segunda-feira, julho 24, 2006

Fazer figas ao bar do Figo

- Vamos tirar fotografias ao bar do Figo...
- A gente gosta muito dele, é um grande jogador...
A verdade é que não se percebe muito bem como uma personagem como o Figo deixa o seu nome associado àquela estrutura e à associação com o China. Naquele espaço, a comida também é cara e não presta para nada: a salada vai no prato sem ser escolhida ou lavada, o bitoque é extremamente pequeno, a batata frita, cozinhada a partir de batata congelada, está quase seca, o ovo estrelado tem a gema reduzida a farinha...
O Figo não precisa de prestar tão mau serviço para fazer fortuna. Possivelmente deixa algum talúrcio, que lhe paga renda, utilizar o seu nome no bar / restaurante, mas é lamentável que fique associado àquela qualidade.
Mas a cena ligada às fotografias ainda foi mais caricata.


No interior do bar, com ar condicionado, após a sessão fotográfica, o calor convidava à permanência.
- Vamos tomar uma bica.
O arruaceiro dirigiu-se ao balcão e logo uma graciosa menina o interceptou com um sorriso:
- Queremos duas bicas...
A menina riu-se ainda mais, ar maroto, dando logo ao arruaceiro a sensação que estava a pisar chão armadilhado.
No final:
- Queremos a conta...
- Duas bicas? Três euros...
Malvado presidente David! Que me rogaste pragas para cair em antros como este...

domingo, julho 23, 2006

Carilada de cartilagem de caranguejo




Os azares com os indianos tinham começado logo no segundo dia, quando, num espaço de Lago Azul, bem afastado do centro, o nosso arruaceiro e a sua simpática companheira tinham sido apanhados numa armadilha.
- Gosto tanto de caril!
- Qual será o prato do dia?
Daí a algum tempo algumas dúvidas eram respondidas.
- Temos arroz à valenciana, mas podem encomendar qualquer prato...
- Mas vai demorar muito tempo...
A empregada não parecia muito segura. Aproximou-se o insigne responsável.
- Escolham o que quiserem. A nossa comida é esplêndida. Verão que nem sequer é muito picante.
Ao lado, a miudagem tomava banho na piscina em grande algazarra. A conversa do indiano foi convincente pelo que se encomendou um caril de frango e um arroz dito valenciana.
O tempo foi passando e uma mesa foi sendo formada à frente do arruaceiro com pratos para vários. Algum tempo depois, chegou a comida. Vistosa, o arroz trazia uma série de camarões com boa cara.
- Vão ver que vão gostar.
Mas a verdade é que aquilo era pior que estopa. Nenhum produto utilizado no arroz tinha um mínimo de frescura e o frango do caril de frango devia estar cozido há vários dias. Quando o homem voltou, cheio de salamaleques, a perguntar se tinham gostado, o arruaceiro disse-lhe das boas e que não voltaria ali:
- Oh! Não faça isso.
O indiano foi para a cozinha e deixou algumas ordens. A mesa formada à nossa frente começou a encher-se com o indiano e a cachopada que tomava banho na piscina, mais um empregado que não mudava de camisa há uns três meses e a empregada. Deliciaram-se com uma travessa cheia de arroz embora sem camarão. Pouco depois a conta era um manancial de problemas: coisas que não tinham sido consumidas, parcelas cujo total não coincidia com o produto da quantidade pelo unitário... o arruaceiro concluiu que tinha pago o almoço àqueles preguiçosos todos já que mais nenhum cliente a sério chegou àquele espaço.
Esta má experiência não apagou o desejo de reexperimentar esta comida e a passagem pela marina criou novo pretexto. Luxo e preços eram outros:
- Caril de borrego e caril de caranguejos...
Pouco depois, o arruaceiro e a companheira estavam perante exóticos contentores da comida pedida e alguns acompanhamentos adicionais. No prato, a sensação não foi das melhores...
- Este borrego não presta para nada...
- É só ossos de caranguejo, não tem nada que comer.
Sairam dali danados, furibundos, amaldiçoando restaurantes indianos e todos os que suportam esta cambada que vende a peso de ouro produtos que, na nossa simples Ourém, não teriam qualquer cabimento.
Mas o pior estava para vir, materializado na oitava praga de David...

sexta-feira, julho 21, 2006

O picadeiro da marina



- Olha, ali é a marina...
- Ena, tanta loja. Já sei quem gostaria de estar aqui...
Pois, para quem de uma marina o que vê são as lojas nada de bom se pode esperar...
Percorrer aquilo tudo debaixo do sol das quatro foi um sufoco.
- Olha o China, olha o bar do Figo, temos de passar por lá...
“Quero é ir para casa. Que sufoco! Quem me dera a frescura da minha Ourém... da minha gruta!”
O primeiro dia foi de apreciação global do espaço. Depois, houve um regresso, à noite. Estava cheia de gente. Uns para cá, outros, para lá e, finalmente, outros ainda a ver os que andavam de um lado para o outro. Alguns privilegiados conduziam as suas pesadas bombas pelo meio daquela gente com vontade obvia de lhes passar por cima...
- Mas por que deixam esses cavalos circular aqui com os automóveis?
Eles pensariam algo de semelhante dos que lhes obstruiam a passagem.
Nem uma livraria, nem uma pastelaria tradicional, parecia estar noutro mundo. O que valeu foram algumas bancas de jornais prevenidas com o Jesse James e a Mã Dalton.
E quanto a restaurantes?
- Upa, upa! Este é bem caro
- Temos de vir ao indiano...
Tudo ficou marcado para o dia seguinte, afinal o indiano poderia trazer algo de diferente...
Nova ameaça

Chegar à praia pelas 9 horas e ter encontro com o senhor ministro não é para todos.
Já se desconfiava de qualquer coisa. No parque pago, os melhores lugares estavam cativos. Mais à frente após a pequena ponte, chegavam três ou quatro polícias motorizados. Um outro, já a pé, com um papel na mão, parecia dar as ordens.
- Deve ter dado algum corpo à costa...
Mas não. Junto a umas instalações, estava a explicação: o senhor ministro aguardava a formação da comitiva para visitar as instalações da praia.
- Que chatice! E agora como havemos de passar?
- Olha aquela, ali... parece a nossa simpática presidenta lá da terra, toda bem vestida.
- E aquele deve ser da junta de freguesia...
Como o mundo é tão semelhante em toda esta diversidade. Era não só a semelhança dela mas deles todos, engravatados, subservientes, a dar graxa ao ministro...
- Ainda me aparece para aí o Catarino...
- Mas que haverá de tão importante para o homem vir para aqui tão cedo chatear-nos a passagem?... decerto não vai abrir qualquer maternidade tanta raiva lhes parece ter agora...
Efectivamente, não se via nada que justificasse tal presença e tal aparato.
Felizmente, pouco tempo depois, voltaram todos para o lado das instalações. Mesmo assim, o sossego não foi constante na praia. Algum tempo depois, quando este pacífico par estava deitado na areia, um polícia, numa daquelas motas de quatro rodas agora tão vulgar em Ourém, veio fazer um reconhecimento com receio que houvesse armas entre veraneantes tão perigosos...

quinta-feira, julho 20, 2006

Fora com o cheirinho português típico

Afinal havia um mini-mercado com algum nível: Jaspers. Os preços não eram excessivamente caros, ostentava excelente carne, fruta e os sacos para levar o artigo eram fabulosos.
Mas, naquele momento, uma dúvida atroz apoderou-se do arruaceiro.
- Onde posso comer as minhas sardinhas? O meu franguinho?
É curioso naquela terra parecia não haver uma churrasqueira, não havia o fumo e o cheiro projectados pelos grelhadores.
No mini-mercado, os receios cresceram.
- Não vendem peixe fresco?
- Aqui não há peixe fresco em lado algum. Têm aí algum congelado se quiserem...
A sardinhada acabou por ser resolvida na terra ao lado, mas a conclusão é que aqueles presunçosos cultivam um tipo de mentalidade da qual parecem querer arredar o cheirinho português típico...
Imaginem que o David preconiza o mesmo para Fátima...
Da falésia organizada aos tomates para presunçosos

O carro ficou no estacionamento grátis, apesar de não se pôr de lado a oportunidade de usar o estacionamento organizado, alinhado, sombreado, mas pago...
Passar por uma pequena ponte, onde alguns dias depois haveria de se cruzar com o senhor ministro, chegar a caminhos desenhados em madeira, percepcionar a situação, foi acto de instantes...
- Vamos para a direita...
Havia uns cinco ou seis conjuntos de palhotas e zonas para chapéus.
Quase na última, o espaço pareceu aceitável.
- Ali não está ninguém e faz-se o negócio dos barcos ninguém nos vem chatear...
Ah! Pois não...
- Vou andar.
Ela ficou a guardar as massas e a caminhada teve início para a direita. Pés na água, um pouco fria a tentar corrigir as deformações das varizes, esforçar um pouco, andar, andar, andar...
Lá ao fundo começou a surgir mais uma estrutura com palhotas e chapéus. Que seria aquilo? Nada tinha de melhor que a anterior, aliás havia sítios em que os chapéus chegavam até à água.
“Esta gente é doida”
Mas que seria aquilo?
O empregado do bar tirou as dúvidas:
- É a praia dos Tomates...
Aquela era a célebre praia dos Tomates? Dos famosos, do Guterres, do Pôncio...
Que bimbice! Todos com a mania que eram muito importantes e que conduziam em todo o terreno...
Regresso...
Mais água nas pernas a acompanhar a caminhada...
O pensamento a passar por Ourém e por outras paragens...
“O David? É daqueles que faz obra... detestável, mas faz, embora aquilo nada tenha a ver com a cultura adquirida. Uma espécie de ditador a quem ninguém se atreve a contrariar. Decerto muita gente não concorda com o que faz. Mas não o contrariam. Têm medo de perder os seus favores.”
Chegada ao ponto de origem. O espaço já estava bem mais ocupado. Noutros tempos, noutras paragens, uma distância com menos de trinta metros relativamente a outros utentes era vista com maus olhos. Ali disputava-se todo o centímetro. A pequena brecha que ainda restava para caminhar na direcção do mar acabou por ser ocupada por um trio. Ele esteve quase 10 minutos a fazer festas ao chapéu de Sol a tentar espetá-lo no chão, elas, a loira e a morena, estenderam as toalhinhas viradas para o sol num pequeno espaço que mais parecia estarem a cheirar o chulé do parceiro mais próximo...

quarta-feira, julho 19, 2006

Aldeia de macacos

A verdade é que a viagem não poderia ter corrido melhor na velha e estimada viatura do arruaceiro. Pouco mais de duas horas deram para uma aproximação calma com a companheira ao fabuloso apartamento que os iria acolher.
A Pipoca não foi. Tem o péssimo hábito de afiar as unhas nos sofás pelo que, desta vez, não foi ver a região natal, ficando de quarentena a whiskas e água na Parede.
Pouco a pouco, o arruaceiro foi-se fazendo ao novo espaço. Primeiras compras, descobrir locais de interesse... Ao fim de algum tempo, fez-se noite.
A casa tinha uma varanda espectacular. Com dia ainda não muito quente (o pior estava para vir) era agradável estar ali a contemplar, das alturas...
Isso, simplesmente a contemplar...
E o arruaceiro estava nessa contemplação quando o seu sossego foi perturbado por nova sonoridade. Lá em baixo, no bar, acompanhado por música de plástico previamente gravada, o grande cantador algarvio ergue a sua voz. Pouco depois, começa a ser acompanhado pelas meninas e meninos e por toda a cambada de burgessos que por ali passavam...
Era o Delilah, o Sweet Caroline, o Wonderful Tonight, tudo berrado, mal cantado e acompanhado de gritaria e palmas...
Não contente com isso, lá ao fundo, num rodízio que denominei de Boisano, mais um cantador, puxava da música a metro e desatava a cantar em berraria que ultrapassava em muito o espaço de origem.
Ao lado, uns cachopos punham também o seu rádio a tocar.
Aquilo tudo dava vontade de rir. As músicas eram postas cada vez mais altas para se sobreporem às concorrentes. E durou horas e horas...
No final, foi a aproximação ao quarto de dormir. Mas o ruído não cessou. Acabada a música, vieram as conversas para ajudar a passar mais tempo, tudo a entrar por aquelas janelas e a perturbar o descanso do guerreiro. Enfim, cada macaco manifestava-se como podia numa notável contribuição para um ruído colectivo que, dada a situação, acabava por se tornar hilariante...
Sem viatura de aluguer

Carro velho, a cair de pobre, sem ar condicionado, a lembrar o célebre Calhambeque, o arruaceiro convenceu-se que lhe era mais económico alugar viatura quando realmente precisasse dela do que empatar 15000 ou 20000 pacotes num quatro rodas que ficaria a maior parte do tempo parado a enferrujar.
A ideia até nem era má se as organizações cumprissem com a sua missão. Ora vejam...
Manhã de Julho numa tasca da Avis no Estoril.
- Preciso de uma viatura para uns dias...
- Uma viatura...?...
Irritava-o solenemente esta repetição com ar de estranheza da necessidade expressa como se estivessem ali para algo de diferente.
- E que tipo de carro quer?
- Olhe, aquele Punto novinho em folha que está ali serve-me muito bem...
Era a veneração pelo carro novo: a cor, o brilho, o cheirinho interior antes da degradação pela utilização e maus tratos, a condução com as peças todas bem assembladas...
- Aquele não pode ser, já está reservado.
Claro, pensou logo, para algum camon que lhe untou as mãos...
E o homem lá tentou convencer o arruaceiro a usar umas velharias cujo prazo de validade já estaria mais que esgotado e que não correspondiam exactamente à necessidade: ou muito pequenos, ou sem ar condicionado, ou excessivamente grandes... o arruaceiro começava a não gostar da conversa...
E a verdade é que não saiu dali qualquer serviço ou contrato. O problema da viatura foi resolvido noutros moldes, mas, no final, ficou uma interrogação: como é possível uma empresa como a referida desprezar o aluguer de uma viatura por mais de uma semana sem aquele agente sequer recorrer a um depósito central...
Alguém sugeriu: ”Sabe? O negócio deles não é bem esse... eles compram os carros sem o IA.. depois, é só esperar uns tempos e vendê-los que até ganham sem eles andaram...”.
Curiosa interpretação. Seria verdade? Olhando para o país onde é, até parece que sim...

terça-feira, julho 18, 2006

As oito pragas do presidente David

O arruaceiro oureano(1), também conhecido por comuna-mor(2), planeou passar uns dias de merecido descanso na sarracena vila cuja praia da falésia herdou o nome.
Esperava silêncio, boa comidinha, gente civilizada, agentes de negócio dedicados à sua missão. Mas a verdade é que tudo esteve muito longe de corresponder ao planeado.
Consultou a bola de cristal e, lá dentro, conseguiu distinguir bem disfarçada, mas clara, uma figura conhecida que lhe anda a atasanar os cromados há uma série de anos. Mortimer e Blake celebraram Olrik como o malvado das suas estórias, aqui, no OUREM, o malvado é o presidente David apesar de a frazónica criatura ostentar (injustamente, claro) mais semelhanças com o dito. Tal constatação ocorreu ao arruaceiro em plena passeata pelo areal que vos descreverei mais tarde. Mas não precisaria da mesma para vos mostrar oito casos em que a sua intervenção fez destes dias um caso de estudo em termos de nem o desejar ao pior inimigo.
Ora estejam atentos aos próximos posts...

1 – consultar discursos do presidente David nas actas da Assembleia Municipal mais ou menos de Janeiro deste ano
2 – consultar artigo do famigerado LF no Ourém e seu Concelho há uns dois meses
O terceiro ano traz-nos The last cowboy song

No dia 17, fez precisamente três anos que escrevemos:
Vamos até Ourém nos anos de 1972 a 1975.
Agora ainda me encontro lá com alguns como o Julito, o Quim, mas a terra fugiu-me quase completamente.
Vou tentar recuperar artigos do "Notícias de Ourém" e do "Ourém e seu concelho" dessa época. Vou opinar que quem tem governado Ourém estragou aquilo tudo porque não era da terra, faltava-lhe algo como o amor a. Procurarei mostrar algumas coisas que não podem ser destruídas.
O que se passou desde então não correspondeu exactamente ao enunciado. O grito de revolta em relação à destruição da nossa terra operada pela camarilha dominante foi um facto, mas os efeitos foram praticamente nulos. Ourém continuou por essa senda e nada indica que vá mudar.
Mais, Ourém globalizou-se. Hoje é uma terra devorada pelos incêndios criminosos como qualquer outra e onde se manifestam todos os males da nossa sociedade enquanto, no passado, me parecia um nicho paradisiaco...
O OUREM mantem-se aberto, sempre pode surgir alguma coisa para dizer. E agora vamos ao trabalho ao som de mais uma canção (cujo título nada quer dizer)...


Oiça "The last cowboy song"

terça-feira, julho 04, 2006

Cavalgar



Vamos estar ausentes mais uns dias...
Não é que o tempo esteja grande coisa, mas a verdade é que também não é de todo desagradável imaginar-me por essas pradarias com uma brisa suave e chuva miudinha.
Voltaremos para o terceiro aniversário do OUREM. Ideias? Duvido...

segunda-feira, julho 03, 2006

Exorcismo consumado

"O OUREM está um pouco parado...", diz-me aquela que eu confundo com a formoza amazona.
É verdade, mas, como verão, tenho as minhas razões.
Tempos houve em que o OUREM se arvorou numa voz que trazia um pouco da Ourém das décadas de cinquenta e sessenta, procurando gerar um sentimento e uma prática colectiva que levassem à não destruição de alguns símbolos dessas gerações. Houve mesmo pessoas que prometeram contribuições na mesma linha para o blog...
Mas, não menosprezando duas ou três honrosas excepções, pouco ou nada consegui.
Nenhuma bela oureana me mandou o seu livro de memórias para eu desfolhar e aqui apresentar os factos mais significativos. Também não consegui contribuições de pessoas que conheciam alguns da nossa geração. E quanto a protestos pela defesa do património urbano da época o melhor é estar calado porque o bicho que domina a casa amarela não é para brincadeiras e ainda estraga algum favor que pode vir a ser necessário.
Pouco a pouco, fui vertendo o que me recordava de Ourém. Mas, com o tempo, desapareceu-me o encanto de escrever sobre a terra: uns não ligavam nenhuma, outros estragaram tudo o que me recordava o passado...
No final, tenho a sensação de um exorcismo, porque acabei por me livrar daqueles fantasmas todos... e entrar na indiferença que se deseja para regra.
Desperados

Esta semana prossegue a alienação colectiva.
Sorte têm os incríveis dirigentes autárquicos e nacionais que escolhemos que assim veem completamente descompensada a atenção que se deveria dar aos problemas do país e da terra.
Eu devo dizer que este ópio me sabe um pouco bem. Ver aqueles onze, cheios de técnica, força e raiva, a ultrapassar a nossa pequenez traz-me algum alento. E, no fundo, a falta de atenção que associo agora à cambada de brutos que domina as condições em que vivemos é um reflexo do desprezo que lhes voto.
Mas gostava, oh!, se gostava!..., ver esses dirigentes desperados waiting for the train que os levará para bem longe, tal como aos bifes depois de tanto mal terem dito dos nossos...

Oiça "Desperados waiting for the train"

sexta-feira, junho 30, 2006

Boa vizinhança

Andava desesperado com a minha recente vizinhança. Uns gastavam-me a água do jardim sem autorização. Outros estoiraram-me com o mosquiteiro e abriram-me a janela. Aqui, mais perto do mar, é uma degradação da vivência que só pode compreender quem a sente perante a constante chegada de pessoal para a nobre arte do sexo, da erva e do pó branco vendidos sob total indiferença de quem de direito.
Mas eis que algo mudou em tudo isto. Duas vizinhas novas...
Chegaram pelo início do mês. Os dias foram passando. Elas interessaram-se por nós e, de quando em quando, apareciam para se saber como estavam e falar um pouco.
Ontem, foi demais.
-Temos a canalização entupida...
A prestável e tagarela companheira foi logo a correr, mas não tratou de nada. Pouco depois, voltou.
- Enfiaram arroz pelo cano e agora está tudo entupido. Tens de lá ir dar uma ajuda...
- Eu? Já não tenho idade para desentupir canos...
Mas lá fui para avaliar a situação. Lá estavam elas, as novas vizinhas, olhando-me cheias de esperança.
- Ai, faça-nos esse jeitinho...
O meu coração bondoso não resiste a estes apelos.
Fui mudar de roupa para não apanhar com algum jacto e, perante os calções vestidos, toda a gente aproveitou para gozar um bocado com a ridícula figura do candidato a canalizador.
- Ele tem razão. Não tem nada que ir de fato e gravata...
E lá fui cumprir a minha missão munido de toda a vontade. Apalpei a parte debaixo do cano, forcei um pouco e, pouco depois, tudo aquilo esguichou para dentro do balde ali colocado previdentemente. Desobstruí tudo, voltei a tapar e, pouco depois, a circulação de água era perfeita.
- Muito obrigado! Amanhã, já vamos rezar por si...
É verdade, esqueci-me de dizer. As vizinhas eram duas freiras de avançada idade que foram distrair-se a passar uns dias na casa ao lado da minha. Não calculam os agradecimentos no final.
E, hoje, já o sei, espera-me magnífica garrafa de um JB15 com que elas ousaram presentear-me antes de irem embora.
E andava eu tão descontente com vizinhos cada vez mais sujeitos a adornos electrónicos. Desta vez, eram duas deliciosas velhotas que me fizeram recordar aquela vizinhança antiga e saudosa que se viveu muitos anos em Ourém...

quinta-feira, junho 29, 2006

Country de arrasar para dançar

A falta de inspiração é tanta que dá nestas notáveis ausências. Tenho assistido silencioso à vossa visita e, do miradouro, vejo a evolução dos posts oureenses. Notável a criação daquele Fred do Castelo, qualquer dia até nos permite pôr comentários no dito.
Temos de actualizar o som.
O filhote, quando ouve esta canção, naqueles momentos em que eu arraso a paciência da família obrigando-a à audição das obras primas que tanto aprecio, o filhote, dizia eu, afirma que lhe parece ver porquinhos e animais da quinta a dançar. Assim, para entrarmos em estágio no baile que se vai dar aos ingleses, cuja imprensa tão bem se tem portado, aqui a deixo para os amigos oureenses. A cantadeira é a minha querida Emmylou...


Oiça Timberline por Emmylou Harris

terça-feira, junho 20, 2006

Já está

Tive de acelerar para vos deixar uma visão completa acerca das funcionalidades das páginas das câmaras.
Agora, parto descansado.
O trabalho não terminou, mas uma fase importante que me permitiu ter alguma sensibilidade e melhorar a qualidade dos dados está concluída.
Vou aceitar os dados da miudagem e prosseguir utilizando-os noutro contexto.
Quanto ao OUREM, devido à minha ausência, vai possivelmente calar-se (isto é uma força de expressão, já que Ninguém calará a voz...) durante alguns dias, já que duvido que lhe tenha acesso.
Até breve.
Serviços de Informação das Autarquias - 64
A câmara não fez e pretende adiar o diagnóstico social do concelho




É o que pode deduzir-se desta acta.
Não o entenderam assim 26% das câmaras do país que pensaram o plano ou realizaram o pré-diagnóstico ou realizaram o diagnóstico, cientes de que a condição social das pessoas era bem mais importante que toda uma série de outras questões.
Lisboa é o distrito mais avançado neste processo com 75% das autarquias a documentarem o seu projecto de construção da rede social no concelho.
Madeira e Açores apresentam valores nulos, mas Coimbra (11%) e Castelo Branco e Beja, ambos com 14%, não são famosos.
Serviços de Informação das Autarquias - 63
Newsletter sobre empreendimento no concelho




Contrariamente ao que preconiza o projecto Leiria Digital, a câmara de Ourém não produz nem divulga através da sua página qualquer newsletter sobre o empreendimento no concelho.
Esta funcionalidade apenas foi encontrada em 16% das câmaras do país. Lisboa é o distrito melhor classificado com um valor pouco satisfatório (44%). Açores, Bragança, Faro e Madeira apresentam valor nulo.
Serviços de Informação das Autarquias - 62
Directório das Empresas do Concelho



Ter uma página listando as empresas do concelho, apontando para a sua página caso ela exista, informando sobre a sua actividade económica, localização e mantendo-a actualizada é, com certeza, tarefa árdua, mas depende apenas da organização e afectação de recursos da câmara.
Na câmara de Ourém, uma enganadora entrada no menu da câmara parece prometer o directório. O problema é que, debaixo do mesmo, não há mais nada e o problema nem é temporário uma vez que já se manifesta há mais de dois anos.
Convenhamos que a resolução disto não parece fácil. No país, apenas 19% das câmaras integram esta funcionalidade em página Internet. O Porto (44%) e Portalegre (40%) apresentem os melhores valores. Viana do Castelo, Bragança, Madeira e Açores optaram pela omissão.
Serviços de Informação das Autarquias - 61
Informação sobre feiras e mercados no concelho



Todos sabem ao que me refiro. Lembram-se da Feira do mês?
Pois bem, este tipo de acontecimentos, que se integra na cultura das pessoas, é visto com extrema curiosidade pelos forasteiros que apreciam conhecer as datas das suas realizações. Na página da câmara de Ourém, não descobrimos nada que satisfaça essa curiosidade. Isso passa-se com 50% das câmaras do país que não vêm necessidade de publicitar na Internet essas realizações.
Mas Vila Real encontra qualquer coisa de especial nesses factos pelo que 86% das camaras do concelho procedem a essa publicitação. De referir ainda os casos de Évora, Coimbra, Beja, Viseu e Viana do Castelo com valores na casa ou superiores a 70%.
Os Açores (11%) e Aveiro(16%) são os distritos cujos concelhos estão mais perto da catarineta Ourém...
Serviços de Informação das Autarquias - 60
Informação sobre os Parques Industriais do Concelho



Apenas 21% das câmaras do país informam, na página Internet, acerca dos parques industriais existentes no respectivo concelho. É um facto que esses parques podem não existir e, como tal, não haver lugar à sua descrição. Mas a inversa também é verdadeira: o parque existe e não é descrito ou listado. É este, por exemplo, o caso da câmara de Ourém...
Os concelhos de Castelo Branco (55%) e Évora (50%) são aqueles onde a página da câmara apresenta esta funcionalidade com mais frequência. No outro extremo, Bragança, Faro e Madeira ficam-se pelo valor nulo.
Não me é fácil compreender e aceitar esta propensão autarca para a não informação na área económica em local que pode significar informação para o investidor externo. Será que andam a guardar os parques para os locais, escondendo-os dos outros? Enfim, não sejamos tão pessimistas...
Serviços de Informação das Autarquias - 59
Descrição económica e social do concelho


36% das câmaras do país inserem na página Internet texto descritivo da situação económica e social do concelho. Referimo-nos aqui a algo relativamente informal, exclusivamente da autoria da câmara que não se confunde, por isso, com o diagnóstico social.
O município de Ourém não nos dá essa descrição alinhando assim com grande parte dos da Madeira, Viana do Castelo e Faro.
Mas nos distritos de Évora (64%), Porto, Viseu, Lisboa e Coimbra mais de 50% das câmaras produzem essa descrição o que nos leva a considerar que encontram nela alguma utilidade em termos de informação ao cidadão.
Serviços de Informação das Autarquias - 58
Informação sobre os elementos do serviço de saúde no concelho





Em todo o país apenas 36% das câmaras disponibilizam informação sobre o serviço de saúde no respectivo concelho. Como podem confirmar aqui, a página da câmara de Ourém presta alguma informação nessa área embora a possamos considerar pobre (mas não é isso que está em questão neste momento).
Porto e Portalegre são os distritos que apresentam os melhores valores, claramente acima da média nacional e, no outro extremo, Bragança, manifesta clara desatenção ao problema.
Estranho fado o dos portugueses com autarcas que dão mais atenção à gastronomia e aos circuitos turísticos do que ao serviço de saúde...
Serviços de Informação das Autarquias - 57
Lista de entidades culturais, desportivas e de lazer



Ora aqui está mais um caso que exige revisão. Se repararem, ali mais para baixo, já existe um post sobre as associações do concelho. É natural que haja sobreposição entre os resultados deste caso com esse, aliás, se repararem bem, eles são muito semelhantes. Isto não tem grande perigo para a compreensão da funcionalidade isolada, mas em termos de resumo dos dados, por exemplo, indicador de maturidade, significa que a mesma coisa pode estar a ser contabilizada duas vezes, beneficiando os que a implementaram e prejudicando os outros. De qualquer forma, não sei se vou ter tempo para vos mostrar, mas disponho de uma ferramenta que vai conseguir despir os dados destas associações e levar-nos ao seu exame através de variáveis não correlacionadas. Isso proporcionará resultados muito engraçados (como calculam, eu vou um pouco à frente do que estou aqui a apresentar...).
Bom, voltando ao caso em questão, lá temos Santarém, Porto e Aveiro com incidências superiores a 80% e, no outro extremo, Faro, Setúbal e Guarda com valores muito fracos.

segunda-feira, junho 19, 2006

044440

Ora aqui está um número com muita pinta ou muitos quatros, atingido pelo OUREM, desta vez sem promoções de saldos ou promessas, mas com a minha inestimável ajuda em acessos perante a ameaça de ninguém nos ler.
E que dizer nesta altura?
Que falta pouco para atingirmos 3 anos...
que não sabemos o que isto vai ser no futuro...
e, portanto, o que for logo se verá.
Serviços de Informação das Autarquias - 56
Informação sobre estabelecimentos de ensino



Apesar de, por vezes, com informação incompleta ou desactualizada, as autarquias manifestam razoável tendência para informar sobre os estabelecimentos de ensino do concelho, disponibilizando na maioria dos casos apontadores para os mesmos. Em Ourém, grande parte das páginas arroladas não tem conteúdo.
Porto e Lisboa apresentam os melhores resultados com uma incidência superior aos 80%.
A região autónoma dos Açores, e os distritos Viana do Castelo e Bragança com uma frequência inferior aos 30% apresentam os piores resultados.
Serviços de Informação das Autarquias - 55
Informação sobre gastronomia, hotéis, restauração, ...



É bem a ilustração de que onde não há comidinha, todos ralham...
Consegue ser a única funcionalidade que se encontra disponível na INternet para a maioria dos concelhos do país (71%). Não se garante que esteja lá tudo, mas, como temos dito noutras ocasiões, o que vale é a intenção.
Bragança e Vila Real comandam com mais de 90% dos concelhos a disponibilizarem esta informação.
No outro extremo, nos Açores, pelo menos 53% das câmaras também o fazem.
Quanto à nossa câmara apresenta aqui umas ementas fabulosas. Abençoada gente!
Serviços de Informação das Autarquias - 54
Informação sobre circuitos e roteiros turísticos



Ourém tem alguma informação interessante nesta matéria como pode ser constatado aqui.
Os valores de incidência são positivos a nível de país, destacando-se Vila Real, Bragança e Viana do Castelo pela positiva (lá está de novo o solitário apelo...) e Açores (!!), Braga, Setúbal e Faro pela negativa.
Serviços de Informação das Autarquias - 53
Informação sobre as Associações do Concelho




Por todo o país, 59% das câmaras municipais utilizam a página Internet para informar acerca das associações do concelho. Algumas chegam a criar algum texto sobre elas, outras limitam-se à sua localização ou ao endereço Internet o que é um passo importante para as conhecer melhor ou pelo menos para conhecer a ideia que fazem de si. Ourém está neste caso como podem verificar aqui.
O exame dos resultados, com Setúbal na cauda e uma incidência na ordem dos 15%, leva-me a desconfiar dos mesmos pelo que eles serão sujeitos a revisão quanto a esse distrito. De qualquer modo, podemos apontar bons resultados para Santarém (86%), Porto (83%) e Aveiro (74%).
O OUREM a um passo da glória
Sinto que vou conseguir cometer a proeza de o número de posts ultrapassar neste dia o número de leitores. É o reflexo do profundo interesse que este humilde blog desperta entre as gentes oureanas...
Serviços de Informação das Autarquias - 52
Informação sobre as freguesias do concelho



Na figura acima, a altura da barra mede a distância para a plenitude. Como podem apreciar, a quase totalidade das nossas câmaras (76%) informa em página na Internet sobre as freguesias que a compõem. Isso passa-se também com Ourém como podem confirmar aqui.
Não se julgue que as ausências de informação se devem à não existência de página. Para além desses e dos que têm os sítios em manutenção optando por nada informar, há efectivamente câmaras que se esquecem das suas freguesias.
Bragança, Aveiro e Porto são os distritos que apresentam os valores mais elevados. No outro extremo, Faro, Viana do Castelo, Açores e Beja deveriam fazer um esforço para apresentar melhor informação neste campo.
Serviços de Informação das Autarquias - 51
História, monumentos e lugares históricos, figuras ilustres, lendas e outros elementos sobre concelho e freguesias





Ourém é a expressão viva de um concelho em movimento!

Os fitotopónimos (Matas e Olival), os hidrotopónimos (Ribeira do Fárrio e Rio de Couros), os hagiotopónimos (N.ª Sr.ª da Piedade e N.ª Sr.ª das Misericórdias), os arqueotopónimos (Urqueira e Vale das Antas) e outros mais topónimos espelham a diversidade Oureense.

É assim que começa a descrição denominada História produzida pela nossa autarquia acerca do concelho e disponibilizada na página.
A descrição não é longa ao contrário do que se passa em outros concelhos do país que nos brindam com saborosas lendas e feitos romanceados das suas figuras históricas.
Por todo o país, 76% das autarquias utilizam a INternet para proceder a este tipo de divulgação. Setúbal, com uma taxa de 100%, é o distrito mais produtivo. Depois vem Bragança (97%) como que a dizer: "estamos aqui tão sózinhos! Olhem um bocadinho para nós e para a nossa história". Seguem-se Vila Real, Santarém e Viana do Castelo, com valores iguais ou superiores a 90%.
Na cauda, Faro parece um outlier com uma diferença de 33 p.p. para a média do país. A recente criação de região digital não parece ter beneficiado muito o distrito neste aspecto, preocupando-se mais com outro tipo de pormenores...
Serviços de Informação das Autarquias - 50
Indicadores genéricos, demográficos, económicos e sociais do Concelho




Como podem ver aqui, a Câmara de Ourém publica, com base em estatísticas do INE, alguns indicadores sobre o concelho. Não é grande coisa, mas já representa uma intenção o que é assinalável quando comparado com outras ausências de intenção dos nossos autarcas. Claro que, se em vez de terem esse trabalho todo, apontassem para aqui ou para aqui, talvez a utilidade do acto fosse melhor.
Por todo o país, 36% das câmaras utilizam a página para disponibilizar este tipo de indicadores. Os melhores classificados são o Porto, Évora e Lisboa, com valores entre 60 e 70%. No outro extremo, Guarda (14%), Castelo Branco (14%), Viana do Castelo (10%) e Vila Real (0%!!) parecem não valorizar este tipo de disponibilização.
Serviços de Informação das Autarquias - 49
Geografia do Território, Localização, Acessos e Vias de Comunicação



Por todo o país, 68% das câmara utilizam a página na Internet para dar informação acerca da Geografia do território, da localização, acessos e vias de comunicação.
Ourém segue este bom exemplo.
Os distritos com mair incidência são Porto (94%), Vila Real (93%), Santarém (90%) e Aveiro (84%). No outro extremo, encontramos os distritos de GUarda (29%)e Setúbal (31%)e a região autónoma da Madeira (38%).
Serviços de Informação das Autarquias - 48
A informação sobre o concelho

Trata-se de uma informação que tanto interessa a pessoas do concelho como a pessoas que o visitem, servindo, de certo modo, para medir o pendor turístico da autarquia, mas também a atenção que dá a alguns problemas que só podem ter uma solução a nível nacional.
As funcionalidades que aqui considerámos foram as seguintes:
1 - Informa sobre Geografia do Território , Localização, Acesso e Vias de comunicação
2 - Faz Descrição Económica e Social do Concelho
3 - Disponibiliza Directório de empresas
4 - Informa sobre realização e resultados do Diagnóstico Social do Concelho
5 - Disponibiliza Indicadores Genéricos, Demográficos, económicos e sociais do Concelho
6 - Informa sobre História, Monumentos e Lugares Históricos, figuras ilustres, lendas e outros elementos sobre concelho e frequesias
7 - Informa sobre Freguesias do Concelho
8 - Lista Associações do Concelho
9 - Descreve Circuitos Turísticos do Concelho
10 - Informa sobre Gastronomia, hoteís, residenciais, restaurantes, bares, discotecas
11 - Lista e aponta Estabelecimentos de Ensino
12 - Lista Entidades culturais, desportivas e de lazer
13 - Informa sobre Parques industriais
14 - Informa sobre Serviços de Saúde
15 - Informa sobre Feiras e Mercados
16 - Apresenta Newsletter mensal sobre empreendimento no concelho.
A grande maioria das respostas a estas funcionalidades é do tipo 0 (não), 1(sim). No entanto, a nível de Diagnóstico Social foi considerada a existência de dois estádios intermédios 0,25 (Plano de realização) e 0,5 (Pré-diagnóstico).
Inicialmente, foi considerada mais uma funcionalidade relacionada com a área florestal cujos resultados não foram considerados apresentáveis.
Neste contexto, Ourém ocupa a 92ª posição com a mesma classificação do 91º e do 111º no ranking provisório que pode ser elaborado a partir dos dados dos alunos do ISEG que temos vindo a utilizar. O seu valor, 0.63, pode considerar-se positivo, mas indicia que ainda existe um bom conjunto de actividades a desenvolver para melhorar este tipo de informação. A página da câmara não nos dá informação sobre os parques industrias, sobre feiras e mercados e não faz a descrição económica e social do concelho. Por outro lado, apesar de ter uma entrada sobre directório de empresas, ela nunca está preenchida, tenta adiar as actividades relacionadas com o diagnóstico social e, contrariando objectivos do projecto Leiria Digital, não publica mensalmente qualquer newsletter sobre empreendimento no concelho.

Como podem ver na figura acima, Ourém situa-se num grupo um pouco abaixo dos melhores que, de acordo com os resultados do ranking, têm forte associação ao distrito de Évora. Pombal, apenas com o défice de uma funcionalidade, ocupa o segundo lugar.

domingo, junho 18, 2006

Country comercial ao melhor estilo de Ourém

A selecção ganhou, as festas de Ourém estão a chegar...
... temos de celebrar.
Penso que um bocadinho de country vem mesmo a propósito para acompanhar no blog esta hora feliz para os oureenses. Aquelas guitarras com aquele som ...
Eles aí vêm: os Bellamy Brothers...

Oiça I love you (more and more...) pelos Bellamy Brothers

sábado, junho 17, 2006

Serviços de informação das Autarquias - 47
Relação da Abertura dos sítios com a despesa corrente per capita



Famalicão continua a ser o concelho cuja página autárquica apresenta o melhor ratio entre o critério (neste caso, Abertura) e a despesa corrente per capita. Seguem-se-lhe os concelhos em que aquele critério apresenta os melhores valores (Gaia, Pombal...)
Ourém situa-se numa modesta 141ª posição, aproveitando apenas 9% do que poderia aproveitar caso utilizasse mais eficazmente os seus recursos.
É entretanto possível estabeler uma associação entre o ratio e as variáveis que nos têm servido. Se considerarmos os 74 concelhos melhor classificados, podemos determinar que existe uma forte associação entre o ratio e a despesa corrente municipal per capita, sugerindo que os melhores valores se encontram ligados a menores despesas. Reparem, aquele valor R2 implica uma correlação elevada e o sinal menos da expressão diz-nos que a inclinação é negativa. Isto permite concluir que Ourém poderia melhorar a sua posição sem ter necessidade de aumentar a despesa. Se calhar, isso é que não convém.

Nota: consulte aqui a folha de cálculo que usámos nos nossos cálculos...

sexta-feira, junho 16, 2006

Realidade e números

Dizem-me que ao dar tanta atenção aos números me estou a afastar da realidade, da naturalidade.
Pode ser, mas não estou muito de acordo.
Na minha perspectiva, os números reflectem a realidade, embora não se confundam com ela. Eles dão-me alguns argumentos para tentar, de uma forma ponderada, compreender e modificar essa realidade.
Por exemplo, no nosso caso concreto...
Todos dizem mal da câmara, da página da câmara. Os números permitem ir um pouco mais longe. Permitem ver que, em termos de informação municipal, a página da câmara não é assim tão má e que peca fundamentalmente por não se abrir ao munícipe e por se estar nas tintas para a situação social no concelho. Isto é importante.
Claro que não devemos restringir aos aspectos que se manifestam em números a nossa compreensão da prática dos autarcas. Por isso, dou também toda a atenção a posts como o publicado no Castelo acerca do turismo e das trocas turísticas em que esta câmara agora anda empenhada com o Ceará, contribuindo obviamente para empenhar mais os oureenses...
Serviços de Informação das Autarquias – 46
Outro apoio online ou Acesso ao Portal do Cidadão




Mas se pensarmos em outro apoio online como, por exemplo, a emigrantes, a pessoas com dificuldades de deslocação ao município ou inclusivamente acesso a serviços que não são da autarquia mas que, pela sua natureza, poderão encontrar nela um apontador como os característicos de um portal do cidadão, vemos que, em Ourém, a preocupação continua a ser nula.
Não julguem que isto é exigir demais. Concelhos com a dimensão ou em tudo semelhantes ao nosso, há muito que integram essas faciliades. Vejam, por exemplo, o Cartaxo.
A verdade é que, por todo o país, já existirão cerca de 12% de concelhos cuja página da câmara exibe algo de parecido com esta funcionalidade.
Lisboa comanda com 31%, seguindo-se-lhe Braga (21%) e Santarém (19%).
Ourém está com os mais lentos, isto é, com a Madeira, Viana do Castelo e Bragança.
Canção do amor escondido

Originalmente era dos Beatles, mas os tais rapazes da praia resolveram parodiá-la e surgiu o som que os amigos oureenses aqui podem ouvir. E quem não tem uma estória de amor escondido? Título original: "You got to hide your love away". Nabo como sempre em inglês, tenho dificuldades para traduzir isto...

Oiça You got to hide your love away pelos Beach Boys
Serviços de Informação das Autarquias – 45
Dinamização e Participação em fóruns



Em todo o país, cerca de 10% das câmaras utilizam a sua página Internet para dinamizar e participar em fóruns acerca dos problemas concelhios. Surpreendentemente quando comparado com outros resultados, o distrito de Beja dá o exemplo com 36% dos concelhos a exibirem esta funcionalidade. Depois, Faro, Leiria e Viseu apresentam uma simpática concretização de 25%.
De Ourém nem vale a pena falar. "As pessoas que lá estão já sabem tudo", "o povo já foi ouvido" e, por isso, o seu autismo é total...

quarta-feira, junho 14, 2006

Serviços de Informação das Autarquias - 44
Univa ou Bolsa de Emprego online(s)




Apenas 4% das câmaras utilizam a Internet para disponibilizar apontadores para serviços onde se poderão encontrar bolsas de emprego no concelho a que respeitam.
Em termos relativos, Lisboa é o distrito que apresenta os melhores valores, seguindo-se-lhe Santarém, Porto, Viana do Castelo e Leiria.
Ourém não foge à regra.
Admitindo alguma interesse por parte dos que nos leem aqui fica a indicação dos concelhos: Oeiras, Chamusca, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Boticas, Alcanena, Mafra, Paredes de Coura, Pombal, Odivelas, Ferreira do Zêzere,Óbidos, Sintra, Seixal e Abrantes. Conseguem descobrir a página facilmente com uma pesquisa no Google por "câmara" e nome do concelho. Geralmente é a primeira...
Detestava esta música

... e o Zé Domingos é disso testemunha se por aqui passar.
Era pior que bárbara, como o seu nome (Barbara Ann) parece querer sugerir.
Assim, vou contribuindo para o afastamento do Ourem...

Oiça Barbara Ann pelos Beach Boys
Serviços de Informação das Autarquias - 43
Biblioteca - descrição do serviço, consulta do catálogo, reserva



Num mundo em rede, não faz sentido que organizações muito interrelacionadas estejam como que de costas voltadas. É o que acontece muitas vezes entre bibliotecas municipais e câmaras municipais.
Procurámos assim determinar até que ponto, partindo do site da câmara era possível chegar ao catálogo da biblioteca ou mesmo proceder à reserva de livros. Esta última funcionalidade foi tão rara em termos de frequência que acabámos por desistir da mesma. Já o mesmo não acontece em relação ao acesso ao catálogo pelo que passámos a considerar a funcionalidade implementada pela sua concretização e considerámos um nível inicial quando era possível obter uma descrição relativamente pormenorizada do serviço.
Como se pode ver no gráfico, no país, apenas 15% da funcionalidade está implementada. Lisboa (0,38), Viana do Castelo (0,38) e Setúbal (0,37) apresentam os melhores resultados. No outro extremo, o de Ourém, os concelhos do distrito de Bragança e Castelo Branco não encontram qualquer referência na página da câmara à utilização das suas bibliotecas municipais com eventual excepção da sua localização física.

terça-feira, junho 13, 2006

Serviços de Informação das Autarquias - 42
Descarga de formulários



E por que haveremos de ir gramar as bichas da câmara para buscar formulários se os podemos descarregar utilizando a Internet? Jardim e Catarino dão uma lição ao mundo. A Madeira lidera com 73% dos seus concelhos a exibirem esta funcionalidade. E o presidente David encontra aqui um meio para evitar maus encontros com os oureenses.
Com 5% dos concelhos, os Açores nem couberam no gráfico ( e não esperem os amigos oureenses que o vá refazer, porque não me apetece nada)...
Serviços de Informação das Autarquias - 41
Conteúdo de página em mais do que um idioma




Ourém acompanha os 91% de concelhos do país que não têm página em mais do que um idioma.
Lisboa e Setúbal, onde 31% dos concelhos apresentam essa funcionalidade, obtêm os melhores resultados, manifestando uma vertente turística que seria mais expectável no Algarve, nos Açores ou Madeira. Claro que neste caso não basta ter lá a bandeirinha a anunciar página noutro idioma. Os observadores tentaram ver se esse símbolo correspondia à verdade.

segunda-feira, junho 12, 2006

Serviços de Informação das Autarquias - 40
Consulta online de processos



Em todo o território nacional, apenas 10% das câmaras permitem uma consulta online aos processos que lhe são são submetidos pelo munícipe. Compreende-se este atraso já que se trata de uma função que exige um módulo que garanta a identidade do interessado e que a mesma corresponda ao responsável pela submissão do processo. Há sítios em que esta garantia vai mais longe chegando inclusivamente a certificar a fonte de informação.
O distrito melhor classificado nesta matéria é Santarém a uma razoável distância dos restantes onde a função tem surgido de uma forma esporádica. Por outro lado, é visível que, em alguns distritos, nenhuma das câmaras ainda seguiu esta via, mantendo-se fechada em métodos ancestrais.
Também nesta matéria, Ourém não seguiu o exemplo dos seus congéneres de distrito, manifestando razoável isolamento em relação aos mesmos e dando uma significativa parecença com o que se passa no distrito de Leiria onde Pombal, isolado, se caracteriza pelo dinamismo…
Serviços de Informação das Autarquias - 39
Caixas de questões, sugestões, reclamações e livro de visitas




Na nossa perspectiva, constituem um verdadeiro convite ao diálogo com o órgão autárquico. Nada garante, no entanto, que cheguem ao destinatário ou que venham a ter resposta.
Aquela linha vermelha mais ou menos ao meio representa a média nacional. As barras da parte de cima, negras, referem-se aos distritos que têm uma densidade da função entre os seus concelhos superior à média nacional. As barras da parte de baixo, brancas, representam o défice a nível distrital.
Bragança e Santarém são os distritos com os melhores resultados. Não admira. No primeiro, o desenvolvimento da página de todo o concelho foi confiado a uma só entidade que aplicou o mesmo modelo a todas. Santarém apresenta a mesma particularidade para um número menor de concelhos. Ourém não segue esta prática. Compreendemos a lógica: se nem responde aos emails porque haveria de gastar dinheiro nisto numa altura em que é tão necessário ao financiamento de projectos da iniciativa privada?

domingo, junho 11, 2006

Serviços de Informação das Autarquias - 38
Publicações das câmaras – a viabilidade da encomenda


As publicações municipais, por vezes, são extremamente ricas e oferecem grande interesse para estudiosos de toda a parte que poderão pretender a sua aquisição sem necessidade de se dirigirem ao local onde se situa fisicamente o órgão autárquico.
Faz sentido que os sites das câmaras criem condições para a encomenda online ou pelos menos informem sobre a viabilidade ou a forma de as mesmas poderem ser obtidas.
São poucos os municípios que o fazem e Ourém segue o exemplo das piores práticas.
A figura acima mostra que Viseu é o distrito com mais câmaras onde esta funcionalidade está presente, existindo um número significativo de distritos onde ela não se encontra em qualquer câmara. Em termos relativos, a preponderância vai para Setúbal.
Isto está a mudar

... e há-de mudar mais!
O nosso Juventude subiu de divisão e no próximo ano estará entre os grandes. Lampeões e tripeiros que se cuidem!
Aqui ficam os parabéns do Ourem com nova música para celebrar.

Oiça The times they are a-changing pelos Beach Boys
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