sábado, julho 09, 2005

Cultura...



Semelhanças com os que dominam a nossa terra: estes enterram o passado próximo, os outros enterram o ballet.

Fonte BAllet Gulbenkian


Ourém precisa de mudança no poder autárquico - 16
Protecção ao peão

Quem se passeia pelas cidades do nosso concelho apercebe-se do caos rodoviário, do monumental risco que é a travessia de ruas em passadeiras não protegidas por semáforos. O insulto, o desrespeito, o atropelamento, o incumprimento da lei estão na ordem do dia sem que as autoridades ou os responsáveis autárquicos tenham uma atitude para contrariar tais manifestações.

Nas aldeias, as estradas são herança de estreitas ruas antigas, sem passeios, para as quais as casas despejam directamente os habitantes. Aí, a situação ainda é pior, pois a circulação faz-se a uma velocidade excessiva.

Os responsáveias autárquicos não têm manifestado a mínima intenção de modificar este estado de coisas.

Mas é possível a realização de um levantamento por todas as terras do concelho com o objectivo de recurso a acções que garantam:

- a existência de passeios para peões com largura mínima de um metro de cada lado da estrada em todas as ruas das localidades do concelho;

- a modificação das condições de circulação rodoviária de forma a diminuir a velocidade de circulação no interior das localidades ou a garantir alternativas.

Essas acções poderão e deverão ser acompanhadas por outras:

- nas escolas, de forma a desenvolver nos jovens uma atitude cívica mais correcta quando adultos;

- junto das autoridades, que levem a uma modificação da atitude dos agentes de segurança que, de repressiva, se deverá tornar mais pedagógica.

Sérgio Ribeiro, candidato à Assembleia Municipal pela CDU (Coligação Democrática Unitária) compromete-se a apresentar na mesma um conjunto de propostas com o objectivo de melhorar a segurança na circulação dos habitantes, levando-os a poder desfrutar o seu espaço nas melhores condições.


CDU Ourém



Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Por uma vereação em que haja oposição

sexta-feira, julho 08, 2005

Passatempo para o fim de semana - 3


Passatempo Posted by Picasa

Adivinhem quem são.
A pista é: melhor fizessem o passeio à volta da escola e tratassem das questões de circulação.


Ourém precisa de mudança no poder autárquico - 15
Criar e/ou melhorar a rede de bibliotecas do concelho e pô-la ao serviço dos oureenses

Consultando a página da Câmara na Internet, podemos concluir que o concelho dispõe de um valioso conjunto de bibliotecas.

Mas não é preciso muito tempo para nos apercebermos que os oureenses não podem tirar delas todo o partido a que têm direito: não têm funcionamento em horários satisfatórios, não dispõem dos recursos humanos necessários, possivelmente não existe qualquer comunicação entre elas.

A autarquia ignora esta situação como se a organização actual fosse a única possível.

Numa acta recente da Câmara, mostra-se preocupada com a aquisição de uma impressora no valor de centenas de euros para produção de cartões de identificação como se este fosse o problema essencial do funcionamento de um conjunto de bibliotecas (ou mesmo, acrescentamos, como se isto fosse problema).

A CDU (Coligação Democrática Unitária), através da acção de Sérgio Ribeiro na Assembleia Municipal e dos seus candidatos eleitos para essa e outras estruturas representativas do poder autárquico, bater-se-á pela melhoria do acesso à cultura por parte dos oureenses, promovendo acções que conduzam:

- à criação de uma rede digital de bibliotecas no concelho;
- à informatização dos seus catálogos;
- à disponibilização dos seus serviços em linha, possibilitando o acesso dos utentes a qualquer das suas unidades constituintes para empréstimo ou leitura local;
- à dotação com os recursos humanos necessários e
- à adaptação dos horários às necessidades dos utentes.

O voto na CDU é, assim, um voto na melhoria das condições de vida dos oureenses, designadamente nas condições de acesso à cultura.


CDU Ourém

Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição

Letras brasileiras


Uma conferência Posted by Picasa

Eis mais um livro integrando o fabuloso espólio que recolhi na minha recente visita a Ourém. Desta vez, o texto de uma conferência sobre poesia brasileira do início do século passado.
Confesso que não tenho paciência para ler o texto da conferência.
Quanto à poesia, os meus amigos julgarão a partir das amostras que vos deixo.
Eu gosto
O fogo

Floresta espessa a terra toda inteira
Cobria duma viride folhagem:
Partindo-a ao meio a sinuosa esteira
Dum fio d’água rindo, entre a folhagem...

Foi na aza transparente duma aragem
Que a centelha chegou, e fez fogueira.
Tudo caiu nessa infernal voragem,
Na pagada agonia verdadeira.

Vento frio levou a cinza quente;
E ao vir, em um estremecimento,
Renasceu a floresta, mais virente...

Fogo-do-Amor! Ó centelha dum beijo!
ó Floresta do humano sentimento!
Ó chama vã e eterna do Desejo.

Flexa Ribeiro
Rústica

É o fim da tarde. No vapor dourado
Que ourela e frange as nuvens do ocidente,
Todo se envolve o laranjal. Pesado
Chia um carro de bois morosamente.

Súbito, range a rústica porteira
Num som ríspido, escancara, se abrindo;
Voam no espaço nuvens de poeira
E o gado investe p’ra o curral, mugindo...

Crianças brincam lépidas, saltando,
Numa alegria tréfega e radiosa;
E num concerto misterioso e brando
Soa de noite a voz misteriosa...

Frémito de azas trémulo e macio
Pelo arvoredo, vagos sons, rumores
De entrechocadas folhas... e erradio;
Por toda a parte, o hálito das flores.

Em ranchos desce a gente da lavoura,
De enchada ao ombro, contornando a serra;
E, languida, no céu, formosa e loura,
Vénus, o olhar pacífico descerra.

Zalina Rolim
Boca

É perfumada e faz lembrar o ninho
De um madrigal à sombra dum poema!
Ao vê-la, sinto a perfeição suprema,
A mais alta beleza eu adivinho

Coral que se faz cálix para o vinho
Que dá vida e calor a quem se algema
No imaculado e escultural dilema
De dois braços de mármore e arminho.

Rosa de primavera, altiva e casta,
Estrela que anda aqui pelo universo
Clareando a minha solidão nefasta...

Boca vermelha, onde, mavioso e terso,
De beijos virgens um colar se engasta
Como a palavra “amor” dentro dum verso.

Mendes de Oliveira
Ouvir estrelas

- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! – E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via látea, como um pálio aberto,
Scintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: - Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi: - Amai, para entendê-las,
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

Olavo Bilac

quinta-feira, julho 07, 2005

A lavagem


Recomenda-se Posted by Picasa

Antes de almoçar, especialmente...


Ourém precisa de mudança no poder autárquico - 14
Estas “notas”


Estas “notas” começaram a ser divulgadas há algum tempo, procurando-se, com elas, dar a conhecer posições nossas, relativas às autárquicas 2005, e promover debate, troca de impressões.
A primeira foi elaborada e distribuída ainda em Março. Há, portanto, mais de três meses. E temos mantido uma saída regular, o que faz com que esta seja a 14ª e já duas estejam prontas para serem distribuídas.
Dizemos o que somos, ao que vimos, levantamos questões, apresentamos as nossas propostas. Estamos em campanha eleitoral, tal como a entendemos, há mais de três meses.
Mas a política em geral, e a oureense em particular, não é assim que se faz. Faz-se com nomes, com “fulanização”, o que este disse, o que aquela fez àquele, a intriga doméstica, o clientelismo na tradução “se queres o nosso apoio, o nosso subsídio, participar na partilha do bolo… vota em nós” com a contrapartida “sim, senhor… voto eu e a família toda… mas vejam lá se me empregam o rapaz, se me alcatroam a estrada e etc.”, e com troco ou bónus “tá bem… ainda te levamos os velhotes a dar um passeio anual”. Só que se parte de um logro inicial: o apoio não é “deles”, o subsídio não é “deles”, o bolo “deles” não é. Tudo o que “dão” é nosso (sem aspas) e “eles” “dão” a uns, segundo critérios seus, o que de todos é por direito de todos.
E parece que só os nomes dos candidatos é que interessa. Na verdade, as equipas são indispensáveis. Mas equipas/soma são uma coisa, nomes/parcelas são outra. Bem diferente.
Há três meses que estamos em campanha para as autárquicas, que definimos o objectivo nº. um de eleger Sérgio Ribeiro para a Assembleia Municipal, que distribuímos estas “notas”, que são fruto de participações várias… e é como se só houvesse aquele nome e nada mais contasse.
A seu tempo, haverá mais nomes mas, por agora, insistimos em apresentar ideias e levantar questões.
É a nossa maneira, procurando implicar cada vez mais pessoas na reflexão sobre os seus problemas.



CDU OURÉM______________________________
Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
uma vereação em que haja oposição

Fora com invasores da nossa terra!


A arte de Garcês Posted by Hello

A arte de Garcês permanece actual e continua a apresentar formidável relação com a nossa terra.
Seria bom...


A arte de José Rui Posted by Hello

...novo ciclo de BD na Som da Tinta e podermos apreciar ao vivo autores que ainda resistem.
Inspiração

Isto, hoje, está muito mau.
A visão dos testes por corrigir é deprimente. Apetece-me fugir desta vida cheia de obrigações. E aquele filósofo obstinado lá me faz ter de suportar isto mais dois anos. E se sair sem bengala já é muito bom...
Mas tenho duas referências de BD para partilhar convosco e isto recorda-me o ciclo de banda desenhada organizado pela Som da Tinta. Garcês passou por lá, foi o autor de um livro com a História de OUrém e a referência que vos trago é respeitante a um resistente aos invasores franceses. Também nós precisamos de um Falcão em Ourém. O outro autor é José Rui que, desde muito novo, me habituei a admirar como presença constante nas revistas que lia.
Finalmente, disponho de mais um comunicado da CDU. Esta organização é um autêntico pronto-socorro para o nosso blog. Não tenho textos, mas aí vem mais um da CDU. Poucos meios, como me disse o Sérgio na nota que o acompanhava, mas muita vontade de servir o povo da nossa terra.

quarta-feira, julho 06, 2005

Novos sinais de trânsito


Um governo atento às novas realidades Posted by Picasa

Eis como as recentes medidas de Sócrates podem ser um incentivo à inovação (neste caso, em matéria de sinais de trânsito).
Ourém, caso de estudo?

Passar a manhã a corrigir testes...
Chegar ao fim da mesma e ver que ainda faltam muitas horas.
Testes que me fazem lembrar Ourém...
... e as coisas boas que ela tem...
Os motoristas do ministro Costa, o justiceiro

Diz o Correio da Manhã que são apenas cinco... tantos quantos os dias úteis da semana... ou serão tantos quantos os membros do agregado familiar?
A ser verdade, em momento de elevado desemprego, louve-se esta contribuição do sr. Ministro para a sua descida...


Ourém precisa de mudança no poder autárquico - 13
Promover a habitabilidade das aldeias do concelho

Ao longo dos anos, temos vindo a assistir à concentração da população nos meios urbanos mais desenvolvidos e ao progressivo abandono das aldeias do concelho. Nos próprios meios urbanos, pequenos núcleos como o de Castela e dos Álamos, foram e continuam a ser sujeitos a formidável agressão em ordem a viabilizar a construção em altura e o enclausuramento das pessoas em habitações com melhores condições, é certo, mas onde se perde a vivência ao ar livre e algum sentido comunitário.

Paralelamente, desenvolve-se a especulação imobiliária e torna-se a população trabalhadora exclusivamente dependente das actividades nas cidades.

O desenvolvimento da crise da União Europeia e do país leva-nos à consideração de que o retorno à aldeia será uma alternativa que poderá minorar, nos viveres quotidianos, os efeitos da crise do sistema capitalista.

O trabalho no campo, a criação de aves e outras espécies para autoconsumo e troca de excedentes no mercado proporcionarão aos oureenses uma almofada paara resistir aos vorazes avanços do sistema em que estão inseridos representado e defendido pelos actuais detentores do poder na autarquia.

Por outro lado, o aproveitamento de aldeias correctamente equipadas, com fins turísticos, poderá apoiar novas direcções de desenvolvimento do nosso concelho.
Para isso, é preciso dotar as aldeias de melhores condições de habitabilidade.
Os candidatos da CDU bater-se-ão sempre pela melhoria das condições de vida da população que representam.

Sérgio Ribeiro, candidato à Assembleia Municipal – como os outros candidatos nas listas da CDU – promoverá, se eleito, o levantamento completo e sistemático das necessidades das aldeias do concelho com o objectivo do fazer ressurgir uma nova vida nas aldeias adaptando-as a novas necessidades dos produtores ou à sua reutilização em termos turísticos.



CDU Ourém________________________________
Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição

Os "bóstricos"


Instruções úteis Posted by Picasa

Ataca as árvores recentemente cortadas ou derrubadas e aquelas que, embora de pé, enfraqueceram por qualquer razão.
Ourém estava de pé, adormecida...
Foi atacada por uma praga de “Bóstricos” que lhe minaram a seiva, a história, o movimento...
É preciso acabar com eles!

terça-feira, julho 05, 2005

O troca-tintas

É do Notícias de Fátima:

A instalação de uma antena retransmissora de telemóveis na Moita Redonda está longe de ser consensual. Um grupo de moradores daquela localidade não aceita que a antena seja instalada num terreno privado situado a poucos metros das habitações, por temerem eventuais consequências para a saúde. Alegam também que nunca foram consultados sobre o processo.

Os contestatários concentraram-se quarta-feira, dia em que estava prevista a colocação da nova antena, junto ao local da obra, impedindo assim a sua instalação.

Vítor Frazão, que também esteve quarta-feira de manhã no local, deu a garantia aos populares de que a antena não iria ser instalada, assegurando que iria mandar embargar a obra. E, de facto, um fiscal municipal deslocou-se ao local, ainda durante a manhã de quarta-feira, com a ordem de embargo. Mas na realidade a obra acabou por não ser embargada, uma vez que a notificação do embargo só pode ser feita à direcção técnica da obra ou ao titular do alvará de licença

Chama-se a isto respeitar a vontade popular e dos grandes interesses económicos que se lhe opoem. Mas o povo da Moita Redonda, um dia, ajudará a correr com estes fingidos...


Ourém precisa de mudança no poder autárquico - 12
Apoio à edição de obras de autores oureenses

Uma breve consulta às actas das reuniões do município permite-nos concluir que os actuais responsáveis autárquicos têm uma actuação relativamente à edição de obras de autores oureenses extremamente negativa e incompreensível. Assim, é fácil constatar que é possível a existência de apoios, manifestados na decisão de aquisição de um certo número de exemplares de obras relacionadas com outras autarquias e a recusa de autores locais.
É legítimo que a autarquia adquira os livros que muito bem entender necessários à sua actividade ou destinados ao conhecimento da envolvente e da sua evolução. O estranho é que o faça com um carácter de apoio. A que propósito a autarquia de Ourém subsidia o Seminário Diocesano de Leiria adquirindo 10 exemplares de “Catedral de Leiria. História e Arte”, de Virgolino Ferreira Jorge (coordenador), cujo preço de venda ao público é de 30,00 euros por unidade?
Tal atitude mostra que se torna necessária uma política mais clara e cujo objectivo seja o apoio à publicação de obras de autores oureenses, independentemente, das suas opções ideológicas ou da sua filiação partidária.
São bem conhecidas as restrições que as editoras mais ou menos conceituadas utilizam na relação com autores desconhecidos. A sociedade tão livre em que vivemos não permite que os autores cheguem ao mercado, porque a acção das editoras tem de subordinar-se à actuação neste e procurar atingir o lucro. Assim, autores consagrados têm o caminho normalmente aberto, novos autores encontram inúmeras dificuldades e veem a sua produção ser desestimulada.
É possível fazer algo para contrariar esta total dependência perante as leis de mercado, de modo que os autores desconhecidos consigam lá chegar para dar visibilidade às suas obras. É possível a definição de uma política de apoio a obras de autores não consagrados.
Para ter essa política basta a definição de um conjunto de requisitos em termos de formato, número de páginas, conteúdo não ofensivo e pertinente, a constituição de uma pequena equipa de apreciação, o acordo com tipografias para a feitura em condições económicas de certo número de exemplares e o acordo com algumas livrarias para a sua distribuição interna e exposição. Definido um padrão quanto ao livro, o orçamento autárquico estabeleceria ano a ano os valores a alocar a esta rubrica, os quais em termos individuais não deveriam ultrapassar o padrão estabelecido por tipo de obra.
Sérgio Ribeiro tem sido um dos autores oureenses mais produtivos, mas a quem não tem sido atribuído apoios pela Câmara para a feitura de livros importantes, embora de mercado restrito, de que o exemplo mais significativo é a obra “Nos 50 anos da Casa de Ourém”.
Por isso, torna-se necessária uma nova política, uma política clara de apoio a autores oureenses. A mudança por que a CDU se bate – bateu e baterá –, independentemente dos lugares em que possam estar eleitos seus, é antes de mais uma mudança de entendimento da política de apoio à edição de obras de autores oureenses que deverá processar-se criando estímulos à sua actividade.


CDU Ourém___________________________________
Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
uma vereação em que haja oposição

O troglodita da Madeira...

...voltou a atacar, desta vez virando a sua fúria quase asssassina contra os desgraçados da China, da Índia, da Roménia que não encontram condições de vida no seu país e procuram vender a sua força de trabalho pelo Mundo.
Sejamos claros. Todas os imigrantes têm lugar na nossa sociedade desde que se sujeitem às leis que nos regem a todos e desde que exista para eles uma ocupação útil em termos sociais.
Fala-se na insegurança, no desemprego, mas aqui só há uma resposta. Controlem-se as entradas e o que essas pessoas vêm fazer. Muitos vêm para empregos que não competem com os que os portugueses procuram, outros têm habilitações que seriam muitos úteis ao desenvolvimento do país...
Têm trabalho? Vêm estabelecer-se e o seu projecto tem sustentabilidade no país? Oferecem garantias de que podem educar os filhos, evitando-se a marginalização? Muito bem, fiquem...
Portam-se mal, vêm para a mendicidade, para a economia paralela? Aeroporto mais próximo...
Vêm para a construção, ilegais, arrastados por promessas de melhores mundos? Chame-se o empresário à pedra, caia-se sobre a rede de tráfico, examine-se se é reintegrável...
OTA, TGV, despesismo

Ontem, Belmiro arrasou na primeira intervenção: “melhorem o que já têm“.
Esta mensagem também se aplica a Ourém: “recuperemos e melhoremos o que possuimos. Não permitamos que continuem a destruir o nosso passado para construir falsos modernismos. Acabemos com o despesismo que conduziu a Câmara aos limites do endividamento”.

segunda-feira, julho 04, 2005

Afonso Gaio

Um excelente conjunto de posts no Outrora complementa o que aqui inserimos sobre este oureense ilustre. Considerando que eventuais sobreposições não são relevantes, deixamos apontadores para o que os dois blogs terão publicado:
No Ourém
No Outrora
Ciclo de debates do Partido Socialista


Pela Democracia Participativa Posted by Picasa

Com o objectivo de envolver os cidadãos na construção dum Projecto de Desenvolvimento para o nosso concelho num exercício de Democracia Participativa, a candidatura socialista levará a efeito, durante o mês de Julho, um ciclo de debates com os seus candidatos onde serão tratados os temas:
- Planeamento e ordenamento do território (11 de Julho)
- Associativismo, cultura e desporto (13 de Julho)
- Acção social e saúde (15 de Julho)
- Educação (18 de Julho)
- Proximidade ao cidadão (20 de Julho)
- Juventude (22 de Julho)
- Desenvolvimento Económico e Inovação (25 de Julho)
Todos estes debates se realizarão pelas 21h30m na sede de candidatura.

E assim se vai contribuindo para construir uma Ourém melhor.
O OUREM regista e agradece a amável atitude do candidato socialista no convite para estar presente.
O dedo na ferida: a lei de financiamento das autarquias

Considero muito importante o que se diz num comentário de um anónimo ao texto “A semente do mal”.

Diz o nosso leitor que a autarquias têm, elas próprias, interesse na especulação, seja qual for a sua orientação (PS, PSD, CDU).

Confesso a minha ignorância sobre a questão de financiamento das autarquias.

Julgo que o argumento tem alguma razão: com a subida dos terrenos e do valor das habitações, as contribuições para as autarquias sobem pelo que há é que alimentar o processo...

Mas penso que a lei de financiamento é o quadro em que se desenrola a actividade do autarca e, consequentemente, a campanha. Por outras palavras, penso que é mais um problema do governo central do que local. Pelo facto de existir este fenómeno, condicionante da actividade dos autarcas, não me parece legítimo que se preconize a abstenção de acção ou de participação.

Pessoalmente, acredito que a oposição em Ourém, designadamente a oposição alicerçada na CDU, não pactuará em qualquer contexto com a especulação e que apoiará todas as acções tendentes a bani-la do concelho. Será uma forma de se poder enunciar nova palavra de ordem: por um desenvolvimento limpo em Ourém.

É possível um desenvolvimento diferente, com mais participação e associação entre as pessoas, menos virado para o lucro imediato, um desenvolvimento que potencie os recursos que a nossa terra já dispõe e que os tente aproveitar no benefício dos oureenses (de todos e não apenas daqueles que...) e do país. E a campanha vai mostrar isso...
Passatempo para o fim de semana - 2


A garça vermelha Posted by Picasa

Ninguém respondeu...
Tratava-se de Eduardo Barrento nascido em 1968 em Torres Novas. Cresceu em Vilar dos Prazeres, Ourém, onde contactou pela primeira vez com os animais selvagens: répteis, que um velho sábio o ensinou a conhecer e a respeitar.
Ainda antes de saber ler ou escrever, começou a desenhar e a pintar, e, claro está, os seus temas favoritos eram animais.
Mais tarde, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa descobriu uma nova paixão: a fotografia. Desde então, na última década, tem registado a Natureza em Portugal, com especial incidência para os animais selvagens. Ao mesmo tempo tem exposto em galerias, como artista plástico, sempre com o tema da Natureza presente, embora apresentado de maneira diferente.
Trabalha também como fotojornalista, primeiro na área do desporto, agora dedica-se quase em exclusivo à Natureza.

Alguns prémios:

1º. Prémio - Concurso Nacional de Fotografia Científica, Coimbra, Abril de 1999;
1º. Prémio e Menção Honrosa - Cor é Vida da Minolta, Lisboa, Janeiro de 2000;
1º. Prémio - concurso on line fotoclube.com, Outubro de 2000.


Via Eduardo Barrento - Fotografia

domingo, julho 03, 2005



Ourém precisa de mudança no poder autárquico - 11
Perspectivas estratégicas (?!)

Consultando o documento que apresenta as perspectivas estratégicas para Ourém, vê-se que em 128 milhões de euros que os actuais responsáveis pelos destinos do concelho contam gastar até 2013, não existe uma palavra dedicada aos sistemas de informação e de comunicação, à relação com o munícipe, à melhoria dos processos administrativos na Câmara, matéria que faz sofrer e muito todos os que necessitam dos serviços da mesma.

Não faz qualquer sentido a Câmara tratar do que está à sua volta sem tratar de si mesma. E, aqui, era necessária total reengenharia de processos.

Sem produzir qualquer despedimento, é possível apostar na substituição do trabalho manual pelo trabalho digital e no aproveitamento das pessoas assim libertas, para a relação com o munícipe, no edifício central ou em pequenas delegações espalhadas pelas freguesias, requalificando-as como guias para o acesso aos serviços da autarquia.

É visível a pobreza em matéria de articulação das nossas freguesias com a Câmara Municipal em termos de sistemas de informação e comunicação.

Quem quiser comunicar com esta tem de deslocar-se a Ourém com custos e perdas de tempo. Seria benéfico para os oureenses a criação de gabinetes de apoio ao munícipe pelas freguesias que, articulados em rede entre si, com a Câmara e eventualmente com as Finanças e o Registo Predial, permitissem a submissão de processos, a sua consulta e inclusivamente a recepção de resposta, tudo isto devidamente apoiado em pessoas.

Aliás, seria mais proveitosa a descentralização dos serviços da Câmara pelas freguesias do que a sua concentração em novo edifício.

Esta descentralização, apoiada em tecnologias de informação e comunicação, procuraria suprimir o suporte papel, apoiar-se-ia em pessoas libertas de funções ultrapassadas e, como tal, não levaria forçosamente ao aumento de despesa.
Ourém precisa de uma voz que apresente novas perspectivas para a relação da autarquia com todos os oureenses, desenvolvendo uma cultura de respeito e submissão às necessidades dos mesmos que contrasta com a arrogância e sobranceria que caracterizam os actuais responsáveis.

A mudança por que a CDU se bate – bateu e baterá –, independentemente dos lugares em que possam estar eleitos seus, é antes de mais, uma mudança de atitude na relação com os munícipes: os eleitos e os serviços de que vão ser responsáveis existem única e exclusivamente para servir o povo oureense.



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Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
uma vereação em que haja oposição

O albergue dos anónimos

O comunicado 10 da CDU produziu algumas fricções provenientes essencialmente de anónimos. Chegou-me aindo ao conhecimento que alguém rejeita o que se disse sobre o belo jardim frente ao Central. Alguém que nem é da nossa terra...
Está bem, pode não ser verdade, pode ser feíssimo, mas acreditarão que, em muitos dos seus pontos, eram identificáveis recordações, pessoas, factos...?
Isto dava-lhe beleza e todo o sentido o que contrasta com a atitude do críticos que legitimam a sua destruição, após a observação com um olhar frio e distante, suportado em superioridade cultural em tudo semelhante àquele que levou espanhóis a humilharam outras civilizações, brancos a converterem-se em negreiros ou a instalarem índios em reservas.
Esta atitude é a mesma que legitima a acção de Catarino, transformando Ourém numa coutada subordinada a espíritos superiores que não são obviamente os que adoram esta terra.
A semente do mal

Há dias, tive um pesadelo. Para o bem e para o mal, não posso deixar de o partilhar com os meus amigos...

Sonhei com uma lucubração estatística que conseguia levar tudo à mesma unidade, comparando a situação em 1960 com a situação em 2000 para cinco elementos fundamentais: culto, restauração, comércio, serviços de alojamento e especulação. Admiti que faziam um todo e tentei medir a contribuição de cada um para esse todo...

Que dizer do culto? Com certeza que em 1960 era extremamente importante, talvez o elemento mais importante dessa cidade, claramente dominante, atribuamos-lhe, numa escala de 0 a 100 o valor de 65.

E a restauração? Na década de 60, haveria alguns locais, umas tasquinhas, talvez 5%.

Quanto ao tradicional comércio, também não seria excessivo, admitamos 15%.

A produção de serviços de alojamento estaria entre os dois valores: 10%.

Finalmente, a especulação: já existia, um terreno nessa cidade custava bem mais do que em Ourém, mas não era muito significativa: 5% .

O desenvolvimento veio a modificar este equilíbrio. A cidade, de bonita, transformou-se num trambolho onde o cheiro a frango assado, misturado com o gasóleo queimado dos autocarros que em plena rua põem os motores em funcionamento para os seus passageiros desfrutarem de ar fresco quando a ele regressarem, mais o esburacado criminoso do arvoredo que rodeava o santuário bem patente nas clareiras, mais o ruído associado a manifestações que têm a ver com tudo menos com a religião evidencia brutal degradação do ambiente. Mas podemos ir mais longe: quantas habitações lá existem à espera de revalorização?

Dirão: mas existem mais e melhores serviços de hotelaria e alojamento. Sem dúvida, é uma realidade indesmentível, aí está um activo valioso para o desenvolvimento.

Apesar de tudo, a especulação teve um incremento notável. À custa de um pequeno cochicho, fazem-se negociatas de milhares de euros. Isto não é criação de riqueza, é um facto económico, mas em nada beneficia o concelho e o país. A partir deste exercício de constatação tentemos uma medição nos moldes anteriores.

A especulação será muito mais importante, digamos 15%.

A produção de serviços de alojamento cresceu muito e terá ultrapassado ou igualado
o comércio (20%, para ambos).

A restauração também cresceu e melhorou: 10%

Que resta para o culto? É importante, mas um valor bem inferior ao de 60: 35%.

Façamos as contas: qual foi a alteração sentida em cada um dos elementos considerados?

Representemos graficamente os resultados a que chegamos e que, recordamos, são resultado do meu pesadelo:


Mudanças no longo prazo Posted by Picasa

Acordei e, rapidamente, descobri que tudo era um disparate. Efectivamente, em Fátima, não há sinal de especulação operada com terrenos e imóveis. Não existem monumentais mamarrachos, desocupados, à espera de revalorização. Estava enganado, a semente do mal não concorre com a palavra de Deus.

sábado, julho 02, 2005

Um ilustre contemporâneo


Seiça tem um poeta Posted by Picasa

Carlos Frias de Carvalho nasceu em 1945 em Seiça, Ourém. Frequentou Engenharia Química no I.I.L e Química na Faculdade de Ciências da U.L. Foi professor do ensino técnico em Vila Franca de Xira e trabalhou na indústria alimentar na área da Química Laboratorial. Foi dirigente associativo do movimento estudantil na área cultural. Colaborou em jornais como o Notícias de Ourém, Diário de Lisboa, A Capital, Diário Popular, A República. Exilado de 1969 a 1974 em França, aí colaborou na revista O Imigrado Português.
Poeta e escritor, está representado na antologia Poemabril, edição Nova Realidade e no Cântico em Honra de Miguel Torga, edição Fora do Texto.
Acerca da sua obra literária escreveram, entre outros, Manuel da Silva Guimarães, Carlos Loures, Urbano Tavares Rodrigues, Bernando Santareno, Cupertino, Mário Castrim, António Luís Moita, Júlio Conrado, Miguel Serrano, Cecília Barreira, António Ramos Rosa, João Rui de Sousa, José Manuel de Vasconcelos. É fundador e director da galeria de arte Ara desde 1988. Obras: Antes da Água (em colaboração com João Vieira), Escrita da Água (em colaboração com Saskia Moro).

Procurei, em vão, qualquer poema na NET para ilustrar a obra deste autor. Resta uma hipótese e deixo o desafio ao NA grande conhecedor do conteúdo do Notícias de Ourém: não tem nenhum texto ou poema do Carlos Frias, digitalizado, lá publicado, que pudessemos reproduzir em conjunto?
Isto aquece

O comunicado número 10 da CDU tem provocado alguma polémica, troca de mensagens e comentários na imprensa local.
Relativamente a um desses comentários, aparecido no Notícias de Fátima, gostaria de deixar um esclarecimento: o texto que originou o comunicado não era da CDU, mas da minha inteira responsabilidade. Eu próprio o propus à CDU como elemento da sua campanha e sinto-me honrado por os seus responsáveis o terem aceitado. A abertura da CDU, tão contrária ao que dela dizem muitos oureenses já que eu não tenho qualquer filiação partidária e mantenho que uma solução tipo José Alho na presidência da Câmara e Sérgio na Assembleia seria um bem para Ourém, dá uma dimensão completamente diferente às posições que tenho defendido relativamente a uma terra que tanto gostei e, reparem, nenhuma outra organização tomou idêntica atitude para comigo.
Atendendo a que pode não estar tudo dito sobre o nº 10, puxei-o um pouco mais cá para cima.


Ourém precisa de mudança no poder autárquico - 10
Agressões ao património urbanístico

Ourém é, hoje, uma coutada de Fátima através do exercício do poder por Catarino. Faz-se aqui o que os de lá impõem. Tal reflecte-se em múltiplos aspectos de que o menos importante não será, por exemplo, a atenção dada ao seu património urbanístico.

Os responsáveis pela autarquia não hesitaram em destruir o belíssimo jardim frente ao Central para transformarem aquele espaço em pedra sem sentido. Consta que tinham dinheiro da União Europeia e não sabiam o que haviam de fazer com ele. Melhor estivessem quietos e o devolvessem à origem. Depois, indemnizaram-nos com um parque bem afastado da vivência diária, onde temos de nos deslocar para o usufruir.

Os responsáveis pela autarquia não hesitam em destruir a “aldeia de Castela” que tem o seu expoente mais significativo na casa do Largo de Castela, preparando-se no entanto, a troco de chorudas indemnizações, para reconstruir a casa do Administrador. Está clara aqui a lógica: Ourém ganha sentido em função de Fátima, para eles Ourém não tem história própria.

Isto é ofensivo dos oureenses.

Fátima, sendo um acidente na história de Ourém, tem todo o direito ao seu caminho, à sua história, ao seu desenvolvimento, mas não a comprimir e abafar o dos oureenses. Acresce a esse facto o de nos mostrar, pelos exemplos do seu desenvolvimento, que o mesmo é também constante agressão ao património urbanístico onde mamarrachos se sobrepõem a mamarrachos numa espiral cujo crescimento não anuncia nada de bom.

As pequenas moradias de Fátima de outros tempos estão completamente destruídas ou engolidas pelos novos interesses que a dominam. Fátima é local de negócio muito mais que local de fé, cujo ambiente paradisíaco foi completamente perdido, excepto na caminhada denominada Via Sacra. Mas, mesmo aí, não sabemos quanto tempo resistirá aos interesses do capital.

Fátima tem de desenvolver-se em termos de bons serviços àqueles que a procuram pelo desenvolvimento da espiritualidade. E, quer siga os seus destinos em termos autónomos quer os siga integrada no concelho de Ourém, deverá ter, no suporte ao peregrino, em todas as suas dimensões, a sua razão fundamental de existir.

Ourém precisa de vozes que denunciem, sistemática e coerentemente, as agressões ao seu património operadas em benefício de negociatas privadas quer elas se processem em Ourém, em Fátima, em Seiça ou na mais pequena terra de qualquer freguesia do concelho. A mudança por que a CDU se bate – bateu e baterá –, independentemente dos lugares em que possam estar eleitos seus, é antes de mais uma mudança de entendimento do conceito de desenvolvimento que deverá processar-se respeitando o passado de todos os oureenses.


CDU Ourém_________________________________
Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição



(Primeira publicação em 29 de Junho)

sexta-feira, julho 01, 2005

Um passatempo para o fim de semana


Mais simpático que muitos autarcas Posted by Picasa

Isto hoje não anima, os acessos estão muito inferiores ao que aconteceu ontem pelo que resolvi deixar-vos um passatempo e ir de fim de semana.
No entanto, quero testemunhar que, aqui da minha janela sobre São Bento, tenho assistido a algumas manifestações que se têm sucedido de forma impressionante. O Eng. Sócrates parece apostado em virar o país todo contra ele. Não é que não tenhamos de fazer sacrifícios pelo país, mas assim... de um modo tão autoritário... a tirarem-nos o direito ao descanso como se o tivessemos ganho criminosamente (eles é que dizem: a reforma do ex-vice do Banco de Portugal está dentro da lei - e só descontou 6 anos; a minha não deve estar e já lá vão mais de trinta).
Bom, mas vamos ao assunto. O autor da foto é obviamente um artista e teve uma relação com Ourém. Vejam lá se descobrem: quem é? por onde andou em OUrém? outros trabalhos...
E, se não for antes, até segunda...
Fascínio


Livro de Leitura Posted by Hello

Palavras para quê?
Mais um livro que me fascina pelo aspecto e pela simplicidade e ingenuidade de muitos dos seus textos. Um livro, por onde, certamente, terão estudado muitos oureenses do século passado.
Aqui ficam alguns extractos.
Alvorada no campo

No remoto casal, do cimo da colina
O galo solta a voz vibrante e cristalina.

A calhandra a cantar, da abóbada isolada
Anuncia também a próxima alvorada.

Vivo, mas criador, o límpido nordeste,
Meneia a ramaria ao pinheiral agreste.

Na aldeia, aqui e além, metem o pão tendido –
Remédio da semana – aos fornos em brasido.

Aguilhada na mão, o tardo lavrador
Leva pela azinhaga o carro gemedor.

As ovelhas do bardo, e as cabras do curral
Rompem a tilintar coleando pelo val.

Ao monte, enxada ao ombro, o cavador fragueiro,
A cachopa a bater as pedras do ribeiro,

E o destro naioral, co’a boiada bravia
Lá vão a labutar por todo o santo dia

Inda estrelas no céu. Lá vão. Clareia agora:
As sombras a tremer refogem com a aurora

Bulhão Pato
Epigrama

Um rico velho avarento,
Jé bem perto de expirar,
Para fazer testamento,
Manda o tabelião chamar.

Com timbre de voz roufenho
Diz o velho a suspirar:
- “Deixo tudo quanto tenho...”
E não podia acabar.

O tabelião, cansado
Do seu tempo em vão gastar,
- “Tenho escrito”, diz zangado,
“O resto? – queira ditar.”

- “Deixo tudo quanto tenho...”
O velho torna a chorar.
Pára um pouco e diz roufenho:
- “Porque o não posso levar.”

F. Xavier de Novais
A raposa e as uvas

Contam que certa raposa
Andando muito esfaimada,
Viu roxos maduros cachos
Pendentes de alta latada.

De bom grado os trincaria,
Mas, sem lhes poder chegar,
Disse: estão verdes, não prestam,
Só cães os podem tragar.

Eis cai uma parra, quando
Prosseguia o seu caminho;
E, crendo que era algum bago,
Volta depressa o focinho

Bocage

quinta-feira, junho 30, 2005

Fachada: uma galeria para a fotografia...


Isto vem no Notícias de OUrém

“Se me tivessem dito que isto estava vedado, tinha-me ido embora na sexta-feira. A impressao que tenho é que isto foi para a fotografia”. As palavras são de Maria Teresa, a galerista responsável pela exposiçao de pintura que teve lugar na nova galeria municipal, no parque linear, inaugurada durante as Festas da cidade.

A galerista não consegue entender a forma como foram tratados os artistas, nomes consagrados da pintura, considerando que aquela exposiçao nao seria a indicada para estar patente naquele local e durante esta ocasiao.

Não aceita que o espaço tenha sido vedado para a realizaçao dos espectáculos e acusa ainda o barulho feito durante os ensaios dos concertos que decorreram nas noites do último fim-de-semana.

Diz Maria Teresa que esse barulho não permitia sequer que as pessoas pudessem desfrutar da paz e concentraçao necessárias para apreciar arte. No momento em que manifestava o seu descontentamento ao Notícias de Ourém, a galerista fazia-o também ao vereador da cultura e ao chefe da divisao sócio-cultural da Câmara.
...
Maria Teresa termina a dizer-se “desgostosa com o que aconteceu” e a reafirmar a sua convicção de que “este tipo de arte (onde se incluíam nomes como Paula Rego, Malagatana ou Chichorro, entre outros) não se adapta a este tipo de eventos”.

A responsável pode ter alguma razão, mas, quando visitei a galeria, não me foi entregue qualquer informação adicional à referente a designações e preçário. Quando tentei lá voltar, estava cercada pela vedação e João Moura afadigava-se com os acabamentos da envolvente. Quem quer vender autores famosos e caros tem de investir um pouco mais na promoção e efectivamente o que a exposição parecia era um convite à compra cega...
E não digam que não colaboro


O melhor amigo Posted by Hello
Jazz-fado



Ide até lá e apreciai:

neste momento, no mercado de Ourém, entre a peixaria e a secção de frutas, já podem ouvir-se passagens de "A Júlia Florista" executadas pelo ti' Manel, o Rao Kiao de Ourém, que antecipam o sensacional concerto que terá lugar no próximo sábado na Som da Tinta...

Ourém, terra de Cultura


Composto e impresso na Tipografia Oureense Posted by Hello

Olhamos para a Ourém de hoje e interrogamo-nos: como é possível em 1960 se ter realizado uma conferência sobre um homem da terra, apoiada pela Câmara, pelo Notícias de Ourém, pela Biblioteca Pública e pela Casa de Ourém?
A dar maior ênfase a esta admiração, o facto de este texto ter sido editado pela Tipografia Oureense. Não calculam os meus amigos o que eu percorri, em vão, à procura de alguém que me publicasse as estórias a um preço aceitável e, afinal, na década de sessenta, tudo parecia mais fácil.
Vamos deixar alguns extractos desta obra interessantíssima.
Os que estiverem mais interessados encontrarão algumas obras do autor na Biblioteca da Casa de Ourém.
Um oureense ilustre


Afonso Gaio Posted by Hello

Afonso Gaio nasceu em Ourém em 25 de Outubro de 1871. Era filho do dr. Joaquim Gomes Vieira Gaio, natural do Reguengo, distrito de Leiria que veio advogar para Ourém em 1844 e aqui desempenhou as funções de presidente da Câmara, de administrador do concelho, de comandante da guarda de segurança com o posto de tenente-coronel e também foi administrador da Casa de Bragança.
O Dr. Gaio era o cavalheiro a quem o concelho deve muitos bons serviços citado por Neves Eliseu no “Esboço Histórico de Vila Nova de Ourém”. Faleceu em 1873, isto quando o seu filho Afonso tinha 2 anos, deixando a sua família crivada de dívidas e na miséria.
Imaginamos que a juventude e crescimento do jovem Afonso não tivessem sido muito fáceis que em 21 de Dezembro de 1879 foi internado na Casa Pia de Lisboa. Isso não o impediu de desnvolver uma obra notável. Deixou-nos apenas dois romances, “Os Novos” e “O Poder do Ódio”, um livro de contos, crónicas, conferências, e várias pequenas obras e, como dramaturgo, deu-nos cerca de uma vintena de peças, como poeta, cinco livros um dos quais, a sua última produção “Os Escravos” só por si, deveria ter chegado para o consagrar.
A influência de Antero e de outros magníficos vultos da nossa cultura no final do século XIX está geralmente presente.
Contra o lógico e o natural, não obstante a vastidão e o quilate do trabalho realizado, e as qualidades do carácter, merecedores da simpatia e do respeito alheios, Asfonso Gaio acumulou decepção sobre decepção, como se um grande poder adverso, desde o início o marcasse, o estigmatizasse indelevelmente.
(post baseado no texto da conferência)
(ainda no princípio e já quase qual vencido da vida...)

A culpa é minha – porque não tolero
A vida boa ou má numa aventura,
Pois não abri meu livro àquela altura
Do meu desejo, onde gravasse um – quero!

A culpa é minha, disse. E desespero!
Talvez já sem remédio, sem ter cura!
Mas a insistir com toda a desventura,
Porque, afinal, eu sinto que inda espero!

Venho falar das queixas do Passado,
E tenho-as do Presente! Não me assiste
O direito de crer outro o culpado.

Bem me dizia o coração, de triste,
Vendo passar injúrias a meu lado:
- Se tu não sabes rir, vê lá – desiste!...
(após a morte da mãe...)

Como um conto de fadas, muito antigo,
Em pergaminho lívido gravado,
Eu tenho escrito a vida do passado
Tão branca como a cinza de um jazigo.

Vão-se os olhos chorando, ao ver que sigo
Todas essas saudades; e, mau grado
Meu, quando volto ao tempo namorado,
Maior dor nessa hora está comigo!

Parte da minha vida se desterra.
- Para onde? Nem eu sei! Porque meus passos
Nem sabem da alma que meu corpo encerra.

Desde que alguém fugiu levando os braços
Onde eu, crente, dormia cá na terra,
Como as estrelas dormem nos espaços!

quarta-feira, junho 29, 2005

De volta às terrinhas das freguesias


Mais uma obra prima Posted by Hello

À falta de outra matéria, iniciámos mais um passeio virtual pelas freguesias do concelho. As escolas são um local privilegiado para encontrarmos coisas engraçadas e que não merecem ser perdidas. É o que se passa com a escola de Salgueira, uma terrinha da freguesia de Casal dos Bernardos onde a poesia já se incorpora no trabalho dos alunos, embora por vezes numa perspectiva um pouco agressiva:
Minha terra é Salgueira
Não nego minha nação
Eu não sou como você
Que é de lá e diz que não

Viva o lugar da Salgueira
É bonito e tem de tudo
Tem rapazes para a guerra
Raparigas para o estudo

Ana Rita 4º ano


Ourém precisa de mudança no poder autárquico (9)
A água e o (des)ordenamento

Em Ourém, foram precisas 5 décadas para que o abastecimento público de água chegasse a todos os pontos do concelho.
No entanto, certas regiões do concelho, especialmente na parte norte, estiveram sempre aprovisionadas deste bem indispensável como se pode comprovar pelos furos artesianos que há anos jorram metros e metros cúbicos de água potável (às vezes para a valeta...), beneficiando de extensos lençóis freáticos aí existentes. Não admira, por isso, que seja sobretudo na parte norte do concelho que exista maior número de habitações que não optaram pelo abastecimento público de água, que agora lhes chega na forma privatizada e violenta porque coerciva.

A gestão das águas municipais parece a saque e é particularmente atractiva nas situações acima referidas, quer pela abundância do recurso, quer pela permissividade política.
O financiamento de base é público, quer se trate de organismo público ou de concessão de serviços. O “talento privado” é o de optimizar esse financiamento em proveito próprio, e o contrato da exploração privada é «completado» pelo acesso a milhões de euros por parte da autarquia, os quais, em vez de serem afectos ao orçamento da água e do saneamento, vão ser usados no orçamento geral, para tudo menos para o fornecimento de água. Depois, é o utente que paga a factura da água (associada por esta autarquia à do saneamento) ao longo do contrato. Sem o saber, paga a fiscalidade local, substituída por essa factura…
Os benefícios políticos que os autarcas daqui tiram são fáceis de perceber!
O desordenamento de que o nosso concelho tem sido vítima, expressão máxima do clientelismo que por cá se enraizou, tem também expressão na contaminação e ameaça de contaminação que não é acautelada pois tais questões não são ponderadas dado que outros interesses prevalecem. De tudo um pouco se vê, como gasolineiras construídas precisamente sobre zonas de lençóis freáticos, ou onde a sua existência é muito provável, o que logicamente permite inferir da possibilidade de contaminação por hidrocarbonetos. Algumas destas gasolineiras estão mesmo dentro de zonas de reserva ecológica, o que, para além da grave e permanente ameaça de contaminação, constitui um atentado à paisagem envolvente.

Com o crescimento populacional e a continuada falta de ordenamento, os lençóis freáticos situados nas localidades em crescimento vão-se tornando inutilizáveis, as infra-estruturas de saneamento não são modernizadas, ou são ainda inexistentes como em vários locais do nosso concelho, a escassez obriga os aglomerados a abastecer-se em fontes mais distantes com o correspondente (pode mesmo dizer-se, nesta lógica de exploração, com o desejado) aumento da factura.

Dizia Platão, filósofo grego nascido no ano 348 a.C., em As Leis, Livro VIII “ De todos os alimentos da horticultura, o mais nutriente é seguramente a água. É porém fácil corrompê-la, pois não sendo a terra, o sol, ou os ventos que nutrem as plantas, fáceis de arruinar por via de drogas, desvios ou mesmo roubos, a todas estas inconveniências está por natureza exposta a água. Por isso se impõe uma lei que a proteja”...
...que não ponha a sua exploração a servir interesses privados!



CDU-Ourém:____________________________
Sérgio Ribeiro de volta à Assembleia Municipal
Uma vereação em que haja oposição

Quem será?


Almanaque DN Posted by Hello

O homem que se esconde sob as barbas e é capa do Almanaque do DN de 1955 já a antecipar a fama e o sucesso que alguém teria no início do século XXI?
É que a vaia a que o venerado presidente David foi sujeito, digna de almanaque, indica um caminho possível para contestar a sua teimosa presença em Ourém...
A vaia

Que ingratos!
Verdadeiros arruaceiros...
Um pouco mais e ainda lhe davam um banho na fossa que corre lá à frente a céu aberto...
Decerto não merecem o esforço que este homem tem dedicado a OUrém, recebendo apenas metade do vencimento a que teria direito conforme refere o Região de Leiria (em texto - os amores de Catarino - que mais parece publicidade paga).
Agora aguentem as consequências.
Taxas de resíduos sólidos, licenças para construção, prazos de entrega de documentos, prazos para deferimentos será tudo a triplicar.

terça-feira, junho 28, 2005

Um texto(zinho)
Por Sérgio Ribeiro

Veio a Ourém uma mulher muito bonita. De 78 anos.
Uma grande escritora. De contos. De poemas. De palavras simples contando a(s) vida(s).
Uma mulher transbordante de ternura. De humanidade.
Mas – também! – uma mulher com força. Determinada. Na luta. Com outros. Com muitos outros por um mundo outro. Por um mundo de viver humano. Nosso.
Foi um encontro. Um convívio. Um conVIVER com os outros.

Nesse mesmo dia, veio a Ourém uma máquina. De ganhar dinheiro. Servindo(-se de) um homem.
Uma máquina impressionante. De marketing. Um produto para o mercado!

No primeiro acontecimento, estiveram/participaram dezenas de pessoas. Em convívio. No final, todos se sentiam melhores, mais ricos, mais humanos.
No segundo acontecimento estiveram milhares de pessoas. Comeram sardinhas e beberam vinho. Ouviram muito som e ofuscaram-se com muitas luzes. Não sei se teriam saído melhores do que entraram. Talvez... até porque, ao que parece, muitos extravasaram uma vontade de vaiar quem consideram que merece ser vaiado. O Presidente da Câmara de Ourém.
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