sexta-feira, março 24, 2006

A canção da(o) outra(o)

Afinal a minha querida Mónica de Sintra não era original na sua tão conhecida canção. A prová-lo temos as excelentes canções da década de sessenta que se dedicaram ao tema e que irão acompanhar os amigos oureenses na próxima semana. Canções de sentimento lancinante. A dor em toda a sua beleza. Garanto-lhes duas maravilhas daquelas de não perder de maneira nenhuma. Aliás serão as duas últimas desta fase já que possivelmente farão a ponte para a primeira semana / quinzena do fado do OUREM, mais uma efémera efeméride a não perder.
Há um pequeno senão. Um saltinho da agulha do gira-dicos provocu uma pequena ferida no início de uma delas e é-me impossível voltar atrás pois já não disponho do original. O meu editor musical também não me faz a passagem de MP3 para WAV pelo que não posso suprimir essa pequena passagem sem perder um CD (custo demasiado elevado para tão pequeno problema). Por isso, contentem-se. Lá para sábado à noite ou domingo de amanhã aqui estará a primeira dessas canções. Qualquer coisa do tipo: Arrete, arrete...
A questão de se saber se Deus existe

Há dias, anónimo amigo publicou este texto excelente:

Perguntou alguém ao senhor K. se Deus existia. E ele respondeu assim:
"Aconselho-te a reflectir, para ver se o teu comportamento se modificaria consoante a resposta que se der à pergunta. Se não se modificar, poderemos esquecê-la. Se modificar, poderei dar-te alguma ajuda dizendo que tu próprio decidiste: precisas de um deus."

(Histórias do senhor Keuner, Brecht, tradução de Luís Bruhein, Hiena Editora, 1993)

Apesar de demolidor, o argumento não me deixa completamente convencido. O problema da existência de Deus não se prende com a vida actual, mas com a eventualidade de uma vida futura, isto é, de uma vida para além da morte. E aí, mais uma vez não tenho qualquer certeza. Minto, tenho uma: a de que teria muito prazer em reencontrar muitos dos que já partiram...

quinta-feira, março 23, 2006

O 25 de Abril é banido da Assembleia Regional da MAdeira

Também ouvi. E a decisão não é só do Reizinho, mas do PSD. Alerta o Skywatcher:

Desculpe ser aqui, mas tinha que manifestar o meu repúdio por aquilo que ouvi há pouco no Telejornal: O Reizinho da Madeira quer proibir as comemorações do 25 de Abril na Assembleia Regional. Será que aquele, a quem há bem pouco tempo chamou jocozamente "O SR SILVA", vai ficar calado, perante tal afronta e continuada guerra à democracia?

É uma espécie de clarificação das águas. Sentem-se mal com a democracia, rejeitam a comemoração do seu estabelecimento. E são coerentes: impõem essa decisão aos outros que fazem parte da mesma Assembleia. E em Ourém alguém pensa: ai seu eu pudesse...
E para quando uma política que salvaguarde, catalogue e disponibilize os despojos da cultura popular oureense do século passado?

Eu sei que a actual vereação não é a única culpada.
A culpa nunca reside solteira e, neste campo, há décadas de desprezo votado a tais realizações. Mas é importante ter em conta este comentário do NA:

Como seria bom se em Ourém, houvesse uma casa/museu, onde podessemos aprender com o que no passado foi bem feito.
Há pouco tempo, alguém me contou que uma senhora que participava nestas peças teatrais tinha guardado os vestidos que usava quando representava e que "pensava dá-los aos pobres, pois já nã serviam para nada".
Se ninguém se mexer...adeus vindima!

Eu sei que a actual vereação não é a única culpada, repito. Mas agora que existe o alerta, se nada fizer será com certeza a principal...

quarta-feira, março 22, 2006

FADO DO MENDIGO

Mendigo desde criança
Porque a minha santa mãe
Não me deixou outra herança
Por ser mendiga também.

Durmo só pelos caminhos
Ladram-me os cães dos casais
Só sei o que são carinhos
Quando entro nos hospitais.

Quando às vezes sem ter pão
Tenho fome peço a Deus
Que me dê por compaixão
Um caminho lá nos céus.

E nem ele me consola
Que é tão negra a minha sorte
Que nem sequer por esmola
Deus tem para mim a morte.
Má Língua

É notável a documentação que o Outrora, pela mão de NA, nos traz sobre a vida cultural de Ourém na década de trinta do século passado. Esta geração que nos precedeu era formidável, deixou tesouros que, na sonolência e até alienação do meu tempo, não conseguimos prosseguir.
Até ao momento estão publicados os seguintes documentos:
- Má Lingua I - um folheto sobre as coplas da revista Má Lingua.
- Má Língua II - As Tremoceiras.
- Má Língua III - Central e Magarefe; foto do elenco das Tremoceiras.
- Má Língua IV - Pensões.
- Má Língua V - Fado do Mendigo; o Mercado; o Repolho.
- Má Língua VI - Varredores.
- Má Língua VII - Festeiros de Santo António.
- Má Língua VIII - O Sacristão; a Cegada.
- Má Língua IX - A Menina do Balão.
- Má Língua X - Os Barbeiros.
O meu irmão diz-me que, no convívio, quando o ambiente animava, o Melo (Fio de Azeite) e o Torrejano eram óptimos intérpretes destas canções populares.
Também possuí alguns exemplares mas o tal imperdoável descuido fez com que tudo se perdesse. Para que tal não volte a lamentar, já fiz uma cópia de segurança destas páginas do Outrora. E agora fico à espera de ler mais maravilhas que o NA nos traga, deixando no post seguinte um extracto que trsnaportarei para a mini-antologia do Ourem.

terça-feira, março 21, 2006

O indomável

Há daquelas pessoas que não perfilham os mesmos ideais que nós, mas a quem admiramos a coragem, a capacidade e a persistência.
Ainda na década de sessenta, o Jó Rodrigues chamou-me a atenção para alguém que utilizando a caricatura, a obscenidade e o texto mordaz fazia uma terrível desmontagem do sistema que nos dominava. Nessa época, tive a sorte de um dia na Marina ainda encontrar um dos livros que a Censura não tinha apreendido.
Refiro-me obviamente a Vilhena, personagem bem conhecida, de que os meus amigos encontrarão notável referência em Tabacaria e que, em 1961, na História Universal da Pulhice Humana, no texto sobre o Egipto, nos brindava com esta alusão:

"O seu regime era de tal maneira sombrio, sinistro e policial, que vós, amados leitores, criados num paraíso de liberdades, não conseguiríeis sequer imaginar. Em Assur, em Ninive e na Babilónia reinavam o terror, o bastão, a denúncia, o boato político, a incerteza do dia de amanhã. A cada esquina postavam-se ferozes Pideteucos armados até aos dentes, espiando os menores ruidos e as mais inocentes vozes"

Deixo-vos com mais duas imagens e me vou porque o tempo escasseia-me...


Um retrato bem actual da nossa economia


A letra R

segunda-feira, março 20, 2006

A auja de Português


Nunca simpatizei muito com o tempo frio. Por isso, quando o Dr. Armando, numa aula de Português, nos encomendou uma redação sobre as estações do ano, não me fiz rogado. Escolhi falar sobre o Inverno e desatei numa ladainha confrangedora.
“Tu, infame, maldito, tu que na floresta afogas o pobre animal que busca alimento, tu que nem poupas a velhinha que tirita de frio junto à lareira na cabana, tu que nos mandas tempestades e mil cataclismos, tu, cobarde, não mereces existir. Vai-te, desaparece e não tentes voltar.”.

***
Passados dias, foi a entrega das redações devidamente corrigidas. Não houve observações de maior até ao meu caso e aí o professor passou algum tempo a ler e a olhar-me.
Em certo momento, o Dr. Armando parou a leitura e olhou gravemente para a turma. Apesar de tudo estava muito calmo. Eu é que não. Comecei logo a pensar que o atrevimento me sairia caro e não escaparia sem sova. Meditou durante algum tempo e depois disse:
- Pois é, Luís... tens esta imagem da velhinha que corresponde bem à realidade, mas não podes ser tão negativo. Lembra-te que o Inverno, tendo todos esses defeitos, deixa nas terras aquilo que vai permitir que, mais tarde, tu vejas florescer o que tanto aprecias... 

Ufa…...

domingo, março 19, 2006

Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

Florbela Espanca
Derniers Baisers
Era inevitável.
Já todos tinham adivinhado certamente. Então não voltaríamos a reproduzir os "Les Chats Sauvages"?
Amigos oureenses, este era mais um dos nossos hinos. Do Avenida, do Central, da praia...
E agora é que estamos quase a chegar ao fim...

sexta-feira, março 17, 2006

Que dia invernoso!

É chuva por todo o lado.
Não bastou o desastroso comportamento do Glorioso na semana em curso. Há pouco quase tiritava...
Eu que ainda ontem celebrava o Verão...
Será a falada unidade de contrários, discussão tão em voga ali para os lados do Anónimo?
Confesso que isto da dialética sempre me causou monumental confusão, especialmente quando defendida por mecanicistas no mais requintado estilo (o que não se aplica aos participantes na dita discussão...).
Por isso, vou prosseguir na linha mais recente. Sem contrários a chatearem-me. Vou preparar mais uma musiquinha para vos deixar com a data de domingo, mas possivelmente já a poderão ouvir amanhã à noite.
E a verdade é que, neste momento, têm todos os elementos para descobrir qual vai ser. Vamos voltar aos nossos amigos ......... e disponibilizar um MP3 com ..........
Ora façam o favor de preencher os espaços em branco.
Aqueles Verões quase intermináveis

Nazaré...
Terra de mil encontros e outras tantas estórias que hoje não podem ser reveladas.
Aquela esplanada onde a vi quando ela chegou e eu me sentia rejeitado.
Aqueles passeios de mão dada sob olhares curiosos de familiares que se murmuravam: "será que se passa alguma coisa?".
As dores de cotovelo que no dia seguinte levavam distintos a insistente perseguição já que o vilão cometera o atrevimento de se aproximar da dita...
As canções dos Beatles na máquina de discos de braço mecânico lá para o pé do porto.
Os Stones a berrarem que nem uns desalmados nos altifalantes perto das esplanadas.
O fabuloso pão quente à meia noite servido directamente na padaria.
O elevador na lenta ascenção sempre em constante ameaça de se despenhar.
O Fio de Azeite a convidar-me para jantar quando via que as massas não abundavam para este lado.
Os roncos de uma alimária que dormia no quarto ao lado.
A sensação de escaldão numa noite tórrida ouvindo o ruído sistemático do WC público.
A imagem do salva-vidas um dia a ser levado para o mar e a balançar para todo o lado.
O banho das saloias completamente vestidas de negro, saia arregaçada e posteriormente encharcadas.
A pernoita dentro das barracas e na esplanada.
O João das caldeiradas.
Parece que a vida se esgota no Verão...

quinta-feira, março 16, 2006

El duo Dinamico



Ora aqui estão eles e, tal como o seu nome diz, são dois (ao contrário dos três mosqueteiros como podm constatar mais abaixo) Esta era a capa do Perdoname. Lembram-se?
Eu confesso e insisto que não. Apesar de tudo, a história musical constante na Net desmente-me e diz-me que eles andavam por lá. E o som que agora reconheço também.
E tenham cuidado, já que neste Verão podem voltar a encontrar-se com eles como podem ver na página que mantêm com todo o cuidado.

quarta-feira, março 15, 2006

Lápide

Quando eu morrer e tu ficares sozinha,
longe do bafo quente do meu corpo,
tu, a quem eu amei, sei lá por vingança
de Deus,
nessa hora,
olha serenamente a nossa história inútil
e chora...

Rega de pura mágoa a flor do «nunca mais»
(sequer ao menos a flor do «nunca mais»)
e depois morde o chão seivado e semeado
do místico perfume do meu sexo
sepultado...

Miguel Torga
El final del Verano

Parece-me incrível que nenhum dos amigos oureenses do meu tempo tenha reagido ao Perdoname. Era um dos nossos hinos.
Para castigo, retiro a música e viro-me para o oureense alvo trintão...
Lembram-se daquela série da década de 80, com miudagem, na praia, um velhote? Havia uma canção...
No próximo domingo, voltaremos com mais uma pérola da nossa geração.

Oiça El final del Verano

terça-feira, março 14, 2006

Imperdoável descuido

Terão os amigos oureenses daquelas recordações de algo que possuiram noutros tempos e deixaram escapar por descuido, por desinformação...
Aconteceu às minhas (e do meu irmão) colecções de cromos.
Há dias, visitei Tabacaria, um sítio relativo à história da Agência Portuguesa de Revistas e o seu autor conduziu-me a essas e outras colecções, criando-me monumental nostalgia. Que pena ter perdido aqueles retratos daquela época. Vejamos alguns...


segunda-feira, março 13, 2006

Perdão se pelos meus olhos

Perdão se pelos meus olhos
não chegou
mais claridade que a espuma marinha,
perdão porque meu espaço
se estende sem amparo
e não termina.

Monótono é meu canto,
minha palavra é um pássaro sombrio
fauna de pedra e mar
o desconsolo
de um planeta invernal
incorruptível.

Perdão por esta sucessão de água
da rocha, da espuma, o delírio da maré
assim é minha solidão.
Saltos bruscos de sal contra os muros
de meu ser secreto, de tal maneira
que eu sou uma parte do inverno
da mesma extensão que se repete
de sino em sino em tantas ondas
e de um silêncio como cabeleira
silêncio de alga
canto submergido.

Pablo Neruda

domingo, março 12, 2006

Perdoname
Amigos oureenses, como podem apreciar nesta canção, a voz do Tim dos Xutos e Pontapés nada tem de original. Ela já existia na década de 6o com o Duo Dinâmico...
Agora a sério...
Esta é uma das canções a quem o tempo terá feito mais estragos. Já é de difícil audição. A entrada, ultragongórica, a fazer lembrar "You are my destiny" de Paul Anka já não é muito atractiva. A língua arrevesada dos espanhóis também não é simpática. Mas esta canção era fabulosa...
Eu penso que a versão que nós gostámos era um bocadinho diferente. Era mais adocicada, o som era mais rock menos orquestral com o MArino Marini, mas não consigo encontrar essa gravação. Por mais colectâneas que veja da música italiana da época, Perdoname não surge nelas. Porquê?
Esta versão ainda tem alguma força naquele "suplicaaaaaaaaar... perdoname". Por isso, contentem-se com ela.
E perdoem-me se vos desiludi.

Oiça Perdoname


Olhem, finalmente em 14/08/2015, encontrei o Perdoname do Marino Marini:

sexta-feira, março 10, 2006

Já não há estórias no OUREM

Era inevitável.
O baú chegou ao fim. Tenho de o reconhecer com tristeza, sentindo o blog a fugir-me para o túmulo.
Por mais voltas que dê, não consigo engendrar algo que lhe dê sustentabilidade daqui a algumas semanas.
Confesso, a política oureense não me agrada muito. Em tudo me sinto marginal. O defeito é meu pela certa, é uma questão de vocação, em Ourém parece que nada acontece, que é tudo velho, não estou para me repetir...
Reproduzi artigos de outros tempos.
Acompanhei algumas campanhas, mas agora vamos ter três anos de ressaca.
Escrevi o que me lembra Ourém em termos de temas ligados a canções, BD e pessoas da minha geração...
Que mais posso fazer do que deixar-vos esta lamentação?
Bom, dizem-me aqui ao lado que o título desta crónica faz lembrar uma canção do Rui Ventoso, "ao menos deixa a letra, pode ser que uma estrelinha te ilumine". Aqui fica...


Não Há Estrelas No Céu
Rui Veloso
Composição: Carlos Tê / Rui Veloso

Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho,
Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho.

De que vale ter a chave de casa para entrar,
Ter uma nota no bolso pr'a cigarros e bilhar?

Refrão:
A primavera da vida é bonita de viver,
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover.
Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar,
Parece que o mundo inteiro se uniu pr'a me tramar!

Passo horas no café, sem saber para onde ir,
Tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir.
Vejo-me à noite ao espelho, o corpo sempre a mudar,
De manhã ouço o conselho que o velho tem pr'a me dar.

Refrão

Hu-hu-hu-hu-hu, hu-hu-hu-hu-hu.

Vou por aí às escondidas, a espreitar às janelas,
Perdido nas avenidas e achado nas vielas.
Mãe, o meu primeiro amor foi um trapézio sem rede,
Sai da frente por favor, estou entre a espada e a parede.

Não vês como isto é duro, ser jovem não é um posto,
Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto.
Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim,
Se não fosse o Rock and Roll, o que seria de mim?

[Refrão]

Não há-á-á estrelas no céu...

quinta-feira, março 09, 2006

Os Searchers



Os Searchers também eram de Liverpool.
Originalmente formados por Mike Pender, John McNally, Tony Jackson, desaparecido em 2003, e Chris Curtis, trouxeram-nos algumas das canções mais engraçadas da década de 60. O meu primeiro contacto com eles foi com um EP em que a principal canção era "Sweets for my Sweet" que teve assinalável êxito. As outras, coitadinhas, já não resistem a muitas audições, não obstante "Farmer John" ter uma certa graça.
Apesar de tudo, o som de muitos grupos portugueses da época inspirava-se neles e daí tudo neste conjunto nos parecer familiar.
Ainda mexem, apesar da morte de um deles, como os meus amigos podem constatar se os procurarem na NET.
Ontem, deixei-vos com algumas das melhores canções deles.
Hoje, brindo-vos com a letra daquela que nos tem acompanhado esta semana: "All my sorrows" que, curiosamente, conheço há muito pouco tempo.

Now there's just one thing that money can't buy
True love that will never die
All my sorrows soon forgotten

Carefree lovers down country lanes
Don't know my grief, can't feel my pain
All my sorrows soon forgotten

But it's too late, my love
Too late, but never mind
All my sorrows soon forgotten

Now there's one more thing that troubles my mind
My love has gone, left me behind
All my sorrows soon forgotten

But it's too late, my love
Too late, but never mind
All my sorrows soon forgotten

Aqui fica um apontador para estes nossos amigos...
Dúvida

Hoje, a minha chegada foi especial.
Estive rodeado pela guarda de honra, pela polícia e pelas TVs.
Que festa haverá ali para baixo?
Terá algo de bom para o nosso povo?
Liverpool

Uma cidade sublime
De lá vieram os Searchers,
os Beatles
...
e esta fabulosa vitória do Glorioso

quarta-feira, março 08, 2006

Especial Skywatcher

Em pequeno, ensinaram-me a rezar todos os dias ao Anjo da Guarda. Não fui muito obediente, por vezes esquecia-me, a partir de determinada altura o abandono foi total, mas a verdade é que tudo me correu bem como se tivesse tido sempre divina protecção.
Pouco depois de ter iniciado este blog, apareceu-me o Vigilante dos Céus. Há que preservar os activos que este espaço me trouxe. Por isso, especialmente para o Skywatcher aqui ficam apontadores para fabulosas músicas dos Searchers (o som garantidamente original depois de devidamente ripado) que coloquei propositadamente no nosso servidor musical da Putfile:


E não só. Lá para baixo, o Skywatcher manifestou o seu gosto pela canção "Don't throw your love away". Para poder acompanhar os Searchers, quando a ouvir no nosso servidor, aqui fica a letra. Força, Skywatcher...

Don't throw your love away, no, no, no, no
Don't throw your love away
For you might need it someday

Don't throw your dreams away, no, no, no, no
Keep them another day
For you might need them someday

Lovers of today just throw their dreams away
And play at love
They give their love away
To anyone who'll say "I love you"

Don't throw your love away, no, no, no, no
Don't throw your love away
For you might need it someday

Lovers of today just throw their dreams away
And play at love
They give their love away
To anyone who'll say "I love you"

Go out and have your fun
You better have your fun with anyone
But don't throw your love away

Don't throw your love away, no, no, no, no
Don't throw your love away
For you might need it someday

Don't throw your love away, no, no, no, no
Don't throw your love away, yeah

E digam lá que não vale a pena visitar o Ourem...

terça-feira, março 07, 2006

Esquecimento

Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei… tateio sombras… que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro…
A sombra dos meus olhos, a escurecer…
Veste de roxo e negro os crisântemos…

E desse que era eu meu já me não lembro…
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos…!

Florbela Espanca - Charneca em Flor

O prospector do ouro

Para lá do cine-teatro, onde o Melo (o Fio de Azeite...) nos trazia as últimas novidades, o nosso contacto com o cinema materializava-se na noite de cinema da RTP e num delicioso programa de televisão denominado “Museu do Cinema”.

Será que os meus amigos ainda recordam o Vitor Guerra numa célebre imitação desse assumido adorador do Estado Novo:

- Então, mestre António Melo, diga lá boa-noite aos telespectadores portugueses.

E o mestre, muito acabrunhado, todo enfiado, não sabendo onde havia de se meter (como eu o compreendo de tão parecido que sou!) pronunciava:

- Boa noite...

E assim conhecemos muito do cinema mudo que, à época, já era património de acumulação bem passada.

Daí trago-vos uma recordação... (lembram-se?: Searchers) ... e como não vou passar o In serach of lost chord ou In search of lost Gods, trago-vos algo sobre a pesquisa de ouro, mais propriamente a “Quimera de Ouro”.

“A Quimera do Ouro” narra as aventuras de um vagabundo prospector de ouro (interpretado por Chaplin ) no Alasca que se apaixona pela bela Georgia ( Georgia Hale ), tentando conquistá-la com o seu charme. O seu
único amigo é o descomunal Big Jim McKay ( Mack Swain ), mas a relação entre ambos varia entre a mais simples alegria e as tendências homicidas, particularmente quando, num delírio causado pela fome, Big Jim alucina e julga que Chaplin se transformou numa galinha. Esta é uma das várias cenas antológicas do filme, que atravessaram gerações até aos mais novos. Outra das mais inesquecíveis sequências do filme acontece quando Chaplin, esfomeado, transforma as suas bota e atacador num almejado bife e esparguete, encetando uma refeição surreal. Mas talvez a mais popular de todas as cenas seja a “dança dos pãezinhos”, de tal forma que em algumas exibições da época os projeccionistas paravam a fita e repetiam a cena para gáudio dos espectadores.
Apesar da tristeza adjacente às sequências que se relacionam com a fome, o filme acaba bem: Chaplin encontra ouro, torna-se milionário e, no regresso à Califórnia, fica com Georgia. O papel de Georgia (a apaixonada do vagabundo) foi originalmente escrito para Lita Grey - mulher de Chaplin na altura, mas, devido à sua gravidez, acabou substituída por Georgia Hale.

In http://www.edusurfa.pt/area.asp?seccao=1&area=5&artigoid=9597

Eis algumas imagens inesquecíveis:







segunda-feira, março 06, 2006

Verdade

Os solitários castelos de areia
não fazem barulho ao ruir.
No entanto,
é tão sibilante o som
que invade (sem licença) esta voz
que os versos,
que se queriam luminosos,
tenebrosamente se consolidam
em chuva.
Disfarçar o silêncio
com cantos tristes e compassados
não ajuda:
A máscara não assenta bem
nos rostos desiludidos.
Há um qualquer pormenor
que denuncia o engodo.

Carmen Zita Ferreira

domingo, março 05, 2006

A todos e a cada um dos meus amigos

Por um por todos por nenhum
faço o meu canto canto a minha mágoa
num desencanto aberto pelo gume
deste pranto tão limpo como a água.

Por nenhum por todos ou por um
eu dou o meu poema o meu tecido
de palavras gravadas com o lume
do medo que na voz trago vencido.

Por nenhum por um mesmo por todos
sou a bala e o vinho sou o mesmo
que pisa as uvas os versos e o lodo
num chão onde a coragem nasce a esmo.

Joaquim Pessoa
in Poemas de Perfil
Mágoa



Ah quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!
Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.

Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.

Fernando Pessoa, 3-9-1924.
All my sorrows

Curiosamente, na sexta-feira, 4 de Maio de 2005 (e estou a preparar este post na sexta-feira, 3 de Março de 2006, já que, como calcularão, tudo tem de estar pronto no dia em que...) , eu escrevia aqui:

Memórias do vinil (10)

Fui daqui com aquela ideia de ir ao baú e procurar os discos dos Searchers.
Tive sorte e passei quase uma hora a olhar lá para trás. Afinal eles tinham algumas pérolas: "don't throw your love away", "good bye, my love"...
A certa altura, ouvi aquilo...
Ena, pá! O som era mesmo aquele. Aqueles sons das violas. Aqueles graves...
Como é possível que tudo tenha mudado tanto e os nossos ouvidos se tenham adaptado de tal modo que o esquecemos?
Amigos oureenses, antes de irem para o OCP ou ouvir o Helder façam isto: procurem os Searchers entre as velharias. Procurem uma maravilha chamada "All my sorrows" e deliciem-se...

A verdade é que encontrei mesmo essa maravilha dos Searchers. Algo que nos fala em mágoas, tristezas...
E eu sinto uma cada vez maior mágoa por ver o OUREM morrer de dia para dia já que a inspiração me falha.
Já estão a ver: semana deprimente, dedicada às mágoas, à tristeza e também à procura, por exemplo, à pesquisa da verdade.

Oiça All My sorrows

sexta-feira, março 03, 2006

A formidável cadeia das manias

E ao décimo quarto dia, o Abdegas respondeu.
São engraçadas algumas das suas manias:
Levantar de noite para comer. Confesso que não o faço, de tão enjoado que isso me faria. Mas, dias a fio, levantei-me de noite para acalmar o gato, dando-lhe comidinha, tudo com o objectivo de o mesmo não ser posto na rua por uma dona sem coração...
Semáforos... Nem sabem o que me acontece por vezes. Em vez de estar atento à estrada, vou a pensar no blog ou nas belíssimas e paro frente ao sinal verde com todos a apitar atrás de mim. Ourém tem sido dos locais mais frequentes onde isto terá acontecido.
Horário... tenho a mania de chegar às coisas quase duas horas antes da hora marcada.
E que fazer agora?
écse, a quem não vejo há tantos anos: quais são as tuas manias?
Os blogs de Ourém são uma bola de neve, rolante, viva, cada vez maior

Só agora dei por estes dois: Chorus Auris e Foto&Legenda. Perdoar-me-ão com certeza a desatenção. E neste pedido de desculpas envolvo o Skywatcher, os Sérgios, o Nuno e o Pedro. Eu apresso-me a fazer a referência e a actualizar aquela coluna ali ao lado, sem me preocupar com total reformatação que isso daria para demasiado tempo.
E votos de longa vida...

A encosta da pedra rolante



Caminhavam pela encosta do moinho imbuídos pelo espírito de mil aventuras. Por vezes transportavam lanças, resultado da mutação de canas em virtual exercício mental, julgando ter com eles elemento de arremesso.
Naquele dia procuravam algo de diferente. Que encontraram...
No chão, a uns 100 metros da estrutura já esventrada do moinho, estava uma mó. Algo bem pesado pela certa. Em forma circular, convidava imediatamente a exercício mais radical.
- E se a apontássemos ao colégio?
- Temos de ser vários a agarrá-la. Vamos a isso.
Com a força que tinham, lá a conseguiram pôr de pé. Um ainda pôs ligeiro entrave:
- E se acertamos em alguém?
- Deixa-te disso.. Isto vai trespassar o ginásio e fazer monumental alarido no recreio.
Continuaram a apontar a mó.
- Vamos largá-la.
E a encosta começou por viabilizar a insólita descida. Algo impediu que ela se concretizasse na totalidade. Ou uma oliveira ou inclinação mais abrupta fizeram com que ela fosse encontrada uns metros mais abaixo e deitada de lado...
Lá em baixo, no colégio, o sr. Nunes tocou a campainha e, pouco depois, o recreio estava cheio de estudantes que ali foram gozar as delícias do intervalo…

quinta-feira, março 02, 2006

Os Stones

E quem sou eu para falar dos Rolling Stones? Nem pensem... olhem, encontram aqui quem o faça melhor e com excertos de músicas.
Apesar de fazerem parte de quase toda a minha vida musical, nunca me entusiasmaram seriamente, mas há pequenos episódios ao longo do tempo.
O primeiro, que não posso deixar de vos recordar, é aquele do nosso Jó Rodrigues a identificar um belo solo em "Tell me you are coming back". Nessa época eu ouvia os Stones, mas embirrava com o seu som.
Depois as coisas foram melhorando. Uma tarde, o posto de turismo da Nazaré brindou-me várias vezes com "Get off my cloud" enquanto eu repousava na esplanada. Tanto bastou para tal música se me tornar inesquecível.
Mais tarde, aquela dos olhos cor de mel ajudou-me a ouvir "She is a rainbow", contribuindo para horas e passeios muito agradáveis.
"Ruby Tuesday" também faz parte da minha recordação dos Stones. Acho uma canção deliciosa. Aliás, seria interessante contrapor três interpretações de que me estou a lembrar: a do autor (Dylan, claro), a dos Stones e a da Melanie (que eu considero fabulosa). Talvez um dia pensemos nisso.
Finalmente, não posso deixar de vos referir "Lady Jane". É uma canção que está ligada a um daqueles episódios em que fui fértil. Imaginem que algum amigo vos pergunta:
- Que disco hei-de comprar?
Isto aconteceu no terceiro ou quarto ano do curso. O Vitória Fernandes comprou um gira-discos e queria iniciar a colecção. Caiu na patetice de me perguntar. Nessa altura, ouvia-se a dita música e claro que eu lha recomendei imediatamente. Não sei porquê, esse meu amigo não gostou, ia partindo o disco aos bocados:
- Por que é que eu fui na tua opinião? Ainda tu parto na cabeça...
O mais engraçado é que esta minha tendência para aconselhar os amigos “sem fazer concessões ao comercial” ocorreu com um outro a quem recomendei "Tubular Bells" de Mike Oldfield, aquele em que há uns quinhentos instrumentos (em momentos diferentes) sempre a tocarem a mesma coisa, mas, em que lá por dentro, o homem explora todos os sons inclusivamente os que se produzem em casa de banho. Claro que mais uma vez fui censurado... O Bastos acabou por trocar o disco por "Gracias a la vita" da Joan Baez.
Tudo isto para vos dizer que, hoje, vamos mudar de som, deixando uma pequena homenagem ao nosso querido amigo Jó Rodrigues com um dos discos que ele me ajudou a ouvir...


Oiça Tell me you are comming back

quarta-feira, março 01, 2006

Uma roda que rolava pela estrada de Leiria


Uma tarde o Domingos (irmão do TóLiz, Licínio, etc.) veio ter comigo e com o Jó Rodrigues. Era relativamente mais velho, já trabalhava, ao contrário de nós eternos descansantes daquela fabulosa juventude.
- Querem vir comigo? Vou a Leiria levar um pneu...
Claro que nem olhámos para trás.
O carro do Domingos era preto, naquele formato arredondado da época. Sempre bem afinado, não fosse ele um exímio conhecedor de mecânica automóvel. O pneu já estava em cima do tejadilho e arrancámos para Leiria.
O Domingos era um bom acelera. O carro devorava a distância com grande sofreguidão. E assim passámos a Quinta da Sardinha, os Cardosos e descemos os Pousos. Eu olhava para o lado contemplando a paisagem a partir do banco de trás. Passado o largo da Igreja dos Pousos, ali, onde tudo desce, os meus olhos foram atraídos por algo que se mexia na estrada e a descia atrás de nós.
- É curioso, vem uma roda sozinha a rolar pela estrada atrás de nós...
- Uma roda? – exclamou o Domingos admirado...
Ao mesmo tempo, um carro que subia a estrada desatou a apitar para a roda. O seu condutor, excitado, fazia estranhos gestos como se quisesse afastá-la da frente.
- Passa-se qualquer coisa esquisita...
E a verdade é que a roda continuava a descer pela estrada, contornando suavemente as suas curvas, perseguindo-nos como se guiada por tele-comando. O Domingos resolveu parar e estacionar e a roda veio depositar-se suavemente no para-choques do carro.
Claro que em cima do tejadilho já não existia roda nenhuma, ela tinha-se desatado, caído para a estrada e não quis perder o seu ponto de referência.
- Ele há cada uma!...
O resto do percurso fez-se sem mais incidentes, tendo-nos este acompanhado em conversa com cervejinha no Liz Bar...

terça-feira, fevereiro 28, 2006

As belíssimas da Rolling Stone

Pedras rolantes, imagens eventualmente chocantes...
Amigos ourenenses, as solicitações carnavalescas são muitas. Nâo consegui descobrir imagens de pedras rolantes na BD. Em contrapartida, deparei com algumas belíssimas e interessantíssimas fotografias da Rolling Stone. E aqui estou a partilhar convosco:

Esta é a bela Aguillera. Algum distinto oureense não gostaria de ser viola por breves minutos?


E apreciem agora as horas de relaxe daquela saloinha do country: a Linda Ronstad. Também passou pela Rolling Stone e partiu corações.



Nunca tinha ouvido falar da Tony Pearce, mas o contacto com a Rolling Stone permitiu recuperar de tão imperdoável lacuna...


Finalmente, e pesar da desilusão que é qualquer actuação ao vivo da dita, não posso deixar de vos brindar com mais uma fulgurante capa da Rolling Stone, esta dedicada à Britney...
E agora, perdoem-me, mas o Carnaval chama-me. Se divirtam...

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Mais um sinal de outros tempos

Desta vez do Duarte. Sim, daquele que martirizava o gato em casa dos Castanheiras lançando-o para o chão com as pernas viradas para cima. E o gato, pesadão, no ar conseguia virar-se e aterrar de acordo com as normas.
O Duarte que um dia me pôs a tirar uma fotografia ao maralhal e eu cortei as cabeças a todos.
E quando é que virão todos ao OUREM?
Não desistas, Duarte, pelo menos enquanto eu não desistir...
Pico Ruivo

Todo o verão amontoei pedras e as dispersei

vigiava nuvens e sombras pelas fajãs
a mesma solidão perigosamente
transcrita naquele cinzento avermelhado
sob as escamas do céu
urzes sobrevivendo à dura estação
duas ou três cabras, uma tenda

túneis, atalhos, águas geladas
por aí nos conduz a travessia
a folha e a flor pertencem ao vento
um olhar (ainda o meu?) persegue-as entretido
na grande subida

mais abaixo, quando principiava a vereda
manchas de líquenes cobriam de igual modo
o nome dos lugares onde iremos
e dos lugares onde não chegaremos

Tolentino de Mendonça
(mais poemas deste madeirense)

domingo, fevereiro 26, 2006

If you need me

Pensam que me rendo apesar de não me ligarem nenhuma, de não deixarem qualquer comentário?
Vocês tentam mostrar que "não precisam de mim...", mas eu respondo-vos com a canção dos Stones. Oiçam-na, avaliem e estimem quantas vezes já pensei em matar esta coisa. Mas sou um ser sem coragem.
E cheio de bondade. Esta semana até vos brindo com duas canções dos Stones. A outra virá depois e noutros moldes.
O mote será obviamente o relacionado com pedras (e outras coisas rolantes). Vamos finalmente conhecer a Encosta das Pedras Rolantes. Adivinhem onde ficava...

Oiça If You Need me

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

O som do silêncio



Caminhávamos em pequenos grupos a partir do Largo da Igreja na direção da cruz do Regato. Aí, uma pequena inflexão para a direita fez-nos tomar o caminho para o nosso objetivo. Pouco depois, chegámos a uma zona de pinhal que resolvemos atravessar para atalhar.
Curiosamente, nos arredores de Ourém, por essa altura, parecia poder ouvir-se o silêncio. Aconteceu-me várias vezes: ao chegar a Peras Ruivas, a caminho do Castelo... uma sensação que não existe nada a perturbar a nossa quietude a nossa capacidade concentração, um envolvimento que nos parece dizer que tudo depende da nossa ação.
Íamos bem municiados. Gira-discos, discos, sandes, bebidas... Já não me lembro quem eram os desgraçados que transportavam tudo. As meninas não eram com certeza, mas o certo é que as coisas chegavam ao seu destino e hoje parece que ninguém recorda essa carga com azedume.
A certa altura, o caminho tornou-se mais íngreme, mas ao fim de algum tempo lá chegámos.
A visão de Ourém, enquanto os preparativos dominavam as ações, a partir dos terraços das torres era única, fabulosa.
Uma sessão do “Lá vai alho” não resultou muito bem, traduzindo-se numa monumental cabeçada do Rui Leitão nesta mãe de aluguer que foi projetada contra a parede.
Mas tudo passou quando se ouviu:
- Meninos, vamos dançar...
Descemos para o local do bailarico onde elas já estavam e a música já se fazia ouvir...
E que belo era aquele som que eu nunca tinha ouvido... nem me parecia ser possível resultar de uma evolução da música anterior que já conhecíamos. Aquelas vozes calmas que nos pareciam trazer o Som do Silêncio... Era a primeira vez que ouvia aquela canção.
- Quem são? – perguntei.
- Simon and Garfunkle – respondeu o Jó.
Aquele dia ficou-me inesquecível. Foi passando, mas o som daquela canção não me largava...
Ao fim da tarde, tudo foi devidamente arrumado e regressámos a Ourém. Eis porque há uns dias (já bastantes) vos disse: “nós tivemos o privilégio de conhecer certas maravilhas e vivê-las no momento em que elas surgiram...”.


quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Sound of Silence


Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence.

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said, "The words of the prophets
are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.
Manias

Acabo de ler a resposta daquele maniento que dá pelo nome de Sérgio Ribeiro (o tal que está sempre com manias parvas). E fui surpreendido por um texto engraçadíssimo do Pedro Gonçalves em comentário ao mesmo.
O Sérgio tem outra mania: sublinha e valoriza sempre a amizade como se pode detectar logo à entrada do texto...
A questão das manias não pode ficar por aqui. De acordo com o Sérgio, o retorno a Cesário Verde é constante. Então, vamos até lá e procuremos se ele tem algo sobre o tema:

Manias!

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, -- hoje uma ossada, --
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!

O Simão e o Garfunkel



Simon era o intelectual, o génio responsável pela concepção. Garfunkel era detentor de invejáveis qualidade vocais bem visíveis em canções como "Bridge over troubled waters".
A união e colaboração foram obviamente sujeitas a espectacular sucesso. A separação levou a que nenhum deles conseguisse a visibilidade anterior, pois sentia-se que a qualquer faltava algo...
Os meus amigos encontram aqui uma ligação aos albuns.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Voz activa

Canta, poeta, canta!
Violenta o silêncio conformado.
Cega com outra luz a luz do dia.
Desassossega o mundo sossegado.
Ensina a cada alma a sua rebeldia

Miguel Torga
Mini Antologia Poética do OUREM

Como noticiámos, estamos a organizar uma mini antologia poética do nosso blog que será integrada no segundo volume do estórias. Acho que já temos excelentes poemas e o espaço também não é muito.
Mas gostaríamos de enriquecê-la.
Com alguém de Ourém. E aqui deixamos o apelo...
Como sabem, a Carmen Zita é filha do Armando Honório, um dos distintos do Poço, está portanto indissoluvelmente ligada ao nosso convívio anual. Ela publicou um belo livro de poemas na Som da Tinta há pouco mais de um ano.
Venho aqui pedir-lhe, publicamente, frente À magnífica assembleia do OUREM, um inédito para o nosso livro. Poderá deixá-lo no comments e eu postarei na semana que se inicia em 5 de Fevereiro. Deixo-lhe o mote: tristezas, mágoas... (não a tristeza ou a mágoa em abstracto) que tem a ver com a fabulosa canção que nessa semana nos acompanhará. Podem tentar adivinhar qual será, mas garanto-vos que poucos a conhecerão...
Manias: ainda muito silêncio

Eu respondi logo no próprio dia ao desafio do Ric Jo. Fui para o tal santo descanso.
Era engraçado alguém estudar o comportamento humano perante estes desafios. O Sérgio respondeu a dizer que ia responder, mas deve estar a preparar um tratado tão completo que nunca mais se lembrou. O Dinis respondeu, mas interrompeu a cadeia. O Abdegas diz que vai responder aqui (estamos todos à espera). O Fred, guardião do Castelo, desapareceu. E o nosso amigo Santa Cita nem os comentários no seu blog lê...
Enfim, uma taxa de insucesso elevadíssima
A aula de Matemática que nunca houve no CFL
A Dra. Nazaré Nunes terá sido talvez um dos melhores professores que encontrei até à entrada na Universidade. A sua influência terá sido de tal ordem que gente amiga confessou-me ter seguido uma carreira nessa área devido ao gosto que as suas aulas lhe deixaram. Eu também nunca a esqueci - a vocação teria aí uma perninha - apesar de me ter vendido ao poder dos cifrões. Imagino o que seria uma das suas aulas se nos tivesse de explicar a Torre de Hanói.
Dir-nos-ia:
Em 1883, o matemático francês Édouard Lucas inventou o famoso puzzle das Torres de Hanoi , também conhecido pelas Torres de Brahma e contado em forma de lenda.
E não se escusaria de recorrer à explicitação dessa lenda:

No grande templo de Brahma em Benares, numa bandeja de metal sob a cúpula que marca o centro do mundo, três agulhas de diamante servem de pilar a sessenta e quatro discos de ouro puro.
Incansavelmente, os sacerdotes transferem os discos, um de cada vez, de agulha para agulha, obedecendo sempre `a lei imutável de Brahma: Nenhum disco se poderá sobrepor a um menor.
No início do mundo todos os sessenta e quatro discos de ouro, foram dispostos na primeira das três agulhas, constituindo a Torre de Brahma. No momento em que o menor dos discos for colocado de tal modo que se forme uma vez mais a Torre de Brahma numa agulha diferente da inicial, tanto a torre como o templo serão transformados em pó e o ribombar de um trovão assinalará o fim do mundo
.
Estabeleceria a relação da lenda com o problema matemático:

A versão original das Torres de Hanoi consiste em três postes e oito discos de diâmetro 1; 2; ...; 8, inicialmente dispostos no primeiro poste por ordem decrescente do diâmetro formando uma estrutura cónica semelhante à da figura 1. O objectivo do puzzle consiste em formar a torre no terceiro poste, movendo um disco de cada vez, não sendo permitido colocar um disco maior sobre um menor.
E, pela certa, permitir-nos-ia também praticar como neste exemplo.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Assalto ao castelo

Manhã magnífica vista aqui do gabinório, sol radiante, tudo convida a usá-la para postar para os amigos ourenenses...
Mas postar o quê?
E se fizessemos uma visita ao castelo?

Até podemos levar música, animais de estimação, dormir uma sesta pelo caminho após excelente refeição...
Tudo convida ao movimento, à fruição. Subir, subir aquela encosta... procurar encontros inesperados... deixar a nossa memória viver o que hoje nos é vedado... imaginar o que seria o presente se, no passado, a direcção fosse outra...
Mas eis que algo nos contraria. Da torre mais alta do castelo, o malvado guardião, apoiado em seus muchachos, barra-nos o caminho...

Desistimos por agora. Ficará para outra altura. Afinal, parece que o dia não está assim tão bom. Ao longe, já vejo algumas nuvens.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga
Mais uma vez silêncio para Ourém

O governo abriu concurso para a construção de 15 centrais termoeléctricas de biomassa florestal.
Sabe-se do monumental interesse desta forma de energia renovável. Curiosamente, Ourém e Leiria, tão afectadas e empobrecidas pelos últimos fogos florestais, sendo Ourém um concelho com uma das mais densas manchas florestais, aparecem esquecidas...
O mais perto de nós estará em Santarém (anúncio) com uma central das ditas pequenas(programa e condições).
Estará o governo a penalizar zonas marcadamente laranja?
Serão estas tão inábeis que não conseguem convencer o executivo de algo estrategicamente vital?
Acerca do nosso projecto para 2006

Como sabem, estamos comprometidos desde Novembro de 2005 com o segundo volume do estórias suportado na edição de um disco revivalista sobre a música que obrigava os amigos oureenses a ouvir...
O texto que será elaborado nessa área, para além de coisas já conhecidas sobre a nossa relação com o vinil nos anos de sessenta e setenta, conta com estórias não publicadas antes e ...
- a Teresa prontificou-se a escrever um texto sobre o Luís Nuno que começa a ser importante ela me fazer chegar (Teresa, quebra o teu silêncio...) e
- estou a organizar, como já devem ter notado, uma mini-antologia poética do OUREM: textos muito simples, curtos, mas profundos de que gosto muito e que darão outra qualidade ao nosso livro ...
Quanto às músicas, posso dizer que já tenho na minha posse todo o material a utilizar e de que semanalmente será divulgado uma unidade (com eventual aceleração, pois são tantos...). Temos ainda intenção de realizar a primeira semana do fado do OUREM (lembram-se daquela canção com que o Ferraz nos torturava na década de sessenta?) e uma ou duas semanas dedicadas à canção de intervenção...
Enfim, tanta coisa... assim tenha engenho e arte...
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