, divulgou o seguinte comunicado:

"Em pé, diante desde microfone, quero contar o que os meus olhos viram no lugar do que já foi Guernica, e tomo Deus como testemunha:
Envergonhados pelo monstruoso crime que cometeram, os rebeldes apelam para a falsidade para camuflar, para negar a mais vil das proezas da História, a total e absoluta destruição da cidade de Guernica.
Aquele dia fatal, 26 de abril, era dia de mercado e a cidade estava cheia de gente. Em Guernica havia milhares de camponeses de toda a vizinhança, numa atmosfera de camaradagem basca, e ninguém suspeitava de que uma tragédia se aproximava.
Pouco depois das quatro da tarde, aviões jogaram nove bombas no centro da cidade. Procurávamos os feridos, quando mais aviões surgiram, jogando todo tipo de bombas, incendiárias e explosivas.
As feras que pilotavam tais aviões, logo que avistavam nas ruas ou fora da cidade uma figura humana, focalizavam nela suas metralhadoras, semeando terror e morte, entre mulheres, crianças e velhos. Tal foi a tragédia de Guernica, cuja verdade, eu, prefeito da cidade, afirmo diante do mundo inteiro.
A Milícia estacionada em Guernica, naquele dia, era exatamente a mesma que havia confraternizado todos esses meses com o povo de Guernica, ganhando sua afeição. Foi a primeira a prestar auxílio naqueles momentos terríveis. Não foi nossa milícia que ateou fogo a Guernica, e se o juramento de um alcaide cristão e basco tem algum valor, juro diante de Deus e da História que aviões alemães bombardearam cruelmente nossa cidade até riscá-la do mapa."
Guernica foi ferida, mas não morrerá. Da árvore brotarão novas folhas verdes em toda primavera; seus filhos a ela retornarão; suas casas serão reconstruídas, suas igrejas escutarão novamente seus hinos e preces...
Guernica, o símbolo de nossas liberdades nacionais, e o símbolo da ferocidade do fascismo internacional, não pode morrer."
Fonte: História do Século 20, volume 4 - Abril Cultural

terça-feira, abril 25, 2006

Traz outro amigo também

Aqui, pelo OUREM, já passaram o ZéBitor, o Santa Cita e o Sérgio todos unidos neste monumental hino à liberdade que é o 25 de Abril que tem notável particularidade de unir pessoas, mesmo que não estejam totalmente de acordo umas com as outras.
Há trinta e dois anos também foi assim. Por esta altura, a vitória parecia assegurada, os que não acreditaram e abandonaram no momento da decisão começaram a regressar ao quartel onde foram recebidos com alegria dando mais força à unidade contra o regime opressivo.
É altura de ouvirmos nova canção do Zeca...

Traz outro amigo também

25 de Abril

Um dia para recordar sempre

Oiça as canções do Zeca no OUREM: "Grandola, Vila Morena"

segunda-feira, abril 24, 2006

Cantares do andarilho

Já fiz recados às bruxas
do caselho à portelada
dei-lhes a minha inocência
elas não me deram nada.

Andei à giesta
ao lírio maninho
na Bouça da Fresta
no Casal Velido
erva cidreira
à erva veludo
na Lomba regueira
no Pinhal do Mudo.

Andei ó licranço
andei ao lacrau
no Monte do Manso
na Espera do Mau
vibra à carocha
ao corujão cego
na mata da Tocha
no rio Lágedo.

Fui andarilho das bruxas
moço de S. Cipriano
já fui morto e inda vivo
vendi a alma ao Diabo.

Era donzel e guardei-me
p´ras filhas da feiticeira
parti-me em metade à loira
noutra metade à morena.

Oiça as canções do Zeca no Ourem: "Cantares do andarilho"
Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara

Lá no cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá no cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

Oiça as canções do Zeca no OUREM: "Canto Moço"

domingo, abril 23, 2006

Vejam bem

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem se põe a pensar
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de de febre a arder

Anda alguém
pela noite de breu à procura
e não há quem lhe queira valer
e não há quem lhe queira valer

Vejam bem
daquele homem a fraca figura
desbravando os caminhos do pão
desbravando os caminhos do pão

E se houver
uma praça de gente madura
ninguém vem levantá-lo do chão
ninguém vem levantá-lo do chão

Vejam bem
que não há só gaivotas em terra
quando um homem
quando um homem se põe a pensar

Quem lá vem
dorme à noite ao relento na areia
dorme à noite ao relento no mar
dorme à noite ao relento no mar

Oiça as canções do Zeca no OUREM: "Vejam bem"

sábado, abril 22, 2006

TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Oiça Trova do Vento que passa

sexta-feira, abril 21, 2006

Por causa do Ukelele

O Ric Jo, no seu Malibu Cola, tem um artigo muito interessante sobre uma guitarra acústica Havaiana muito pequena de apenas 4 cordas: o Ukelele.
A questão é que esse instrumento traz-me alguns sentimento e recordações (por exemplo, o fabuloso “Cavaquinho” do Júlio Pereira) que não posso deixar calados e, por isso, contrariando o momento, todo virado para a comemoração do 25, vamos criar um pequeno enclave.
Contam os amigos que o nosso velho amigo Harrison, quando viajava, transportava consigo sempre dois Ukeleles, um para ele tocar e outro para alguém que conhecesse e o quisesse acompanhar. Imaginem aqueles passeios...
O Harrison morreu já há alguns anos e, no ano seguinte, alguns dos mais chegados fizeram-lhe um concerto de homenagem, algo muito comovente, algo que me recorda sempre os nossos amigos oureenses já desaparecidos e outros que tanto produziram para nós sem nos conhecer.
É verdade, há trinta e dois anos, estávamos bem mais ricos. Tínhamos perdido o Zé Manel, mas o Luís Nuno e o Félix preparavam-se para dar o contributo para o nascimento do Poço, o Vitor Guerra ainda nos acompanhava, o Jó Rodrigues estudava aquelas estranhas ervas com que pretendia melhorar a nossa saúde (um dia chegámos à loja dele: “Ó Jó, para que é que são estas ervas?”, “Sei lá...”), o Lennon preparava mais albuns (a compilação “shaved fish” com o fabuloso Imagine e o Give peace a chance, e o magnífico “Double Fantasy” que trazia o Woman e a capa mostrava a malvada Beatlecida), o George ainda faria o Cloud Nine, deixaria músicas para o póstumo, ajudaria a regressar os Beatles com a Antologia, dinamizaria os Travelling Wilburys, o Zeca ainda tinha muito para dar (“com as minhas tamanquinhas”, “fura-fura”, “como se fora seu filho”, “enquanto há força”...) e o Adriano cantava e não lhe ficava atrás (“que nunca mais”, “cantigas portuguesas”). Deram-nos muita coisa a partir do 25. Depois, pouco a pouco, deixaram-nos...
Imagino-os lá em cima, naquela confraternização que a sua qualidade de espírito puro, nada sujeito às barreiras que a matéria cria, proporciona. Se calhar atentos ao tributo que foi prestado ao George que os outros também mereceriam naquilo em que se tornaram notados entre nós. Uma das peças desse tributo foi uma nova versão do “Something” que, e aqui está a razão do post, foi introduzida por Ukelele. Ora oiçam...
Claro que, em DVD, ainda é mais interessante, pois mostra-nos algumas particularidades dos intervenientes: do baterista, do Clapton..., dos instrumentos a associarem-se um por um... A mim, bate-me especialmente a transição para a versão convencional. Por tudo isto, sempre que oiço esta canção ela traz-me a recordação dos nossos amigos, destes que vos falei. Tudo isto estava guardado para mais tarde, mas o artigo do Ric Jo levou-ma a antecipá-lo. São danados estes jovens ourenenses...

Paul McCartney - Something (Concert for George) from Samuel Bello on Vimeo.

O NSU Prinz, carrinho do palhete




Tinha chegado das aulas para almoçar e notei que o meu irmão, estranhamente,  habitualmente tão pontual, não estava.

A minha mãe informou-me logo.

- O Abel foi a Lisboa buscar um carro que lhe saiu no sorteio dos Inválidos do Comércio.

- Um carro? Olha a sorte...

- O pai ainda lhe disse para ele trazer o dinheiro, mas ele insistiu e vem com o carro.

O resto do dia foi à espera daquele terceiro prémio que bafejou a nossa gente. Lá para a década de cinquenta uma viagem Ourém – Lisboa demorava o seu tempo, pelo que, só para o final do dia, a bela máquina chegou ao largo de Castela.

Eu imaginava uma carripana enorme e saiu-me uma miniatura quase mais pequenino que os Morris ou os Austin da época. Era um NSU Prinz, um carrinho ao que julgo alemão, cor avermelhada, e com uma chiadeira no trabalhar que fazia lembrar o choro...

Nesse dia, ainda houve tempo para testar o carro pelas estradas à volta de Ourém. O meu irmão encheu-o de amigos (o Zé Penso, o Pereira, o Félix) e lá fomos que aquilo não dava para muito mais.

Todos apreciaram aquela maravilha, mas não estavam muito de acordo:

- Agarra-se bem à estrada – dizia o Zé Penso.

Mas o Pereira tinha notado alguns pontos negativos:

- Não é carro para estas estradas...

Claro, se vocês vissem aquelas rodinhas tão finas a passar pelos buracões daquele tempo também estariam de acordo com o Pereira.

- Eu acho que dá perfeitamente – dizia o Félix – e até podemos visitar as adegas com mais frequência...

- É vermelho e tudo – respondia o Penso – faz lembrar o palhete...

Pois é, meus amigos. A fama de tal carro e a sua associação ao palhete foi de tal ordem que, ao fim de alguns anos, teve de mudar de cor. Mas a verdade é que a sua longevidade foi notável, com mais de quinze anos, ainda se deslocava perfeitamente e nunca deixou o dono apeado. Às vezes, até parecia que conhecia o caminho...


quinta-feira, abril 20, 2006

40000

Está quase...
Confesso que não esperava chegar a este número de acessos.
A ressaca, no final do processo eleitoral de Outubro, foi grande e nada me dizia conseguir recuperar temas que motivassem, ao menos ao nível de acesso, os leitores do blog.
O tratamento de canções da nossa geração deu uma forte ajuda a qual acabou por traduzir-se em mais estórias quando eu já sentia o baú fechado.
Se estou satisfeito pelo número de acessos (que fazer?, nunca consegui aquela mudança qualitativa para os 300 ou 400 por dia), não o posso dizer acerca de outras formas de interacção. O OUREM é um blog isolado, marginal que, excluindo a boa vontade de dois ou três leitores, não consegue gerar comentários. Está aqui, tipo paspalhão, no meio da floresta de blogs.
Confesso que esperava muito mais, não junto dos que não conhecia, mas exactamente, junto daqueles para quem isto é um certo repositório de recordações da nossa terra e que, como tal, são património de todos. Vejo, no fundo, que os conhecia mal ou que mudaram bastante já que, noutros tempos, seria fácil a sua participação numa paródia destas. Mas é óbvio que só eu tenho a culpa de vir para um blog tratar estas coisas e insistir tanto nesta imagem de uma Ourém destruída por gente que não a merece, mas que é quem lá está e quem a faz mexer.
Chegar aos 50000? Não acredito muito, nem sei se me interessa, o encanto passou tal como passa em muitas outras coisas da vida...
... mas, para já, não fecho a porta e vou continuar com uma recordação muito especial, desejando a todos a mesma sorte.
Alentejo, és nossa terra

Este ainda tem a sorte de encontrar uma terra que considera como sua.
Compreende-se, sempre foi lugar de elevada contestação à exploração do trabalhador assalariado e, naquele momento, vivia importantíssimo processo de transformação das relações sociais.
Invejo-os.
Nada tenho que me ajude a dizer: "Ourém, és nossa terra..."
A “nossa terra” é um local que rejeita as coisas que nos prendiam a ela, que as vai destruindo. Não é que não me sinta por lá bem. A recente estadia foi daquelas que queria que nunca mais acabasse, apesar das faltas dos amigos e das coisas materiais que recordo. É uma terra onde se sente a quietude e o afecto dos fantasmas dos que já partiram.
Mas já me falaram em novas ameaças de destruição. Prepara-se a construção de novo mamarracho e mais símbolos da nossa geração vão desaparecer.

Oiça "Alentejo és nossa terra" por Vitorino

quarta-feira, abril 19, 2006

O ausente

Mas a reunião número 13 da vereação da nossa Câmara teve outra passagem interessante. Imagine-se a cena.

Secretária: O ponto seguinte da ordem de trabalhos diz respeito a um Pedido de elementos em formato digital por parte da Associação de Agricultores e Produtores Florestais do Norte do Ribatejo, designadamente
- Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios;
- Planta de Ordenamento das Classes do PDM;
- Relatório Final de limites de áreas ardidas no Concelho;
- Plano Municipal de Ordenamento e Exploração Cinegética.
Levanta-se o Zé Manel Alho: Vou ali fora...
Ordena o Presidente David:
Tome nota que, aquando da discussão e votação do assunto supra referido, este vereador se ausentou.

E indeferiram o pedido por unanimidade.
Não comento o indeferimento. Apesar de não me ser muito clara a razão pela qual os elementos referidos não são disponibilizados livre e gratuitamente, ainda mo é menos esta necessidade de apontar uma ausência no tratamento de um assunto como se a mesma tivesse outros intuitos. Assim, nunca conheceremos a posição do vereador.
O guarda diligente

Muitas das nossas noites eram passadas num café da Buenos Aires que apelidámos de Gordo devido ao volume de um dos proprietários. Daí, destaco as famosas sandes mistas de um conteúdo indescritível feito de queijo, fiambre, pickles, pasta de fígado e outras iguarias.
Bem comidos e bebidos, descíamos o Quelhas, falávamos, caminhávamos aproveitando a bonomia da noite.
O cigarro era uma boa ajuda.
Mas, naquela noite, faltaram-me os fósforos e lembrei-me de os pedir a um polícia de guarda à Emissora Nacional.
- Senhor Guarda, tem lume?
Ele virou-se para nós, apontou a metralhadora e só disse:
- A minha última palavra é dispersar!!!
Aí fomos nós pela Travessa do Pasteleiro. O homem não era para brincadeiras e estava bem ensinado…

terça-feira, abril 18, 2006

Prevê-se aumento da nebulosidade sobre Ourém

É curiosa a definição de hotspot veiculada pela Câmara, na acta número 13 do ano corrente: equipamentos que criam nuvens para acesso à internet. Aliás, calculamos que todos os oureenses fieis leitores deste documento tenham ficado esclarecidos...
Mais interessante é o facto de, na Internet, se encontrarem definições como as seguintes:

PT: É um local público onde o serviço Wi-Fi está disponível para sua utilização. São mais de 700 locais em todo o país, desde hotéis, aeroportos, restaurantes, cafés, estações de correio, centros comerciais, estações de serviço, centros de conferência, entre muitos outros!
In: http://www.ptwifi.pt/wifi_out1.aspx


CLIX: Um Hotspot (também conhecido por Wireless Lan) é um local onde poderá utilizar o seu equipamento portátil para se ligar à Internet de banda larga através da tecnologia Wi-Fi, bastando para tal ter equipamento compatível e dados de acesso.
In: http://wifi.clix.pt/faq_tecnologia.html?resp=2

FL-22-08, o acelera das retas infinitas

Era a matrícula de um dos carros de estimação da nossa juventude. Um magnífico Simca Aronde, cinzento, religiosamente guardado numa garagem sobre as ruínas da qual foram construídas as instalações da EPO e mantido em estado impecável.
O proprietário era o Sr. Ferreira, padrinho do Rui, sempre disponível para nos transportar para Tomar, Leiria, Nazaré e outros passeios.
A sua confiança no bólide era de tal ordem que, quando pronunciava a matrícula, o fazia de forma a ouvir-se claramente “FieL”, vinte e dois, zero oito.
Mas quem o topava bem como condutor era o Vitor Guerra.
- Sr. Ferreira, meta-lhe a quarta...
- Tenha calma, Vítor – respondia ele – deixe-me chegar àquela recta, lá ao fundo...

segunda-feira, abril 17, 2006

O caixote do lixo

Era noite de Santo António lá para 1969/70.
Fomos em grupo para Alfama onde se comeu sardinha, bebeu carrascão e bagaço e conviveu um bom bocado. Alguns aproveitaram para distribuir panfletos de solidariedade com os colegas de Coimbra.
O regresso foi a pé e todos vinham animados.
A certa altura, junto a uma casa surgiu o caixote de lixo. Bem cheio.
Um de nós pegou nele e atirou-o para o meio da estrada onde tudo se derramou. Com tal despropósito que vinha um carro da polícia a passar. Pararam e rodearam-nos imediatamente.
- Por que fizeram aquilo? Identifiquem-se…
A perícia deles era tal que, em poucos segundos, um virou a banda do casaco a um de nós e inspeccionou o que transportava no bolso interior.
- Que é isto? Panfletos de apoio a Coimbra? Acompanhe-me…
Impotentes, vimo-los levar o nosso amigo. De nada valeu a nossa proclamação de inocência, tinham ganho a noite, já podiam apresentar serviço.
Não sabíamos o que fazer, mal conseguimos dormir. Apesar de tudo, no dia seguinte, ele já estava connosco. Teve sorte…

domingo, abril 16, 2006

O Maltês

Este tem olhar de felino, mas possivelmente não toca piano nem fala francês.
E é interessante como uma canção como esta não figura num triplo album de êxitos...

Oiça "O Maltês" por Vitorino
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