sexta-feira, janeiro 20, 2006

O dia em que a vi pela primeira vez na cidade da moura encantada
Subi a escada levado pelo meu irresistível sentido de futuro melómano. Mal cruzei aquela porta, os meus olhos deram com ela. O impacto foi imediato e nunca se desvaneceu.

Cabelos de ouro
Tom rosado de pele
Eis o meu tesouro
Olhos cor de mel

A partir daquela hora, não a consegui largar. Inventava motivos para a ver, para a acompanhar. Mas do outro lado, a recepção não era calorosa. Sentia-me mal amado, rejeitado.
Aos fins de semana, ao chegar a Ourém, as saudades e o desejo de voltar não paravam de me perseguir. A música era um refúgio. A música em canções tristes, em ambiente que noutras condições não conseguiria suportar:

Le ciel est si beau ce soir
La nuit est si bleu ce soir
c'est lá ou je me sens
perdu comme un enfant
le ciel est si beau portant

Depuis que l'ont se quité
je n'a jamais eu d'eter
soudain je viens d'avoir
envie de te revoir
le ciel est si beau ce soir

Longtemps j’ai atendu
Alongs de ta rue
Mais tu n’est pas venue
Je suis reparti sans rume
tout seul atravers la nuit

Mais je ne veux pas croir
qu'il n' y a plus d'espoir
le ciel est si beau ce soir
le ciel est si beau ce soir

...
(Perdoem os erros). Percebem agora por que as memórias vinílicas têm tanto a ver com a vida oureense?

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Paraíso para uns, Inferno para outros

INTERVENÇÃO DO PÚBLICO PRESENTE
De acordo com o que foi deliberado na reunião de 26 de Outubro de 2005, a Câmara começou por ouvir os munícipes presentes, mediante a seguinte ordem:
1 - Arnaldo Rola Justino Carvalho, residente na Rua Afonso Gaio, lote 6, 2.º direito, em Ourém, em representação de outros moradores naquele mesmo prédio, que também se encontravam presentes (Ermelinda de Jesus Vieira Quelha e Arnaldo Augusto Fernandes), a reclamar contra o funcionamento do bar denominado “Jogral”, sito na referida rua e a solicitar a redução do horário de funcionamento do mesmo para as 00h00m.
O Senhor Presidente informou que se irá proceder a vistoria ao bar em apreço e efectuar a medição de ruído no local.
Viva a Igualdade

PEDIDO DE CEDÊNCIA DO CENTRO DE NEGÓCIOS DE OURÉM

Foi apreciada uma carta, datada de 21 de Dezembro em curso, do Director da Campanha Distrital do Prof. Aníbal Cavaco Silva, a solicitar a cedência do Centro de Negócios de Ourém, para a realização de actividades de campanha eleitoral, no dia 05 de Janeiro de 2006.

A CÂMARA DELIBEROU, POR UNANIMIDADE, AUTORIZAR A CEDÊNCIA DO ESPAÇO, DEVENDO OS CUSTOS COM TRABALHO EXTRAORDINÁRIO COM PESSOAL E CLIMATIZAÇÃO SER SUPORTADOS PELA ENTIDADE ORGANIZADORA DO EVENTO.

DEVERÁ SER SOLICITADA A RESERVA À EMPRESA CENTRO DE NEGÓCIOS DE OURÉM, LIMITADA, NESTAS CONDIÇÕES.
O Ricardo António

Teve canções bem engraçadas.
Algumas eram bem mais vivas do que aquela que temos em fundo.
Outras como o "Ce Monde" ou o "Aranjuez, mon amour" terão sido bem conhecidas dos amigos oureenses e ainda se ouvem com agrado.
Vou deixar-vos alguns apontadores para:
Palavras das canções a partir das quais podeis ter acesso a pedaços de MP3
... e prometo-vos para amanhã mais um texto relativo àquele tempo em que alguma destas canções foi importante.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

... à Presidencial Tragédia

O demónio corta as unhas à sexta-feira

... mas este parece que quer fazer reuniões à quinta. Reuniões produtivas, diz ele.
Não se tenham dúvidas.
A política anunciada é a que já vem sendo executada há vários anos. Com Barroso, com Sócrates, com dos Santos.
Os seus resultados são bem visíveis no monumental empobrecimento dos portugueses em todos os aspectos da sua vida.
A única diferença é que este é tecnicamente melhor, mais refinado, tem fama de competente. Mas a sua base social de apoio não engana.
Ele pode nem ser má pessoa, até pode ser honesto, mas a sua companhia é duvidosa...
A história repete-se

Primeiro é uma comédia, depois uma tragédia...
Há quem pense que pode reeditar feitos de há vinte anos em que partiu com larga desvantagem e derrotou o candidato da direita, dando monumental gozo aos portugueses.
Depois foi o que se viu. Correr mundo, passear de um lado para o outro, ajudar a destruir o aparelho produtivo, apoiar a lei dos despedimentos, sob a capa de grande defensor das liberdades.
Não garante grande diferença para o anterior. Pelo contrário permitirá que os ministros de Sócrates manobrem até completamente à vontade gerando mais desperdício, como são férteis em fazer.
Tenho pena de dizer isto aos amigos socialistas, mas não me oferece grande confiança...
O vagabundo dos limbos

Agora começo a vê-los: dezenas de colegas que leccionavam na mesma escola que eu, nas comitivas de Sócrates, de Pinho, de dos Santos. Sãos os seus assessores, os novos boys...
Alguns até dão lições de Economia ao primeiro Ministro vindo das áreas da Engenharia e com grande tendência para a formalização matemática.
- Sabe, há uma equação fundamental: Y = C + I + E – M. Y é o Rendimento, aquilo que a nossa economia cria de novo. C é o Consumo, aquilo que andamos a tentar diminuir pois faz aumentar a despesa de Estado. I é o Investimento e não lhe podemos tocar para não aumentarmos a despesa pública. E são as Exportações, estas é que temos de aumentar seja lá como for, para o que temos de ser competitivos, produzir com salários de misério, mandar os desempregados para a China e reformar aos 80. Claro que não nos convem diminuir o M, as Importações porque isso diminuiria os bens de consumo da nossa casta, e as nossas férias na Suíça com direito a muletas...
Pois deste mundo apostado em continuar a afundar a nossa economia, saiu um homem que nos deixou uma magnífica trova. Dar-me-ia monumental gozo que conseguisse passar à segunda volta, apesar de lhe sentir muitas insuficiências no discurso...
A voz da povo

Todos vemos a necessidade da sua presença para nos continuar a alertar e a mobilizar. Vê-se nos que o apoiam, o que de mais genuíno e humilde provem do nosso povo. Trabalhadores, jovens e muitas pessoas provenientes da ciência e da cultura.
É óbvio que não ganhará, que não passará à segunda, mas não esqueçam, amigos oureenses, isto é uma corrida de fundo. E a mensagem de base que, procurando uma sociedade mais justa, menos desigualdades, a defesa da constituição e a reconstrução do aparelho produtivo nacional, é uma mensagem correcta e que cada vez mais se torna simpática para as pessoas.
Não sei se os amigos oureenses terão lido o Público este domingo. Trazia extensa informação sobre a desigualdade. Portugal lá está com um índice de Gini na ordem dos 38,5%, bem longe da Suécia e da Dinamarca. Sempre me disseram que quando este índice se afasta dos 30%, há razão para preocupação. Não a noto nos nossos políticos, mesmo naqueles que querem almofadas sociais para manter a sociedade tal como ela está...
O homem turbilhão

Mais um arauto da utopia, da mudança por quem tenho todo o respeito, mas por quem não sinto significativa simpatia apesar das muitas afinidades doutrinárias e com alguns apoiantes. É óbvio que votaria nele numa segunda volta, mas o mais difícil será lá chegar. Também ele e a sua mensagem vão crescendo num processo que só trará benefícios para a nossa democracia...
O persistente

Permanentemente ignorado, permanentemente marginalizado pela comunicação social, admiro a firmeza com que defende as suas causas e a sua capacidade para sistematicamente manter uma voz diferente que surge em momentos cruciais. Que funcionem as instituições e os serviços, que se crie Economia em vez de a destruir, eis duas ideias com as quais estou bem de acordo...

terça-feira, janeiro 17, 2006

O hino e a PT

E o hino, amigos oureenses?
Será que a Portugal Telecom, uma participada do capital espanhol (apesar de o capital não ter pátria), tinha o direito de se apropriar do nosso hino e integrá-lo na sua campanha publicitária?
Não será o cúmulo do descaro?
Não merecerá para sempre as paragens do inferno? Na companhia de Lucifer...
Apesar de tudo, tenho de confessar que adoro aquela interpretação e só por isso o pecado terá valido a pena...

Dante




Encontro com Beatriz Posted by Picasa

Dante Alighieri nasceu em Florença em 1265 de uma família da baixa nobreza. A mãe morreu quando era ainda criança e o pai, quando tinha dezoito anos.
Pouco se sabe sobre a vida de Dante e a maior parte das informações sobre sua educação, sua família e suas opiniões são geralmente meras suposições. As especulações sobre a sua vida deram origem à vários mitos que foram propagados por seus primeiros biógrafos, dificultando o trabalho de separar o fato da ficção. Pode-se encontrar muita informação em suas obras, como na Vida Nova (La Vita Nuova) e na Divina Comédia (Commedia).
Na Vida Nova Dante fala de seu amor platônico por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari), que encontrara pela primeira vez quando ambos tinham 9 anos e que só voltaria a ver 9 anos mais tarde, em 1283. Nos tempos de Dante, o casamento era motivado principalmente por alianças políticas entre famílias. Desde os 12 anos, Dante já sabia que deveria se casar com uma moça da família Donati. A própria Beatriz, casou-se em 1287 com o banqueiro Simone dei Bardi e isto, aparentemente, não mudou a forma como Dante encarava o seu amor por ela. Provavelmente em 1285, Dante casou-se com Gemma Donati com quem teve pelo menos três filhos. Uma filha de Dante tornou-se freira e assumiu o nome de Beatrice.
Em 1290, Beatriz morreu repentinamente deixando Dante inconsolável. Esse acontecimento teria provocado uma mudança radical na sua vida o levando a iniciar estudos intensivos das obras filosóficas de Aristóteles e a dedicar-se à arte poética.

Fonte: A Divina Comédia

Divina Comédia


Divina Comédia é a obra prima de Dante Alighieri, que a iniciou provavelmente por volta de 1307, concluindo-a pouco antes de sua morte (1321). Escrita em italiano, a obra é um poema narrativo rigorosamente simétrico e planejado que narra uma odisséia pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, descrevendo cada etapa da viagem com detalhes quase visuais. Dante, o personagem da história, é guiado pelo inferno e purgatório pelo poeta romano Virgílio, e no céu por Beatriz, musa em várias de suas obras.
O poema possui uma impressionante simetria matemática baseada no número três. É escrito utilizando uma técnica original conhecida como terza rima, onde as estrofes de dez sílabas, com três linhas cada, rimam da forma ABA, BCB, CDC, DED, EFE, etc. Ou seja, a linha central de cada terceto controla as duas linhas marginais do terceto seguinte.
Ao fazer com que cada terceto antecipe o som que irá ecoar duas vezes no terceto seguinte, a terza rima dá uma impressão de movimento ao poema. É como se ele iniciasse um processo que não poderia mais parar. Através do desenho abaixo pode-se ter uma visão mais clara do efeito dinâmico da poesia:



Diagrama representando o esquema poético da Divina Comédia (terza rima). As letras representam o som das últimas sílabas de cada verso das estrofes de três sílabas (tercetos). Ilustração de Douglas Hofstadter retirada do seu livro Le Ton Beau de Marot.
Os três livros que formam a Divina Comédia são divididos em 33 cantos cada, com aproximadamente 40 a 50 tercetos, que terminam com um verso isolado no final. O Inferno possui um canto a mais que serve de introdução a todo o poema. No total são 100 cantos. Os lugares descritos por cada livro (o inferno, o purgatório e o paraíso) são divididos em nove círculos cada, formando no total 27 (3 vezes 3 vezes 3) níveis. Os três livros rimam no último verso, pois terminam com a mesma palavra: stelle, que significa 'estrelas'.

O Inferno





O Inferno relata uma odisséia pelo mundo subterrâneo para onde se dirigem após a morte, segundo a crença cristã, aqueles que pecaram e não se arrependeram em vida. A viagem, relatada em 4720 versos rimados em tercetos, é realizada pelo próprio Dante guiado pelo espírito de Virgílio - famoso poeta romano dos tempos de Júlio César.
A viagem narrada pelo poema acontece na semana santa do ano de 1300. Naquela época, Dante era um atuante político florentino prestes a ser eleito, dois meses depois, como um dos priores (governadores) da cidade de Florença. Porém, em menos de um ano, Dante foi exilado e expulso da cidade. O Inferno, escrito no exílio, faz referência a vários fatos históricos que aconteceram em 1300 e depois, através de profecias de almas condenadas no Inferno, que vêem o futuro.

(continue a ler O Inferno de Dante)

O purgatório





Qualquer alma pecadora que tenha se arrependido em vida tem direito ao purgatório, por mais graves que tenham sido os pecados cometidos. Aqueles que só se arrependeram quando não podiam mais pecar não podem entrar imediatamente pela porta de São Pedro. Precisam ficar esperando do lado de fora, onde a espera pode durar dezenas de vezes o tempo de sua vida na Terra.
Dentro do purgatório, a alma passa períodos de tempo em um ou mais terraços de acordo com os pecados capitais que tenha cometido em vida. Nesses terraços ela sofre cumprindo penas que tem como objetivo a sua purificação. As penas são às vezes tão terríveis quanto às do inferno, mas as almas cumprem-as sem reclamar, pois têm certeza que, quando o tempo de sua purgação chegar ao fim, lhes será concedida a entrada no paraíso.

(continue a ler o purgatório de Dante)

O paraíso




Bebendo da fonte Lethe Posted by Picasa

Com o olhar fixo, Beatriz encarava o Sol sem piscar, como águia alguma jamais teria feito. Como um raio, seu olhar se infundiu em minha mente que se deixou inundar com o reflexo da sua luz e fez com que eu também fitasse o Sol por mais tempo que eu seria capaz. Naquele lugar sagrado, muito mais coisas são permitidas aos sentidos humanos que aqui na Terra. Não pude olhar muito, mas o suficiente para ver a esfera do Sol contornada por faíscas, como fogo escapando de ferro derretido. Subitamente, pareceu-me que um dia iluminava o dia seguinte, como se Deus tivesse decorado o céu com outro Sol.
Livre da luz que preenchia as alturas, virei o olhar para Beatriz, que permanecia fitando o Sol. E então senti uma coisa que eu seria incapaz de descrever. Algo similar, talvez, à transformação sofrida por Glauco, ao provar a erva que o transformou em um deus. “Transumanizar,” é a melhor palavra que posso oferecer, para algo que não se pode explicar com palavras. Se era apenas a minha alma, separada do corpo, que subia, só aquele Amor que governa o Céu poderia dizer.

(continue a ler o Paraíso de Dante)
Maria do Céu


Por mais politicamente incorrecto que possa ser, tenho de confessar o meu apreço, deste muito pequeno, pelas canções do Tony de Matos.
"Vendaval" e "Maria do Céu" foram canções que os oureenses cantaram muitas vezes à noite nas suas caminhadas até ao colégio e no regresso. E lembram-se daquele Poço (o último em que ele esteve) em que o Luís e a Teresa nos brindaram com uma versão do "Só nós dois"?
Acho também alguma piada a nomes como estes: "Maria do Céu", "Maria do Mar"...
A canção que nos serve de tema teve um destino curioso. Na época era muito ouvida, mais uma estória da desgraçadinha como o Tony gostava de cantar:

Maria do Céu nascera
E em paz crescera
Na Madragoa
Era a mais bela varina
Fresca e ladina
Que houve em Lisboa
Quando chegava à janela
Abrindo-a de para em par
Via o Chico olhar para ela
Ao partir num barco à vela
Para a rude faina do mar
Sempre a cantar

Maria do Céu
Primavera em flor
Serei sempre teu
Adeus meu amor
Se Deus me ajudar
Neste anseio meu
Por ti deixo o mar
Por ti deixo o mar,
MAria do Céu
...
Já calculam o que aconteceu ao Chico: não só não deixou o mar como lá ficou.
Mas estava a falar no destino da canção. A verdade é que nunca mais foi publicada em qualquer compilação, apesar de ser um excelente testemunho do que se ouvia no início dos anos 60.

Eis uma versão de 1984

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Cai chuva do céu cinzento
Fernando Pessoa

Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.
O céu e o inferno na versão Políticos

Prometem-nos o céu antes de lá chegar.
Dão-nos o inferno alcançado que está o poder...
O céu e o inferno na versão Religião

Promete-nos o céu se aceitarmos o inferno da nossa triste condição e não nos revoltarmos contra ela.
Sacia os ricos, os poderosos, os corruptos deixando-lhes a ténue ameaça de um castigo não se sabe onde.

domingo, janeiro 15, 2006

Le ciel est si beau ce soir
Amigos oureenses, aqui estamos a divulgar a primeira canção que faz parte das recordações musicais da magnífica Ourém da minha geração a integrar no CD destinado ao XXI almoço convívio do Poço.
Quase de certeza que ninguém a recordava.
Trata-se de uma interpretação de Richard Anthony, um icon da canção francesa da época, muito popular entre os oureenses. Reparem na melodia, na suavidade, uma música óptima para nos acompanhar nos próximos dias. E conseguimos ouvir os riscos do EP que serviu se suporte a esta gravação...
O título vai dar-nos o mote (o céu e o seu contrário) para a semana que agora se inicia. Existirá algum paraíso em Ourém? Ou será permanentemente inferno? E que pensa o Mounty de tudo isto?


sexta-feira, janeiro 13, 2006

Carta de Sócrates - 2

Uma realização que me pareceu muito boa, proveniente deste governo, foi a relativa a estágios para a miudagem que, recentemente, todos pudemos ver nos jornais e que, por exemplo, hoje, no Público, ainda mexem. Serão apenas 677 lugares para 9000 candidatos, mas, com as dificuldades que todos conhecemos, é obra.
Esperemos que as designações utilizadas para os cursos, talvez excessivamente standartizadas, não sirvam para afastar os que têm cursos na mesma área cujas designações não sejam as listadas.
Esperemos que comecem a funcionar rapidamente e que, no próximo ano, haja novo ciclo.
Carta de Sócrates - 1



De acordo com o Correio da Manhã, a partir de Março, o Fisco pode punir automaticamente contribuintes em dívida, penhorando-lhes carro e salário.
Tenho a impressão que, mais uma vez, estes senhores acertam ao lado. De acordo com o que tenho ouvido, os que mais têm lesado o fisco não são os que dependem do salário, mas os que exploram quem vive do salário. Por outro lado, esses mesmos em termos de automóvel não têm o sentido de propriedade muito desenvolvido, optando por soluções tipo leasing ou renting. Logo, quem vai pagar a factura do “mostra serviço” é, mais uma vez, o mexilhão...
Cartas do Cavaquistão

Aproxima-se mais um número interessante que será alcançado, provavelmente, na próxima semana: 033330.
Ourém parece definitivamente convertida ao Cavaquistão. Mas o país ainda não... ainda há esperança...
Celebremos então o 033330: o autor do melhor texto (na opinião deste humilde blogger) sobre os candidatos presidenciais que seja colocado nos comments deste post receberá, em primeira mão, um CD com todas as músicas da raridade Time Will Pass (onde sentirá o verdadeiro crepitar do vinil)... que, no fundo, significa "mesmo que Cavaco ganhe, um dia cairá". Terá ainda o privilégio de ver o seu texto publicado como post...

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Cartas de despedida

Há cartas de despedida que parecem autênticas cartas de amor.
Um dia também escrevi as minhas...
Mas não as publicarei de tão ridículas que são.
Dei-lhe a forma de versos e ela guardou-os todo este tempo.
Fico contente, no fundo isso quer dizer que houve algum significado em tudo o que, em certo momento, julguei ilusão.

Letter to a lady


Ao longo desta semana temos vindo a ser acompanhados pelo som de fundo dos Spriguns materializado nesta “Letter to a lady”, uma canção que faz parte do album Time Will Pass que, como sabem, aprecio muito.
Foi curta a carreira destes nossos amigos. Quatro ou cinco albuns com algumas modificações no nome, modificações na composição da banda, etc...
Esta canção não faz oficialmente parte das seleccionadas para o CD do XXI Poço, mas, como veem, tem dado pano para mangas. Surgiu uns quinze anos depois da vivência de Ourém, mas lá nos obriga a recordar, e, curiosamente, parece já ter trazido “sinais de outros tempos”.
Os meus amigos encontrarão aqui, letras das canções dos Spriguns, aqui, alguns excertos de músicas suas e, aqui, uma página dedicada à Mandy.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Todas as cartas de amor são ridículas…



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
D'essas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

in letras com garfos
Carta de maus presságios


O avanço do monstro na versão Spriguns

O monstro avança.
Parece imparável o seu crescimento, embora o nosso bravo e fixe guerreiro ainda se bata contra ele.
22 é número chave!
Preparemo-nos para o pior... já que o melhor nunca o soubemos construir e a socrática cegueira o ajudou a destruir.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Carta aberta da Pipoca ao Mounty


O mutante

Vi nesta fotografia a celebração da recepção que dispensaste aos teus donos e senhores recentemente chegados do gozo de férias.
E pareceu-me que tinhas sido sujeito a qualquer mutação genética. Aquelas unhas de fora bem presas na camisola dele... Aqueles olhos de carneiro mal morto... Aqueles mios lânguidos de que ele nos fala no post...
Que se passa contigo, Mounty?
Porventura não vês que eles se livraram de ti por quinze dias? Se fosse comigo, não lhes ligaria nenhuma durante três dias e haviam de sentir-me afiambrar-lhes o dente nas pernas duas ou três vezes quando menos o esperassem. Mas de ti, já nada posso esperar que faça lembrar as felinas qualidades... És, em aparência, gato e, na essência, cordeiro...
O dia em que lhe deixei um bilhete escondido entre os livros

Fiquei a tremer que nem varas verdes. E se ela fosse queixar-se ao boçal director?...
Mas nada disso aconteceu.
O tempo foi passando e um dia chegou a ansiada resposta: “foi para mim uma surpresa... não sei, deixa-me pensar... apesar de tudo dou-te algumas esperanças (são tramadas, nunca dizem que não)... quando me vires, procura-me...”.
Imaginam o sofrimento a partir daí. Quando a veria, quando voltaria a Ourém?
Até que o belo carro negro desceu a encosta e a reaproximou do ponto de encontro. Apanhei-a imediatamente.
- Então? Já tens uma resposta?
- Não sei, deixa-me pensar.
E foi-se. Deixei-a pensar.
Subi a encosta do moinho, contemplei Ourém.
Senti-me levado no espaço, voar...
De repente, uma voz sussurrou-me um "não". Estava à beira de um abismo. Precipitei-me por ali abaixo. Já não vogava pelos ares, caia...!!!
O meu corpo deu um esticão terrível, senti todo o esqueleto a expandir-se. E então acordei. Tinha estado a sonhar. Com a Ourém de outro tempo. De onde tantos já partiram, que não voltarei a encontrar, apesar de esse não ser o meu desejo...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

As cartas que eu escrevi!

Um breve balanço diz-me que devo ter sido um sério contribuinte para o défice dos CTT.
A correspondência escrita fez durante muito tempo parte integrante da minha vida.
Este Natal, as edições de autores portugueses tornaram-se-me atractivas em dois casos: as cartas de Lobo Antunes em tempo de guerra e o autoretrato de Filomena Mónica. A primeira, um texto que retrata múltiplos estados de alma e nos traz a uma época cujas referências nos recusamos muitas vezes a aceitar e que ali estão escarrapachadas, a segunda, a visão que uma filha lúcida da burguesia tem sobre a sociedade do seu tempo, por vezes com um estilo desbocado, mas ultra interessante. Modéstia à parte, os meus amigos já viram o paralelismo com o OUREM? Já viram como este humilde blog está na onda? Parece local, mas é intrinsecamente global. Não desesperemos, o reconhecimento virá...
Mas eu também tive as minhas cartas...
Foram as cartas da cidade do desterro para a cidade da moura encantada.
Foram os bilhetinhos com que bombardeava as coleguinhas...
Foram as cartas em tempo de guerra...
Foram as cartas de homem mau...
... já não falando naquelas missivas curriculares com que, paciente mas infrutiferamente alimentava as bases de dados dos garimpadores de emprego no Expresso...
Mas estão os meus amigos descansados. Todos esses textos terão tido o seu suporte reciclado ou destruído pelo fogo e pela erosão. Não há viabilidade de publicação.
Cartas da cidade do desterro para a cidade da moura encantada

Foram talvez cinco anos...
No primeiro, de quando em quando, numa aproximação suave. O desterro em Lisboa ainda me custou mais que a temporada de Leiria, precisava de alguém com quem desabafar e não fui defraudado.
Depois, foram quatro anos de escritos quase diários, por vezes longos testamentos de análise comportamental e sociológica. Até que ela foi ter comigo. Imaginem a obra prima que daria se fosse hoje publicada...
Cartas de tempo de guerra

A análise política e sociológica continuou perante amigos que foram condenados a participar na guerra colonial. Quantos aerogramas eu preenchi para os acompanhar. Tornaram-se famosos entre alguns deles que os liam em conjunto e me deram disso testemunho no regresso...
Hoje, teriam mais êxito que as Cartas de Marx a Kugelman...

domingo, janeiro 08, 2006

Letter to a lady


Mandy Morton

Pois é, meus amigos.
Após curta interrupção motivada por uma rápida deslocação à nossa terra e fuga àquele frio horrível, retomamos a publicação com uma ligeira modificação de foco.
Os próximos meses serão marcados pelas recordações musicais.
Temos de preparar o segundo volume do estórias e, conforme se lembram, terá a acompanhá-lo um CD com a fabulosa música do nosso tempo, isto é, aquela com que eu dava monumentais secas aos amigos.
Para celebrar esses tempos e uma vez que me é impossível acordar e ver que a realidade actual é sonho e que ainda lá estou, vou dar mais atenção ao vinil e partilhá-lo convosco.
Já percebi que os meus amigos não gostam nada das contas das juntas de freguesia, ponhamos portanto uma pedar nesse assunto. Regressemos às recordações do nosso tempo. À razão de um tema por semana, se não houver nada em contrário, aqui estaremos.
Um pouco à margem disso, mas utilizando os mesmos meios, a referência que aqui deixaremos a Mandy Morton e Spriguns... Para esta semana...


Oiça Letter to a Lady - Spriguns

quinta-feira, janeiro 05, 2006

O caso do financiamento das juntas de freguesia em terras oureanas - V
Conclusão: com a corda na garganta

Ao longo destes dias, disponibilizámos o que conseguimos apurar através de um inquérito ao financiamento das juntas de freguesia.
As nossas conclusões não podem ser as melhores.
Comecemos com a taxa de não resposta. Na sua grande maioria, mesmo fazendo parte de organizações que preconizam a liberdade, o estado social, etc., a maioria dos nossos eleitos entende que não tem de responder a quem se lhe dirige apesar de estar no exercício de cargos públicos. Contudo, tenho esperança que, em próxima realização de inquérito semelhante, com melhor conhecimento da junta (já que tínhamos saido da sua renovação pelas eleições), tudo seja diferente.
Em segundo lugar, são de destacar as monumentais carências reveladas pelos que tiveram a amabilidade de nos responder e que são detectáveis em apuramentos como este: há os que esperam verbas (e não as têm) para obras na própria sede, isto é, no fundo, para terem condições de trabalho que, bem vistas as coisas, são condições de atendimento do povo.
Em terceiro lugar, é de referir a exiguidade de verba disponível para servir o freguês. Muitas juntas utilizam grande parte dos seus recursos para a sua gestão correntes, para o seu planeamento financeiro, isto é, quase que se pode dizer que trabalham para aquecer. Esta constatação é reforçada pela existência de carências herdadas da delegação de competências. Ou nos enganamos muito ou suspeitamos que o pesidente David delega responsabilidades nas juntas sem lhes atribuir os meios minimamente necessários para as cumprir. Esta constatação provém do nível de carências revelado por uma junta que aparentemente já conhecia novas responsabilidades. As carências subiram exponencialmente com estas.
Em quarto e último lugar, é de apontar uma atitude reactiva no comportamento dos presidentes de junta: o ano que corre é para cumprir mais ou menos o que se passou no ano anterior. Não há referências à procura de utilização de tecnologias e sistemas de informação, à actuação no campo cultural, à criação de condições para jovens...
No final de tudo isto, uma questão: perante um quadro como este, o que pode levar alguém a candidatar-se para presidentes de uma junta de freguesia em terras oureanas? Não tendo grandes meios para cumprir a sua missão, qualquer um está sistematicamente condenado à crítica. Será a ocupação de um cargo de poder o grande motivador destas pessoas?

quarta-feira, janeiro 04, 2006

O caso do financiamento das juntas de freguesia em terras oureanas - IV
Composição dos gastos

O quadro seguinte ilustra o modo como, em média ponderada pela verba recebida, as juntas de freguesia repartem os seus gastos (note-se que seria diferente se se levasse em conta as carências).


Os gastos por rubrica considerada Posted by Picasa

O quadro torna evidente o peso da gestão corrente de serviços, da gestão financeira e do planeamento da actividade relativamente ao serviço ao freguês o que significa que a junta pouco mais tem (ou pode ter) do que tratar de si.
Repare-se na exiguidade de certos gastos (colaboração com sistemas de protecção civil e combate a incêndios) quando comparados com os anteriormente referidos ou, por exemplo, com o registo de canídios e gatídios.
Repare-se na total ausência a referências ao desenvolvimento cultural, à fixação dos jovens, à protecção social, à utilização de tecnologias e sistemas de informação ou ao incremento do emprego.
Sendo os valores apresentados uma média, há que notar a monumental variabilidade dos resultados recebidos. Esta pode ser ilustrada pela figura seguinte, verdadeira caixa de bigodes que nos mostra que, a avaliar pela repartição dos gastos, nem todos têm a mesma concepção sobre a importância de cada rubrica.


Uma imagem da dispersão Posted by Picasa
Ele está a chegar...

A utopia vai continuar a ser procurada em Ourém.
Já desesperava da falta de comentários...
Já pensava em fechar a loja...
... mas enquanto um oureense nos ler e comentar, tentarei manter-me activo.
Razões de queixa de uma democracia exemplar

O candidato Mário Soares queixa-se de que a SIC tem feito uma campanha tendenciosa prejudicando a sua candidatura. Chega ao ponto de afirmar que isto poderia ser caso de estudo em cursos de jornalismo.
O que poderia dizer o candidato Garcia Pereira!...

terça-feira, janeiro 03, 2006

Caminhos vicinais

Este caso de financiamente das juntas de freguesia em terras oureanas tem o seu quê de melancólico.
Lembra-nos caminhos para os bailaricos, para as festas do pinhão, para a ida ao moinho, para dar uso à pressão de ar...
O caso do financiamento das juntas de freguesia em terras oureanas - III
Carências

Apenas uma das freguesias que respondeu ao nosso inquérito não identificou qualquer carência ao nível do financiamento para concretização das suas actividades. Por outro lado, uma freguesia identificou um elemento, mas não lhe juntou qualquer montante.
O quadro relativo a esta questão parece revelador de um processo de delegação em transição e também de alguma falta de orientação em relação a grandes problemas que o concelho e o país atravessam.


Quadro de carências confessadas Posted by Picasa

Deste quadro resulta que a carência que reflecte o maior défice de financiamento é a identificada por “Recuperação e manutenção de caminhos vicinais” sem dúvida uma função extremamente importante sob todos os aspectos.
Repare-se que no conjunto de funções não executadas cabalmente, aparecem algumas que nos parecem mais da competência da Câmara do que da junta de freguesias. Tratar-se-á do processo de delegação de que o presidente David tem vindo a falar. Mas se delega e não atribui meios para a função é o mesmo que estar a atirar o problema para cima dos outros. Com efeito, parece-nos pouco normal uma junta construir o seu pavilhão desportivo, ou o seu centro de dia ou que seja responsável pelo saneamento básico. Estas funções carecem de mais meios, mais massa crítica do que o que está nas possibilidades ou nos horizontes de uma junta de freguesia.
É igualmente estranho que ainda seja referida a necessidade de obras em edifícios sede. Será que nem isto está assegurado? Mas há dinheiro para desperdiçar em estádios ditos municipais, em parques lineares inacabados?
Se agruparmos os resultados em termos de procura de melhores condições, responsabilidades delegadas e servir o freguês, obviamente com classificação da nossa responsabilidade o resultado parece-nos revelador de que as juntas estão a ser sufocadas com funções que não seriam tradicionalmente as suas... É o que pode ver-se na figura seguinte:


Sacudir a água do capote Posted by Picasa

Finalmente, uma observação relativamente ao que se não detecta nas carências reveladas. Todos se lembram da calamidade de incêndios a que o nosso concelho foi sujeito em 2005. Curiosamente, não se detecta ao nível das carências reveladas qualquer referência a sistemas de prevenção e detecção de incêndios florestais. Bem sabemos que tal função deve ser exercida a nível superior, mas quando não é, os elementes mais perto dos fregueses têm de lutar por ela. No fundo, parece que todos esperam um milagre quanto à evolução climatérica e, enquanto a batuta do estratega presidente David não apontar nessa direcção, não se seguirá o exemplo de outros concelhos. Mas o venerado presidente gosta mais dos benefícios da construção e da hotelaria...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

O caso do financiamento das juntas de freguesia em terras oureanas - II
Satisfação e reforço do financiamento

A quase totalidade das juntas de freguesia que responderam ao nosso inquérito não está satisfeita com a verba que pode vir a dispor para responder às necessidades da população que visa servir. É o que podemos concluir da figura seguinte.


Sentimento de permanente descontentamento Posted by Picasa

Perante isso, pusémos a questão da existência de outras verbas: provenientes de outras entidades ou por recurso a endividamento.
Podemos assim garantir a todos os amigos do OUREM que nenhuma das nossas 18 juntas de freguesia recorre ao endividamento (possivelmente até está proíbida por lei). Já quanto a verbas recebidas de outras entidades, as respostas não são muito claras. A situação parece tão diferente em relação a juntas de igual dimensão que é possível que as respostas fossem dadas atendendo a critérios diferentes como por exemplo o conhecimento das delegações que a Câmara vai operar para as freguesias.
Quanto às entidades que são fonte dessas verbas, não há grandes novidades. A Câmara de Ourém é referida em três casos, a Administração Autárquica em 2 e a Associação para o Desenvolvimento da Alta Estremadura em 1.


O reforço do financiamento Posted by Picasa

Amigo oureense, não deixe de continuar a ler amanhã o sensacional “O caso do finaciamento das juntas de freguesia em terras oureanas”
Estes não confundem 25% com 100%

Sob o título “Sinergias”, o suplemento de Emprego do Expresso de 30.12.2005 publicava o seguinte texto, assinado por Vítor Andrade, que merece uma comparação (sem comentários) com a posição do presidente David resumida na nota do NO sobre a AM:
A Universidade da Beira Interior e a Câmara Municipal da Covilhã juntaram-se para realizar quatro projectos na área florestal. Do trabalho conjunto deverá resultar a produção de biocombustíveis e materiais para a construção civil a partir de resíduos florestais e ainda o desenvolvimento de um sistema de vigilância de matas e florestas com detecção de incêndios.
Este é um bom exemplo do que deve ser a investigação académica ao serviço da sociedade civil.
Não menos importante é ainda a possibilidade que se abre de, com esta iniciativa, novos postos de trabalho poderem surgir nesta região afectada pela desertificação. E não se trata de um trabalho qualquer, pois estamos a falar de mão-de-obra altamente qualificada para explorar as potencialidades de um dos recursos que começa a escassear na região: a floresta. Parabéns aos promotores da iniciativa. E que tenha um efeito multiplicador.

sábado, dezembro 31, 2005

A primeira vez que ela veio à nossa terra

Levei-a a dançar ao baile de fim de ano. Já não me lembro onde se realizou, mas foi uma noite fabulosa. Tanto oureense cheio de inveja por aquele ser lindo que eu conduzia ao som da música. Não que eu fosse grande dançarino. Aliás, ela era muito melhor do que eu. Mas sentia-me especialmente vocacionado. Para a noite. Para nos dias seguintes ouvir ou adivinhar as palavras que se sussurravam procurando que eu não ouvisse.
Não foi fácil a vinda a Ourém. Armei-me em duro que, assim, todo macho deveria ser. Ela chegou e não lhe liguei nenhuma. Fui passear com os amigos, nem sei se não cometi o pecado de outras paragens planear visitar. Passaram horas e, de repente, as tias fizeram-se ouvir.
- Ai que menina tão bonita esteve cá em casa!
Apanhado, estava definitivamente apanhado. Os procedimentos para a ida ao baile sucederam-se em ritmo vertiginoso. Só foi esquecido um pormenor: o regresso. Mas a boa vontade de um amigo oureense tudo ajudou a resolver e a fazer daquela noite uma das minhas inesquecíveis paragens em Ourém.
Um feliz 2006 para os amigos do OUREM


Paz e amor Posted by Picasa

Paz e amor são as palavras chave...
Não era aquele nosso outro amigo que dizia "All you need is love"?
É o que desejamos para os amigos do OUREM (e para os outros também...).
Quer estejam na nossa terra, por esse mundo, em S. Tomé...

sexta-feira, dezembro 30, 2005

O caso do financiamento das juntas de freguesia em terras oureanas

As juntas de freguesia constituem o órgão de poder mais perto do cidadão. Apesar de tudo, o seu financiamento e a sua definição funcional revelam algumas oscilações, muitas vezes da responsabilidade da Câmara do concelho em que se integram, que se traduzem em dificuldades no exercício da sua actividade.
Iniciámos, em Outubro deste ano, um estudo relativo ao financiamento destas estruturas autárquicas e aos problemas que as mesmas sentiam, elaborando um inquérito e submetendo-o aos dezoito presidentes de junta recentemente eleitos no nosso concelho apontando a data de 15 de Dezembro como termo para o prazo de resposta.
Todo o contacto foi por meios tradicionais, pois não descobrimos endereços electrónicos ou páginas para a maioria das juntas. Sabíamos ir estar sujeitos a elevada percentagem de não respostas, mas tínhamos elevada curiosidade em a medir.
Vamos divulgar a partir da próxima semana alguns resultados. Não são surpreendentes, mas ilustram a existência de elevada confusão funcional.
Para já ficamos com algumas curiosidades.
A taxa de não resposta situou-se em 72,2%, sendo de 100% para as juntas de freguesia ligadas ao PS. Admitimos que isto tenha a ver com o momento de instalação (do exercício do poder) e que, por exemplo, daqui a um ano ou dois os resultados pudessem ser diferentes (mas era agora que nos interessava a informação).
Também é interessante ver para as cinco juntas que tiveram a amabilidade de responder o momento em que o fizeram: 40% responderam mais ou menos em momento de recepção do inquérito, 20% a meio do período, 20% no último dia e 20% após o prazo.
E é interessantíssimo saber quanto é que as juntas gastaram a enviar as respostas o que mostra desde logo grande diversidade pois o peso das mesmas era sensivelmente o mesmo. Houve quem gastasse 19 cêntimos e houve quem gastasse 65 cêntimos. Assim, apesar de a resposta de cada junta de freguesia contar apenas 20% para o total, o seu dispêndio foi substancialmente diferente do correspondente a essa proporção como ilustra a figura seguinte:


Amigo oureense, na próxima semana, continue a acompanhar o sensacional "O caso do financiamento das juntas de freguesia em terras oureanas"...

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Mais arruaça...

Uma coisa que me causou alguma estranheza naquela Assembleia Municipal foi ver alguns seres pensantes elogiarem a tecnicidade do documento e o seu conteúdo. Eu não teria o menor problema em também o fazer se isso fosse verdade, mas está muito longe de a tal corresponder.
A segunda intervenção na AM consistiu na crítica deste orçamento. Uma crítica motivada pelo facto de, devido ao modo como está tecnicamente elaborado, ser de difícil ou impossível compreensão sem informação adicional. Uma crítica porque o seu conteúdo não é o que mais interessa ao povo do concelho. Alguns dos elementos apontados podem não corresponder bem à realidade, mas isso só foi constatado à posteriori, sendo uma prova da opacidade do documento.
E aqui vai:

Crítica ao Orçamento
Consulto o documento disponibilizado pela Câmara e confesso a minha incapacidade para me aperceber do seu conteúdo e que penso se poderia traduzir numa resposta a algo muito simples: o que vai a Câmara fazer e porque o vai fazer?
Porquê esta dificuldade?
Pensando um pouco e analisando este documento, há que dizer que ele é susceptível de uma multiplicidade de críticas designadamente ao nível dos seguintes elementos:
- suporte;
- conteúdo;
- ligação entre elementos do conteúdo;
- ligação com o passado, isto é com o documento que o precedeu;
- não consideração de decisões tomadas durante o ano;
- falta de informação e esclarecimento quanto a decisões tomadas e
- presença de opções disparatadas.
Vejamos cada um destes elementos mais detalhadamente.

1) Crítica ao suporte utilizado
Pode ser o mais vulgarmente utilizado, mas um documento em formato PDF (Portable Document Format) não será o mais recomendado para uma organização onde se torna necessário proceder ao seu exame, crítica e utilização de alguns elementos. O PDF não facilita a reutilização de textos e não permite usar os quadros de dados. Teria sido preferível um documento Word para o texto acompanhado por ficheiros de dados em folha de cálculo, utilizando eventualmente tabelas dinâmicas e indo a um nível de desagregação maior.

2) Crítica ao conteúdo
O conteúdo é repetitivo e baseado em categorias que, embora podendo ser as exigidas a nível de aparelho de estado, não são as mais apelativas no seu tratamento nem em momento de divulgação a pessoas com uma formação menos institucional.
Até posso admitir que este é o tipo de orçamento mais vulgar, mas não me sinto esclarecido pelo documento utilizando as rubricas que usa e não me dando informação sobre o que contribui para elas.

3) Crítica à articulação entre elementos do documento
Trabalho numa escola que foi responsável pela formação de alguns dos mais prestigiados dos dirigentes do nosso país e das empresas, um dos quais, por exemplo, se arrisca a ser o presidente eleito (para mal dos nossos pecados). Aí costumamos dizer às pessoas que têm de apresentar trabalhos com componente textual e resultados: “ não se preocupem em apresentar muitos quadros; não apresentem qualquer quadro ou gráfico sem um comentário ao mesmo em texto (se um quadro não merece um texto a acompanhá-lo por que razão figurará na relatório?); preocupem-se muito com a integração entre as várias peças, com a sua articulação...”.
Olhando para este documento, vemos que não respeita qualquer regra deste género. Despejam quadros, juntam-nos, repetem-nos sem que a informação disponibilizada traga mais qualquer coisa. E a agravar tudo isto o facto de não se descortinar articulação entre os vários elementos. Por exemplo, o documento apresenta uma análise SWOT. Não vamos discutir a sua correcção, aquilo até pode ser verdade. O problema é que não se descortinam quaisquer medidas como resposta ao que resulta da análise. Então existem todas aquelas ameaças, todos aqueles pontos fracos? E que vai fazer a Câmara para lhes responder? Nada, é a resposta. Então aquela análise é inútil, está ali para encher, está ali para fingir que se está a cumprir alguma norma...

----- Corte de Palavra ao deputado municipal ---------

----- Segue o que não se pôde dizer e foi entregue para acta ------

4) Crítica à ausência de ligação com o passado
O orçamento do ano anterior previa todo um conjunto de realizações que acabaram por não ser executadas. O que aconteceu aos projectos do ano anterior que não foram implementados? Mesmo que sejam para não implementar neste ano, isso deveria ser dito neste documento. Exacto, o que aconteceu ao solar do medieval, ao comboio turístico do Agroal, ao núcleo de astronomia no moinho? Por que não foi divulgado um documento de execução do anterior orçamento? O que foi feito? O que não foi feito? Quanto representa no total o que não foi realizado? Em que medida foram ultrapassadas outras rubricas consideradas no anterior?

5) Crítica à não consideração de decisões tomadas durante o ano
O que vai passar-se com a capela de São Sebastião que tem a promessa de ir ser restaurada?
Foi simbólicamente adquirida por um euro para a deixarem cair?
Ter-se-ão também esquecido do fontanário da Rua de Santa Teresa de Ourém? Mas decidiram em reunião da Câmara integrá-la nas obras de conservação...

6) Crítica à falta de informação e esclarecimento nas decisões tomadas
Todos sabemos que anualmente a Câmara procede a transferências de fundos para as Juntas de Freguesia que vão apoiar o desenrolar da sua actividade. Conhecemos um montante global. Mas era importante sabermos quanto vai receber cada freguesia. E a que se destinam essas verbas? A Câmara faz um pequeno exercício quanto a redes de estradas, mas o montante especificado é apenas uma pequena parte do que as freguesias vão receber. A que se destina o restante? E que palavra têm sobre isto as juntas de freguesia? Eu tenho na minha posse elementos das mesmas que divulgarei na próxima semana que me indicam que as suas necessidades parecem ultrapassar em muito o valor das verbas que a Câmara considerou. Como chegou a Câmara a esses valores?
Outra caso de falta de esclarecimento é o que respeita ao projecto Leiria Digital. Este projecto tem uma página na Internet na qual se identifica o seu responsável, o Eng Vítor Távora, o qual ainda brinda os que consultam a página com um endereço electrónico para contacto. Resolvi por isso interrogar o sr. Eng. sobre o estado actual do projecto, eventuais atrasos e o que entraria em exploração em 2006. É que havia a promessa de serem desde já utilizados alguns módulos no início do ano, mas subsiste a ideia de que poderá estar atrasado. A verdade é que tal contacto não mereceu qualquer resposta por parte do responsável do projecto. O nosso país está assim, as pessoas pensam que estão em certos lugares e não têm que responder a quem se lhes dirige, não têm consciência da efemeridade da sua existência e do seu poleiro. Mas a verdade é que a Câmara também se prepara para gastar 500000 euros neste projecto e nada nos diz sobre o mesmo. O que vamos ter? Quando vamos ter? Já vai existir alguma coisa em 2006? É que o documento prometia módulos em funcionamento logo no primeiro ano... Quanto é que já pagaram em nome do projecto?

7) Crítica a opções disparatadas
A agravar o que não se diz, o que se diz mal e estrutura mal, surge a consciência de que aquilo que se vê não é o melhor para o povo do nosso concelho. E lá vem em primeiro lugar o disparate dos novos Paços de Concelho concebido como se não existisse qualquer impacto do Leiria Digital sobre o modo como a Câmara vai organizar-se para responder ao seu negócio. Lá vem a inenarrável Cozinha Central que só vai servir para alimentar mal as nossas crianças, mas fazer crescer os rendimentos nas mãos de quem ganhar o projecto. E lá vem uma vergonhosa verba destinada à prevenção a nível de incêndios sob a rubrica “Limpeza de Matas” que parece acreditar que os fogos deste ano terão operado essa limpeza.

Em resumo, trata-se de um documento muito mau, correspondendo a uma perspectiva sem a menor preocupação com a resolução dos problemas do povo do concelho de Ourém e, por isso, a organização que aqui represento só pode votar contra o mesmo.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

A Câmara de Ourém e a eficiência da utilização de recursos

Em Novembro de 2005, o ISEG publicou um estudo sobre a eficência relativa do governo local.
Nesse documento é avaliada a eficiência da despesa pública da gestão municipal portuguesa em 2002, usando a Data Envelopment Analysis (ver aqui, aqui e aqui) para calcular indicadores da eficiência de input e de output para as 278 municipalidades portuguesas situadas no continente. A análise é executada aglomerando municipalidades nas cinco “regiões" definidas para finalidades estatísticas de acordo com a nomenclatura portuguesa de unidades territoriais com o nível II de desagregação (NUTS II): Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo (LVT), Alentejo e Algarve.
O município de Ourém foi considerado neste estudo integrado na região de Lisboa e Vale do Tejo da qual fazem parte 51 municípios.
Em termos de eficiência de inputs, Ourém situou-se em 16º lugar com um valor de 0.688 o que significa que poderia ter conseguido o mesmo resultado com menos 31,2% de recursos despendidos.
Em termos de eficiência de outputs, a situação de Ourém é catastrófica: um vergonhoso 46º lugar para um indicador de 0,283 que significa que, na nossa terra, o município está a produzir menos 71,7% do que o que poderia fazer com os recursos utilizados.
Esta conclusão reforça a nossa ideia de que a gestão do município desperdiça os seus recursos de uma forma que pode estar a beneficiar redes de interesses organizados...

terça-feira, dezembro 27, 2005

O tal discurso arruaceiro

Estamos, hoje, em condições de divulgar uma das intervenções na última Assembleia Municipal, exactamente aquela que o presidente David classificou de discurso arruaceiro.
Esta presença na AM deveu-se ao facto de o Sérgio se ter ausentado para o gozo de uns dias de férias. Imaginem as dificuldades de substituição. Mas gostei de lá estar, embora tenha ficado com a ideia de que o presidente da Câmara coloniza aquele órgão, transformando-o numa estrutura que serve para aprovar as suas elaborações.
A primeira intervenção, que agora divulgo, teve a ver com o facto de o documento orçamental ser pouco claro, exigindo-se-lhe portanto mais transparência e por não ser apreciado nenhum documento de controlo relativamente à execução do anterior, havendo ainda tendência para se aceitarem realizações à custa do mesmo que, em condições normais, não passariam um teste de aceitação.
Daí o título do documento...

Mais transparência e controlo no Orçamento
O país vive um momento particularmente difícil derivado da crise económica e da incapacidade política de resposta por parte das forças dominantes. Por todo o lado se assiste ao aumento do desemprego, ao ataque aos direitos dos trabalhadores como se os mesmos se tratassem de regalias injustificáveis, a práticas pouco desejáveis como a especulação e a corrupção e ao crescimento das desigualdades sociais. Apesar de tudo, neste meio em que se torna cada vez mais claro que as actuais relações sociais não servem para suportar novo desenvolvimento das forças produtivas, muitos agentes económicos ou ligados à economia conseguem sobreviver mercê de bem arquitectadas redes de interesses que lhes permitem arrecadar avultados benefícios. Obras aprovadas por determinados órgãos de poder, mais tarde, revelam-se inacabadas, incompletas, mal feitas, tendo entretanto já servido para o enriquecimento de interesses privados que, à conta de incompetências, continuarão a enriquecer.
Isto passa-se pelo país todo e Ourém parece não fugir à regra como já nos foi possível avaliar.
A juntar a práticas menos éticas na condução da actividade económica, assistimos também a atitudes menos dignas por parte de elementos que exercem o poder ao tentar silenciar oposições e impedir o seu contacto no local próprio com os interesses das populações. A informação ao povo essa é prestada de acordo com os interesses. Em momentos eleitorais, a Internet é veículo indispensável para mostrar argúcia, actualização, adaptação ao momento. Fora deles, o contacto é esquecido, o exercício autista do poder é que domina.
O orçamento que vamos discutir insere-se assim num quadro de natural desconfiança em relação aos que o apresentam e, simultaneamente, de premente necessidade por parte de determinados órgãos relativamente a financiamentos. Um inquérito feito a partir de uma Universidade aos órgãos autárquicos do concelho de Ourém, denominados Juntas de Freguesia, permitiu concluir, apesar de um elevado (e lamentável) número de não respostas, que estes órgãos não conseguem executar cabalmente a sua função em virtude da exiguidade das verbas que recebem do orçamento de Estado e apesar de as mesmas serem posteriormente reforçadas com tranferências a partir da Câmara.
Idêntico problema se passaria com as associações desportivas se fossem estas o objecto de inquérito semelhante, ou com associações culturais, ou com cooperativas ou com editoras que prestam notável serviço público em cidades mais pequenas. Permite-nos isto concluir que, num quadro de crise grave do país, em que apesar de tudo se gasta incompetente e principescamente na atribuição de negócios a alguns privados, órgãos autárquicos e associações culturais, despostivas, etc têm monumental precaridade de financiamento e não conseguem executar cabalmente a sua missão.
Tal só será possível com uma atitude diferente por parte dos responsáveis autárquicos nas Câmaras, com uma maior preocupação de qualidade e controlo a partir do poder central e com uma exigência radical de transparência e integralidade na utilização de fundos públicos. É por isso que se torna extremamente importante olhar para o orçamento que agora vai ser discutido, em certos aspectos, muito detalhadamente...


domingo, dezembro 25, 2005

Pretextos


Haverá melhor prenda? Posted by Picasa

O Natal e outros acontecimentos começam a ser pretexto constante para revisitar coisas de outros tempos...

sábado, dezembro 24, 2005

Feliz Natal para os amigos do OUREM



... e para os outros também.
Já agora, questões interessantes: quem foi que desenhou esta capa do MA? e como se chamava o grand herói que ele criou?
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