quinta-feira, junho 10, 2004

Protesto à deriva... mas já redireccionado
A união dos oureenses que estão fartos da destruição da nossa Ourém vai ganhando forma. É o que se constata na parte final deste texto do Zé Quim, porque o que acontece impressiona muito a quem está fora e, de tempos a tempos, aparece:
És um malvado!
Apanhaste-me!
A minha boa vontade em querer contribuir para a reposição da regional verdade histórica, levou-me a nem sequer pensar que as palavras, particularmente usadas para a nova descrição dos “explosivos” acontecimentos, poderiam ser pespegadas num Blog a que não faltou, como remate, o meu nome!
Sonhasse eu com a “traição” teria, pelo menos, algum cuidado com a sintaxe. Paciência!
Impuseste-me, além do mais, cruéis andanças pelo blogger.com. Atrapalhaste-me a vida com os userids, passwords e nomes de animais selvagens com fato às riscas.
Irás pagar com língua de palmo, oh blog(quista) usurpador, a tua ousadia!

Escrevi esta coisa já há muito tempo, num blog que, seguindo as tuas indicações, consegui criar, mas que perdi, devendo andar agora para aí à deriva.
Sabes que o meu pai, em tempos há muito idos, continuou um caderninho iniciado pelo meu tio Joaquim, onde constam cerca de 280 alcunhas?!
Tenho lido todos os dias os teus blogs. Fico quase sempre triste e revoltado quando o tema versa, e são muitas vezes, a destruição de Ourém.

Um abraço grande

Zéquim
Agora é preciso que outros distintos oureenses manifestem também a sua não indiferença.

quarta-feira, junho 09, 2004

A notícia
O telefone toca.
É a Luísa. Sabes o que aconteceu?
Fiquei chocado, triste. Tenho muita pena dele, era com certeza uma boa pessoa.
Para mim, acabou. Não falo mais sobre as europeias.
Retorno à equipa maravilha
Há uns tempos escrevemos aqui:
Podem falar nos putos do hóquei, podem falar nas internacionalizações, podem falar no Luís Porto, mas, para mim, a equipa maravilha, aquela que defrontou o Livramento, aquela que quase humilhou o Futebol Benfica com um bem claro 5 a 3, aquela que entusiasmava as gentes de Ourém ao ponto de os seus clamores atingirem e atemorizarem Tomar, Abrantes, Torres Novas, Marinha Grande e Turquel, era a formada pelo Mário, Abel, Rui Prego, Rui Costa, Piriquito e outros que não me lembro, mas que julgo que integraram o Ferraz, o Pintassilgo e, ele o diz, o Vitor Castanheira.
Quando o Abel saiu, o Pintassilgo, talvez o mais habilidoso de todos, entrou, e logo ganharam o distrital. Que magnífico feito!
Que pena não ter uma fotografia desse tempo.
Constato que a tradição do hóquei não se perdeu, independentemente de vir sob o nome Atlético ou Juventude. Mas uma coincidência engraçada é o facto de o treinador dos putos, grandes campeões do século XXI, aquele que os tem conduzido a saborosas vitórias apesar de poucas vezes ser nomeado, ser filho de um desses magníficos que lutavam na equipa maravilha.
E eis que mão amiga me faz chegar duas fotografias desse tempo. Uma delas, nas costas, tem escrito a lápis 1959. São com certeza fotografias desse tempo.

E reconheço, na de cima, o Abel, o Rui Costa, o Rui Silva (Prego), o Borga (inicialmente pensei que era o Fonseca),o Mário e o Armando Pereira (Piriquito). Será que alguém consegue dar uma ajuda quanto ao treinador?
Na de baixo, a ignorância é maior: o guarda-redes é o Setenta, mas não consigo reconhecer o seu substituto. Já aparece o Pintassilgo ao lado de um dos irmãos Costa. Atrás, aparece o Mário sem ser na posição em que o recordo, o Armando, o Abel e um outro jogador, capitão de equipa, que também me é desconhecido.
E aqui fica o convite a distintos oureenses: será que alguém consegue dar uma ajuda no reconhecimento? Ou quer publicar algo sobre isto?

A mudança


Já não me lembro em que ano mudei para a casa da Rua Santa Teresinha.
Mas sei que fui actor nessa cena.
E revejo-me a descer do largo de Castela para a Avenida. Levo um saco grande na mão, talvez com um metro de altura e uns trinta centímetros de diâmetro. É castanho, feito de uma matéria que me parece linhaça, mas que a minha santa ignorância não consegue caracterizar. Lá dentro sente-se que algo mexe. É a minha gatinha de cor branca e preta, vai dentro do saco para não reconhecer o caminho e não ter tentações de voltar à origem.
Atravesso a Avenida e viro à esquerda, frente ao edifício do cine-teatro viro à direita e inicio a descida. Passo em frente à casa onde conheci distinto oureense que há uns dois anos me ofertou saboroso arroz de cabidela na Gondemaria. Um pouco mais abaixo, frente à morgue, acelero o passo, sempre que ali passava tinha receio que algum defunto me perseguisse. Num instante chego à estrada, passo frente à alfaiataria do Zé Canoa e inicio o pequeno morro que me leva à nova casinha.
Ali, faço as apresentações à gatinha. Vê o quintal, vê os quartos, enfim tudo parece em ordem, a adaptação parece não trazer problemas.
Passa um ou dois dias. Oiço a minha mãe: Luís, não sei da gata...
Foi o desespero. E se ela era engraçada e brincalhona.
Mas eis que chega a salvação. Alguém da rua de Castela traz a notícia. Sabem, a V. gata não sai de ao pé da antiga casa.
É verdade, apesar da nossa tentativa, o bicho tinha conseguido reconhecer o caminho e voltar. Com maiores cuidados, fomos buscá-la e, como o sítio para onde mudámos, era idílico, ela acabou por se adaptar.
Foram precisos muitos anos para distinto oureense compreender, aceitar e acabar por sentir esta fixação na casa do Largo de Castela.

terça-feira, junho 08, 2004

O candidato de Ourém
Pus-me a pensar sobre algumas coisas que gostaria que o candidato de Ourém tratasse lá no Parlamento. Aqui ficam. Se todo o oureense fizer o mesmo e lhe der, no final podemos julgar se ele merece a reeleição.
1. Consta que os dinheiros gastos na Praça Agostinho Albano de Almeida tiveram a sua origem na União Europeia. Assim, a ser verdade, eu propunha que o nosso candidato apresentasse no Parlamento Europeu um relatório sobre a forma como esses recursos foram esbanjados, designadamente, que tente mostrar o que tínhamos e como ficou. Chama-se àquilo “zona histórica” e foi possível fazer lá uma obra que apagou a história toda.
2. Gostaria que o Parlamento Europeu fosse alertado para outras eventuais destruições em perspectiva, designadamente a casa do Largo de Castela e adjacentes, e que sobre estas fosse lançada a partir da Europa uma providência cautelar.
3. Gostaria ainda que os autarcas locais fossem interrogados pelo facto de não terem canalizado parte dos recursos recebidos para determinados elementos patrimoniais em degradação já documentados como a fonte de Santa Teresinha, o Chafariz do recanto pitoresco do Ferraz ou para a devolução da dignidade perdida ao Colégio Fernão Lopes. Num momento de aproximação a Leiria, podia muito bem ser negociada a instalação ali de formação de alto nível para executivos, pois tudo pode ser recuperado e o ambiente à volta mantém características excelentes para repouso e reflexão.
4. De certeza absoluta que os meus olhos já não verão uma sociedade socialista como eu gostaria. Mas ficaria satisfeito se alguns males da sociedade actual fossem banidos. Concretamente, mais civismo, mais educação e fim à corrupção. Não vou lançar qualquer atoarda relativamente aos nossos autarcas, mas penso que a auditoria sistemática às contas por entidade independente e credenciada seria uma prática justa e teria mais força se viesse recomendação da Europa: não basta ser honesto, é preciso parecê-lo, é preciso que ninguém lance a dúvida.

E é só isto, meu caro Sérgio. Nem precisas de te ralar com a revolução proletária ou com a revolução socialista, o pessoal haverá de lá chegar, evoluindo.
A propósito, consta que essa força da natureza que é a Odete tem grandes hipóteses de ser eleita e que também tem uma relação com Ourém. Confesso que não sei se isto é verdade, mas não é o mais importante, o que é verdadeiramente importante é ver que o terceiro candidato da CDU também dá excelentes garantias quanto ao desempenho.
Eu não sei como te chamas, ó Maria Faia
Mais recentemente foi um negócio de cozinhas.
O oureense é ali dos lados da Lagoa do Furadouro com negócio montado em Tomar e suponho que em Leiria.
A cozinha em si é um espanto em termos de qualidade, ele, um verdadeiro artista, montou e adaptou o que tinha a adaptar com uma facilidade espantosa.
O problema foi a pedra que trouxe pois esboroa-se. Perante a reclamação, demonstrou que a assistência pós-venda era nula. Ignorou praticamente o cliente com quem tinha feito a totalidade do negócio.
Pois este artista, mesmo na perspectiva de nova cozinha e roupeiro para a Parede estimados aí para os dez mil euros, não teve condições de propor uma solução para o diabo da pedra de modo a ultrapassar esta má impressão. Isto é, ele está para o marketing como o cientista louco está para o ensino: uma monumental falta de jeito.
Não se pense que, aqui para os lados de Lisboa, o comportamento dos fornecedores é muito melhor. Ainda há dias, a história da cozinha da Parede teve continuação com a respectiva devolução ao artista que a instalou, este da zona de Oeiras, porque se demonstrou que era material em segunda mão!!! E a luta foi dura: até houve fotografias e a Deco.
Bem pode penar o nosso querido PM pela retoma com exemplos destes. Depois o PIB não aumenta e lá vem o chato do défice.

segunda-feira, junho 07, 2004

Novo blog sobre Ourém
A notícia fez-me andar à procura (infrutífera) do livro com as citações do Presidente Mao que usei muito lá para 1970 e fazer a respectiva adaptação: que cem novos blogs floresçam.
Mas cuidado com o foco em Ourém, a dispersão pode tirar força e o projecto o Castelo merece ser apoiado.
De qualquer forma, longa vida e muita força ao Ourém a nu.
Finalmente...
... o Ourém e seu Concelho chegou.
Um bocadinho mais e já não valia a pena ler a Carta aos Oureenses.
Àquela janela virada para o mar
Vivo muito perto do mar. Para o ver basta uma ligeira inclinação. Isso faz com que as janelas, estores e pedras da minha residência sofram os seus efeitos e que a sua duração seja substancialmente mais curta.
A primeira mudança de estores não foi feliz. Surge a ideia: e se fôssemos a Ourém encomendar?
Logo me identificaram o melhor profissional. Por sinal, pessoa excelente e muito amável que leva, por vezes, bicada dos próprios fornecedores.
E lá veio tudo a caminho da Parede com o selo de Ourém e origem na Gondemaria. Janelas umas por cima das outras sem eficaz protecção. O aspecto do alumínio é magnífico, elas correm nas calhas com singular precisão. Tudo parece funcionar bem.

Mas eis que surge alguém
que olha as janelas uma a uma,
preparando-lhes a limpeza
com montes de alva espuma...

Que será aquilo nos vidros? Riscos e mais riscos por todo o lado.
Lá se fez reclamação o que levou à troca do produto.

Mas, depois desta, os problemas continuaram: vidros com manchas, assemblados à balda com dedos marcados e de cuja troca se continua infrutiferamente à espera.
Mais uma vez, parece que há desejos de nos torturar.
Aliás, decidimos deixar de esperar....

domingo, junho 06, 2004

A Ana faz anos
É verdade, a Ana, hoje, faz trinta anos. Exactamente os mesmos da nossa magnífica revolução que, quando ela nasceu, eu praticava lá para a Escola Prática de Transmissões, na Graça.
Decidi surpreender.
Hoje, ficamos assim. O sítio do post está cá. Vou, pé ante pé, à procura de fotografias da Ana, em 1974, no Verão quente de 1975, em alguns anos seguintes e vou actualizar isto ao longo da semana eventualmente com algum comentário.
É isso. Acabou-se a nostalgia e terminaram as lamúrias. Acho que vai ficar giro. ~


Faz agora 30 anos, nasceu uma linda menina ali para os lados do IST

 
Come a papa, Ana, come a papa...



Vamos conhecer os avós e os tios. A Sandra ainda não nasceu...



Tão fofinha









Vejam este magnífico três rodas


Comam, mas deixem alguma coisa para mim



No Verão quente de 75, em Santa Cruz: Sabes o que e o PREC?


E a revolução lá fora


Os meus primos são intratáveis


Acompanhando o marxista à praia


E ao ponto mais alto da serra


Ora vivam, quem manda aqui sou eu


A Ana, a Sandra e o Zé


A caminho dos Valinhos


Sob celestial protecção


A Vizinha, o Rafael, os avós, os tios e o cão


Susana, já te disse que o caminho é por aqui


Avó, conta-me aquela história do lobo mau


Ana de Tróia


O treinador dos putos faz anos. A Ana e a Sandra devem estar fulas


Com mais uns aninhos


Linda menina


Cowboys e índios

sábado, junho 05, 2004

A Ficha Técnica
Fui chamado à CNE e, com algum espanto, surge à minha frente o PM.
- Oh, meu caro Luís! Nem sabe como tenho apreciado as suas crónicas no Ourém, mas aquela sondagem… o meu amigo não sabe que não deve divulgar sondagens sem a respectiva ficha técnica?
- Meu primeiro, V. é muito amável, mas devia ter percebido que aquilo não era uma verdadeira sondagem…
- Não era?
- Não, meu primeiro, pelo menos no sentido técnico do termo. Aquilo era uma sondagem interna, uma introspecção. O seu resultado representa o meu apreço pelos princípios que movem aquelas forças partidárias e que até podem andar esquecidos dos seus militantes…
- Então como é que justifica os 35% do PS?
- É o meu amor à liberdade e à solidariedade tão caras a esse partido. Liberdade política, liberdade de estabelecimento,…
- Liberdade de despedimento…
- Pode ser, mas têm a solidariedade e aquelas medidas todas para minorar a situação dos que sofrem. Não é como o meu primeiro que manda milhares de professores para o desemprego e nem lhes atribui subsídio adequado à situação apesar de eles serem sujeitos a contribuições sociais em tudo semelhantes às de outros profissionais.
- Luís, V. é muito cruel. E como é que explica 25% na CDU?
- Corresponde à necessidade de caminharmos para uma verdadeira igualdade em todos os aspectos da vida social e económica, à necessidade do controlo estatal sobre aspectos do desenvolvimento económico. A economia tem de ser orientada, há liberdade de iniciativa nessa perspectiva.
- Já estou com suores frios. E agora vejo aqui 25% no bloco, nesses herdeiros do Mao e do Trotsky. Como justifica isto?
- Revolução cultural, meu primeiro. Mais educação, mais civismo, mais cultura, isto é, outra cultura. E em tudo isto, revolução permanente. Mas sempre com respeito pela liberdade e interesses das pessoas.
- Vá lá, ainda atribui 15% aos que me apoiam…
- É verdade, eu não rejeito a necessidade de eficiência e dos respectivos indicadores, mas subordino-a à satisfação das necessidade sociais. E o cidadão precisa de segurança. A polícia é para andar nas ruas e deve ter o objectivo de nos proteger dessa malandragem que invadiu o nosso país, não trabalha e é produto do tipo de desenvolvimento que as forças dominantes nos trouxeram recentemente…
Talho de excelência
Distintos oureenses dizem-me: Vai àquele talho, a carne é excelente.
Eu procedo de acordo e, em momento de prova, isso não corresponde à verdade.
Borrego vendido por cabrito, bifes da vazia duríssimos, carne para assar bafienta ao fim do segundo dia, morcelas de arroz com pedaços gordurentos de meter nojo.
Será que tão distinto talhante fará o mesmo aos meus amigos? Ou tem um produto para os amigos e outros para quem não conhece?
À próxima, guardo o papelinho que o identifica, conservo uns pedacinhos e vai tudo directamente para a Inspecção das Actividades Económicas.
Opções... quase estratéticas
O nosso querido PM encontra o seu colaborador da Administração.
- Olá, meu caro Figas! Mas que se passa? Vejo-te com um ar risonho.
- É verdade, estou muito feliz, pela primeira vez algo me correu bem.
- Não me digas que resolveste o problema dos incêndios que nos esperam para o Verão já tão perto?
- Não, não foi isso. Esse não consegui, mas graças aos meus esforços já tenho prisões para guardar seiscentos malandros que se portem mal no euro. Depois é só convencer o bom povo português a mais uns descontinhos para os alimentar.

sexta-feira, junho 04, 2004

Que se passa com os produtos e os serviços de Ourém?
Antes tudo era uma maravilha.
O Colégio Fernão Lopes batia o pé a qualquer escola do país. Dava gosto a Matemática que a Dra. Nazaré ensinava, o Inglês do Dr. Laranjeira. O próprio Dr. Armando parecia um polivalente, dava quase todas as disciplinas e conseguia transmitir um interesse extraordinário à Geografia, à História, ao Português como eu não encontrei noutros locais.

Os bombeiros eram os melhores do país. Ainda o fogo não era notícia e eles já estavam a caminho para o apagar. Felizmente mantêm a qualidade.

A carne era da melhor que se podia comer. Tenho malta conhecida que ainda diz: eh pá! Eu quando quero um bife vou ao pasto ver a vaquinha de onde ele há-de sair.

O vinho então nem se fala. Um copinho que fosse bebido ali para Dezembro enchia-nos de sabores, odores do melhor.

O Atlético vencia distritais sobre distritais.

Todos cultivámos aquela ilusão de que tudo na nossa terra era do melhor.

Mas a verdade é que ultimamente tenho sentido um certo desgosto pelos produtos e serviços de Ourém.

Os meus negócios com Ourém vão de mal a pior. Aliás estou seriamente a pensar em inaugurar uma secção de reclamações com os bichos bem apontados a partir aqui do blogue. O que é admirável é que, num momento como a crise que atravessa o país, estes profissionais continuam a actuar à moda do chico esperto. Assim, nos próximos dias, vamos dar um pouco de atenção a estes senhores para quem a qualidade total é uma palavra vã.

E o diabo do jornal continua sem aparecer. De quem será a culpa: do Ourém ou dos correios? Uns vão dizer que o entregaram em tempo nos correios. Outros que se extraviou. Malvados.

E lá se foi a ponte
O pessoal do PS é muito desastrado.
Fiz uma sondagem e os resultados deram qualquer coisa como isto: PS-35%, CDU-25%, Bloco-25% e Força Portugal – 15%.
Tal ocorrerá num quadro de enorme abstenção, logo os resultados não serão significativos.
Conhecedor da minha sondagem, o António Costa lá apareceu a vociferar. Eles fazem ponte no dia 11, não querem que as pessoas votem.
O PM é que não esteve pelos ajustes. Ah, é assim? Pois não terás ponte.
E agora?
Consta-me que a abstenção vai ser a mesma. Sexta-feira, tenho que vir gramar isto, mas o mais grave é que não estou seguro de que a minha sondagem esteja correcta.
Sempre atrasado
Há quase uma semana que espero o Ourém e seu Concelho e ele não aparece.
Não posso dizer que isto aconteça sistematicamente porque, como sabem, foram precisas décadas para o assinar e recomeçar a receber (noutro tempo, era oferta do Melo). O certo é que, nos dois números a que já tive direito, um demorou uma semana e o outro ainda não apareceu.
Da outro vez ainda telefonei para lá. Falaram-me em problemas de expedição associados ao serviço público correspondente.
Desta vez, fico a aguardar aqui uma resposta. E, se me disserem bem pode esperar sentado, isso significa que há algo de errado para os lados de Ourém.

quinta-feira, junho 03, 2004

Europeus vs Italianos e/ou Portugueses
Um amigo enviou-me isto para disponibilizar. Tem som... e piada...
O livro do Dr. Durão
Últimamente, na minha caixa de correio, em Ourem@hotmail.com, têm surgido algumas questões sobre que livro é este de que eu falo e que referencio como livro do Dr. Durão.
Opto por uma resposta colectiva. Vão à Som da Tinta e procurem. É este...
Depois do dilúvio a trovoada
Há dois ou três dias, o pessoal do Castelo malhou que se fartou na história do dilúvio, do prémio para os miúdos e do apagão. Aquela reportagem é o máximo.
Mas eis que, mais uma vez, em Ourém, a história ocorre ao contrário. É que depois do dilúvio veio a trovoada e surge, no meu blog, o comentário de alguém que prefere o antigamente.
Que hei-de eu dizer?
Olhe, oxalá que sim, oxalá que tenha esse maravilhoso governo e no primeiro dia que abra a boca para uma pequena reclamação o enfiem no Tarrafal ou a fazer a estátua.
Mas guarde-o bem só para si.
Cá por mim prefiro esta maravilhosa democracia que permite a expressão de tudo isto e que, com progressiva educação, levará as pessoas para uma sociedade mais justa sem exploração, sem corruptos, sem mentirosos, sem terrorismo de Estado, etc. etc.

Alcunhas oureenses

Vamos actualizar o inventário de alcunhas constante do livro do Dr. Durão que já apresentámos. Limitamo-nos à caracterização de pormenores que nos eram simpáticos nas pessoas em questão. Por isso, calámos outras que sabemos existentes, mas exploram eventuais ressentimentos ou poderão ser mal interpretadas.

Avião. Ser quase mitológico que chegava às reuniões sistematicamente com cinco minutos de atraso agravados pelos procedimentos de desembarque. Fazia-se conduzir numa mota virtual comandada pela capacidade das suas pernas. Fazia ruído quase real, tinha as quatro velocidades e marcha atrás. Quando chegava tinha de estacionar e então víamos que era o Zé Rito. Desconhece-se o responsável pela alcunha, possivelmente teremos sido todos e terá tido evolução até estabilizar na apresentada.

Chien. Obviamente que não podemos esquecer o grande amigo que era o sr. Ezequiel que trabalhava no Café Avenida e com o qual contactávamos todos os dias. As suas características não passaram em claro ao Jó Rodrigues que se encarregou de o eternizar com esta alcunha. É pai de um distinto oureense.

Jones Bittus. Tratamento carinhoso que, sob responsabilidade do Jó Rodrigues, foi atribuído a um oureense de outra geração que nos era muito simpático, o sr. Júlio barbeiro, só por si responsável pelo nascimento de dois distintos oureenses.

Kansas. Não sei se se lembram, mas, na época, o Mundo de Aventuras (e a esta distância não percebo o que é que deu na cabeça ao Roussada Pinto e amigos para fazer este disparate) só publicava histórias de cow-boys. Os nossos ídolos eram então o Cisco Kid, o Buck Jones, o Kit Carson e o Kansas Kid. O nosso Ramiro Arquimedes, pelo seu porte, pelo modo como pegava no cigarro e extraia baforadas, pelo seu temperamento que ninguém vergava, tinha notáveis semelhanças com o Kansas Kid e assim ficou para a posteridade. É desconhecido o autor da alcunha.

Pele e Osso. Se não estou em erro, era o nome pelo qual era conhecido o Chico César, praticamente o único oureense que se atrevia a usar máscara no Carnaval e que, segundo reza a lenda (Jó Rodrigues) terá tido um dia a perna atravessada por uma cana de foguete.

Robalo. Provém de Ribeiro, passou por Ribeirinho, Ribeirinho que estás tu a murmurar,… depois não sei porque metamorfoses linguísticas se terá fixado em Robalo a designação com que distintos oureenses resolveram brindar este V. servidor. A verdade é que, ainda hoje, muitos me tratam por esta alcunha.

Zebra. Animal de duas patas cujo tronco era da largura do pescoço o que terá originado uma procura de semelhanças com o de quatro patas correspondente. A agravar a parecença o facto de por vezes usar camisolas às riscas e nas deslocações evidenciar dificuldades constantes de equilíbrio. Trata-se obviamente do Zé Quim. A autoria da alcunha terá sido minha ou do Jó Rodrigues.

quarta-feira, junho 02, 2004

Bem feito


Ourém, Colégio Fernão Lopes.
Tínhamos talvez oito, nove anos. Concentrávamo-nos na parte da frente do colégio já não me lembro porquê. Algum encontro com alguns professores.
De repente aparece ele, no seu Volkswagen tipo carocha novinho em folha, conduzido pelo pai. Olha-nos com desprezo do alto da sua fortuna. Tudo nele era horroroso, embirrante, nem sei como o classifiquei como distinto oureense. Deve ter mudado muito depois disso.
Olha para nós, cabisbaixos, tristes, tesos que nem carapaus.
- Anjinhos!!!!
O pai acelera o carro para se afastar. Mas eis que coordena mal a condução e o carro vai abaixo. Foi gargalhada geral.
Marx em Ourém
Já era um revolucionário de primeira. As fugas frente à polícia foram umas tantas. O curso estava quase acabado e eu sentia que, com os ensinamentos de Marx e Engels, conseguiria mudar o mundo. Presente estava sempre uma daquelas teses sobre Fuerbach:
até agora os filósofos não fizeram mais do que interpretar o mundo, quando o que interessa é transformá-lo.
Um dia encontro o Zé Domingos que, possivelmente, tinha passado pelo Poço. Parecia um enviado do futuro.
Sabes, Luís, estivemos a falar e entendemos que devíamos aproveitar os jornais de Ourém para fazer alguma coisa pela terra. Queres colaborar?
Foi dito e feito. A partir dessa data e, talvez por dois ou três anos, os leitores do Notícias de Ourém e do Ourém e seu Concelho não conseguiram livrar-se de mim e das minhas brilhantes análises. Causei alguns incómodos aos directores dos dois jornais, Luís Rito e Melo, mas o certo é que sempre me trataram bem. Quantos aos benefícios para a terra é que talvez sejam de mais difícil contabilização.
Karl Marx inundou Ourém.

Estudando perto de um ninho de Bufos


Faz agora quarenta anos (1).
O meu irmão chega a casa para almoçar.
- Sabe, mãe, o Sérgio foi preso. Coisas de política.
- Eu logo vi que isso ia acontecer a esse rapazinho.
Viram-se os dois para mim.
- Luís, ai de ti se te metes na política.
E eu, aterrorizado, ainda sem conhecer as masmorras da PIDE (que felizmente nunca conheci):
- Estejam descansados, eu sei tratar de mim.
Mas o meu irmão ainda parecia saber qualquer coisa mais:
- Consta por aí que foi denunciado por alguém de cá a propósito da Direcção da Casa de Ourém. Ele e o pai são da oposição.
Impressionante. Como é que alguém consegue denunciar outrem por causa de ideias diferentes? Andar ali, a fingir-se amigo e depois dar a estocada...
Anos mais tarde, uns dias depois do 25 de Abril, na EPAM, vi, com um arrepio e espanto, dois irmãos gémeos, que se sentaram ao meu lado em económicas, ser detidos por, também, serem informadores da famigerada polícia política. Felizmente, nunca tinham reparado em mim. 


Notas
(1) Cinquenta e cinco, atendendo à data da crónica
Ainda o candidato de Ourém
A Noémia pergunta: e que ganhamos nós com isso?
E eu respondo: Noémia, isto não é um negócio, isto é, talvez, um problema de consciência. Sem desprimor para qualquer um dos candidatos, o Sérgio é um exemplo de seriedade, competência, capacidade de luta, coerência, bondade, tudo qualidades que é raro encontrar juntas num político. Infelizmente, dados os nossos receios em relação ao partido que ele representa, tantas vezes ele se candidatou em Ourém, mas nunca lhe conseguimos atribuir um lugar condigno. Agora, há mais uma oportunidade. E não tenha dúvidas, se qualquer Oureense tiver um problema, ele está do outro lado da linha ou do mail pronto a responder-lhe, pronto, se necessário, a apresentar algo importante relativo à nossa terra no Parlamento Europeu. Obviamente, também vamos ter custos: é que ele deixa de estar fisicamente em Ourém.

terça-feira, junho 01, 2004

Candidato de Ourém
Começa a fazer, cada vez mais, sentido, para mim, pôr o candidato de Ourém no Parlamento Europeu.
Coisas bonitas
Convido os meus amigos a visitarem um sítio chamado provérbios.
Falam em nós, no Castelo, na Som da Tinta e em nomes amigos.
Não é por causa disso.
É que têm coisas muito bonitas.
Ordinarices
Desculpem, não vou ser polido.
Vi aquela gaja da coligação que domina a achincalhar e tentar diminuir o candidato do PS. Teve aí a primeira vitória. As hostes apoiantes decerto adoraram.
Depois, veio o patrão a pedir desculpa. Segunda vitória: é a superioridade moral dos vencedores.
Tudo isto é imperdoável e não devia passar em claro ao regulador. Quer um quer outro tiraram partido da situação e só nos parece aceitável, porque é a imagem de como andamos a portar-nos nesta sociedade.
Pequei? Queira desculpar...
Atropelei o peão na passadeira? Que maçada, ele atravessava tão devagar...
Vou a duzentos na autoestrada? Mas aquilo não é para andar?...
Atiro a mota de água para cima do banhista. Desculpe, não o vi...
Acabei com o jardim de Ourém? Votaram em mim...

segunda-feira, maio 31, 2004

Primeira referência na imprensa escrita
Recebi, há pouco, o Notícias de Ourém (NO).
Graças ao encontro de blogs, tenho ali a primeira referência na imprensa escrita. Um texto bonito, simpático, objectivo, verdadeiro, não muito grande, em suma, que me agradou.
Peço desculpa ao seu responsável por não transcrever as suas considerações. Fá-lo-ei, com gosto, quando o NO tiver a página mais actualizada.
Por agora, apenas um obrigado por terem lá estado.
Europeias
Já nem faltam quinze dias e continuo indeciso.
À direita, como sabem, não, muito obrigado. Por pior que seja a esquerda, há sempre nela algo que apela ao humanismo, à solidariedade. Direita é: vai para o desemprego, safa-te como puderes, vai-te lixar. Ainda hei-de vê-los, um dia, à rasca, porque não têm quem tenha dinheiro para lhes comprar as coisas (Marx: o modo de produção revolta-se contra o modo de troca).
Do outro lado, tenho motivos para o sim e para o não.
No PS, encontro velhos amigos do MES e de económicas e recordo a luta pelas liberdades antes do 25 de Abril. Mas um dia, o Soares meteu o socialismo na gaveta e, quanto a Marx, não vejo uma referência.
No Bloco, revejo a minha sempre simpática UDP que já vem dos PUP, da OCMLP, do meu querido amigo Luís Nuno. Seria o meu voto natural, será, com certeza, o meu voto em próximas legislativas.
Mas, na CDU, encontro o candidato de Ourém. Ourém no Parlamento Europeu? Será que esta ideia faz sentido? E por que não tentar?

domingo, maio 30, 2004

Onde estará?
O cãozito vinha todo contente dos lados da casa do Ferraz. Entra no Largo de Castela e fita-nos desafiador enquanto jogávamos futebol. Senta-se, levanta a perna e procura parasitas. Mais tranquilo corre atrás da bola e até parece um excelente esquerdino.
De repente, vindos não sei de onde, surgem quatro homens com redes às costas. Dispõem-se rapidamente à volta do largo e aproximam-se do bicho. Ele vê-os e percebe logo a sua triste sorte. Tenta fugir pela rua de Castela, mas um dá um passo em frente e tapa-lhe o caminho. Volta para trás, mas os outros avançaram e tem todas as direcções barradas. Impotente, cai na rede e desata a latir.
Os homens riem-se perante a nossa revolta. Que se passa? Por que fazem isto?
Todos os protesto foram em vão.
Nunca mais o vimos.
Cinzas de mim
Isto hoje está para o macabro, mas há que deixar seguir a voz interior. Estás cada vez mais louco, dirão os meus amigos. Pode ser, mas mesmo que seja verdade há que gozar o melhor possível esse estado de graça.
Não quero ir para debaixo da terra, tenho receio de acordar vivo no interior do caixão ou de ser devorado pelos bichos, prefiro ser engolido pelo fogo. Pretendendo-se algum destino para as cinzas, estabeleço o seguinte: serão divididas em seis partes não forçosamente iguais e guardadas em outros tantas caixinhas de plástico. A primeira deverá ser derramada a partir do janela superior da casa do Largo de Castela, de onde se avista a avenida, por sobre o largo. Se alguém de direito se opuser, o derrame será a partir do meio do largo. A segunda será espalhada a partir da janela da casa de banho da minha actual residência no concelho, com vista para o Castelo, sobre o respectivo quintal. A terceira será cuidadosamente depositada e aberta sobre a campa dos meus pais em Fátima. A quarta terá destino semelhante no cemitério de Peras Ruivas sobre a campa dos tios. A quinta destina-se ao cemitério de Ourém onde as cinza deverão ser espalhadas o mais perto possível de distintos oureenses já desaparecidos. Finalmente, a sexta, esperará pacientemente por igual quantidade de cinzas da minha querida Li e, em conjunto, serão espalhadas sobre a laranjeira, o pinheiro, a figueira e a ameixoeira do meu quintal. Responsabilizo como executantes de tão piedoso acto os meus dois filhos, Ana e Pedro e, como intérpretes da minha vontade, todos os que, em algum momento, me lerem.
É assim, está decidido, todo aquele que contrariar a vontade aqui expressa será perseguido eternamente pela consciência deste post.
Coisas que gostaria de ter escrito I
Um dos autores cujos textos aprecio há mais de trinta anos é António Barreto. Na minha modesta perspectiva é dele a autoria da melhor obra de Economia sobre Portugal publicada de há cinquenta anos para cá. Trata-se de Capitalismo e Emigração em Portugal que escreveu em co-autoria com Carlos Almeida. A obra foi editada pela Prelo, constituindo a edição de 1970 a que me refiro o número 10 da colecção Cadernos de Hoje e pode dizer-se que foi um texto de referência de todos os estudantes de económicas de então onde se integrava, por exemplo, Ferro Rodrigues.
Barreto como ministro não foi muito feliz, cabendo-lhe a responsabilidade por um retrocesso nas relações de produção que entretanto o PREC ajudara a estabelecer. É famosa a Lei Barreto e o ódio que despertou entre o proletariado rural e o campesinato. Dirão que foi necessário estabelecer um pouco de ordem, mas talvez fosse preferível uma abordagem diferente. Mas o que lá vai, lá vai.
O importante é que, apesar de tudo, aprecio extremamente as crónicas com que regularmente nos brinda no Público. A deste fim de semana é disso um exemplo e aqui parte do texto da mesma com algumas modificações da minha responsabilidade:

SUPONHAMOS UM PRIMEIRO-MINISTRO.
Um homem, ou mulher, com alma grande e sentido da responsabilidade. Alguém que tenha percebido que o tratamento de choque a que os portugueses foram submetidos é absolutamente inútil se não for consolidado por anos de disciplina, de mais produtividade, de menores expectativas e de mais responsabilidade.
Que poderia hoje dizer esse Primeiro-ministro à população? Coisas tão simples! Que a estes dois anos de dificuldades e de rigor se vão seguir pelo menos mais dois de dificuldades e de rigor. Que o petróleo tão cedo não vai ficar barato. Que as taxas de juro não podem baixar mais. Que não estamos à altura da concorrência internacional. Que o desejado crescimento de um ou dois por cento é totalmente insuficiente, tanto para sociedade e o emprego como para alimentar o Estado. Que sem uma década de novos comportamentos, acompanhados de reformas profundas e difíceis (da justiça, da educação, da gestão hospitalar, da segurança social, da Administração Pública...), nada de durável se conseguirá em Portugal. Que, entre asfixias conjunturais e facilidades crónicas, nada de sério e decente se pode fazer. Que não vale a pena governar nessas condições. Que governar para ganhar eleições é uma perversão do espírito e uma falha de deveres. Que a política de "aguentar no poleiro" é uma ignóbil caricatura da nobre arte de dirigir um Estado. Que só vale a pena ganhar quando se está preparado para perder. Que, se os portugueses querem regressar à facilidade, à distribuição de bodos, à impunidade e ao aumento ilimitado de benefícios, então não têm mais do que votar em massa naqueles que aspiram à orgia das finanças públicas.
Se assim dissesse, um Primeiro-ministro, qualquer Primeiro-ministro, ganharia. As eleições ou a honra. Ou as duas. Se não o diz ou não pensa, a honra, perdê-la-á certamente. E não está dito que ganhe as eleições.

sábado, maio 29, 2004

O encontro anual


1945.
Faltavam três anos para poder nascer e ainda não estava decidido onde iria ser a próxima passagem. Uns anos atrás, Kripton tinha explodido e os seus dirigentes enviaram uma nave para a Terra onde o seu filho foi acolhido. Esta era assim uma hipótese, mas estava em guerra o que não me agradava nada. Por essa altura o do bigode curto e braço estendido combinava uma saída airosa com a secretária para não enfrentar o veredicto da humanidade. É neste contexto que deparo com o que o pai de um distinto oureense escreveu no Notícias de Ourém e era mais ou menos assim:
"numa terra da América, um grupo de amigos reunia-se todos os anos num almoço, mas a morte fora-os levando um a um até que ficou apenas o último que, no entanto, continuou a almoçar no mesmo dia e no mesmo sítio em que se juntava com os amigos para perpetuar a paz e a estima que deveria existir entre os homens... se todos os ourienses deixarem de cumprir o seu dever, não comparecendo ao nosso almoço anual virei eu aqui ou a outro sítio, todos os anos, e almoçarei sozinho, pensando em vocês e na minha terra!"
Fiquei decidido. Viria para a Terra, mais propriamente para Ourém, terra do vinho palheto e do carneiro com batatas onde grupos de amigos privilegiavam os encontros anuais bem regados e comidos.
Mas atenção, desta vez não estou a falar no Poço, mas na Casa de Ourém cuja formação e desenvolvimento é reportada no livro Nos 50 anos da Casa de Ourém editado pelo Som da Tinta.

A mão enorme


Desloco-me do Largo de Castela na direcção da Câmara no meu carrinho de madeira novinho em folha. Trata-se de um pau tipo cabo de vassoura atravessado ao meio por um pequeno bocado de madeira e terminado numa extremidade por uma roda com uns vinte centímetros de diâmetro que funciona em torno de um eixo que atravessa o pau. Frente à prisão da GNR saúdo o simpático prisioneiro que teve a amabilidade de me oferecer aquilo que era produto da sua tentativa de passar o tempo o mais depressa possível. Como é possível pessoa tão boa estar ali dentro, atrás daquelas grades?
Chego junto à Câmara e sigo por trás, mais à frente viro à esquerda e continuo. Começo a ouvir o som que vem da escola do Roque daqueles que decoram tabuada:

um vezes um, um
um vezes dois, dois
um vezes três, três…

Fujo dali. Ena! Que coisa difícil.
Frente à porta principal da Câmara, viro na direcção da escada para o jardim que desço. Faço duas voltas em torno dele a uma velocidade razoável experimentando a suspensão e os travões. Tudo era magnífico, não fosse um carrinho novo em folha. Saio do jardim pelo lado direito de quem sobe e continuo a subir.
Perto da tesouraria algo chama a minha atenção no chão. Beatas de cigarro, centenas delas. Das mais diversas. Com filtro e sem filtro, grandes e pequenas. Naturalmente, isso dá-me uma excelente ideia. E, no dia seguinte, ali volto já sem o carrinho e com uma caixa de papelão na qual guardo cuidadosamente os melhores exemplares que transporto para casa.
Já em casa, na cozinha, desfaço cada um dos elementos recolhidos, liberto-me do papel e dos filtros e guardo os restos de tabaco. Tinha um móvel com várias prateleiras numa das quais uma abertura maior permitia que dois cântaros de barro guardassem e purificassem a água que bebíamos. Outra estava coberta com um bocadinho de pano e foi essa que escolhi para proteger o resultado do meu trabalho de olhares indiscretos. Esta operação foi repetida durante vários dias.

***

Estávamos todos a jantar na casa do largo de Castela. No final do delicioso repasto, o meu pai puxa de um Português Suave e goza aquele momento de repouso. Eu senti que podia mostrar-me ao seu nível. Fui buscar uma folha de papel, fui buscar bocadinhos de tabaco. Ele contemplava não sei se incrédulo, não sei se a observar até onde ia o meu descaramento.
Acendo o cigarro entretanto feito, tiro a primeira fumaça e envio-a para o ar sem engolir. Fico a contemplar aquela magnífica espiral enquanto aprecio o odor. De repente, no tecto aparece como que uma mão que desce na minha direcção. Não, meus amigos, não era a mão invisível do Adam Smith que aparecia ali para regular o mercado. Aquela era bem torneada, definida, enorme no sentido do comprimento e, se pretendia regular alguma coisa, era o meu comportamento. Tal mão parecia calejada de trabalho no campo, de anos de condução e se calhar de mecânica de automóveis. Era esquelética, mas enorme e a sua velocidade incrível. Sentado na cadeira, tento recuar, aterrorizado, mas a cadeira não deixava, fixava-se-me nas costas. Até que aquilo cai sobre mim com monumental estardalhaço.
Durante mais de uma dezena de anos não pequei num cigarro, até que distinto oureense, em Leiria, numa esplanada da praça Rodrigues Lobo me exorcizou de tão funesto receio.

sexta-feira, maio 28, 2004

Viva o bloco!

Estou danado.
Há dias deixei aqui um post sobre o Bloco de Esquerda, hoje fui à procura dele e não o encontro. Até tinha uma entrevista com o Miguel publicada no Correio da Manhã. Lembro-me que não gostei nada do título porque me recordou uma expressão do Vicente Jorge Silva utilizada há uns dez anos para caracterizar a juventude de então. O mesmo VJS que, há trinta e tal anos, no Comércio de Funchal desancava valentemente no Jardim.
Já não podemos confiar em nós próprios. Agora vou ter de ir aos meus arquivos e refazer tudo. E qual era o diabo daquele link?
Desisto, não fiz arquivos e a pesquisa no CM não ajuda nada.
E à direita?
Sou sectário, não ponho no meu blog nenhum link para o programa ou os candidatos da direita. Quem quiser que os descubra.
Apesar de tudo, devo dizer-vos que aprecio algumas dessas pessoas e alguns aspectos do discurso. Aprecio aquela ideia de que a Economia deve ser eficiente, estou de acordo quando se diz que uma empresa não tem de ser uma instituição de caridade, aplaudo quando se procura mais segurança para o cidadão.
Mas, meus amigos, trazer a insegurança do desemprego, abocanhar os descontos para a segurança social de quem trabalha a favor de interesses de sociedades financeiras não faz parte dos meus ideais.
Por isso, ignoro a propaganda da direita.
E, como disse, aprecio algumas pessoas.
O Prof. Marcelo, por exemplo, é um comunicador extraordinário. Durante muito tempo, esperei pelas suas intervenções na TVI, agora acho-o um pouco cansativo. A sua aula sobre o 25 de Abril foi excelente. É uma pessoa de direita, mas é pela liberdade, respeito-o.
Freitas do Amaral é outro político de direita que, após a derrota nas presidenciais, tem tido uma prática digna de registo. Mesmo antes, a sua clarividência, expressa nos seus discursos na Assembleia, era de realçar. É uma pena que um partido tão democrata como o que ajudou a formar não tenha capacidade para o integrar.
E Pacheco Pereira? É o que mais aprecio. A sua fisionomia lembra-me sistematicamente a de Karl Marx e, por vezes, a sua prática também. Marx, aos dezoito anos, já tinha escrito um livro em que criticava os hegelianos. Pacheco, perto dessa idade, editou uma história do movimento operário em Portugal. Um pouco mais velho, Marx escreveu o Manifesto do Partido Comunista. Pacheco não lhe ficou atrás. Há anos editou uma biografia de Álvaro Cunhal que, como sabem, foi um grande dirigente do nosso Partido Comunista. Finalmente, Marx escreveu a sua obra principal, o Capital, parte da qual teve uma edição póstuma. Que estará Pacheco a fazer? Quantos anos demorará uma nova obra a ver a luz do dia?
Em contrapartida, a direita tem aberrações anedóticas. Aquele Telmo Correia, aquele Guilherme não sei quantos, como é que alguém dá um mandato àqueles seres? Só o compreendo por disciplina partidária.
Olho para os candidatos de direita. Apesar daquela carinha simpática e lutadora que está ali para o quarto lugar, nenhum terá o meu voto, porque não o merece.
O Poço é, também, um hino à amizade

Desde 1986, realiza-se, em Ourém, no Sábado mais perto do dia 1 de Novembro, um encontro de velhos amigos que aproveitam para recordar brincadeiras e outros factos do passado na companhia de uma excelente refeição e convívio.
O significado de o poço pode parecer estranho a muitos. Trata-se de uma imagem criada para o facto de, há muitos anos, grupos desses amigos se reunirem em círculo perto do largo da feira do mês, junto à casa do Perdigão que tinha de ouvir conversas que lhe não interessavam até altas horas. O debate era aberto e não havia temas tabu, constituindo um claro sinal de uma vivência democrática numa sociedade que ainda não o era. Isto passou-se durante muito tempo e, como por lá passaram muitos oureenses, justificou as convocações.
O Poço já originou dezoito encontros, prevendo-se que, este ano, de novo se realizará e já tem um património acumulado de elementos extremamente interessantes. É o caso por exemplo da convocação personalizada à posteriori que aqui disponibilizo. Está pejada de mensagens e assinaturas. E, no interior, é possível encontrar-se um verdadeiro hino à amizade elaborado e assinado pelo Luís Nuno. Um documento inédito. É o caso também do texto das cartas de convocação que muitas vezes é um tratado de humor extremamente leve.
Talvez fosse interessante juntar e disponibilizar alguns dos elementos resultantes deste convívio. Há fotografias, há textos na imprensa da terra, sei lá...
Será que o Julito, tradicional dinamizador destas reuniões (sem desprimor e esquecimento para o Felix, infelizmente já desaparecido e o Zé Alberto), quererá dizer alguma coisa sobre isto?

quinta-feira, maio 27, 2004

Um voto pelo socialismo
Ficaria mal com a minha consciência, neste aproximar às europeias, se não me referisse ao PS uma vez que um voto nele é um voto no bloco que se opõe à fixação no défice, ao prosseguimento da política de desemprego, à desarticulação do estado previdência.
A política prosseguida pela direita só se preocupou com a diminuição do défice, mas foi tão desastrada que, pelo impacto na actividade económica, acabou por diminuir o PIB o que fez com que o racio défice/PIB não diminuísse, mantendo-se sistematicamente a necessidade de medidas extraordinárias.
Por outro lado, como sabem, tenho uma certa estima por Ferro Rodrigues a quem conheço desde os tempos de estudante como já contei. Nessa altura, tal como eu, ele tinha uns trinta kilitos a menos, usava um bigode muito fino que lhe dava um ar engraçado, aciganado naquelas reuniões em económicas e em ciências quando ele vociferava contra o Ministério e a política do governo acompanhando o Eduardo Graça e o Félix Ribeiro. Logo a seguir ao 25 de Abril foi um dirigente do MES uma organização de esquerda que me era extremamente simpática.
Ao longo da minha actividade profissional, quando trabalhava numa empresa de transportes, conheci Jorge Coelho e confesso que é uma pessoa extremamente simpática, trabalhadora, só tem o defeito de ser sportinguista. Mas tem aquela magnífica qualidade de nos falar quando nos cruzamos com ele na rua.
Quer dizer, a minha relação com o pessoal do PS tem sido sempre extremamente cortês. Não quero com isso dizer que me sinta particularmente feliz com a sua página e com os seus candidatos à Europa. Gosto imenso do Adriano Pimpão a quem também conheço de longa data, mas está colocado num lugar que me parece de difícil eleição.
Por outro lado, eu aprecio um socialismo assim um pouco mais radical, não com bombas e ditaduras condenáveis, mas com um pouco menos de conciliação com a burguesia e com as pessoas bem convencidas daquilo que se pretende construir para não haver arrependimentos a meio do percurso ou tendências para formação de burguesias de estado. Um socialismo com todo o respeito pela livre iniciativa e pelas liberdades, mas com uma certa submissão do desenvolvimento à satisfação de necessidades sociais. Um socialismo cuja construção pode inclusivamente ser apoiada em múltiplas perspectivas divergentes desde que não antagónicas, mantendo assim algumas estruturas políticas como aquelas que já conhecemos
Arquivos por categoria
Olho para o blog do Castelo e fico com uma inveja danada: agora até arquivos por categoria têm. Já não bastava aqueles comentários sempre ali ao lado dos textos, transmitindo-lhes uma vida que eu não consigo ver noutras ferramentas.
Isto de blogs é para quem sabe e não para nabos como eu.
Fred, Pedro, parabéns! Força nisso!
Doutoramento Honoris Causa
Não sei porquê convenci-me que o Dr. José da Silva Lopes é da região de Ourém.
Vem isto a propósito de, numa cerimónia muito bonita, O ISEG lhe ter atribuído aquela meritória distinção.
O discurso do homenageado foi extremamente interessante e, num momento em que alguns estudantes de Ourém têm de reflectir para fazer a sua opção por uma escola nas áreas de Economia, Gestão ou Matemática Aplicada às ditas, permito-me deixar aqui o último parágrafo:
Por mim, se eu voltasse a ter 17 anos e voltasse a ter as mesmas opções de escolha de um curso universitário que nessa idade se me apresentavam, voltaria a inscrever-me na escola do Quelhas, a que agora,com mais propriedade, deverei chamar escola das Francesinhas.
Será que o Sérgio Ribeiro, também muito ligado a esta escola, tem a mesma opinião?

O Piromaníaco

Recordo Ourém, há cinquenta anos, talvez lá para 1953/54 ou mesmo antes.
Desfrutava a magnífica casa do Largo de Castela.
A partir daquela janela sobre a porta de entrada, dominava todo o espaço circundante.
Em frente, a rua que conduz à avenida. Mais ou menos a cinquenta metros, ficava a casa da Vizinha e do Rafael. Ela era uma espécie de terceira mãe sempre pronta a proteger-me em momentos difíeis, ele um verdadeiro avôzinho que me levava a passear pelos pinhais e até ao rio para que, de lingrinhas, ultraleve e doentio, me transformasse em alguém forte e saudável.
Mais abaixo, a casa do Luís Nuno e do Zé Rito à frente da qual ficavam os quintais onde o sr. Isidro guardava as galinhas que transacionava. Ao fundo e, já a dar para a avenida, o estabelecimento comercial do sr. Adelino e, do outro lado da rua, um sítio onde me lembro que se comprava carvão.
O largo de Castela, famoso pelas formidáveis partidas de futebol que possibilitava, era rodeado por mais duas casas relativamente habitáveis e por outra em piores condições. À direita, era a padaria da Júlia padeira e do sr. Zé Maria, avós do Fernando e do João, dois miúdos ultra-arreliadores primos do Quim e do Julito. Ela era a fornecedora do magnífico pão que podíamos saborear na época; do lado esquerdo era a casa da Dona Aurora, mãe da Aurorita que me ensinou as primeiras letras e números.
Em frente à padaria e do outro lado da rua, numa casa que penso que ainda lá está, o Souto dedicava-se ao trabalho artesanal de construir jaulas em madeira, cortando pacientemente pequenos pausinhos e descacando-os com uma navalha para depois os assemblar em estruturas mais complexas. Eu passava horas e horas a contemplar esse trabalho, embevecido e sem pensar nos pobres animais que iam ali ser guardados e torturados.
Por vezes, o espectáculo a partir da casa era mais animado. Se não estou em erro, regularmente, pelo dia três, realizava-se a feira do mês no largo junto à escola da Dona Iria, perto da prisão da GNR. E a rua de Castela enchia-se das mais diversas espécies de animais - ovelhas, carneiros, cabritos, burros, vacas, mulas - que a desciam para se dirigirem ao largo da feira onde eram transacionados. O ruído dos chocalhos, a mistura dos sons produzidos pelos animais e pelas pessoas que os controlavam, o seu tropel eram magníficos dando a tudo aquilo uma sensação que de semelhante só se encontrava nos filmes do Oeste com as cavalgadas junto aos bisontes ou a manadas de gado tresmalhadas. Eu abria a porta e via todo aquele ondulado barulhento a passar. Depois era de novo o silêncio, a rua ficava um pouco suja com excrementos do tipo azeitona e, no mês seguinte, lá se repetia a história.
Mas o objectivo do nosso post de hoje é a casa do largo de Castela.
Vamos até lá e entremos.
Logo do lado direito, uma escada conduzia-nos à parte superior da casa. Subindo-a, há que fazer um ângulo de noventa graus à esquerda para termos acesso às várias divisões.
À direita, existia uma casa de banho com um anexo que, com uma escada, permitia o acesso ao sótão.
Em frente, era o quarto do meu irmão. Lembro-me que ele tinha uma cama de metal toda bonita, uma mesa de cabeceira onde religiosamente guardava a colecção do Mundo de Aventuras que eu, com a mania de tudo ler, e, aproveitando uma possibilidade de acesso retirando a gaveta superior, contribuí para destruir e uma pequena estante com um rádio onde, na época, se ouviam delícias como os folhetins do Tide e do Omo, adaptados por Alice Ogando e cujo começo era mais ou menos assim: Teatro Tide apresenta.... a gata...
Do lado esquerdo era o meu quarto, do qual tenho a primeira recordação desta minha passagem por este efémero planeta, onde tive a honra de conhecer os meus excelsos amigos, e que se resume simplesmente a isto: um acordar, sentindo qualquer coisa junto aos dedos que se ia desfazendo e que era, afinal, a parede do quarto que eu riscava com as unhas. Ao lado, era o quarto dos meus pais.
Na parte de baixo, a casa tinha menos divisões devido ao espaço que a monumental escada ocupava. Assim do lado esquerdo, tinha uma verdadeira sala de jantar, onde a minha mãe, à quinta-feira, escondia as tangerinas que eu depois me entretinha a procurar para meu exclusivo proveito.
Em frente, era a cozinha que tinha uma despensa relativamente grande. Na altura, ainda não tínhamos fogão a gaz, pelo que o fogareiro de petróleo e aquele fogareiro a carvão do tipo que se utiliza quando fazemos grelhados nas praias eram os mais usados. Assim, em minha casa, na despensa, havia sempre caruma e carvão. E um dia a contemplação daquela caruma deu-me uma brilhante ideia.
Estava sózinho na parte de baixo, ouvia-se o Tony de Matos:
O vendaval passou, nada mais resta...
e eu, pé ante pé, vou até à cozinha para me apoderar dos fósforos, dirigindo-me posteriormente para a despensa. Risquei o primeiro fósforo e, depois de aceso, atirei-o para cima das carumas.
Frustrado, vi que se apagou no ar, pelo que pensei logo em repetir a operação. Como não era muito corajoso, não me aproximei suficientemente e o resultado era sempre o mesmo: fumaça e algum cheiro...
E estava eu todo entretido nesta operação que, mais tarde, me lembraria o que possibilitou aquela cena de Nero a contemplar Roma, quando oiço a voz da minha mãe: Oh Luís! O que é que estás tu a fazer?
Gelei, fiquei paralizado. Só me ocorreu uma resposta: era para ouvir a sirene dos bombeiros...
Não sei se a a sova foi grande ou pequena, sei que deu para fugir de casa, ir até à casa da Vizinha, para me acolher à sua quase maternal protecção, dar umas voltas a fugir em torno da cama, enquanto a minha mãe, ainda relativamente jovem, me perseguia com algo na mão e que eu não queria que me fizesse chegar a roupa ao pelo.
A Vizinha, sempre conciliadora, lá conseguiu acalmá-la e o caso ficou por aqui depois de eu fazer mil promessas de que nunca mais repetiria tão valente feito.

quarta-feira, maio 26, 2004

O meu caderno preto


Folheio o magnífico livro oferecido pela Som da Tinta e da autoria do Dr. Durão. Passo pelas'tórias, vou até aos apontamentos.
Ali, na página 124, aparece
Do que eu me lembro…
A Vila há 50 anos
e é engraçado como um ligeiro desfazamento de gerações faz com que eu também já não recorde esta vila. Há passagens que se referem a momentos antes de eu ter nascido. E é neste contexto que posso interpretar alguma falha naquela lista dos Carros de Praça:
. Sabino
. António Chucha (da Silva Costa)
. Claudino
. Pícaro (Augusto)
. José Memória dos Santos (Cabeça Aguda)
. Chícharo (Francisco)
. António Flores
. António de Deus (chauffeur - o "Diabo")
Mas, dirão os meus amigos oureenses, falta lá alguém? É claro que falta, falta o nome do meu pai, José Vieira, que, lá para o década de quarenta, transportou o terrível ladrão Carvalhinho e as jóias e facas de que este se fazia acompanhar, e que o meu pai vislumbrava discretamente através do espelho retrovisor, num carro de referência, um magnífico Dodge que, quando estacionado, era o encanto do largo de Castela.
Pena estarmos perante uma edição póstuma, pois só o Dr. Durão poderia esclarecer este lapso inofensivo, mas, assim, irremediável.
Descobrir filões no meio da confusão musical

O Jó Rodrigues possuia algumas magníficas qualidades. A sua simpatia, a sua alegria faziam com que a sua visita a minha casa, num pequeno morro na rua Santa Teresinha, frente à do ZéQuim e ao lado da dos padrinhos do Rui Temido, fosse sempre muito bem acolhida pelos mais velhos.
Entre essas qualidades, destaco a que se referia ao seu sentido de audição musical: ele conseguia descobrir no meio das músicas, escondidas sob as vozes, os solos, as baterias, pequenas pérolas que, sem o seu apoio, a nós, sempre com um ouvido para o mais comercial com certeza escapariam. Era um autêntico songs mining. Isto fazia com que, muitas vezes, conseguisse transformar uma canção insuportável em algo em que nós abstraíamos daquelas partes fastidiosas para esperarmos pacientemente pela passagem maravilha.
Parece-me que estou a vê-lo. Um dia entra pela minha casa, sem bater como era nosso apanágio, sentamo-nos na sala interior e eis-me a ouvi-lo: estive a ouvir o Tell me you are coming back dos Stones e aquilo tem um solo que é um tratado. E lá íamos nós a procura do solo e ficávamos a adorar o disco. E se era difícil na época gostar dos Rolling Stones! Pessoalmente, só quatro ou cinco músicas dos ditos ultrapassaram o meu limiar e não era nenhuma daquela fase. Claro que gostei do Get off my Cloud e do Jumping Jack Flash, mas era mais dado a pequenas fugas à tradicional xunguice do grupo e por isso o que recordo melhor dos mesmos é o Ruby Tuesday, o If You need me, o She ‘s a rainbow e o Lady Jane. Mas o Jó lá me conseguiu pôr a procurar recentemente uma edição relativa à sua inesquecível descoberta.
Noutra ocasião, referiu-se a um conjunto que teve um êxito retumbante com apenas uma música: os Turtles e o Happy Together. Sabes, Luís, lá pelo meio, depois daquela parte mais rápida, quando eles começam de novo “Me and You...” aparece uma música de fundo tão linda como eu nunca ouvi. Hás-de ouvir.
E era bem verdade, tão verdade que nunca consegui esquecer esses pequenos pedacinhos da nossa maravilhosa vivência nem quem me ajudou a descobri-los.

terça-feira, maio 25, 2004

Ainda o encontro sobre blogs
Aquela cadeira vazia do encontro sobre blogs recorda-me sistematicamente o clip dos Travelling Wilburys realizado depois da morte de Roy Orbison, que por vezes aparece no VH1, em que os outros elementos da banda fizeram notar a sua contribuição pela presença de uma cadeira e da sua viola.
Felizmente o responsável do Gaiteiro está bem vivo pelo que o significado da cadeira só pode ser este: aquele lugar continuará à sua espera e contamos com a sua colaboração para uma Ourém Online.
Passear por Ourém
Finalmente, o acesso ao sítio da Câmara revelou-se algo proveitoso:

A Câmara Municipal de Ourém está a organizar dois passeios, um a pé (com o apoio da Quercus) e outro de bicicleta, pelo concelho.
Mais informações na Divisão de Educação, Desporto e Cultura da Câmara.


Consultando o texto linkado, descobre-se que estes (?)passeios serão Caminhadas pelo Agroal (11 de Julho), Caminhadas Percursos Históricos (22 de Agosto),Caminhada Rural (19 de Setembro).
Confesso que me é muito agradável ver a Câmara participar neste tipo de iniciativas. Mas tenho algumas interrogações:
- não se poderia ser mais objectivo e não falar em dois passeios quando, consultando o documento, aparecem três?
- não se poderia identificar o que é a pé e o que é de bicicleta?
- e que me perdoe o JAcinto Costa que cumpre o melhor possível a sua função, para quê este abuso de documentos em PDF quando o HTML serviria muito bem e não dificultaria o tratamento posterior por quem se quer referir à notícia?

Pesadelo
Podem roubar a taça
Podem roubar o segundo lugar
Mas nunca terão o sabor daqueles dois jogos muito bem ganhos.
MAis, a atitude daquele que, durante quase dois anos, teve conhecimento de uma ilegalidade e a guardou para tirar proveito dela no momento em que mais lhe conviesse, não abona a quem a tomou nem à classe a que pertence, antes é digna do mais profundo desprezo.
E eis como num encontro sobre blogs pode haver momentos de verdadeira boa disposição.

Falava-se talvez da minha fixação em Karl Marx.
Ou seria do défice democrático que me caracteriza e me leva a pretender excluir vozes salazarentas como a do famigerado LF?
A verdade é que não me esqueci de referir a monumental sova (jornalística) que levei da redação do Notícias de Ourém, há uns 29 anos, em momento de colisão ideológica. E do desgosto e receio provocados pelo 25 de Novembro.
Mas fiquemos por aqui. Podermos fazer isto e falar sobre isto sem que insinuem que escondemos armas de destruição massiva é, afinal, uma das grandes maravilhas da sociedade que temos.
Blogs d’Ourém
Comecemos, naturalmente, com uma recordação. Uma das primeiras vezes que terei ouvido essa magnífica música denominada Pedra Filosofal, interpretada pelo Manuel Freire, terá sido há uns trinta e cinco anos no programa Zip-Zip. Na altura, dezenas de jovens procuravam esse programa para, acompanhados por uma viola, apresentarem as suas canções ou versões de canções conhecidas. Lembro-me que, para além do Manuel, também lá esteve aquele magnífico vocalista dos Corsários de Apolo, de Leiria, o João Antunes, que teve a infelicidade de desaparecer na guerra colonial. O movimento foi tão forte que os seus participantes eram por vezes desdenhosamente referidos como baladeiros independentemente da sua qualidade e sem que eu atribua, neste momento, qualquer conotação pejorativa a este termo. Mas o que interessa aqui é que havia uma pergunta sacramental que a equipa Solnado-Cruz-Fialho-Martins deixava: "porque é que fazes isto?" E a resposta, apesar de clara, também nada tinha de inovador: "para comunicar...".
A verdade, meus amigos, é que os objectivos deste blog não ultrapassam essa simplicidade terminológica. Ourém é, como já escrevi, uma ferida aberta por uma separação inesperada que terá deixado coisas por dizer e por fazer. Ourém é, também, inquietação e desassossego: a cada momento que passa eu penso o que é que eles andarão hoje a destruir? E é esta associação entre o que em determinado momento teria feito para me reaproximar de Ourém e o desespero perante a prática fria de quem constroi destruindo o passado que justifica a minha atitude. Que fique bem claro: eu não sou contra o desenvolvimento de Ourém. Bem pelo contrário, pretendo que esse desenvolvimento seja forte e rápido e tenha um forte apoio em todas as camadas sociais e etárias.
Encontrei na tecnologia e nas facilidades associadas aos blogs um dos meios para me possibilitar a acção. Com efeito, optando por elas, não fico dependente das opiniões de um editor, não tenho que me dirigir a um jornal pedindo uma publicação e sujeitando-me a alguns entraves. Tenho liberdade de publicação. Não é que isso não aconteça com a imprensa de Ourém: entre 1972 e 1975 escrevi o que quis em qualquer dos jornais. Mas é diferente, não há datas, não há limitações para além daquelas que a minha consciência e o meu civismo me ditarem. Posso escrever um texto grande ou pequeno, posso criar e formatar o meu jornal como muito bem me apetecer. Há, no entanto, alguns riscos: o jornal tradicional tem logo um conjunto de dois ou três mil leitores a quem chega, este humilde blog ao princípio só é lido por quem o cria e é relativamente demorado até ser captado pelos diversos motores de pesquisa. Mas nem este aspecto me preocupou muito: é muito mais importante para mim dizer o que digo e deixá-lo registado do que ter acesso imediatamente a outras pessoas através de uma forma tradicional. É que o jornal desaparece e, naturalmente, esquece, o conteúdo do blog não: o que escrevi há um ano está aqui imediatamente e sempre disponível.
Há uns anos, quando tomei contacto com as potencialidades da Internet, logo pensei em criar uma página sobre Ourém. Custava-me a engolir que a minha colaboração com a imprensa local, há uns trinta anos, estivesse a ser, ou já tivesse sido, devorada por roedores e sentia que havia algo mais a dizer relacionado com algumas coisas de que gostava muito em Ourém e que sentia ameaçadas ou nem por isso. Idealizava páginas sobre o assunto, mas esbarrava sempre na questão do servidor. O blog tem este obstáculo resolvido. Eu escrevo, publico quando quero e, pelo menos até à data, tudo é à borla com a ferramenta que utilizo. Posso ainda simular e comemorar datas históricas como o acompanhamento que fiz este ano do aproximar do 25 de Abril, dando a ilusão de uma reprodução da situação.
Terceiro e último aspecto da questão: e como vai ser no futuro? Confesso que não sei. O tema a nossa Ourém esgota-se, esgota-se porque há outras coisas que podem ser importantes, mas não são a minha Ourém e isto tem que corresponder ao projecto para que foi criado. Assim quando os temas acabarem, só há uma solução: conscientemente, terminar e não deixar andar por aqui uma lengalenga saudosista a arrastar-se. Mas, mesmo nessas circunstâncias, existirá aí uma monumental vantagem do blog: o escrito aqui ficará sempre acessível através do seu endereço e cada post será susceptível de comentários pelos amigos de Ourém ou por essa magnífica malta que me foi dado conhecer no Sábado do encontro dos blogs.

segunda-feira, maio 24, 2004

Obrigado, Zé Oliveira


Foi dito e feito,
como vê.
Bastou ter papel a jeito
e reparar em você.

No cabelo gastei pouca tinta,
mas do bigode não direi tanto.
Quando a gente se requinta,
sai uma caricatura num instanto

Diga lá s'isto aí chegou
porque eu gosto de ter a certeza.
Se algo no envio falhou,
remediarei com presteza


domingo, maio 23, 2004

Gostei
Finalmente conheci aqueles que, mais recentemente, percorrem os cantinhos de que fui sendo desapossado: o Frederico, o Sérgio, o André, a Joana e o Pedro sobrinhos do meu querido amigo Ferraz. Isto é, o Castelo estava lá em peso.
Finalmente, dirigi a palavra a pessoas a quem conheço de vista há quase cinquenta anos e a quem nunca me tinha dirigido: o Sérgio Ribeiro, o Ginja…
Conheci outras pessoas de quem não me esquecerei: o João e o Zé Oliveira, o último teve o desplante de elaborar uma caricatura tendo-me por objecto.
Conheci os autores do livro sobre blogs: o Paulo Querido e o Luís Enes. Mas não era essa a minha maior preocupação.
Há que dizer que fui muito bem recebido pelo Som da Tinta. O espaço é excelente, tenho desejos de lá voltar. E ofereceram-me dois livros muito saborosos: os apontamentos do Dr. Durão e o primeiro volume dos cinquenta anos da Casa de Ourém. Voltaremos a estes textos.
Sei que o meu discurso foi um pouco desastrado. Aliás, como é sempre nestas ocasiões. Vou refazê-lo e pôr neste blog o que queria lá dizer. Se calhar já conhecem, mas nunca é errado arrumar as coisas.
Aprendi que é preciso fazer algo para ligar este nosso instrumento à comunidade onde se insere. Se isso tivesse sido feito, talvez a presença de distintos oureenses não tivesse sido tão fraca. Mas, reparem, este pode ser o outro lado da privacidade de que falámos e que, então, terá duas faces: eu posso querer fazer um blog e que não saibam quem sou, eu posso querer ir ver o que o outro escreveu e que não saibam que lá estive. Tudo é possível, por isso, para já, não desisto e continuarei esta crónica da destruição de Ourém. Apesar de ser verdade que a inspiração está um pouco por baixo.

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