sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Um hino para Golden City



A voz quente, pausada, dominadora, por vezes trémula, propositadamente comovedora, de Läss Carina apoderou-se num instante do espaço da assembleia:
Hino das conferências da cidade dos pioneiros

Golden City, terra forte
Onde cheguei, onde vim
Gado ao sol , vento norte
Quero-te comigo ou sem mim

Terra de estórias dos sem lei
Rainha de luz e esplendores
Golden City, aqui passei
Por tantas lutas e amores

Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha

Houveram guerras, sonhos, morte
Batalhas e ilusões
Golden City bela e forte
Tens palácio e aldrabões

Tens desfiladeiros rasgados por cavalgada suprema
São sinais de tantas estórias
Onde o povo que já não ordena
Increveu as suas memórias

Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha

Tens mulheres lindas e belas
Princesas do nosso futuro
O povo cria as suas novelas
Com beijos inscritos no muro

Um muro de amor e vontade
Onde em sangue e tempo novo
Será inscrita a verdade:
Abaixo os que licham o povo!

Todos:
Golden City, destruir, destruir
Golden City, cidade maravilha
Golden City, destruir, destruir
Golden City nas mãos da camarilha

No final, uma lágrima furtiva, traiçoeira apareceu na face de Läss Carina. Alguém esboçou um tímido aplauso. Mas uma voz não deixou as coisas avançarem:
- Quem é que escreveu esta porcaria? - perguntou furibundo Ó Bössta.
Farison não sabia o que havia de dizer.
- Bom, foi um papel que eu encontrei e pensei que se adaptava...
- Pensaste? Mas tu pensas, alimária? Já viste o que está ali escrito? Tu nem sabes ler, certamente. Aliás, eu não acredito que o tenhas encontrado. Diz-me lá quem to deu...
- Foi o Serge Small River...
- Small River... Big Mind - murmurou Would Do.
Mas Ó Bössta não estava contente.
- O agitador. Já estava à espera dessa. Não veio à assembleia, mas esteve presente através da tua pessoa. Por que não me disseste logo? Esse Small River faz-se nosso amigo mas, na primeira oportunidade, tira-nos o tapete. Ele quer correr connosco. Não viste a actuação dele no festival de country no Art Saloon? Aquilo mais parecia uma sessão de propaganda de comunas com mensagens contra a corrupção...
Farison engoliu em seco. Pouco a pouco, a assembleia foi desmobilizando. O final não tinha sido muito feliz para Ó Bössta, mas duas propostas fundamentais tinham sido aprovadas e poderia dar uma lição aos habitantes de Castle Street.

A paz parece estar definitivamente quebrada em Golden City. Ó Bössta prepara-se para correr da cidade pacatos cidadãos cujo único crime foi o de manifestarem-se contra ele. Haverá resistência? E os rancheiros? Nunca tomarão consciência de como foram conduzidos àquela decisão pelo governador?

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Planos sinistros


Recuperado do mau bocado, Ó Bössta reuniu-se com Linda e decidiram realizar uma assembleia extraordinária dos criadores de cabeça de gado já que a ordinária não tinha concluído normalmente e o governador pretendia influenciar nova decisão da mesma.
A assembleia foi convocada com três pontos na ordem de trabalhos:
1. Os acessos ao palácio do governador
2. As feiras de gado de Golden City e
3. O ciclo de conferências da cidade do pioneiro.
No dia da assembleia, para além dos rancheiros, muitos populares resolveram comparecer para assistir.
Linda abriu a sessão e Ó Bössta tomou de imediato a palavra:
- Como sabem, o palácio do governador está concluído. Nele, para me servir, trabalham muitos dos vossos familiares nas mais diversas actividades. Acontece que os acessos ao palácio são francamente maus e um conjunto de barracas que existe nas proximidades retira ao mesmo toda a dignidade que ele merece. A minha proposta é que corramos com os indivíduos que vivem nessas barracas e construamos um acesso decente ao palácio do governador.
Esta entrada de Ó Bössta tinha a sua razão de ser. Ele tinha identificado alguns dos indivíduos que tinham participado na vaia de que fora alvo e sabia que grande parte deles vivia na Castle Street, sendo esta um dos seus principais focos de oposição.
Alguns populares não puderam conter alguns murmúrios de reprovação, mas a assembleia aceitou com agrado e sem oposição significativa a proposta do governador. Videra não estava presente por não ter sido convocado e alguns oposicionistas conhecidos não levantaram qualquer entrave a Ó Bössta. Assim a proposta foi aprovada.
Zeca Marth, que assistia à reunião, e sendo um dos afectados pela decisão, saiu da mesma, extremamente intranquila. E mais ficaria se conhecesse o segundo ponto da ordem de trabalhos introduzido por Linda Simon...
- Meus amigos, penso que tenho a solução para a nossa feira mensal de gado. Como sabem, tradicionalmente temos grandes dificuldades para realizar a feira e ter apoio logístico em termos de bebidas e refeições. Tudo mudaria se passássemos a realizá-la frente ao Central Saloon, naquele local ocupado por um jardim inútil...
Mais uma vez, esta proposta trazia água no bico. Sabia-se que os principais admiradores do jardim eram exactamente os habitantes da Castle Street que tinham brindado Ó Bössta com a vaia. Linda tinha pensado no assunto e resolvera estragar-lhes o foco de admiração.
A proposta foi aprovada por aclamação. Estranhos à vida em Golden City, a grande maioria dos rancheiros não via necessidade em manter aquele jardim, privilegiando a utilização daquele espaço em algo com utilidade para eles.
Finalmente, Farison tomou a palavra a pedido de Ó Bössta:
- Como sabem, o governador atribuiu-me recentemente a gestão dos assuntos culturais. Temos em marcha a realização das conferências da cidade dos pioneiros. Inicialmente, pensava-se realizar todas as sessões em Peaceful City, mas resolvemos concretizar alguns módulos nesta terra devido a um conjunto de calúnias que nos levantaram e diziam que só beneficiávamos os interesses dos outros... Conseguimos a colaboração de alguns vultos de prestígio: a professora Blacksmith, a solicitadora Near Water e o próprio Small River mostrou boa vontade. Vamos ocupar aquele edifício junto ao Central Saloon onde funcionou o Golden City General Bank e posso garantir-vos que tudo será um êxito.
Alguns rancheiros não percebiam bem a utilidade das conferências, mas o grande aplauso que se seguiu à intervenção de Farison convenceu-os da inutilidade de qualquer intervenção.
Ouviu-se então uma voz proveniente da assistência:
- Devíamos ter um hino para a conferência. Um hino!
A face de Farison abriu-se num largo sorriso.
- Com certeza! Tem toda a razão. E já tenho esse hino comigo. Um hino não da conferência mas da nossa cidade. Um hino à altura de ser lido pela nossa Läss Carina...
A assembleia ficou abafada sob o forte aplauso que se fez ouvir. Farison tinha um hino para a cidade. Onde é que tal coisa se tinha visto no velho Oeste? Que alegria para toda aquela gente. Os chapéus foram pelos ares...
Todos queriam ouvir o hino e desataram a gritar:
- Läss Carina! Läss Carina! Vem dizer o hino...

E agora, amigos oureenses? Como vamos sair desta? Há planos sinistros para a Castle Street e a frente do Central Saloon, mas toda aquela gente está entusiasmada com a promessa de Farison. E Zeca Marth? E os outros habitantes da Castle Street? Acham que vão deixar-se tramar pelo governador Ó Bössta e seus comparsas? E o Hino? Onde vamos arranjar um hino para Golden City?

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

É assim...
Não aprenderam nada, não esqueceram nada



Era com este pensamento a martelar-lhe sistematicamente a consciência que Ó Bössta, deitado sobre o altar do sacrifício, contemplava o sacerdote que iniciava a cerimónia perante o ar ávido de centenas de guerreiros que, ali encerrados nas novas fronteiras que a presença do homem branco obrigava, assistiam, mais uma vez, à concretização dos seus costumes ancestrais.
Sábios pensamentos os seus que não testemunhavam qualquer forma de arrependimento. São assim os convencidos da razão. Vão até ao fim, teimando nas suas malvadezas mesmo que o bom senso os procure avisar que algo estão a fazer errado. Mas o seu instinto é compulsivo, obriga-os a agir daquele modo desejosos de deixar marca histórica.
O sacerdote ergueu lentamente o cajado sagrado e preparou-se para invocar o grande Manitu...
- Aceita esta humilde cerimónia...
Claro! Tinha de ser. Lá estragaram a festa aos índios. De repente, ouviu-se um toque de clarim e, imediatamente, uma coluna militar abateu-se sobre os índios, sabres em punho, fazendo-os fugir.
Videra saltou do cavalo e correu para o local do sacrifício. Deu uma coronhada no sacerdote e libertou Ó Bössta.
- Você aqui?
- É verdade. Vi o que lhe aconteceu e não podia deixá-lo morrer...
Pouco depois, após ter libertado os outros rancheiros que partiram para suas casas, entregou-lhe um cavalo.
- Tome. Pode regressar a Golden City...
E, assim, o governador voltou à cidade. Em cima de um cavalo, mas em cuecas. Pelo caminho ainda encontrou Farison que rastejava e sangrava abundantemente do ombro...
- Anda, sobe para o cavalo.
E lá voltou aquele par de jarras a Golden City perante o olhar divertido dos cidadãos.
- Olha, o governador vai nu...
Mas nenhum deles estava contente.
- Alguém vai pagar isto - pensava Ó Bössta.
Não se referia a Videra que o tinha salvo, chamando o exército. Mas a vaia continuava a incomodá-lo.
Os dias seguintes foram de recuperação física e psíquica para as três notáveis personagens de Golden City. Depois, alguém foi arquitectando um plano de vingança

Que fará Ó Bössta para se vingar dos que o vaiaram? Aperceber-se-á da traição de Farison? E Linda? De quem é o braço que aponta na direcção do altar do sacrifício? (a resposta está no número 169...)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Candidato a governador



E Farison?
Escondido na floresta, assistiu a todo o combate, à refrega com Ó Bössta e ao seu aprisionamento. Resolveu esperar...
- De certeza que ele não vai escapar...
Esfregou as mãos de contente. Aquela era a sua oportunidade. Ele era o ajudante de governador que queria ser governador. Com Ó Bössta morto, seria o principal candidato.
- Basta esperar que tudo aconteça. Vou regressar como um dos poucos que escapou...
Continuou entrincheirado na floresta enquanto os guerreiros índios se afastavam com o governador e mais três prisioneiros. O seu coração batia apressado pelo receio, mas também com as novas perspectivas que se lhe abriam.
Quando o sossego voltou, resolveu regressar à cidade, mas decidiu ir pelo meio da floresta para não dar nas vistas. Puxou da sua faca para cortar algum mato que lhe barrava o caminho e deu vários passos.
Nisto, os seus olhos quedaram-se aterrorizados.
À sua frente, com ar de poucos amigos, um cão enorme, nariz franzido, fitava-o e parecia que estava pronto para atacar. Rápido, tentou atirar-lhe a faca, mas o cão não lhe permitiu. Num instante, estava em cima dele e sua faca rolou poelo chão.
Farison sentiu-se perdido enquanto os dentes do cão dilaceravam o seu ombro esquerdo.
- Que hei-de fazer?
Não queria morrer daquela forma. Logo naquela ocasião em que podia assumir o cargo do governador...
Tentou recuperar as forças e num derradeiro esforço pegou numa pedra e deu com ela na cabeça do cão. Este recuou, ganindo. Farison aproveitou aquele momento para apanhar a faca e desferir um golpe definitivo na fera que lhe acertou sobre o coração. O cão rolou pelo chão e Farison sacudiu-se enquanto estancava algum sangue que lhe corria do ombro.
Era o momento para voltar a Golden City. Ia chegar rastejante, ferido, mas seria visto como um herói. Depois, seria esperar pela nomeação...
Com alguma dificuldade iniciou a caminhada de retorno.
Lá ao fundo, os tambores índios indicavam-lhe que Ó Bössta estaria a passar um momento nada agradável.

Farison regressa a Golden City abandonando o homem que lhe pagava o salário. Conseguirá chegar? Conseguirá assumir o cargo do governador? Os habitantes da cidade serão ainda mais masoquistas para o aceitar? E Ó Bössta? Por que torturas estará a passar?

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Igualdade de oportunidades à portuguesa

De acordo com um estudo hoje divulgado na imprensa, "um quinto das crianças portuguesas está exposta à pobreza" o que coloca o país num vergonhoso penúltimo lugar entre os que foram estudados.
Ó Bössta em apuros


Num instante, a confusão tornou-se indiscritível. Dois rancheiros cairam trespassados pelas setas dos índios. O cavalo de Farison tropeçou e este foi projectado sobre a sua cabeça, ficando inanimado. Foi talvez a sua sorte. Os índios passaram por ele sem lhe ligar mais. Ao recobrar a consciência, rastejou na direcção da floresta e ali se quedou silencioso enquanto o combate prosseguia.
Um grupo de sete cavaleiros conseguiu romper o cerco índio e fugir na direcção da cidade. Ó Bössta não teve essa sorte. Disparou contra os índios enquanto era perseguido em terreno com uma inclinação relativamente acentuada. Fez cair um, dois, mas breve foi alcançado. Um índio saltou sobre ele e atirou-o ao chão. Pouco depois, estava imobilizado completamente cercado.
- É ele mesmo, o malvado governador - ouviu dizer a um índio com monumental toucado de penas - Vamos levá-lo ao sumo sacerdote.
Ataram-lhe as mãos e atiraram-no de bruços para cima de um cavalo.
O governador teve a sensação que não sairia dali com vida. Por um instante, ocorreram-lhe todas as malvadezas que fizera ao povo de Golden City. Mas não sentiu arrependimento. Graças a elas conseguira uma vida boa para si e para os seus amigos...
- Vamos sacrificá-lo ao grande Manitu... - ouviu ainda dizer.

E agora? Será o governador martirizado? Ficará Golden City definitivamente livre dele? Os próximos posts trarão uma resposta...

domingo, fevereiro 24, 2008

Lencinhos brancos para a tia Milu

Mas que injustiça!
Que teria levado aquela gente a fixar-se em tão adorável senhora, tão preocupada que ela está em pôr estudantes a avaliar professores, numa semana recheada de acontecimentos negativos?
Então e os outros?
Aquele senhor do ambiente que culpa a autarquia pelas cheias?
Aquele outro que asfixia as universidades negando-lhes financiamento para os salários?
Aqueles dois jornalistas que facilitaram a autopromoção de sua Excelência, o engenheiro?
O autarca Morgado que troca ditadores e aprendizes?
O oposicionista Meneses sem ideias e sem palavra?
Todos, todos mereciam ver o lencinho. Por isso aquela gente lá em cima no Porto pecou por defeito...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

David Ó Bössta, oil on canvas

Este é Ó Bössta, governador de Golden City há quase três anos, cidade que de um ambiente bucólico, amistoso e cooperativo se transformou em monumental coutada para ele e rancheiros amigos. A imagem reflexo de Ó Bössta significa a sua multiplicação por muitos lugares no espaço e no tempo.
Vangloriava-se da sua política, mas o seu próprio autoconvencimento não o deixava ver quanto era negativa para os mais necessitados sobre os quais fizera cair grandes cargas tributárias, aos quais retirara múltiplos direitos em matéria de educação e prestações sociais e a quem contribuiu para o lançamento no desemprego nunca antes visto na região. Paradoxalmente, apesar de constestação esporádica, proveniente de camadas populares mais ou menos bem determinadas, a sua renomeação para governador era bem vista por muitos devido ao sistema de compadrio e clientelismo instalado.
Apesar de tudo, enquanto perseguia Videra, a vaia a que fora sujeito incomodava-o sobremaneira.
- Mal apanhe esse sacana, não posso deixar de dar uma lição aos outros - pensava - Sei bem quem são, onde moram. E vai ser por decisão colectiva que os vou tramar...
O grupo de quinze cavaleiros armados aproximava-se do território de uma seita um tanto exótica aparentada com índios, mas com rituais religiosos estranhos. Nunca até então tinha havido problemas na passagem por aquela zona apesar de o relacionamento com aqueles "selvagens" ser quase nulo, sabendo Ó Bössta que eles eram bastante perigosos perante a profanação de alguns lugares sagrados.
Talves por esse conhecimento, a passagem do território indio estava a provocar-lhe alguns nervos. Sentia-se vigiado, sentia um ruído estranho...
E tinha razão para os seus temores. De repente, um grito agudo encheu todo o espaço envolvente e, provenientes de locais escondidos na floresta envolvente, dezenas de índios vieram na direcção dos quinze cavaleiros, alvejando-os com flechas e fazendo-os dirigir na direcção de uma zona rochosa.
O chapéu de Farison voou levado por uma das flechas. A gritaria, entretanto, continuava, tornando-se ensurdecedora. Ó Bössta pensou que já não se safaria daquela...

Amigo oureense, continue a ler na próxima semana o desenvolvimento de Golden City, cidade sem lei. Conseguirá Ó Bössta escapar e consolidar os três anos da sua miserável governação? Ou acabará ali de uma vez por todas o seu poder?

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

O resgate da presidenta



Mal sairam de Golden City, Ó Bössta e seguidores, tomaram a direcção que, na sua mente, Videra teria seguido. Iam apressados tentando apanhá-lo antes da hora do almoço, mas o tempo perdido na vaia e na recuperação de cavalos, parecia-lhes fatal.
- Ele não vai com certeza por Red Apple Town - dizia Farison - A Linda vive lá e não vai querer que os vejam.
- Cavalga e não digas disparates - respondeu-lhe Ó Bössta.
Farison calou-se, sentindo alguma raiva fervilhar dentro de si. Manhoso, convencia-se, apesar de tudo, que o outro o considerava estúpido. Como gostaria de lhe dar uma facada nas costas e assumir o seu lugar. Ser governador era o seu grande desejo...
Continuaram a cavalgar, mas, ao fim de algumas horas, o certo é que não viam rasto dos fugitivos.
Um pouco mais atrás, Would Do seguia-os, mas, em determinado momento, algo lhe chamou a atenção. Parou, deixou afastar os perseguidores de Videra e olhou pensativo para uma zona de penhascos.
- Que estranho! Andam ali uns abutres...
Resolveu conduzir a montada naquela direcção, afastando-se ainda mais dos perseguidores de Videra. Ao chegar junto aos penhascos viu um chacal, aproximando-se de uma mulher que estava inconsciente, deitada no chão. Deu um tiro para o ar e o animal afastou-se imediatamente, enquanto os abutres continuavam a esvoaçar. Saltou do cavalo e aproximou-se do corpo caído.
- É o monstro da mulher! E está viva...
Que haveria de fazer? Por uns breves momentos, pensou abandoná-la. Na sua perspectiva, aquela mulher, aliada incondicional de Ó Bössta, era um monstro que apoiava todos os seus actos mais vis e que prejudicavam a população de Golden City. Mas a sua consciência falou mais alto.
- Não posso abandoná-la nesta situação...
Com todo o cuidado colocou-a no seu cavalo, montou e conduziu-a de regresso a Golden City, amparando-a.
Não deixava de pensar nesta partida do destino. Ele, terrível crítico de Linda e do seu comportamento na associação, era quem naquela momento a salvava e a conduzia a um local seguro.
Lá longe, os outros cavaleiros continuavam a perseguição a Videra.
O doce retorno de Would Do e Linda Simon a Golden City ficou registado no quadro que acompanha esta descrição.

E quanto aos perseguidores? Apanhariam Videra? E Linda? Que faria? Qual a sua atitude relativamente ao perseguido?

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Linda Simon, oil on canvas


Esta é Linda Simon, fiel seguidora de Ó Bösta, presidente da associação de criadores de cabeças de gado de Golden City, neste momento, presa pelo arruaceiro Videra que foge da cidade perseguido pelo governador e seus lacaios.
Videra leva também dois cavalos consigo. Mudou várias vezes de direcção, escolhendo terreno empedrado e, quando viu que não havia sinal dos perseguidores, suavizou o envolvimento da presa.
- É melhor soltares-me - gritou ela.
- Não tenhas receio que não vou fazer-te qualquer mal.
Saltou do cavalo e ajudou-a a descer, entregando-lhe uma montada.
- Podes ir. Desculpa o mau bocado que te fiz passar.
Linda montou, olhou-o com alguma estranheza e afastou-se na direcção de Golden City. Videra imitou-a e tomou a direcção do seu rancho em grande velocidade desaparecendo rapidamente no horizonte.
A presidente voltava a Golden City, absorta em mil pensamentos. Estaria errada? Teria aquele homen razão ao criticar de tal modo a política local? Mas como poderia afastar-se de Ó Bössta se este tinha tanto poder?
Ia tão distraída que não viu uma cobra passar perto da montada. Esta assustou-se, encabritou-se e atirou-a por terra. Linda bateu com a cabeça no chão e ficou imóvel. O cavalo, esse, permaneceu a seu lado contemplando-a numa doce tristeza.
Ainda ensonado, um chacal sentiu presa fácil bem perto e ergueu-se para a procurar. Pé ante pé, aproximou-se daquele corpo inerte, temporariamente fragilizado...

Linda foi libertada, mas está em perigo. Irá ser comida pelo chacal? Quem a poderá salvar? Videra parece estar em segurança no seu rancho. Que fará Ó Bössta?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Caçada ao arruaceiro



Desesperado, Ó Bössta viu o cavaleiro afastar-se levando consigo a fiel presidente da associação de criadores de cabeça de gado e mais duas montadas presas pela rédea. Desvairado, gritou às pessoas que tinham assistido à assembleia para apanharem os cavalos. Mas elas não colaboraram.
O governador insistiu:
- Corram, suas azémulas! A razão é toda nossa. Não veem que ele nos escapa?
Mas as pessoas, em vez de fazerem o que queria, dedicaram-lhe monumental vaia.
Pela primeira vez, frente ao local de realização da assembleia, David Ó Bössta era vaiado por populares que assim manifestavam o seu desagrado pela sua acção desastrosa para Golden City. Olhou-os irado:
- Isto não se admite. Isto não pode ser tolerado. Breve me ocuparei de vocês...
Entretanto, chegou Farison com a sua belissima montada com malhas brancas e quinze homens armados. Ó Bössta montou, puxou da pistola e deu uns tiros para o ar enquanto ao fundo, no inicio da encosta, o gado pastava docemente.
- Vamos. Temos de apanhar aquele arruaceiro e libertar a presidente - e dirigindo-se aos populares - hão-de ver como elas vos mordem!
Via-se que estava fulo, mais fulo com a vaia do que com o que acontecera na assembleia.
Picou a montada e partiu na direcção de Red Apple Town. Alguns rancheiros imitaram-no. Mais atrás, sempre a tomar notas, e mantendo razoável distância, Would Do seguiu-os.
Que irá acontecer? Libertarão a presidente da assembleia? Conseguirão apanhar Videra? E os populares? Estarão seguros a partir do momento em que vaiaram Ó Bössta desafiando a sua ira?

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

A grande assembleia


Era o grande dia da assembleia anual dos criadores de cabeças de gado.
Nela tinham lugar os rancheiros da região quotizados para a associação, o governador Ó Bössta (na qualidade de rancheiro e governador) e respectivos ajudantes. A assembleia era aberta aos populares que quisessem assitir e à imprensa local. Como se sabe, era presidida por Linda Simon, fiel seguidora de Ó Bössta.
Não era muito diferenciado o perfil dos rancheiros da associação. A grande maioria, sedenta dos seus favores, apoiava Ó Bössta. Nela havia pessoas com valor, é certo, mas a sua fidelidade ao governador deitava tudo a perder. Os restantes, mais fracos em poder de decisão e em poder económico, não conseguiam que as decisões da asssembleia os beneficiassem. A sua fragilidade organizativa era enorme e potenciada pela incapacidade de impor decisões contrárias à vontade de Ó Bössta.
A Assembleia que estamos a relatar estava relativamente bem frequentada. Na mesa da presidência, Linda Simon deu a palavra a uma rancheira proveniente das proximidades de Peaceful City e esta resolveu ler uma passagem da “Antologia poética do cowboy solitário”:
Gosto de ouvir os tiros
Dos cowboys enquanto partem
Arrancando mil suspiros
Aos corações que ardem

Trouxeram manadas de gado
Beijaram meninas que adoram
Vão para o solitário fado
Enquanto elas, tristes, choram
Quase todos apaludiram com gosto aquele momento de poesia protagonizado por Lass Carina, mas a voz de um rancheiro recentemente instalado na reunião fez-se ouvir:
- Estão aqui os maiores rancheiros da região, os maiores produtores de gado, vejo-os com estas tretas, ou envolvendo-se em negócios que só os beneficiam. Lá fora, o povo não tem trabalho, morre de fome e não fazem nada para o tirar dessa situação.
Ó Bössta ficou logo em guarda com estas palavras.
- Seu arruaceiro! Não venha para aqui com essa conversa...
Mas Lex Videra continuou alto e bom som a denunciar o comportamento daquela assembleia. Do outro lado, Mickel Sleeves levantou-se e afirmou:
- As suas palavras não valem nada, são completamente inúteis e não servem a nossa cidade. Ainda há dias, matámos uma vitela e distribuímos os bifes pelos quinhentos pobres da região. Você é mouco e deve estar louco...
Mas Videra continuou, não dando qualquer importância às palavras de Sleeves entendendo que elas eram um convite a que os pobres permanecessem sempre pobre. No fundo da sala, junto da imprensa local, Serge Would Do tomava notas sobre tudo o que se passava.
Nisto, Ó Bössta perdeu a paciência. Virou-se para os seus lacaios e gritou:
- Abatam-no!
Foi o pânico na assembleia. Farison e companhia tentaram sacar das armas, mas Videra foi mais rápido e desarmou-os com vários tiros. Depois, saltou do seu lugar, agarrou Linda Simon e apontou a arma aos restantes.
- Vamos. Atrevam-se...
Recuou, mantendo-a envolvida com o braço direito sob o busto enquanto sentia o seu arfar, conduziu-a até ao cavalo, deu três tiros para o ar e espantou os cavalos dos outros rancheiros, montou, pegou em Linda e arrastou-a consigo, cavalgando para a saída da cidade.
- Apanhem-no! – gritou Ó Bössta – O malvado espantou as nossas montadas.
E enquanto tentavam apanhar as montadas, Videra, fugiu para longe da saída, levando Linda consigo como refém.
Que iria passar-se? Seria Videra apanhado? Libertaria Linda? E que faria Would Do? Não deixe de seguir mais esta formidável estória de Golden City...

domingo, fevereiro 17, 2008

Lamentável ausência de perspectiva

O Eng. Sócrates tem toda a razão se disser que o desemprego diminuiu ao analisar o que se passou nos quatro trimestres de 2007.
De igual modo, a oposição tem razão se disser que o desemprego aumentou se medir o seu comportamento pela evolução de desempregados, ou pela taxa de desmprego, entre 2006 e 2007.
Os dois indicadores parecem contradizer-se e a fixação num ou noutro prova quanto sofrem de demagogia os agentes da política no nosso país.
Dos valores em causa, só por si, nada pode concluir-se, e também não é muito justo assacar-se ao governo a responsabilidade pela não criação de emprego uma vez que, conscientemmente, os portugueses parece terem optado por uma economia assente na livre iniciativa. Se o patronato não investe como pode haver mais emprego?
É de acreditar que, em 2008, a situação vai piorar já que há indícios de recessão económica.
Mas tudo isto não chega para deixar de produzir aqui uma nota de reprovação pelo esquecimento do que vai acontecendo no nosso país e que a ser avaliado tiraria todas as dúvidas sobre o que está a passar-se.
A verdade é que grande parte dos nossos jovens, descrentes com o sistema, já nem se inscreve no Instituto de Emprego e Formação Profissional, fazendo com que o seu caso não conte para a estatística de desemprego. Eles deixaram de acreditar no sistema depois de tanto tempo esperarem, depois de receberem postais em casa, comparecerem e tudo mais parecer que o dito instituto andava a brincar com eles. Este comportamento demostra que estes jovens não sentem qualquer confiança no desenvolvimento país. Mas esquecer tal facto demonstra uma lamentável ausência de perspectiva por parte dos nossos políticos...

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Farison, oil on canvas




Este é Vic Farison, conhecido lacaio de Ó Bössta, aqui disfarçado de vaqueiro, mas alma valente e traiçoeira para levar as maiores malfeitorias a Golden City. Usa bigode e o chapéu tapa-lhe preocupante calvície que os anos teimam acentuar.
Vem apressado com fogo no cu para cumprir ordens do governador.
Ó Bössta quer novo palácio e exige que seja construído sobre as cinzas do velho depósito de água que serve a população da cidade. Está-se nas tintas para o prejuízo. Borrifa-se no projecto. O dinheiro a aplicar é do povo.
Farison puxa do seu laço que é um ás a manejá-lo. Atira-o.
Pouco depois, o depósito range num lamento semelhante ao dos corações dos habitantes de Golden City e cai por terra...

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Um inquérito relevante?


Diz-se que a informação é relevante quando apoia a tomada de decisão ou a actividade de quem a recebe...
Hoje, por todo o lado se procede a inquéritos sobre os mais variados assuntos, constituindo-se interessante material de investigação. Em momento de publicação, somos surpreendidos com dezenas de quadros, belíssimos gráficos (de barras, em formato queijo, de tipo radar e até de dispersão). Tudo isso é possível através de programas de tratamento estatístico com relativa facilidade de uso. Por vezes, no entanto, fica a sensação que não se utilizaram os dados em todas as direcções que era possível.
Vem isto a propósito de um inquérito aos hábitos alimentares promovido pela gestão de autarquia "em parceria com o Centro de Saúde de Ourém e o extinto Agrupamento de Escolas Oureana" e cujos resultados podem ser consultados aqui.
Olhando para o que se diz como conclusão, olhando para os diversos quadros, tudo parece normal e o trabalho conclui cândidamente que a proporção de crianças com peso a mais ou com obesidade está dentro da média nacional (+ ou - 30%).
Interrogo-me se tudo terá sido analisado. E, reparem, o que digo é interrogo-me, pois tenho todo o respeito pelos autores do trabalho. A verdade é que, fazendo algumas contas, a situação quanto aos alunos que responderam ao inquérito, na escola dos Coroados e na escola de Alburitel, parece preocupante já que mostra proporções superiores aos 50% no primeiro caso e perto deste valor no segundo. Não será isto relevante para a autarquia ser mais proactiva nesta matéria?
O descanso do guerreiro


O mistério permanece.
O que teria dado ao blogger enquanto jovem para, após um período de profícua produção, com um plano para 60 obras 60, pousar a pena?
Não tenho qualquer resposta neste momento, julgando que alguma revolução se terá operado na sua vida. Não que cessasse o interesse por estes temas. Na realidade, a problemática de Golden City, uma cidade de passado maravilhoso, com um presente espezinhado por Ó Bössta e seus lacaios, justificava que se continuasse a falar sobre a mesma. Temas não deixam de existir... vejam só:
- por que é que em 42 estados da união o nível de tributação seria inferior, estando os habitantes de Golden City sujeitos a carga agravada? com certeza para continuar a alimentar os desvarios do governador como o que concretizou com o palácio...
- por que é que, estando na vizinhança de um local de passagem de múltiplas caravanas, não existiria nem se faria por existir uma cuidada urgência médica? consta que o governador estaria empenhado no apoio à viabilização de uma unidade de saúde privada...
Mas esta foto parece desmentir o interesse por essas questões. O blogger foi encontrado deitado a ler, borrifando-se para tudo à sua volta. Talvez estivesse a carregar baterias. Na realidade, uma das suas características sempre foi nunca desistir, embora dando a entender o contrário. Por isso, acreditemos que, em futuro próximo, algo mais surja por aqui...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Colecção Caravana making of - #3



Este documento foi encontrado dentro do Vol IV da Colecção Caravana. Nele, manifestava-se a intenção de produzir 60 obras. Fiquem descansados os amigos oureenses porque não vamos insistir em sinopses já que as produzidas chegam para caracterizar a situação em Golden City. Neste momento, não fazemos a menor ideia de que alucinações padecia naquela altura o blogger enquanto jovem.
Alguns títulos ainda são interessantes. Reparem:
- "A casa maldita" provavelmente para referir aquele local (o palácio do governador) a partir do qual era decidido aplicar a maioria dos danos a Golden City;
- "A revolta dos mortos", retratando o que sentiriam os anteriores habitantes da cidade, entretanto desaparecidos, perante a obra de destruição a que a mesma ia sendo sujeita pelo poder de Ó Bössta, já que aos vivos parecia faltar qualquer coisa para o contrariar ou afastar;
- "Caminhos sem horizonte", uma referência indubitável à tímida acção de alguns que anunciavam opôr-se a Ó Bössta, mas com ele pareciam conluiar-se dada a confragedora ausência de propostas e acções que deles emanavam;
- "O amigo dos índios" para referir a atitude de alguém que, triste com o comportamento oportunista e subjugado à materialidade do benefício imediato dos seus semelhantes, tantas vezes intolerantes à liberdade e à diferença, se afastou e isolou tentando acreditar na força da razão, embora sem força para a impor...
Estranhas ideias estas que nos parecem tão actuais!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Colecção Caravana making of - #2



Esta é a máquina com que naquele tempo era possível registar alguns dos formidáveis acontecimentos agora desvendados na famosa Colecção Caravana. Se a máquina resistiu, o mesmo não se pode dizer dos produtos que ajudava a fabricar e que são, hoje, raros.
Há, lembro-me, um registo interessante em que Ó Bössta agarra no ar a facada que Farison lhe enviara e aproveita para lha cravar com toda a força, afastando-o do poder por algum tempo. Acção vã, diga-se, apesar de muito saudada no Golden City News e no seu rival Golden City and its State, já que os que substituiram Farison em tudo lhe eram iguais em termos de (in)competência, pelo que Golden City continuou a estiolar.
Hoje, a máquina repousa, incapaz de funcionar, na casa dos meus fantasmas, mas ainda ajuda a lembrar muitos factos interessante antes vividos.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Ai! Do que é que eles se terão lembrado?



Segundo o NO, a autarquia, a troco da cedência de algumas facilidades na construção de moradias unifamiliares, é neste momento detentora do edifício do estórico Colégio Fernão Lopes e projecta requalificá-lo bem como a sua envolvente com o objectivo de ali instalar um local de formação.
De longa data temos vindo a denunciar a incúria relativamente às referências da história recente de Ourém, designadamente das que acompanharam as gerações de cinquenta, sessenta e setenta... Este foi um desses locais.
Terão estes senhores ganho algum juízo? E será mesmo para USO Oureense?
Duvido muito...
...mais, a avaliar pelo que realizaram noutros pontos de Ourém é de acreditar que vão fazer qualquer coisa que descaracterizará totalmente o espaço pelo que breve diremos: "antes morto que assim torto!".
Colecção Caravana making of



Afinal ainda há mais algumas coisas para dizer acerca da já famosa Colecção Caravana. E uma delas é que a máquina em que algumas das suas páginas foram escritas é a que este post mostra a qual foi limpa e cuidadosamente guardada na última passagem por Ourém.
Imaginem o blogger frente àquela máquina a dar com toda a força nas teclas. Sim, os tempos não eram fáceis como agora em que a mais pequena gralha pode ser imediatamente corrigida. Antes, ou ficava ou gerava nova folha perdendo-se o restante texto já que o próprio corrector era um luxo que as pobres bolsas de adolescente não comportavam.
Ainda a propósito: o papel para os textos provinha de sebentas adquiridas na mercearia do senhor Moreira, no local onde agora existe uma livraria frente à lateral da igreja. Era papel muito bom, suave, já dobrado e, pelo que se vê, resistente...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Da octologia livreira oureana

Ufa!
Acabou.
Finalmente, o blogger pode dar por terminada esta alegoria da terra adorada nas mãos de pestilentas criaturas. A pena pode pousar e descansar. Os tempos que se avizinham vão ser a adormecida continuação dos actuais. As tétricas figuras de Golden City não desaparecerão cedo da nossa terra. Possivelmente, serão substituídas por outras muito semelhantes. Mas está dito o que era necessário. E fica registado neste poderoso meio de preservação do passado. Curiosamente, os acessos ao OUREM diminuiam à medida que progredia a divulgação da obra do jovem blogger.
Este ficará para procurar outros meios de denunciar gente que à nossa terra tanto mal vai fazendo...

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Colecção Caravana, Vol VIII – Um jovem mineiro


Data de edição: Junho de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 60, manuscritas, tinta azul.
Organização: 8 capítulos sem título; inclui ainda o terceiro e último capítulo de uma obra em continuação "Cumprimentos a Satanás".
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando uma jovem ajoelhada frente a uma sepultura, prestando a última homenagem a um ente querido. Atrás dela, um cow-boy espera respeitosamente, mãos no cinto, cabeça descoberta. Reparem na pacífica atitude do cavalo cuja cor já está quase esbatida tornando a sua presença no desenho quase invisível. A campa anuncia que Joe Nash e Bill Flanagan serão os heróis nesta história, heróis possivelmente com alguma mácula no passado já que a recensão de pé de página afirma: "Um ladrão tem sempre uma oportunidade mesmo temendo vingança...". Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida.
Sinopse da obra: Bill Flanagan passou parte da sua juventude em Golden City povoação em cujas imediações passava uma ribeira. Muita gente dizia que naquela ribeira havia ouro e que daí proviera o nome da cidade, mas que era muito difícil de encontrar. Um dia, Bil resolveu ir à procura de ouro...
Chegado junto à ribeira, deparou com uma jovem que procurava apanhar peixe com um cesto de verga:
- Que fazes? - perguntou ele.
- Tento apanhar algum peixe do rio...
- Garota louca... e fazes isso com essa cesta?
- Que tens com isso? E tu que fazes por aqui?
- Venho à procura de ouro...

Ela fartou-se de rir e continuou na sua faina, depois de dizer:
- Então, procura e não me aborreças. Talvez tenhas melhor sorte...
E exibiu um pedaço de bosta que entretanto tinha retirado com o cesto.
- Que é isso?
- O que vês... o rio está completamente poluído com a porcaria que os da terra para cá enviam quando têm feiras de gado.
Era assim Golden City. Nem sequer o seu rio preservava, rio onde todos tantos banhos tinham tomado no passado. Que iria passar-se? Poderia Bill pesquisar ouro no rio? Voltariam as suas águas à pureza original? E a jovem? Voltaria a encontrar peixe na sua cesta?

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Colecção Caravana, Vol VII – Jogo de cartas

Data de edição: Junho de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 48, manuscritas, tinta azul.
Organização: 5 capítulos com título; inclui ainda o segundo capítulo de uma obra em continuação "Cumprimentos a Satanás".
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando uma mesa de jogo onde se defrontam dois jogadores e, atrás de um deles, uma insinuante mulher de cabelo loiro e braço curto. Outros pormenores interessantes: o candeeiro sobre a mesa de jogo, a cor da cadeira do jogador vestido de negro, o efeito da luz do candeeiro sobre o chapéu negro do jogador de costas; o anúncio dos heróis da estória. A recensão de pé de página está ilegível. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Os quatro cavaleiros pararam no alto da colina, junto ao velho moinho abandonado, de onde se contemplava agradável paisagem sobre o vale a seus pés no qual se desenhava a cidade que procuravam.
O seu aspecto era um pouco estranho para o habitual já que não se assemelhava em nada ao tradicional vaqueiro, não era com certeza o de pistoleiro e estava muito longe de corresponder ao pacífico cidadão. Todos envergavam casacas negras, compridas e usavam um chapéu a condizer. Um deles, presa em cinto sobre a casaca, usava uma arma em coldre comprido. Os outros não mostravam armas, mas adivinhavam-se-lhes coladas ao corpo. Um dos cavaleiros ostentava grandes cabelos platinados que lhe caiam sobre os ombros. Reparando melhor, notava-se que se tratava de uma mulher, não muito jovem, é certo, mas ainda bela...
Arino the Cat, David Ó Bössta, Vic Farison e Linda Simon regressavam a Golden City, terra de onde tinham sido expulsos - um deles emplumado sobre base de alcatrão - e de cujos habitantes tinham jurado vingar-se. Os anos que tinham passado na prisão tinham-nos ensinado a utilizar os mais modernos truques com as cartas de forma a se apoderarem dos bens dos adversários. Era isso que tencionavam aplicar no Big Saloon de Golden City de forma a retomar o poder que um dia ali tinham tido.
Um deles apontou na direcção do saloon e disse em voz alta:
- É ali...
Num instante, picou a montada e desceu em grande velocidade pela encosta da colina. Os outros seguiram-no imediatamente. Lá em baixo, os pacíficos habitantes de Golden City não sonhavam com as tropelias que lhes iriam fazer. Na verdade, eles tinham ameaçado: "voltaremos para vos tramar, seja qual for o lugar e o tempo em que estejam...".
Que se irá passar? Cumprirá aquele bando de chacais a sua ameaça? Conseguirão perseguir e tramar para todo o sempre os habitantes de Golden City?

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Exclusividade

Resolvemos fazer uma pausa nesta referência à Obra do blogger enquanto jovem e escritor já que a época carnavalesca sendo a ideal para a ridicularização apaga um pouco a seriedade que estas coisas devem ter e que pode ser induzida a partir dos factos originais.
Fiquem os meus amigos tranquilos que tudo isto está a ser feito em exclusividade no OUREM e destina-se a eles, exclusivamente. Reparem na palavra que é extremamente forte... e neste caso não gera qualquer subsídio para o que a garante. Exclusividade é uma coisa que só gente extremamente séria pode garantir. Exclusividade é uma palavra que, embora definida para um período, nenhum relativismo pode fazer vergar. Quando tal acontece, promete-se, mas não se pratica...
Entretanto, fica um ponto de situação. Os nossos malfeitores (Arino the Cat, David Ó Bössta, Vic Farison e Linda Simon) estão presos pelas malvadezas que praticaram em Golden City. Que irá passar-se? Recordem que ainda há mais duas obras no catálogo do blogger... Tal só vos será revelado na quarta-feira.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Colecção Caravana, Vol VI - O Vingador do Kansas

Data de edição: Maio de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 72, manuscritas, tinta azul.
Organização: Oito capítulos com título. As últimas páginas ocupadas com o primeiro capítulo de uma nova estória: "Cumprimentos a Satanás".
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um homem e uma mulher. Esta está amarrada e ele corta-lhe a corda que a prende. Não se apercebem que uma estranha figura os observa escondido atrás de umas pedras. A nota de pé de página é legível.
Sinopse da obra: Ó Bössta é uma espécie do Olrik de Jacobs. É apanhado, condenado, enforcado, morto, sepultado e ressurge como se nada se tivesse passado com ele. Havia quem dissesse que ele voltaria sempre da tumba, mesmo que passasse mais de uma centena de anos.
Red Fullen chega a Golden City, no Texas, e logo nos primeiros tempos se apercebe que a cidade, apesar de pacífica, vive sob um domínio estranho que ultrapassa em muito as forças vivas da cidade se as associarmos àqueles que lá detinham o poder económico. A cidade parece dominada a partir de fora.
Intrigado, resolve investigar o que se passa e não tarda a descobrir que o governador, Ó Bössta, não é mais que um dos elos de ligação entre alguns criadores de gado e os grandes armazéns que dominam a cidade rival, ponto de passagem de muitas caravanas. Todo o desenvolvimento de Golden City era sobredeterminado pelo interesse económico dos rancheiros que abastecem a outra cidade e pelos armazenistas lá instalados, não sendo ali possível qualquer actividade que pudesse levar alguma concorrência aos mesmos. Sempre que algum pacífico cidadão de Golden City ali se instalava, passava por algum momento difícil: ou era desafiado para um duelo por um pistoleiro perigoso, ou era assaltado durante a caminhada entre uma e outra cidade ou a lei encontrava-lhe uma nódoa no currículo que o levava à prisão e acabava por lhe levar o negócio à falência.
Muitos populares, que sentiam na pele aquele jugo, confessaram a Fullen que em Golden City se vivia uma paz podre e desconfortável e que a raiz de tal mal estar era o governador.
Pouco a pouco, Red Fullen reuniu provas contra os que dominavam Golden City e, um dia, resolveu ir falar com Ó Bössta. A conversa decorreu no palácio do governador e deu para o torto porque Farison, escondido atrás da porta que dava acesso à sala das reuniões, ouviu algumas passagens da mesma que não lhe agradaram, contactou Linda Simon que pôs em guarda os rancheiros e um deles enviou um pistoleiro que abateu Red à saída do palácio.
A morte de Red tornou-se suspeita a muitos habitantes de Golden City e um advogado, jovem e cheio de coragem, recentemente instalado na cidade junto à alfaiataria "Think", Victorio Brown Tree, decidiu fazer algumas investigações por sua conta, não tardando a aperceber-se do compadrio entre o assassino de Fullen e aquelas personagens. Ó Bössta, Farison e Linda Simon foram presos e, levados a tribunal, condenados a vários anos de prisão. Antes, Farison teve castigo especial: foi apanhado pelos populares e coberto de alcatrão, sobre o mesmo foram colocadas penas de galinha, sendo uma delas, especial e mais comprida, colocada mesmo por cima do traseiro. “Vai agora pavonear-te frente às meninas...”, ouviu-se dizer a muita gente enquanto ele corria apavorado para fora da cidade.
Um novo período desenvolvimento pôde então surgir para Golden City, afastados que estavam os principais malfeitores que tolhiam o seu progresso. "Por quanto tempo?", é a questão que o OUREM aqui deixa...

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Colecção Caravana, Vol V - Meu pai é um assassino

Data de edição: Abril de 1963.
Dimensão aproximada: 105 * 140.
Número de páginas: 96, manuscritas, tinta azul.
Organização: Dez capítulos com título e um epílogo.
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando uma mulher e um jovem em estranho diálogo perante o que não se distingue bem, embora faça lembrar uma campa. Para além do diálogo enriquecedor entre estas duas personagens, reparem no arredondamento do tronco do jovem já a denunciar alguma propensão para a obesidade e na cor estranha da sua camisa. A nota de pé de página é legível.
Sinopse da obra: A passagem de Ó Bössta por Golden City ficou marcada por muitas realizações que careciam da colaboração de populares e geralmente beneficiavam os seus interesses ou dos seus amigos. Nos finais da década, ele concebeu um estranho plano que, num primeiro momento, se pensou iria ajudar à ocupação de tempo por parte dos mais idosos. A sua ideia era a de reunir algumas personalidades da cidade em realizações a que chamou “Conferências da cidade do pioneiro”. Ao planear estas acções, reuniu-se com alguns dos populares mais letrados da cidade e pediu-lhes a colaboração.
Emmylou Blacksmith, Helen NearWater, Serge Small River e Tony McMórmon foram convocados para estranha reunião no palácio do governador sem saber do que iam tratar já que o seu relacionamento com Ó Bössta não era, na generalidade, o melhor. Num primeiro momento, acharam excelente a ideia que o governador lhes apresentou, assinaram um documento de comprometimento na sua realização e trataram imediatamente de planear a sua colaboração.
Mas a sua boa vontade sofreu um forte revés, quando algum tempo depois, ele lhes confirmou que o local de realização das conferências não seria Golden City, mas sim uma cidade rival, situada a 50 milhas da mesma, uma cidade ponto de encontro e passagem de muitas caravanas. Compreenderam imediatamente que Ó Bössta queria fazer negócio com os seus conhecimentos e tentaram desvincular-se do compromisso, mas o governador não aceitou, prometendo-lhes o pagamento dos transportes. "Mas por que não faz as conferências aqui no palácio?", perguntaram-lhe. "Sabem, não temos vocação para estas coisas... mas talvez se possam fazer algumas acções em Golden City", respondeu embora o tom deixasse adivinhar que não era essa a sua intenção.
Small River era o mais revoltado e, detentor de notável capacidade conspirativa, foi denunciando e motivando a população contra mais esta habilidade do governador. Um dia, a tampa saltou e as pessoas vieram para a rua em formidável manifestação contra Ó Bössta. Apedrejaram o palácio. O governador viu-se acossado, mandou chamar os seus pistoleiros e fê-los enfrentar a população utilizando as suas armas.
No formidável combate que se travou, Small River foi abatido e os populares dispersaram. Teceram-se muitas suposições acerca de quem disparara contra o agitador e as suspeitas recaíram sobre o pai de um jovem seguidor das suas ideias.
A estória desenvolve-se, a partir daqui, através de uma apaixonante pesquisa por parte do jovem de provas para mostrar a inocência do seu pai. O seu empenho foi de tal ordem que o próprio sheriff chegou a suspeitar dele. Que aconteceria a Ó Bössta? Conseguiria alguém provar a sua cumplicidade na morte do agitador Small River? A leitura da obra tirará todas estas dúvidas aos amigos do Ourem...

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Colecção Caravana, Vol IV – Uma mulher perigosa

Data de edição: Março de 1963
Dimensão aproximada: 105 * 140
Número de páginas: 62, algumas dactilografadas, tinta preta; manuscrito da página 21 à 42.
Organização: Introdução; Parte I com cinco capítulos sem nome; Parte II com nome "Segredo de um talismã" com um capítulo apenas. Há manifesta desorganização na obra, indiciando a concretização de mudança de formato e ferramenta de escrita.
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um homem a ser atacado por índios enquanto uma mulher já está pelo chão sem dar sinais de vida. O homem grita desesperado quando mais uma seta o atinge na barriga enquanto tenta extrair outra que já tinha cravada no peito. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Na selva do Oeste, qualquer mulher é perigosa. Especialmente quando tem alguma beleza...
Golden City dispunha de um belo jardim frente ao Central Saloon, jardim, diga-se, construído pela carolice de alguns populares que encontravam no paraíso que era aquela terra o local ideal para viverem. Mal sabiam eles que esse jardim era cobiçado por Linda Simon, a presidente da Associação de Criadores de Cabeças de Gado, uma mulher já não muito jovem, mas bastante decidida, com acesso fácil ao governador Ó Bössta, mulher sempre pronta a botar discurso mesmo nas ocasiões mais despropositadas e a escrever extensas ladainhas no Golden City News. Linda pretendia cobrir de pedra aquele espaço para o mesmo servir de suporte às feiras de gado que se realizavam regularmente, podendo, nessas condições, beneficiar da proximidade do saloon.
Tentou convencer a população o que não conseguiu. Os populares entendiam que a feira do gado devia realizar-se fora da zona habitacional da cidade e que a junção de cow-boys e saloon só poderia quebrar-lhes a habitual paz. Mas ela não se deu por vencida e manobrou o suficiente para levar David Ó Bössta a ordenar a destruição do jardim e a sua conversão a espaço para a feira de gado. Tudo se passou como Linda pretendia para indignação dos populares que se revoltaram.
No seio da revolta popular, destacou-se um jovem, Serge Would Do, muito hábil com as armas, a palavra e a pena que foi capaz de motivar os populares que, um dia, puseram em fuga Linda e David Ó Bössta. Seguiram-se enormes perseguições que levaram fugitivos e perseguidores a território apache. Aí, os perseguidores foram desbaratados por uma estranha aliança entre os índios e os dois fugitivos quando tentaram entrar no seu santuário. O regresso a Golden City foi um tanto humilhante para os poucos que escaparam. E Linda? E Ó Bössta? Que lhes terá acontecido? Poderiam os habitantes da cidade reconstruir o seu jardim?

terça-feira, janeiro 29, 2008

Adeus, senhor Ministro

O Eng. Sócrates reconheceu a proximidade do processo eleitoral e tratou de se livrar de uma das maiores chagas que caracterizavam este governo.
Temos de reconhecer que o senhor Ministro da Saúde trouxe algo de novo ao quotidiano dos portugueses. Não, não foi o cinismo com que enfrentava o diálogo com as pessoas. Esse era comum ao seu colega da agricultura e ao actual colega da propaganda. A grande inovação do Ministro Correia de Campos residiu na transformação de ambulâncias em maternidades e serviços de urgência, acompanhada pela responsabilização de bombeiros como médicos assistentes. Nunca ninguém fez tanto mal ao Serviço Nacional de Saúde que já não era famoso.
Esperam-se melhoras? Não acredito muito. Mas, para já, há que respirar e deixar um voto: Vá, senhor Ministro. Vá e não volte!
Colecção Caravana, Vol III - O faca voadora

Data de edição: primeiro trimestre de1962
Dimensão aproximada: desconhecida
Número de páginas: desconhecido
Organização: desconhecida
Capa: indisponível
Sinopse da obra: Vic Farison chegou a Golden City em meados do século XIX. Ninguém conhecia em pormenor a sua actividade. Sabia-se que vivia sem dificuldades, mostrava uma atitude pacífica e bonacheirona e era um fiel seguidor do governador a cujo gabinete gozava de acesso a qualquer momento. Tinha, no entanto, uma particularidade que fazia com que muita gente o receasse. Era um exímio manejador de facas e punhais, distinguindo-se pela notável precisão para lançá-las a grande distância ou para apunhalar os seus adversários pelas costas. Chamavam-lhe, por isso, o Faca Voadora.
Um dia, estabeleceu-se um grande armazém num local privilegiado da cidade, o Hazelnut Valley, local até aí apenas utilizado como dormitório. O nome dado a esse armazém, Model Store, mostra que terão sido seguidas todas as directivas existentes à época para a sua instalação, apesar do aspecto descuidado do espaço circundante. Mas o mais estranho foi, numa rua de acesso ao mesmo, na qual não era permitido o trânsito de carroça, ter sido estabelecida um semáforo em madeira, subido e descido manualmente de dez em dez minutos, que causava grande transtorno aos populares que se viam obrigados a saltar pelos montículos de pedra circundantes às vezes com grandes cargas de produtos.
As preocupações cresceram quando esses locais passaram a ter a preferência de malfeitores que realizavam ali os seus assaltos aos incautos compradores. Muitos apareceram esfaqueados, bolsos completamente vazios e os que escaparam com vida diziam que nada tinham ouvido nem visto para além de um silvo que cortava o ar a grande velocidade.
O pânico começou a tomar conta da cidade. Que se passaria? Porquê aquela praga de assaltos junto ao Model Store? Haveria alguém que conseguisse deslindar aquele caso e explicar o estranho silvo de que muitas vítimas falavam? As suspeitas recaíram sobre Farison dado o padrão de assaltos e o seu gosto por facas e punhais, mas ninguém o tinha visto nas imediações nem o próprio operador de semáforo que jurava não ter dado por nada. Voltaria Golden City à sua tradicional paz?

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Colecção Caravana, Vol II – Lex Colt



Data de edição: Fevereiro de 1962
Dimensão aproximada: 70 * 105
Número de páginas: 80, dactilografadas, tinta preta
Organização: 7 capítulos com título: I - Regresso acidentado; II - A verdadeira personalidade do juiz; III - O traidor; IV - Amigo inesperado; V - A partida de um filho; VI - Mate uma pedra; VII - O rapto
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um pistoleiro que se exibe de arma na mão e ar arrogante, a aba do chapéu cainda discretamente sobre um dos lados da cara e tapando-lhe o olho. Outros pormenores interessantes: o verde, a cor das montanhas, o arame farpado de desenho perfeito, o logotipo da colecção. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: Começaram a chamar-lhe Lex Colt devido à sua capacidade para, contra tudo e todos, impor a sua lei através do poder das suas armas. Aos vinte e cinco anos, já tinha abatido mais de trinta adversários, em combates leais, é certo, mas para os quais o seu desafio muitas vezes era irrecusável. Levava uma vida errante que, um dia, o conduziu até Golden City, uma pacata cidade com gente humilde e trabalhadora sujeita ao estranho poder de um homem de negócios, David Ó Bössta, detentor de notável capacidade para motivar as pessoas para fins colectivos e proveito próprio. A última façanha de Ó Bössta tinha consistido em ser o fiel depositário dos fundos que os populares tinham junto para erguer uma escola na cidade e, em vez de satisfazer a sua vontade, utilizou-os para montar o seu escritório pessoal a partir do qual dominava os negócios. A população sussurrava baixinho contra Ó Bössta, mas não se atrevia a enfrentá-lo. Lex apercebeu-se da situação e a obra desenvolve-se através de uma narração em que se assiste à comovente regeneração do pistoleiro operada através do pôr as suas capacidades ao serviço daquelas pessoas. Conseguirá Lex Colt destronar David Ó Bössta? Ou será a sua regeneração tardia? Terão os habitantes de Golden City os fundos destinados à sua escola aplicados com esse objectivo?

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Colecção Caravana, Vol I – O Rural voltou

Data de edição: Janeiro de 1962
Dimensão aproximada: 70 * 105
Número de páginas: 92, manuscritas, tinta azul
Organização: 8 capítulos sem título; o IX aparece iniciado sugerindo que a obra ficou inacabada
Capa: em papel "Cavalinho" a cores, representando um cow-boy que espera enquanto um homem está pelo chão, sem consciência, provavelmente morto. Reparem no excelente pormenor da cerca em madeira. Desenhada pelo autor a partir de decalque de fonte já desconhecida
Sinopse da obra: acabada a guerra da secessão, Claude estabeleceu-se numa povoação onde conviviam antigos nortistas e sulistas. Apesar das feridas deixadas pela guerra, o relacionamento entre as pessoas era na generalidade bom, mas havia dois conhecidos de Claude que não lhe perdoaram a condição de antigo nortista. Um deles, Larry Ferguson, era o pai de uma escultural e linda menina a cujos encantos o ex-combatente não conseguiu escapar. A paixão entre eles cresceu até que um dia foi descoberta por Larry que tentou afastar Claude da filha. Não o conseguindo, optou por o atacar das mais diversas formas. Num desses ataques, Claude foi abrigado a abater alguns homens de Larry e, apesar de o combate ter sido leal, formou-se contra ele formidável opinião negativa que o levou a abandonar a terra por alguns anos. A filha de Larry não o seguiu, sofrendo com a sua ausência. Longe da sua terra, Claude dedicou-se à defesa da lei e da ordem integrando um corpo de polícia do Texas que o levou a múltiplas aventuras. Um dia, pensando que tudo estaria esquecido da mente das pessoas, voltou à sua terra, para recuperar a sua amada. Mas encontrou o local em que vivera sob o jugo do todo poderoso Arino the Kat, detentor de extensa propriedade, com múltiplos pistoleiros a soldo e capaz dos actos mais vis para sustentar o seu poder. Contava-se que um dia tinha entrado na povoação com a manada de gado tresmalhada e pistoleiros a soldo, disparando para o ar, arrasando completamente uma das suas ruas, sem qualquer respeito pelos que lá viviam, e com a argumentação de que aquelas casas “estavam no sítio errado”. Nada podia motivar mais o nosso herói do que repor a lei e a ordem na sua terra e recuperar a mulher que adorava. A obra continua através de um conjunto de peripécias cujo desenlace não é fácil de desvendar... Quem vencerá? Claude? Arino the Cat? Encontrará ele a sua amada? E Larry? Nas novas condições, aceitará tê-lo por perto?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A obra do blogger enquanto jovem e escritor

O Carnaval está à porta pelo que o OUREM decidiu ridicularizar ainda mais o seu autor, expondo-o à dura e exigente crítica dos seus amigos (oureenses e outros), através da divulgação de um segredo até agora fielmente guardado e só conhecido da família, do Rui Melo e da Paulinha (estes devido a invisível divulgação durante as últimas autárquicas).
Trata-se do seguinte: entre 1962 e 1963, nos seus treze, catorze anos, o Luís era um entusiasta criador de estórias do Oeste Selvagem, muitas das quais antecipavam o actual ambiente de facínoras que se respira em certos lugares da nossa terra e país, mas que nunca saíram do baú para publicação ou divulgação. Produziu quase uma dezena de obras organizadas numa colecção designada por Caravana o que lhes conferia um certo sabor a pioneirismo...
Neste momento, é impossível refazer texto entretanto desaparecido ou divulgar algum que ainda exista mas cujo conteúdo é de profundo e insofismável mau gosto. Naquele tempo, a cabeça do autor jorrava cowboiadas a toda a hora, conferindo-lhe um alheamento que todos notavam e, por vezes, estranhavam, mas que correspondia a elevado processamento intelectual. No entanto, pode ser estabelecido um catálogo relativo a tão notáveis criações (e reparem que o autor não só fazia o texto como criava belíssimas capas para o mesmo decorrentes da total ausência de jeito para o desenho) que assim ficará para a posteridade e anulará os efeitos de corrosão temporal que aqueles documentos sofreram e continuarão a sentir até à sua extinção...
Isto demonstra que uma acusação que alguns anos depois um amigo (o Boisano) fez ao autor, no Quelhas, não tem razão de ser. Dizia ele:”Aos dezoito anos, o Marx já tinha escrito vários textos a criticar os hegelianos. Tu ainda nada fizeste”. Não era verdade como podem agora constatar os meus amigos.
E, para apresentação, chega. Os próximos posts serão dedicados, com eventuais interrupções dedicadas aos comentários que a actualidade suscitar, às obras de juventude do autor...

quarta-feira, janeiro 23, 2008

E o OUREM também tem



E o mais engraçado é que penso ser a primeira edição (ver a discussão no Anónimo). Foi adquirido antes de 9-1-71, uma altura muito quente para os lados do Quelhas. Se a edição foi apreendida, fomos mais rápidos que a própria PIDE...
O prefácio é do Sérgio (fez tantas que acabou por ser convidado a passar o 25 de Abril em Caxias).

terça-feira, janeiro 22, 2008

Pedido de contagem de tempo de serviço

A dobrar os sessenta, surge inevitavelmente o momento em que há que ponderar o custo-benefício de perder 2*4,5% relativamente à saúde mental e disponibilidade de tempo que daí resultarão.
No último Poço, alguns amigos manifestaram-se contra as antecipadas. Ouvi-lhes as razões, mas penso que quem tem períodos contributivos longos não pode concordar com eles que, possivelmente, terão beneficiado ao longo de todos estes anos daquilo que não descontaram... Além disso, é uma vaga para os mais novos...

sábado, janeiro 19, 2008

Vieram cantar-me as Janeiras

Manhã de sábado em Ourém...
A inevitável passagem pelo Central fez-me deparar com um café relativamente despovoado. Foi, portanto, fácil ocupar a mesa do Sol e ali permanecer deliciando-me com o cálido ambiente.
Cá fora, alguns fumadores satisfaziam o vício dando uso de Inverno à esplanada. A certa altura, vi o Sol a afastar-se da mesa já que o Nuno foi obrigado a descer o toldo para proteger esses clientes.
A quase escuridão que se formou deixou-me um pouco taciturno, mas não por muito tempo. Eis que ao longe se começou a ouvir agradável som. Vozes, violas, um bombo com aquela magnífica ressonância. Depois, avistei-os: eram miúdos e graúdos em magnífica partilha com os oureenses. Passaram pelo talho, pela farmácia, pela loja do povo, pela loja do sr. David e, pouco depois, ali estavam. Confraternizaram no exterior e no interior. Deliciaram-nos com as suas vozes e a sua mensagem dirigida a "uma casa de gente honrada".
Há muito tempo que não tinha uma passagem tão agradável por Ourém.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Anti-europeu?




Se calhar até sou…
Mas confesso que não sabia. Não sabia até ouvir, ontem, as declarações no Parlamento de sua excelência o sr. Ministro Santos Silva, que tutela a Comunicação Social. Há muito tempo que não ouvia verborreia tão prepotente, arrogante, mesquinha mesmo. Muito para além do Eng. Sócrates...
Não é que fosse grande amigo da Europa. A sua construção sempre me fazia surgir aquela ideia de “uma reacção do imperialismo à crise geral do capitalismo”... mas, ao mesmo tempo, era atraente. Mas o que não posso ser adepto é de uma frase do tipo “todos para a Europa e à força” que decorre com toda a justiça do seu discurso. Oh! Que lembranças me traz dos saudosos tempos da salazarenta figura...
Não posso abdicar do meu direito à opinião. E o facto de entender que o tratado de Lisboa devia ter sido ratificado por referendo não dá a ninguém o direito de me excomungar e afirmar coisas como sua excelência o sr. Ministro afirmou. Coisas execráveis. Pestilentas. Parecia que destilava ódio para os opositores. Coisas que não fazem esquecer o mal que este Governo nos tem feito em termos de saúde, educação, poder de compra e vai continuar a fazer. Coisas que merecem censura, pois então!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

2,5%

Meu pobre cabaz de compras!
Como está desfigurado e quase abaixo da subsistência mínima! Já quase nem leva transportes, comida e renda de casa. Onde param os livros, os discos, as viagens, o convívio...?...
Já nem nos números do INE acredito... e mesmo com esses ando há muitos anos a perder!
2,1%

Foi uma grande vitória!
Consegui todos os objectivos...
Melhor que eu só o Luís há uns anos quando desafiou a Camarilha que vai arrasando Ourém...
Olhem do que o Pessoal se livrou

O comendador Berardo queria presidir ao Conselho de Remunerações...
Que teria tal função de aliciante para um accionista? Para este accionista...
Possivelmente, aquilo que os accionistas desejam: um maior excedente... agora, não pela via do trabalho extraordinário não pago, mas pela remuneração normal a crescer (?) a um ritmo inferior...
Ou estaria ele a pensar em alguma franja especial de trabalhadores?

segunda-feira, janeiro 14, 2008

O quiosque

Há dias, em paragem junto do senhor Manuel Cartucho, ele, na sabedoria que tão longa idade lhe confere, afirmou: “Olhe, meu amigo, acredite no que lhe digo. Mal passe de ano, desaparecem metade das empresas do país”. Não sei se a estatística dele estará ou não correcta. A verdade é que, aqui para a minha zona de trabalho, o desaparecimento de pequenas lojas tem sido avassalador.
Agora, foi o simpático quiosque dos jornais. Naquele sítio, onde paramos todos os dias, onde há sempre mais uma palavra de quase amizade, não se encontrou viabilidade para prosseguir. E, um dia, chegaram a dizer-me: “Fechamos e não temos quaisquer perspectivas sobre o que vamos fazer”. Quer dizer, é preferível fechar do que fazer qualquer coisa mesmo que, teoricamente, esta deixe margem...
Bem pode São Cavaco pregar contra o crescimento das desigualdades. Estas reforçam-se todos os dias como resultado directo de uma política que tem o foco nas pessoas como principal inimigo. À pauperização absoluta da grande maioria dos portugueses, a que temos vindo a assistir, só pode seguir-se a continuação da espiral de pauperização até que leve à ruína e inação todos aqueles cujos rendimentos se baseiam na actividade local. É uma espécie de contradição criação * realização do valor. Quando tudo terminar, o senhor Ministro poderá orgulhosamente ufanar-se frente às câmaras: “Meus amigos, conseguimos a vitória final: o défice é zero%!”.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Aeroporto

Eu sei que vou chatear os ribatejanos essencialmente muitos oureenses (anda para aí um que diz que não se sente ribatejano, mas já fez mal que chegue na cidade pequena e, em breve, estará de partida...). Mas mandam a economia e os altos interesses do capital que o aeroporto seja em Alcochete. O que é que os capitalistas com interesses na Ota têm a mais do que os que apostam em Alcochete? Nada, absolutamente nada. Pelo contrário, ali, bem perto do deserto, vamos construir uma verdadeira cidade aeroporto. Uma cidade que se dizia “Jamais...”. A especulação vai disparar e eu vou poder cobrar mais receitas. Que me interessa que umas avezitas viessem passar uns tempos ao estuário? Vão saber-me muito bem assadinhas no forno com puré de batata e agriões... Não era o tal que dizia que a comidinha estava toda feita antes de tirar a tampa? Esta está guardada para depois e vai-lhe fazer muita inveja... E já viram, com a capacidade de rápida decisão que me caracteriza, o que se pode vir a ganhar com a Portela? É preciso estar atento a todos os sinais do mundo que nos rodeia... vindos do que foi e do que será...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Referendo?...

Ó meus amigos, isso era apenas uma promessa eleitoral e, como sabem e é muito bem aceite pelo meu povo, eu não costumo cumprir promessas eleitorais.
Mas permitam-me que vos chame a atenção para mais um pormenor: o que eu prometi foi referendar a Constituição. Ora, o que está em causa não é uma Constituição, é apenas um tratado. E há uma diferença. As constituições referendam-se; os tratados aprovam-se especialmente em assembleias onde haja maioria absoluta.
Referendar o tratado? Já viram o péssimo exemplo de imaturidade democrática que daríamos aos nossos parceiros europeus? E se eles se lembrassem de fazer o mesmo?
Triagem de Hipócrates

Urgências?...
Meu caro amigo, já falámos tanto sobre isso que já o posso tratar assim e acredite que estou a ser sincero. Eu quero servi-lo melhor. Se é urgente, deve vir mais cedo... para poder realizar a sua triagem e esperar pelos corredores comodamente deitado na maca. Com um bocado de sorte, consegue morrer sem se sujeitar a qualquer tortura.
E, sempre que estiver atrapalhado, para chegar mais cedo, aqui tem uma ambulância novinha em folha, capaz de fazer muitos quilómetros, de dia ou de noite, na planície ou na serra, equipada com bloco para partos, bombeiro parteiro e tudo...
Indisciplina de idoso

Pagar o aumento extraordinário por inteiro?
A reformados?
Já viu o péssimo hábito que lhes criávamos? A ilusão monetária torná-los-ia compulsivos gastadores! No próximo ano, estariam a exigir novo extra ordinário aumento.
Não, senhor...
Os nossos reformados querem-se bem domesticados, bem disciplinados. Vão receber e agradecer 12 maravilhosas prestações de 68 cêntimos. Quem é bom, quem é?

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Um mundo pequeno

...
Somos cinco numa cama. Para a cabeceira, eu, a rapariga, o bebé de dias; para os pés, o miúdo e a miúda mais pequena. Toco com o pé numa rosca de carne meiga e macia: é a pernita da Lina, que dorme à minha frente. Apago a luz, cansado de ler parvoíces que só em português é possível ler, e viro-me para o lado esquerdo: é um hálito levemente soprado, pedindo beijos no escuro que me embala até adormecer. Voltamo-nos, remexemos, tomados pelo medo de estarmos vivos, pela alegria dos sonhos, quem sabe!, e encontramos, chocamos carne, carne que não é nossa, que é um exagero, um a-mais do nosso corpo mas aqui, tão perto e tão quente, é como se fosse nossa carne também: agarrada (palpitante, latejando) pelos nossos dedos; calada (dormindo, confiante) encostada ao nosso suor.
...

Este terá sido um dos primeiros livros que li na fase de intensa, acelerada e amaldiçoada formação. De quando em quando, acode-me à memória sempre com uma sensação de amargura e estranheza. Não segui o percurso do autor, apesar de não lhe ter esquecido o nome. Agora, vou relê-lo e guardá-lo de forma a nunca mais voltar a sentir que o tinha perdido.
Ontem, chegou a notícia da sua morte e a inevitável e letal homenagem da RTP que em vida passa o tempo a esquecer-se de gente com valor. Afinal, era um nome importante, um dos maiores do século XX, de acordo com testemunhos como o de Saramago e Soares, apesar de pequenas diabruras como a feita com a tradução do Voltaire...
Curiosamente, soube ainda que um dos seus filhos, o João Miguel, tinha sido meu colega de trabalho numa petrolífera, onde convivemos na área de informática, a qual abandonámos exactamente no mesmo dia e pelo mesmo motivo.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Primeira passeata matinal de 2008

Já é quase sempre assim.
Recusado o esgar de satisfação obrigatório pela mudança de ano, a noite serve para algum convívio, o assistir a alguma televisão e para um deitar cedo que propicia um acordar que convida à primeira passeata do ano. Antes, porém, houve que controlar a Pipoca que andou a passear-se sobre a mesa do banquete, a lamber o leitão e a pôr as delicadas patas dianteiras sobre o Bolo Rei.
Hoje, tudo estava em silêncio e com um esboço de chuva. As folhas amarelas pelo chão contribuiam para uma visão agradável e a ausência total de ruído e de movimento transformavam-se em boas sensações.
Ontem, vi os Gatos, um programa bem melhor que as palermices da concorrência e terminei na quatro onde assisti à sensacional vitória de Ourém no Casamento de Sonho. Como não vi nada para trás deste programa, não vou fazer qualquer consideração negativa relativa ao mesmo. Por isso, parabéns ao Bruno e à Magali, habitantes do Zambujal e os desejos que sejam muito felizes.
Lateralmente, um comentário: é lamentável que os jovens vejam nestes programas (alguns com passagens inenarráveis) a forma de conseguirem resolver os seus problemas de vida. Isto indicia quanto o nosso país e a nossa terra andam a maltratar a juventude com níveis de desemprego nunca antes vistos (apesar da criação líquida de cento e tal mil postos de trabalho durante governo de Sócrates) e total ausência de perspectivas.
E aí vem mais um ano que se prevê mau, mas se prenuncia anedótico: Cadilhe, Menezes, Flopes, Berardo e o Engenheiro com certeza contribuirão para a festa.

domingo, dezembro 30, 2007

Perspectivas para 2008


Fonte: esta figura foi modificada a partir de foto do blog Vila Nova de Ourém (um obrigado ao Acácio Paiva)

Gostaria de desejar aos oureenses um excelente 2008!
Mas a hora na nossa terra é de profunda consternação pela acção da Camarilha que está a levar a cabo o arrasar da Rua de Castela sob o argumento de que as casas ancestrais estavam no local errado e que a ilegalidade reconhecida em tribunal é que é o correcto.
As coisas não ficarão por aqui. É de admitir que as negociatas tragam em breve volumosos mamarrachos para a rua que vão modificar completamente o seu aspecto. É esperar para ver...
Ourém é uma pobre terra a saque, progressivamente endividada ou com endividamento escondido que um dia cederá a sede de concelho à cidade do reitor, começando desde já a adoptar o seu caótico aspecto.
Por isso, 2008 não lhe trará nada de bom, dada a evidente incapacidade para responder aos despóticos actos do presidente David, bem apoiados na vitória eleitoral e numa Assembleia Municipal que de tanto apoio que lhe dá, mais parece usar palas. Que mais podemos esperar? Será que o presidente já pensou se o Central estará no local correcto? E a desgraça é tanta que já não recordo mais símbolos... por isso, não esperem que eu seja cínico e deseje um excelente 2008. Pelo contrário: raios abrasem o David e companhia!

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Às do pedal

Olhem que linda prenda de Natal se podia ter há uns cinquenta anos. A energia exercia-se no pedal e era sustentada pela força de cada um.
Apesar de conduzir tão distinto objecto, fazia-o por especial deferência do Rui, o proprietário legal do NI-11-71. Hoje, olho para a foto como se tivesse sido meu. É que a sua importância reside nos momentos que proporcionou e na magnífica partilha de que foi alvo.

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