sexta-feira, julho 20, 2007

Esperança

Pouco passa das dez. À porta da Assembleia houve-se essa música fabulosa: Camaradas cantemos unidos porque é nossa a vitória final...
Uma sindicalista fala, os carros vão acompanhando desencadeando uma espécie de buzinão dirigido à política do governo. Não sei como se sentirão os deputados do PS. Eu, no seu papel, depois das promessas eleitorais sentir-me-ia muito mal ao ver que as pessoas não reconheceriam este meritório serviço que vêm prestando ao país (isto é aos grandes capitalistas). Mas também não estou lá e nem todos usam dos escrúpulos que eu uso...
Os protestos continuam, agora em relação ao desemprego. Poderá haver alguma esperança no meio de tudo isto? Ou o que se escreve não é mais do que uma “crónica do desemprego anunciado” a avaliar pela legislação recente aprovada relativamente à função pública?
Parece-me agora reconhecer a voz do novo doutorado Carvalho da Silva a denunciar tentativas parta alterar a constituição no sentido de maior facilitação de desemprego ainda hoje relatadas pelo Público. “O que é que o patronato quer mais?”, pode perguntar-se perante a selvajaria que caracteriza actualmente as relações laborais.
Lá em baixo o sindicalista promete: “a luta vai continuar, camaradas”. Sócrates parece ter esse mérito de unir todos e conseguir levar as pessoas para a rua, para o protesto.
A canção volta: "Venceremos, venceremos, na batalha da terra e do pão...". Os carros continuam o buzinão. No final, há que dizer que a esperança permanece.

quinta-feira, julho 19, 2007

Preparativos para férias

Os papéis foram-se amontoando e enchendo de pó. Tenho alguma relutância em enviá-los para o lixo. Quem sabe se pelo meio de algum daqueles montes pestilentos existe algo de importante?
Lá em baixo, uma vigília dos sindicatos mimoseia os deputados com “os abutres” do Zeca: eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada...
Compreendo a sua apreensão que também é a minha num momento em que a ofensiva do governo contra a estabilidade de emprego se acelera. Este já não tem muito tempo, breve tem de trazer alguma benesse que as eleições já se vêem e os resultados de Lisboa não auguram nada de bom em relação à disposição do pessoal. De maneira que nos próximos meses vai disparar forte e, como já demonstrou, sem piedade.
Sinto sempre preguiça em ir para férias. Aos poucos habituei-me a esta rotina e vou sentir a falta da chegada, do olhar sobre o Tejo, do ritual do dia a dia com o blog pelo meio... Mas ainda sou um sortudo comparado com outros portugueses. Até quando é que já não vos sei dizer.
E o raio dos papéis continuam aqui ao lado. Bom, tenho de tomar uma atitude...

quarta-feira, julho 18, 2007

Ourém no Leiria Digital



De acordo com estudo a publicar brevemente pelo ISEG, integrado no projecto de avaliação de maturidade dos serviços de informação das autarquias, e destinado a avaliar a contribuição dos projectos de desenvolvimento de regiões digitais para as autarquias que os financiam, na vertente informação para o munícipe, a câmara de Ourém apenas teve um acréscimo de 1,16 p.p. na sua avaliação de maturidade num total de 8,9 p.p. possíveis e disponibilizados pelo Leiria Digital através dos apontadores para portais turístico e empresarial o que revela um grau de aproveitamento de 13% bem inferior ao de Leiria (60%) e só superior ao de Pombal, câmara que tradicionalmente tem vindo a ocupar os lugares cimeiros na avaliação de maturidade.
Se não é de admirar o que respeita a Pombal, o que acontece com Ourém, que assim foi ultrapassada por Leiria no ranking de maturidade, põe em causa a maneira como participa a nossa autarquia nas decisões daquele projecto: aparentemente, e, repetimos, na vertente informação ao munícipe, Ourém está a financiar algo de que já tem 87%.
Impor-se-ia, para tranquilidade do munícipe, que o presidente David esclarecesse o que espera Ourém ainda daquele projecto e o que conta beneficiar dele já que, a avaliar pelo andamento, parece que o seu desenvolvimento fica para trás...
Nota: nesta fase, apenas considerámos as autarquias que estiveram na origem do Leiria Digital, o que não altera em nada os resultados

terça-feira, julho 17, 2007

4 anos

Só agora dei por isso.
Há quatro anos, exactamente há quatro anos, nascia numa manjedoura em Ourém um blog que raro passava das trinta visitas diárias, metade das quais com origem no seu alimentador.
O tempo foi passando e o blog ficando. Os assuntos umas vezes são de Ourém outras não. Trata recordações do tempo do dono em termos de música, BD e estórias. Mas não se esquiva a dar uma ferroada à gestão autárquica, a sua excelência a classe ministerial e aos costumes oureenses.
As visitas subiram um pouco, mas agora voltaram à eterna miséria. Claro, o problema não está nos oureenses, mas na frágil inspiração do autor.
E que promete este?...
... que vos vai continuar a atentar, bem como ao terrível presidente David, pelo menos durante mais um ano.
Menos 17000 hectares de vinha


“Peça para sair da União Europeia” – dirá sua excelência o senhor ministro com ar matreiro e de gozo.
Mais uma vez vamos trocar a nossa produção por subsídios e incentivos à pré-reforma. Diz-se que o objectivo é produzir vinho de qualidade, mas o que aqui vejo é concentração a favor dos mais poderosos.
Cada vez mais a agricultura de subsistência é substituída por incentivos à inactividade. “Larguem as aldeias, concentrem-se nas cidades. Frequentem os centros comunitários. Comam produtos estandardizados, congelados, de frescura bem duvidosa. Isto é que é progresso”.
Pode ser, mas acho-o bem duvidoso...
Igualdade de recursos

Ontem, na SIC Notícias, o Dr. Meneses ainda não esclareceu se vai ou não ser candidato à liderança do PSD. Mas falou numa coisa muito importante: a igualdade de recursos em processo eleitoral no interior do partido. Quer o Dr. Meneses dizer que nenhuma força ou facção deve ser beneficiada ou prejudicada em função de cargos que já exerce ou do número de aderentes à sua causa. Esta é uma concepção verdadeiramente democrática. Por que razão tem um processo eleitoral de estar correlacionado com o anterior?
Pena é que só lhe sirva quando ele é o prejudicado pela situação dominante. Com efeito, tem o Dr. Meneses vindo a beneficiar em processos eleitorais autárquicos do facto de estar anteriormente no poder e dos maiores recursos do seu partido relativamente a outros concorrentes.
Tem o Dr. Meneses beneficiado e tem o presidente David. Ainda recordo a colossal desproporção de recursos na última campanha autárquica em Ourém. Uns nem fundos tinham para um cartaz, outros quase utilizavam os cartazes em papel de embrulho. Uma democracia assim é obviamente viciada e tende a deixar no poder os que já são poderosos.

segunda-feira, julho 16, 2007

A vitória do Dr. Costa

À primeira vista, parece uma vitória da esquerda, incluindo nela os eleitos do PS, CDU, BE e Roseta, mas temos as nossas dúvidas quanto às alianças que o novo presidente vai procurar.
Este já manifestou algum incómodo por não conseguir maioria absoluta: como o Governo tem vindo a demonstrar, esta é facilitadora das coisas, das medidas anti-populares, do exercício da autoridade. Também já deixou a suspeição de práticas a estar atento na frente Ribeirinha e nos terrenos eventualmente libertados pela deslocalização do aeroporto o que faz pensar em negócios chorudos com a sua vitória. Também já anunciou um conjunto de medidas imediatas para Lisboa, medidas de um pragmático que, em princípio, ninguém recusará.
Admitindo que Roseta, Ruben e Fernandes não apoiarão práticas que visem alienar bens públicos em favor de grandes interesses económicos, alguém se começa a colar ao novo poder e a mostrar como viabilizador das suas medidas: a lista de arguidos, suspeita de deter razoável experiência no assunto. Costa já percebeu e já falou em que fará acordos pontuais o que deixa entender que, possivelmente, até às eleições de 2009, não se passará muito para além das medidas de saneamento financeiro, de restabelecimento do funcionamento de serviços e de recuperação de velocidade de cruzeiro em termos de projectos em curso.
Se a vitória do Dr. Costa não foi assim uma grande vitória da esquerda, ela foi, no entanto, uma grande derrota da direita. A cabeça de Telmo Correia rolou por não ter convencido o eleitorado, um rude golpe para Portas, pouco tempo depois de ter regressado ao poder no partido. Por seu lado, Mendes, perante o desastre das suas hostes, já convocou directas no partido e prepara-se para resistir às facadas. Vem aí mais um show à PSD.
Mas um sinal interessante destas eleições foi a afirmação das listas de independentes. Carmona e Roseta conseguiram eleger cinco vereadores e ambos atingiram votações superiores a 10%. Sem querer diminuir o papel que os partidos devem ter na nossa sociedade, penso que este facto é muito prometedor. Imaginemo-lo em Ourém. Suponhamos que Moura, ainda ferido pelo vitória do Garanhão, em 2009, cria a sua lista e se apresenta a votos competindo com o seu próprio partido. Tenho a firme convicção que ganhará ao adversário da sua área política: não houve alguém que afirmou que para as concelhias do PSD deveria votar todo o povo de Ourém? Mas, ao mesmo tempo, poderia abrir caminho a que outras listas de independentes se apresentassem em Ourém, desafiando o monolitismo conservador das forças estabelecidas e ajudar a que as tradicionais favas contadas para o partido dominante, com uns subsídios para o complemento do centrão, fossem um pouco mais partilhadas...
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